{"id":1989,"date":"2018-05-08T17:11:00","date_gmt":"2018-05-08T20:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-08-29T17:15:49","modified_gmt":"2025-08-29T20:15:49","slug":"capitulo-unico-94","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/por-favor-me-perdoe\/unico\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo \u00fanico"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"center\"><strong><em>Escondido, eu te digo algo<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Porque s\u00f3 voc\u00ea consegue manter o segredo<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>O que eu n\u00e3o consigo mais suportar<\/em><\/strong><\/p>\n  \n<p>&emsp;&emsp;<em>&#8211; Voc\u00ea n\u00e3o pode contar para ningu\u00e9m.<\/em> <em>\u2013 disse, naquela noite de lua cheia.<\/em><br>\n&emsp;&emsp;<em>O c\u00e9u tinha mais estrelas do que o normal. Fazia tempo que ele n\u00e3o ficava t\u00e3o claro durante a noite.<\/em><br>\n&emsp;&emsp;<em>Havia corrido at\u00e9 Amanda, porque ela era a \u00fanica pessoa a quem poderia desabafar.<\/em><br>\n&emsp;&emsp;<em>A quem poderia contar meu segredo.<\/em><br>\n&emsp;&emsp;<em>A quem poderia colocar a vida em risco.<\/em><br>\n&emsp;&emsp;<em>&#8211; Se eles souberem&#8230; \u2013 comecei a falar, mas senti sua m\u00e3o em minhas costas, fazendo um carinho que s\u00f3 ela fazia.<\/em><br>\n&emsp;&emsp;<em>&#8211; Vai ficar tudo bem. \u2013 ela disse, em uma voz tranquila.<\/em><br>\n&emsp;&emsp;<em>Mas nada ficou bem.<\/em><\/p>\n  \n<p>&emsp;&emsp;<strong>DIAS ATUAIS.<\/strong><\/p>\n\n<p align=\"center\"><strong><em>Por que voc\u00ea n\u00e3o pode contar naquela \u00e9poca?<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Eu estava machucado mesmo, ent\u00e3o<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Por causa daquilo que n\u00e3o conseguia mais suportar<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Agora chore, eu estou muito arrependido pr\u00f3ximo a voc\u00ea<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Chore novamente, porque eu n\u00e3o pude te proteger<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Mais e mais fundo, o machucado s\u00f3 fica pior<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Como cacos de vidro<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Que n\u00e3o podemos remontar<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Mais fundo, meu peito d\u00f3i todos os dias<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Voc\u00ea, t\u00e3o fraco, que recebeu<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Puni\u00e7\u00e3o por meus crimes<\/em><\/strong><\/p>\n  \n<p>&emsp;&emsp;Olhei para os dois lados, apenas para confirmar que n\u00e3o havia ningu\u00e9m reconhecido por ali. Eu n\u00e3o conseguiria suportar, ter de encarar todos aqueles rostos entristecidos.<br>\n&emsp;&emsp;N\u00e3o sem sentir ainda mais culpa do que j\u00e1 sinto.<br>\n&emsp;&emsp;- Boa noite, senhor Costa. \u2013 a enfermeira do turno abriu um leve sorriso.<br>\n&emsp;&emsp;- Algum sinal de melhora? \u2013 perguntei, vendo a cabe\u00e7a dela balan\u00e7ar em nega\u00e7\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;Eu j\u00e1 nem esperava mais uma boa not\u00edcia. Apenas desejava que o quadro n\u00e3o piorasse.<br>\n&emsp;&emsp;Por causa de meu segredo, Amanda sofreu um ataque. Invadiram sua casa e a machucaram de tamanha maneira, que por pouco ela n\u00e3o morreu. Talvez teria sido melhor se ela tivesse morrido. Era melhor ter sua alma livre, do que ficar em coma, perdendo tudo ao seu redor.<br>\n&emsp;&emsp;- O hor\u00e1rio de visitas j\u00e1 acabou.<br>\n&emsp;&emsp;- Tive que ficar mais tempo no trabalho. Ser\u00e1 que poderia pedir alguns minutos?<br>\n&emsp;&emsp;A enfermeira deixou, pois sabia que eu n\u00e3o era um risco para Amanda. Tudo o que eu fazia, era sentar-me ao lado dela e murmurar em seu ouvido, pedidos de desculpas, esperando que um dia, quando ela acordasse, conseguisse me perdoar pelo que fiz a ela.<br>\n&emsp;&emsp;- Dez minutos, no m\u00e1ximo. \u2013 ouvi a enfermeira dizer antes de eu entrar no quarto. Abri um pequeno sorriso e entrei.<br>\n&emsp;&emsp;O quarto estava quente. N\u00e3o um quente horr\u00edvel, mas sim agrad\u00e1vel. A m\u00e3e de Amanda, que pernoitava com ela duas vezes por semana, gostava de deixar o quarto na temperatura favorita da filha, que era friorenta por natureza.<br>\n&emsp;&emsp;Puxei o banco desprezado em um canto do quarto e me coloquei no lugar de sempre, ao lado de Amanda. Seus cabelos estavam mais compridos do que h\u00e1 nove meses, quando lhe contei meu segredo. Peguei o pacote de toalhas umedecidas e tirei uma para passar em seus bra\u00e7os e rosto, como sempre fazia em minhas visitas.<br>\n&emsp;&emsp;- Sou eu. \u2013 disse. \u2013 Quando voc\u00ea disse que era dorminhoca, n\u00e3o esperava que fosse tanto assim. \u2013 abri um pequeno sorriso, tentando passar o m\u00ednimo de humor que havia dentro de mim. \u2013 Hoje terminei de pagar metade da d\u00edvida. Eles est\u00e3o pacientes porque estou pagando sempre antes da data. E por causa&#8230; voc\u00ea sabe&#8230; por <em>sua<\/em> causa.<br>\n&emsp;&emsp;Apertei sua m\u00e3o, sentindo as l\u00e1grimas surgirem em meus olhos. Mas eu n\u00e3o tenho direito de chorar.<br>\n&emsp;&emsp;- Amanda&#8230; \u2013 minhas palavras se perdem em meio a vontade de chorar. \u2013 Voc\u00ea ser\u00e1 capaz de me perdoar? \u2013 engoli seco, lutando contra a dor que tinha em meu \u00e2mago. \u2013 Ir\u00e1 me explicar o porqu\u00ea de ter me protegido, quando tudo o que te pedi, foi que fingisse que n\u00e3o sabia de nada? \u2013 baixei minha cabe\u00e7a, cedendo para as l\u00e1grimas, deixando-as escorrer para a cama em que Amanda parecia dormir. \u2013 Eu falei para voc\u00ea n\u00e3o abrir nem a porta, nem atender a campainha&#8230;<\/p>\n\n<p align=\"center\"><strong><em>Pare de chorar e me diga algo<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Diga para esse eu que n\u00e3o tem coragem<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Por que voc\u00ea foi daquela maneira naquela \u00e9poca<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>N\u00e3o importa, que direito voc\u00ea tinha sobre mim?<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Eu te digo para ser dessa maneira<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Ou daquela maneira<\/em><\/strong><\/p>\n  \n<p>&emsp;&emsp;Por um tempo, deixei minhas l\u00e1grimas correrem. Era a primeira vez que havia me permitido desde ent\u00e3o. Tudo o que pude sentir, desde que soube do ataque que ela sofreu, foi choque, desespero e arrependimento, al\u00e9m do \u00f3bvio medo. Medo de perde-la, medo de ela n\u00e3o me perdoar, medo do <em>pior<\/em>.<br>\n&emsp;&emsp;- Eu consigo lidar com a ideia de n\u00e3o ter mais voc\u00ea comigo. De voc\u00ea me odiar tanto que precisarei ficar quil\u00f4metros longe de voc\u00ea quando a vir. \u2013 funguei o nariz, na pregui\u00e7a de procurar por um len\u00e7o. \u2013 Mas eu preciso saber que voc\u00ea est\u00e1 viva. Que est\u00e1 vivendo. Me xingando nos momentos que lembrar de mim ou n\u00e3o, querendo reclamar mais do tempo que perdeu por minha conta&#8230; eu n\u00e3o ligo, se isso significar que voc\u00ea est\u00e1 vivendo.<br>\n&emsp;&emsp;Respirei fundo ao ouvir uma batida na porta. Era a enfermeira, que dizia que o tempo de visita havia chego ao fim.<br>\n&emsp;&emsp;- Ent\u00e3o enquanto voc\u00ea estiver aqui, impossibilitada de me tirar da sua vida, eu continuarei vindo e me desculpando. \u2013 me levantei, limpando as l\u00e1grimas uma \u00faltima vez antes de me retirar. \u2013 Ent\u00e3o at\u00e9 amanh\u00e3.<\/p>\n\n<p align=\"center\"><strong><em>Me desculpe, me desculpe<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Me desculpe, meu irm\u00e3o<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Mesmo que eu me esconda, mesmo que eu suma, nada ser\u00e1 apagado<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Voc\u00ea est\u00e1 me chamando de pecador?<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Voc\u00ea deve ter algo a mais para dizer<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Me desculpe, me desculpe<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Me desculpe, minha irm\u00e3<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Mesmo que eu me esconda, mesmo que eu suma, nada ser\u00e1 apagado<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Ent\u00e3o chore<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Por favor, seque minhas l\u00e1grimas<\/em><\/strong><\/p>\n  \n<p>&emsp;&emsp;O ataque a Amanda somente me abriu os olhos para resolv\u00ea-lo mais r\u00e1pido.<br>\n&emsp;&emsp;Meu irm\u00e3o mais velho, Ant\u00f4nio, contraiu uma enorme d\u00edvida depois que entrou na gambiarra de jogos e tr\u00e1fico de drogas. N\u00e3o o tr\u00e1fico de drogas pesado; ele era somente um dos traficantes que procuravam novas v\u00edtimas e vendia o conte\u00fado para elas. O que ele n\u00e3o sabia, \u00e9 que esses s\u00e3o os chamados Capachos, f\u00e1ceis de serem aniquilados caso n\u00e3o cumpram com o dever de pagar o que havia comprado para vender. Ap\u00f3s 6 meses nesse nicho, Ant\u00f4nio contou seu segredo para mim. Disse que estava fugindo e que se perguntassem por ele, era para dizer que ele havia morrido ap\u00f3s um combate com policiais.<br>\n&emsp;&emsp;Mas nenhum policial bateu \u00e0 porta. Somente os Capangas. Um grupo que representava o l\u00edder do tr\u00e1fico e eram respons\u00e1veis por cobrar as d\u00edvidas.<br>\n&emsp;&emsp;- Se ele sumiu e voc\u00ea \u00e9 o irm\u00e3o, ent\u00e3o voc\u00ea quem ir\u00e1 nos pagar. \u2013 me disseram.<br>\n&emsp;&emsp;Durante dias tentei contato com Ant\u00f4nio, que havia sumido do mapa. Eu n\u00e3o poderia ligar para meus pais, afinal, qualquer um que soubesse do problema, seria ligado \u00e0 d\u00edvida de milhares de reais. Eu n\u00e3o tinha duzentos mil para devolver aos traficantes. Eu n\u00e3o tinha nem cem.<br>\n&emsp;&emsp;Mas isso n\u00e3o era problema deles, disseram. Eles podiam fazer presta\u00e7\u00f5es, mas jamais poderiam ignorar a d\u00edvida. Pessoas iriam morrer se eu n\u00e3o pagasse. Se eu fosse covarde como Ant\u00f4nio foi. Depois de mim, eles iriam at\u00e9 meus pais, familiares e amigos. Cobrando-os um por um, matando-os tamb\u00e9m um por um.<br>\n&emsp;&emsp;No primeiro m\u00eas, dei tudo o que eu tinha. Vendi meu carro, meu apartamento e saquei todo o dinheiro da minha poupan\u00e7a. Deu um pouco mais que a metade.<br>\n&emsp;&emsp;Mas ainda faltava 40% do valor. E eu n\u00e3o podia simplesmente liberar todo o meu dinheiro.<br>\n&emsp;&emsp;- Se n\u00e3o paga, ganha multa. \u2013 o Capanga disse. \u2013 E a multa, rapaz, n\u00e3o \u00e9 baixa.<br>\n&emsp;&emsp;Era um ciclo vicioso para quem era viciado em drogas.<br>\n&emsp;&emsp;Mas o que eu podia fazer? Tentar fugir tamb\u00e9m?<br>\n&emsp;&emsp;Em minha \u00fanica tentativa, eles pegaram Amanda.<br>\n&emsp;&emsp;Ap\u00f3s eu correr at\u00e9 eles para negociar o valor restante, que havia aumentado 20% por eu ter tentando me livrar da culpa, eles aceitaram receber o pagamento do meu sal\u00e1rio, que n\u00e3o era muito, mas dava para liquidar o valor em alguns anos. Pedi um empr\u00e9stimo para os meus pais, a fim de garantir que ningu\u00e9m chegasse perto de Amanda. Com ele, paguei 40% do valor ativo, me sobrando s\u00f3 20%. <em>S\u00f3<\/em>, penso ironicamente.<br>\n&emsp;&emsp;Enquanto pago tudo e garanto a seguran\u00e7a da minha fam\u00edlia e de Amanda, j\u00e1 que o l\u00edder do tr\u00e1fico disse ser uma pessoa caridosa com quem colabora com ele e eu, por mostrar que pagarei todos os d\u00e9bitos de Ant\u00f4nio (somente porque transferi a minha conta de dep\u00f3sito do salario direto para a conta passada pelo Capanga, por ordem do l\u00edder) garanti que ele n\u00e3o descumprisse sua palavra.<br>\n&emsp;&emsp;Em meio a todo o desespero de achar <em>freelances<\/em> para conseguir tirar um m\u00ednimo para manter a minha vida, vou ao hospital visitar Amanda e lhe pedir desculpas. <\/p>\n\n<p align=\"center\"><strong><em>Aquela luz, aquela luz, por favor, ilumine meus crimes<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Eu n\u00e3o posso desfaz\u00ea-los<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>O sangue vermelho est\u00e1 correndo<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Mais fundo, todo dia eu penso que irei morrer<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Por favor, me puna<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Por favor, me perdoe pelo meu crime<\/em><\/strong><br>\n  <strong><em>Por favor<\/em><\/strong><\/p>\n  \n<p>&emsp;&emsp;<strong>UM ANO DEPOIS&#8230;<\/strong><\/p>\n\n<p>&emsp;&emsp;- <em>Voc\u00ea disse que viria.<\/em> \u2013 Amanda soou do outro lado da linha.<br>\n&emsp;&emsp;- Eu disse que tinha trabalho a fazer. \u2013 olhei para os lados antes de atravessar a rua.<br>\n&emsp;&emsp;- <em>\u00c9 uma pena&#8230;<\/em> \u2013 ela disse, vazia. \u2013 <em>Eu pensei em te perdoar hoje.<\/em><br>\n&emsp;&emsp;Parei assim que pisei na cal\u00e7ada oposta \u00e0 que eu estava quando a atendi.<br>\n&emsp;&emsp;- Voc\u00ea ir\u00e1? Hoje?<br>\n&emsp;&emsp;- <em>Voc\u00ea precisa estar aqui para eu perdo\u00e1-lo.<\/em><br>\n&emsp;&emsp;- Estarei a\u00ed.<br>\n&emsp;&emsp;- <em>\u00d3timo. \u00c0s nove, n\u00e3o se esque\u00e7a.<\/em> \u2013 e desligou.<br>\n&emsp;&emsp;Abri um pequeno sorriso enquanto olhava para o visor de meu celular.<br>\n&emsp;&emsp;Amanda havia acordado duas semanas ap\u00f3s a visita que havia chorado pela primeira vez. Quando recebi a not\u00edcia de sua m\u00e3e, fiquei com medo de comparecer no hospital para v\u00ea-la. Deixei de ir por um m\u00eas inteiro, at\u00e9 ela mesma, pelo celular do pai, me ligar, pedindo para que eu fosse v\u00ea-la.<br>\n&emsp;&emsp;N\u00e3o pude nem comprar um buqu\u00ea de flores, mas minha m\u00e3e havia dito que havia levado em sua primeira visita. Na \u00e9poca, eu ainda estava pagando os traficantes.<br>\n&emsp;&emsp;Por ter passado tanto tempo em coma, Amanda ainda teve que permanecer cinco meses no hospital, com a promessa de que ela n\u00e3o hesitaria em voltar caso tivesse algum sintoma at\u00edpico. Al\u00e9m disso, durante os dois primeiros meses de sua libera\u00e7\u00e3o, ela teve de comparecer semanalmente ao m\u00e9dico respons\u00e1vel.<br>\n&emsp;&emsp;- Eu acho que esse foi um caso s\u00e9rio demais para eu te perdoar logo em sua primeira visita que, a prop\u00f3sito, levou um m\u00eas para ser realizado.<br>\n&emsp;&emsp;- Me desculpe. \u2013 murmurei.<br>\n&emsp;&emsp;- N\u00e3o vai ajudar de nada voc\u00ea me pedir desculpas. \u2013 ela disse. Ergui meus olhos, t\u00e3o arregalados que piscar se tornou um pouco dolorido. \u2013 Voc\u00ea precisa <em>mostrar<\/em>.<br>\n&emsp;&emsp;- Mostrar?<br>\n&emsp;&emsp;- Sim. \u2013 ela cruzou os bra\u00e7os. \u2013 Me conte o que aconteceu para ningu\u00e9m vir at\u00e9 aqui me amea\u00e7ar de novo e seus pais n\u00e3o parecerem desesperados por meu perd\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;Limpei minha garganta. Era uma longa hist\u00f3ria, mas quando Amanda decidia que queria saber de algo, ela n\u00e3o sossegava at\u00e9 conseguir. Principalmente quando ela <em>sabia<\/em> ter direito sobre o caso.<br>\n&emsp;&emsp;Contei-lhe sobre o empr\u00e9stimo, os juros e o que eu havia feito para terminar de pagar tudo. Amanda ouviu silenciosamente tudo, at\u00e9 eu parar de falar, indicando o t\u00e9rmino da explica\u00e7\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;- Ent\u00e3o voc\u00ea est\u00e1 morando em uma rep\u00fablica. \u2013 ela disse. \u2013 Na \u00e1rea da S\u00e9.<br>\n&emsp;&emsp;- \u00c9.<br>\n&emsp;&emsp;- E est\u00e1 vivendo de <em>freelas<\/em>.<br>\n&emsp;&emsp;- Isso.<br>\n&emsp;&emsp;- E devendo 18% do valor, mais 60 mil aos seus pais.<br>\n&emsp;&emsp;- Exato.<br>\n&emsp;&emsp;- E quando pretende pagar seus pais?<br>\n&emsp;&emsp;- Quando acabar de pagar os traficantes. \u2013 mencionei. \u2013 Minha prioridade \u00e9 a sua seguran\u00e7a.<br>\n&emsp;&emsp;Amanda suspirou.<br>\n&emsp;&emsp;- E se eu n\u00e3o quiser&#8230;<br>\n&emsp;&emsp;- Voc\u00ea n\u00e3o tem essa op\u00e7\u00e3o. \u2013 disse, s\u00e9rio. \u2013 A decis\u00e3o \u00e9 minha.<br>\n&emsp;&emsp;- Julio&#8230;<br>\n&emsp;&emsp;- Se voc\u00ea tentar ir contra, Amanda, eu vou sumir da sua vida para que voc\u00ea n\u00e3o tente mudar as coisas. \u2013 ameacei me erguer, mas ela segurou a manga de meu casaco. Fechei meus olhos, percebendo que havia ido longe demais com ela. Eu n\u00e3o podia pensar no assunto que meus nervos come\u00e7avam a pegar fogo. N\u00e3o tinha limites quanto \u00e0 raiva. \u2013 Olha, me desculpe por ter sido grosseiro. \u00c9 s\u00f3 que&#8230; est\u00e1 tudo bem. Estou pagando. Apesar deles fazerem essas coisas absurdamente ruins, parecem prezar aqueles que s\u00e3o honestos.<br>\n&emsp;&emsp;- O que garante a voc\u00ea que ap\u00f3s pagar tudo, eles n\u00e3o ir\u00e3o te matar? \u2013 ela perguntou.<br>\n&emsp;&emsp;Engoli seco. Eu j\u00e1 havia pensado nisso, \u00e9 claro. Mas o que eu poderia fazer? Ser um covarde como Ant\u00f4nio?<br>\n&emsp;&emsp;- Eu n\u00e3o me importo de morrer, Amanda. \u2013 disse baixo. \u2013 Eu s\u00f3 quero que <em>voc\u00ea<\/em> n\u00e3o morra.<br>\n&emsp;&emsp;Ela manteve-se em sil\u00eancio. N\u00e3o sei se por falta de palavras ou por estar utilizando da aus\u00eancia de palavras para me punir ou mostrar-me o seu desgosto sobre a minha decis\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;- \u00c9 ir\u00f4nico dizer que eu confio nos traficantes? \u2013 disse, com um meio riso.<br>\n&emsp;&emsp;- N\u00e3o \u00e9 justo. \u2013 ela disse. \u2013 Voc\u00ea n\u00e3o foi o culpado.<br>\n&emsp;&emsp;- Eu sei.<br>\n&emsp;&emsp;- E ele est\u00e1 por a\u00ed, com toda essa grana, sabe-se l\u00e1 se fazendo acordo com novos traficantes!<br>\n&emsp;&emsp;- Sei disso tamb\u00e9m.<br>\n&emsp;&emsp;- E todas as merdas que ele fizer, VOC\u00ca quem ter\u00e1 de pagar?<br>\n&emsp;&emsp;- Eu espero sinceramente que n\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;- Seu irm\u00e3o&#8230; eu&#8230; n\u00e3o consigo achar uma palavra ofensiva o suficiente para dirigir a ele.<br>\n&emsp;&emsp;- Acredite, n\u00e3o existe. \u2013 suspirei. \u2013 Estou tentando achar at\u00e9 agora.<br>\n&emsp;&emsp;Amanda manteve-se calada, mas segurou minha m\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;- Eu tenho o valor restante.<br>\n&emsp;&emsp;Ergui meu olhar para ela.<br>\n&emsp;&emsp;- N\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;- Julio, essa n\u00e3o \u00e9 sua prioridade?<br>\n&emsp;&emsp;- Amanda, eu disse que n\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;Ela se calou e eu me calei. Contudo, ao contr\u00e1rio de mim, ela n\u00e3o consegue permanecer em sil\u00eancio por muito tempo.<br>\n&emsp;&emsp;- Ent\u00e3o more comigo.<br>\n&emsp;&emsp;- O qu\u00ea?<br>\n&emsp;&emsp;- Voc\u00ea acha mesmo que eu vou conseguir dormir sozinha? Voc\u00ea precisa pagar por esses meses inativos que passei n\u00e3o \u00e9? Seja meu enfermeiro. \u00c9 uma boa coisa. Voc\u00ea tem um lugar decente para morar e eu n\u00e3o preciso pagar um enfermeiro.<br>\n&emsp;&emsp;- Isso \u00e9 um absurdo, voc\u00ea sabia?<br>\n&emsp;&emsp;- Como se voc\u00ea nunca tivesse divido um apartamento com uma mulher. \u2013 ela abriu um pequeno sorriso. \u2013 Ou voc\u00ea s\u00f3 gosta de garotinhas na faculdade?<br>\n&emsp;&emsp;Abri um sorriso, achando gra\u00e7a na maneira que ela dispersava o pesar da situa\u00e7\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;- Se voc\u00ea n\u00e3o morar comigo, vou contar tudo o que sei aos seus pais.<br>\n&emsp;&emsp;- Voc\u00ea n\u00e3o pode fazer isso. \u2013 disse s\u00e9rio, me levantando da cadeira.<br>\n&emsp;&emsp;Ao inv\u00e9s de segurar minha m\u00e3o como da outra vez, ela cruzou os bra\u00e7os e ergueu os ombros.<br>\n&emsp;&emsp;- Voc\u00ea pode tentar e sair daqui. S\u00f3 n\u00e3o volte quando seus pais te ligarem ou irem at\u00e9 voc\u00ea para lhe dar um grande serm\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;- Mas que&#8230; \u2013 deixei a frase morrer.<\/p>\n\n<p>&emsp;&emsp;E por isso acabei vivendo com Amanda. Apesar de nos vermos diariamente, ela nunca mencionou o meu perd\u00e3o. Acabei aceitando que ela ainda mantivesse m\u00e1goa pelo que havia acontecido a si. Eu jamais a culparia por isso.<br>\n&emsp;&emsp;O d\u00e9bito havia sido finalizado h\u00e1 um m\u00eas, quando paguei, com juros, a \u00faltima parcela dos duzentos mil. Depois de morar com Amanda, consegui economizar mais o que ganhava com os <em>freelas<\/em>. Sem o custo da moradia e alimenta\u00e7\u00e3o, pude ganhar duas vezes mais o valor do meu sal\u00e1rio.<br>\n&emsp;&emsp;A \u00faltima presta\u00e7\u00e3o deveria ser paga pessoalmente. A conta deles havia sido desvinculada do meu servi\u00e7o no dia do pagamento final. Com isso, os Capangas permaneceram comigo o dia todo, inclusive quando saquei todo o dinheiro que iria lhes dar. Eles mesmos me levariam em seu carro para a moradia do l\u00edder do tr\u00e1fico, localizado em um ponto bastante afastado da cidade grande.<br>\n&emsp;&emsp;- Por que est\u00e1 dando mais do que o combinado, moleque? \u2013 o l\u00edder disse, ap\u00f3s seu funcion\u00e1rio contar o dinheiro, verificar a autenticidade das notas e anunciar o valor total. \u2013 Voc\u00ea est\u00e1 querendo me dar uma li\u00e7\u00e3o?<br>\n&emsp;&emsp;Armas se ergueram ao meu redor, todos em minha dire\u00e7\u00e3o. Automaticamente ergui as m\u00e3os.<br>\n&emsp;&emsp;- Apesar de n\u00e3o ter atrasado nenhum pagamento, decidi acreditar nas s\u00e9ries de televis\u00e3o, que mostram um valor extra cobrado ao debitante. Achei que <em>eu<\/em> receberia uma li\u00e7\u00e3o hoje, ent\u00e3o preferi me precaver. N\u00e3o tenho inten\u00e7\u00e3o de passar li\u00e7\u00e3o nenhuma para o l\u00edder de um neg\u00f3cio t\u00e3o grande.<br>\n&emsp;&emsp;- E de sucesso. \u2013 ele completou, entre risos e fazendo sinal para abaixarem as armas, o que foi feito de forma hesitante, mas imediatamente. \u2013 A televis\u00e3o nos faz bastante vil\u00e3o, cara. A diferen\u00e7a entre n\u00f3s e esse povo que rouba do povo, \u00e9 que a gente n\u00e3o tem medo de ser julgado, n\u00e3o. A gente n\u00e3o tem medo de matar. Aqui a vida \u00e9 s\u00f3 mais um meio de neg\u00f3cio, saca?<br>\n&emsp;&emsp;Assenti.<br>\n&emsp;&emsp;- Voc\u00ea achou que n\u00f3s \u00eda te mata? \u2013 ele riu. \u2013 Veio pronto pra morr\u00ea?<br>\n&emsp;&emsp;- Eu nunca estou pronto para morrer. \u2013 disse. \u2013 Gosto de viver.<br>\n&emsp;&emsp;- \u00c9, eu sei. \u2013 ele cuspiu no ch\u00e3o. \u2013 Uma pessoa que paga as d\u00edvida de maneira honesta como tu fez, com certeza tem vontade de vive. Tem amor no cora\u00e7\u00e3o. N\u00f3s aqui n\u00e3o temos mais isso, n\u00e3o. Mas eu respeito, ca\u00f4. Eu respeito.<br>\n&emsp;&emsp;Apertei meus l\u00e1bios, na incerteza de estar sendo elogiado ou amaciado antes da aniquila\u00e7\u00e3o. Rezei para Deus, algo que n\u00e3o havia feito nem quando descobri a covardia de Ant\u00f4nio. Rezei porque precisava me apegar a alguma chance de viver, e a \u00fanica coisa que eu tinha, mesmo que fosse intang\u00edvel, era Deus.<br>\n&emsp;&emsp;- Vai na paz. \u2013 o l\u00edder mexeu a m\u00e3o. \u2013 Tu ta livre, nego. Ta livre. Meus homem n\u00e3o v\u00e3o mais chega perto de voc\u00ea.<br>\n&emsp;&emsp;- Obrigado. \u2013 comecei a me levantar do ch\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;- Mas s\u00f3 vou te passar um aviso. \u2013 o l\u00edder olhou bem em meus olhos. \u2013 Se tu ver seu irm\u00e3o, diz pra ele que ele \u00e9 um covarde. E que a gente n\u00e3o aceita covarde vivo. \u00c9 bom ele n\u00e3o aparecer nessas \u00e1reas, n\u00e3o. E lembra o covarde que traficante tem contato. E contato bom. A gente n\u00e3o correu atr\u00e1s dele porque tu fez o que ele tinha que ter feito. Mas n\u00f3s n\u00e3o vamos nos segurar se ele aparece na nossa frente. Ningu\u00e9m suporta covarde, nego. Nem as pessoas do bem, muito menos as do mal.<\/p>\n\n<p>&emsp;&emsp;Tr\u00eas dias depois, quando vi que minha vida havia voltado relativamente ao normal apesar dos 60 mil que ainda tinha de devolver aos meus pais, decidi lhes contar a verdade.<br>\n&emsp;&emsp;Minha m\u00e3e caiu em prantos. Ela sabia que Ant\u00f4nio havia sumido por ter feito algo errado, mas jamais havia imaginado que eu estaria limpando a sujeira dele para proteger nossa fam\u00edlia. N\u00e3o cheguei a mencionar a liga\u00e7\u00e3o de Amanda na hist\u00f3ria e garanti a eles, mesmo quando meu pai insistiu que quem tinha de pagar a d\u00edvida era Ant\u00f4nio, que eu devolveria tudo. N\u00f3s sab\u00edamos que Ant\u00f4nio jamais voltaria para casa. E sab\u00edamos, tamb\u00e9m, que se voltasse, estaria em um caix\u00e3o, seja feito dos bandidos, ou pelas consequ\u00eancias que as drogas trazem.<\/p>\n\n<p>&emsp;&emsp;\u00c0s nove em ponto eu estava abrindo a porta do apartamento de Amanda. L\u00e1 dentro, nada de diferente acontecia.<br>\n&emsp;&emsp;Pude ouvir a TV ligada. O som da cantoria de Amanda na cozinha e o cheiro bom do que provavelmente seria o nosso jantar.<br>\n&emsp;&emsp;- Cheguei. \u2013 apareci na cozinha. \u2013 Achei que fosse haver alguns amigos seus aqui.<br>\n&emsp;&emsp;- Essa n\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que outras pessoas devem ser envolvidas, n\u00e3o acha? Al\u00e9m disso, ningu\u00e9m precisa saber o que voc\u00ea acabou de se livrar.<br>\n&emsp;&emsp;- Justo. \u2013 sorri. \u2013 Devo colocar a mesa ent\u00e3o?<br>\n&emsp;&emsp;- Eu queria comer no sof\u00e1.<br>\n&emsp;&emsp;- No sof\u00e1? \u2013 arregalei os olhos. Amanda era contra comer fora da mesa. A ideia de ver um pingo de sujeira no lugar errado a enlouquecia.<br>\n&emsp;&emsp;- Voc\u00ea gosta, n\u00e3o \u00e9?<br>\n&emsp;&emsp;- \u00c9, mas voc\u00ea n\u00e3o. E o sof\u00e1 \u00e9 seu.<br>\n&emsp;&emsp;- Bobagem. Voc\u00ea mora aqui tamb\u00e9m. \u2013 ela pegou dois bowls enormes e entregou um para mim. Pude ver nossa refei\u00e7\u00e3o inteira ali.<br>\n&emsp;&emsp;- Eu moro de gra\u00e7a, Amanda. \u2013 a segui, vendo que ela j\u00e1 havia colocado ta\u00e7as e duas garrafas de vinho na mesa de centro da sala de televis\u00e3o. \u2013 N\u00e3o tenho direito nenhum sobre qualquer coisa.<br>\n&emsp;&emsp;- Bem, voc\u00ea agora ser\u00e1 dono de metade. N\u00e3o \u00e9? \u2013 ela se sentou e apontou para o lugar ao lado do seu. \u2013 Voc\u00ea n\u00e3o vai se mudar s\u00f3 porque vai voltar a ficar rico.<br>\n&emsp;&emsp;- Por qu\u00ea? Voc\u00ea foi liberada dos cuidados?<br>\n&emsp;&emsp;- Cem por cento. \u2013 ela sorriu.<br>\n&emsp;&emsp;Ap\u00f3s um breve momento de choque, deixei o meu bowl e o dela na mesa, ao lado dos vinhos, e a puxei para um enorme abra\u00e7o.<br>\n&emsp;&emsp;A vida n\u00e3o podia ser melhor.<br>\n&emsp;&emsp;D\u00edvidas quitadas.<br>\n&emsp;&emsp;Sal\u00e1rio voltando a entrar.<br>\n&emsp;&emsp;Amanda saud\u00e1vel e feliz.<br>\n&emsp;&emsp;Meus pais seguros e felizes.<br>\n&emsp;&emsp;Eu podia lidar com essa vida. Ah, se podia.<br>\n&emsp;&emsp;Falta s\u00f3 uma coisa.<br>\n&emsp;&emsp;- Me pergunte. \u2013 Amanda disse baixo, ainda embolada entre meus bra\u00e7os.<br>\n&emsp;&emsp;Respirei fundo. Afastei ela de mim para que pudesse olhar em meus olhos. Esperei o momento certo para fazer a pergunta da maneira correta.<br>\n&emsp;&emsp;- Amanda. \u2013 limpei minha garganta. \u2013 Amanda \u2013 repeti, meus olhos presos aos seus. \u2013, por favor, me perdoe?<br>\n&emsp;&emsp;Ela n\u00e3o respondeu de imediato.<br>\n&emsp;&emsp;Para ser sincero, ela n\u00e3o <em>verbalizou<\/em> de imediato. Mas sua rea\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o r\u00e1pida quanto o piscar dos olhos.<br>\n&emsp;&emsp;Ela pendeu seu corpo sobre o meu e enla\u00e7ou meu pesco\u00e7o com seus bra\u00e7os. Sem esperar nem um segundo, grudou seus l\u00e1bios nos meus com os olhos fechados.<br>\n&emsp;&emsp;Permaneci parado, em choque, at\u00e9 perceber o que estava acontecendo ali. O que estava acontecendo dentro de mim. Como se algo tivesse sido despertado.<br>\n&emsp;&emsp;Retribu\u00ed seu beijo com mais beijos e car\u00edcias repletas de amor. Em meio a eles, Amanda suspirou:<br>\n&emsp;&emsp;- Eu te perdoo, Julio.<\/p>\n\n<h2><center>FIM.<\/center><\/h2>\n\n<p>&emsp;&emsp;Minha primeira hist\u00f3ria no site. Espero que tenham gostado!\ufeff<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escondido, eu te digo algo Porque s\u00f3 voc\u00ea consegue manter o segredo O que eu n\u00e3o consigo mais suportar &emsp;&emsp;&#8211; Voc\u00ea n\u00e3o pode contar para ningu\u00e9m. \u2013 disse, naquela noite de lua cheia. &emsp;&emsp;O c\u00e9u tinha mais estrelas do que o normal. 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