{"id":1825,"date":"2017-10-29T18:24:00","date_gmt":"2017-10-29T21:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/?post_type=capitular&#038;p=1825"},"modified":"2025-04-23T18:25:51","modified_gmt":"2025-04-23T21:25:51","slug":"capitulo-unico-26","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/how-do-you-feel-now\/unico\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo \u00fanico"},"content":{"rendered":"\n\n<p align=\"right\"><em>How do you feel?<br \/>\n  What&#8217;s your condition?<br \/>\n  Give me your voice and I&#8217;ll  give it a listen<br \/>\n  Are you complete or is  something missing?<br \/>\n  Make sure that it&#8217;s real<br \/>\n  Now, how do you feel?<\/em><\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Feather detestava precisar usar seus poderes enquanto estava no mundo  humano. Tudo bem que tamb\u00e9m era&nbsp;<em>trabalho dela<\/em>&nbsp;usar os poderes,  mas n\u00e3o era daqueles que ela estava falando. Bem, isso soou confuso; o caso era  que Feather era uma fada dos desejos, ent\u00e3o era seu dever ir at\u00e9 o mundo humano  toda vez que um desejo era feito de todo cora\u00e7\u00e3o, encontrar a pessoa que o  havia feito e ent\u00e3o realizar sua vontade. E n\u00e3o a levem a mal, Feather adorava  fazer isso! Ver os humanos felizes com seus quereres realizados enchia seu  cora\u00e7\u00e3ozinho fe\u00e9rico de alegria. O que a incomodava era usar seus poderes de  fada em outras situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Exatamente como naquele momento, ali\u00e1s.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Mas, bem, n\u00e3o havia outro jeito. Ela pressentia um desejo muito forte  vindo daquele quarto em particular, e estava curiosa para ver do que se  tratava. O problema era que a janela estava trancada, e ela n\u00e3o conseguiria  abrir. Se ao menos os humanos n\u00e3o tivessem perdido tanto o contato com a  natureza! Eles certamente n\u00e3o sentiriam a necessidade de fechar as janelas  durante a noite, o que facilitaria o trabalho dela e de outras fadas \u2013 elas n\u00e3o  precisariam usar magia para atravessar a superf\u00edcie de vidro, como ela acabara  de fazer.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;A fadinha olhou em volta, avaliando o ambiente; a luz fora esquecida  acesa, ent\u00e3o ela n\u00e3o teve nenhuma dificuldade. Todas as coisas humanas pareciam  muito grandes para ela, mas tudo ali parecia grande e <em>bagun\u00e7ado<\/em>. Muitas roupas pelo ch\u00e3o, copos acumulados em cima de uma  escrivaninha, e livros fora do lugar e guardados de qualquer jeito em uma  estante de madeira. Na cama, len\u00e7ol e colchas embolados, em um caos de tecidos  que escondia um garoto.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Feather voou para l\u00e1 assim que o viu, pousando com suavidade na cama,  perto do rosto do rapaz, sem medo algum de ser vista; ela s\u00f3 podia ser vista  durante o meio-dia, sob um c\u00e9u azul e quieto, sem uma nuvem sequer. Ele n\u00e3o  seria capaz de v\u00ea-la, nem a suas asas num tom de rosa clarinho, parecidas com  as de uma cigarra.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Ele n\u00e3o devia ter mais do que 14 anos, na contagem dos humanos, e sua  express\u00e3o era de sofrimento. Talvez estivesse tendo um sonho ruim, embora Feather  n\u00e3o pudesse dizer com certeza, pois n\u00e3o era uma fada dos sonhos. Mas, de  qualquer forma, algo lhe dizia que n\u00e3o se tratava disso. Era algo relacionado  ao desejo dele, e isso fez seu cora\u00e7\u00e3ozinho se contrair um pouco. Ah, como ela  torcia para que fosse algo bom!<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Com passos hesitantes, ela chegou mais perto do garoto e apoiou as  m\u00e3ozinhas na testa dele, fechando os olhos para se concentrar melhor, mas n\u00e3o  gostou nada do que viu.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;O nome do jovem era Adrian, e ele de fato tinha 14 anos, al\u00e9m de uma tristeza  dentro de si t\u00e3o grande que Feather tamb\u00e9m se entristeceu por ele. N\u00e3o era  justo que algu\u00e9m t\u00e3o jovem tivesse tantos sentimentos ruins assim e fosse t\u00e3o  solit\u00e1rio como ele era.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;De repente, o quarto pareceu abafado e sufocante, e Feather sentiu que n\u00e3o  conseguia respirar direito. Mais uma vez desejou que os humanos tivessem mais  contato com a natureza; um pouco de ar fresco faria bem.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Durante um breve momento, ela desejou (que ironia!) que Adrian pudesse  v\u00ea-la, pudesse conversar com ela. Claro que isso n\u00e3o aconteceria; seria contra  as regras, e fadas n\u00e3o podiam realizar seus pr\u00f3prios desejos ou os de outras  fadas. Mesmo assim, ela gostaria de poder ajud\u00e1-lo, perguntar como ele se  sentia, por que suas m\u00e3os tremiam tanto e o que havia deixado seu cora\u00e7\u00e3o t\u00e3o  despeda\u00e7ado. Ela gostaria que ele desabafasse com ela, lhe explicasse sua  condi\u00e7\u00e3o, o que sentia que estava faltando em sua vida, e o motivo de achar que  estava existindo, mas n\u00e3o vivendo.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;E, mais que tudo, Feather queria pedir desculpas por n\u00e3o realizar seu  desejo.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Porque Adrian desejava n\u00e3o mais viver.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;O peso daquela revela\u00e7\u00e3o a fez perder o f\u00f4lego, e ela recuou alguns  passos, aturdida. De jeito nenhum poderia realizar aquele desejo. Ele era muito  forte, sim, mas era contra a \u00e9tica fe\u00e9rica realizar algo do tipo, e a simples  ideia de que algu\u00e9m t\u00e3o jovem estivesse t\u00e3o infeliz que preferia deixar de  viver fazia o cora\u00e7\u00e3o de Feather apertar at\u00e9 parecer estar com apenas metade de  seu tamanho real.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Ela estava em um beco sem sa\u00edda.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;N\u00e3o podia apenas ir embora e deix\u00e1-lo l\u00e1, sozinho. Agora que sabia o que  se passava dentro do cora\u00e7\u00e3o do rapaz, a tristeza e a ang\u00fastia em sua express\u00e3o  eram \u00f3bvias.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Mas aquele era um desejo que ela n\u00e3o poderia conceder.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;O procedimento nesses casos era bem simples: dar as costas e voar de  volta para casa, pois n\u00e3o havia mais nada a ser feito. Mas o cora\u00e7\u00e3ozinho de  Feather ainda estava apertado, e olhar de novo para o garoto adormecido na cama  a fez ter certeza de que n\u00e3o poderia simplesmente ir embora! N\u00e3o havia mais nada  que ela pudesse fazer, mas talvez alguma outra fada pudesse ajudar&#8230;<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Era isso! Ela precisava recrutar ajuda! Mas de quem? Juniper era  divertida, mas sempre trazia problemas \u2013 suas piadas e travessuras normalmente  envolviam coisas muito arriscadas, e Feather sabia que ela n\u00e3o poderia ajudar  muito. Ent\u00e3o, ela pensou em Hazel, mas Hazel trazia alucina\u00e7\u00f5es, e essa era a  \u00faltima coisa da qual Adrian precisava. O garoto j\u00e1 tinha coisas ruins demais na  cabe\u00e7a, e uma alucina\u00e7\u00e3o poderia piorar tudo, por melhores que fossem as  inten\u00e7\u00f5es de Hazel.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Ent\u00e3o, foi como se uma luz se acendesse, e por alguns segundos Feather  at\u00e9 considerou se havia alguma fada da luz por perto \u2013 talvez North ou Glimmer  \u2013, mas n\u00e3o havia ningu\u00e9m; era apenas uma boa ideia que a havia atingido com um  raio.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Feather j\u00e1 sabia o que devia fazer.\u00a0  Alisando o vestido feito de penas negras como a de corvos, ela al\u00e7ou voo  de novo, e se recusava a voltar sem ajuda.<\/p>\n<p align=\"center\">+++<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Algum tempo se passou at\u00e9 que ela voltasse, e j\u00e1 n\u00e3o estava sozinha.  Quatro fadas voavam logo atr\u00e1s dela: Rain, Briar, Columbine e Willow, cada qual  com sua especialidade e particularidade. <\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Assim como Feather havia feito mais cedo, elas passaram pela janela do  quarto de Adrian e olharam tudo com curiosidade, mas Feather n\u00e3o deixaria que  demorassem muito. Havia trabalho a ser feito.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Chamando a aten\u00e7\u00e3o das colegas, ela as levou at\u00e9 a cama, onde Adrian  ainda dormia profundamente. Antes que ela pudesse falar mais alguma coisa, Rain  se adiantou. N\u00e3o havia muito que ela podia fazer, mas ouviu quando Feather  contou sobre a situa\u00e7\u00e3o, e ela decidiu que ajudaria como podia.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Com o quarto muito mais abafado do que deveria estar e sendo Rain uma  fada que controlava o clima, o trabalho dela ali era t\u00e3o \u00f3bvio quanto simples. T\u00e3o  logo ela voou pelo c\u00f4modo, agitando as asinhas cor de gelo, o ambiente se  refrescou como se uma brisa fresca de primavera conseguisse atravessar a janela  ainda fechada.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Rain ainda voava quando Willow se aproximou do jovem, estendendo as  m\u00e3ozinhas diminutas por sobre o rosto dele, que ainda ostentava uma express\u00e3o  ligeiramente agoniada. Ela fechou os olhos em concentra\u00e7\u00e3o, e uma luz dourada  saiu de suas m\u00e3os direto para a pele do garoto, que parecia absorver a  luminosidade.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Sem deixar que a luz se apagasse, ela voou mais para baixo, em dire\u00e7\u00e3o  ao peito do adolescente, e foi como se o cora\u00e7\u00e3o dele absorvesse o calor da  magia de Willow ainda melhor que seu rosto. A express\u00e3o agoniada suavizou, como  se um pesadelo finalmente chegasse ao fim, dando lugar a um sonho muito melhor.  Feather sentiu que seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se aquecia; estava funcionando,  afinal!<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Columbine apressou-se em dire\u00e7\u00e3o a Willow, o vestido de p\u00e9talas azuis  flutuando atr\u00e1s de si. Enquanto das m\u00e3os de Willow sa\u00eda uma luz dourada, das  m\u00e3os de Columbine sa\u00eda uma esp\u00e9cie de p\u00f3 multicolorido, que desaparecia assim  que encostava na pele do garoto; poeira de estrela, era como as fadas o  chamavam. <\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Feather apertou a m\u00e3o de Briar, emocionada. Precisava confessar que,  quando tivera aquela ideia e mesmo quando chamara as amigas, ainda tinha  d\u00favidas se iria funcionar ou n\u00e3o. Mas, aparentemente, tudo estava indo conforme  o planejado, se n\u00e3o melhor, e j\u00e1 n\u00e3o havia mais nada a ser feito.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Rain aliviara o calor do ambiente e, logo depois, Willow acendera no  cora\u00e7\u00e3o do jovem o prazer pela vida, a alegria por estar vivo \u2013 Feather n\u00e3o  podia ter certeza, mas esperava que aquela pequena chama fosse o suficiente  para faz\u00ea-lo um pouco mais feliz. Columbine espalhara um pouco de sua boa  sorte, e Briar&#8230; bem, de certo modo Briar ficara com a parte mais dif\u00edcil,  pois era cont\u00ednuo.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;A fun\u00e7\u00e3o de Briar como fada era proteger e confortar os solit\u00e1rios e,  agora, ela seria respons\u00e1vel por Adrian. Poucos eram os que entendiam o tanto  que ele precisava de conforto e prote\u00e7\u00e3o. Ela n\u00e3o o ajudaria no momento e ent\u00e3o  iria embora; ela ficaria com Adrian por quanto tempo precisasse.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;E, de repente, Feather sentia-se ainda mais feliz por n\u00e3o ter realizado  o desejo que a levara at\u00e9 l\u00e1 em primeiro lugar. Quando todas j\u00e1 estavam prontas  e prestes a ir embora, Feather n\u00e3o pode evitar olhar para tr\u00e1s, para a cama  onde o garoto ainda dormia.<\/p>\n<p>&emsp;&emsp;Mais uma vez ela desejou poder falar com ele, e perguntar como ele se  sentia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>How do you feel? What&#8217;s your condition? Give me your voice and I&#8217;ll give it a listen Are you complete or is something missing? Make sure that it&#8217;s real Now, how do you feel? &emsp;&emsp;Feather detestava precisar usar seus poderes enquanto estava no mundo humano. 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