{"id":1908,"date":"2017-10-29T14:41:00","date_gmt":"2017-10-29T17:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-08-21T14:43:25","modified_gmt":"2025-08-21T17:43:25","slug":"capitulo-unico-82","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/1-800-273-8255\/unico\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo \u00fanico"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"center\"><em>\u201cI&#8217;ve been on the low<br>I been taking my time<br>I feel like I&#8217;m out of my mind<br>It feel like my life ain&#8217;t mine\u201d<\/em><\/p>\n<span class=\"capitular1\">M<\/span>elisha tamborilava seus dedos no teclado de seu notebook, havia dias que estava ali, tentando passar para a tela vazia palavras que formariam frases que fariam sentido mais tarde. Seus olhos percorriam o seu celular, onde tinha algumas mensagens de sua prima, provavelmente contando sobre o seu dia ou algo assim. A primeira coisa que escreveu para ela foi <em>&#8220;eu vou surtar, n\u00e3o estou conseguindo escrever nada.&#8221;<\/em> Depois, recebeu uma resposta que dizia que Mel conseguiria, bastava levar seu tempo. A morena ent\u00e3o absorveu a mensagem e respirou fundo, tratando de focar sua aten\u00e7\u00e3o no notebook e assim, iniciando o primeiro par\u00e1grafo de sua <em>fic<\/em>. Suas ideias foram surgindo, prontas para serem expostas, por\u00e9m, para tal, Melisha precisaria voltar um pouco no tempo para contar duas hist\u00f3rias.\n<p align=\"center\"><em>\u201cI don&#8217;t wanna be alive<\/em><br><em>I just wanna die<\/em><br><em>And let me tell you why\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u2003\u2003Clho\u00eb encarava a sua janela entreaberta, com suas \u00edrises castanhas marejadas e com um n\u00f3 na garganta intermin\u00e1vel. A tentativa falha de ficar se distraindo se esva\u00eda, assim como a sua vontade de levantar a cada amanhecer.<br>\u2003\u2003Com oito anos, seus pais haviam se separado; descobrira em dezembro que Papai Noel n\u00e3o existia e seu objeto que a acompanhava desde crian\u00e7a e que servia de alento nos momentos de brigas em casa \u2013 sua chupeta \u2013 havia sido retirado de si.<br>\u2003\u2003Ainda na inf\u00e2ncia, descobrira sofrer de TOC, o que colaborou a deix\u00e1-la uma crian\u00e7a mais introspectiva e com dificuldades de se comunicar com os seres humanos em geral. Na mesma \u00e9poca, era v\u00edtima de bullying por causa de suas manias &#8220;estranhas&#8221; e seus tiques nervosos que n\u00e3o conseguia controlar. Ningu\u00e9m falava com Clho\u00eb, nem mesmo um &#8220;oi&#8221;.<br>\u2003\u2003E foi a partir da\u00ed que as coisas come\u00e7aram a desandar.<\/p>\n<p align=\"center\"><em>\u201cI&#8217;m hurting deep down but can&#8217;t show it\u201d<\/em><\/p>\n\u2003\u2003Aos poucos perdia a vontade de se levantar, de ir para a escola e at\u00e9 mesmo de conversar com algu\u00e9m. Perdia as contas de quantas vezes chorava, \u00e0s vezes era pelo ac\u00famulo e pelo cansa\u00e7o, estava chegando ao seu limite. Para disfar\u00e7ar e n\u00e3o ter que se explicar, recorria \u00e0 maquiagem, escondendo tudo que denunciasse suas l\u00e1grimas derramadas por tantas vezes.\n<p align=\"center\"><em>\u201cI never had a place to call my own<br>I never had a home<br>Ain&#8217;t nobody callin&#8217; my phone<br>Where you been? Where you at?<br>What&#8217;s on your mind?\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u2003\u2003Era dif\u00edcil p\u00f4r para fora a sua guerra interior, ainda mais quando as pessoas banalizavam o que voc\u00ea sentia. Ent\u00e3o, \u00e9 mais f\u00e1cil guardar do que se sentir pior por ter falado.<br>\u2003\u2003Conforme ia crescendo, o bullying havia cessado, mas suas manias e tiques foram se intensificando. Clho\u00eb pedia por ajuda, mas era como se ningu\u00e9m a escutasse e isso provocava na garota a total perda de vontade de se comunicar, interagir e de <strong><em>viver<\/em><\/strong>.<br>\u2003\u2003Era horr\u00edvel pensar isso, e mais horr\u00edvel ainda era olhar para uma faca com uma intensidade mais forte do que o normal. Sua mente come\u00e7a a vagar por ideias que jamais deveriam ser proferidas por serem cru\u00e9is demais e autodestrutivas, por\u00e9m, chega uma hora que lutar contra a correnteza \u00e9 dif\u00edcil. L\u00e1 da praia ningu\u00e9m te v\u00ea e nem te escuta e voc\u00ea cogita a possibilidade de desistir de tudo e deixar que uma trag\u00e9dia ocorra.<\/p>\n<p align=\"center\"><em>\u201cThey say every life precious<br>But nobody care about mine\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u2003\u2003Clho\u00eb n\u00e3o aguentava mais, odiava o seu reflexo no espelho. N\u00e3o tinha por que viver num mundo onde seus dias de luta eram maiores e mais sofridos do que os de gl\u00f3ria.<br>\u2003\u2003<em>&#8220;Ent\u00e3o, para que insistir nisso tudo?&#8221;.<\/em> A menina perguntava a si mesma.<\/p>\n<p align=\"center\"><em>\u201cI want you to be alive<br>You don&#8217;t gotta die<br>Now lemme tell you why\u201d<\/em><\/p>\n\u2003\u2003Ao se indagar, lembrou-se de sua fam\u00edlia. Sua m\u00e3e e seu pai, sua irm\u00e3, sua prima e seu cachorro. A dor deles era inconceb\u00edvel caso ela partisse. Ela queria ver sua irm\u00e3 se casando, estar perto do crescimento e amadurecimento de sua prima, ver suas conquistas de perto. Para Clho\u00eb, sua vida mal importava, mas as deles, valia muito.\n<p align=\"center\"><em>\u201cIt&#8217;s the very first breath<br>When your head&#8217;s been<br>Drowning underwater\u201d<\/em><\/p>\n\u2003\u2003A morena, ent\u00e3o, se agarrou a isso.\n<p align=\"center\"><em>\u201cIt&#8217;s holding on, though the road&#8217;s long<br>And seeing light in the darkest things\u201d<\/em><\/p>\n\u2003\u2003Chegou um momento em que ela se deparou com duas op\u00e7\u00f5es: acabar com tudo ou procurar ajuda. Era a sua vida, Clho\u00eb n\u00e3o desistiria sem tentar se ajudar. A mesma n\u00e3o entendia como podiam dizer a ela que ela n\u00e3o tinha nada, Clho\u00eb estava definhando na frente de todos, como eles n\u00e3o percebiam?\n<p align=\"center\"><em>\u201cAnd when you stare at your reflection<br>Finally knowing who it is<br>I know that you&#8217;ll thank God you did\u201d<\/em><\/p>\n\u2003\u2003Agora, com dezoito anos, Clho\u00eb s\u00f3 queria poder voltar no tempo para pegar aquela crian\u00e7a no colo e dizer que tudo ficaria bem. A morena fez seis anos de an\u00e1lise com tr\u00eas psic\u00f3logos diferentes. Essas quest\u00f5es s\u00e3o mais complexas do que se imagina e demoram tempos para serem erradicadas. Hoje, Clho\u00eb \u00e9 extremamente feliz e grata por estar viva e&nbsp;por ter lutado quando tudo parecia desmoronar. O que havia passado em sua inf\u00e2ncia, construiu a mulher que se tornara e ela n\u00e3o trocaria nada por isso.\n<p align=\"center\"><em>\u201cI know where you been<br>Where you are, where you goin&#8217;\u201d<\/em><\/p>\n\u2003\u2003Uma coisa que Chlo\u00eb mal sabia, era que n\u00e3o muito longe de si, ela ajudou direta e indiretamente uma pessoa que sempre a admirou.\n<p align=\"center\"><em>\u201cI know you&#8217;re the reason I believe in life<br>What&#8217;s the day without a little night?<br>I&#8217;m just tryna shed a little light\u201d<\/em><\/p>\n\u2003\u2003Melisha (<em>sim, agora vou falar um pouco da minha hist\u00f3ria em terceira pessoa<\/em>) vinha passando por situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis desde que sa\u00edra da fase infantil para a pr\u00e9-adolesc\u00eancia. Todos j\u00e1 passaram por essa mudan\u00e7a de corpo, e com isso, em v\u00e1rios casos, \u00e9 motivo de bullying. Mel n\u00e3o gostava da sua imagem, ainda mais quando ouvia os coment\u00e1rios maldosos que os colegas de classe ou at\u00e9 mesmo fora da escola proferiam.\n<p align=\"center\"><em>\u201cIt can be hard\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u2003\u2003Do\u00eda, do\u00eda demais.<br>\u2003\u2003Isso foi alimentando o sentimento de ser insuficiente, e aquilo s\u00f3 progredia conforme o crescimento da garota.<br>\u2003\u2003Mesmo o bullying ter cessado e Mel ter come\u00e7ado a se aceitar mais, aqueles pensamentos ainda a rodeavam, ela n\u00e3o estava satisfeita com o que via, e isso ia corroendo-a por dentro.<\/p>\n<p align=\"center\"><em>\u201cIt can be so hard\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u2003\u2003Mel havia desencadeado ind\u00edcios de depress\u00e3o, causada pela bola de neve que estava a sua vida. Brigas, estresses e a n\u00e3o auto aceita\u00e7\u00e3o eram os principais motivos para que fizessem a garota perder cada vez mais o desejo de encarar o mundo l\u00e1 fora. Al\u00e9m disso, foi a \u00e9poca tamb\u00e9m que a sua perda de apetite come\u00e7ou. Em momentos de crises de choro, algumas vezes Melisha arranhava seus bra\u00e7os, suas coxas e sua barriga, tentando aliviar a dor interna de alguma forma.<br>\u2003\u2003Ela estava cansada, n\u00e3o aguentava a mar\u00e9 ruim que a cercava, isso desgastava demais.<br>\u2003\u2003Por\u00e9m, Mel decidiu tentar falar para algu\u00e9m, por mais dif\u00edcil que fosse. Ent\u00e3o, se direcionou para a conversa de Clho\u00eb e desabafou sobre o caos que se encontrava. Tinha muito medo de se arrepender de ter contado, geralmente as pessoas banalizam a sua dor, o seu choro. Mas, ao ler a resposta de Clho\u00eb, pela primeira vez p\u00f4de dar um suspiro, mesmo que curto, de al\u00edvio.<\/p>\n<p align=\"center\"><em>\u201cBut you gotta live right now<br>You got everything to give right now\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u2003\u2003<em>&#8220;Eu n\u00e3o vou ficar te vendo se afundando e permitir que isso aconte\u00e7a. Eu estou aqui para te ajudar a levantar e farei de tudo para isso.<\/em><br>\u2003\u2003<em>&#8211; Chlo<\/em>\u00eb<em>&#8220;<\/em><\/p>\n\u2003\u2003Nesse instante, Melisha chorou, chorou bastante. Havia se permitido a tal, sabia o qu\u00e3o doloroso era pensar que n\u00e3o havia nem ao menos um feixe de luz e, quando menos esperava, viu que a sua luz era a sua prima.\n<p align=\"center\"><em>\u201cI finally wanna be alive<br>I don&#8217;t wanna die\u201d<\/em><\/p>\n\u2003\u2003Clho\u00eb n\u00e3o imaginava o qu\u00e3o grata Melisha era por t\u00ea-la em sua vida, e vice-versa. Ambas enfrentavam seus monstros di\u00e1rios, mas sabiam que tinham uma a outra. Quando sofremos, nosso pensamento sempre far\u00e1 com que achemos que estamos sozinhos, e por mais que as situa\u00e7\u00f5es possam &#8220;refor\u00e7ar&#8221; isso, sempre haver\u00e1 algu\u00e9m ali, disposto a estender a m\u00e3o para nos ajudar a sair do po\u00e7o.\n<p align=\"center\"><em>*<\/em><\/p>\n<p align=\"center\"><em>\u201cPain don&#8217;t hurt the same, I know<br>The lane I travel feels alone<br>But I&#8217;m moving &#8216;til my legs give out<br>And I see my tears melt in the snow\u201d<\/em><\/p>\n\u2003\u2003A vida \u00e9 um sopro, com ela as mar\u00e9s boas e ruins sempre atracam o porto. Geralmente, as nuvens negras bloqueiam nossas vis\u00f5es, e os raios solares s\u00e3o impossibilitados de atravessarem as mesmas. \u00c9 dif\u00edcil voltar a ter esperan\u00e7a quando voc\u00ea praticamente a perdeu totalmente, mas, \u00e9 poss\u00edvel. N\u00e3o ser\u00e1 uma trajet\u00f3ria f\u00e1cil, por\u00e9m, valer\u00e1 a pena no final.\n<p align=\"center\"><em>\u201cI wanna feel alive<br>I don&#8217;t even wanna die anymore<\/em>\u201d<\/p>\n<p>\u2003\u2003Est\u00e1 tudo bem chorar. <br>\u2003\u2003Chorar te faz humano.<br>\u2003\u2003Voc\u00ea encontrar\u00e1 muita gente que falar\u00e1 que isso \u00e9 bobagem, e por mais que voc\u00ea esteja se segurando por um fio, n\u00e3o o solte. Sua dor n\u00e3o \u00e9 menor que a dor do outro, cada um sabe onde seu calo aperta e voc\u00ea \u00e9 mais forte que voc\u00ea pensa.<br>\u2003\u2003Voc\u00ea \u00e9 forte; <br>\u2003\u2003Voc\u00ea \u00e9 inteligente;<br>\u2003\u2003Voc\u00ea vale MUITO a pena; <br>\u2003\u2003Voc\u00ea \u00e9 importante.<br>\u2003\u2003Voc\u00ea \u00e9 um po\u00e7o de coisas boas, que est\u00e1 sendo vendado pelas mar\u00e9s ruins. Mas, do fundo do meu cora\u00e7\u00e3o, voc\u00ea vai ficar bem.&nbsp;<\/p>\n<p>\u2003\u2003E se quiser conversar com algu\u00e9m, p\u00f4r para fora tudo aquilo que te aflige, deixarei o link do Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida, l\u00e1 haver\u00e1 pessoas dispostas a te escutar e sem julgamentos. <br>\u2003\u2003<a href=\"http:\/\/www.cvv.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.cvv.org.br<\/a><\/p>\n\u2003\u2003<em>De todo o meu cora\u00e7\u00e3o, Melisha.<\/em>\n<p align=\"center\"><em>*<\/em><\/p>\n\u2003\u2003Melisha n\u00e3o segurou as l\u00e1grimas, sentia que precisava p\u00f4r para fora os acontecimentos que a marcaram e que marcaram sua prima. Ela tinha no\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o podia mover todas as montanhas de uma s\u00f3 vez, por\u00e9m, se conseguisse mover aos poucos, isso j\u00e1 a fazia satisfeita.\n<p align=\"center\"><em>\u201cI don&#8217;t even wanna die anymore\u201d<\/em><\/p>\n<div class=\"nota\">\n<h3 align=\"center\">Fim<\/h3>\n<\/div>\n<p>\u2003\u2003<b>Nota:<\/b> Relou, relou! Espero que gostem! &lt;3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cI&#8217;ve been on the lowI been taking my timeI feel like I&#8217;m out of my mindIt feel like my life ain&#8217;t mine\u201d \u201cI don&#8217;t wanna be aliveI just wanna dieAnd let me tell you why\u201d \u201cI&#8217;m hurting deep down but can&#8217;t show it\u201d \u201cI never had a place to call my ownI never had a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":true,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[711],"class_list":["post-1908","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-1-800-273-8255"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/1908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1908"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=1908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}