{"id":1890,"date":"2018-06-21T12:40:00","date_gmt":"2018-06-21T15:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-11-15T21:02:45","modified_gmt":"2025-11-16T00:02:45","slug":"unico","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/lovable\/unico\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo \u00fanico"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u2003\u2003%Bruna% era linda. E sabia. <br>\u2003\u2003Ela tinha a confian\u00e7a do mais feroz dos predadores, que ignorava completamente qualquer ordem l\u00f3gica que fosse levada em conta numa cadeia alimentar e se colocava no topo, mas aquilo em nada prejudicava a primeira impress\u00e3o que a garota normalmente deixava, afinal tinha aquele charme. <br>\u2003\u2003O charme ineg\u00e1vel e quase sobrenatural dela lhe tornava ador\u00e1vel mesmo com o humor \u00e1cido se tornando um exagero vez ou outra. <br>\u2003\u2003At\u00e9 o pior de seus exageros era facilmente perdoado depois que ela ria como se tudo fosse uma grande brincadeira, a risada soando exatamente como o canto hipnotizante de uma sereia. <br>\u2003\u2003E, ainda que %Jongin% fosse louco por ela, ainda que talvez ele fosse parcial demais quando o assunto era sua vizinha, amiga, e paixonite secreta, aquele era o tipo de coisa que nem algu\u00e9m que, por algum motivo maluco, lhe odiasse poderia negar. Em contrapartida, no entanto, %Jongin% era seu completo oposto, tornando rid\u00edculo sequer imaginar os dois juntos. O problema nem era sua apar\u00eancia, n\u00e3o tanto quanto sua falta de jeito, que lhe tornava um desastre ambulante, sempre propenso a causar o mais inusitado dos acidentes. <br>\u2003\u2003Ainda assim, ainda que ele tivesse certeza que a ideia dos dois juntos n\u00e3o era muito, se n\u00e3o um sonho distante, era no quarto dele que ela estava naquela tarde de s\u00e1bado, brincando com a luneta estrategicamente posicionada na janela um instante antes de virar para encarar %Jongin% com uma express\u00e3o engra\u00e7ada no rosto. <br>\u2003\u2003- Est\u00e1 apontando para o meu quarto. \u2013 ela apontou, fazendo o suor se instalar na nuca e testa do garoto, que engoliu a pr\u00f3pria saliva. Ela sorriu, novamente com a postura de predador pronto para dar o bote. \u2013 Voc\u00ea estava observando meu quarto com isso, %Jongin%? <br>\u2003\u2003%Jongin% era o t\u00edpico nerd apaixonado por f\u00edsica e, bem, tudo que envolvesse ci\u00eancias, e a luneta fora um presente da irm\u00e3 mais velha em seu \u00faltimo anivers\u00e1rio, um presente que ele, de fato, usava para o que devia e olhava as estrelas, estudava as constela\u00e7\u00f5es com o mesmo afinco que estudava as sardas no rosto de %Bruna% quando ela n\u00e3o estava olhando, por\u00e9m \u00e0s vezes aquela paix\u00e3o juvenil, que lhe tornava t\u00e3o irracional, lhe vencia e o garoto mudava um pouco a posi\u00e7\u00e3o da luneta, observando %Bruna% em seu quarto por poucos segundos antes de se sentir culpado e fechar as cortinas, lembrando a si mesmo que n\u00e3o tinha o direito de fazer aquilo. Ela n\u00e3o lhe dera permiss\u00e3o para olhar e ele devia respeitar, mas&#8230; <em>Droga, \u00e0s vezes ele era s\u00f3 um garoto apaixonado, por algu\u00e9m que nunca poderia ter.<\/em><br>\u2003\u2003- N\u00e3o, \u00e9 claro que n\u00e3o. \u2013 ele rolou os olhos, como se a ideia fosse absurda. %Jongin% era um p\u00e9ssimo mentiroso e, se %Bruna% n\u00e3o houvesse deixado o ego ferido falar mais alto, teria notado qu\u00e3o falsa era a afirma\u00e7\u00e3o, mas ao em vez disso acabou apenas por fazer uma careta decepcionada para o amigo. <br>\u2003\u2003- Outch. \u2013 murmurou, com o olhar vacilando entre zombaria e decep\u00e7\u00e3o. \u2013 Uma pena. Sei que n\u00e3o sou t\u00e3o interessante quanto suas estrelas, mas estava come\u00e7ando a me sentir lisonjeada&#8230; \u2013 balan\u00e7ou a cabe\u00e7a, colocando a luneta de lado enquanto se sentava na ponta da janela, ficando, portanto, com as pernas suspensas ao faz\u00ea-lo. <br>\u2003\u2003A janela de %Jongin% ficava exatamente de frente para a sua e sempre fora assim, portanto estavam acostumados a frequentar a casa um do outro, ainda que sua amizade parecesse t\u00e3o disfuncional vista de fora. Quer dizer, %Bruna% era popular no col\u00e9gio, era popular onde quer que fosse e, onde quer que fosse, a prefer\u00eancia de %Jongin% era passar despercebido, j\u00e1 que caso contr\u00e1rio era sempre vergonha que ele passava. <br>\u2003\u2003Mas %Bruna% n\u00e3o ligava pra nada daquilo. Ela gostava da popularidade, \u00e9 claro, mas n\u00e3o ligava que %Jongin% fosse t\u00e3o diferente dela, t\u00e3o claramente oposto a garota de tantos jeitos. Ele era um bom amigo e aquilo bastava pra ela. <br>\u2003\u2003Ou, era o que ela achava, j\u00e1 que por algum motivo o modo como %Jongin% lhe arrancou a fantasia de ser observada por ele em segredo fez nascer um monstrinho roxo e mal educado dentro dela. <br>\u2003\u2003- Como se voc\u00ea precisasse disso. \u2013 %Jongin% rolou os olhos, tentando dar fim aquele assunto antes que %Bruna% lhe tirasse a mascara, o que, honestamente, nem devia ser dif\u00edcil, j\u00e1 que, de novo, ele era um <em>p\u00e9ssimo<\/em> mentiroso. <br>\u2003\u2003- O que quer dizer com isso? \u2013 %Bruna% perguntou, franzindo brevemente o cenho e revelando sua desconfian\u00e7a e incerteza quanto as palavras do amigo antes que se pusesse de p\u00e9, indo para perto dele na cama e jogando o corpo para tr\u00e1s ali. %Jongin%, que estava sentado na ponta do m\u00f3vel, desviou o olhar para a garota t\u00e3o despreocupadamente deitada no colch\u00e3o onde ele dormia todos os dias, quase se esquecendo da pergunta dela enquanto era arrebatado por sua beleza. <br>\u2003\u2003- Que voc\u00ea j\u00e1 \u00e9 popular o suficiente, u\u00e9. \u2013 disse por fim, dessa vez com sinceridade. Na cabe\u00e7a de %Jongin%, ele n\u00e3o era l\u00e1 muita coisa, e, com certeza, n\u00e3o o suficiente para chatear a garota por n\u00e3o nutrir interesse por ela, ainda que aquela parte fosse mentira. Ele, ainda que ela n\u00e3o soubesse, gostava sim da vizinha. \u2013 N\u00e3o precisa se preocupar com mais um admirador no seu p\u00e9. Acho que um dos meus irm\u00e3os mexeu na luneta, j\u00e1 que, eles n\u00f3s sabemos bem que s\u00e3o sim loucos por voc\u00ea. &#8211; ele deu de ombros, como se aquela fosse uma explica\u00e7\u00e3o um tanto obvia para a situa\u00e7\u00e3o e, bem, era. <br>\u2003\u2003%Jongin% era o segundo mais velho entre os quatro filhos de seus pais. Sua irm\u00e3 j\u00e1 sa\u00edra de casa, morava num apartamento no bairro vizinho e era cinco anos mais velha, enquanto os g\u00eameos estavam no auge de seus doze anos, nutrindo aquela paix\u00e3o nada discreta pela vizinha que vivia no quarto de %Jongin% e invejando o mais velho por consequ\u00eancia. <br>\u2003\u2003Ah, se eles soubessem&#8230; <br>\u2003\u2003- Hm. \u2013 foi tudo que %Bruna% falou, soando pensativa, enquanto inevitavelmente sentia a decep\u00e7\u00e3o abra\u00e7ar o monstrinho roxo em seu est\u00f4mago, condescendente de um jeito no m\u00ednimo irritante. <br>\u2003\u2003Talvez fosse porque ela estava acostumada a ter tudo, porque todos ca\u00edam t\u00e3o facilmente por ela e, o fato de ser diferente com %Jongin% houvesse simplesmente ferido seu ego. <br>\u2003\u2003Talvez fosse por ser diferente para <em>ele<\/em>, logo ele, que sempre lhe fez sentir esperan\u00e7osa, de um jeito inexplic\u00e1vel. <br>\u2003\u2003Talvez, %Bruna% houvesse passado todo aquele tempo morando ao lado dele e vivendo dividida entre seu mundo e o dele imaginando, sem se dar conta, uma possibilidade diferente para o confronto daquele s\u00e1bado a tarde, que agora ela s\u00f3 sentia culpa em j\u00e1 ter imaginado. <br>\u2003\u2003Talvez a friendzone s\u00f3 fosse um saco, o que fazia bastante sentido, especialmente para a algu\u00e9m como ela, nova demais naquele terreno <em>t\u00e3o<\/em> frustrante e <em>t\u00e3o<\/em> desanimador.<\/p>\r\n<p align=\"center\">+++<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003- Droga gente, ela vai ver voc\u00eas! \u2013 %Jongin% reclamou com os irm\u00e3os, que serpenteavam entre sua luneta e o olhar nu pela janela, bisbilhotando no quarto de %Bruna%. Era ter\u00e7a feira e ele estava sozinho em casa com os irm\u00e3os, j\u00e1 que naquele dia eles n\u00e3o tinham nenhuma atividade extracurricular para lhes cansar e tornar a noite mais f\u00e1cil e seus pais estavam trabalhando, o que, basicamente, significava que cuidar das duas pestes com quem ele dividia o teto sobrara para %Jongin%. <br>\u2003\u2003%Jongin% n\u00e3o era exatamente a pessoa mais firme do mundo e seus irm\u00e3os sabiam daquilo, de forma que, sempre que os pais precisavam sair e lhes deixar sob os cuidados do mais velho, eles festejavam, fazendo o que bem entediam e ignorando as reclama\u00e7\u00f5es do outro, mas depois da \u00faltima vez que %Bruna% estivera ali e vira a luneta apontando para o pr\u00f3prio quarto ele estava tentando evitar a todo custo que aquilo acontecesse de novo. <br>\u2003\u2003- Bom, algu\u00e9m tem que correr atr\u00e1s dela, j\u00e1 que voc\u00ea n\u00e3o faz isso. \u2013 Tristan murmurou, rolando os olhos impaciente para ele e arrancando um olhar ofendido de %Jongin%.<br>\u2003\u2003- Ei! <br>\u2003\u2003- Ela n\u00e3o vem aqui desde o s\u00e1bado, cara! Pelo menos pra isso voc\u00ea era \u00fatil! \u2013 Nam, o outro g\u00eameo, murmurou e %Jongin% rolou os olhos, jogando desacreditado a cabe\u00e7a para tr\u00e1s. Seus irm\u00e3os, com doze anos de idade, estavam lhe repreendendo com mais firmeza do que ele era capaz de fazer com eles. <br>\u2003\u2003Rid\u00edculo, para se dizer o m\u00ednimo. <br>\u2003\u2003- Saiam dai antes que ela veja voc\u00eas. \u2013 ele pediu uma \u00faltima vez aos irm\u00e3os, soando muito mais como quem implorava por clem\u00eancia do que como se ordenasse algo aos irm\u00e3os mais novos e, como esperado, nenhum dos dois lhe levou a s\u00e9rio e ele rolou os olhos, sem se dar ao trabalho de reclamar outra vez. <br>\u2003\u2003N\u00e3o ia adiantar mesmo. <br>\u2003\u2003- Olha, para de dar chilique. Ela nem est\u00e1 aqui. \u2013 Tristan, por fim, se solidarizou ao irm\u00e3o, que estreitou os olhos em sua dire\u00e7\u00e3o, embora n\u00e3o pensasse tanto em suas palavras. Quando ele tinha doze anos, %Bruna% lhe fazia entrar nas mais doidas enroscadas, mas n\u00e3o achava que era apaixonado por ela na \u00e9poca. Achava at\u00e9 que ela lhe irritava. <br>\u2003\u2003Como seus irm\u00e3os j\u00e1 estavam cheios de amores pela vizinha? Com aquela idade? <br>\u2003\u2003- \u00c9, s\u00f3 estamos vendo se ela vai aparecer. \u2013 Nam concordou com a cabe\u00e7a, embora sem virar para olhar para %Jongin%. Era ele quem estava em posse da luneta agora e sabia muito bem que, se bobeasse, Tristan tomaria de volta. <br>\u2003\u2003- Isso \u00e9 pra olhar as estrelas. \u2013 %Jongin% reclamou, inutilmente. \u2013 Foi pra isso que Nahee me deu. <br>\u2003\u2003- Que bom que %Bruna% parece uma estrela ent\u00e3o. \u2013 Nam riu, dando de ombros como se aquilo finalizasse a discuss\u00e3o e %Jongin% bufou na mais pura frustra\u00e7\u00e3o. <em>Pestes<\/em>, era aquilo que aqueles dois eram. <br>\u2003\u2003- Ela apareceu! \u2013 Tristan exclamou, a voz subindo algumas oitavas gra\u00e7as a anima\u00e7\u00e3o de ver a garota. \u2013 Entrou no quarto, fechou a porta e&#8230; <br>\u2003\u2003- Cala a boca! Ele n\u00e3o precisa saber o que&#8230; Uou! \u2013 Nam interrompeu a reclama\u00e7\u00e3o, inclinando-se sob a luneta e os dois garotos ficaram no mais perfeito sil\u00eancio, exceto pelo silvo de surpresa e admira\u00e7\u00e3o que soltaram ao mesmo tempo. <br>\u2003\u2003%Jongin% estreitou os olhos, desconfiado e se p\u00f4s de p\u00e9, seguindo at\u00e9 os dois para ver o que diabos havia lhes calado com tanta efici\u00eancia repentinamente. O garoto n\u00e3o sabia pelo que esperava, mas definitivamente n\u00e3o era pela vis\u00e3o de %Bruna% de costas, sem blusa e j\u00e1 desfazendo o fecho do suti\u00e3, como se n\u00e3o soubesse que a janela estava aberta e %Jongin% teve certeza, se lembraria de agradecer depois por n\u00e3o ter congelado como normalmente faria, tampando os olhos das duas crian\u00e7as ao mesmo tempo e ignorando suas tentativas de se desvencilhar dele e reclama\u00e7\u00f5es enquanto os arrastava pra longe da janela. <br>\u2003\u2003- Nam, porra! \u2013 ele soltou bruscamente o garoto depois de ser surpreendido com uma mordida no bra\u00e7o. \u2013 Ela est\u00e1 sem roupa! N\u00e3o \u00e9 certo! <br>\u2003\u2003Para %Jongin% n\u00e3o era certo de qualquer jeito e ele n\u00e3o tinha certeza se valia a pena tentar colocar algum ju\u00edzo na cabe\u00e7a daqueles dois desmiolados, mas n\u00e3o p\u00f4de segurar o argumento dentro de si, talvez at\u00e9 porque precisasse lembrar a si mesmo daquilo tamb\u00e9m. Porque, honestamente, o lampejo das m\u00e3os pequenas das garotas livrando o pr\u00f3prio corpo do suti\u00e3 simplesmente n\u00e3o saia de sua cabe\u00e7a e ele achava que <em>definitivamente<\/em> precisava lembrar. N\u00e3o era certo olhar, n\u00e3o tinha sua permiss\u00e3o e s\u00f3&#8230; N\u00e3o era. <br>\u2003\u2003- Voc\u00ea n\u00e3o quer ver? \u2013 Tristan riu de maneira maldosa e %Jongin% j\u00e1 estava rolando os olhos antes mesmo que ele continuasse. \u2013 %Jongin% n\u00e3o gosta de ver mulher pelada! \u2013 berrou e %Jongin% arregalou os olhos, olhando por sob o ombro na dire\u00e7\u00e3o da janela antes de virar e olhar feio para os dois garotos, lhes empurrando para fora do quarto. <br>\u2003\u2003- V\u00e3o fazer coisa de crian\u00e7a normal, pelo amor de Deus! \u2013 murmurou, barrando a entrada deles novamente no quarto com o corpo e os garotos arquearam a sobrancelha, como se perguntassem o que ele queria dizer com aquilo. %Jongin% bufou, impaciente. \u2013 Sei l\u00e1, v\u00e3o ver Phineas e Pherb! <br>\u2003\u2003- N\u00e3o queremos terminar fugindo de mulher pelada que nem voc\u00ea, bund\u00e3o. \u2013 Tristan foi quem retrucou e ele rolou os olhos, sem acreditar que estava se permitindo discutir com aqueles dois. <br>\u2003\u2003- Saiam logo daqui! \u2013 ordenou, batendo a porta na cara deles, sem lhes dar tempo de responder. <br>\u2003\u2003Quando se viu sozinho, %Jongin% olhou na dire\u00e7\u00e3o da janela e ficou imediatamente nervoso, com a vis\u00e3o de %Bruna% desfazendo o fecho do suti\u00e3 voltando a sua mente. Tentando convencer a si mesmo que s\u00f3 o fazia para fechar as cortinas e tirar aquilo de vez da cabe\u00e7a, ele voltou a se aproximar da janela, andando como se estivesse num campo minado, devagar e incerto. <br>\u2003\u2003O garoto reposicionou a luneta, evitando que ela continuasse a apontar para o quarto de %Bruna% e, se fosse uma pessoa melhor, mais madura e correta, teria parado por ali, fechado as cortinas e sa\u00eddo de dentro da armadilha mortal que aquele quarto parecia se tornar, por\u00e9m %Jongin% ainda era s\u00f3 %Jongin%, e, sem que pudesse evitar, desviou o olhar para a janela de %Bruna%. <br>\u2003\u2003O quarto parecia vazio e ele quase soltou o ar cedo demais, se n\u00e3o houvesse visto %Bruna% sair do banheiro do quarto em seguida, com os cabelos presos num rabo de cavalo alto, coisa para a qual ele deu menos de sua aten\u00e7\u00e3o do que normalmente faria simplesmente porque a garota tirou a toalha que adornava seu corpo, jogando-a de qualquer jeito na cama antes de se livrar tamb\u00e9m do rabo de cavalo em seu cabelo, jogando-o para os lados enquanto caminhava, completamente nua, em dire\u00e7\u00e3o a janela. <br>\u2003\u2003%Jongin% arregalou os olhos, puxando a cortina com pressa para fechar e batendo o mindinho do p\u00e9 na quina da escrivaninha ali ao lado ao pular para longe dali, terminando assim por segurar a pena num choramingo frustrado e pular num p\u00e9 s\u00f3 at\u00e9 a pr\u00f3pria cama, sem saber se foi bom ou ruim quando caiu com o corpo contra o colch\u00e3o e a dor n\u00e3o foi intensa o suficiente para lhe fazer esquecer a vis\u00e3o do corpo desnudo de sua vizinha. Toda parte dela que seus olhos captaram no breve momento em que se permitiu olhar parecia muito bem gravada em sua mente, sem disposi\u00e7\u00e3o para lhe deixar em paz t\u00e3o cedo e %Jongin% jogou a cabe\u00e7a para tr\u00e1s, apertando os olhos enquanto se esfor\u00e7ava para pensar em outra coisa e diminuir a pr\u00f3pria culpa e vergonha. <br>\u2003\u2003Seu celular apitou no criado mudo ao lado da cama e %Jongin% deu um pulo de susto, pegando o aparelho sem ter certeza se queria ver o que tinha ali, especialmente depois de ver o nome de %Bruna% piscar na tela. <br>\u2003\u2003Ela lhe mandara uma mensagem.<\/p>\r\n<p align=\"center\"><em><strong> \u201cDa \u00faltima vez que chequei, seus irm\u00e3os n\u00e3o pareciam tanto com voc\u00ea.\u201d <\/strong><\/em><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Era o que o texto dizia, fazendo as bochechas de %Jongin% assumir o mais intenso dos tons de vermelho enquanto ele baixava o celular ao seu lado na cama, raspando os dentes no polegar como sempre fazia quando ficava nervoso e envergonhado ao mesmo tempo. <br>\u2003\u2003%Bruna% lhe vira olhando no pior momento poss\u00edvel e, naquele momento, %Jongin% n\u00e3o tinha ideia do que aquilo podia desencadear, mas acreditou ser p\u00e9ssimo.<\/p>\r\n<p align=\"center\">+++<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003%Jongin% estava na biblioteca do col\u00e9gio, t\u00e3o concentrado no livro que lia que sequer notou quando %Bruna%, de maneira t\u00e3o at\u00edpica, entrou no c\u00f4modo. Ela n\u00e3o era de ir ali, na biblioteca, e muito menos era uma presen\u00e7a que %Jongin% deixava passar despercebida, por\u00e9m conseguiu a proeza naquele dia, assustando %Jongin% ao sentar-se de frente para ele na mesa onde ele lia o interessant\u00edssimo livro que lhe mantivera a\u00e9reo ao mundo ao seu redor na \u00faltima hora. <br>\u2003\u2003- %Bruna%? \u2013 ele perguntou, t\u00e3o confuso com a vis\u00e3o que quase se esqueceu que havia lhe visto nua, do jeito mais inapropriado poss\u00edvel. Aquele era o motivo pelo qual ele vinha lhe evitando e, ele n\u00e3o sabia ainda, mas tamb\u00e9m era o motivo pelo qual ela estava ali, prestes a lhe confrontar. <br>\u2003\u2003- Ah, voc\u00ea se lembra de mim. &#8211; a garota murmurou, com falsa surpresa. &#8211; Achei que voc\u00ea tivesse, sei l\u00e1, perdido a mem\u00f3ria. Ou se mudado. \u2013 ela deu de ombros, mas se at\u00e9 um desconhecido reconheceria a pitada de magoa em sua voz, n\u00e3o era %Jongin% que deixaria aquilo passar e, infelizmente, %Bruna% sabia muito disso, sentindo-se uma idiota por ser t\u00e3o transparente. <br>\u2003\u2003- Eu&#8230; E-Estive ocupado. \u2013 ele gaguejou, sem jeito. <br>\u2003\u2003- Com o qu\u00ea? \u2013 %Bruna% perguntou, jogando o tronco para tr\u00e1s na cadeira e cruzando os bra\u00e7os, provavelmente sem sequer se dar conta que parecia um policial interrogando um suspeito, completamente segura que o pegara na mentira. Claro, as bochechas de %Jongin% e seu tom est\u00fapido de vermelho provavelmente haviam ajudado a lhe entregar. <br>\u2003\u2003- H\u00e3&#8230; Coisas&#8230; Os g\u00eameos&#8230; <br>\u2003\u2003- %Jongin%, voc\u00ea est\u00e1 mentindo. \u2013 %Bruna% resmungou, lhe interrompendo quando ele come\u00e7ou a gaguejar coisas desconexas. \u2013 Voc\u00ea \u00e9 meu amigo e n\u00e3o tem o direito de sumir assim s\u00f3 porque me viu sem roupa, pelo amor de Deus! Voc\u00ea achou que houvesse o que em baixo delas? Algum tipo de dispositivo rob\u00f3tico? \u2013 ela soava impaciente, magoada e irritada e %Jongin% odiava quando ela soava daquele jeito, porque significava que estava chateada de verdade com alguma coisa e, como o perfeito idiota apaixonado que era, ele odiava lhe ver assim. <br>\u2003\u2003- %Bruna%, eu juro que n\u00e3o estava espiando&#8230; <br>\u2003\u2003- Eu j\u00e1 entendi! \u2013 ela lhe interrompeu novamente, falando mais alto que o necess\u00e1rio e xingando baixo ao se dar conta disso. %Jongin% olhou envergonhado para os lados antes de lhe encarar novamente. \u2013 Voc\u00ea n\u00e3o me espia, eu sei, voc\u00ea j\u00e1 deixou isso perfeitamente claro. \u2013 ela abanou o ar, impaciente e %Jongin% estreitou os olhos em sua dire\u00e7\u00e3o, parecendo s\u00f3 ent\u00e3o entender o problema. <br>\u2003\u2003- Isso te chateia? \u2013 perguntou, fazendo a colora\u00e7\u00e3o t\u00e3o comum a ele atingir as bochechas de %Bruna%, de repente corada como ele n\u00e3o se lembrara de j\u00e1 ter visto antes. \u2013 Voc\u00ea est\u00e1 corando. \u2013 n\u00e3o era uma pergunta, mas tamb\u00e9m n\u00e3o devia ser uma afirma\u00e7\u00e3o, levando em conta qu\u00e3o surpreso ele soava constatando o que seus olhos lhe mostravam. <br>\u2003\u2003- N\u00e3o. \u2013 ela respondeu, ainda que soubesse tanto quanto ele que estava. Seu tom de voz diminuiu t\u00e3o consideravelmente que era rid\u00edculo at\u00e9 continuar discutindo aquilo: Ela estava corada, sabia, e n\u00e3o estava nada feliz com aquilo. \u2013 Isso n\u00e3o importa. \u2013 ela balan\u00e7ou a cabe\u00e7a, tentando desfazer o pr\u00f3prio embara\u00e7o. \u2013 O que estou tentando dizer \u00e9 que n\u00e3o me importo, %Jongin%. N\u00e3o me importo que voc\u00ea tenha visto, mas me importo que esteja fugindo porque viu. N\u00e3o tem nada de muito assustador aqui e eu juro pra voc\u00ea que vou continuar vestida se&#8230; <br>\u2003\u2003- %Bruna%, para! \u2013 ele reclamou, soando igualmente impaciente e envergonhado enquanto ela desandava a falar sobre a pr\u00f3pria nudez sem o m\u00ednimo de pudor. %Bruna% quase sorriu, se dando conta que as coisas pareciam ter voltado ao seu normal. N\u00e3o era mais ela a envergonhada ali. \u2013 Tudo bem, t\u00e1? Eu passo na sua casa mais tarde, mas&#8230; Ser\u00e1 que agora&#8230; <br>\u2003\u2003- Est\u00e1 me expulsando? \u2013 ela perguntou quando ele se interrompeu, olhando nervoso em volta. \u2013 Por qu\u00ea? Por que isso \u00e9 uma biblioteca e eu n\u00e3o sou muito silenciosa? \u2013 ela riu e ele balan\u00e7ou a cabe\u00e7a, como quem dizia <em>exatamente<\/em>, fazendo a garota rir outra vez antes de puxar o livro que ele lia para analisar. <br>\u2003\u2003%Jongin% rolou os olhos. <br>\u2003\u2003- Fala de f\u00edsica. \u2013 ele resmungou ao notar a careta que ela fez para as palavras nas folhas e %Bruna% ergueu o olhar para ele. <br>\u2003\u2003- Voc\u00ea \u00e9 doido por se interessar por essas coisas. \u2013 ela disse, lhe devolvendo o livro com uma careta e ele aceitou em silencio, lhe encarando num misto de curiosidade e confus\u00e3o, por algum motivo voltando a pensar no modo como ela resmungara ao falar sobre ele n\u00e3o lhe observar. Como se aquilo lhe frustrasse em propor\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas. \u2013 Bom, pelo menos vai me construir um foguete um dia, n\u00e3o \u00e9? \u2013 ela voltou a lhe encarar, alheia a seus pensamentos. Quando o fez, no entanto, algo no olhar de %Jongin% provavelmente lhe denunciara, porque ela franziu o cenho, confusa. \u2013 O que foi? <br>\u2003\u2003- Eu n\u00e3o te observar te chateia? \u2013 ele repetiu o que perguntara antes e %Bruna% apertou os l\u00e1bios, fazendo rapidamente que n\u00e3o, ainda que por algum motivo tudo nela parecesse t\u00e3o pouco convincente quando o fez. \u2013 Por qu\u00ea? &#8211; ele perguntou, ignorando sua negativa, j\u00e1 que a verdade era aparentemente o justo oposto. <br>\u2003\u2003- Por que&#8230; o qu\u00ea? \u2013 ela perguntou baixinho, com medo da resposta. Honestamente, %Jongin% tamb\u00e9m estava com medo do rumo que aquela conversa tomava, mas n\u00e3o conseguia parar. <br>\u2003\u2003- Por que te chateia? Que eu n\u00e3o te observe como voc\u00ea achou que eu fazia? \u2013 ele perguntou, conseguindo soar alto e claro de maneira a surpreender at\u00e9 a si mesmo. <br>\u2003\u2003No fundo, %Jongin% achava que sabia a resposta e n\u00e3o via como ia gostar de ouvir aquilo, ouvir que era uma quest\u00e3o de ego. Que ela estava t\u00e3o acostumada a ter todos que ter logo %Jongin%, que nem era nada demais, se negando a fazer parte da porcentagem imensa de admiradores que %Bruna% carregava consigo, era no m\u00ednimo frustrante. Fazia sentido para ele. E o pior \u00e9 que, na verdade, ele fazia sim parte da tal porcentagem. <br>\u2003\u2003- N\u00e3o \u00e9 isso, \u00e9 que&#8230; \u2013 %Bruna% come\u00e7ou a falar, mas parou no meio do caminho. Ela n\u00e3o era boa naquilo, se explicar. A garota costumava ter muito mais facilidade em pedir satisfa\u00e7\u00f5es do que em dar e naquele momento em especial a caracter\u00edstica se revelava como uma faca afiada amea\u00e7ando a quem quer que se aproximasse. Era o cumulo do clich\u00ea, afinal: O \u00fanico cara de quem ela sempre imaginou que poderia gostar nutria absolutamente nenhum interesse nela e, se tinha algo que %Bruna% odiava, era o que n\u00e3o podia ter. \u2013 Por que voc\u00ea n\u00e3o espiou? \u2013 ela perguntou, erguendo o olhar novamente para ele, sem transparecer muita coisa al\u00e9m de curiosidade e, talvez, certa melancolia. <br>\u2003\u2003- Por&#8230; Por qu\u00ea? \u2013 %Jongin% repetiu a pergunta e %Bruna% assentiu, mordendo incerta o l\u00e1bio. <br>\u2003\u2003- Eu sei por que as pessoas gostam de mim. Sei que tem a beleza e o charme e tudo o mais, mas eu queria saber porque&#8230; Voc\u00ea sabe&#8230; Por que n\u00e3o? \u2013 provavelmente n\u00e3o era a inten\u00e7\u00e3o dela que soasse como uma pergunta no final das contas, mas a garota estava t\u00e3o atrapalhada e insegura quanto %Jongin% jamais vira e, ainda assim, a pergunta lhe pegou completamente de surpresa. <br>\u2003\u2003Ela queria saber por que ele n\u00e3o lhe queria? <br>\u2003\u2003- Est\u00e1 me perguntando o que h\u00e1 de errado com voc\u00ea?! \u2013 a voz dele subiu uma oitava, mesmo que ele houvesse conseguido apenas repetir a pergunta dela, sem ter ideia de como lhe responder, especialmente quando&#8230; Bem, quando o motivo pra aquela pergunta nem era real. %Bruna% apenas assentiu e %Jongin% pigarreou, esbugalhando os olhos numa rea\u00e7\u00e3o mal calculada. <br>\u2003\u2003- N\u00e3o tem nada de errado com voc\u00ea, %Bruna%. \u2013 falou, n\u00e3o suportando a ideia de simplesmente listar os defeitos dela ou o quer que fosse a loucura que ela tinha em mente. \u2013 Eu s\u00f3&#8230; A gente se conhece desde crian\u00e7a. Eu acho que&#8230; Acho que nunca pensei em voc\u00ea desse jeito. \u2013 ele mentiu, muito mal, diga-se de passagem. <br>\u2003\u2003%Bruna% pareceu ponderar sobre suas palavras por um instante, antes de negar com a cabe\u00e7a, inconformada. <br>\u2003\u2003- %Jongin%, voc\u00ea me viu sem roupa e sumiu por quase uma semana. N\u00e3o me culpe se n\u00e3o acredito nessa hist\u00f3ria. \u2013 ela retrucou de maneira bastante simples e objetiva e o garoto bufou. Estava odiando aquela conversa e achava que se ela lhe pressionasse um pouquinho mais iria chorar de desespero. <br>\u2003\u2003- %Bruna%. \u2013 ele praticamente implorou, surtindo, no entanto, o efeito oposto do desejado nela, fazendo a garota se inclinar pra frente na mesa, aproximando seus rostos. <br>\u2003\u2003Para %Bruna%, afinal, o fato de ele estar implorando fazia mais sentido se ele estivesse escondendo algo. <br>\u2003\u2003Talvez, quem sabe, que estivera mentindo o tempo todo e gostava sim dela. <br>\u2003\u2003- N\u00e3o vou me chatear, %Jongin%. Fala. \u2013 ela pediu, soando quase como se estivesse ansiosa para ouvir o que quer que ele tivesse para dizer. <br>\u2003\u2003%Jongin% sentiu o temido desespero alcan\u00e7ar suas entranhas com o pedido que, em conjunto com o sorriso que ela tentava conter, pareceu denunciar que ela sabia mais do que parecia declarar. Talvez ela finalmente o houvesse pegado na mentira. <br>\u2003\u2003- Por que voc\u00ea est\u00e1 insistindo tanto nisso?! \u2013 ele perguntou, com um suspiro pesado que n\u00e3o disfar\u00e7ou em nada seu desespero, que parecia de fato prestes a se manifestar em l\u00e1grimas. <br>\u2003\u2003- Porque eu gosto de voc\u00ea! \u2013 o desespero \u00e9, enfim, correspondido quando ela quase grita, arrancando de %Jongin% um arregalar completamente chocado de olhos, pelo qual ela n\u00e3o o culpou, arregalando os dela tamb\u00e9m ao se dar conta do que dissera e tapando simultaneamente a boca. <br>\u2003\u2003No instante seguinte, eles eram s\u00f3 olhar, provavelmente, de fato, fazendo a troca de olhar mais intensa de suas vidas e perdendo o ar no percurso, ambos presos numa tempestade interna intensa demais enquanto seus corpos e mentes tentavam simultaneamente lidar com o que as palavras da garota fizera com ambos. <br>\u2003\u2003- Isso n\u00e3o pode ser verdade. \u2013 foram as, impensadas, palavras que sa\u00edram da boca de %Jongin% um instante depois. %Bruna% abriu a boca para retrucar, mas ele balan\u00e7ou a cabe\u00e7a antes que ela fosse em frente, lhe freando. \u2013 %Bruna%, voc\u00ea n\u00e3o gosta de mim. Voc\u00ea s\u00f3 acha que gosta porque eu n\u00e3o sinto o que todo mundo sente por voc\u00ea, mas&#8230; \u2013 ele balan\u00e7ou a cabe\u00e7a outra vez, com um \u00fanico pensamento lhe guiando: N\u00e3o havia nada nele para %Bruna% gostar. \u2013 Est\u00e1 errada. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que goste de mim, isso nem faz sentido, %Bruna%. <br>\u2003\u2003- O qu\u00ea? \u2013 %Bruna% pareceu verdadeiramente confusa diante de suas palavras, mas ele sequer notou, se pondo de p\u00e9. <br>\u2003\u2003- Preciso ir. \u2013 resmungou, quase trope\u00e7ando no p\u00e9 da mesa para sair do encaixe entre sua cadeira e o m\u00f3vel. <br>\u2003\u2003- %Jongin%, espera, eu&#8230; <br>\u2003\u2003- N\u00e3o, est\u00e1 bem?! \u2013 o garoto interrompeu a amiga de maneira abrupta, quase desesperada. \u2013 Chega disso, dessa conversa e dessa loucura. Voc\u00ea n\u00e3o gosta de mim e eu preciso ir. \u2013 ele murmurou, urgente, antes de desfazer o aperto da m\u00e3o dela em seu bra\u00e7o e dar as costas, saindo da biblioteca o mais r\u00e1pido que suas pernas permitiam, deixando para tr\u00e1s uma %Bruna% confusa e um tanto assustada.<\/p>\r\n<p align=\"center\">+++<br>Quando %Jongin% e %Bruna% tinham 15 anos.<\/p>\r\n<p><em>\u2003\u2003- N\u00e3o acredito que deixei voc\u00ea me convencer que isso seria divertido. \u2013 %Bruna% resmungava depois de dez minutos sentada na grama da casa de %Jongin%, que era seu vizinho e grande amigo. <br>\u2003\u2003- Voc\u00ea reclama demais, %Bruna%-yah! \u2013 %Jongin% riu, relaxado e ela rolou os olhos por isso, pegando um punhado de pipoca do balde que ele preparara para aquela noite. %Bruna%, de fato, n\u00e3o entendia o que poderiam tirar de bom daquilo: Sentar na grama para olhar o c\u00e9u estrelado e esperar por algum fen\u00f4meno que, segundo %Jongin%, seria a coisa mais incr\u00edvel que veriam na vida. <br>\u2003\u2003%Bruna% duvidava que houvesse algo que valesse deixar grama entrar em sua roupa e fazer sua pele co\u00e7ar de maneira t\u00e3o incomoda. <br>\u2003\u2003- S\u00f3 acho que isso vai ser um saco. E j\u00e1 estou arrependida. \u2013 ela retrucou, por fim. %Jongin% n\u00e3o lhe levou a s\u00e9rio, lhe estendendo um par de bin\u00f3culos e pegando um punhado de pipoca do balde em seguida. \u2013 Pipoca \u00e9 pra ver filme, sabe? N\u00e3o pra ver as estrelas, %Jongin%. \u2013 ela implicou e ele riu, empurrando sua cabe\u00e7a de leve. <br>\u2003\u2003- Voc\u00ea sempre sai pra ver as estrelas com os caras, n\u00e3o enche. <br>\u2003\u2003- Bom, a gente n\u00e3o v\u00ea as estrelas de verdade&#8230; \u2013 a garota rompeu numa gargalhada quando %Jongin% lhe jogou um pouco da pipoca que tinha em m\u00e3os, olhando feio para ela. \u2013 Eu posso te ensinar! Vai ser mais divertido que isso, aposto. \u2013 ela virou de lado na grama, ficando de frente para o amigo, que riu de maneira exagerada, tentando disfar\u00e7ar o embara\u00e7o pela oferta. <br>\u2003\u2003Ainda que tivessem a mesma idade, %Bruna% era mais experiente que ele, que podia contar nos dedos de uma m\u00e3o com quantas garotas j\u00e1 havia estado e, ainda assim, nunca nem chegara a ir muito longe com nenhuma delas. %Bruna% tamb\u00e9m n\u00e3o, mas ele achava que sim, ainda que evitasse pensar sobre aquilo, sobre a ideia dela com outros caras. O pensamento, afinal, sempre fazia um monstrinho verde crescer dentro dele e esmurrar toda parte que conseguia alcan\u00e7ar em seu interior, lhe amaldi\u00e7oando por ser t\u00e3o est\u00fapido e n\u00e3o fazer as coisas direito com %Bruna%, o que era p\u00e9ssimo porque ele ainda estava naquela fase de fingir para si mesmo que n\u00e3o sentia nada por ela. <br>\u2003\u2003- Para de ser chata. \u2013 %Jongin%, por fim, murmurou, posicionando os bin\u00f3culos nos olhos e fazendo %Bruna% rir antes de imit\u00e1-lo, olhando para o c\u00e9u com um sorriso arteiro no rosto, ainda pensando na proposta que fizera, sem pensar, a %Jongin%.<br>\u2003\u2003At\u00e9 que n\u00e3o seria mal, afinal&#8230; <\/em><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Os dois ficaram em silencio por alguns minutos, observando o c\u00e9u e escutando o barulho discreto do vento enquanto pegavam punhados de pipoca do balde e comiam, at\u00e9 que, em dado momento, seus dedos se encontraram no balde e %Bruna% desviou o olhar para ele, que fez o mesmo um instante depois, arrancando um novo sorriso arteiro dela. <br>\u2003\u2003- Repensando sobre as aulas? \u2013 ela provocou e ele rolou os olhos, lhe empurrando pelo ombro. Ela devolveu o gesto e, rindo, os dois come\u00e7aram uma guerrinha com as pipocas, s\u00f3 para, no final de tudo, uma coisa nova acontecer. N\u00e3o planejada, mas no m\u00ednimo interessante. <br>\u2003\u2003Em meio \u00e0s brincadeiras, %Jongin% terminou por cima de %Bruna%, rindo junto com ela enquanto lhe fazia c\u00f3cegas, ficando fascinado pela beleza dela enquanto ela se revirava embaixo dele, rindo e lhe estapeando para que ele parasse. <br>\u2003\u2003At\u00e9 que %Bruna% gritou, apontando para o c\u00e9u e empurrando o garoto de cima dela. <br>\u2003\u2003- Olha, r\u00e1pido! \u2013 ela berrou e %Jongin% virou, assustado, para olhar para o c\u00e9u, arregalando, surpreso, os olhos ao ver uma estrela cadente cruzar o v\u00e9u estrelado que cobria a imensid\u00e3o acima de suas cabe\u00e7as naquela noite. \u2013 \u00c9 uma estrela cadente, %Jongin%! Faz um pedido! <br>\u2003\u2003- Na verdade, n\u00e3o \u00e9 estrela cadente, n\u00e3o. Estrelas cadentes costumam ser um peda\u00e7o de meteoro. Est\u00e1 passando pela superf\u00edcie terrestre agora e vai cair e se perder em algum ponto do universo&#8230; <br>\u2003\u2003- %Jongin%, cala a boca! \u2013 %Bruna% lhe interrompeu e ele riu, olhando culpado para baixo. \u2013 S\u00f3 faz um pedido antes que ela suma! Prometo que vai se realizar! E da\u00ed voc\u00ea vai ter que aceitar que \u00e9 sim uma estrela cadente<em>! <br>\u2003\u2003- Tudo bem, tudo bem. \u2013 ele riu, voltando a encarar o c\u00e9u, vendo a estrela cadente parecer, de fato, cair, sumindo de suas vistas. <br><\/em>\u2003\u2003Desejo a %Bruna%<em>, foi no que ele conseguiu pensar, surpreendendo a si mesmo antes de virar para encarar a garota ao seu lado, que sorria lhe observando. <br>\u2003\u2003- Pediu? \u2013 quis saber e ele s\u00f3 assentiu, olhando para ela com a mais pura admira\u00e7\u00e3o e, sem duvidas, o mais intenso dos amores. Porque agora ele sabia. <br>\u2003\u2003Aquele impulso absurdo que fora o desejo, afinal, provara o que ele vinha fingindo n\u00e3o saber: Estava apaixonado por %Bruna%.<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\"><strong>Dias atuais<\/strong><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Por algum motivo, enquanto encarava, entediado, o teto do pr\u00f3prio quarto, era daquele dia que %Jongin% lembrava. Talvez tivesse algo a ver com a declara\u00e7\u00e3o inesperada e completamente errada de %Bruna%.<br>\u2003\u2003Provavelmente tinha. <br>\u2003\u2003Aquilo n\u00e3o parecia entrar na cabe\u00e7a de %Jongin% de um jeito que fizesse sentindo, n\u00e3o importava o que ele fizesse. Para ele, n\u00e3o tinha nenhum motivo ou l\u00f3gica para aquelas palavras terem, de fato, sa\u00eddo da boca de %Bruna% ou mesmo chegado a se formar em algum lugar em sua mente e era naquilo que ele pensava quando Nahee, sua irm\u00e3 mais velha, bateu suavemente na porta do quarto, colocando a cabe\u00e7a para dentro. <br>\u2003\u2003- Posso entrar? \u2013 ela perguntou ao irm\u00e3o ao not\u00e1-lo deitado na cama e, dando de ombros, ele permitiu. Nahee o fez, fechando a porta atr\u00e1s de si e aproximando-se da cama onde ele estava deitado. \u2013 Voc\u00ea n\u00e3o parece bem, %Jongin%. \u2013 murmurou, sentando-se na ponta do m\u00f3vel e recebendo um olhar impaciente do irm\u00e3o. \u2013 Quer me contar o que houve? \u2013 ela quis saber, puxando delicadamente a cabe\u00e7a dele para seu colo, passando a fazer cafun\u00e9 em seus cabelos enquanto %Jongin% suspirava. <br>\u2003\u2003N\u00e3o, ele n\u00e3o queria contar o que houve, mas conhecia o suficiente a irm\u00e3 mais velha para saber que ela n\u00e3o iria lhe deixar em paz at\u00e9 que ele o fizesse, portanto decidiu acabar de uma vez com aquilo e falar o que estava lhe incomodando. %Jongin% contou para Nahee toda a conversa que tivera com %Bruna% na biblioteca h\u00e1 alguns dias, recebendo um suspiro pesado da mais velha quando acabou. <br>\u2003\u2003- Sabe, quando voc\u00ea era mais novo, com, sei l\u00e1, oito ou nove anos, todos os seus amigos estavam naquela fase de se vestir como super her\u00f3i, sabe? Todos queriam ser o Batman, o Super Homem, ou qualquer outro&#8230; \u2013 Nahee come\u00e7ou a contar, arrancando de %Jongin% um olhar minimamente curioso enquanto ele esperava pelo resto da hist\u00f3ria. \u2013 Todos, exceto voc\u00ea. Lembro que, no Halloween, fomos comprar fantasias e voc\u00ea n\u00e3o queria nenhuma de super her\u00f3i que lhe mostr\u00e1vamos. Ent\u00e3o, mam\u00e3e te perguntou se voc\u00ea n\u00e3o gostava de nenhum super her\u00f3i. Voc\u00ea disse que sim, de todos. \u2013 ela falou, parecendo reviver a mem\u00f3ria, com o olhar distante e at\u00e9 um pouco dolorido. \u2013 Perguntei qual era o problema, ent\u00e3o, e voc\u00ea disse que n\u00e3o queria se vestir como eles porque n\u00e3o achava que havia nada de super em voc\u00ea. E que nunca seria escolhido para ter super poderes, em qualquer universo. <br>\u2003\u2003- Bom, ainda \u00e9 verdade. \u2013 foi o que saiu da boca de %Jongin% ao ouvir, embora a risada desgostosa que o garoto soltou denunciasse que a lembran\u00e7a do\u00eda nele tamb\u00e9m. Ele n\u00e3o se lembrava daquele dia, de nada sobre aquele Halloween, mas se lembrava que nunca ter tido nenhuma fantasia de super her\u00f3i, por escolha pr\u00f3pria. Ouvir na voz dolorida de sua irm\u00e3, no entanto, lhe fez sentir um pouco mal pela crian\u00e7a sem nenhuma autoestima que fora. <br>\u2003\u2003- Nunca foi verdade, %Jongin%. \u2013 Nahee retrucou, acariciando seu rosto. \u2013 Voc\u00ea \u00e9, e sempre foi, incr\u00edvel. Eu n\u00e3o sei por que tem tanta dificuldade em ver isso, mas eu n\u00e3o tenho. E %Bruna% tamb\u00e9m n\u00e3o. \u00c9 voc\u00ea e s\u00f3 voc\u00ea que est\u00e1 sabotando a sua felicidade aqui, ser\u00e1 que n\u00e3o v\u00ea? \u2013 a irm\u00e3 lhe encarou cansada. \u2013 N\u00e3o tem nada de absurdo em %Bruna% gostar de voc\u00ea. N\u00e3o \u00e9 errado e n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de ego, mas sim de ela ver quem voc\u00ea \u00e9. E eu acredito, de verdade, que ela veja. Que depois de ter passado tantos anos em sua companhia, sendo uma das poucas pessoas com quem voc\u00ea se sentia a vontade para ser voc\u00ea mesmo, ela tenha visto qu\u00e3o incr\u00edvel voc\u00ea \u00e9. <br>\u2003\u2003- Nahee&#8230; <br>\u2003\u2003- N\u00e3o, n\u00e3o me venha com Nahee. \u2013 a mais velha lhe interrompeu quando ele tentou lhe cortar. Simplesmente n\u00e3o acreditava naquilo e ela podia ver aquilo em seus olhos. Do\u00eda nela, inclusive, ver. Seu irm\u00e3ozinho merecia mais. Inclusive um pouco de confian\u00e7a, caramba. \u2013 Voc\u00ea vai pensar direitinho sobre o que estou te falando, vai me prometer que vai e ent\u00e3o vai falar com %Bruna%. Resolver essa situa\u00e7\u00e3o. <br>\u2003\u2003- Nahee, %Bruna% pode ter qualquer um. \u2013 %Jongin% resmungou, tentando faz\u00ea-la ver qu\u00e3o louco aquilo parecia enquanto, exaltado, se sentava, ficando de frente para a irm\u00e3. \u2013 Por que logo eu? <br>\u2003\u2003- E por que n\u00e3o voc\u00ea, %Jongin%? \u2013 Nahee devolveu a pergunta, lhe desafiando a dizer o que havia de t\u00e3o errado assim com ele para que n\u00e3o fosse uma boa escolha. <br>\u2003\u2003O garoto riu, sem humor. <br>\u2003\u2003- Nahee, ela \u00e9 especial. Ela \u00e9 especial pra caralho e eu sou um esquisito. \u2013 ele murmurou, tentando faz\u00ea-la ver o que ele via. \u2013 N\u00e3o v\u00ea como parece incomum e errado? <br>\u2003\u2003- Voc\u00eas dois s\u00e3o pessoas, %Jongin%. Ela n\u00e3o \u00e9 melhor que voc\u00ea e nem voc\u00ea \u00e9 melhor do que ela, e voc\u00eas s\u00e3o melhores amigos, passaram a vida toda juntos e mesmo que ela tenha feito v\u00e1rios outros amigos, sempre esteve aqui por voc\u00ea, n\u00e3o esteve? \u2013 ela retrucou e ele bufou, assentindo. Nahee quase sorriu diante da express\u00e3o de crian\u00e7a insatisfeita que tomou o rosto dele. \u2013 Pois bem, %Jongin%-ah. D\u00ea um voto de confian\u00e7a a ela e se permita ser feliz. N\u00e3o se sabote tanto, hm? <br>\u2003\u2003Novamente, ele assentiu sem desfazer a express\u00e3o e dessa vez Nahee riu, segurando seu rosto entre as m\u00e3os e beijando sua testa. <br>\u2003\u2003- Amo voc\u00ea, %Jongin%-ah. <br>\u2003\u2003- Eu tamb\u00e9m amo voc\u00ea. \u2013 ele resmungou baixinho e ela sorriu, se pondo de p\u00e9. <br>\u2003\u2003- Vou fazer compras com a mam\u00e3e. Quer que eu traga algo pra voc\u00ea? Uma camisa de super her\u00f3i, quem sabe? \u2013 arqueou as sobrancelhas para ele ao se aproximar da porta e o garoto riu, erguendo o olhar para ela. <br>\u2003\u2003- Voc\u00ea \u00e9 rid\u00edcula. <br>\u2003\u2003- Vou considerar isso um sim. \u2013 ela piscou, dando as costas e fechando a porta atr\u00e1s de si antes que ele respondesse. <br>\u2003\u2003%Jongin% bufou e jogou o corpo para tr\u00e1s na cama novamente assim que ela o fez, ouvindo novamente as palavras da irm\u00e3 em sua cabe\u00e7a. <br><em>\u2003\u2003\u201cEla sempre esteve aqui por voc\u00ea, n\u00e3o esteve?\u201d <\/em><br>\u2003\u2003E, bem&#8230; Ela sempre esteve mesmo.<\/p>\r\n<p align=\"center\">+++<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Nahee fora passar o fim de semana com a fam\u00edlia e perdera a paci\u00eancia com %Jongin% quando, depois de sua conversa, ele n\u00e3o fizera nada, decidindo agir ela mesmo em nome da felicidade do irm\u00e3o. <br>\u2003\u2003%Jongin%, \u00e9 claro, queria mat\u00e1-la por isso. <br>\u2003\u2003Tudo come\u00e7ou quando seus pais inventaram de sair para jantar e dan\u00e7ar com os vizinhos do lado, os pais de %Bruna%. Eles iam aproveitar a presen\u00e7a de Nahee em casa e pedir que ela ajudasse %Jongin% a cuidar dos g\u00eameos naquela noite, j\u00e1 que sabiam muito bem o tipo de filhos que tinham e como, de jeito nenhum, %Jongin% dava conta deles sozinho. Aquilo j\u00e1 tinha sido provado por vezes demais <br>\u2003\u2003Nahee, no entanto, explicou que tinha planos para a noite e sugeriu que chamassem %Bruna% para ajudar, j\u00e1 que ela era amiga de %Jongin% e, al\u00e9m disso, os g\u00eameos gostavam dela tamb\u00e9m. %Jongin% achou p\u00e9ssimo, quis intervir, mas n\u00e3o conseguiu pensar num argumento que fosse funcionar contra a cara ridiculamente lavada que Nahee sustentava e acabou apenas por assistir enquanto ela lhe montava uma armadilha mortal, envolvendo %Bruna%, sua casa sem nenhum adulto respons\u00e1vel e os g\u00eameos, aquelas duas pestinha que pareciam existir para azucrinar %Jongin%. <br>\u2003\u2003O desastre que ele imaginou, no entanto, pareceu ter sido evitado quando os quatro se sentaram para ver um filme na sala de TV e o silencio reinou entre eles. N\u00e3o s\u00f3 o filme podia se ouvir alto e claro por todos os cantos do andar inferior da casa, como tamb\u00e9m o som do vento e de cada eletrodom\u00e9stico ligado enquanto viam o filme. <br>\u2003\u2003Pouco tempo depois, os g\u00eameos pegaram no sono e %Bruna% ajudou %Jongin% a coloc\u00e1-los na cama, ainda que n\u00e3o estivessem se falando, situa\u00e7\u00e3o para a qual ela perdeu a paci\u00eancia assim que sa\u00edram do quarto que as duas crian\u00e7as dividiam, puxando o amigo consigo para o quarto dele. <br>\u2003\u2003- Esquece o que eu disse. \u2013 ela murmurou, fechando a porta depois que ele passou por ela. %Jongin% estreitou, confuso, os olhos, por\u00e9m antes que pudesse abrir a boca para perguntar o que quer que fosse, ela j\u00e1 estava falando outra vez. \u2013 %Jongin%, se as coisas v\u00e3o ficar estranhas assim entre a gente, eu n\u00e3o gosto de voc\u00ea, t\u00e1 bem? Esquece que eu disse que gostava. Vamos deixar isso pra tr\u00e1s. \u2013 ela praticamente implorou e ele riu, sem humor. <br>\u2003\u2003- N\u00e3o \u00e9 assim que funciona. <br>\u2003\u2003- Voc\u00ea nem acreditou quando eu falei, %Jongin%! \u2013 ela retrucou, impaciente. \u2013 N\u00e3o vai ser t\u00e3o dif\u00edcil assim pra voc\u00ea esquecer, vai? <br>\u2003\u2003%Jongin% n\u00e3o respondeu, observando o modo como ela reservava o peso do corpo de um p\u00e9 para o outro, parecendo emanar nervosismo enquanto, simultaneamente, mordia o l\u00e1bio. Ela nunca emanava nervosismo, n\u00e3o at\u00e9 colocar na cabe\u00e7a que gostava dele. At\u00e9 aquela conversa maluca que tiveram na biblioteca. <br>\u2003\u2003C\u00e9us, aquilo era loucura, n\u00e3o era? <br>\u2003\u2003%Bruna% n\u00e3o podia simplesmente gostar dele, podia? Eles eram amigos a tanto tempo e ela sempre pareceu t\u00e3o, mais t\u00e3o inalcan\u00e7\u00e1vel, t\u00e3o melhor que ele, que tudo que ele conhecia&#8230; <br>\u2003\u2003- Por favor, %Jongin%. \u2013 ela pediu novamente, quase chorando em suplico. \u2013 Eu n\u00e3o entendo porque n\u00e3o acredita em mim, mas se n\u00e3o acredita, se saber disso vai deixar as coisas assim entre n\u00f3s, ent\u00e3o&#8230; <br>\u2003\u2003- Como voc\u00ea pode n\u00e3o entender? \u2013 ele lhe interrompeu, fazendo com que %Bruna% estreitasse os olhos, parecendo levar um instante para entender a pergunta. %Jongin% continuou antes que ela tentasse responder. \u2013 %Bruna%, \u00e9 s\u00f3 olhar pra voc\u00ea! \u00c9 s\u00f3 olhar pra voc\u00ea e depois olhar pra mim. \u2013 ele come\u00e7ou com a voz firme, alta e segura, mas no final soou triste. Soou triste porque queria, apesar do modo como vinha agindo, queria mais do que tudo acreditar quando ela dizia que gostava dele. <br>\u2003\u2003Queria n\u00e3o achar que aquilo n\u00e3o podia ser mais absurdo, mas&#8230; Era tudo que ele conseguia pensar. <br>\u2003\u2003- %Jongin%. \u2013 %Bruna% chamou, a voz soando como se s\u00f3 ent\u00e3o a ficha ca\u00edsse para ela. Num reflexo, ele ergueu o olhar para a garota, que sorria sem reservas, de modo t\u00e3o repentinamente feliz que pareceu, no m\u00ednimo, fora de contexto com a discuss\u00e3o que tinham ali. \u2013 \u00c9 por isso que n\u00e3o consegue acreditar em mim? \u2013 ela perguntou, aproximando-se do amigo de modo a segurar as duas m\u00e3os dele nas suas. \u2013 Acha que eu n\u00e3o posso gostar de voc\u00ea por que n\u00e3o acha que \u00e9 bom o suficiente, n\u00e3o \u00e9? \u2013 ela parecia certa do que dizia e %Jongin% soube ao ouvir que discutir era in\u00fatil, baixando o olhar. <br>\u2003\u2003%Bruna% sorriu mais por isso, mesmo que na verdade fosse triste qu\u00e3o destru\u00edda estava a autoestima dele, levando o garoto a realmente pensar uma coisa daquelas, t\u00e3o absurda aos olhos de %Bruna%. Ainda assim, sorrir fora a \u00fanica maneira como ela conseguiu reagir. <br>\u2003\u2003Porque, no fim das contas, podiam resolver aquilo. Ela n\u00e3o precisaria insistir para que ele esquecesse que ela gostava dele, ela gostar dele n\u00e3o tinha que ser um problema&#8230; Caramba, aquilo queria dizer que ele gostava dela tamb\u00e9m. <br>\u2003\u2003- Olha pra mim, %Jongin%-ah. \u2013 ela pediu, com delicadeza e, engolindo em seco, ele ergueu o olhar para ela. \u2013 Eu gosto de voc\u00ea. Do exato jeitinho que voc\u00ea \u00e9. \u2013 murmurou, levando uma das m\u00e3os para seu rosto e usando o polegar para acariciar sua bochecha, sorrindo para ele. \u2013 Consegue acreditar em mim? <br>\u2003\u2003- Eu n\u00e3o vejo porque. \u2013 ele respondeu, sincero. \u2013 N\u00e3o tem nada em mim pra voc\u00ea gostar, %Bruna%-yah&#8230; <br>\u2003\u2003- %Jongin%. \u2013 ela riu, como se achasse aquilo o maior absurdo que ele era capaz de reproduzir. \u2013 Voc\u00ea \u00e9 a minha defini\u00e7\u00e3o de amor. De todo e qualquer sentimento bom. Voc\u00ea <em>merece<\/em> o amor, \u00e9 naturalmente o tipo de pessoa que atrai isso. Que atrai tudo de bom que a vida puder oferecer para algu\u00e9m. Se um de n\u00f3s dois tem que ficar em duvida quanto \u00e0 reciprocidade do sentimento que digo ter por voc\u00ea, esse algu\u00e9m sou eu. Porque voc\u00ea \u00e9 quem infinitamente melhor que eu, quem \u00e9 a melhor pessoa que eu conhe\u00e7o. A melhor pessoa de todo esse mundo. <br>\u2003\u2003- N\u00e3o seja louca. \u2013 ele reclamou, rindo envergonhado e ela riu tamb\u00e9m antes de segurar em sua nuca e puxar seu rosto para si, finalmente moldando seus l\u00e1bios. <br>\u2003\u2003%Jongin% segurou por reflexo em sua cintura, sentindo o funcionamento de todo seu corpo corresponder ao dela, parecendo entrar em sincronia com a garota antes mesmo que suas l\u00ednguas entrassem em contato e ele, finalmente, puxasse a garota para mais perto. <br>\u2003\u2003- Acredita em mim agora? \u2013 ela perguntou, rompendo o beijo rapidamente para lhe encarar e %Jongin% riu. <br>\u2003\u2003- Acho que voc\u00ea est\u00e1 louca. \u2013 murmurou com simplicidade. \u2013 Mas n\u00e3o vou reclamar mais. <br>\u2003\u2003- J\u00e1 \u00e9 alguma coisa. \u2013 ela riu tamb\u00e9m, voltando a beijar enquanto prometia a si mesma que lhe faria ver o que ela via nele. Que mostraria a %Jongin% qu\u00e3o incr\u00edvel ele era.<\/p>\r\n<p align=\"center\"><strong>FIM<\/strong><\/p>\r\n<p><strong>\u2003\u2003NOTA DA AUTORA:<\/strong> Oie! <br>\u2003\u2003Essa hist\u00f3ria surgiu, primeiro, como algo completamente diferente, mas acabou ganhando tanta vida sozinha e fora dos planos iniciais que n\u00e3o seria certo n\u00e3o dar a ela um espa\u00e7o s\u00f3 dela, ent\u00e3o fiz o que tinha que fazer HAHAHAHA <br>\u2003\u2003Eu gosto MUITO dela, de verdade e espero que tenham gostado pelo menos um pouco tamb\u00e9m! Por favor, comentem, t\u00e1? <br>\u2003\u2003Beij\u00e3o!!!!!!!!!!<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2003\u2003%Bruna% era linda. E sabia. \u2003\u2003Ela tinha a confian\u00e7a do mais feroz dos predadores, que ignorava completamente qualquer ordem l\u00f3gica que fosse levada em conta numa cadeia alimentar e se colocava no topo, mas aquilo em nada prejudicava a primeira impress\u00e3o que a garota normalmente deixava, afinal tinha aquele charme. \u2003\u2003O charme ineg\u00e1vel e quase [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[692],"class_list":["post-1890","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-lovable"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/1890","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1890"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=1890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}