{"id":2939,"date":"2023-10-01T20:30:00","date_gmt":"2023-10-01T23:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-09-25T20:34:35","modified_gmt":"2025-09-25T23:34:35","slug":"capitulo-1","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/coletaneas-de-amor-vol-01\/capitulo-1\/","title":{"rendered":"Faixa Um"},"content":{"rendered":"\r\n<p><span class=\"versalete\">\u2003\u2003Eram duas horas da<\/span> manh\u00e3 quando eu acordei incomodado pelo calor. Olhei para o travesseiro ao lado da minha cama, vazio. O espa\u00e7o ao meu lado mais frio pela falta de um corpo.<br \/>\u2003\u2003Levantei e caminhei at\u00e9 a sala do apartamento abrindo as cortinas e janelas. A brisa da madrugada que corria ali era muito mais aconchegante do que em meu quarto. Liguei a televis\u00e3o e, depois de pegar uma garrafa de \u00e1gua na cozinha, sentei ao sof\u00e1. Antes de puxar o controle remoto buscando algum entretenimento, o celular que eu havia deixado na mesa de centro da sala, piscava denunciando as notifica\u00e7\u00f5es. Desbloqueei a tela e procurei a causa de tantas notifica\u00e7\u00f5es.<br \/>\u2003\u2003Meus olhos piscaram alertas e pensativos. J\u00e1 fazia um m\u00eas que n\u00e3o aparecia. J\u00e1 fazia um m\u00eas que n\u00e3o me procurava. E antes disso, j\u00e1 fazia um tempo que ela n\u00e3o tinha motivos para trair.<br \/>\u2003\u2003Ao notar as mensagens com hor\u00e1rio de mais cedo, resolvi n\u00e3o responder.<\/p>\r\n<p align=\"center\"><em><\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\">\u201cJ\u00e1 faz algum tempo, mas&#8230; Estou precisando te sentir comigo&#8230;\u201d. <br \/>\u201cEu sei que fui fria com voc\u00ea, mas&#8230; Voc\u00ea sabe que as coisas por aqui estavam complicadas&#8230;\u201d.<br \/>\u201cVoc\u00ea realmente est\u00e1 me ignorando?\u201d<br \/>\u201cArrumou outra pessoa?\u201d<br \/>\u201cPor favor&#8230; Sinto saudades.\u201d<br \/>\u201cMe procure quando ler as mensagens\u201d.<\/p>\r\n<p><br \/>\u2003\u2003Entretanto, como se soubesse que eu estava lendo-as, uma mensagem nova chegou. Eu n\u00e3o estava esperando nada daquilo.<\/p>\r\n<p align=\"center\">\u201cVoc\u00ea est\u00e1 acordado, n\u00e3o est\u00e1? Podemos nos ver no local de sempre?\u201d.<\/p>\r\n\u2003\u2003Fui at\u00e9 a janela novamente, respirei fundo terminando de beber a \u00e1gua. E o som do celular vibrando no sof\u00e1, foi o suficiente para eu n\u00e3o resistir.\r\n<p align=\"center\">\u201cQuero voc\u00ea\u201d.<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003E aquelas duas palavras, foi o disparo para eu me apressar em buscar uma camisa no quarto, cal\u00e7ar os t\u00eanis, vestir uma bermuda e pegar celular e chaves do carro, apressado.<br \/>\u2003\u2003Quando estacionei o carro no posto de gasolina de sempre, nenhum movimento no local me fazia pensar que eu havia delirado. Ent\u00e3o a vi num canto da loja de conveni\u00eancia, o cabelo cobrindo o rosto junto com o capuz do moletom escondendo minimamente sua identidade. Mas n\u00e3o para mim. A sua identidade para mim era de corpo inteiro e eu a reconheceria mesmo que estivesse longe demais.<br \/>\u2003\u2003Buzinei parado ao lado de fora e abaixei um pouco o vidro para ver que era eu. E rapidamente ela saiu da loja, sorridente em minha dire\u00e7\u00e3o. Abriu a porta com agilidade e ao entrar no carro mal pronunciou qualquer coisa. Puxou meu rosto com desespero e me beijou como h\u00e1 tanto tempo eu n\u00e3o sentia. E o gosto de sua l\u00edngua junto \u00e0 minha era carnal demais para a sensa\u00e7\u00e3o de pisar o c\u00e9u. Era infernal. N\u00f3s \u00e9ramos pecaminosos demais para ter algum perd\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003Segui com o p\u00e9 no acelerador como se minha vida dependesse de chegarmos o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. E de certa forma, aquela noite poderia realmente, definir muito.<br \/>\u2003\u2003A guarita do motel j\u00e1 era conhecida demais por n\u00f3s, e ela nem mesmo se envergonhava de estar ali. Pelo contr\u00e1rio. Adiantou seus passos pelo corredor, como algu\u00e9m que conhece cada palmo do lugar. E conhecia. A imagem dela caminhando sedutora \u00e0 minha frente era um filme gravado em minha mem\u00f3ria. Abriu a porta do quarto e a chuva de roupas j\u00e1 havia come\u00e7ado. O ambiente com a luz baixa, o som sensual e ambiente ao fundo como uma serenata particular, e o calor daquela noite misturado ao calor de nossos corpos.<br \/>\u2003\u2003Ela era uma maldi\u00e7\u00e3o. Eu j\u00e1 sabia que am\u00e1-la era um erro, mas n\u00e3o sabia resistir. De todos os momentos que passamos por aquilo, eu nunca fui capaz de me afastar completamente. At\u00e9 os \u00faltimos meses, que na verdade eram m\u00e9ritos dela. Era ela que n\u00e3o me procurava. Era ela que me trazia de volta quando bem entendia. Deitei naquela cama com o corpo dela sobre o meu, apertando seus quadris que rebolavam sensuais sob o meu. Deitei naquela cama com o corpo preparado e o cora\u00e7\u00e3o desprevenido. Ela mordeu o l\u00f3bulo de minha orelha e espalhou chup\u00f5es pelo meu corpo, deixando as marcas, as quais eu n\u00e3o me importava. Eu nunca liguei para o fato de ela me marcar como sua propriedade, ou de eu n\u00e3o poder fazer o mesmo.<br \/>\u2003\u2003Sua m\u00e3o massageando meu corpo, meus dedos invadindo sua intimidade, sentindo-a gemer meu nome baixinho. E quanto mais eu penetrava o corpo dela, mais eu a queria. Mais eu a desejava. Mais eu a amava. E mais idiota eu era.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu te amo. \u2013 sussurrei no ouvido dela.<br \/>\u2003\u2003E o seu gemido gutural demonstrava que n\u00e3o fazia diferen\u00e7a. Confessar aquilo ou n\u00e3o, n\u00e3o fazia a menor diferen\u00e7a. Eu sabia que ela estava ali para me usar e ser o seu objeto naquele momento me bastava. A ressaca moral daquela conex\u00e3o t\u00f3xica viria depois.<br \/>\u2003\u2003Viria no dia seguinte a exaust\u00e3o de tanta energia sugada. E veio. Quando acordei, a cama vazia ao meu lado novamente. De novo o espa\u00e7o vazio ao meu lado, frio pela falta de um corpo. O rel\u00f3gio da parede a marcar duas horas da tarde. Era sempre assim: depois de doze horas de amor e frenesi, ela sumia.<br \/>\u2003\u2003Sa\u00ed dali ap\u00f3s pagar a conta, peguei o carro e retornei para casa. Sentindo-me novamente culpado. Culpado por dar mais valor ao desejo sexual do que ao amor pr\u00f3prio. Ao chegar a casa, abri a porta e arrastado caminhei pelos c\u00f4modos, fui ao banheiro. Precisava me sentir minimamente limpo, e mais uma vez jurei que n\u00e3o se repetiria. Eu j\u00e1 sabia o que ia acontecer: eu pegaria o celular, e o n\u00famero dela teria sumido com a mesma velocidade que suas mensagens surgiram. O bloqueio. Ele estava ali e eu j\u00e1 sabia. Provavelmente, o meu contato estaria l\u00e1 com o nome de uma amiga, para quando ela quisesse novamente, pudesse me procurar. E a culpa era tamb\u00e9m minha, que n\u00e3o trocava de n\u00famero por falta de dignidade.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":true,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[1188],"class_list":["post-2939","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-coletaneas-de-amor-vol-01"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/2939","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2939"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2939"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=2939"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}