{"id":2952,"date":"2020-12-05T21:08:00","date_gmt":"2020-12-06T00:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-09-25T21:10:00","modified_gmt":"2025-09-26T00:10:00","slug":"unico","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/como-alcool-nicotina\/unico\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo \u00fanico"},"content":{"rendered":"\r\n<p><span class=\"capitular1\">E<\/span>u fumo meu cigarro e olho para o vazio ao meu lado na cama, imagino o que ela poderia estar fazendo naquele instante. Luna nunca foi o tipo de mulher que se apega a algo ou algu\u00e9m e eu tampouco queria algo assim. Mas querer \u00e9 diferente de conseguir. E agora eu sou mais um que se iludia sonhando em ser finalmente o escolhido dela, o cara com quem ela decide que pode ficar, se aquietar, continuar no relacionamento.<br \/>\u2003\u2003Luna \u00e9 a mulher mais independente e decidida que eu conheci em toda a minha vida. Posso dizer que \u00e0 primeira vista \u00e9 assustador pensar em ter algu\u00e9m que n\u00e3o faz quest\u00e3o de continuar na sua vida quando acha que chegou a hora de procurar outros ares. Mas \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se apaixonar por Luna. Por seus sorrisos e gargalhadas, sua forma simples de encarar as coisas, a liberdade de quaisquer amarras que muita gente gostaria de ter. Luna \u00e9 contagiante e n\u00e3o tem medo de contagiar.<br \/>\u2003\u2003Encaro o quarto ao meu redor, uma completa bagun\u00e7a. Minhas roupas ainda estavam espalhadas pelo ch\u00e3o do mesmo jeito que havia deixado na noite anterior. Se Luna estivesse aqui, as roupas dela estariam junto das minhas no piso frio. Mas ela partiu como sempre faz todas as noites com todos. Ela nunca fica. Mas sua lembran\u00e7a \u00e9 outra hist\u00f3ria.<br \/>\u2003\u2003A vida com Luna \u00e9 completamente louca e imprevis\u00edvel. \u00c0s vezes pode ser at\u00e9 um pouco assustador, mas \u00e9 o que a torna t\u00e3o apaixonante. Ela simplesmente segue suas vontades, seus prazeres. E n\u00e3o importa onde nem quando. Desde as vontades mais simples como beber vinho em pleno caf\u00e9 da manh\u00e3 at\u00e9 as mais loucas como pular do alto de um penhasco direto no mar. E ela consegue levar praticamente qualquer um a acompanh\u00e1-la. Sem o menor esfor\u00e7o.<br \/>\u2003\u2003Eu mal percebi quando aconteceu, talvez entre uma noitada e outra as coisas tenham se confundido na minha cabe\u00e7a. O sexo com Luna, mesmo sendo o mais convencional, sempre parecia extraordin\u00e1rio, n\u00e3o s\u00f3 pra mim, mas ela deixava transparecer o mesmo com seus gemidos, arranh\u00f5es e mordidas\u2026 Quando eu finalmente percebi a merda que tinha feito, j\u00e1 era tarde. Luna \u00e9 pra mim como \u00e1lcool e nicotina, extremamente viciante. E eu j\u00e1 sou completamente dependente daqueles l\u00e1bios, daquele corpo, daquela alma\u2026 <em>Dela<\/em>.<br \/>\u2003\u2003Pensar nisso fez minha ansiedade atacar. A noite passada havia sido diferente, intensa de uma maneira que nunca tinha sido antes. Eu ainda sinto em minhas costas o caminho que as unhas de Luna marcaram como uma tatuagem em mim. Os gemidos contidos, olhos nos meus\u2026 Foi a primeira vez que nenhum de n\u00f3s estava realmente b\u00eabado ou loucamente induzidos aos efeitos de alguma coisa\u2026 E talvez seja por isso que eu esteja ansioso. Porque tinha sido diferente. E porque Luna tinha percebido.<br \/>\u2003\u2003Luna era um esp\u00edrito livre, festeiro, dela pr\u00f3pria e de mais ningu\u00e9m. E ela percebeu o que eu demorei para perceber. Eu tinha me apegado, me viciado. E agora ela est\u00e1 me deixando num per\u00edodo de abstin\u00eancia e eu talvez nunca mais tenha a minha dose dela. Mas eu ainda a quero, mesmo que signifique nunca a ter de verdade. Eu a quero mesmo que esse v\u00edcio me mate lentamente. Uma morte por Luna seria doce como a vida com ela.<\/p>\r\n<div class=\"nota\">\r\n<h3 style=\"text-align: center;\">Fim<\/h3>\r\n<\/div>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fim<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":true,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[1193],"class_list":["post-2952","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-como-alcool-nicotina"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/2952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2952"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=2952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}