{"id":10813,"date":"2026-08-25T09:38:18","date_gmt":"2026-08-25T12:38:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2026-08-25T09:41:00","modified_gmt":"2026-08-25T12:41:00","slug":"prologo","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/luminosidenoturna\/prologo\/","title":{"rendered":"PR\u00d3LOGO"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u2003\u2003<em>Terra de Nocturnia<\/em><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003<span class=\"versalete\">Pelo vale chamuscado de<\/span> Nocturnia encontravam-se in\u00fameras criaturas sem prop\u00f3sitos, nomeadas e conhecidas como as piores porque n\u00e3o tinham prop\u00f3sito de vida, afinal, n\u00e3o sabiam o que era ter um. Seres vivos que n\u00e3o tinham anseios por algo podiam ser considerados seres mortos, ocos por dentro, seres que n\u00e3o sabiam o que era ser vivo por um bom tempo.<br>\u2003\u2003Nas entranhas dessa terra, residiam tais seres, n\u00e3o que eles ousassem nomear aquele vale de morada, pois era mergulhado na penumbra e no mist\u00e9rio a cada recanto. Ali repousava um p\u00e2ntano, ou o que dele restava, pois uma criatura monstruosa habitava suas profundezas. Aqueles que ousavam adentrar, jamais retornavam, pois o monstro era senhor absoluto daquele territ\u00f3rio, reivindicando-o com f\u00faria selvagem.<br>\u2003\u2003Ele n\u00e3o era o \u00fanico territorial naquele lugar cheio de corpos vazios, criaturas da noite e amantes das sombras. Todo tipo de esp\u00e9cie, todo tipo de ser m\u00e1gico e n\u00e3o m\u00e1gico que j\u00e1 um dia fora um ser com amor, vida, expectativas e sonhos existiam naquele lugar depois de terem perdido tudo. No entanto, havia um ser por tr\u00e1s de tudo, um ser mais vazio e mais mal\u00e9volo que todos ali. T\u00e3o antigo quanto qualquer um de l\u00e1, vivo h\u00e1 tanto tempo que n\u00e3o se lembrava nem como era sentir algo.<br>\u2003\u2003Condenado a uma exist\u00eancia enredada na servid\u00e3o impiedosa e destitu\u00edda de emo\u00e7\u00f5es, esse ser sombrio lan\u00e7ava maldi\u00e7\u00f5es sobre outros, condenando-os a partilhar seu pr\u00f3prio destino. Manipulava tramas s\u00f3rdidas em troca do objeto de seu mais ardente desejo: o Poder.<br>\u2003\u2003O \u00fanico sentimento genu\u00edno e vivo dentro dessa escurid\u00e3o era sua sede por poder, apenas isso o conduzia a fazer qualquer coisa por qualquer pessoa, ser ou criatura. Mas fazer um trato com ele era algo sem volta, um caminho cheio de espinhos, estreito, com somente escurid\u00e3o e sem sa\u00edda. N\u00e3o tinha nada de bom em ter qualquer tipo de acordo com a Feiticeira da Terra Nocturnia, pois ela era o pr\u00f3prio vale, ela era o p\u00e2ntano, as \u00e1rvores mortas, os galhos medonhos, a neblina t\u00f3xica e o terror que se respirava ao se aproximar daquele lugar.<br>\u2003\u2003A feiticeira suprema, a soberana das sombras, a tecel\u00e3 das p\u00e1ginas da morte e dos relatos das trevas. A figura mais temida do vale e, possivelmente, de todo o mundo, pois encontrar-se em sua presen\u00e7a podia ser tanto um pesadelo quanto o mais sombrio dos sonhos, pois ela era a art\u00edfice dos sonhos, onde cada doce vislumbre podia se transformar em um terr\u00edvel pesadelo, e nisso a rainha do vale das sombras reinava soberana.<br>\u2003\u2003Seus cabelos loiros, luminosos como a plenitude da lua, adornados por mechas prateadas que flu\u00edam suavemente at\u00e9 sua cintura esguia, outrora mais cheia, mas agora como uma musa da morte do vale, seu corpo ecoava o pr\u00f3prio fim. Esquel\u00e9tica, por\u00e9m n\u00e3o de maneira repulsiva, como um poema de Edgar Allan Poe, bela como a pr\u00f3pria escurid\u00e3o. Olhos cinzentos-azulados, pele mais alva que a neve, olhos profundos e envoltos em sombras mais densas que as profundezas do p\u00e2ntano.<br>\u2003\u2003A musa do pr\u00f3prio Tim Burton com alguns buracos pelo corpo, ainda assim com seu andar elegante. Tudo em Quenna era atrativo, fazia com que todos quisessem se aproximar mais, v\u00ea-la de perto, apreci\u00e1-la como um quadro raro, bizarro e convidativo. Quenna era a personifica\u00e7\u00e3o daquele lado sombrio que cada um tinha dentro de si mesmo. Ent\u00e3o todos eram atra\u00eddos por ela, nem que fosse por sonhos, por desejos profundos e enterrados como cad\u00e1veres em decomposi\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003At\u00e9 mesmo o mais poderoso dos homens j\u00e1 desejou ardentemente ter um encontro com Quenna. Um rei, um pr\u00edncipe, um jovem cavaleiro, at\u00e9 mesmo a rainha, uma dama de companhia, uma simples m\u00e3e de uma aldeia qualquer de um vilarejo entediante do reinado de algum rei usurpador. Todos chamavam Quenna pela noite para que ela realizasse aquele desejo insano e profano que deveriam manter a sete palmos, ainda assim, n\u00e3o conseguiam.<br>\u2003\u2003Um rei, um pr\u00edncipe, uma rainha e um\u2026 Pirata.<br>\u2003\u2003O capit\u00e3o %Corvane% tinha conquistado todos os sete mares com seu navio de patifes ladr\u00f5es que ningu\u00e9m ousava desafiar dentro do mar, talvez at\u00e9 mesmo fora dele, afinal o capit\u00e3o n\u00e3o era de atracar t\u00e3o facilmente, mas quando fazia, deixava boas hist\u00f3rias para crian\u00e7as n\u00e3o dormirem.<br>\u2003\u2003O lend\u00e1rio navio temido, a Sombra do Horizonte, era uma figura conhecida em todos os cantos dos reinos, desde os maiores imp\u00e9rios at\u00e9 os mais humildes vilarejos. Para alguns, era apenas uma fantasia, uma narrativa tecida nas p\u00e1ginas de contos infantis. No entanto, nas terras onde reinava a deusa da morte, essas hist\u00f3rias eram reconhecidas com uma intimidade especial, pois ela pr\u00f3pria era uma \u00e1vida admiradora das \u00e9picas e desafiadoras aventuras do capit\u00e3o e sua tripula\u00e7\u00e3o leal.<br>\u2003\u2003Todavia, foi de uma grande surpresa para Quenna quando o pr\u00f3prio capit\u00e3o pisou em sua terra, sozinho, sem sua tripula\u00e7\u00e3o. %Corvane% o pr\u00f3prio, sem ser capit\u00e3o porque um capit\u00e3o precisava do seu navio e ele estava sem o dele. Isso intrigou tanto a feiticeira que ela ordenou que nenhuma criatura sombria chegasse perto dele a n\u00e3o ser ela mesma. Pois a rainha da escurid\u00e3o queria sentir o cheiro do glorioso aventureiro que n\u00e3o temia nada, nenhum tipo de estranheza que ele j\u00e1 tenha cruzado nesses mares desconhecidos.<br>\u2003\u2003O encontro de ambos causou um novo tipo de caos no universo, fazendo as estrelas se desalinhar, mundos em colapso, destinos embaralhados. Tudo mudou o curso do que j\u00e1 estava predestinado, agora nada era certo, tudo se tornou misterioso de uma forma que fez a rainha dos condenados a n\u00e3o sentir, come\u00e7ar a sentir. Quenna sentiu curiosidade com o que estava por vir.<br>\u2003\u2003Ela estava certa, pois ningu\u00e9m est\u00e1 preparado para o que est\u00e1 por vir.<br>\u2003\u2003Um capit\u00e3o amaldi\u00e7oado a viver como capit\u00e3o de um navio, mas sem conseguir sentir absolutamente nada. Uma criatura da Terra Nocturna no mar, em busca do poder, mesmo quando o obteve, n\u00e3o sentiu nada porque j\u00e1 tinha sido amaldi\u00e7oado por almejar demais. Condenado a uma vida lotada de riquezas e poder, mas sem a chance de sentir prazer, felicidade ou qualquer outro tipo de sentimento que j\u00e1 tenha sentido antes.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea descobrir\u00e1 que nenhum ouro no mundo ir\u00e1 te satisfazer \u2014 sussurrou a bruxa no ouvido do capit\u00e3o, mesmo sem estar perto dele.<br>\u2003\u2003Os olhos castanhos-dourados a encararam no meio das \u00e1rvores, rodeada por sombras, o vestido preto longo arrastando nos galhos secos.<br>\u2003\u2003\u2014 Sua alma pelo seu navio. \u2014 Riu maldosamente.<br>\u2003\u2003Apesar de sentir arrepios na espinha, a postura do capit\u00e3o era a mesma, mostrando que nada daquilo realmente o assustava. Nada mais o assustava, essa era a pura verdade.<br>\u2003\u2003\u2014 Por quanto tempo? \u2014 questionou com a voz rouca, baixa e deliciosamente aveludada como uma brisa gelada do inverno.<br>\u2003\u2003\u2014 Que voc\u00ea possa me trazer algu\u00e9m repleto de sentimentos, capaz de despertar em mim algo al\u00e9m do gelo que me habita \u2014 sussurrou, deslizando a l\u00edngua inerte sobre seus l\u00e1bios tingidos de um rubro vibrante.<br>\u2003\u2003\u2014 Existe uma pessoa assim? \u2014 indagou o capit\u00e3o, soltando um tipo de riso debochado.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o ria ainda, capit\u00e3o \u2014 ordenou a bruxa chegando mais perto dele. \u2014 Na verdade, existe sim. \u2014 Abriu o sorriso que, apesar de convidativo, era como cheirar um mausol\u00e9u.<br>\u2003\u2003\u2014 Diga-me onde que eu trago para voc\u00ea \u2014 respondeu sem paci\u00eancia.<br>\u2003\u2003A feiticeira o encarou dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a, lambendo seus l\u00e1bios mais uma vez como se estivesse saboreando algum tipo de doce especial e delicioso.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea tem uma festa para ir.<br>\u2003\u2003Naquele instante, o comandante se via munido somente de uma b\u00fassola como guia, uma trilha que o conduziria a \u00e1guas turbulentas, metaforicamente falando, pois o evento se desenrolava em terra firme. Entre todas as suas estimulantes incurs\u00f5es, aquela se perfilava como a mais intr\u00e9pida de todas, at\u00e9 mesmo superando a jornada \u00e0 Terra Nocturna para encontrar-se com a feiticeira da verdadeira obscuridade.<br>\u2003\u2003Uma feiticeira em busca de sensa\u00e7\u00f5es. Um capit\u00e3o ansiando por experi\u00eancias, e um pr\u00edncipe inundado por um excesso de emo\u00e7\u00f5es.<br>\u2003\u2003Caos, mist\u00e9rio e magia delineando um novo curso, capaz de instigar todo tipo de ser, seja ele dotado de vida ou n\u00e3o.<br>\u2003\u2003At\u00e9 onde ele levar\u00e1?<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2003\u2003Terra de Nocturnia<\/p>\n","protected":false},"author":188,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"ngg_post_thumbnail":0,"_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"historias":[2792],"class_list":["post-10813","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-luminosidenoturna"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/10813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/188"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=10813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}