{"id":10367,"date":"2026-05-24T19:03:04","date_gmt":"2026-05-24T22:03:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2026-05-24T19:03:04","modified_gmt":"2026-05-24T22:03:04","slug":"capitulo-27","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/paixaoecrueldade\/capitulo-27\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 27"},"content":{"rendered":"<p>\u2003\u2003Damon o encontrou distra\u00eddo observando o c\u00e9u de bra\u00e7os cruzados.<br \/>\n\u2003\u2003Para lhe chamar a aten\u00e7\u00e3o deslocou a cadeira onde costumava sentar-se para se montar, a ergueu alguns cent\u00edmetros e bateu a madeira forte no ch\u00e3o em sua frente produzindo aud\u00edvel baque.<br \/>\n\u2003\u2003N\u00e3o se assustou. Apenas respirou fundo como se o ar fosse encoraj\u00e1-lo a seguir adiante com o confronto indesejado e desconfort\u00e1vel para ambas as partes. Virou a cabe\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o ao som. O semblante do rapaz era igualmente duro.<br \/>\n\u2003\u2003Damon torcia para aquilo n\u00e3o demorar. Estava sens\u00edvel demais, emocionalmente inst\u00e1vel demais para lidar com o di\u00e1logo por muito tempo. N\u00e3o queria manifestar o quanto o outro o afetou com o desaparecimento e a postura ultrajante desde quando o encontrou na rua pela \u00faltima vez \u2013 e era \u00f3bvio que choraria caso o di\u00e1logo passasse de mais de tr\u00eas minutos porque cada poro corporal o implorava escolher pela fuga como forma de autoprote\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003- J\u00e1 estou aqui. \u2013 n\u00e3o tiraria o obst\u00e1culo entre eles, ent\u00e3o apoiou o quadril na espelheira atr\u00e1s de si \u2013 O que tanto quer comigo?<br \/>\n\u2003\u2003- Quero te parabenizar.<br \/>\n\u2003\u2003- Por qual motivo?<br \/>\n\u2003\u2003- Raras foram as vezes quando fui enganado, em especial por tanto tempo. \u00c9 um feito digno de parabeniza\u00e7\u00e3o. \u2013 apesar do falso tom de admira\u00e7\u00e3o, a m\u00e1scara da frieza come\u00e7ava a cair.<br \/>\n\u2003\u2003Era ineg\u00e1vel que Damon notaria como a insensibilidade nada mais passava de uma maneira de ocultar os verdadeiros sentimentos.<br \/>\n\u2003\u2003Quanto mais tempo passassem naquela discuss\u00e3o, mais evidente seria como ambos estavam abalados, magoados e tristes pelos epis\u00f3dios os quais os levaram a terem posturas t\u00e3o avessas um com o outro ao ponto de quererem ferir quem amavam em virtude da falta de comunica\u00e7\u00e3o e de segredos de Damon ainda n\u00e3o revelados.<br \/>\n\u2003\u2003Eles n\u00e3o eram assim. Todavia, as circunst\u00e2ncias os for\u00e7avam a se tratarem com ofensas para manterem-se no controle de suas emo\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u2003\u2003- E quando te enganei? Refresca minha mem\u00f3ria porque n\u00e3o lembro de nada disso.<br \/>\n\u2003\u2003E realmente n\u00e3o o enganava.<br \/>\n\u2003\u2003Quem foi manipulado foi Damon, as rea\u00e7\u00f5es de Sebastian repetindo em sua mente em confirma\u00e7\u00e3o a como o homem n\u00e3o se importava consigo \u2013 assim como foi comprovado no \u00faltimo embate entre eles na rua mal iluminada.<br \/>\n\u2003\u2003- Me refiro a cada vez que riu pelas minhas costas. Diverti bastante voc\u00ea e seus amigos. \u2013 foi imposs\u00edvel esconder o rep\u00fadio pela cren\u00e7a.<br \/>\n\u2003\u2003- Nada disso. Me esforcei para Dean e Simon n\u00e3o baterem em voc\u00ea desde o nosso \u00faltimo encontro na rua. \u00c0 prop\u00f3sito&#8230; Sou t\u00e3o desprez\u00edvel assim como mencionou ainda pouco? Porque n\u00e3o foi o que pareceu a cada noite que passou comigo na cama.<br \/>\n\u2003\u2003A frase o impactou. Sensibilizado, inclusive pelo embargo alheio na voz como se lutasse contra o sofrimento para ser compreendido, pestanejou dando os primeiros sinais de como n\u00e3o seria capaz de demonstrar frieza, asco, desprezo ou raiva por mais tempo.<br \/>\n\u2003\u2003Para dominar os impulsos, pressionou por instantes o topo do nariz com o indicador e o polegar.<br \/>\n\u2003\u2003- De fato, gostei mais do que possa imaginar das noites ao seu lado. \u2013 projetou o queixo para frente, os vincos nasais surgindo durante a fala \u2013 Se a sua \u00edndole n\u00e3o fosse t\u00e3o baixa, seria a melhor pessoa quem j\u00e1 conheci na vida. \u2013 rebateu em volume firme, a voz saindo engasgada \u2013 Tudo tem um custo nesse mundo e j\u00e1 paguei o meu valor.<br \/>\n\u2003\u2003N\u00e3o explicaria que se referia a como o belo amor desenvolvido por Damon se transformou em algo t\u00e3o pesado de carregar.<br \/>\n\u2003\u2003- E o que a minha \u00edndole tem a ver com esse assunto?<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o seja c\u00ednico! Sei muito bem como continuou se vendendo. Me fala, Damon. Se divertiu \u00e0s minhas custas? Quantas foram as vezes que riu pelas minhas costas depois de escutar as minhas declara\u00e7\u00f5es de como me importo contigo? Afinal, servi pelo menos para isso. Ser o seu motivo particular de piada com seus queridos amiguinhos, n\u00e3o \u00e9?<br \/>\n\u2003\u2003O queixo caiu pela revela\u00e7\u00e3o, a cor fugindo do rosto angelical.<br \/>\n\u2003\u2003- Quem&#8230; Quem te contou&#8230; \u2013 balbuciou em express\u00e3o l\u00edvida, o cora\u00e7\u00e3o batendo acelerado contra o peito e precisando se apoiar na cadeira em sua frente para manter o equil\u00edbrio pelo choque.<br \/>\n\u2003\u2003- Ningu\u00e9m me contou. Eu descobri sozinho. O vi inclinado nessa mesa com o cliente atr\u00e1s de voc\u00ea. Por que, Damon? Por que mentiu para mim?<br \/>\n\u2003\u2003- Eu n\u00e3o menti para voc\u00ea.<br \/>\n\u2003\u2003- Ah, n\u00e3o?! Na primeira vez em que vim para c\u00e1, voc\u00ea mesmo disse que o seu trabalho n\u00e3o se estendia para a cama e n\u00e3o atendia os clientes.<br \/>\n\u2003\u2003- <em>Satine<\/em> era intoc\u00e1vel por medida de seguran\u00e7a. Eu, n\u00e3o. Essa regra n\u00e3o era imposta a mim.<br \/>\n\u2003\u2003- Claro! \u00d3bvio que vou acreditar nas suas palavras depois de v\u00ea-la entrar aqui agarrada naquele velho! Como se fosse vi\u00e1vel eu acreditar nas palavras de uma prostituta barata.<br \/>\n\u2003\u2003Suportaria bastante coisa, menos aquilo.<br \/>\n\u2003\u2003Irado, Damon quebrou a dist\u00e2ncia com o rosto rubro e o esbofeteou com as costas da m\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003Ao contr\u00e1rio do esperado, Sebastian sustentou o contato visual mesmo durante o tapa sem esbo\u00e7ar nenhuma rea\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003- Escute aqui, seu maldito desgra\u00e7ado. \u2013 ergueu o indicador em riste sem temer por nenhum tipo de retalia\u00e7\u00e3o por parte do outro. <em>Sabia<\/em> que n\u00e3o corria risco de passar por agress\u00f5es f\u00edsicas e nem sexuais na presen\u00e7a dele \u2013 Eu <em>exijo<\/em> respeito da sua parte. Meu car\u00e1ter n\u00e3o se resume ao miser\u00e1vel fato de morar aqui. Parei no Moulin Rouge contra a minha vontade. Nunca quis sequer p\u00f4r os meus p\u00e9s num lugar como esse.<br \/>\n\u2003\u2003- Por que ent\u00e3o, Damon? \u2013 afastou o dedo de si empurrando a m\u00e3o pequena sem exagerar na for\u00e7a para n\u00e3o causar danos \u2013 Por que veio para c\u00e1?<br \/>\n\u2003\u2003- Fui <em>vendido<\/em> pelo bastardo quem dizia me amar, da mesma forma como voc\u00ea vem dissimulando esse tempo todo antes de sumir e me tratar como se eu fosse lixo! \u2013 gritou a plenos pulm\u00f5es, o mart\u00edrio do estorvo expresso pela primeira vez para o moreno.<br \/>\n\u2003\u2003O peso das palavras obrigou o Duque a recuar. Deu tr\u00eas cambaleantes passos para tr\u00e1s como se a armadura constru\u00edda ao seu redor para se defender dos sentimentos por Damon tivesse finalmente ca\u00eddo e partido em in\u00fameros peda\u00e7os imposs\u00edveis de reparar.<br \/>\n\u2003\u2003- Vendido? \u2013 repetiu a palavra buscando na fisionomia algum sinal de mentira para a dura realidade.<br \/>\n\u2003\u2003- Sim. Vendido. Por uma pessoa bem parecida contigo porque <em>fingiu<\/em> gostar de mim para tirar vantagem.<br \/>\n\u2003\u2003A lembran\u00e7a do passado era dolorosa por carregar diversos registros traum\u00e1ticos \u2013 a morte dos pais, as promessas v\u00e3s, a mudan\u00e7a repentina de vida, o processo de adapta\u00e7\u00e3o na nova profiss\u00e3o, as vezes em que Satine foi v\u00edtima de viol\u00eancia ao descobrirem o seu sexo&#8230;<br \/>\n\u2003\u2003- Ningu\u00e9m chega num lugar desse porque quer. \u2013 as l\u00e1grimas molhavam a derme avermelhada e martirizada \u2013 Chega por sobreviv\u00eancia, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 outra op\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003Damon detestava quando as reminisc\u00eancias o atingiam por sempre lhe deixar no mesmo estado deplor\u00e1vel. Chorava copiosamente por contactar os fantasmas os quais buscava manter longe de si pelo simples fato de n\u00e3o servir de nada se lembrar da \u00e9poca quando a sua vida era alegre, significativa e repleta de perspectivas positivas sobre o futuro.<br \/>\n\u2003\u2003Hoje? Era uma casca vazia. N\u00e3o restou nada \u2013 nem orgulho pessoal \u2013 e at\u00e9 a capacidade de sonhar com dias melhores lhe foi roubado ao ser deixado no cabar\u00e9 ainda virgem pela pouca idade.<br \/>\n\u2003\u2003Era torturante se recordar do tempo cujo retorno seria imposs\u00edvel.<br \/>\n\u2003\u2003Assimilando a profundidade do abalo ap\u00f3s a fala enigm\u00e1tica, franziu o cenho pela demonstra\u00e7\u00e3o genu\u00edna da perturba\u00e7\u00e3o \u2013 ombros ca\u00eddos, postura fechada lhe dando ar de submiss\u00e3o, cabe\u00e7a ligeiramente baixa, gestos apaziguadores na tentativa de se acalmar e trazer acalento, olhar amargurado e solu\u00e7os.<br \/>\n\u2003\u2003O rapaz experimentava insuport\u00e1vel agonia.<br \/>\n\u2003\u2003At\u00e9 ali conseguiu sustentar o conflito porque o menor n\u00e3o tinha chegado ainda ao ponto de chorar. Todavia, como desabava em desespero aflitivo em sua frente, era incapaz de se manter indiferente perante ele pela dor dele o consumir na mesma propor\u00e7\u00e3o \u2013 independentemente do qu\u00e3o ferido Sebastian estivesse.<br \/>\n\u2003\u2003Movido pela incapacidade de se manter neutro ou indiferente pela vulner\u00e1vel figura em sua frente, ousou diminuir a dist\u00e2ncia at\u00e9 sobrar cent\u00edmetros os separando. Ensaiou toc\u00e1-lo para confort\u00e1-lo, mas o ruivo se desvencilhou antes de ser alcan\u00e7ado.<br \/>\n\u2003\u2003- J\u00e1 fez o suficiente. \u2013 cada letra era composta por agonia em tom entrecortado \u2013 A \u00faltima pessoa quem preciso \u00e9 voc\u00ea.<br \/>\n\u2003\u2003- Errado. \u2013 ignorando a resist\u00eancia, embalou as laterais da face molhada para se mirarem \u2013 Algo me diz que sou justamente a pessoa quem voc\u00ea mais precisa ao seu lado agora, pequeno.<br \/>\n\u2003\u2003- Me solta! \u2013 rugiu o empurrando com viol\u00eancia at\u00edpica para longe de si \u2013 J\u00e1 me machucou com insultos e indiferen\u00e7a o suficiente. Estou farto da sua mudan\u00e7a de comportamento comigo. Afinal de contas, n\u00e3o passo de uma prostitutazinha barata, n\u00e3o \u00e9? A noite j\u00e1 est\u00e1 paga, ent\u00e3o pode ir embora daqui e nunca mais apare\u00e7a na minha frente.<br \/>\n\u2003\u2003Ali enxergou o que o antigo amante se esfor\u00e7ava com afinco para esconder \u2013 o terr\u00edvel sofrimento que o consumiu por anos e s\u00f3 diminuiu quando o Duque surgiu em sua vida.<br \/>\n\u2003\u2003Em sil\u00eancio e estagnado no lugar, o acompanhou pelo olhar at\u00e9 se sentar no sof\u00e1. Juntou as pernas se encolhendo no espa\u00e7o onde planejava permanecer at\u00e9 o pranto cessar.<br \/>\n\u2003\u2003- Por que ainda est\u00e1 aqui? \u2013 envergonhado pelo homem presenciar como desmoronava, repetiu a tentativa de expuls\u00e1-lo \u2013 Vai embora. N\u00e3o quero que me veja assim. Sai logo!<br \/>\n\u2003\u2003Damon n\u00e3o tinha energia para usar for\u00e7a f\u00edsica at\u00e9 o Duque passar pela porta, ent\u00e3o restou torcer para a solicita\u00e7\u00e3o ser acatada \u2013 e isso n\u00e3o aconteceria.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu n\u00e3o vou sair at\u00e9 me explicar como chegou no Moulin Rouge.<br \/>\n\u2003\u2003Desviando o olhar pela incapacidade de digerir como era encarado com compadecimento e algo cuja ousadia e o senso de preserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o o permitia cogitar, tampou a boca para silenciar os solu\u00e7os simultaneamente ao abaixar da cabe\u00e7a e ao contundente fechar de olhos.<br \/>\n\u2003\u2003Sebastian n\u00e3o suportava v\u00ea-lo daquela forma onde a fragilidade sobrepujava sua identidade doce, ent\u00e3o aproveitou a falta de contato visual para se achegar a fim de n\u00e3o ser impedido ou do outro se afastar de si. Parando na frente do ruivo, se agachou para fit\u00e1-lo sem obst\u00e1culos devido a t\u00edpica diferen\u00e7a de altura. Gentilmente segurou os pulsos e os abaixou constatando como n\u00e3o havia resist\u00eancia por parte da figura lastimosa \u2013 e nos minutos seguintes manteria o contato corporal.<br \/>\n\u2003\u2003- O que aconteceu contigo, hein? Conta para mim, pequeno.<br \/>\n\u2003\u2003- E do que adianta eu contar se voc\u00ea j\u00e1 tem uma concep\u00e7\u00e3o completamente distorcida sobre mim? \u2013 rebateu em um fio de voz.<br \/>\n\u2003\u2003- Adianta porque vou te compreender melhor. N\u00e3o vou insult\u00e1-lo e nem o atacar. Juro pela vida dos meus filhos. Se quiser, depois saio por essa porta e nunca mais procuro por voc\u00ea. S\u00f3 quero saber sobre o seu passado. Conversa comigo.<br \/>\n\u2003\u2003Gra\u00e7as ao clamor cheio de sinceridade, se encolheu mais ainda, desamparado e se sentindo constrangido por todas as feridas emocionais estarem expostas para o outro de maneira t\u00e3o visceral.<br \/>\n\u2003\u2003N\u00e3o percebeu como as digitais deslizaram em busca das do mais novo e nem como passou a acariciar a ponta dos dedos alheios. O rapaz n\u00e3o resistiu em observar o movimento \u2013 e se criticou por lhe trazer acalento se a raz\u00e3o do colapso emocional foi impulsionada pelas a\u00e7\u00f5es de Sebastian.<br \/>\n\u2003\u2003Se n\u00e3o fosse pela postura carinhosa, n\u00e3o contaria nada.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu n\u00e3o sou da cidade. \u2013 come\u00e7ou baixinho, lutando para soar compreens\u00edvel em meio a catarse intensa \u2013 Morava no interior com os meus pais. \u00c9ramos pobres. Nunca faltava nada em casa, mas tamb\u00e9m nunca sobrava. Pouco antes da minha m\u00e3e adoecer, conheci o Vito. Ele era muito amoroso e vivia viajando de trem porque trabalhava na cidade. Come\u00e7amos a nos envolver e n\u00e3o demorou para me apaixonar pela primeira vez. Infelizmente, minha m\u00e3e adoeceu depois de pegar uma chuva muito forte no inverno. N\u00e3o t\u00ednhamos recursos, ent\u00e3o deve ter passado pro meu pai e evoluiu para pneumonia. Acabei enterrando os dois em poucos meses. O Vito vivia me chamando para acompanh\u00e1-lo nas viagens e tentarmos uma vida aqui por haver maiores possibilidades de ganharmos dinheiro. Como fiquei sozinho sem a minha fam\u00edlia, achei que seria uma boa ideia acompanh\u00e1-lo. \u2013 o sorriso era amargurado \u2013 A pior decis\u00e3o da minha vida. Ele me deixou no escrit\u00f3rio de Zidler e saiu pelos fundos. Minutos mais tarde descobri que me vendeu para c\u00e1 pela minha ingenuidade, juventude, beleza e, segundo Zidler, represento uma pe\u00e7a rara com os meus atributos por n\u00e3o gostar de mulheres. Desde ent\u00e3o moro e trabalho aqui.<br \/>\n\u2003\u2003Por sustentar o contato visual, acompanhou a transforma\u00e7\u00e3o na fisionomia de Sebastian. Era claro como ficou chocado e desnorteado pelo relato.<br \/>\n\u2003\u2003- Como&#8230; \u2013 o Duque engoliu em seco \u2013 Como Satine surgiu?<br \/>\n\u2003\u2003- Sorte. O mundo \u00e9 pequeno demais. Zidler era amigo de inf\u00e2ncia dos meus pais. Quando minha m\u00e3e engravidou, Zidler decidiu tentar a vida na cidade. Foi o tempo de se organizar, juntar as economias, me conhecer rec\u00e9m-nascido e viajar. Sou extremamente parecido com ela, ent\u00e3o logo me reconheceu. Conversou comigo no particular e combinou que eu n\u00e3o precisava me vender noite p\u00f3s noite ao contr\u00e1rio das outras cortes\u00e3s se, em troca, eu trouxesse mais clientes. Apresentei a minha habilidade para cantar, Marie me ajudou com as roupas e a maquiagem. Voal\u00e1. Passei a me apresentar como Satine. \u2013 fez uma pausa ligeira e desviou o olhar para prosseguir diminuindo o volume \u2013 Eu tinha quinze anos na \u00e9poca. A \u00fanica coisa que eu tinha feito at\u00e9 ent\u00e3o era beijar os l\u00e1bios de Vito. N\u00e3o foram misericordiosos comigo nem quando me tiravam sangue. Eu n\u00e3o sabia nada e nem como funcionava. Minha vida se baseava em trabalhar para ajudar meus pais em casa. N\u00e3o sobrava tempo direito para viver e minhas amizades se baseavam na ind\u00fastria onde eu trabalhava. Havia s\u00f3 uma empresa t\u00eaxtil onde eu morava, logo n\u00e3o podia perder a oportunidade de emprego e tinha de mostrar servi\u00e7o para n\u00e3o ser despedido. N\u00e3o havia tempo para desenvolver amizades para elas me ajudarem a ser mais malicioso com as pessoas ou com qualquer tipo de proposta de emprego. \u2013 a forma como se justificava fazia Sebastian fechar as p\u00e1lpebras pesaroso \u2013 S\u00f3 aceitei a aproxima\u00e7\u00e3o de Dean porque demonstrou pena quando eu n\u00e3o conseguia sentar-se depois e caminhava devagar por causa da dor. Foi o Dean quem me instruiu sobre como eu precisava ser preparado antes de entrarem em mim.<br \/>\n\u2003\u2003A migra\u00e7\u00e3o do campo para a cidade era em consequ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, ent\u00e3o era comum camponeses irem para as grandes cidades em busca de melhores oportunidades e ofertas de trabalho \u2013 mesmo que o valor da m\u00e3o-de-obra fosse baix\u00edssimo.<br \/>\n\u2003\u2003- Ent\u00e3o por que o vi atendendo naquele dia?<br \/>\n\u2003\u2003- Zidler n\u00e3o opera esse lugar sozinho. Trabalha junto a Joseph Oller. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o indulgente quanto o amigo dos meus pais. Gra\u00e7as a fofoca das prostitutas por n\u00e3o tardarem a descobrir que eu n\u00e3o trabalhava, amea\u00e7ou me tirar daqui se eu n\u00e3o levasse dinheiro para quitar a minha d\u00edvida. A \u00fanica maneira de conseguir era me vendendo.<br \/>\n\u2003\u2003- Qual d\u00edvida?<br \/>\n\u2003\u2003- Os vestidos que uso s\u00e3o caros. Meus cal\u00e7ados s\u00e3o caros. Minhas bijuterias custam valor. N\u00e3o chega a ser t\u00e3o alto em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s outras pessoas porque, de vez em quando, Marie confecciona minhas roupas, assim como as dela e as dos nossos amigos. Mesmo assim \u00e9 imposs\u00edvel efetuar o pagamento. Se eu for embora serei assassinado, assim como j\u00e1 vi acontecendo com tr\u00eas meninas. N\u00e3o correrei o risco. N\u00e3o trabalho sempre. S\u00f3 algumas vezes ao longo da semana. Sou sozinho no mundo. N\u00e3o tenho outro lugar para morar al\u00e9m desse. Preciso de dinheiro para qualquer emerg\u00eancia al\u00e9m de quitar a d\u00edvida com Joseph e me recuso a aceitar os poucos trocados dos meus amigos. Os homens me procuram no per\u00edodo diurno em busca de se satisfazerem. Nunca pensam em mim. N\u00e3o passo de um corpo bonito com um buraco. S\u00f3 um se preocupou com o meu prazer e me mostrou como pode ser gostoso quando fa\u00e7o amor. O \u00fanico quem me fez amor comigo ao inv\u00e9s de me usar e demonstrou verdadeiro interesse por mim foi voc\u00ea, mas duvido que continue na minha vida depois dos \u00faltimos acontecimentos. Quem ficaria?<br \/>\n\u2003\u2003No decorrer do discurso observou as car\u00edcias das destras alheias com as suas. Os toques sutis o tranquilizavam ao ponto de a voz sair compreens\u00edvel, mas n\u00e3o menos estrangulada. N\u00e3o era corajoso o suficiente para observar as \u00edrises escuras do moreno. Temia detectar rep\u00fadio ou repulsa total \u2013 e n\u00e3o era mirado assim.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu fico.<br \/>\n\u2003\u2003Gra\u00e7as a frase o encarou assombrado com os olhos lacrimejantes.<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o mente para mim. \u2013 clamou se derramando em grossas l\u00e1grimas \u2013 N\u00e3o continue me enganando. Eu n\u00e3o mere\u00e7o isso.<br \/>\n\u2003\u2003Movido pelas emo\u00e7\u00f5es, Sebastian o pegou no colo. Coube perfeitamente no espa\u00e7o. O levou para a cama e o deitou com gentileza antes de se acomodar deitado ao seu lado. Necessitado do acalento o qual jamais seria negado pelo outro, se sentou no colo alheio e se aconchegou no peitoral largo. Sentiu as m\u00e3os \u00e1speras percorrendo as costas trazendo a sensa\u00e7\u00e3o de conforto t\u00e3o necess\u00e1ria naquelas circunst\u00e2ncias.<br \/>\n\u2003\u2003Permaneceram calados desse jeito por raz\u00f5es diferentes \u2013 Damon para se recuperar e Sebastian para digerir o terr\u00edvel relato e concluir como foi covarde ao ferir ainda mais a pessoa quem amava antes de tomar conhecimento completo da situa\u00e7\u00e3o justamente na fase em que ele redescobria a felicidade e havia decidido, por vontade pr\u00f3pria, vivenciar a experi\u00eancia do amor carnal e, consequentemente, descobrir o qu\u00e3o prazeroso poderia ser ao contr\u00e1rio da dor infligida at\u00e9 ent\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003Sebastian n\u00e3o conseguiria se perdoar pelo hediondo erro.<br \/>\n\u2003\u2003Aos poucos relaxou atrav\u00e9s do afeto assimilado em cada m\u00edsero gesto do moreno, quem resvalava as falanges pelas costas e espalhava beijinhos pela testa ou simplesmente ro\u00e7ava os l\u00e1bios pela regi\u00e3o para confort\u00e1-lo.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu posso resolver esse assunto para voc\u00ea e te tirar daqui. \u2013 contou em murm\u00fario carregado de ar, o h\u00e1lito quente colidindo contra a pele alva.<br \/>\n\u2003\u2003O risinho recebido perante a proposta era carregado de esc\u00e1rnio.<br \/>\n\u2003\u2003- D\u00favida, pequeno?<br \/>\n\u2003\u2003- Voc\u00ea s\u00f3 seria t\u00e3o imprudente se me amasse e n\u00e3o \u00e9 o caso.<br \/>\n\u2003\u2003Pela posi\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel para analisar a fei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o detectou como o desafio foi aceito sem tecer mais coment\u00e1rios.<br \/>\n\u2003\u2003- Se voc\u00ea tivesse uma casa sua, como seria? \u2013 enterrou os dedos nas ondas macias em agrad\u00e1vel cafun\u00e9 onde o ouviu soltar um gemido em agradecimento pelo cuidado de lhe proporcionar acalento em momento t\u00e3o delicado apesar das m\u00e1goas e das desaven\u00e7as nos \u00faltimos meses.<br \/>\n\u2003\u2003Antes de responder, se arrastou at\u00e9 enterrar a face no v\u00e3o entre o pesco\u00e7o e o ombro em encaixe caloroso.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu queria que fosse bonita e t\u00e3o acolhedora quanto estar assim contigo. \u2013 a meiga voz saiu abafada e novamente n\u00e3o viu o sorriso af\u00e1vel do mais velho ao ouvir a frase \u2013 N\u00e3o precisa ser grande. A imagino arejada gra\u00e7as a corrente de ar, com espa\u00e7o para transitar e uma sala onde eu pudesse receber meus amigos de vez em quando, inclusive a Bia.<br \/>\n\u2003\u2003- Ela n\u00e3o perderia uma \u00fanica oportunidade de te visitar. \u2013 beijou castamente o ombro abrindo as pernas para abrig\u00e1-lo melhor e apoiando os p\u00e9s descal\u00e7os no colch\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003- Meu quarto teria uma cama para abrigar a mim e ao homem quem amo onde eu poderia passar horas o ouvindo me chamar pelos meus apelidos favoritos, como beb\u00ea, amor ou meu pequeno. Teria uma espelheira bem bonita por ser pr\u00e1tica e trazer eleg\u00e2ncia pro ambiente. O sof\u00e1 seria grande o suficiente para gente se abrigar. Em algum lugar teria um jarro com \u00e1gua onde eu sempre colocaria buqu\u00eas de flores amarelas para trazer mais alegria. Dispensaria empregados pois gostaria de cuidar e organizar a nossa casa porque seria onde morar\u00edamos.<br \/>\n\u2003\u2003Sebastian o escutou guardando as m\u00ednimas informa\u00e7\u00f5es at\u00e9 Damon adormecer em seus bra\u00e7os.<br \/>\n\u2003\u2003Naquela noite espec\u00edfica n\u00e3o adormeceu. Refletiu sobre o relato e o impacto que tais acontecimentos inesperados trariam para algu\u00e9m t\u00e3o doce e amoroso como o rapaz, quem dormia ao seu lado.<br \/>\n\u2003\u2003Ao contr\u00e1rio do esperado, apesar de agir de maneira injusta por n\u00e3o saber a verdade de seu passado, mesmo inconsciente o ruivo o buscava ao menor sinal de movimento do outro. Se aninhava nele buscando pelo contato valioso e para sentir o calor emanado pelo corpo.<br \/>\n\u2003\u2003- Me perdoe, meu amor. \u2013 murmurou com o mais novo ressonando baixinho em seu peitoral, o pequeno bra\u00e7o circulando a lateral do tronco onde o puxava para si caso se afastasse \u2013 Eu vou te tirar desse lugar. Prometo.<\/p>\n<p>\u2003\u2003Damon acordou sozinho na cama pouco antes do in\u00edcio da tarde devido \u00e0 exaust\u00e3o emocional da madrugada.<br \/>\n\u2003\u2003Pensou que n\u00e3o veria Sebastian novamente, mas, ao subir no palco do teatro, se deparou com ele sentado no lugar costumeiro para assisti-lo \u2013 adorou identificar como foi fitado com admira\u00e7\u00e3o, embora houvesse irrevog\u00e1vel arrependimento e melancolia nos globos.<br \/>\n\u2003\u2003De noite, n\u00e3o demorou nem cinco minutos para Satine chegar ao quarto. Bateram na porta.<br \/>\n\u2003\u2003- Quem \u00e9? \u2013 sentada no colch\u00e3o, gritou tirando os saltos.<br \/>\n\u2003\u2003Arfou em al\u00edvio por se livrar do aperto desconfort\u00e1vel.<br \/>\n\u2003\u2003- Sou eu.<br \/>\n\u2003\u2003Seria imposs\u00edvel n\u00e3o reconhecer a voz de Sebastian.<br \/>\n\u2003\u2003Ao abrir a porta, o homem entrou de cabe\u00e7a baixa ap\u00f3s ela lhe dar espa\u00e7o para passar.<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o imaginei te ver de novo assim t\u00e3o cedo. \u2013 a fechou lentamente para tomar tempo de se recompor pelo reencontro \u2013 Por que n\u00e3o trouxe a sua chave?<br \/>\n\u2003\u2003- Na verdade eu trouxe, sim. \u2013 com as m\u00e3os nas costas se viraram para ela, quem estava encostada de bra\u00e7os cruzados na madeira.<br \/>\n\u2003\u2003- Ent\u00e3o por que n\u00e3o entrou? \u2013 franziu o cenho encolhendo os ombros.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu n\u00e3o sabia se aceitaria a minha visita.<br \/>\n\u2003\u2003Sebastian inseguro era uma peculiar novidade.<br \/>\n\u2003\u2003- Voc\u00ea n\u00e3o perdeu a minha permiss\u00e3o de entrar e sair do meu quarto livremente e nem de vir me procurar.<br \/>\n\u2003\u2003A esperan\u00e7a das coisas serem como antes das desaven\u00e7as perpassou no semblante moreno, quem pestanejou em respira\u00e7\u00e3o entrecortada.<br \/>\n\u2003\u2003Por sua vez, a cantora n\u00e3o esperava falar aquelas palavras e se julgou pelo seu n\u00edvel de sinceridade.<br \/>\n\u2003\u2003Satine n\u00e3o estava arisca ou raivosa. Apenas demonstrava certo n\u00edvel de sensibilidade incomum pelo embate da noite anterior. <em>Queria<\/em> voltar a toc\u00e1-lo ao inv\u00e9s de continuar naquele abismo estranho entre eles por efeito da discuss\u00e3o e de se machucarem, mas se recusava a tomar a iniciativa depois dos \u00faltimos meses.<br \/>\n\u2003\u2003O moreno limpou a garganta mudando de assunto.<br \/>\n\u2003\u2003- Trouxe o presente para voc\u00ea, beb\u00ea. Vem c\u00e1.<br \/>\n\u2003\u2003A vendo se aproximar, mostrou o que escondia nas costas \u2013 uma fina caixa preta de veludo. Ao abri-la, o queixo da artista caiu em virtude da riqueza do colar prata cravejado de brilhantes diamantes com desenho em V.<br \/>\n\u2003\u2003Pelo ar faltar nela, o Duque aproveitou para prosseguir.<br \/>\n\u2003\u2003- Tomei a liberdade de comprar esta pe\u00e7a ap\u00f3s minuciosa pesquisa sobre qual colar combinaria mais contigo. \u00c9 sua. Vamos. Deixe-me coloc\u00e1-lo em voc\u00ea.<br \/>\n\u2003\u2003Calada, ergueu o vestido para caminhar at\u00e9 parar de frente ao espelho, onde, pelo reflexo, o observou deixar a caixa de veludo em cima da cama e se posicionar atr\u00e1s de si com o colar aberto nas m\u00e3os. Para ajud\u00e1-lo, juntou os cabelos com uma m\u00e3o e os levantou. Assim, a j\u00f3ia foi posta nela em ato delicado, as digitais resvalando pela pele alva causando arrepios discretos. Ao alcan\u00e7ar o pesco\u00e7o, fechou os olhos por instantes para aproveitar o toque em puro deleite.<br \/>\n\u2003\u2003Sentia tanta saudade do seu Duque&#8230;<br \/>\n\u2003\u2003Com o cora\u00e7\u00e3o acelerado, soltou as madeixas em busca do olhar do moreno no espelho, quem repousou as palmas nos quadris. A press\u00e3o t\u00eanue mostrava como ainda a queria para si. Entretanto, assim como antes, a decis\u00e3o foi entregue novamente a ela \u2013 e o outro torcia para aceitar as visitas regulares e reatar o que vinham construindo.<br \/>\n\u2003\u2003- Presumo que ap\u00f3s a minha conduta indecorosa n\u00e3o me quer na sua vida e n\u00e3o tiro a sua raz\u00e3o. S\u00f3 me deixe ajud\u00e1-la em mem\u00f3ria do que vivemos.<br \/>\n\u2003\u2003Por encostar a cabe\u00e7a no peitoral firme, Sebastian considerou o ato como permiss\u00e3o para intensificar o carinho. Portanto, colou o corpo nela lhe transmitindo calor agrad\u00e1vel e enla\u00e7ou a cintura a abra\u00e7ando.<br \/>\n\u2003\u2003- Foi muito bonito. \u2013 murmurou saudosa, as l\u00e1grimas se formando.<br \/>\n\u2003\u2003- Foi, sim, minha pequena. Talvez n\u00e3o fiquemos mais juntos, mas isso n\u00e3o quer dizer que eu n\u00e3o possa continuar cuidando de voc\u00ea. \u2013 levou os l\u00e1bios at\u00e9 a t\u00eampora, onde deixou beijo casto \u2013 N\u00e3o est\u00e1 mais desamparada. N\u00e3o precisa se submeter a prostitui\u00e7\u00e3o nunca mais. Eu cuidarei de voc\u00ea. Sempre.<br \/>\n\u2003\u2003Resistindo a tenta\u00e7\u00e3o de passar mais uma noite ali, a soltou devagar e tocou a ponta do nariz alvo com o indicador em despedida \u2013 pelo menos era o plano.<br \/>\n\u2003\u2003Ates de chegar na porta, sua m\u00e3o foi segurada pela dela o impedindo de se retirar.<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00f3s dois nos machucamos o suficiente. \u2013 argumentou a loira em tom terno e compreensivo \u2013 N\u00e3o h\u00e1 necessidade de continuarmos nos infligindo dor por teimarmos com essa dist\u00e2ncia.<br \/>\n\u2003\u2003Quando se virou, notou como n\u00e3o era o \u00fanico quem lutava contra as l\u00e1grimas.<br \/>\n\u2003\u2003- <em>Me perdoa<\/em>. Eu deveria ter imaginado que acontecia algo de grave contigo. \u2013 engoliu em seco.<br \/>\n\u2003\u2003- E eu deveria ter contado. \u2013 deu mais um passo para os troncos se tocarem e circulou o pesco\u00e7o com os bra\u00e7os torneados e a face a cinco cent\u00edmetros de dist\u00e2ncia de prop\u00f3sito.<br \/>\n\u2003\u2003Automaticamente envolveu a fina cintura nas destras \u00e1speras em toque caracter\u00edstico e conhecido por ambos.<br \/>\n\u2003\u2003- Beb\u00ea, se eu&#8230;<br \/>\n\u2003\u2003- Chega de suposi\u00e7\u00f5es tolas.<br \/>\n\u2003\u2003O beijou \u00e1vida por v\u00e1rios minutos. Transmitiam sofreguid\u00e3o, amor, saudade, paix\u00e3o, perd\u00e3o e compreens\u00e3o, agora que a situa\u00e7\u00e3o estava esclarecida. Derramavam l\u00e1grimas deixando a m\u00e1goa se esvair como lembran\u00e7a de um epis\u00f3dio sombrio na rela\u00e7\u00e3o deles. Gemiam e solu\u00e7avam contra as bocas sem se desconectarem ansiosos por aquela uni\u00e3o desde o afastamento decidida de maneira impensada por Sebastian por n\u00e3o saber de todas as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias acerca do intuito de atender ao cliente.<br \/>\n\u2003\u2003Quando se deu por satisfeita, e foi delicioso o quanto isso demorou, o soltou abruptamente para abra\u00e7\u00e1-lo, quem se aninhou no pesco\u00e7o alheio. Intensificou o aperto por sentir o cheiro do perfume feminino o qual costumava usar.<br \/>\n\u2003\u2003- Fica aqui, meu amor. S\u00f3 porque nos machucamos dessa vez n\u00e3o significa que eu n\u00e3o o queira na minha vida. \u2013 Satine rogou \u2013 <em>Por favor<\/em>.<br \/>\n\u2003\u2003O solu\u00e7o masculino veio perante a frase por n\u00e3o esperar a s\u00faplica por parte dela.<br \/>\n\u2003\u2003- Me perdoe, minha pequena. Sinto muito pelo que aconteceu. Eu te amo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":96,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2521],"class_list":["post-10367","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-paixaoecrueldade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/10367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10367"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=10367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}