{"id":3070,"date":"2025-05-14T16:27:00","date_gmt":"2025-05-14T19:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-09-26T16:28:19","modified_gmt":"2025-09-26T19:28:19","slug":"capitulo-03","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/cruel-warmth\/capitulo-03\/","title":{"rendered":"CAP\u00cdTULO 03"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"center\"><b>Krasny \u2022 1971<\/b><\/p>\n\u2003\u2003O TREMELUZIR DA VELA, QUE N\u00c3O TARDOU A SE APAGAR, ANUNCIOU A CHEGADA DELA.<br>\n\u2003\u2003Ainda assim, o velho bruxo pouco fez men\u00e7\u00e3o de mover-se de onde estava. Os olhos %obsidianos% moviam-se pacientemente pelo tomo aberto \u00e0 sua direita, anotando com uma letra cursiva elegante, em um pergaminho limpo, suas pr\u00f3prias observa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 <i>maldi\u00e7\u00e3o<\/i> que estava estudando, a fim de encontrar uma alternativa para a mesma. Estava sentado em uma de suas mesas preferidas da biblioteca de Durmstrang, feita de madeira de jacarand\u00e1, com pequenos veios tingidos de um tom mais escuro devido ao verniz utilizado e com discretos arranh\u00f5es onde a ponta de seu <i>aparo<\/i> havia raspado acidentalmente, quando pressionado com muita for\u00e7a contra o pergaminho. Era uma mesa resistente e maci\u00e7a, localizada em um ponto estrat\u00e9gico. Ficava no segundo andar da biblioteca, em um patamar extenso, com o assoalho de madeira que rangia sob a distribui\u00e7\u00e3o de pesos, embora fosse suficientemente robusto para sustentar as outras mesas espalhadas na entrada, antes que in\u00fameras estantes abarrotadas de livros se estendessem para tr\u00e1s. Uma s\u00e9rie de escadarias \u2014 estas menores que as espirais que levavam ao segundo andar da biblioteca \u2014 enroscavam-se na parede de pedra do local, abrindo-se para passagens abobadadas com portas de metal, vidro e uma pequena cobertura de trepadeiras, levando a um espa\u00e7o externo do Instituto Durmstrang, onde um jardim costumava ficar.<br>\n\u2003\u2003Durante o inverno, o jardim era enfeiti\u00e7ado para espelhar uma estufa, sem privar as plantas do sol ou da \u00e1gua da chuva. Era um espa\u00e7o que Vladimir Krasny sabia que os alunos, especialmente os mais velhos, gostavam de frequentar para se distra\u00edrem ou socializar \u2014 levando em considera\u00e7\u00e3o o que jovens de quinze e dezesseis anos <i>tinham<\/i> em mente sobre <i>socializar<\/i>. Apenas sentar e jogar conversa fora, \u00e0s vezes; alguns mais ousados tentavam quebrar as regras expl\u00edcitas sobre demonstra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de afeto, mas n\u00e3o tardavam a ser impedidos por algum feiti\u00e7o de Vladimir Krasny. Era uma forma que o velho bruxo havia encontrado de passar algumas horas em paz no Instituto. A presen\u00e7a de alunos depois das sete horas da noite era <i>terminantemente<\/i> proibida, portanto, Vladimir Krasny sabia perfeitamente bem que n\u00e3o era um <i>aluno<\/i> que se aproximava de sua mesa.<br>\n\u2003\u2003O ponto estrat\u00e9gico no segundo andar n\u00e3o era escolhido em v\u00e3o. O professor Krasny era meticuloso at\u00e9 mesmo na maneira como se <i>posicionava<\/i> nos espa\u00e7os. Suas costas sempre ficariam voltadas para as paredes, e ele sempre estaria voltado para a frente de um corredor ou porta. Chame-o de paranoico ou maluco, mas o velho bruxo n\u00e3o era o tipo de pessoa que desconsiderava um ataque imediato, fosse de quem quer que fosse.<br>\n\u2003\u2003Os passos ecoaram \u00e0 sua esquerda, vindos da escada em espiral, um pequeno rangido escapando da balaustrada de mogno escuro, esculpida com tem\u00e1tica voltada \u00e0 Floresta Negra \u2014 testr\u00e1lios cuidadosamente esculpidos sobre suas patas dianteiras, envoltos por algo que parecia ser <i>espinhos<\/i>, que sempre se moviam um pouco quando algu\u00e9m repousava suas m\u00e3os sobre o apoio, liberando o acesso silenciosamente. As velas, enfileiradas em pequenos, por\u00e9m percept\u00edveis casti\u00e7ais de prata \u2014 agora um pouco enferrujados pela umidade do inverno e do tempo \u2014 tremeluziam, anunciando que <i>quem<\/i> havia parado \u00e0 sua frente era, <i>exatamente<\/i>, quem ele esperava encontrar.<br>\n\u2003\u2003Vladimir Krasny tencionou a mand\u00edbula com for\u00e7a, o m\u00fasculo bem marcado de sua mand\u00edbula quadrada saltando um pouco com o movimento, e um pequeno exalo escapou por suas narinas \u2014 n\u00e3o por causa de sua pr\u00f3pria natureza impaciente, muito menos de resigna\u00e7\u00e3o \u2014 apenas um suspiro silencioso, acirrado, derivado de sua emp\u00e1fia pessoal para com as teatralidades e palha\u00e7adas da bruxa.<br>\n\u2003\u2003Mas afinal, quem era ele para julgar algu\u00e9m por sua postura pessoal?<br>\n\u2003\u2003\u2014 Admira-me o sadismo, mas, ap\u00f3s tanto tempo, voc\u00ea <i>j\u00e1 deveria<\/i> saber que isso n\u00e3o ir\u00e1 funcionar comigo, <i>Joanne<\/i> \u2014 Vladimir se pronunciou calmamente, seu tom de voz baixo revelando at\u00e9 uma monotonia crescente de uma alma enrijecida por v\u00e3s tentativas de tormentos pouco significativos.<br>\n\u2003\u2003O velho bruxo repousou seu <i>aparo<\/i> sobre o suporte atrelado ao pequeno e quadrado pote de tinta preta, enfeiti\u00e7ado para que desaparecesse sob o toque de qualquer outra pessoa que n\u00e3o fosse <i>Krasny<\/i>, e ent\u00e3o, dobrando a folha em dois, queimou-a, observando-a desaparecer no ar, mentalmente sussurrando o feiti\u00e7o, torcendo que aparecesse no local certo, desta vez.<br>\n\u2003\u2003Vladimir voltou sua linha de olhar para a pessoa que se aproximava. \u00c9 claro, ver Joanne Karine Rozenn transfigurada em <i>Rio<\/i> n\u00e3o havia sido consideravelmente algo agrad\u00e1vel de presenciar, mas, igualmente, Krasny n\u00e3o era conhecido por seu lado emocional aflorado. Se ele sentira raiva, dor ou at\u00e9 mesmo pesar, fez quest\u00e3o de ocultar de seu rosto tais emo\u00e7\u00f5es, apenas observando a bruxa com indiferen\u00e7a.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Vamos continuar com os jogos, Joanne? Ou, desta vez, ser\u00e1 direta comigo?<br>\n\n\u2003\u2003Joanne, transfigurada em Rio, inclinou a cabe\u00e7a para o lado, o gesto estranhamente mais felino do que deveria ser, enquanto os olhos de obsidiana \u2014 refletindo um tom pr\u00f3ximo dos dele \u2014 cintilavam com um brilho an\u00f4malo. Vladimir Krasny ergueu o queixo um pouco mais, observando-a com cuidado.<br>\n\u2003\u2003O rosto de %Lucille% sempre havia sido uma <i>c\u00f3pia perfeita<\/i> do rosto de Rio; a menina tinha o mesmo formato de olhos, as mesmas sobrancelhas, as mesmas cores de Rio, com exce\u00e7\u00e3o pela tonalidade da pele e textura dos cabelos \u2014 estas, heran\u00e7as de Django %Vatra%, lembrava-se Vladimir Krasny perfeitamente bem. Mas a imita\u00e7\u00e3o de Joanne era perturbadora pela <i>falta<\/i> daquele <i>brilho<\/i> que Rio, e at\u00e9 mesmo %Lucille%, <i>compartilhavam<\/i> de <i>intelig\u00eancia<\/i>. Era discreto, mas nato, e talvez, se fosse colocar em perspectiva, heredit\u00e1rio: uma curiosidade <i>intr\u00ednseca<\/i>, um anseio por <i>observar<\/i> e buscar sempre alguma coisa para se desvendar, para se <i>compreender<\/i>; Joanne <i>jamais<\/i> conseguiria replicar.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Se n\u00e3o soubesse melhor, Joanne \u2014 Vladimir Krasny se pronunciou com calma, recostando-se contra a cadeira enquanto os olhos %obsidianos% mantinham-se fixos no rosto transfigurado da bruxa \u2014, diria que, no fundo, na verdade, seu desejo nunca foi poder ou aclama\u00e7\u00e3o, mas sim vestir a pele de algu\u00e9m que jamais poder\u00e1 ser.<br>\n\u2003\u2003Os olhos de Joanne, agora os de Rio, se estreitaram com irrita\u00e7\u00e3o, mas a bruxa n\u00e3o lhe respondeu.<br>\n\u2003\u2003\u2014 A que se deve toda essa teatralidade? \u2014 Vladimir suspirou pesado, limpando as pontas de seus dedos na lateral do tecido de sua cal\u00e7a de alfaiataria, antes de cruzar os bra\u00e7os sobre o peito. Uma mecha de seu cabelo acobreado \u2014 agora mais grisalho e longo \u2014 pendeu sobre seu rosto, enquanto observava a bruxa oportunista.<br>\n\u2003\u2003\u2014 S\u00f3 achei que fosse <i>voc\u00ea<\/i> quem gostasse de jogos, professor Krasny \u2014 Joanne abriu um sorriso doce, e talvez a crueldade do gesto se desse justamente com maior efetividade do que nenhuma palavra de \u00f3dio ou acusa\u00e7\u00f5es seriam capazes de alcan\u00e7\u00e1-lo, exatamente porque Vladimir nunca havia visto tal gesto no rosto da crian\u00e7a que, de certa forma, havia ajudado a criar \u2014 e jamais poderia ver. Vladimir compreendia o problema de toda a situa\u00e7\u00e3o, compreendia a dimens\u00e3o de suas pr\u00f3prias escolhas e o que muito provavelmente deveria ter feito n\u00e3o s\u00f3 com Blanche \u2014 t\u00e3o culpada quanto \u2014 como com o velho obcecado Greengrass e seus filhos, especialmente Rio. E n\u00e3o culpava sua crian\u00e7a por sequer desejar t\u00ea-lo por perto.Verdade seja dita, n\u00e3o era o sangue que determinava <i>parentalidade<\/i> e <i>fam\u00edlia<\/i>, mas Joanne sabia onde cortar para piorar a ferida.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Dissimula\u00e7\u00f5es, mentiras e omiss\u00f5es parecem ser uma boa caracter\u00edstica para a fam\u00edlia Krasny, n\u00e3o? \u2014 Joanne disse, desta vez n\u00e3o parecendo interessada em simular a voz de Rio ou, muito provavelmente, j\u00e1 n\u00e3o se lembrava mais do tom.<br>\n\u2003\u2003Krasny trincou os dentes, assentindo lentamente \u00e0s palavras, sem desviar o olhar.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Sempre achei que era uma caracter\u00edstica heredit\u00e1ria, um DNA corrupto e inferior e, veja s\u00f3, se n\u00e3o estou certa! H\u00e1 quanto tempo tem estado em contato direto com aquela <i>desculpa pat\u00e9tica<\/i> do diretor de Hogwarts, Krasny? Desde o \u00faltimo inverno? Apenas recentemente? Vamos l\u00e1, me conte um pouco mais, estou <i>curiosa<\/i> para saber sobre seus pr\u00f3prios planos.<br>\n\u2003\u2003Vladimir apertou os l\u00e1bios, desviando os olhos momentaneamente para o livro e, ent\u00e3o, para Joanne novamente. Por uma fra\u00e7\u00e3o de segundos, o sil\u00eancio se instaurou na biblioteca, permeado apenas pelo <i>tic-tac<\/i> constante do rel\u00f3gio ao fundo do primeiro andar. Os olhos %obsidianos% do velho bruxo percorreram o rosto de Rio, encontrando as pequenas falhas na po\u00e7\u00e3o de Joanne, o que n\u00e3o condizia com o que Rio um dia havia sido. Sua pele estava um tom mais p\u00e1lido do que a de Rio, os cabelos %acobreados% dois cent\u00edmetros mais longos, o corte pixie propositalmente mais raspado nas laterais e na nuca, o que Joanne, aparentemente, nunca havia percebido.<br>\n\u2003\u2003Joanne n\u00e3o era <i>minuciosa<\/i>, n\u00e3o quando se tratava de outra pessoa que n\u00e3o fosse ela mesma.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Sua an\u00e1lise sobre meu car\u00e1ter pouco me afeta, Joanne \u2014 disse Vladimir, em um tom de voz baixo e cauteloso, quase paternalista, estreitando os olhos enquanto a observava. Ent\u00e3o, umedeceu os l\u00e1bios, suspirando pesadamente. Vladimir apoiou os dois cotovelos sobre a mesa, unindo as sobrancelhas, observando-a com aten\u00e7\u00e3o. \u2014 O que fiz com voc\u00ea, com sua fam\u00edlia, n\u00e3o foi justo. Eu <i>entendo<\/i> e pe\u00e7o desculpas por isso. \u2014 O queixo de Joanne se contraiu de uma forma que era <i>unicamente<\/i> dela, n\u00e3o de Rio. Vladimir permaneceu impass\u00edvel. \u2014 N\u00e3o era, e jamais foi, minha responsabilidade cuidar do envolvimento de sua m\u00e3e com seu pai. Cabia apenas <i>a ela<\/i> lidar com as emo\u00e7\u00f5es dele, e n\u00e3o Rio. No entanto, foi, admito, <i>minha responsabilidade<\/i> afast\u00e1-la quando tive a chance. E falhei. Sei que minhas decis\u00f5es, como as dela, magoaram voc\u00ea e os seus. E estaria mentindo se dissesse que n\u00e3o eram minhas inten\u00e7\u00f5es, pois n\u00e3o me importava. E, ainda hoje, n\u00e3o me importo. Mas entendo seu ressentimento. Todavia, isso <i>precisa<\/i> acabar. Voc\u00ea n\u00e3o pode passar o resto da sua vida usando-me como sua <i>justificativa<\/i>.<br>\n\u2003\u2003Joanne bufou, abrindo um sorriso afiado, e Vladimir Krasny percebeu como aquela po\u00e7\u00e3o, que havia mudado sua forma, distorcia n\u00e3o apenas a imagem de Rio, mas a pr\u00f3pria vis\u00e3o <i>dela<\/i>. Vladimir Krasny sabia, por experi\u00eancia pr\u00f3pria, que era poss\u00edvel criar-se monstros, que decis\u00f5es equivocadas eram, muitas vezes, as respons\u00e1veis por faz\u00ea-los, mas, olhando agora para Joanne, Krasny n\u00e3o p\u00f4de deixar de se questionar: teria sido <i>ele<\/i> quem a tornara quem era? A faz\u00ea-la divertir-se com as m\u00e1scaras que usava? Ou ele fora apenas aquele que esbarrou naquela porta e a abriu?<br>\n\u2003\u2003\u2014 <i>Quem<\/i> voc\u00ea pensa que \u00e9 para dizer como devo me sentir ou n\u00e3o, Krasny? \u2014 Joanne rosnou entre dentes, inclinando a cabe\u00e7a novamente daquela forma quase felina e inquietante. O sorriso que se espalhou pelo rosto de Joanne, agora transfigurado no de Rio, n\u00e3o enviou uma onda de <i>medo<\/i>, mas fez Vladimir considerar al\u00e7ar sua varinha. \u2014 Por favor, pare de agir como se eu fosse uma garotinha perdida em busca de conselhos. Eu n\u00e3o sou. J\u00e1 estabelecemos que \u00e9 percept\u00edvel minha <i>superioridade<\/i> at\u00e9 mesmo diante de voc\u00ea, <i>Professor Krasny<\/i>. O que outros bruxos levam anos para aprender, eu s\u00f3 preciso de um pouco de for\u00e7a de vontade e um m\u00eas, talvez menos. \u00c9 por isso que a <i>pureza<\/i> deve ser mantida. Se minha m\u00e3e foi est\u00fapida o suficiente para se envolver com um vira-lata como voc\u00ea, ent\u00e3o a falta de car\u00e1ter n\u00e3o \u00e9 minha. Mas n\u00e3o se conven\u00e7a&#8230;<br>\n\u2003\u2003Vladimir uniu as sobrancelhas, pela primeira vez mostrando-se desconfiado das inten\u00e7\u00f5es de Joanne.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Ent\u00e3o por que est\u00e1 aqui?<br>\n\u2003\u2003\u2014 Porque <i>voc\u00ea<\/i> me <i>entret\u00e9m<\/i> \u2014 Joanne deu de ombros singelamente. Seus olhos \u2014 os de Rio \u2014 desviaram-se para o livro aberto que Vladimir lia anteriormente e, ent\u00e3o, encontraram os dele, brilhando como os de um gato. Ela usou a l\u00edngua para cutucar seu canino, sorrindo. \u2014 De todas as pessoas que j\u00e1 conheci, voc\u00ea, Professor Krasny, \u00e9 o mais pat\u00e9tico. Mas preciso ser honesta: seu truque em envolver Albus Dumbledore? Foi quase inteligente.<br>\n\u2003\u2003Vladimir n\u00e3o respondeu. Novamente a observou, desta vez colocando-se de p\u00e9 com um movimento l\u00e2nguido e lento, cuidadosamente planejado para n\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o de Joanne para o livro outra vez, mas sim manter sua aten\u00e7\u00e3o em seu rosto.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea pretende esclarecer suas palavras ou deixar os enigmas para tr\u00e1s de vez? \u2014 Vladimir retorquiu, fechando o livro \u00e0 sua frente, os dedos apertando com tanta for\u00e7a a capa dura do objeto que ficaram embranquecidos. Ele repousou o livro atr\u00e1s de si, enquanto a outra m\u00e3o finalmente envolvia sua varinha. \u2014 Muito bem, sendo assim, tenha uma boa noite, Vice-Diretora Rozenn. Assumo que, com tudo o que est\u00e1 acontecendo, voc\u00ea ir\u00e1 precisar.<br>\n\u2003\u2003Vladimir Krasny se inclinou para frente em uma mesura cort\u00eas \u2014 n\u00e3o porque de repente sentisse algum tipo de respeito pela bruxa \u2014 e fez men\u00e7\u00e3o de retirar-se dali. Os dedos firmes mantendo o livro atr\u00e1s de si, enquanto o velho bruxo, com a varinha presa \u00e0 m\u00e3o, puxava sua capa com mais for\u00e7a. Sua retirada foi cortada prematuramente quando a voz de Joanne voltou a ecoar pelo espa\u00e7o.<br>\n\u2003\u2003\u2014 %Lucille% \u00e9 <i>minha<\/i>, Professor Krasny \u2014 Joanne o interrompeu, igualmente pondo-se de p\u00e9 e ajeitando o colete verde-escuro que um dia havia pertencido a Rio, parecendo momentaneamente perder-se em seus pr\u00f3prios pensamentos ao admirar as roupas do la\u00e7o fraterno que havia condenado \u00e0 morte h\u00e1 alguns anos. Era curioso como Joanne, embora movida pelo \u00f3dio, parecesse na verdade sentir satisfa\u00e7\u00e3o em colocar-se sob a pele de Rio. Fazia com que Vladimir Krasny se questionasse se Joanne havia desprezado de fato Rio ou se havia algo ali a mais. Uma propens\u00e3o \u00e0 obsessividade, como o pai dela possu\u00eda. \u2014 E ordeno que a devolva.<br>\n\u2003\u2003Vladimir estreitou os olhos, observando-a com cuidado agora. Havia algo perigoso em Joanne, algo que o velho bruxo parecia ter subestimado erroneamente, mas que agora come\u00e7ava a ressurgir. De repente, a culpa pareceu tornar-se ainda maior ao pensar na figura raqu\u00edtica e encolhida, um pouco atrofiada, da garotinha nas catacumbas, com olhos %obsidianos% assustados e express\u00e3o esperan\u00e7osa, sempre dizimada pela crueldade que lhe rodeava. Teria Krasny cometido mais um erro em sua vida? Teria ele calculado mal, mais uma vez, ao considerar Joanne mais bondosa do que deveria?&#8230;<br>\n\u2003\u2003\u2014 Falando assim, quase faria um leigo acreditar que %Lucille% n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m de um objeto sob sua posse, Joanne \u2014 Vladimir disse, categoricamente calmo, os dedos apertando sua varinha com mais for\u00e7a. \u2014 %Lucille% \u00e9 sua sobrinha, Joanne, esqueceu-se disso?<br>\n\u2003\u2003Joanne, transfigurada como Rio, apenas deu de ombros, desdenhosa.<br>\n\u2003\u2003\u2014 %Lucille% \u00e9 o que os pais dela sempre foram: vira-latas, Professor Krasny. Mas ao menos ela \u00e9 <i>\u00fatil<\/i>, por ora \u2014 Joanne disse, revirando os olhos e, ent\u00e3o, inclinando a cabe\u00e7a para o lado, estreitando os olhos ao registrar a varinha na m\u00e3o do velho bruxo. \u2014 N\u00e3o vamos come\u00e7ar uma briga desnecess\u00e1ria, Professor Krasny, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de usar sua varinha comigo. Eu n\u00e3o sou seu inimigo.<br>\n\u2003\u2003\u2014 \u00datil? \u2014 Vladimir Krasny ecoou, tenso. \u2014 O que quer dizer com isso?<br>\n\u2003\u2003Joanne n\u00e3o respondeu, os olhos ainda fixos na varinha do velho bruxo, parecendo calcular seus pr\u00f3ximos passos. Vladimir a empunhou, apontando na dire\u00e7\u00e3o do peito de Joanne, transfigurada em Rio, e a bruxa ergueu as m\u00e3os para cima, em um gesto instintivo de rendi\u00e7\u00e3o \u2014 que Vladimir n\u00e3o acreditou nem por um segundo ser honesto.<br>\n\u2003\u2003\u2014 O que <i>voc\u00ea<\/i> fez com a menina, Joanne? \u2014 demandou Vladimir Krasny, mas Joanne apenas soltou um riso nasalado, desdenhoso. \u2014 N\u00e3o me fa\u00e7a perguntar outra vez, Rozenn.<br>\n\u2003\u2003\u2014 O qu\u00ea? Voc\u00ea vai fazer o qu\u00ea, Professor Krasny? Vai me amaldi\u00e7oar? Ou est\u00e1 pensando em ser mais ousado e usar alguma maldi\u00e7\u00e3o proibida? Cuidado, agora. Se seus novos aliados sequer sonharem que <i>voc\u00ea<\/i> est\u00e1 pensando em usar a maldi\u00e7\u00e3o da morte, ent\u00e3o passar\u00e1 <i>bastante<\/i> tempo em Azkaban \u2014 Joanne ronronou com um tom quase ir\u00f4nico. Professor Krasny n\u00e3o se intimidou, todavia, com o jogo de poder que ela havia tentado iniciar ali. Os olhos %obsidianos% de Rio, aos poucos, come\u00e7aram a se desfazer, evidenciando que a po\u00e7\u00e3o deveria estar perdendo seus efeitos.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Chega, Joanne! Me responda! \u2014 cortou Vladimir Krasny entre dentes, dando um passo na dire\u00e7\u00e3o da bruxa, esquecendo-se de ocultar o livro desta vez, concentrado apenas no que <i>realmente<\/i> Joanne estava planejando e, especialmente, no que ele n\u00e3o havia visto que ela tenha feito com %Lucille%. \u2014 O que voc\u00ea fez?!<br>\n\u2003\u2003\u2014 Eu? \u2014 Joanne deu de ombros, passando a m\u00e3o esquerda pelos cabelos %acobreados% como os de Rio e Vladimir Krasny, sem perceber que uma das mechas havia retornado ao tom branco como neve. \u2014 Ora, n\u00e3o seja tolo, Professor Krasny. Nunca achou estranho que Rio, sendo quem era, fosse se apaixonar justamente por algu\u00e9m como aquele vira-lata romeno? Por favor, meu pai passou a vida inteira obcecado por <i>Magia Ancestral<\/i>, e Rio convenientemente se apaixonou pela \u00fanica pessoa que, at\u00e9 agora, temos conhecimento, desde o s\u00e9culo XIX, que pode identific\u00e1-la?<br>\n\u2003\u2003Professor Krasny uniu as sobrancelhas, dando um passo para tr\u00e1s, meio cambaleante, pego desprevenido. Por uma fra\u00e7\u00e3o de segundos, demorou a compreender o que a bruxa estava dizendo. Os olhos do velho bruxo moviam-se de um lado para o outro, considerando as palavras de Joanne. At\u00e9 onde sabia, com o pouco que havia podido observar \u00e0 dist\u00e2ncia, a ideia de que Rio poderia ter se envolvido com Django %Vatra% puramente por um interesse calculista soava quase ilus\u00f3ria, de t\u00e3o contrastante com a realidade. Mas, ent\u00e3o, havia aquela pequena parte dentro de si que n\u00e3o poderia deixar de questionar se n\u00e3o havia algo nas atitudes de Rio que expusesse tais inten\u00e7\u00f5es prematuramente e que ele havia <i>escolhido<\/i> ignorar.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Oh&#8230; \u2014 Joanne exclamou, soltando um riso baixo, sadicamente divertida, enquanto estreitava os olhos. \u2014 Voc\u00ea n\u00e3o achava que Rio era capaz de ser t\u00e3o calculista quanto meu pai? Uau&#8230; Eu acreditava que voc\u00ea possu\u00eda algum dist\u00farbio psicossom\u00e1tico ou, no m\u00ednimo, alguma defici\u00eancia cognitiva, mas <i>essa<\/i> ingenuidade? Tenho que admitir, lhe cai muito, muito bem, <i>Professor<\/i>.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Eu <i>entendo<\/i> que voc\u00ea me despreze, Joanne, mas depois de todo esse tempo, essa sua obsess\u00e3o com Rio j\u00e1 foi longe o suficiente! Quando vai perceber que <i>isso<\/i> foi longe demais? \u2014 rosnou Vladimir Krasny, agora evidenciando uma irrita\u00e7\u00e3o que soava estrangeira em seu rosto sempre taciturno e coeso. \u2014 J\u00e1 n\u00e3o basta tudo o que escreveu? J\u00e1 n\u00e3o basta o que <i>fez<\/i> com eles?!<br>\n\u2003\u2003\u2014 Eu n\u00e3o fiz nada! \u2014 retorquiu Joanne, com um tom estridente, mais alto que o normal, retirando a varinha oculta no colete e empunhando-a.<br>\n\u2003\u2003Vladimir estreitou os olhos. Observou que a m\u00e3o direita da bruxa \u2014 a que segurava a varinha \u2014 apresentava um leve espasmo, o tremor comprometendo a maneira como ela, provavelmente, executaria sua magia.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Rio teve o que mereceu! E aquele vira-lata tamb\u00e9m! \u2014 cuspiu ela, inspirando entre dentes trincados. \u2014 N\u00e3o tenho culpa se outras pessoas s\u00e3o mais s\u00e3s do que idiotas como <i>voc\u00ea<\/i>! Eu s\u00f3 entreguei o que <i>todos<\/i> acreditavam, nada mais!<br>\n\u2003\u2003Vladimir soltou um bufar baixo, um sorriso quase incr\u00e9dulo surgindo em seus l\u00e1bios finos.<br>\n\u2003\u2003\u2014 \u00c9 nisso que tenta se convencer agora? Que apenas exp\u00f4s o que todos pensavam? Que n\u00e3o teve culpa de nada? Nem mesmo de <i>influenci\u00e1-los<\/i> a temer algo que sequer compreendiam? \u2014 Vladimir balan\u00e7ou a cabe\u00e7a, descrente, dando um passo cauteloso para a esquerda. Firme, preciso. \u2014 Tente outra mentira, Joanne. Esta j\u00e1 est\u00e1 ultrapassada, mesmo para voc\u00ea. \u2013 O velho bruxo se endireitou, assumindo uma postura de combate, erguendo o queixo, imponente. \u2014 Observei voc\u00ea durante todo esse tempo, Joanne. Esse <i>\u00f3dio<\/i> que gosta de fingir sentir pelos <i>n\u00e3o-m\u00e1gicos<\/i>&#8230; esse desprezo que finge ter por Rio&#8230; e, no entanto, continua a transfigurar-se nele. \u2014 Vladimir abriu um sorriso, desta vez sem a express\u00e3o contida e distante do velho professor. Era um sorriso cruel, que deixava vislumbrar o monstro oculto sob a m\u00e1scara que Joanne, t\u00e3o cuidadosamente, usava. \u00d3timo. Facilitaria o que ele precisava fazer. \u2014 Voc\u00ea n\u00e3o os odeia, odeia? Quer <i>ser<\/i> como eles. Quer ser <i>admirada<\/i> por eles. <i>Respeitada.<\/i> Mas sabe que <i>jamais<\/i> conseguir\u00e1. Nem mesmo <i>seu<\/i> pai pode am\u00e1-la, Joanne&#8230; por que diabos outros o fariam?<br>\n\u2003\u2003\u2014 <i>Crucio!<\/i> \u2014 rosnou Joanne entre dentes.<br>\n\u2003\u2003\u2014 <i>Expelliarmus!<\/i> \u2014 rebateu Vladimir Krasny, bloqueando o feiti\u00e7o e lan\u00e7ando-se para a esquerda, girando e, ent\u00e3o, desferindo seu pr\u00f3prio feiti\u00e7o.<br>\n\u2003\u2003A varinha de Joanne tremeu em sua m\u00e3o, mas n\u00e3o teria escapado de imediato se a bruxa n\u00e3o estivesse com espasmos. Vladimir exalou entre dentes, avan\u00e7ando em sua dire\u00e7\u00e3o, largando o livro que tentava ocultar para focar apenas nela. Agarrou o colarinho da blusa de Rio, empurrando Joanne contra a estante mais pr\u00f3xima, apoiando a varinha sob sua mand\u00edbula. \u2014 \u00daltima chance, Rozenn. <i>O que<\/i> voc\u00ea fez com <i>minha neta<\/i>? \u2014 rosnou Vladimir, sua voz soando duas oitavas abaixo do normal \u2014 um aviso silencioso de perigo.<br>\n\u2003\u2003Pela primeira vez, o semblante s\u00e1dico de Joanne vacilou. Ela ergueu as m\u00e3os instintivamente, num gesto de rendi\u00e7\u00e3o, ou ao menos para demonstrar que n\u00e3o representava amea\u00e7a imediata. Vladimir n\u00e3o moveu um cent\u00edmetro.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Tudo bem, tudo bem, eu digo&#8230; \u2014 come\u00e7ou Joanne, ofegante, quando Vladimir apertou mais forte seu colarinho, puxando o tecido para sufoc\u00e1-la. \u2014 Eu digo&#8230; \u2014 repetiu ela, os olhos obsidianas de Rio finalmente desaparecendo, dando lugar aos olhos prateados dos Rozenn. Vladimir Krasny nunca sentira um \u00f3dio t\u00e3o forte. Naquele momento, a f\u00faria queimava por suas veias. \u2014 Uma liga\u00e7\u00e3o \u2014 explicou Joanne, com um grunhido baixo, tentando se soltar do aperto, sem sucesso. \u2014 Eu fiz um feiti\u00e7o de liga\u00e7\u00e3o&#8230; ligando a garota a mim \u2014 admitiu ela entre dentes, sustentando o olhar surpreso e controladamente furioso de Vladimir. Ele apertou ainda mais sua varinha. \u2014 Sejamos honestos&#8230; ela \u00e9 um desperd\u00edcio de habilidade! <i>Eu<\/i>, pelo menos, <i>sei<\/i> o que fazer com todo aquele potencial&#8230; \u2014 come\u00e7ou Joanne, soltando um riso baixo quando Vladimir amea\u00e7ou lan\u00e7ar-lhe um feiti\u00e7o. \u2014 N\u00e3o! N\u00e3o fa\u00e7a isso \u2014 quase riu \u2014, porque&#8230; o que voc\u00ea faz <i>comigo<\/i>, faz com a garota <i>tamb\u00e9m<\/i>. Eu posso drenar a magia dela, mas o que acontecer comigo, acontece com ela. \u2014 O sorriso que surgiu em seus l\u00e1bios era <i>quase<\/i> incandescente.<br>\n\u2003\u2003Vladimir Krasny arregalou os olhos, horrorizado.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Se me <i>matar<\/i>&#8230; voc\u00ea mata ela tamb\u00e9m!<br>\n\u2003\u2003Pela primeira vez, em todos os seus anos naquele lugar, Vladimir Krasny n\u00e3o soube o que responder \u00e0 bruxa \u00e0 sua frente. Por uma fra\u00e7\u00e3o de segundo, seu aperto vacilou.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Ah, por favor, j\u00e1 chega dessa atua\u00e7\u00e3o. Todos sabemos que voc\u00ea <i>nem<\/i> se importa tanto assim com a menina. Voc\u00ea s\u00f3 quer imunidade dos idiotas brit\u00e2nicos para n\u00e3o ir para Azkaban \u2014 rosnou Joanne.<br>\n\u2003\u2003Os olhos de Vladimir queimaram o rosto da mulher. Suas m\u00e3os, sempre est\u00e1veis, tremeram levemente com a acusa\u00e7\u00e3o. O sorriso de Joanne aumentou, satisfeito.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Ah, ent\u00e3o era <i>este<\/i> o plano, hein? Entregar a garota para a tutela de Dumbledore e assegurar que ningu\u00e9m viesse atr\u00e1s de voc\u00ea quando <i>\u201cdescobrissem\u201d<\/i> sua <i>colabora\u00e7\u00e3o<\/i> em mant\u00ea-la nas catacumbas, hein? \u2014 Joanne riu baixo, desdenhosa. \u2014 Agora, <i>esse<\/i> \u00e9 o Professor Vladimir Krasny que <i>eu<\/i> conhe\u00e7o.<br>\n\u2003\u2003Vladimir grunhiu baixo, pressionando a ponta da varinha com mais for\u00e7a contra o pesco\u00e7o de Joanne, observando-a abaixar lentamente as m\u00e3os \u2014 sem, contudo, perder o ar de divertimento sombrio que pairava em seu rosto, desfazendo-se da po\u00e7\u00e3o que a fizera parecer Rio.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Ainda pode conseguir o que quer, Krasny. Inferno, estou disposta a ajud\u00e1-lo, se for preciso. S\u00f3 me diga onde a garota est\u00e1 e pronto&#8230; est\u00e1 tudo resolvido \u2014 tentou Joanne. Mas Vladimir Krasny n\u00e3o respondeu.<br>\n\u2003\u2003Joanne revirou os olhos, exasperada, resignada com o sil\u00eancio do velho bruxo. Murmurou, com desprezo:<br>\n\u2003\u2003\u2014 Tudo bem, eu a encontro sozinha.<br>\n\u2003\u2003Ela estendeu a m\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 varinha, conjurando:<br>\n\u2003\u2003\u2014 <i>Accio.<\/i><br>\n<p align=\"center\">\u2022\u2022\u2022<\/p>\n\u2003\u2003<b>AJEITANDO A LAPELA DE SUA CAPA, ELE VOLTOU SEU OLHAR BREVEMENTE PARA O ESPELHO, COM UM SORRISO SATISFEITO.<\/b><br>\n\u2003\u2003N\u00e3o estava impec\u00e1vel, mas era bom o suficiente por enquanto. Ajeitou os cabelos novamente, alinhando-os com a perfei\u00e7\u00e3o que se esperava dele \u2014 e que ele, certamente, exigia de si mesmo \u2014 antes de terminar de abotoar as mangas de sua camisa branca com abotoaduras de prata, ostentando o emblema de Durmstrang.<br>\n\u2003\u2003\u2014 Professor Krasny! Professor! \u2014 a voz de Volkov ecoou pelos aposentos antes mesmo de ele perceber a intromiss\u00e3o em suas prepara\u00e7\u00f5es para a noite.<br>\n\u2003\u2003Endireitando-se, voltou-se na dire\u00e7\u00e3o de Volkov, que surgiu descabelado, ofegante, com os olhos pretos arregalados e uma palidez crescente. Ele j\u00e1 sabia o que o outro viria dizer, mas, fosse por sadismo ou mera curiosidade, permitiu que Volkov prosseguisse.<br>\n\u2003\u2003Repousou as m\u00e3os unidas \u00e0 frente do corpo, acenando com a cabe\u00e7a para que seu colega continuasse.<br>\n\u2003\u2003\u2014 \u00c9 a Vice-Diretora Rozenn! Na biblioteca, senhor! Alguns alunos&#8230; acabaram de encontr\u00e1-la&#8230; senhor, a Professora Rozenn est\u00e1 morta!<br>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Krasny \u2022 1971 \u2022\u2022\u2022<\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":true,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[1214],"class_list":["post-3070","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-cruel-warmth"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/3070","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=3070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}