{"id":10903,"date":"2026-09-29T09:36:39","date_gmt":"2026-09-29T12:36:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2026-09-29T09:44:34","modified_gmt":"2026-09-29T12:44:34","slug":"capitulo-1","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/foradasquadras\/capitulo-1\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 1"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u2003\u2003<span class=\"versalete\">Marina Santos tinha aprendido<\/span> que n\u00e3o era uma boa ideia discutir com atletas antes das oito da manh\u00e3. N\u00e3o porque eles fossem especialmente mal-humorados naquele hor\u00e1rio, mas porqu\u00ea alguns ainda estavam sonolentos demais para perceber que estavam sendo contrariados.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea vai fazer o exame hoje.&nbsp; \u2014 Ela disse.<br>\u2003\u2003O jogador sentado diante dela continuou amarrando o cadar\u00e7o.<br>\u2003\u2003\u2014 Hoje?<br>\u2003\u2003\u2014 Hoje.<br>\u2003\u2003\u2014 Mas eu estou bem, Nina.<br>\u2003\u2003Marina levantou os olhos da prancheta.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea est\u00e1 mancando, Cau\u00ea.<br>\u2003\u2003Ele olhou para o pr\u00f3prio p\u00e9 como se s\u00f3 ent\u00e3o tivesse percebido.<br>\u2003\u2003\u2014 Estou?<br>\u2003\u2003\u2014 Est\u00e1.<br>\u2003\u2003\u2014 Talvez seja impress\u00e3o\u2026 \u2014 Ele deu de ombros tentando disfar\u00e7ar.<br>\u2003\u2003\u2014 Est\u00e1 dizendo que a sua fisioterapeuta est\u00e1 tendo s\u00f3 uma \u201cimpress\u00e3o errada do seu p\u00e9\u201d, jura?<br>\u2003\u2003Ele sorriu.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea est\u00e1 ficando sarc\u00e1stica, Nina.<br>\u2003\u2003\u2014 Aprendi com voc\u00eas&#8230;<br>\u2003\u2003O jogador soltou uma risada e finalmente levantou.<br>\u2003\u2003\u2014 T\u00e1 bom. Eu fa\u00e7o o exame.<br>\u2003\u2003\u2014 \u00d3timo. Voc\u00ea faria querendo ou n\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea \u00e9 muito mandona!<br>\u2003\u2003\u2014 E voc\u00ea continua jogando basquete mesmo quando est\u00e1 machucado. Acho que estamos quites.<br>\u2003\u2003Cau\u00ea saiu da sala reclamando qualquer coisa sobre fisioterapeutas que n\u00e3o tinham cora\u00e7\u00e3o, e Marina voltou para a prancheta.<br>\u2003\u2003Do corredor, ouviu:<br>\u2003\u2003\u2014 Nina! \u2014 Era Cau\u00ea de novo.<br>\u2003\u2003\u2014 O qu\u00ea?<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea viu meu celular?<br>\u2003\u2003Ela fechou os olhos por um segundo.<br>\u2003\u2003\u2014 Est\u00e1 no seu bolso, cara\u2026<br>\u2003\u2003Sil\u00eancio. Depois:<br>\u2003\u2003\u2014 Ah!<br>\u2003\u2003Marina sorriu sozinha.<br>\u2003\u2003Era assim quase todos os dias. Ela j\u00e1 n\u00e3o sabia dizer em que momento o <em>Aurora Basquete<\/em> tinha deixado de ser apenas seu local de trabalho e virado uma parte t\u00e3o grande da sua vida, t\u00e3o \u00edntima como uma fam\u00edlia. Pode ser que tenha acontecido na primeira viagem em que ela percebeu que conseguia dormir em qualquer \u00f4nibus, mesmo rodeada de v\u00e1rios homens. Ou, talvez na primeira vez em que um jogador voltou para a quadra depois de uma les\u00e3o e foi abra\u00e7\u00e1-la antes mesmo de cumprimentar o t\u00e9cnico.<br>\u2003\u2003Na verdade\u2026 O mais certo era que tivesse acontecido muito antes, quando Rafael Valen\u00e7a telefonou numa ter\u00e7a-feira \u00e0 noite e fez uma proposta que mudaria completamente a trajet\u00f3ria profissional dela.<br>\u2003\u2003Na \u00e9poca, Marina ainda n\u00e3o era \u201ca Nina\u201d.&nbsp; Pelo menos n\u00e3o para aquelas pessoas.<br>\u2003\u2003<em>\u2014 Rafa? Voc\u00ea est\u00e1 me ligando por qu\u00ea?<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Porque eu preciso de voc\u00ea.<\/em><br>\u2003\u2003<em>Marina apoiou o telefone no ombro enquanto procurava alguma coisa na geladeira.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Isso parece grave. Um pouco assustador, at\u00e9\u2026 Logo voc\u00ea dizendo com esse tom urgente.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 \u00c9.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Voc\u00ea fez alguma merda?<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Ainda n\u00e3o. Mas sem voc\u00ea do meu lado, com certeza, uma hora eu vou fazer.<\/em><br>\u2003\u2003<em>Ela encontrou uma garrafa de \u00e1gua.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Ent\u00e3o \u00e9 grave mesmo.<\/em><br>\u2003\u2003<em>Rafael riu.<\/em><br>\u2003\u2003Eles tinham esse tipo de amizade. Uma intimidade constru\u00edda ao longo de anos, suficiente para que Marina pudesse atender uma liga\u00e7\u00e3o dele \u00e0 noite e come\u00e7ar a conversa perguntando se ele tinha feito alguma besteira. Naquele momento, Rafael estava prestes a assumir seu primeiro trabalho como t\u00e9cnico principal de uma equipe do NBB. O Aurora havia apostado nele. E ele queria que Marina fosse com ele.<br>\u2003\u2003<em>\u2014 Quero voc\u00ea na minha comiss\u00e3o.<\/em><br>\u2003\u2003<em>Ela ficou alguns segundos em sil\u00eancio.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Voc\u00ea est\u00e1 falando s\u00e9rio?<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Estou.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Rafael, eu n\u00e3o trabalho em uma equipe desse tamanho.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Ainda.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Isso n\u00e3o \u00e9 resposta.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 \u00c9 exatamente a resposta.<\/em><br>\u2003\u2003<em>Marina encostou na pia.<\/em><br>\u2003\u2003<em>Aquela oportunidade era grande demais para ser tratada como uma gentileza entre amigos. Ela sabia disso. Rafael tamb\u00e9m.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Por que eu?<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Porque voc\u00ea \u00e9 boa.<\/em><br>\u2003\u2003<em>A resposta veio sem hesita\u00e7\u00e3o.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 E porque eu confio em voc\u00ea.<\/em><br>\u2003\u2003Foi essa segunda parte que a fez considerar. Marina n\u00e3o precisava que Rafael dissesse que ela era boa. Sabia que era. Tinha estudado e trabalhado para aquilo. Tinha passado anos atendendo atletas, estudando les\u00f5es, acompanhando recupera\u00e7\u00e3o e aprendendo muitas vezes na pr\u00e1tica, que tratar um corpo de atleta profissional exigia muito mais do que conhecimento t\u00e9cnico.<br>\u2003\u2003Confian\u00e7a era diferente. Rafael n\u00e3o estava oferecendo apenas um emprego, ele estava dizendo que colocaria o trabalho dela sob o pr\u00f3prio nome!<br>\u2003\u2003<em>\u2014 Quando eu teria que come\u00e7ar?<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Segunda.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Voc\u00ea j\u00e1 tinha decidido por mim, n\u00e3o \u00e9 seu pilantra?<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Eu conhe\u00e7o voc\u00ea.<\/em><br>\u2003\u2003<em>Marina riu e Rafael tamb\u00e9m.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Isso n\u00e3o significa que voc\u00ea pode decidir por mim.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Mas voc\u00ea vai aceitar.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Rafa\u2026 Preciso pensar. Te ligo na segunda, ok?<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Te encontro \u00e0s sete e meia na portaria do gin\u00e1sio do Aurora. Te mandei o endere\u00e7o no whatsapp j\u00e1.<\/em><br>\u2003\u2003<em>Ele desligou sem esperar que Marina ainda o respondesse, e ela, na segunda-feira, apareceu no Aurora \u00e0s sete e quinze da manh\u00e3. Rafael estava esperando na porta.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Eu sabia.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 N\u00e3o fala nada, Rafa. T\u00f4 apavorada, voc\u00ea sabe! Bom dia.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Bom dia para voc\u00ea tamb\u00e9m, lindona! E se voc\u00ea est\u00e1 apavorada, imagine eu!<\/em><br>\u2003\u2003<em>Ela sorriu.<\/em><br>\u2003\u2003<em>\u2014 Bem-vinda ao time, Nina.<\/em><br>\u2003\u2003<em>E ela ainda n\u00e3o sabia que aquele apelido ficaria.<\/em><br>\u2003\u2003Tr\u00eas anos depois, ningu\u00e9m mais chamava Marina de doutora, senhora, professora ou qualquer outra coisa que pudesse lembrar alguma formalidade. Era Nina.<br>\u2003\u2003<em>Nina <\/em>na fisioterapia, no banco de reservas, no aeroporto \u00e0s cinco da manh\u00e3. <em>Nina <\/em>no grupo de mensagens do time, o qual ela estava at\u00e9 mesmo no grupo das zoa\u00e7\u00f5es. <em>Nina <\/em>que aparecia com uma faixa el\u00e1stica na m\u00e3o e fazia metade do elenco desaparecer misteriosamente. <em>Nina <\/em>que sabia quem estava sentindo dor antes mesmo de o jogador admitir.<br>\u2003\u2003O trabalho tinha lhe dado uma esp\u00e9cie de autoridade que n\u00e3o vinha do cargo, vinha do tempo, da experi\u00eancia e dos resultados. Os jogadores sabiam que, quando Marina dizia que algu\u00e9m precisava ficar fora de um treino, n\u00e3o era uma opini\u00e3o, era uma decis\u00e3o baseada em l\u00f3gica e compet\u00eancia.<br>\u2003\u2003Rafael sabia disso tamb\u00e9m. \u00c0s vezes eles discordavam, \u00e0s vezes discutiam, mas nunca diante dos atletas. E, quando a porta da sala dele se fechava, a amizade voltava a existir no meio da conversa profissional.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea est\u00e1 me dizendo que eu n\u00e3o posso colocar o cara em quadra?<br>\u2003\u2003\u2014 Estou.<br>\u2003\u2003\u2014 Mesmo se ele disser que est\u00e1 bem?<br>\u2003\u2003\u2014 Principalmente se ele disser que est\u00e1 bem.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea sabe que eu preciso dele.<br>\u2003\u2003\u2014 E eu sei que voc\u00ea precisa dele saud\u00e1vel.<br>\u2003\u2003Rafael passava a m\u00e3o pelo rosto.<br>\u2003\u2003\u2014 Um dia voc\u00ea vai ser minha ru\u00edna, Nina.<br>\u2003\u2003\u2014 Um dia voc\u00ea vai me agradecer. \u2014 Ela respondeu com os bra\u00e7os cruzados e sua express\u00e3o de quem n\u00e3o perderia a discuss\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu j\u00e1 agrade\u00e7o\u2026 Apesar de me colocar em sinucas t\u00e1ticas.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o parece, Rafa. Voc\u00ea sempre reclama com esse seu dramalh\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9 que voc\u00ea \u00e9 muito exigente, Marina! Ele poderia aguentar uns dez minutos de quadra, sabe?<br>\u2003\u2003\u2014 Sou exigente e foi voc\u00ea que me contratou. Ou seja\u2026 Colocou seu nome no fogo pelo meu, e tenho certeza que sabia da minha \u201cexig\u00eancia\u201d. \u2014 respondeu fazendo aspas com os dedos na \u00faltima palavra.<br>\u2003\u2003Rafal n\u00e3o tinha resposta para aquilo.<br>\u2003\u2003No entanto, fora do gin\u00e1sio, Marina era bem menos organizada do que os jogadores imaginavam. O apartamento vivia razoavelmente arrumado, mas a cadeira do quarto tinha uma cole\u00e7\u00e3o permanente de roupas que ainda n\u00e3o eram sujas o suficiente para lavar e j\u00e1 n\u00e3o estavam limpas o bastante para guardar.<br>\u2003\u2003Ela comprava livros como quem comprava comida. Come\u00e7ava s\u00e9ries em hor\u00e1rios absurdos. Ligava para a m\u00e3e durante o caminho para casa e tinha uma rela\u00e7\u00e3o complicada com aplicativos de entrega, especialmente depois de semanas de viagens.<br>\u2003\u2003N\u00e3o era uma pessoa que gostasse de falar muito sobre a pr\u00f3pria vida, ali\u00e1s. Preferia ouvir, e com certeza por isso era t\u00e3o boa no trabalho. Marina prestava aten\u00e7\u00e3o. Percebia quando algu\u00e9m estava diferente, quando um jogador chegava mais quieto ou quando outro estava irritado. Ela sabia ler quando um sorriso vinha acompanhado de alguma coisa que n\u00e3o estava sendo dita.<br>\u2003\u2003No <em>Aurora<\/em>, essa caracter\u00edstica fazia dela uma esp\u00e9cie de ponto de equil\u00edbrio. Ela conhecia o corpo dos jogadores e com o tempo, passou a conhecer tamb\u00e9m os sil\u00eancios, os comportamentos. E havia um jogador cujo sil\u00eancio ela conhecia particularmente bem: Pedro Dornas.<br>\u2003\u2003Pedro tinha aprendido cedo que talento sozinho, n\u00e3o era suficiente. Na inf\u00e2ncia, bastava ser o garoto que acertava mais arremessos. Na base, j\u00e1 n\u00e3o. Era preciso treinar mais, ser mais disciplinado, focado e o talento era s\u00f3 uma m\u00ednima parcela de muito trabalho. Depois vieram os campeonatos, os olheiros, as primeiras entrevistas e a sensa\u00e7\u00e3o estranha de perceber que outras pessoas come\u00e7avam a ter expectativas sobre aquilo que ele fazia.<br>\u2003\u2003Pedro gostava da expectativa. Gostava de ser cobrado, da sensa\u00e7\u00e3o de entrar em uma quadra sabendo que havia gente esperando alguma coisa dele. Talvez tivesse gostado at\u00e9 demais\u2026<br>\u2003\u2003Quando chegou ao <em>Aurora<\/em>, ainda era jovem o bastante para ouvir que precisava amadurecer e orgulhoso demais para admitir que fosse verdade. Tr\u00eas temporadas depois, ele j\u00e1 n\u00e3o era uma promessa. Era uma das refer\u00eancias da equipe e isso tinha mudado a maneira como as pessoas olhavam para ele. Pedro Dornas era o jogador que precisava decidir.<br>\u2003\u2003O jogador que deveria pontuar, que aparecia nos melhores momentos, o jogador cuja fotografia come\u00e7ava a aparecer nas mat\u00e9rias sobre a temporada. E ele tinha aprendido a conviver com isso, ou pelo menos era o que dizia. Porque, depois dos jogos, ainda assistia aos pr\u00f3prios v\u00eddeos e ficava irritado quando perdia um arremesso f\u00e1cil. Ainda lembrava durante dias de uma assist\u00eancia que poderia ter feito melhor e ainda odiava a pergunta:<br>\u2003\u2003<em>\u2014 Pedro, voc\u00ea est\u00e1 satisfeito com sua atua\u00e7\u00e3o?<\/em><br>\u2003\u2003Quase nunca estava. N\u00e3o porque jogasse mal, mas porque, na cabe\u00e7a dele, sempre poderia existir uma vers\u00e3o melhor daquela partida\u2026&nbsp; Uma cesta a mais, um erro a menos, uma decis\u00e3o diferente.<br>\u2003\u2003Pedro morava sozinho em um apartamento que parecia grande demais para uma pessoa que passava metade do m\u00eas viajando. E ele gostava de cozinhar quando tinha tempo. Ligava para os pais aos domingos, tinha amigos que conhecia desde antes de o basquete virar profiss\u00e3o e fazia quest\u00e3o de encontr\u00e1-los sempre que conseguia.<br>\u2003\u2003A fama ainda n\u00e3o tinha transformado completamente sua vida. Ele conseguia andar na rua, ia ao mercado, sa\u00eda para jantar\u2026 Mas j\u00e1 come\u00e7ava a perceber que algumas pessoas n\u00e3o olhavam para ele como antes. Reconheciam seu rosto, pediam fotografias e comentavam sobre os jogos. Perguntavam sobre a sele\u00e7\u00e3o, sobre propostas e o futuro. Pedro respondia, sorria, e at\u00e9 fazia piada porque sempre foi alto-astral.<br>\u2003\u2003Depois ia para casa e pensava em tudo o que tinha dito.<br>\u2003\u2003A carreira estava crescendo. E, com ela, crescia tamb\u00e9m uma inquieta\u00e7\u00e3o que ele n\u00e3o sabia nomear: Pedro queria ganhar, chegar mais longe. Queria provar que merecia cada oportunidade! S\u00f3 n\u00e3o sabia ainda, quanto aquela vontade custaria.<br>\u2003\u2003Naquela temporada, o <em>Aurora <\/em>estava vivendo um bom momento, o elenco se conhecia muito bem, sendo o mesmo h\u00e1 quase tr\u00eas anos. Sem grandes altera\u00e7\u00f5es de jogadores entrando ou saindo. E Rafael tinha conseguido montar uma equipe competitiva. A comiss\u00e3o t\u00e9cnica funcionava muito bem tamb\u00e9m, e a torcida comparecia. Ali\u00e1s\u2026 A torcida crescia! E Pedro estava jogando o melhor basquete de sua carreira.<br>\u2003\u2003Marina via isso de perto, n\u00e3o porque estivesse prestando aten\u00e7\u00e3o nele mais do que nos outros. Pelo menos era isso que dizia a si mesma.<br>\u2003\u2003Pedro tamb\u00e9m n\u00e3o prestava aten\u00e7\u00e3o especial nela, pelo menos era isso que ele tamb\u00e9m dizia a si mesmo.<br>\u2003\u2003Para os dois, naquele momento, aquilo ainda era simples: ela era Nina e ele era Pedro. Ou melhor, era o \u201cDornas\u201d. E havia entre os dois uma amizade constru\u00edda ao longo de tr\u00eas temporadas, feita de caf\u00e9 roubado, discuss\u00f5es sobre treino, viagens, piadas ruins e uma familiaridade que nenhum dos dois tinha parado para examinar.<br>\u2003\u2003Naquele ponto da hist\u00f3ria, Marina n\u00e3o fazia ideia de que Pedro Dornas se tornaria uma das pessoas mais importantes da sua vida. Pedro tamb\u00e9m n\u00e3o sabia que o fato seria rec\u00edproco.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2807],"class_list":["post-10903","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-foradasquadras"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/10903","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10903"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=10903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}