{"id":1904,"date":"2021-07-15T13:56:00","date_gmt":"2021-07-15T16:56:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-11-15T20:10:00","modified_gmt":"2025-11-15T23:10:00","slug":"unico","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/tis-the-damn-season\/unico\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo \u00fanico"},"content":{"rendered":"\r\n<p><span class=\"capitular1\">M<\/span>eu celular tocava incessantemente enquanto eu estacionava entre a Igreja e a escola que frequentei quando mais nova, e antes de poder respirar o ar puro da minha cidade natal, um rosto surgiu na minha janela esquerda, me assustando e tirando boas gargalhadas de todos presentes. Rolei os olhos para os meus irm\u00e3os e os abracei assim que sa\u00ed do ve\u00edculo, embarcando na aura divertida que eles traziam consigo e n\u00e3o tardamos em p\u00f4r as novidades em dia. Nicolas e Saffron discutiam para ver quem falaria primeiro sobre as f\u00e9rias e algo envolvendo experimentos da aula de ci\u00eancias; Blake ignorava os g\u00eameos e tagarelava com Manuel, que me puxou para perto e colocou seu bra\u00e7o em volta do meu ombro, apontando para a c\u00e2mera que, no segundo seguinte, tirava uma foto nossa totalmente espont\u00e2nea. Para nossa sorte, a dist\u00e2ncia at\u00e9 o mercado central era pouca, caso contr\u00e1rio, se continu\u00e1ssemos por mais tempo caminhando pela cidade, Blake e os mais novos iniciariam uma briga e ningu\u00e9m queria estragar o feriado. Adentramos o lugar e recebi os famosos olhares de \u201cpor favor, compre para a gente aquele chocolate que tanto amamos!\u201d que fui acostumada a adolesc\u00eancia inteira por ser a quem trabalhava, juntamente de Manu. Deixei que escolhessem o que quisessem, afinal, est\u00e1vamos na semana do Natal e durante a busca dos doces, eu e meu irm\u00e3o ter\u00edamos um tempinho a s\u00f3s para ele me informar como andavam as coisas em casa.<br>\u2003\u2003\u2013 Bom, \u00e9 isso. Parece que passaremos a v\u00e9spera com as nossas m\u00e3es e a esposa do nosso pai e os filhos das respectivas. E mais umas trinta pessoas, provavelmente. &#8211; Ele suspirou, contando nos dedos se n\u00e3o esquecia de ningu\u00e9m e finalizando os planos para o dia 24.<br>\u2003\u2003\u2013 N\u00e3o sei se sinto tanta falta dos feriados recheados de rostos conhecidos, mas, definitivamente esse ser\u00e1 interessante! &#8211; Rimos. \u2013 E eu achando que na nossa fam\u00edlia j\u00e1 tinha g\u00eameos o bastante.<br>\u2003\u2003\u2013 Pelo menos os outros est\u00e3o juntos, j\u00e1 a gente\u2026 &#8211; Manuel colocava as compras na esteira. \u2013 Olha, senti saudades da minha metade, n\u00e3o vou negar.<br>\u2003\u2003\u2013 Manu! Assim eu chorarei no meio do mercado e mam\u00e3e reclamar\u00e1 que eu nunca choro ao rev\u00ea-la! &#8211; Fingi secar as l\u00e1grimas com um lencinho que estava no meu bolso e recebi um olhar reprovador. \u2013 Fala s\u00e9rio, voc\u00ea sabe que eu estou a uma liga\u00e7\u00e3o distante.<br>\u2003\u2003\u2013 E 18 horas de carro, n\u00e9?<br>\u2003\u2003\u2013 Touch\u00e9. &#8211; O cutuquei na barriga. \u2013 Ou cinco de avi\u00e3o, o qual voc\u00ea n\u00e3o aceitou que eu comprasse suas passagens para ir me visitar. Ent\u00e3o, nada de reclamar.<br>\u2003\u2003\u2013 Por que nossas discuss\u00f5es parecem como a de Nico e Saffron, hein? \u00c0s vezes esque\u00e7o que temos vinte e tr\u00eas recentes completados anos!<br>\u2003\u2003\u2013 Sabe que estamos mais perto do 24, n\u00e3o \u00e9, Manu?<br>\u2003\u2003\u2013 Estraga prazeres!<br>\u2003\u2003Com as bolsas guardadas no porta-malas e todos em seus devidos lugares, liguei o r\u00e1dio e engatamos em um novo assunto durante a volta para casa. N\u00e3o demoraria muito para que a cancela fechasse e o trem continuasse o seu trajeto, algo normal aos olhos de qualquer um. Entretanto, para mim, eu podia sentir o ar ficando mais denso e meus dedos batiam no volante rapidamente, felizmente chamando a aten\u00e7\u00e3o apenas de Manuel, que se encontrava no banco da carona e levemente preocupado. Senti sua m\u00e3o no meu ombro e respirei fundo, seguindo a rua mais longa e recebendo questionamentos do motivo, j\u00e1 que tomaria um bocado de tempo para chegarmos em casa. Meu irm\u00e3o deu uma resposta qualquer que n\u00e3o prestei muita aten\u00e7\u00e3o, pois minha mente estava ocupada tentando bloquear as mem\u00f3rias que insistam em surgir desde que pisei nessa cidade.<\/p>\r\n<p align=\"center\">*<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Um fato sobre Melissa Campos: se ela for fazer um bolinho, saiba que ter\u00e1, no m\u00ednimo, trinta pessoas para cantar parab\u00e9ns e comida para sessenta. Quando diziam que minha m\u00e3e n\u00e3o brincava em servi\u00e7o, n\u00e3o ironizavam, j\u00e1 que a mulher ficou conhecida por seus banquetes em datas festivas e, por morar em cidade pequena, sua fama e seu restaurante bombaram desde a primeira festa que deu, antes mesmo de pensar em ter mais tr\u00eas filhos. Quando uma data, como o Natal, estava perto de acontecer, ela come\u00e7ava os preparativos, geralmente no s\u00e1bado, terminando apenas um dia ap\u00f3s as festividades. Ou seja, teremos bastante comida e gente vindo em casa at\u00e9 a pr\u00f3xima segunda. Preciso confessar que depois que me mudei, me desacostumei com eventos t\u00e3o grandes, talvez seja por ter um grupo de amigos que preferiam fazer festas entre si do que ir para alguma balada, mas ao sentir o cheirinho do bolo assando e tendo pelo menos cinco pessoas me cumprimentando, meu cora\u00e7\u00e3o se aqueceu como n\u00e3o acontecia por um longo per\u00edodo. Encontrei Melissa cantarolando a m\u00fasica que tocava na r\u00e1dio enquanto dava para Raya uma colher com um pouco do caldo que preparava, a fim de descobrir se o tempero estava no ponto certo. N\u00e3o pude deixar de sorrir com a cena, ver minhas m\u00e3es desse jeito me fazia feliz, logo elas me notaram e vieram correndo, enchendo meu rosto de beijos e fui envolvida em um abra\u00e7o apertado.<br>\u2003\u2003\u2013 Meu Deus, <em>rouxinol<\/em>! Vem c\u00e1, preciso de mais abra\u00e7os. S\u00e9rio, por quanto tempo dormi para voc\u00ea estar toda crescida?<br>\u2003\u2003\u2013 \u00c9, meu amor, o bastante, pelo visto, j\u00e1 que ontem voc\u00ea estava toda orgulhosa de ver que criou sua filha para o mundo. &#8211; Raya recebeu um olhar feio de mam\u00e3e e come\u00e7amos a rir. \u2013 E voc\u00ea, querida, como est\u00e1? Seu quarto est\u00e1 arrumado e te esperando, por que n\u00e3o toma um banho e descansa um pouco? C\u00e1 entre n\u00f3s, n\u00e3o vai demorar muito at\u00e9 sua m\u00e3e pedir que voc\u00ea compre algo por causa do carro\u2026<br>\u2003\u2003\u2013 Ei, escutei isso!<br>\u2003\u2003\u2013 Parece ser um bom plano, m\u00e3e. \u00c9 tanta pessoa para rever que os minutos que eu tiver sozinha v\u00e3o me fazer bem. Meio que perdi o pique do s\u00edtio, voc\u00ea sabe. &#8211; Suspirei pesadamente, um tanto sem gra\u00e7a por Raya saber me ler t\u00e3o bem independente das esta\u00e7\u00f5es que passamos separadas.<br>\u2003\u2003\u2013 Seu pai pediu para voc\u00ea passar na loja dele se poss\u00edvel, rouxinol.<br>\u2003\u2003Assenti e andei calmamente para as escadas, observando o exterior pela enorme porta da cozinha que dava acesso ao gramado, onde v\u00e1rios rostos conhecidos acenavam para mim animadamente e eu os respondia com um sorriso. Desfiz minha mala assim que sa\u00ed do banho enrolada no meu roup\u00e3o, e fiquei desse modo por meia hora rolando a timeline no celular at\u00e9 que escuto meu nome ser chamado no andar de baixo diversas vezes e me vejo na obriga\u00e7\u00e3o de vestir qualquer pe\u00e7a de roupa antes que batessem na minha porta.<br>\u2003\u2003\u2013 Preciso que busque algumas coisas no seu pai e que deixe o carro na oficina dele, <em>rouxinol<\/em>. &#8211; Senti a chave cair na minha m\u00e3o e olhei para Raya, que sussurrou um \u201cTe avisei\u201d e soltou um risinho contido ao ver minha rea\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2013 Mais alguma coisa, dona Melissa?<br>\u2003\u2003\u2013 Est\u00e1 liberada, querida. A prop\u00f3sito, pegue uma carona com algu\u00e9m da cidade, um colega, ou o Robert. &#8211; Deu de ombros. &#8211; E n\u00e3o demore, parece que chover\u00e1. Qualquer coisa, manda uma mensagem pra gente, tudo bem?<br>\u2003\u2003Como era de se esperar, foi um perrengue conseguir dirigir um ve\u00edculo que ia de mal a pior. N\u00e3o que fosse antigo, mas havia algo de errado nele que transformou quinze minutos em quarenta e a cada parada de sinal as trovoadas ficavam mais altas. Meu \u00fanico pedido era de que meu pai me levasse para casa assim que eu estacionasse, todavia, era capaz de mam\u00e3e mandar recado por ele para eu ter que comprar mais alguma coisa. Nem podia resmungar muito, afinal, dos cinco filhos, eu era a \u00fanica desocupada, e mesmo estando longe por meses, isso n\u00e3o se tornava um impedimento para que ela me pedisse algo.<br>\u2003\u2003\u2013 Robert &#8211; o chamei ao v\u00ea-lo surgir atr\u00e1s do balc\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2013 Quem \u00e9 vivo sempre aparece! &#8211; Ele me puxou para seus bra\u00e7os. \u2013 Papai estava com saudades, sabia? Dif\u00edcil ver minha primog\u00eanita, que Manu n\u00e3o me ou\u00e7a, s\u00f3 por fotos e v\u00eddeos. Mas, conte para mim, qual \u00e9 o problema dessa vez?<br>\u2003\u2003\u2013 O carro da rainha Melissa est\u00e1 ruim, se voc\u00ea pudesse dar uma olhada. Preciso comprar alguns ingredientes e arranjar uma carona para o s\u00edtio. &#8211; Fiz a minha melhor fei\u00e7\u00e3o para convenc\u00ea-lo a me levar.<br>\u2003\u2003\u2013 Essa sua carinha deixou de me convencer h\u00e1 13 anos, filha. &#8211; Meu pai gargalhou, dando a volta no balc\u00e3o. \u2013 Infelizmente s\u00f3 vou poder ir mais tarde, e com a chuva que amea\u00e7a cair, Belle ter\u00e1 que vir pra c\u00e1 com as crian\u00e7as mais cedo do que o programado.<br>\u2003\u2003\u2013 Tudo bem com voc\u00eas? Espero que os pequenos se lembrem de mim!<br>\u2003\u2003\u2013 Tudo, filha. Eles s\u00e3o os que mais perguntam da \u201c meia irm\u00e3 mais velha\u201d que gostam tanto! E Belle n\u00e3o fica muito atr\u00e1s, sempre vem me mostrar as fotos que voc\u00ea posta. &#8211; Sorri ao saber das not\u00edcias. \u2013 Ah, quase ia me esquecendo! Acabei de consertar uma caminhonete e o dono dela ainda est\u00e1 na oficina, acho que era um colega seu de classe\u2026 Pode pedir carona ao rapaz, ele est\u00e1 me devendo uns favores. Cidade pequena tem suas vantagens. &#8211; O abracei mais uma vez e peguei a lista do meu bolso, tentando memorizar os itens caso eu perdesse o papel. Decidi tirar uma foto e, por fim, segui o pequeno caminho para a oficina. Adorava o fato de que meu pai tinha uma floricultura e ao lado cuidava dos carros.<br>\u2003\u2003\u2013 Caminhonete, caminhonete\u2026 &#8211; resmunguei baixinho enquanto procurava o tal colega dentre os cinco ve\u00edculos iguais estacionados. \u2013 Ah! Acho que vi algu\u00e9m. &#8211; Abaixei meu rosto na altura da janela, tentando ver se o dono podia estar no lado de dentro.<br>\u2003\u2003\u2013 Nunca te disseram que \u00e9 feio espionar o carro alheio? &#8211; Pude sentir a brisa fria passar pelo meu corpo ao ouvir <em>aquela <\/em>voz. O tipo de brisa que <em>emba\u00e7aria<\/em> o vidro para-brisa.<br>\u2003\u2003\u2013 <em>%Sam%.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2013 %Sophia%.<\/em> &#8211; Percebi sua postura enrijecer ao falar o meu nome, e n\u00e3o foi muito diferente comigo.<br>\u2003\u2003\u2013 Tudo bem? &#8211; Pus minhas m\u00e3os no bolso da cal\u00e7a e fitei o ch\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2013 Sim, e voc\u00ea? No que lhe posso ser \u00fatil?<br>\u2003\u2003\u2013 Hum\u2026 \u00c9 que n\u00e3o tenho como voltar para casa depois de ir ao mercado e Robert t\u00e1 ocupado com o trabalho, mas disse que tinha um colega meu aqui, ent\u00e3o\u2026<br>\u2003\u2003\u2013 Colega, \u00e9? &#8211; Ele se aproximou calmamente, provavelmente me analisando para entender a situa\u00e7\u00e3o. \u2013 Bem, se \u00e9 s\u00f3 isso, pode subir. Pega. &#8211; Jogou as chaves para mim. \u2013 A condi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 voc\u00ea dirigir, j\u00e1 que estou meio impossibilitado.<br>\u2003\u2003\u2013 O que houve com seu pulso?<br>\u2003\u2003\u2013 Ah, tentei subir naquele limoeiro do meu vizinho, ca\u00ed e torci o pulso. &#8211; Deu de ombros, indiferente com o acidente.<br>\u2003\u2003\u2013 Dessa vez o meu t\u00e1 intacto. \u2013 Ri. \u2013 Isso me lembrou de quando \u00e9ramos mais novos e as idas para casa eram com o joelho ralado de tanto pular as muretas espalhadas por a\u00ed. &#8211; O arrependimento surgiu no mesmo minuto em que raciocinei o que acabara de falar.<br>\u2003\u2003%Sam% Albuquerque era o meu parceiro de crime e melhor amigo, e se alguma pessoa poderia superar Raya em me ler por completa, era <em>ele<\/em>. Nunca soube como expressar os pensamentos e sentimentos que brotavam quando sua silhueta ficava vis\u00edvel no final do corredor da escola, vindo com seu riso solto e jogando as longas madeixas para tr\u00e1s. Ou nos momentos que sa\u00edamos correndo sem destino, apenas parando para observar o luar, al\u00e9m de todos os clich\u00e9s de filmes rom\u00e2nticos poss\u00edveis que aconteciam conosco. Reprimi um sorriso ao dar uma pequenina abertura \u00e0quela sensa\u00e7\u00e3o t\u00e3o gostosa que sua companhia proporcionava, e n\u00e3o sei se era coisa da minha cabe\u00e7a, mas pude reparar que o seu semblante estava tranquilo, diferente de quando me viu.<br>\u2003\u2003<em>Se est\u00e1 tudo bem pra ele, est\u00e1 tudo bem para mim<\/em>.<\/p>\r\n<p align=\"center\">*<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Desde que sa\u00edmos da oficina n\u00e3o trocamos mais nenhuma palavra, nem olhares. N\u00e3o podia culp\u00e1-lo por n\u00e3o querer conversar ou por n\u00e3o agir como h\u00e1 um ano, toda a melancolia instalada no meu interior parecia como um perfume ruim, que voc\u00ea s\u00f3 consegue fugir at\u00e9 chegar em casa e tir\u00e1-lo do corpo. Mas, os c\u00e9us sabem como eu queria poder esfregar as escolhas \u00e1gua abaixo para poder seguir o que tivesse que seguir; voltar atr\u00e1s e ir fundo na estrada n\u00e3o tomada que sempre pareceu ser muito boa. Boa demais para uma pessoa cheia de inseguran\u00e7as e m\u00e1goas do passado que nem eu, tendo seus medos passando em cima de qualquer vontade de seguir o seu cora\u00e7\u00e3o verdadeiramente.<br>\u2003\u2003N\u00e3o percebi que segurava o volante t\u00e3o firme at\u00e9 um trov\u00e3o estrondoso chamar a minha aten\u00e7\u00e3o, logo dando in\u00edcio \u00e0 chuva que ca\u00eda fortemente na caminhonete. A mercearia ainda se encontrava a bons minutos de onde est\u00e1vamos, e definitivamente n\u00e3o chegar\u00edamos a tempo, afinal, da janela pude perceber que corria o risco de ficarmos ilhados.<br>\u2003\u2003A \u00fanica sa\u00edda era pegar o retorno e aguardar na linha do trem, que provavelmente est\u00e1 fechada esperando o temporal passar.<br>\u2003\u2003\u2013 Esta \u00e9 a maldita esta\u00e7\u00e3o. &#8211; Bati no volante e encostei minha testa no mesmo, soltando o ar pesadamente.<br>\u2003\u2003\u2013 Ainda tendo problemas com <em>esse<\/em> feriado? Talvez eu tenha que concordar com voc\u00ea. Quem imaginaria que depois de um ano estar\u00edamos nessa mesma esta\u00e7\u00e3o em que eu te vi indo embora?<br>\u2003\u2003\u2013 Voc\u00ea se lembra? Achei que\u2026<br>\u2003\u2003\u2013 Achou que uma carta era suficiente para me fazer desistir de ir atr\u00e1s da garota que eu amei? &#8211; Ele se mexeu desconfortavelmente no banco. \u00c9 percept\u00edvel que a dor posta nele pela dor que eu levava comigo \u00e9 presente, porque era s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo para chegarmos nessa conversa.<br>\u2003\u2003\u2013 Fugindo, na verdade. &#8211; Encostei meu corpo no banco. \u2013 N\u00e3o mais que tr\u00eas meses para eu realizar que fugir n\u00e3o foi a a\u00e7\u00e3o mais sensata a se fazer.<br>\u2003\u2003\u2013 Est\u00e1 tudo bem, %Sophia%. &#8211; \u201cEst\u00e1 tudo bem\u201d, repeti mentalmente.<br>\u2003\u2003\u2013 Odeio quando me chama pelo meu nome. &#8211; Virei o suficiente para olh\u00e1-lo.<br>\u2003\u2003\u2013 Voc\u00ea odeia muita coisa. &#8211; Riu. \u2013 Quer que eu te chame como?<br>\u2003\u2003\u2013 Voc\u00ea poderia me chamar de amor pelo final de semana. &#8211; Fechei os olhos, sem saber onde isso daria.<br>\u2003\u2003\u2013 %Sophia%\u2026 voc\u00ea sabe como isso acabar\u00e1, n\u00e9? &#8211; Seu tom de voz foi diminuindo.<br>\u2003\u2003\u2013 Eu\u2026 sinto falta do seu sorriso. E n\u00e3o sei como terminar\u00e1 cem por cento, mas n\u00e3o posso te pedir muito ou que me espere se voc\u00ea n\u00e3o pedir que eu fique.<br>\u2003\u2003\u2013 Ser\u00e1 o suficiente? &#8211; %Sam% segurou meu rosto e deu um sorriso triste. \u2013 N\u00e3o posso tomar uma decis\u00e3o sozinho que \u00e9 para dois, entretanto\u2026 que tal aproveitarmos que a chuva passou e andarmos por a\u00ed, sem pensar muito no amanh\u00e3? A esta\u00e7\u00e3o reabriu.<br>\u2003\u2003Talvez eu volte para a minha vida em Los Angeles e para os \u201camigos\u201d que fiz, partindo o meu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o. Mas, pela primeira vez, me aventurei em ir pela estrada que sempre evitei e que estava t\u00e3o boa agora\u2026 porque essa estrada sempre me leva ao %Sam% e \u00e0 minha cidade natal.<\/p>\r\n<div class=\"nota\">\r\n<h3 style=\"text-align: center;\">Fim<\/h3>\r\n<\/div>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* * Fim<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":true,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[703],"class_list":["post-1904","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-tis-the-damn-season"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/1904","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1904"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=1904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}