{"id":10715,"date":"2026-08-03T11:55:33","date_gmt":"2026-08-03T14:55:33","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2026-08-03T11:56:40","modified_gmt":"2026-08-03T14:56:40","slug":"prologo","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/pokerfaceamaedoanticristovolume1\/prologo\/","title":{"rendered":"Pr\u00f3logo"},"content":{"rendered":"\r\n\u2003\u2003<span class=\"versalete\">A B\u00edblia sagrada n\u00e3o<\/span> menciona uma m\u00e3e para o Anticristo. O conceito de uma figura materna para o filho da perdi\u00e7\u00e3o pertence \u00e0 fic\u00e7\u00e3o e a dramaturgias, como a personagem D\u00e9bora na novela Apocalipse da Record, ou a m\u00e3e de Damien no cl\u00e1ssico do cinema A Profecia. As Escrituras crist\u00e3s (como nas cartas de Jo\u00e3o e no livro de Apocalipse) falam sobre o esp\u00edrito do Anticristo e a vinda de um homem \u00edmpio associado ao mal, mas n\u00e3o detalham seu nascimento, inf\u00e2ncia ou genitores. O Apocalipse menciona a &#8220;M\u00e3e das Prostitutas&#8221; (Apocalipse 17:5), que \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de um sistema pol\u00edtico e religioso corrupto e oposto a Deus, e n\u00e3o a m\u00e3e biol\u00f3gica de um indiv\u00edduo. Neste poker face, que tamb\u00e9m \u00e9 uma das v\u00e1rias profecias de Salete, se atribui esse nome devido a fala de que esta mulher teria linguagem com a antiga serpente. Esta porquanto \u00e9 sua hist\u00f3ria.\r\n<p>\u2003\u2003<em>2009, ALGUM LUGAR DO MUNDO<\/em><br>\u2003\u2003Era mais uma manh\u00e3 comum. A garota observava o garoto que a desprezava \u00e0 sua frente. Ele apenas disse uma \u00fanica frase. &#8220;Eu nunca seria amigo de algu\u00e9m t\u00e3o estranho quanto voc\u00ea&#8221;. N\u00e3o disse mais, as palavras que sa\u00edam da boca do garoto vinham com arrog\u00e2ncia. A mesma arrog\u00e2ncia que seria dito que aquela garota um dia teria. Ela era estranha. Mais do que estranha, era esquisita. O garoto riu com desprezo. A garota seguiu seu caminho, mas ouviu mais a frente outra garota, chamada Ana, dizendo &#8220;Quer apostar quanto que essa bicha nojenta quer ser adorada&#8221;. E riu. N\u00e3o era um riso comum, um riso que denotava brincadeira. Era com autoridade. Com zombaria.<br>\u2003\u2003Assim que a aula acabou, a garota seguiu para casa. Ela p\u00f4de ver as outras crian\u00e7as, todas quase adolescentes, saindo, conversando, rindo, se divertindo, zombando dela. Algumas n\u00e3o pareciam estar zombando especificamente dela, mas dava para notar que algumas sim, entre elas estava Addrell o garoto que disse que era estranha. Mais \u00e0 frente, reunida a uma amiga, estava Ana. Quando finalmente chegou em casa, a garota abriu seu port\u00e3o vermelho e entrou em sua casa. O pai estava dormindo como sempre, doente. Ele tinha uma ferida que nunca cicatrizava. A m\u00e3e tinha ido no vizinho para conseguir algumas coisas para fazer ch\u00e1. A garota se deixou levar para o quarto. Ali olhou a B\u00edblia. A mesma B\u00edblia que sempre lia quando ia na igreja.<br>\u2003\u2003O padre havia falado certo dia que se devia perdoar seu irm\u00e3o, ou seja, perdoar aquele que te fere. Se Jesus perdoa sete vezes, ela deveria perdoar setenta vezes sete. Mas isso n\u00e3o seria f\u00e1cil. O padre tamb\u00e9m falou que Deus \u00e9 justo, mas se era, por que ela era tratada dessa forma? O vento era seu \u00fanico companheiro. Ventava como nunca naquele dia sobre a cidade. Enquanto a cidade cheirava a especiarias arom\u00e1ticas, e cheiro de incenso queimado, a garota pensava: \u201cSe Deus existe, por que permite tanto mal? Meu pai fala que \u00e9 para nos provar, mas e se j\u00e1 tivermos sido provados? At\u00e9 quando devemos sofrer!\u201d<br>\u2003\u2003O vento n\u00e3o respondeu. O mundo pareceu parar por um instante. A garota deixou uma l\u00e1grima cair, antes de mergulhar novamente em seu estudo na B\u00edblia. Continuou a ler. E assim o dia continuou a se passar&#8230; A m\u00e3e voltou da casa da vizinha, trazendo o aroma do ch\u00e1. \u00c0 tarde, a garota que descobrimos se chamar %Estrama% fez sua higiene e partiu para o banho. Ela come\u00e7ou a orar para ouvir se algum Deus a ouvia, enquanto no banho sentia as l\u00e1grimas aumentarem, mas nada de Deus responder. Por fim, desistiu. Colocou sua roupa nova, e desceu para jantar. A sala de jantar estava silenciosa. O pai esperava que ela ou a m\u00e3e, a esposa dele, viesse trazer seu jantar no quarto, pois o homem estava debilitado. Na cozinha, %Estrama% comeu seu jantar lentamente e sozinha, contemplando sua solid\u00e3o. Apenas com o crepitar de fogos de artif\u00edcios dos vizinhos, que pareciam estar se divertindo com alguma partida de jogo:<br>\u2003\u2003\u2014 Pelo menos eles s\u00e3o felizes \u2014 murmurou.<br>\u2003\u2003O dia seguinte amanheceu. Ela foi uma das primeiras a acordar. Tinha apenas doze anos, mas era como se tivesse mais. Conversou um pouco com o pai sobre Teologia, mas depois desanimou ao ver que tinha que ir para a escola. Sem que ela percebesse, um gato preto a guiou por todo o caminho. Chegando na escola, avistou Addrell e seus amigos rindo, provavelmente dela. Viu Ana a olhando com um riso e caminhou para dentro da sala de aula onde sua amiga Heisa j\u00e1 a esperava. O professor de Hist\u00f3ria come\u00e7ou a explicar sobre a primeira guerra mundial e ela anotou atentamente. Mal sabia ela que sua vida estava prestes a mudar&#8230;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2003\u20032009, ALGUM LUGAR DO MUNDO<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":true,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"ngg_post_thumbnail":0,"_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"historias":[2775],"class_list":["post-10715","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-pokerfaceamaedoanticristovolume1"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/10715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10715"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=10715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}