{"id":2489,"date":"2024-12-06T11:03:00","date_gmt":"2024-12-06T14:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-09-21T11:04:33","modified_gmt":"2025-09-21T14:04:33","slug":"terceiro-capitulo","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/back-to-me\/terceiro-capitulo\/","title":{"rendered":"Terceiro Cap\u00edtulo"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"capitular1\">A<\/span> chuva ca\u00eda pesada, cada gota se misturando com a culpa que pesava em meus ombros. Eu estava parado na porta do pr\u00e9dio onde ela trabalhava, encharcado at\u00e9 os ossos, mas incapaz de sair dali. A cada minuto que passava, o vento gelado parecia zombar da minha insist\u00eancia, mas eu n\u00e3o conseguia me mexer.<br>\u2003\u2003Quantas vezes eu j\u00e1 estive nessa posi\u00e7\u00e3o? N\u00e3o literalmente na chuva, mas esperando. Esperando que ela voltasse, esperando que ela perdoasse, esperando que ela fizesse por n\u00f3s dois o que eu nunca tive coragem de fazer.<br>\u2003\u2003Dessa vez era diferente. N\u00e3o havia mais garantias. Eu sabia disso. E mesmo assim, n\u00e3o consegui ficar longe.<br>\u2003\u2003As pessoas passavam por mim apressadas, protegidas por guarda-chuvas ou correndo para escapar da tempestade. Mas eu estava ali, fixo, os olhos grudados na porta de vidro do pr\u00e9dio, esperando que %Alessia% aparecesse.<br>\u2003\u2003Eu me lembrava do quanto fui est\u00fapido. Do quanto a subestimei. Havia um tempo em que eu pensava n\u00e3o precisar dela, que minha vida seguiria igual, com ou sem sua presen\u00e7a. Mas o tempo passou e me provou o contr\u00e1rio. A cada dia sem ela, a cada noite em claro, percebi o quanto dependia do seu riso, da sua paci\u00eancia, do seu jeito de me entender quando nem eu mesmo conseguia.<br>\u2003\u2003E agora, eu era a chuva que estragava o desfile dela. Eu era o motivo pelo qual ela havia seguido em frente, o peso que ela tinha deixado para tr\u00e1s.<br>\u2003\u2003Ela era boa demais para mim. Sempre foi. E eu, na minha arrog\u00e2ncia, nunca acreditei que pudesse perd\u00ea-la. Talvez porque, no fundo, eu soubesse que n\u00e3o a merecia.<br>\u2003\u2003Os ponteiros do rel\u00f3gio giravam, mas eu n\u00e3o me movia. N\u00e3o sabia se ela sairia por aquela porta, se sequer aceitaria falar comigo. Mas isso n\u00e3o importava. Eu precisava tentar. Pela primeira vez, precisava ser eu a lutar, mesmo que fosse tarde demais.<br>\u2003\u2003Quando a porta autom\u00e1tica finalmente se abriu e ela surgiu, por um momento o tempo pareceu parar. %Alessia% estava com um casaco grosso, protegida da chuva, mas o olhar dela era frio, distante, como se me atravessasse sem me ver.<br>\u2003\u2003\u2014 O que voc\u00ea est\u00e1 fazendo aqui? \u2014 a voz dela cortou o som da chuva como uma l\u00e2mina.<br>\u2003\u2003Tentei responder, mas as palavras se engasgaram. Ela n\u00e3o parecia surpresa, apenas cansada. Como se eu fosse um fardo que ela j\u00e1 tinha decidido largar.<br>\u2003\u2003\u2014 Precisamos conversar, \u2014 foi tudo o que consegui dizer, a voz baixa, quase inaud\u00edvel.<br>\u2003\u2003\u2014 Agora voc\u00ea quer conversar? \u2014 Ela soltou uma risada amarga, cruzando os bra\u00e7os. \u2014 Depois de tudo?<br>\u2003\u2003Eu n\u00e3o tinha resposta. N\u00e3o tinha desculpas. Apenas estava ali, com a chuva caindo ao meu redor, esperando por uma chance que talvez nunca viesse.<\/p>\n<p align=\"center\">\u26a0\ufe0f\u26a0\ufe0f\u26a0\ufe0f<\/p>\n<p align=\"center\"><em>\u201cI can make a world out of broken dreams<\/em><br><em>I can make you say things you don&#8217;t mean<\/em><br><em>I can unmake all we were made to be<\/em><br><em>But I can&#8217;t make you come back to me\u201d<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u26a0\ufe0f\u26a0\ufe0f\u26a0\ufe0f \u201cI can make a world out of broken dreamsI can make you say things you don&#8217;t meanI can unmake all we were made to beBut I can&#8217;t make you come back to me\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":true,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"ngg_post_thumbnail":0,"_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"historias":[1028],"class_list":["post-2489","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-back-to-me"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/2489","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2489"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2489"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=2489"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}