{"id":10277,"date":"2026-05-06T12:09:25","date_gmt":"2026-05-06T15:09:25","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2026-05-06T12:43:37","modified_gmt":"2026-05-06T15:43:37","slug":"capitulo-1","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/apenasumanoite\/capitulo-1\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 1"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u2003\u2003<span class=\"versalete\">Se falassem para Aquiles<\/span> na \u00e9poca dos 15 anos dele que chegaria o dia onde seria livre para ser quem era, sem precisar supervisionar a sua forma de andar, falar ou sequer de se movimentar, era capaz de desferir diversos socos no rosto da pessoa \u2014 n\u00e3o por ser uma fala errada ou porque era adepto \u00e0 viol\u00eancia, mas sim porque era o desejo mais profundo do seu cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o acreditava que poderia concretizar esse sonho.<br>\u2003\u2003Ali, no quarto de Augusto, estava bem longe de ser comparado com o jovem triste e abandonado na estrada pelo pai apenas com as vestes do corpo. Estava bem melhor, alegre e sendo aceito por aqueles que o rodeavam. N\u00e3o imaginava que poderia voltar a ser feliz \u2014 ou melhor, que o seria, de fato \u2014 e nem que se apaixonaria de novo. Nunca mais teve not\u00edcias de Marcos ou do paradeiro dele \u2014 o pai fez um \u00f3timo trabalho ao larg\u00e1-lo numa estrada deserta, de noite e sem ningu\u00e9m ao redor. E, principalmente, bastante longe do lugar que costumava chamar de casa.<br>\u2003\u2003Se bem que n\u00e3o passava disso. Casa. N\u00e3o lar. Lar era quando a pessoa era aceita, acolhida e amada pelos demais, independente dos seus trejeitos ou prefer\u00eancias sexuais e amorosas. Uma casa \u00e9 uma simples resid\u00eancia, sem nenhum teor afetivo. Agora, morando no Night Club, embora o prost\u00edbulo fosse seu ambiente de trabalho, era tamb\u00e9m o lugar mais pr\u00f3ximo que poderia chamar de lar por motivos \u00f3bvios.<br>\u2003\u2003Observava uma pilha de pap\u00e9is que encontrou em cima da escrivaninha de Augusto. Deitado na cama do capataz da fam\u00edlia Navarro, folheava as folhas brancas numa constata\u00e7\u00e3o que aqueceu o seu cora\u00e7\u00e3o e fez abrir um sorriso doce no rosto.<br>\u2003\u2003As aulas de alfabetiza\u00e7\u00e3o come\u00e7avam a dar frutos. O homem treinava a sua escrita \u2014 e isso comprovava o esfor\u00e7o pessoal para ser alfabetizado. As letras ainda eram tr\u00eamulas e desformes no come\u00e7o. \u00c0 medida que passava as p\u00e1ginas, elas se tornaram mais precisas e ele at\u00e9 mesmo se arriscara a formar algumas palavras simples como c\u00e9u, flor, campo, sol e noite. Nem todas tinham a escrita correta, o que fez Aquiles se atentar para iniciar os estudos da parte morfol\u00f3gica e f\u00f4nica da L\u00edngua Portuguesa.<br>\u2003\u2003O sorriso se tornou maior quando chegou a \u00faltima. &#8220;Aqiliz&#8221;. Embora escrito de maneira incorreta, era imposs\u00edvel n\u00e3o reconhecer o seu nome ali.<br>\u2003\u2003Quando ouviu o barulho da porta, juntou a papelada rapidamente e, antes de Augusto sair do banheiro, a colocou embaixo do seu corpo.<br>\u2003\u2003Avisava enquanto passava a toalha no cabelo \u00famido:<br>\u2003\u2003\u2014 Amigo, aqui n\u00e3o tenho luxo, n\u00e3o. A \u00e1gua \u00e9 fria, mesmo&#8230;<br>\u2003\u2003Quando o menor o viu s\u00f3 com uma boxer preta e uma larga regata branca, imediatamente sentiu o membro dar sinais de vida dentro do short. Claro que j\u00e1 o vira assim, mas era a primeira vez que o homem estava \u00e0 vontade na sua presen\u00e7a com as habituais roupas de dormir.<br>\u2003\u2003\u2014 O que qui oc\u00ea est\u00e1 aprontando a\u00ed? \u2014 perguntou desconfiado com o sotaque interiorano carregado, ap\u00f3s ver os olhos arregalados do outro.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu?<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9, formosura. Oc\u00ea.<br>\u2003\u2003Prendeu o riso para evitar demonstrar satisfa\u00e7\u00e3o naquele apelido recebido dois meses depois de conversarem.<br>\u2003\u2003Augusto n\u00e3o chamava mais ningu\u00e9m daquela forma.<br>\u2003\u2003\u2014 Est\u00e1 enganado. \u00c9 incr\u00edvel como depois desse tempo voc\u00ea duvide da minha \u00edndole assim. Olhe bem para esse rostinho puro e para as profundezas desses olhos inocentes de cores verdes. \u2014 Apoiou os cotovelos no colch\u00e3o e colocou as duas m\u00e3os ao lado das bochechas. \u2014 Acha mesmo que estou aprontando algo? \u2014 Come\u00e7ou a balan\u00e7ar as pernas no ar, aumentando ainda mais a imagem de inoc\u00eancia e travessura.<br>\u2003\u2003\u2014 Tenho certeza.<br>\u2003\u2003\u2014 Hum. \u2014 Deixou as pernas ca\u00edrem no colch\u00e3o e projetou o l\u00e1bio inferior pra frente. \u2014 Voc\u00ea n\u00e3o deixa passar uma.<br>\u2003\u2003Retirou as folhas debaixo de si.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o sabia dessa sua evolu\u00e7\u00e3o na escrita. \u2014 Mostrou as folhas com as palavras formadas. \u2014 Todo tempo que estive aqui voc\u00ea apresentava muita dificuldade em manusear o l\u00e1pis.<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9 que o l\u00e1pis d\u00f3i o punho. N\u00e9 f\u00e1cil usar aquilo, n\u00e3o, mas eu n\u00e3o desisto das coisas f\u00e1cil. N\u00e3o posso ficar reclamando n\u00e3o, n\u00e9? A\u00ed continuei.<br>\u2003\u2003\u2014 A sua persist\u00eancia \u00e9 admir\u00e1vel. Agora, me explica uma coisa. \u2014 Levantou da cama, levando uma \u00fanica folha na m\u00e3o, virada de modo que Augusto n\u00e3o pudesse ver qual era. \u2014 Por que ontem a sua letra sa\u00eda ainda sem forma? Pelo que vi, est\u00e1 bem melhor. Ouso dizer que isso j\u00e1 tem um tempinho.<br>\u2003\u2003V\u00ea-lo se aproximando lentamente fez o capataz ficar nervoso \u2014 n\u00e3o pela proximidade, mas sim pelo andamento da conversa.<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9 que n\u00e3o quero que as aula acabe. \u2014 Co\u00e7ou a barba sem jeito e completou num murm\u00fario. \u2014 \u00c9 que eu gosto da sua companhia. Num quero que pare de vir aqui no meu quartim ficar comigo.<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9 por isso que escreveu o meu nome? \u2014 Levantou a folha na altura do peito, a segurando nas extremidades.<br>\u2003\u2003Balan\u00e7ou a cabe\u00e7a em afirma\u00e7\u00e3o, t\u00edmido.<br>\u2003\u2003O gar\u00e7om depositou a folha branca no colch\u00e3o e se voltou para o amado.<br>\u2003\u2003\u2014 Esse sentimento que carrega por mim aqui. \u2014 Tocou a regata do moreno na altura onde ficava o cora\u00e7\u00e3o. \u2014 \u00c9 forte, n\u00e3o \u00e9?<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9. Muito. \u2014 Envolveu a pequena m\u00e3o na sua de maneira hesitante, como se estivesse lutando contra todas as cren\u00e7as limitantes que o algemavam. \u2014 Pro isso n\u00e3o consegui te deixar ir embora e fiz aquela loucura.<br>\u2003\u2003Quando descobriu que o rapaz iria para a cidade a fim de tentar a vida num lugar com maiores possibilidades, n\u00e3o permitiu de a viagem acontecer.<br>\u2003\u2003Invadiu o \u00f4nibus o tirando de l\u00e1 em um ato desesperado \u2014 e ningu\u00e9m iria erguer a voz contra o conhecido capataz da fam\u00edlia Navarro, inclusive por carregar uma arma em punho.<br>\u2003\u2003\u2014 Oc\u00ea vai ficar aqui comigo, amigo \u2014 resmungou dentro da carruagem, satisfeito pelo loiro estar sentado ao seu lado. \u2014 Oc\u00ea num tem de ir pra longe de mim, n\u00e3o. Oc\u00ea \u00e9 meu e n\u00e3o h\u00e1 demoin nenhum nessa terra que v\u00e1 tirar oc\u00ea de mim.<br>\u2003\u2003O discurso poderia ser considerado bizarro, entretanto, apesar do toque de brutalidade nas palavras, aquilo foi o mais perto de uma declara\u00e7\u00e3o que Augusto proferiu para o rapaz \u2014 e o loiro n\u00e3o poderia ficar mais feliz.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu estava pronto pra ir, Augusto. Mas&#8230; Pra ser sincero? N\u00e3o queria, n\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o?<br>\u2003\u2003Segurou Aquiles pela cintura com as duas m\u00e3os e o puxou para mais perto de si.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o. Eu&#8230; \u2014 Tocou no rosto dele e se alegrou por Augusto n\u00e3o se afastar. \u2014 No fundo n\u00e3o quero ficar longe de voc\u00ea. \u2014 Deslizou os dedos pelo musculoso ombro, pousando-os ali.<br>\u2003\u2003\u2014 Formosura&#8230;<br>\u2003\u2003Augusto encostou a testa na dele com delicadeza. Aquiles fechou os olhos, aproveitando o momento t\u00e3o \u00edntimo e carregado de carinho \u2014 carinho esse que ansiava receber do homem por quem se apaixonara.<br>\u2003\u2003Os rostos estavam t\u00e3o perto que era imposs\u00edvel pro capataz n\u00e3o sentir a respira\u00e7\u00e3o do menor na sua pele, cuja diferen\u00e7a de altura fazia os fios loiros claros ro\u00e7arem no pesco\u00e7o barbudo. O olhar se fixou nos l\u00e1bios rosados e carnudos que era t\u00e3o \u00e1vido para sentir a textura e o sabor. Entreabertos, pareciam convidativos. Convidativos at\u00e9 demais. Por isso foi em dire\u00e7\u00e3o a eles devagar, quebrando a dist\u00e2ncia aos poucos. O gar\u00e7om se controlava ao m\u00e1ximo para n\u00e3o o puxar de uma vez em sua dire\u00e7\u00e3o. Sabia que era Augusto quem deveria dar os primeiros passos, chegar cada vez mais perto e ser o primeiro a tocar tamb\u00e9m. N\u00e3o podia pression\u00e1-lo para ele n\u00e3o fugir.<br>\u2003\u2003\u2014 Formosura.<br>\u2003\u2003No \u00faltimo cent\u00edmetro, mudou de ideia e se contentou em pux\u00e1-lo pela fina cintura at\u00e9 sentir todo o corpo contra o seu. Coxas, p\u00e9lvis, barrigas e peitos se tocavam, o que provocou um delicioso arrepio nos bra\u00e7os do menor \u2014 o que jamais passaria despercebido pelo outro. Enterrou a cabe\u00e7a no pesco\u00e7o do respons\u00e1vel pelos seus sonhos carregados de desejo incompreendido e sentimento reprimido. Dessa vez n\u00e3o conseguiu se contentar e ro\u00e7ou os l\u00e1bios na pele macia. N\u00e3o notou quando aquele simples ro\u00e7ar se transformou em pequenos beijos. O perfume de Aquiles e o toque do amado o incentivaram a prosseguir. Apenas tomou ci\u00eancia quando os bra\u00e7os de Aquiles o envolveram num abra\u00e7o e uma das m\u00e3os o segurou pelos cabelos com leveza.<br>\u2003\u2003Era imposs\u00edvel Augusto n\u00e3o sentir o membro duro de Aquiles. O tecido do short lil\u00e1s era leve demais, ent\u00e3o Aquiles sentiu, inicialmente, medo disso afastar o outro dele. Quase agradeceu ao notar que n\u00e3o foi o caso. Quantas vezes esperou uma entrega de Augusto como aquela e, agora que finalmente acontecia, tinha que se segurar para n\u00e3o o levar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cama. Sabia que n\u00e3o era inteligente pression\u00e1-lo. Poderia fugir pra longe do gar\u00e7om \u2014 e n\u00e3o seria a primeira vez. Por\u00e9m&#8230; Ali, ambos sozinhos, no quarto onde ele descansava, era a brecha para se deixar guiar pelas suas verdadeiras vontades e desejos.<br>\u2003\u2003Aquiles mordia os l\u00e1bios para nenhum som escapar entre eles. Os toques de Augusto esquentaram todo o seu corpo, principalmente na regi\u00e3o onde os beijos eram depositados \u2014 o ponto fraco do menor, diga-se de passagem. De olhos fechados, o cenho franzido e as m\u00e3os apertando Augusto era a vis\u00e3o perfeita de quem se entregava por completo ao prazer. Queria estar sem aquela blusa para sentir melhor o peitoral daquele homem que j\u00e1 sabia o qu\u00e3o musculoso era nas poucas vezes que o viu quase ou sem nenhuma roupa para cobrir a nudez.<br>\u2003\u2003Se segurou ao m\u00e1ximo para evitar soltar um gemido quando sentiu a l\u00edngua dele acariciando a regi\u00e3o. Sem perceber, cravou as unhas nas costas de Augusto, o que o fez tamb\u00e9m grunhir em resposta, al\u00e9m de segurar na bunda firme de Aquiles em sinal de possessividade e esfregar ainda mais o quadril de Aquiles contra o seu. E ap\u00f3s sentir o que sentiu \u2014 tanto pelo tamanho quanto pela grossura \u2014, aquele que recebia as car\u00edcias soltou um pequeno gemido.<br>\u2003\u2003Para o seu descontentamento, Augusto se afastou ao ouvir o som agudo. Ao encar\u00e1-lo recebeu um olhar assustado, apesar de ainda conter desejos e sentimentos ali ainda n\u00e3o totalmente externalizados \u2014 at\u00e9 ent\u00e3o.<br>\u2003\u2003Quando Aquiles viu o volume na boxer, quase amaldi\u00e7oou a regata branca por ser longa o bastante para esconder a cabe\u00e7a daquilo que ele tinha certeza que estaria a mostra se n\u00e3o fosse ela.<br>\u2003\u2003\u2014 Augusto&#8230; \u2014 arfou e precisou se segurar na mesa atr\u00e1s de si para manter o equil\u00edbrio.<br>\u2003\u2003Passando as m\u00e3os nos negros cabelos lisos, Augusto foi at\u00e9 o arm\u00e1rio, de onde tirou uma toalha azul marinho e algumas roupas pu\u00eddas.<br>\u2003\u2003\u2014 Aqui, formosura. Vai, vai tomar banho. Pode levar o tempo que quiser qui eu num ligo, n\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o quer terminar o que come\u00e7amos, n\u00e3o?<br>\u2003\u2003\u2014 Querer eu quero. S\u00f3 n\u00e3o sei se posso. Quero oc\u00ea. Demais, mas&#8230; N\u00e3o sei se \u00e9 certo.<br>\u2003\u2003De cabe\u00e7a baixa, Aquiles suspirou fundo antes de quebrar a dist\u00e2ncia entre eles. Pegou as pe\u00e7as e as colocou em cima da cadeira ao seu lado.<br>\u2003\u2003\u2014 Augusto&#8230; Hoje estamos aqui. Sozinhos. Ningu\u00e9m vai nos ver. \u2014 Tocou as pontas dos dedos dele. \u2014 Por que n\u00e3o podemos aproveitar isso? \u2014 Entrela\u00e7ou os dedos de leve. \u2014 Esse sentimento \u00e9 t\u00e3o bonito. Fica s\u00f3 entre a gente o que acontecer aqui. Tudo bem?<br>\u2003\u2003Longos segundos se passaram enquanto lutava contra si at\u00e9 decidir qual era a melhor resposta. Por fim, segurou a nuca alva e deu um beijo na testa como resposta, pele bronzeada pela exposi\u00e7\u00e3o no labor do campo e pele alva pelos estabelecimentos onde costumava frequentar formando um belo contraste.<br>\u2003\u2003\u2014 T\u00e1. T\u00e1 bem, sim, meu Aquiles. S\u00f3 meu.<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Augusto era um homem simples e foi criado para trabalhar, ganhar dinheiro pelo seu trabalho bra\u00e7al e obedecer a ordens. E todos esses fatores giravam em torno de um homem: Osmar Navarro.<br>\u2003\u2003A vida de Augusto estava longe de ser f\u00e1cil. Para o que lhe era exigido recebia apenas o suficiente. O suficiente para comer, para vestir, para pensar e para obedecer. N\u00e3o foi criado para questionar ou, Deus lhe protegesse caso chegasse a tal atrevimento, questionar as ordens do seu patr\u00e3o.<br>\u2003\u2003Morou com o pai at\u00e9 os dez anos. Anos esses que sofreu na pele os custos da pobreza e da ignor\u00e2ncia. O senhor Neves era um tradicional pe\u00e3o do interior. Grosso, de modos brutos e sem sentimentalismos. N\u00e3o demonstrava afeto e educava seu filho para que assim o fosse. O repreendia ao menor sinal de fraqueza, mesmo que fosse apenas chorar por cortar o dedo ou ralar o joelho.<br>\u2003\u2003<em>&#8220;Homem n\u00e3o tem que chorar igual mulherzinha. Choro foi feito pra mui\u00e9! Oc\u00ea tem que ser macho, garoto! Quer ser motivo de chacota pra essa pe\u00e3ozada? Ent\u00e3o engole esse choro e aprenda a ser macho.&#8221;<\/em><br>\u2003\u2003Assim Augusto foi moldado pela sociedade que o cercava. L\u00e1grimas? Para ele, eram destinadas \u00e0s mulheres e \u00e0s crian\u00e7as por serem mais fracas. Homens, n\u00e3o. Homens deveriam passar por cima de tudo e de todos para alcan\u00e7ar seus objetivos e provarem sua macheza impondo suas vontades por meio da viol\u00eancia e da agressividade, se fosse o caso.<br>\u2003\u2003Embora n\u00e3o tivesse instru\u00e7\u00e3o, algumas coisas ele aprendeu com a vida. Sua m\u00e3e era uma mulher simples, por\u00e9m de cora\u00e7\u00e3o bondoso. Estudou apenas at\u00e9 os sete anos, ent\u00e3o sabia ler e escrever na medida do poss\u00edvel. Por\u00e9m, quando o marido estava de mau-humor, descontava nela. E num desses acessos de \u00f3dio, o senhor Neves teve um ataque do cora\u00e7\u00e3o \u2014 at\u00e9 porque n\u00e3o cuidava da sa\u00fade \u2014 e morreu logo em seguida. Ent\u00e3o o menino, que mal tinha tempo para se divertir, teve de tomar o lugar do pai no emprego e ir trabalhar junto aos pe\u00f5es.<br>\u2003\u2003A m\u00e3e decidiu se mudar para a cidade vizinha \u00e0 medida que o envelhecimento se tornava mais aparente e a sa\u00fade exigia mais cuidados. Encontrou abrigo na casa de uma irm\u00e3, onde chegava dinheiro todo m\u00eas, enviado pelo filho. Estando sozinho, sem amigos e sem fam\u00edlia, precisava de uma figura paterna para admirar e depositar seus sonhos. E essa figura n\u00e3o demorou a surgir. Osmar Navarro, com toda sua impon\u00eancia, autoridade e for\u00e7a, era tudo o que Augusto desejava ser um dia \u2014 um verdadeiro homem respeit\u00e1vel.<br>\u2003\u2003Todos esses conceitos iam bem at\u00e9 conhecer Aquiles. E foi onde, pela primeira vez na vida, conheceu o que seria o amor. E \u00e9 claro que isso o desmontou completamente. Nunca sentira esse sentimento por algu\u00e9m, portanto vivia num conflito interno h\u00e1 meses desde que, aos poucos, permitiu que aquela formosura entrasse na sua vida.<br>\u2003\u2003Foi esse amor que o fez entrar na sua caminhonete armado e buscar o cantor aos tiros. Por outro lado, foram os dogmas impostos que o fizeram ir at\u00e9 o banheiro para fechar a porta. Afinal, Aquiles havia entrado para tomar banho e havia avisado para ele que a porta precisava ser trancada, do contr\u00e1rio, abriria sozinha.<br>\u2003\u2003Enquanto a fechava, olhou para frente. Na sua concep\u00e7\u00e3o os desejos que sentia pelo outro eram errados, mas foi imposs\u00edvel n\u00e3o se manifestarem quando o viu no box.<br>\u2003\u2003Estava de costas e a \u00e1gua ca\u00eda-lhe sobre a pele alva. Terminava de lavar os \u00faltimos resqu\u00edcios de espuma dos cabelos distra\u00eddo enquanto cantarolava baixinho uma can\u00e7\u00e3o lenta. As costas eram convidativas e aquela cena t\u00e3o \u00edntima fez Augusto se segurar na madeira para n\u00e3o adentrar e se juntar ao amigo. Desceu os olhos devagar, apreciando o momento. A cintura levemente mais fina fez a sua m\u00e3o co\u00e7ar com saudade se perguntando qual seria a textura da regi\u00e3o nua e molhada contra a sua palma \u00e1spera. Quando abaixou ainda mais o olhar&#8230; N\u00e3o poderia ter uma vis\u00e3o mais bonita. A bunda de Aquiles era lisa, redonda e protuberante \u2014 completamente proporcional ao seu tamanho.<br>\u2003\u2003Augusto adoraria toc\u00e1-lo ali, debaixo do chuveiro. Tirar as pr\u00f3prias roupas e fazer o que mais ansiava \u2014 e a protuber\u00e2ncia entre as pernas era um sinal claro da sua vol\u00fapia. Precisou se esfor\u00e7ar para finalmente encostar a porta e se afastar dali.<br>\u2003\u2003Quando Aquiles saiu do banho, usava a camiseta cinza de Augusto. O que deveria esconder apenas o tronco se estendeu at\u00e9 o meio das coxas pela diferen\u00e7a de tamanho. Quanto a roupa \u00edntima&#8230; Bem, o gar\u00e7om estava longe de ter propor\u00e7\u00f5es pequenas, mas, comparado ao capataz, era menor. Ent\u00e3o n\u00e3o tinha mais nenhuma pe\u00e7a para esconder a nudez \u2014 o que n\u00e3o era um problema.<br>\u2003\u2003Encontrou Augusto deitado na cama, com as m\u00e3os cruzadas sob a cabe\u00e7a.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu disse que caberia noc\u00ea \u2014 comentou num meio sorriso, apoiando os cotovelos no colch\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2014 S\u00f3 ficou um pouco grande em mim, mas n\u00e3o tem problema, n\u00e3o. \u2014 O rosto alegre transmitia leveza. \u2014 Est\u00e1 bonitinho em mim, n\u00e3o \u00e9? \u2014 Balan\u00e7ava o quadril de um lado pro outro, num misto de humor e inoc\u00eancia.<br>\u2003\u2003\u2014 Tudo cai bem noc\u00ea. Eu \u00e9 que num sei me vestir e s\u00f3 tenho roupa pra trabalhar. Nem bonito s\u00f4.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o fala assim. \u2014 Se ajoelhou ao lado da cama, de frente pra ele. \u2014 Voc\u00ea s\u00f3 n\u00e3o foi ensinado a se arrumar. As suas preocupa\u00e7\u00f5es v\u00e3o muito al\u00e9m da vestimenta, que torna o assunto at\u00e9 superficial. E est\u00e1 longe de ser feio. \u00c9 um homem bem atraente.<br>\u2003\u2003\u2014 Oc\u00ea s\u00f3 fala isso por ser meu amigo. \u2014 A voz tinha um tom melanc\u00f3lico, como se o tema trouxesse lembran\u00e7as dolorosas.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea \u00e9 importante pra mim o suficiente pra eu n\u00e3o mentir pra voc\u00ea. \u2014 O segurou no pulso. \u2014 Vem, levanta. Quero mostrar uma coisa.<br>\u2003\u2003O menor o colocou em frente ao espelho da porta do arm\u00e1rio, onde poderia se ver de corpo inteiro.<br>\u2003\u2003\u2014 O que v\u00ea no reflexo? \u2014 indagou, fora do campo de vis\u00e3o, de modo que a sua imagem n\u00e3o refletisse.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu vejo eu.<br>\u2003\u2003\u2014 E quem \u00e9 voc\u00ea?<br>\u2003\u2003A pergunta o deixou desconfort\u00e1vel. Nunca o haviam questionado sobre a sua personalidade \u2014 e n\u00e3o gostava de citar as caracter\u00edsticas.<br>\u2003\u2003\u2014 Um imbecil ingnorante, como o patr\u00e3o me chama. Meio feinho, int\u00e9. N\u00e3o d\u00e1 pra confiar proque n\u00e3o sabe fazer nada direito. E burro. Quem num faz nada direito \u00e9 burra, n\u00e9? \u2014 Encolheu os ombros em sinal de abatimento.<br>\u2003\u2003A resposta partiu o cora\u00e7\u00e3o do gar\u00e7om. Descobrir que a imagem de Augusto sobre si n\u00e3o tinha um pingo de amor pr\u00f3prio o ajudou a compreender o motivo dele se desmerecer tanto. N\u00e3o duvidava que tivesse tido acesso ao m\u00ednimo para sobreviver \u2014 casa, comida, \u00e1gua e roupas. Mas o que poderia ajud\u00e1-lo a construir algo de melhor com aquilo que lhe foi entregue, sem sombras de d\u00favidas, sequer teve a oportunidade de Augusto ter contato \u2014 amor pr\u00f3prio, senso de &#8220;eu&#8221;, afeto e educa\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003De bra\u00e7os cruzados, procurou afastar as l\u00e1grimas que teimavam em se formar e disse, numa voz doce:<br>\u2003\u2003\u2014 Sabe o que eu vejo? \u2014 Aproximou-se, ficando ao lado dele. \u2014 Um homem rude e bruto porque precisou se endurecer emocionalmente, j\u00e1 que a sociedade ao redor o exigia ser assim. Uma pessoa esfor\u00e7ada e trabalhadora, que faz o seu melhor para manter o emprego. Algu\u00e9m atencioso. Do contr\u00e1rio, n\u00e3o enviaria dinheiro para a m\u00e3e, que mora em outra cidade. \u2014 Come\u00e7ou a percorrer os bra\u00e7os dele com as pontas dos dedos. \u2014 Um homem alto e de corpo atraente devido aos m\u00fasculos desenvolvidos no trabalho. \u2014 Passou por detr\u00e1s de Augusto, devagar, depositando leves beijos pelas costas largas e descansando as m\u00e3os no firme quadril. \u2014 Um ser humano de olhos profundos que escondem as emo\u00e7\u00f5es, e de cabelo liso que contrasta com essa imagem forte e traz um toque de leveza. \u00c9 assim como o vejo, querido.<br>\u2003\u2003Era a primeira vez que Augusto era descrito com tamanha bondade. N\u00e3o estava acostumado a isso, mas sim aos gritos, mandos, desmandos e \u00e0s ofensas. A \u00faltima vez que recebeu uma palavra de carinho foi na inf\u00e2ncia, e mesmo assim, da m\u00e3e. A constata\u00e7\u00e3o trouxe um n\u00f3 na garganta pelos sentimentos que o outro lhe despertou com as palavras. Era bom ser tratado com gentileza \u2014 ben\u00e7\u00e3o que a vida n\u00e3o lhe entregou.<br>\u2003\u2003\u2014 Pode n\u00e3o ter recebido muito amor nessa vida, Gusta \u2014 finalizou Aquiles, virando o rosto do capataz de encontro ao seu pelo queixo \u2014, mas, se permitir, eu posso te proporcionar isso.<br>\u2003\u2003O sil\u00eancio entre ambos se instaurou. A maneira de Augusto mostrar seus sentimentos era, de forma inconsciente, se remexer, como se houvesse uma energia circulando pelo seu corpo e a maneira do organismo dissip\u00e1-la era o c\u00e9rebro mandando informa\u00e7\u00f5es para que as articula\u00e7\u00f5es n\u00e3o ficassem paradas.<br>\u2003\u2003Naquele momento ele era a perfeita imagem de quem n\u00e3o sabia lidar com suas emo\u00e7\u00f5es e sentimentos. O n\u00f3 na garganta aumentou, os olhos marejaram \u2014 embora nenhuma l\u00e1grima tenha descido \u2014 e a respira\u00e7\u00e3o se tornou pesada. Lutava com todas as for\u00e7as para n\u00e3o expressar o que carregava no \u00edntimo \u2014 o forte abalo que o amigo lhe gerou com as palavras. Foi ensinado aos gritos que homem n\u00e3o podia demonstrar fragilidade e nem o ser. Aquilo era o resultado dessa aprendizagem.<br>\u2003\u2003Vendo-o naquele estado, sussurrou, segurando o rosto com as destras:<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea est\u00e1 seguro comigo. O que houve? Pode contar pra mim.<br>\u2003\u2003As palavras sa\u00edram roucas pela voz embargada:<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9 que eu n\u00e3o sei como reagir.<br>\u2003\u2003O menor secou com delicadeza uma l\u00e1grima solit\u00e1ria que teimou em descer pelo rosto bronzeado.<br>\u2003\u2003\u2014 O que quer fazer?<br>\u2003\u2003\u2014 Abra\u00e7ar oc\u00ea.<br>\u2003\u2003\u2014 Pode abra\u00e7ar.<br>\u2003\u2003\u2014 Posso, mesmo? \u2014 Soou como uma crian\u00e7a pedindo colo.<br>\u2003\u2003\u2014 Sim.<br>\u2003\u2003O pe\u00e3o envolveu os bra\u00e7os ao redor do amigo numa urg\u00eancia que fez Aquiles arfar quando o rosto encontrou o peitoral musculoso. Sentia o cora\u00e7\u00e3o dele batendo forte contra o peito e tamb\u00e9m que as armaduras postas ao redor do homem amado ca\u00edam aos poucos naquela noite, uma por uma.<br>\u2003\u2003Ap\u00f3s longos minutos ali, onde Augusto se permitia demonstrar a sua fragilidade emocional perante a \u00fanica pessoa que realmente se importava com ele sem desejar nada em troca, o segurou de surpresa pelas coxas e o ergueu at\u00e9 ficar em seu colo, as pernas circulando a cintura.<br>\u2003\u2003Aos risos, reclamou:<br>\u2003\u2003\u2014 Me avisa quando for me levantar pra me segurar melhor.<br>\u2003\u2003A face marcada pelo labor demonstrou confus\u00e3o e um toque de mal\u00edcia quando sentiu que o outro n\u00e3o usava nada por debaixo da camisa cinza.<br>\u2003\u2003\u2014 Formosura&#8230; Oc\u00ea num deixa de ser safada, n\u00e9, dona Augusta? \u2014 Ro\u00e7ou o dedo na bunda empinada que sempre quis tocar.<br>\u2003\u2003A cent\u00edmetros do rosto do outro, respondeu, acariciando a barba:<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9 s\u00f3 o meu jeitinho de ser e \u00e9 o que deixa tudo mais interessante. \u2014 Se aproximou at\u00e9 as bochechas se encostarem e poder sussurrar numa confid\u00eancia \u00edntima em sua orelha: \u2014 At\u00e9 parece que n\u00e3o gostou de me ver tomando banho. Achou mesmo que esqueci de trancar a porta como me explicou? \u2014 Mordiscou o l\u00f3bulo.<br>\u2003\u2003\u2014 Oc\u00ea gosta de me atanazar as ideia, n\u00e9? \u2014 Sentou na cama apoiando as costas na cabeceira de madeira para ficar mais confort\u00e1vel e sentir melhor Aquiles no seu corpo.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu sei que voc\u00ea adora isso. \u2014 Mudou o tom de voz, se tornando mais s\u00e9rio. \u2014 Augusto, eu n\u00e3o vou fazer nada que n\u00e3o queira. A minha vontade \u00e9 de aproveitar essa noite da melhor forma, mesmo que a gente s\u00f3 continue assim, abra\u00e7ado. Mas&#8230; Seja sincero. Pra voc\u00ea isso \u00e9 suficiente?<br>\u2003\u2003\u2014 A verdade, memo?<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9.<br>\u2003\u2003Balan\u00e7ou a cabe\u00e7a em sinal negativo.<br>\u2003\u2003N\u00e3o queria dar pauta para o tema, mas nunca havia tido essa troca de afeto com algu\u00e9m antes. Aquiles foi o primeiro a lhe tocar as m\u00e3os, abra\u00e7ar, beijar o rosto e acariciar a pele como demonstra\u00e7\u00e3o genu\u00edna de carinho. Da outra vez, quando ainda era um garoto que come\u00e7ava a ganhar corpo de homem, n\u00e3o foi assim. N\u00e3o havia vontade da parte dele, apenas rea\u00e7\u00f5es f\u00edsicas de um corpo cheio de horm\u00f4nios juvenis que se excitava com facilidade. A mulher sequer lhe despertava interesse. Foi apenas para afirmar a sua macheza e se transformar num homem em todos os sentidos da palavra perante aqueles que o cercavam e pressionavam para isso.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu queria que fosse suficiente, ma num \u00e9. Tenho vontade de fazer outras cousa. \u2014 Deslizou a m\u00e3o \u00e1spera at\u00e9 alcan\u00e7ar a face do outro e sentir o l\u00e1bio carnudo contra o dedo indicador. \u2014 Cousa essa que eu me seguro pra n\u00e3o fazer com oc\u00ea porque&#8230;<br>\u2003\u2003Perdeu a linha de racioc\u00ednio quando o gar\u00e7om abriu o maxilar para colocar o dedo grosso dentro da boca. A vis\u00e3o junto com a sensa\u00e7\u00e3o da l\u00edngua macia de Aquiles fez o sangue esquentar e se direcionar para um ponto espec\u00edfico entre as pernas.<br>\u2003\u2003Foi imposs\u00edvel Aquiles n\u00e3o sentir que algo crescera ali, tornando-se r\u00edgido e aumentando de volume. Despretensioso, mas n\u00e3o t\u00e3o despretensiosamente assim, remexeu os quadris, como se buscasse se acomodar melhor no pequeno espa\u00e7o. Como resposta, um bra\u00e7o lhe envolveu a cintura e as narinas de Augusto se dilataram enquanto o queixo ca\u00eda de leve em rea\u00e7\u00e3o ao prazer reprimido. Foi o sinal que Aquiles aguardava e lhe encheu de coragem para dar o pr\u00f3ximo passo.<br>\u2003\u2003\u2014 Augusto&#8230; \u2014 Engoliu em seco para afastar a apreens\u00e3o. \u2014 Antes de ser homem, voc\u00ea \u00e9 um ser humano. \u2014 O olhar era t\u00e3o intenso que o capataz n\u00e3o quis desviar a aten\u00e7\u00e3o dele nem um segundo sequer, quase hipnotizado. \u2014 Assim como todo e qualquer ser humano tem sentimentos e desejos. \u2014 O cora\u00e7\u00e3o acelerado do menor, e as extremidades tr\u00eamulas denotavam ansiedade e nervosismo. \u2014 Mais importante do que \u00e9 considerado certo ou errado, a pergunta mais relevante \u00e9: O que voc\u00ea quer fazer agora?<br>\u2003\u2003\u2014 Eu&#8230; \u2014 murmurou, quebrando a pequena dist\u00e2ncia que os separava. \u2014 Eu quero&#8230;<br>\u2003\u2003Aquiles n\u00e3o se moveu um cent\u00edmetro. De p\u00e1lpebras baixas e os l\u00e1bios entreabertos, aguardava o toque do homem que lhe arrancava suspiros.<br>\u2003\u2003Desde Marcos, nunca sentiu que algu\u00e9m se importava com ele no aspecto amoroso. A falecida Candel\u00e1ria, Luana, Zeca e os demais membros do bar eram considerados sua fam\u00edlia, cada um com uma hist\u00f3ria diferente de como foi parar l\u00e1 \u2014 umas bem tr\u00e1gicas, outras nem tanto. Quando surgia algum homem gay l\u00e1, nunca queria ser visto acompanhado pelo gar\u00e7om. Era sempre escondido e sem sentimentalismos. N\u00e3o havia contato real. \u00c0s vezes nem sabia o nome de quem se apresentava para ele. Afinal de contas, Peda\u00e7o do C\u00e9u era uma cidade interiorana do Rio de Janeiro. Pessoas do interior costumavam ter a mente mais fechada e tradicional \u2014 consequentemente a serem hip\u00f3critas por pregarem algo, mas, \u00e0s escondidas, fazerem tudo aquilo que condenavam. N\u00e3o podia esperar outra postura dos homens de l\u00e1.<br>\u2003\u2003Foi por esse motivo que n\u00e3o estranhou quando os primeiros encontros com Augusto foram no meio do mato, longe de olhares curiosos e julgadores. Se acostumou a isso, afinal. Quando os encontros passaram a ser a luz do dia, em frente ao bar, na porta do Night Club e dentro do estabelecimento lotado, compreendeu que as coisas estavam mudando aos poucos entre os dois. Pela primeira vez p\u00f4de tamb\u00e9m baixar a guarda sobre suas emo\u00e7\u00f5es. Antes tinha plena consci\u00eancia de que jamais poderia envolver sentimentos com quem se deitava. Era mais para extravasar, ganhar um dinheiro extra e deixar essa energia se esvair. Agora? Almejava por mais. Abra\u00e7os, m\u00e3os entrela\u00e7adas e car\u00edcias. J\u00e1 tinha em poucos momentos mais afetuosos, mas talvez o mais velho n\u00e3o estivesse completamente entregue ainda.<br>\u2003\u2003A espera de Aquiles por sentir o beijo de Augusto chegou ao fim numa frustra\u00e7\u00e3o que chegou a doer o cora\u00e7\u00e3o, tamanha a decep\u00e7\u00e3o. Esperava que finalmente o outro se entregasse e podia ver o quanto o homem queria aquilo. Tantos momentos desperdi\u00e7ados, tantos toques e car\u00edcias que poderiam se dar ao luxo de usufruir h\u00e1 meses eram sempre negadas por parte do jagun\u00e7o. Fosse por medo, tristeza, preconceito ou cren\u00e7a, era ele quem sempre se afastava do que poderia ser uma linda hist\u00f3ria para os dois. As oportunidades foram vastas para concretizar e dar mais subst\u00e2ncia para os sentimentos que tinham \u2014 Aquiles se dava conta naquele mil\u00e9simo de segundo o qu\u00e3o mais satisfeitos estariam caso Augusto tivesse coragem suficiente para avan\u00e7ar em rela\u00e7\u00e3o ao mais novo. In\u00fameras foram as noites onde o gar\u00e7om fantasiou antes de dormir no que aqueles momentos de carinho t\u00edmido poderiam se tornar caso o outro tomasse a decis\u00e3o de se permitir.<br>\u2003\u2003Sem alternativas e com o \u00e2mago implorando por um afeto que talvez jamais fosse receber, fechou os olhos se dando por vencido e assimilando a informa\u00e7\u00e3o. S\u00f3 ent\u00e3o notou as l\u00e1grimas formadas e o n\u00f3 na garganta por segurar o choro. Lentamente desviou o rosto, imaginando que n\u00e3o aconteceria nada.<br>\u2003\u2003Para ele, tudo ao longo da vida precisou ocorrer \u00e0s escondidas para n\u00e3o ter problemas. Mesmo quando chegou em Peda\u00e7o do C\u00e9u, por ser uma cidade do interior, as pessoas, principalmente os homens, tinham uma mente mais fechada. Alguns que iam no Night Club j\u00e1 chegaram a subir para o quarto com Aquiles ap\u00f3s pagar o valor do programa \u2014 e isso acontecia ap\u00f3s a bebida tirar por completo a inibi\u00e7\u00e3o deles. No dia seguinte? Sumiam. Tr\u00eas quase tentaram bater nele s\u00f3 por terem passado a noite juntos e precisou da interven\u00e7\u00e3o das demais meninas do bar para n\u00e3o sair machucado. Por isso aprendeu a colocar o despertador do celular \u00e0s cinco da manh\u00e3 para acordar primeiro e n\u00e3o ser pego desprevenido. Por esses motivos tinha at\u00e9 se acostumado \u00e0 ideia de que n\u00e3o teria algo s\u00f3lido, embora o desejasse profundamente. Quando conheceu Augusto e come\u00e7ou a se aproximar aos poucos, essa ideia foi colocada pra escanteio e a esperan\u00e7a de ser tratado com dignidade ascendeu no \u00edntimo. N\u00e3o que fosse indigno ou que n\u00e3o se amasse, por\u00e9m&#8230; Era dif\u00edcil ser enxergado ou amado pelos homens da regi\u00e3o como a pessoa que poderia partilhar a vida ao inv\u00e9s de uma transa furtiva no meio da noite.<br>\u2003\u2003Aquiles foi surpreendido no \u00faltimo segundo. Quando menos esperou, Augusto decidiu tomar uma atitude mais firme. O segurou nos cabelos e encostou os l\u00e1bios nos seus. Estava tenso, como se ainda lutasse contra uma voz que lhe dizia que era errado se entregar aos seus anseios. Por\u00e9m, quando sentiu os l\u00e1bios de seu Aquiles, a voz desapareceu, restando exclusivamente aquela sensa\u00e7\u00e3o deliciosa do beijo.<br>\u2003\u2003O mais velho abriu os l\u00e1bios o suficiente para aprofundar o \u00f3sculo, deslizando devagar a l\u00edngua at\u00e9 sentir a do outro, que arfou com a atitude. Tomando essa rea\u00e7\u00e3o como algo bom, repetiu mais vezes. Adorou o momento. Dar e receber amor pela primeira vez causava uma forte emo\u00e7\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o daquele que j\u00e1 at\u00e9 havia cometido crimes \u00e0 mando do patr\u00e3o latifundi\u00e1rio. Ali compreendeu que poderia lidar com qualquer coisa. A vida n\u00e3o lhe foi f\u00e1cil, ent\u00e3o precisou criar uma coura\u00e7a que n\u00e3o seria rompida facilmente \u2014 exceto se algo acontecesse com Aquiles ou se o mesmo sofresse. Queria e iria protege-lo independente do que custasse. Mesmo que n\u00e3o soubesse o nome desse sentimento que carregava no cora\u00e7\u00e3o, por enquanto, bastava.<br>\u2003\u2003Apertava o corpo macio e quente por onde as \u00e1speras m\u00e3os passassem. O corpo firme aumentava ainda mais o desejo durante o luxurioso beijo carregado de emo\u00e7\u00e3o, principalmente pela falta de roupas de ambas as partes. Queria mais. Pele com pele. Foi o que o motivou a deslizar as m\u00e3os por dentro da camisa cinza, deslizando as palmas com afinco por cada cent\u00edmetro que conseguia encontrar. Ombros, bra\u00e7os, costas, coxas&#8230; Onde alcan\u00e7ava, deixava uma trilha de fogo sobre as carnes do seu cantor enquanto o envolvia num abra\u00e7o doce.<br>\u2003\u2003N\u00e3o soube distinguir quanto tempo se passou enquanto um explorava o corpo do outro. S\u00f3 se separou ao sentir um sabor salgado na boca e se assustou ao se deparar com l\u00e1grimas brilhantes descendo pelos olhos de quem amava.<br>\u2003\u2003\u2014 Aquiles&#8230; \u2014 Sequer conseguia disfar\u00e7ar a urg\u00eancia na voz, transmitindo preocupa\u00e7\u00e3o. \u2014 Oc\u00ea t\u00e1 bem? Te machuquei?<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o \u2014 sussurrou antes de beijar a destra, que estava descansando no rosto. \u2014 Eu estou feliz.<br>\u2003\u2003\u2014 Por isso t\u00e1 chorando?<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9 que tem tempo que espero por isso. Muito \u2014 confessou. \u2014 Achei que nunca fosse chegar esse momento.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu vou te compensar hoje. \u2014 Segurou a barra da camisa e a ergueu at\u00e9 ficar na altura do umbigo. \u2014 Oc\u00ea me deixa tirar?<br>\u2003\u2003A resposta foi um sorriso do gar\u00e7om capaz de iluminar a face. A camisa foi retirada num \u00fanico movimento fluido.<br>\u2003\u2003Deu um selinho antes de explorar o pesco\u00e7o l\u00edvido, regi\u00e3o que j\u00e1 sabia que Aquiles tinha maior sensibilidade. Como imaginava, recebeu arranh\u00f5es pelos ombros e pelas costas em sinal de aprova\u00e7\u00e3o \u2014 e Augusto descobriu que gostava n\u00e3o apenas de receber, mas tamb\u00e9m de ser o respons\u00e1vel por essa demonstra\u00e7\u00e3o genu\u00edna de prazer.<br>\u2003\u2003Mas&#8230; Ainda n\u00e3o bastava. O queria ver chegando ao \u00e1pice, o corpo contra\u00eddo, o gemido agudo escapando das cordas vocais, a express\u00e3o facial&#8230; Ser o autor do orgasmo de Aquiles. Sua formosura.<br>\u2003\u2003\u2014 Formosura, senta de costas pra eu.<br>\u2003\u2003\u2014 Por qu\u00ea? \u2014 indagou contra a boca dele.<br>\u2003\u2003\u2014 Oc\u00ea vai gostar. Confia em mim. \u2014 A voz maliciosa trouxe uma expectativa boa.<br>\u2003\u2003O jagun\u00e7o o ajudou a se virar e abriu as pernas para acomod\u00e1-lo melhor. O menor descansou as costas sobre seu peitoral. Agora tinha livre acesso ao corpo que descobriu apreciar tanto.<br>\u2003\u2003Voltou a estimul\u00e1-lo no pesco\u00e7o enquanto as m\u00e3os se concentravam no quadril fino, apenas apertando de leve algumas vezes em sinal do que realmente planejava e ia fazer. Aos poucos subiu os l\u00e1bios at\u00e9 encontrar o l\u00f3bulo da branca orelha esquerda. Ao passar a l\u00edngua na regi\u00e3o, se deliciou com o arquejo e os arrepios produzidos. Notando que aquela \u00e1rea era ainda mais sens\u00edvel, permaneceu ali durante um longo tempo, onde p\u00f4de desfrutar dos arquejos e das rea\u00e7\u00f5es corporais de Aquiles, que, naquela altura do campeonato, j\u00e1 tinha perdido total controle dos movimentos do torso.<br>\u2003\u2003Vendo-o t\u00e3o entregue, foi o momento perfeito. Sem aviso, passou a m\u00e3o direita em dire\u00e7\u00e3o ao centro de Aquiles at\u00e9 segurar o pau. Demonstrou gostar da grossura, deslizando a l\u00edngua diversas vezes naquele pequeno peda\u00e7o de carne da orelha enquanto come\u00e7ava a masturba-lo.<br>\u2003\u2003Aquiles, por sua vez, n\u00e3o suportou tantas investidas calado por muito tempo. Soltou um agudo gritinho que foi abafado pela m\u00e3o esquerda de Augusto.<br>\u2003\u2003\u2014 Shiiii&#8230; \u2014 disse baixinho em sua orelha. \u2014 N\u00e3o quer que achem n\u00f3s aqui, n\u00e9?<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2014 Promete pra eu que oc\u00ea vai ficar quietinho? Se n\u00e3o vou ter que parar. \u2014 A \u00faltima parte era brincadeira. Nunca iria interromper o que estava havendo ali.<br>\u2003\u2003Fez um muxoxo quando Augusto diminuiu a velocidade da masturba\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2014 Para, n\u00e3o \u2014 pediu manhoso.<br>\u2003\u2003\u2014 Promete que jura que n\u00e3o vai fazer barulho alto? \u2014 Havia um ar leve de divertimento.<br>\u2003\u2003Adorou v\u00ea-lo implorando para receber prazer daquele jeito.<br>\u2003\u2003\u2014 Prometo.<br>\u2003\u2003\u2014 Lembra. Baixinho.<br>\u2003\u2003Retornou a velocidade anterior espalhando car\u00edcias pelas \u00e1reas onde mais o outro tinha sensibilidade. Foi necess\u00e1rio usar a outra m\u00e3o para segur\u00e1-lo pelo tronco de tanto que se remexia na cama. Percebeu que ele se aproximava do \u00e1pice quando a respira\u00e7\u00e3o se tornou mais pesada, a cabe\u00e7a era jogada para tr\u00e1s e apertava com mais for\u00e7a as unhas na pele bronzeada dos bra\u00e7os. Se antecipando, tampou novamente a boca carnuda antes do grito escapulir quando murmurou com a voz grave:<br>\u2003\u2003\u2014 Goza pra mim.<br>\u2003\u2003O orgasmo foi t\u00e3o intenso que cravou as unhas nos bra\u00e7os do capataz dos Navarro sem se dar conta. Os olhos fecharam com for\u00e7a, o corpo estremeceu, a boca formou um O e franziu o cenho quando os jatos sa\u00edram pelo membro. O amante n\u00e3o cessou os movimentos at\u00e9 sentir Aquiles completamente relaxado sobre si.<br>\u2003\u2003\u2014 Gostou, n\u00e9? \u2014 Esfregou o nariz nos cabelos macios. \u2014 T\u00e1 todo molinho agora \u2014 disse satisfeito.<br>\u2003\u2003\u2014 Sua m\u00e3o \u00e9 muito gostosa. \u2014 Virou o pesco\u00e7o para encar\u00e1-lo. \u2014 Viu como pode ser bom quando se deixar levar? \u2014 Esticou os dedos para acariciar a barba negra.<br>\u2003\u2003\u2014 Ma s\u00f3 \u00e9 bom porque t\u00f4 com minha formosura.<br>\u2003\u2003\u2014 E isso porque&#8230;<br>\u2003\u2003\u2014 Oc\u00ea me faz bem \u2014 murmurou, a voz mais grave que o comum. \u2014 Int\u00e9 t\u00e1 me ajudando na escritura e leitura.<br>\u2003\u2003\u2014 Escrita \u2014 corrigiu gentilmente.<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9. Escrita. Por que oc\u00ea \u00e9 t\u00e3o b\u00e3o pra mim? Nem lembro qual qui foi a \u00faltima vez que algu\u00e9m me ajudou.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu me importo contigo.<br>\u2003\u2003Se desvencilhou dos bra\u00e7os momentaneamente enquanto retornava \u00e0 posi\u00e7\u00e3o anterior, no colo do capataz. Retirou a regata sem cerim\u00f4nia em seguida, se deparando com o peito musculoso que adorou ver quando o encontrou sem roupas ao acaso no rio, aproveitando a \u00e1gua para se banhar ap\u00f3s horas de trabalho. Ainda se perguntava se o fato de Augusto sair da \u00e1gua para apanhar as roupas era uma maneira para lhe chamar a aten\u00e7\u00e3o \u2014 principalmente depois do sorrisinho formado nos l\u00e1bios ao notar como o short do amigo se tornou apertado.<br>\u2003\u2003Deslizou as m\u00e3os nos bra\u00e7os fortes at\u00e9 alcan\u00e7ar os ombros, onde as repousou.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu gosto de sentir voc\u00ea assim. O sentimento que carrego n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de amizade. E eu sei que voc\u00ea n\u00e3o me considera <em>s\u00f3<\/em> um amigo. \u00c9 mais profundo do que isso.<br>\u2003\u2003\u2014 Como c\u00ea sabe? Sempre tentei ser discreto.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea foi me buscar na base do tiro. Soube que chegou na rodovi\u00e1ria aos berros e com arma em punho gritando onde era a embarca\u00e7\u00e3o do meu \u00f4nibus de viagem. Quem faz isso s\u00f3 por um amigo? D\u00e1 pra perceber. N\u00e3o adianta esconder ou mentir para as pessoas. A gente se importa com o outro, cuida um do outro e sente falta um do outro. Um j\u00e1 se acostumou aos toques e abra\u00e7os do outro. E isso tudo porque&#8230; \u2014 Espalhou beijos de leve pela bochecha at\u00e9 alcan\u00e7ar a orelha. \u2014 Porque a gente se ama. Deita na cama. Deixa eu cuidar de voc\u00ea.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":96,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2682],"class_list":["post-10277","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-apenasumanoite"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/10277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10277"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=10277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}