{"id":10003,"date":"2026-03-22T15:56:48","date_gmt":"2026-03-22T18:56:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2026-03-22T15:56:48","modified_gmt":"2026-03-22T18:56:48","slug":"capitulo-13","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/paixaoecrueldade\/capitulo-13\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 13"},"content":{"rendered":"<p>\u2003\u2003Na tarde seguinte, movido pela ins\u00f4nia e a insustent\u00e1vel ang\u00fastia, dentro da carruagem interpelava se a decis\u00e3o de buscar pela ajuda da amiga para conversar era s\u00e1bia.<br \/>\n\u2003\u2003Foi imposs\u00edvel n\u00e3o se recordar das vezes em que teve a felicidade de usufruir da companhia de Sebastian naquele espa\u00e7o. Sempre se sentavam lado a lado. Ao longo do tempo era frequente darem as m\u00e3os ou, dependendo do hor\u00e1rio, desde que as janelas estivessem fechadas e escurecesse, se aconchegar no ombro moreno.<br \/>\n\u2003\u2003Se sentia t\u00e3o bem nas ocasi\u00f5es \u2013 e era por esse motivo que decidiu n\u00e3o procurar pelo consolo da governanta.<br \/>\n\u2003\u2003Em casa o mordomo transitava por todos os espa\u00e7os, de modo a flagr\u00e1-lo acidentalmente desabafando com Bianca caso recorresse a ela\u2013 e n\u00e3o concordaria em nenhuma hip\u00f3tese ser visto em tal abalo emocional, at\u00e9 porque o amante saberia o motivo da melancolia.<br \/>\n\u2003\u2003Chegando na mans\u00e3o j\u00e1 conhecida, encontrou Marie se despedindo do amante mais recente. O aguardou ir embora para descer da carruagem quando ela retornava para o interior da resid\u00eancia sem ainda n\u00e3o notar a presen\u00e7a do outro.<br \/>\n\u2003\u2003- Espero n\u00e3o a atrapalhar.<br \/>\n\u2003\u2003Se virou pela aflitiva voz macia. Ao v\u00ea-lo de imediato detectou nos globos o pedido de socorro. Abriu pregui\u00e7oso sorriso meigo indo abra\u00e7\u00e1-lo.<br \/>\n\u2003\u2003- Meu amigo.<br \/>\n\u2003\u2003As suspeitas de que algo lhe acontecera se confirmaram por ouvi-lo fungando.<br \/>\n\u2003\u2003Damon nunca ia para a casa de algu\u00e9m sem combina\u00e7\u00e3o pr\u00e9via. Era rigoroso quanto aos hor\u00e1rios destinados para visitas e detestava a ideia de interferir na rotina das pessoas.<br \/>\n\u2003\u2003- Atrapalho? \u2013 se afastou dela, a face vacilando pela incapacidade de manter a m\u00e1scara social naquelas circunst\u00e2ncias \u2013 Posso voltar depois&#8230;<br \/>\n\u2003\u2003- De maneira alguma. \u2013 falava tocando as bochechas masculinas com as pontas dos dedos \u2013 Chegou no hor\u00e1rio certo. Do contr\u00e1rio provavelmente escutaria meus gemidos.<br \/>\n\u2003\u2003S\u00f3 seus amigos para faz\u00ea-lo rir quando a vontade maior era desmoronar. Entretanto, isso n\u00e3o impediu de gordas l\u00e1grimas transbordarem.<br \/>\n\u2003\u2003- As coisas n\u00e3o t\u00eam sido f\u00e1ceis para voc\u00ea, n\u00e9, meu amigo? \u2013 em generosidade, as secava com as pontas dos dedos.<br \/>\n\u2003\u2003Crispou os l\u00e1bios balan\u00e7ando a cabe\u00e7a em negativa.<br \/>\n\u2003\u2003- Vamos. \u2013 segurou no bra\u00e7o dele o guiando \u2013 Vamos entrar. Assim podemos conversar com maior conforto e privacidade.<br \/>\n\u2003\u2003O levou para o quarto cuja cama levemente bagun\u00e7ada denunciava as recentes atividades.<br \/>\n\u2003\u2003- Aqui ningu\u00e9m vai nos incomodar, ruivinho.<br \/>\n\u2003\u2003Tiraram os cal\u00e7ados para se acomodarem no colch\u00e3o macio. A mulher se deitou o puxando para imit\u00e1-la, ent\u00e3o se viraram de lado para se posicionarem frente a frente.<br \/>\n\u2003\u2003- Consegue ser sincero comigo agora? \u2013 murmurou secando a pele \u00famida.<br \/>\n\u2003\u2003Nunca o viu t\u00e3o desalentado. Se controlava para n\u00e3o permitir as emo\u00e7\u00f5es se transformarem em mais l\u00e1grimas. A face estava rosada pelo esfor\u00e7o e apresentava dificuldade de se pronunciar.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu n\u00e3o sei, eu&#8230;<br \/>\n\u2003\u2003- Lembra quando lhe disse que estava entre os seus? E o quanto eu estava feliz por se permitir?<br \/>\n\u2003\u2003Assentiu.<br \/>\n\u2003\u2003A fragilidade era tamanha que se assimilava a acuada crian\u00e7a infeliz.<br \/>\n\u2003\u2003- Pois \u00e9 verdade.<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o sei por onde come\u00e7ar.<br \/>\n\u2003\u2003- Pelo come\u00e7o. Quando e como as coisas passaram a mudar para voc\u00ea?<br \/>\n\u2003\u2003Se n\u00e3o fosse pela franqueza, o olhar banhado de compreens\u00e3o e o volume c\u00famplice, talvez nunca contaria.<br \/>\n\u2003\u2003- Acho que sempre foram diferentes para mim, mas passei a ser realmente confrontado quando comprei Sebastian e Bia de Patrick porque&#8230;<br \/>\n\u2003\u2003E Damon contou.<br \/>\n\u2003\u2003Contou sobre o envolvimento com o escravo, sobre como foram os primeiros encontros e sobre os di\u00e1logos. Contou sobre como era aceito, como era livre para ser quem \u00e9 sem temer por repres\u00e1lias e em como era acolhido. Contou sobre a sintonia entre eles, como lhe apresentou o prazer e como, pela primeira vez, se deparou com o real significado de prazer. Contou sobre como tinham pontos em comum, sobre como se completavam e como um buscava agradar o outro \u2013 seja adicionando a sobremesa favorita ao card\u00e1pio ou tocando o piano para preencher a casa com m\u00fasica. Contou sobre a paci\u00eancia do escravo consigo, sobre o zelo e em como aguardou at\u00e9 o rapaz pedir para lhe mostrar o que havia para al\u00e9m dos beijos. Contou sobre os apelidos carinhosos, os discretos toques escondidos durante o dia e em como se admiravam quando poss\u00edvel.<br \/>\n\u2003\u2003Finalizou relatando sobre os \u00faltimos desentendimentos.<br \/>\n\u2003\u2003O escutou por quase uma hora contar sobre sua vida em murm\u00fario carregado de ar sem interrup\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u2003\u2003Ao contr\u00e1rio do que imaginava, n\u00e3o havia julgamento, nojo ou cr\u00edtica. Pelo contr\u00e1rio. Nos globos perpassavam de vez em quando o brilho de al\u00edvio e contentamento. O t\u00eanue sorriso era fruto da satisfa\u00e7\u00e3o de como o rapaz decidiu, enfim, se abrir \u2013 e <em>se descobrir<\/em>. Descansou as digitais no bra\u00e7o para apoi\u00e1-lo durante a revela\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003Permaneceu calado por tr\u00eas segundos a analisando ap\u00f3s o longo relato.<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o vai me julgar, n\u00e3o?<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003- Por qu\u00ea?<br \/>\n\u2003\u2003- Porque eu sempre soube que era diferente. E n\u00e3o imagina como me alegra o fato de, finalmente, se descobrir e se aceitar.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu n\u00e3o&#8230;<br \/>\n\u2003\u2003- Amigo. \u2013 segurou a m\u00e3o dele repousada no travesseiro embaixo do queixo \u2013 Nunca o vi observando mulheres com interesse. Voc\u00ea brincava de bonecas comigo nas raras vezes cuja a oportunidade surgia. Eu sempre pude mostrar as minhas pernas e os meus bra\u00e7os sem me sentir em perigo na sua presen\u00e7a ou correr o risco de ser assediada. Eu sempre soube.<br \/>\n\u2003\u2003- Mas eu&#8230; \u2013 engoliu em seco atordoado \u2013 Eu sempre escondi t\u00e3o bem.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu sei. Eu via, Damon. Via o esfor\u00e7o em se esconder como forma de prote\u00e7\u00e3o. E me do\u00eda imensamente porque parecia que n\u00e3o alcan\u00e7aria a felicidade nunca.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu era feliz, amiga. N\u00e3o me faltava nada.<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o faltava nada de material. Voc\u00ea sempre careceu de coisas que o dinheiro n\u00e3o paga, ruivinho. Aceita\u00e7\u00e3o, um homem quem poderia amar, afeto e acima de tudo: compreens\u00e3o de quem \u00e9.<br \/>\n\u2003\u2003- E quem eu sou?<br \/>\n\u2003\u2003- \u00c9 uma pessoa doce, afetuosa e amorosa, quem precisou renunciar a si por tempo demais em virtude de sobreviver na sociedade onde est\u00e1 inserido.<br \/>\n\u2003\u2003- Essas n\u00e3o s\u00e3o caracter\u00edsticas masculinas.<br \/>\n\u2003\u2003- Motivo pelo qual se anulou. Porque sai do padr\u00e3o. E eu sinto muito por isso, meu amigo.<br \/>\n\u2003\u2003- E se for pecado, Marie? N\u00e3o quero parar no inferno. \u2013 a voz embargou pelas novas l\u00e1grimas formadas \u2013 N\u00e3o quero prejudicar nem a mim e sem ao Sebastian.<br \/>\n\u2003\u2003- Quem parar\u00e1 no inferno s\u00e3o agressores, violadores e criminosos, embora v\u00e1rias pessoas defendam os crimes em nome da honra. \u2013 o puxou gentilmente para si, quem se aninhou no peito dela \u2013 Voc\u00ea \u00e9 de longe a pessoa mais correta quem j\u00e1 conheci. \u2013 em irmandade, afagou as ondas macias sem se importar no quanto o corpete umedeceria em virtude do pranto alheio \u2013 Caso Deus realmente exista, ele mandaria falsos moralistas para o inferno ao inv\u00e9s de pessoas como voc\u00ea por gostarem de outra do mesmo sexo.<br \/>\n\u2003\u2003- Pessoas como eu? \u2013 o tronco balan\u00e7ava por causa dos solu\u00e7os.<br \/>\n\u2003\u2003- Digamos que, quando se sentir confort\u00e1vel e mais confiante, h\u00e1 muito para tratar com Dean e Simon. \u2013 beijou o topo da cabe\u00e7a \u2013 J\u00e1 contou que o ama?<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o. \u00c9 fora de cogita\u00e7\u00e3o. Eu nem sei o que sinto por ele. Al\u00e9m disso, amar outro homem j\u00e1 \u00e9 complicado. Qui\u00e7\u00e1 um negro. \u00c9 perigoso demais para n\u00f3s dois. Eu&#8230; Eu n\u00e3o deveria contar nada. N\u00e3o <em>devo<\/em> contar nada.<br \/>\n\u2003\u2003- Por qu\u00ea?<br \/>\n\u2003\u2003- Porque n\u00e3o sei como seria da minha vida sem o Sebastian.<br \/>\n\u2003\u2003E era verdade.<br \/>\n\u2003\u2003Por n\u00e3o ter se apaixonado antes em virtude da muralha constru\u00edda ao redor para se proteger, foi com a intera\u00e7\u00e3o com o escravo que come\u00e7ou a viver. Lhe foi apresentado a ventura de como era a troca afetiva e sexual quando duas almas apaixonadas se conquistavam ao longo do tempo.<br \/>\n\u2003\u2003A ideia de algo ruim acontecer com o escravo pelo enlace era aterradora.<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o, amiga. Eu n\u00e3o posso&#8230;<br \/>\n\u2003\u2003- \u00c9 claro que pode e \u00e9 poss\u00edvel. O amor n\u00e3o \u00e9 errado, ruivinho. Errado \u00e9 n\u00e3o aceitar as diversas formas de se pensar ou de enxergar o mundo por preconceitos ou pela inflexibilidade. Ou acha que em outros continentes os costumes e as culturas s\u00e3o as mesmas daqui? Ou que adoram a mesma divindade europeia?<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003- E por causa disso est\u00e3o errados?<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003- Mulheres como eu seriam levianas por n\u00e3o aceitarmos nos resumir somente a uma boneca a ser manuseada por homens de maneira a n\u00e3o desfrutarmos do prazer na cama? Seria correto eu ser excomungada, assassinada, agredida ou violada gra\u00e7as ao meu comportamento transgressor?<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003- Pois ent\u00e3o. Voc\u00ea e o Sebastian n\u00e3o est\u00e3o errados. Para ser franca, eu j\u00e1 suspeitava.<br \/>\n\u2003\u2003Assustado, se ergueu com as m\u00e3os no colch\u00e3o para fit\u00e1-la.<br \/>\n\u2003\u2003- Como, amiga? Eu nunca deixei nada expl\u00edcito.<br \/>\n\u2003\u2003- \u00c9 porque o conhe\u00e7o. Como \u00e9 mais introspectivo, as outras pessoas nem se dariam conta. Duvido na capacidade de terceiros para decifr\u00e1-lo. \u00c9 que, quando o Sebastian estava junto, mesmo quando os encontrei na rua ao acaso, o seu jeito mudava. N\u00e3o sei explicar direito, mas parecia&#8230; Parecia mais <em>feliz<\/em>. O seu rosto iluminava. Ouso dizer que por parte dele tamb\u00e9m era not\u00f3rio.<br \/>\n\u2003\u2003Marie era conhecida entre os amigos como capaz de decifrar qualquer indiv\u00edduo. Era altamente intuitiva \u2013 e era sempre quem era capaz de descobrir as situa\u00e7\u00f5es em min\u00facias.<br \/>\n\u2003\u2003- E como&#8230; Como fa\u00e7o para t\u00ea-lo junto a mim novamente? N\u00e3o imagina como d\u00f3i ficar longe dele. \u2013 se sentou na cama recostando nos travesseiros.<br \/>\n\u2003\u2003- \u00c9 simples. \u2013 deitou-se de bru\u00e7os e p\u00f4s as m\u00e3os no travesseiro para deitar a lateral do rosto o fitando \u2013 Conte como se sente. Conte o quanto o ama. Seja verdadeiro. N\u00e3o perca ou magoe a pessoa quem ama pela incapacidade de ser sincero sobre os seus sentimentos. Ame, meu amigo. S\u00f3 ame.<br \/>\n\u2003\u2003Passou a tarde desabafando com a amiga, quem o acolheu e aconselhou. Por fim, quando o di\u00e1logo terminou, foi embora em belo p\u00f4r do Sol.<br \/>\n\u2003\u2003- Entrega isso para Bia, por favor. \u2013 com o rapaz dentro da carruagem, colocou no colo alheio uma caixa mediana pela porta ainda estar aberta.<br \/>\n\u2003\u2003- O que \u00e9?<br \/>\n\u2003\u2003- Diga para menina que \u00e9 importante ter op\u00e7\u00f5es para estar de acordo com a moda.<\/p>\n<p>\u2003\u2003Enquanto o rapaz era consolado e aconselhado por Marie, Bianca observou como o escravo estava estranhamente introspectivo \u2013 a sinaliza\u00e7\u00e3o de quando carregava ang\u00fastia no cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003Como os servi\u00e7os da casa estavam completos, o chamou para caminhar pela propriedade. Assim, ningu\u00e9m escutaria o teor da conversa.<br \/>\n\u2003\u2003O Sol forte castigava a pele, mas a incomum brisa fresca era um refrig\u00e9rio para o tempo quente de c\u00e9u sem nuvens.<br \/>\n\u2003\u2003- Posso saber o motivo para quietude? \u2013 iniciou a passos lentos depois de se afastarem v\u00e1rios metros e detectando estarem sozinhos ao perambular lado a lado pelo ch\u00e3o de terra.<br \/>\n\u2003\u2003A introvers\u00e3o dele era sempre sinal de problemas.<br \/>\n\u2003\u2003- Cansa\u00e7o.<br \/>\n\u2003\u2003- Cansa\u00e7o do servi\u00e7o ou de Damon ainda n\u00e3o ser capaz de se entregar emocionalmente para voc\u00ea?<br \/>\n\u2003\u2003N\u00e3o disfar\u00e7ou a careta de desgosto pela facilidade de compreender a situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003- Como descobriu?<br \/>\n\u2003\u2003- Eu o criei. \u2013 deu de ombros como se a resposta bastasse \u2013 Acertei ou n\u00e3o?<br \/>\n\u2003\u2003- Sim.<br \/>\n\u2003\u2003- Tenha paci\u00eancia.<br \/>\n\u2003\u2003- Por mais quanto tempo, Bianca? \u2013 se exasperou aumentando repentinamente o volume \u2013 N\u00e3o \u00e9 de hoje que nos encontramos de noite e nem que demonstra me ama, mas&#8230; N\u00e3o reconhece. N\u00e3o estou pedindo por muito. S\u00f3 a franqueza dele. \u2013 completou em voz firme apesar de diminuir o tom para manterem a discri\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003O mediu calada por instantes durante a caminhada. Afinal, n\u00e3o era do feitio do outro soar ou ser r\u00edspido.<br \/>\n\u2003\u2003- Aconteceu alguma coisa?<br \/>\n\u2003\u2003- Os gemidos de Damon e de Kassandra quando passei pela porta dela s\u00e3o motivos suficientes para chatear qualquer um no meu lugar.<br \/>\n\u2003\u2003- O qu\u00ea? \u2013 rapidamente mudou a t\u00e1tica pela demonstra\u00e7\u00e3o da perplexidade \u2013 Bom, ele n\u00e3o pode deixar brecha sobre a ess\u00eancia mais delicada ou as prefer\u00eancias.<br \/>\n\u2003\u2003- Bianca, eu n\u00e3o sou burro. Duvido que ela se importe com ele no sentido amoroso da palavra ou de outra maneira. Do contr\u00e1rio, o quarto dela n\u00e3o seria distante do dele e ela se juntaria ao Damon em outras ocasi\u00f5es ao inv\u00e9s de se trancar no quarto ou sair sozinha.<br \/>\n\u2003\u2003- Inferno, por que voc\u00ea \u00e9 t\u00e3o perspicaz?<br \/>\n\u2003\u2003A impreca\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea lhe arrancou um risinho humorado.<br \/>\n\u2003\u2003- Olha. \u2013 o segurou pelo pulso para se virar para ela \u2013 Se o meu menino esteve com a esposa ontem, h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel. O deixe se explicar. Abaixe a guarda para alcan\u00e7\u00e1-lo.<\/p>\n<p>\u2003\u2003Quando chegou em casa n\u00e3o se juntou a esposa para jantar. Sem apetite, se trancou no escrit\u00f3rio para digerir a conversa com a amiga refletindo sobre cada palavra.<br \/>\n\u2003\u2003Meia-noite saiu de l\u00e1 escutando a chuva torrencial. Se encaminhou para os aposentos de Sebastian na tentativa de conversarem. Bateu na porta cinco vezes ao todo. Como n\u00e3o foi respondido, suspirou resignado e se arrastou para o quarto num misto de tristeza, decep\u00e7\u00e3o e frustra\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003Planejava se descansar, torcendo para o dia seguinte chegar logo. Assim, surgiria nova oportunidade para dialogarem \u2013 se o escravo assim o almejasse.<br \/>\n\u2003\u2003Entretanto, o roteiro mudou.<br \/>\n\u2003\u2003Como esperaria por aquilo? N\u00e3o havia como saber.<br \/>\n\u2003\u2003Ao trancar a porta do aposento particular se dirigia para a cama pensando se o amante estaria mais male\u00e1vel para discutirem em algumas horas. Por notar a t\u00eanue luz da lamparina acesa sobre a mesa, franziu o cenho se indagando o motivo de Bianca deix\u00e1-la ali \u2013 <em>se<\/em> fosse ela a respons\u00e1vel por aquilo. No caminho de apag\u00e1-la, foi puxado fortemente pelo pulso. Pego desprevenido, o corpo virou em resposta pela for\u00e7a imposta pelo outro para, ent\u00e3o, uma boca sedenta tomar a sua.<br \/>\n\u2003\u2003O beijo foi urgente, possessivo, intenso, apaixonado e libidinoso. As caracter\u00edsticas se fundiam entre si, transcendendo a pele e alcan\u00e7ando o \u00e2mago de maneira a reproduzir rea\u00e7\u00f5es corporais e afetivas. N\u00e3o se afastou porque sabia quem era aquela pessoa. Sabia de quem eram as m\u00e3os a percorrerem o corpo por cima da roupa, assim como os l\u00e1bios de quem clamava por si.<br \/>\n\u2003\u2003\u00c1vido, Sebastian o empurrou at\u00e9 encurral\u00e1-lo contra a parede adjacente ignorando se derrubaram objetos ou esbarraram em m\u00f3veis no caminho. Ouviram baques surdos e algo quebrando em v\u00e1rios peda\u00e7os. Al\u00e9m do mais relevante acontecer entre eles a ponto de Damon sequer esbo\u00e7ar curiosidade, quem se importava se algo valioso quebrou ao colidir no assoalho?<br \/>\n\u2003\u2003No canto, logo tratou de retirar as vestes com rapidez as deixando amontoadas pelo ch\u00e3o. A forma como o ruivo era encarado nas raras vezes em que sustentaram o olhar antes do moreno atac\u00e1-lo faminto t\u00e3o deliciosamente de novo o arrepiava, inclusive pela carga energ\u00e9tica peculiar percorrer as veias.<br \/>\n\u2003\u2003Havia o cru desejo nas \u00edrises em promessa silenciosa de transformar aquela noite em particular num marco na hist\u00f3ria do casal.<br \/>\n\u2003\u2003Nus, gemiam um dentro da boca do outro pela incapacidade de serem escutados devido a tempestade de vento, raios e trov\u00f5es os quais iluminavam o quarto junto a lamparina prec\u00e1ria deixada de maneira estrat\u00e9gica pelo escravo em cima da mesa onde costumava desenhar.<br \/>\n\u2003\u2003O ruivo envolveu a larga cintura com a perna direita em busca de maior contato ao rebolar causando deliciosa fric\u00e7\u00e3o entre os paus duros j\u00e1 despertos assim quando o corpo se chocou com o de Sebastian.<br \/>\n\u2003\u2003Inclinou a cabe\u00e7a para o lado o agarrando pelos ombros. Lhe proporcionava espa\u00e7o suficiente para explorar a carne macia t\u00e3o desejada pelo moreno.<br \/>\n\u2003\u2003Aproveitou o som dos trov\u00f5es para bater na bunda redonda como gostava de fazer e se recusava antes para evitar de os descobrirem \u2013 e com uma tormenta como aquela, era imposs\u00edvel escut\u00e1-los.<br \/>\n\u2003\u2003Desceu a palma pelo tronco alvo at\u00e9 envolver o pau entumecido. O rapaz reagiu se encolhendo, fechando os olhos e mordendo o l\u00e1bio inferior.<br \/>\n\u2003\u2003- Presta aten\u00e7\u00e3o. \u2013 ofegante, lambeu a lateral do pesco\u00e7o junto ao in\u00edcio da masturba\u00e7\u00e3o vagarosa \u2013 Essa noite n\u00e3o apenas quero te ouvir, como tamb\u00e9m vou te fazer gemer bem gostoso s\u00f3 para mim. N\u00e3o adianta tentar silenciar porque n\u00e3o vou deixar isso acontecer.<br \/>\n\u2003\u2003Para enfatizar, deu mais um tapa na bunda protuberante.<br \/>\n\u2003\u2003Sem paci\u00eancia, o segurou pela parte detr\u00e1s do outro joelho. Devido ao registro corporal por peg\u00e1-lo no colo in\u00fameras vezes durante os encontros noturnos, enla\u00e7ou a cintura larga com ambas as pernas.<br \/>\n\u2003\u2003O sustentando pela bunda farta, o levou para a cama sem quebrar o beijo. O deitou l\u00e1, de imediato se acomodando sobre ele.<br \/>\n\u2003\u2003O agarrando pelos cabelos ruivos em confort\u00e1vel aperto cheio de possessividade, sussurrou no ouvido:<br \/>\n\u2003\u2003- Quando o chamo de meu pequeno \u00e9 porque \u00e9 verdade. N\u00e3o \u00e9 de mais ningu\u00e9m. Voc\u00ea \u00e9 meu, Damon. S\u00f3 meu.<br \/>\n\u2003\u2003E era verdade.<br \/>\n\u2003\u2003Investia nele como se o reivindicasse para si. Cada toque, rea\u00e7\u00e3o, beijo e car\u00edcia era elaborado para marc\u00e1-lo como seu. Deixaria a informa\u00e7\u00e3o sensorial em cada poro, de maneira a sempre provar de maneira inconsciente para o ruivo que j\u00e1 pertencia a uma \u00fanica pessoa espec\u00edfica \u2013 e mais ningu\u00e9m tinha o direito de t\u00ea-lo.<br \/>\n\u2003\u2003Quanto mais investia, mais Damon se encontrava a beira do precip\u00edcio da irracionalidade. Era um amontoado de pujantes sensa\u00e7\u00f5es arrebatadoras e reflexos org\u00e2nicos em consequ\u00eancia da intensidade do mordomo, quem n\u00e3o deixava nenhum cent\u00edmetro da derme sem a textura da sua.<br \/>\n\u2003\u2003Ofegante, desceu os l\u00e1bios pelos lugares mais sens\u00edveis nele. J\u00e1 sabia como e qual press\u00e3o exercer para provoc\u00e1-lo. Sugou e lambeu o l\u00f3bulo por longos minutos, o instigou no pesco\u00e7o, lambeu os mamilos em movimentos delicados e resvalou as pontas dos dedos pelo abd\u00f4men at\u00e9 chegar ao pau, onde o abocanhou sem cerim\u00f4nias.<br \/>\n\u2003\u2003Damon nunca vivenciou uma noite como aquela.<br \/>\n\u2003\u2003Nunca foi sugado com tanto afinco.<br \/>\n\u2003\u2003O estimulava em diversas \u00e1reas simultaneamente e em diferentes ritmos para evitar de usufruir do al\u00edvio. \u00c0s vezes inseria o dedo \u00famido pelo \u00f3leo de c\u00f4co encontrado na gaveta durante a masturba\u00e7\u00e3o ou o oral. Ora passou momentos massageando o ponto t\u00e3o escondido nele. Ora se ocupava somente por sug\u00e1-lo. Ou ent\u00e3o, para o del\u00edrio do rapaz, o estimulava nas duas \u00e1reas simultaneamente. Quando o percebia prestes a gozar, se concentrava no interior das coxas proposital o frustrando \u2013 e adorava escutar os muxoxos pelo objetivo n\u00e3o ser atingido como gostaria.<br \/>\n\u2003\u2003Era incapaz de produzir frases ou sequer palavras coerentes. Puxava os travesseiros a ponto de rasg\u00e1-los, gemia, se contorcia e arqueava as costas. Quando abria os olhos ofegante e o encontrava o encarando possessivo, soltava gritinhos agudos pelo impacto de Sebastian sobre si.<br \/>\n\u2003\u2003Foi tomado por vigorosa emo\u00e7\u00e3o a qual n\u00e3o conseguia decifrar. Era descomedida, surpreendente e intensa, de tal forma que potencializava tamanhas impress\u00f5es causadas pelo outro. N\u00e3o descobria ainda, ent\u00e3o a experimentava causando certa turbul\u00eancia emocional e f\u00edsica \u2013 o cora\u00e7\u00e3o disparava, abria discretos sorrisos e se deleitava em total entrega sem notar como, enquanto estavam na cama, baixava a guarda para expressar por meio de frases os sentimentos pelo mordomo.<br \/>\n\u2003\u2003Havia importante informa\u00e7\u00e3o acerca de Sebastian guardada no fundo da mente. Nos instantes de lucidez se questionava sobre o que era para surgir naquele momento antes de se contorcer novamente pelo baixo ventre contrair \u2013 e novamente o ass\u00edduo amante n\u00e3o o permitia atingir o orgasmo.<br \/>\n\u2003\u2003- Amor&#8230; \u2013 se lamuriou sem for\u00e7as.<br \/>\n\u2003\u2003- Sim. \u2013 parando de chup\u00e1-lo, passou a movimentar o dedo no interior dele.<br \/>\n\u2003\u2003O frio na barriga foi gra\u00e7as a mistura de ingenuidade e mal\u00edcia nos globos escuros.<br \/>\n\u2003\u2003- Por favor. \u2013 separou os joelhos lhe dando total acesso.<br \/>\n\u2003\u2003- Por favor o qu\u00ea? Me fala. Adoro quando implora por mim.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu quero&#8230; Ain&#8230; \u2013 o gemido prolongado foi por passar a ponta da l\u00edngua no per\u00edneo \u2013 Eu quero que me fa\u00e7a ver estrelas, amor.<br \/>\n\u2003\u2003- E por que eu faria isso, meu pequeno?<br \/>\n\u2003\u2003Surgiu na mem\u00f3ria a sensa\u00e7\u00e3o do afago nos cabelos, mas&#8230; De quando seria?<br \/>\n\u2003\u2003Foi t\u00e3o relaxante&#8230; Ainda era poss\u00edvel sentir o carinho amoroso.<br \/>\n\u2003\u2003Talvez&#8230; Foi na primeira vez em que Sebastian dormiu consigo?<br \/>\n\u2003\u2003- Porque&#8230; \u2013 o peito subia e descia totalmente ofegante \u2013 Porque a gente gosta de ficar assim.<br \/>\n\u2003\u2003- S\u00f3 isso?<br \/>\n\u2003\u2003Gra\u00e7as a raiva contida por ainda n\u00e3o ser franco, a canalizou ao avan\u00e7ar no fr\u00e1gil rapaz em suas m\u00e3os. O chupava faminto deslizando a l\u00edngua em movimentos circulares na glande rosa junto ao vai e vem da cabe\u00e7a e massageando o seu interior. N\u00e3o parou nem depois de tomar cada gota do prazer, ent\u00e3o o deixou em total estado de maravilhosa agonia por bastante tempo.<br \/>\n\u2003\u2003Ignorando o qu\u00e3o mole estava naquelas circunst\u00e2ncias, voltou a beij\u00e1-lo com igual urg\u00eancia.<br \/>\n\u2003\u2003- O que sente por mim? \u2013 murmurou contra os l\u00e1bios tr\u00eamulos o fitando com as pupilas escuras e dilatadas.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu&#8230; \u2013 o tom rosado na face era ador\u00e1vel, assim como era claro como era dif\u00edcil resistir a verdade \u2013 N\u00f3s gostamos de dormir juntos e&#8230;<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o \u00e9 o suficiente.<br \/>\n\u2003\u2003Decidido, o virou de costas sem tardar em subir nele.<br \/>\n\u2003\u2003Damon adorou como ficou totalmente dominado daquela maneira \u2013 encurralado e com o corpo maior exercendo press\u00e3o sobre o seu.<br \/>\n\u2003\u2003- Por que me permite estar assim contigo? \u2013 o agarrou pelas m\u00e3os as entrela\u00e7ando com as suas ao lado da cabe\u00e7a ruiva \u2013 Por que o deixo t\u00e3o indefeso simplesmente por beij\u00e1-lo? Por que me observa quando toco piano? Por que busca pelo meu toque durante o dia quando passo ao seu lado? \u2013 murmurava s\u00f4frego com os l\u00e1bios rentes a orelha em voz rouca, satisfeito por notar os arrepios resultados da excita\u00e7\u00e3o e pela incapacidade de continuar fugindo do amor devido as perguntas de t\u00e3o acuado.<br \/>\n\u2003\u2003As indaga\u00e7\u00f5es serviam para confirmar que havia algum conte\u00fado escondido nos rec\u00f4nditos da mem\u00f3ria. N\u00e3o sabia o que era e nem porque se esquecera, mas era marcante para os dois. <em>Sabia<\/em> disso \u2013 do contr\u00e1rio a lembran\u00e7a n\u00e3o escolheria justo aquele momento crucial para ressurgir atrav\u00e9s da inquieta\u00e7\u00e3o e das sensa\u00e7\u00f5es passadas.<br \/>\n\u2003\u2003Junto a certeza os m\u00fasculos se contra\u00edram em virtude de os l\u00e1bios em seguida castigarem o l\u00f3bulo.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu&#8230; Eu n\u00e3o sei, Sebastian. \u2013 replicou em fio de voz.<br \/>\n\u2003\u2003- Sabe, sim. \u2013 resfolegou em tom imperativo em exig\u00eancia pela resposta \u2013 N\u00f3s dois sabemos. N\u00e3o aceito mentiras, Damon. N\u00e3o essa noite.<br \/>\n\u2003\u2003Apesar de preferirem se chamarem por apelidos carinhosos, ao proferirem seus respectivos nomes aumentava a tens\u00e3o entre eles, como se um confrontasse e o outro se mantivesse resistente na batalha ao suportar bravamente o conflito sem ceder \u2013 mesmo se fosse n\u00edtida a vulnerabilidade.<br \/>\n\u2003\u2003Percorreu as costas com beijos \u00famidos at\u00e9 alcan\u00e7ar a bunda, onde lambeu a convidativa entrada por imensur\u00e1veis minutos \u2013 o pau latejava e liberava o pr\u00e9-gozo pelas lam\u00farias do outro junto aos sons produzidos ao se concentrar na regi\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003Naquela primeira noite Sebastian lhe falou algo. Damon <em>escutou<\/em> algo. Mas&#8230; O que era? Estava t\u00e3o sens\u00edvel por, finalmente, sentir na pele como era&#8230; Por sentir em cada poro a sensa\u00e7\u00e3o de&#8230;<br \/>\n\u2003\u2003Inferno, por que n\u00e3o se recordava? Por que era t\u00e3o dif\u00edcil de se lembrar das palavras proferidas? Por que ele se lembrava somente de como se sentiu ao inv\u00e9s de descobrir quais foram as palavras ditas? Elas n\u00e3o eram complexas, ent\u00e3o&#8230; Por que a dificuldade era angustiante?<br \/>\n\u2003\u2003Demorou para estar saciado pelos sons do rapaz em consequ\u00eancia de ter um amante altamente habilidoso e atencioso, ent\u00e3o n\u00e3o o aguardou se recuperar. Se lambuzou com o restante do \u00f3leo de coco largado entre os len\u00e7\u00f3is para, ent\u00e3o, penetr\u00e1-lo com cuidado.<br \/>\n\u2003\u2003<em>&#8211; Eu&#8230;<\/em><br \/>\n\u2003\u2003A palavra emergiu da mente quando a glande atingiu a pr\u00f3stata na primeira estocada, enviando uma onda de calor e prazer enquanto Sebastian, deitado sobre si, o prendia passando o bra\u00e7o direito no espa\u00e7o entre o pesco\u00e7o e o travesseiro.<br \/>\n\u2003\u2003- Voc\u00ea \u00e9 meu, Damon. \u2013 sussurrava durante as investidas lascivas e delirantes \u2013 Meu. N\u00e3o \u00e9 da Kassandra. N\u00e3o \u00e9 de mais ningu\u00e9m. \u00c9 s\u00f3 meu.<br \/>\n\u2003\u2003- Sou seu, amor. Seu. Ah! \u2013 gritou pela penetra\u00e7\u00e3o especialmente forte ap\u00f3s a confiss\u00e3o em demonstra\u00e7\u00e3o clara de como a declara\u00e7\u00e3o o satisfazia.<br \/>\n\u2003\u2003- Entendeu agora, n\u00e9? Bom menino. \u2013 o elogiou.<br \/>\n\u2003\u2003Puxou os fios macios para erguer a cabe\u00e7a. Invadiu a boca do rapaz e o beijou ardentemente, finalizando com um repuxar do delineado l\u00e1bio inferior.<br \/>\n\u2003\u2003- Voc\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 meu, meu amor. \u2013 declarou o mais novo o fitando em puro deleite ao quebrarem o beijo.<br \/>\n\u2003\u2003Vislumbrou o triunfo sobrepujado na express\u00e3o apaixonada do escravo em quest\u00e3o de instantes.<br \/>\n\u2003\u2003- Me promete que n\u00e3o vai ter mais ningu\u00e9m na sua vida al\u00e9m de mim. \u2013 suplicava o mais novo se agarrando ao travesseiro \u2013 Me promete que n\u00e3o vai mais continuar longe de mim. Por favor, amor. Me promete. Senti tanta saudade da gente&#8230; N\u00e3o sabe a falta que me faz, querido.<br \/>\n\u2003\u2003- E qual foi o motivo da saudade? Conta para mim. Eu preciso saber.<br \/>\n\u2003\u2003Tinha algum motivo. Tinha algum motivo para a saudade ser tamanha. Do contr\u00e1rio&#8230;<br \/>\n\u2003\u2003<em>&#8211; Eu te amo.<\/em><br \/>\n\u2003\u2003Foi quando a frase surgiu na sua mente junto a alegria reconfortante e acolhedora ao escut\u00e1-la antes de adormecer na primeira vez deles.<br \/>\n\u2003\u2003- \u00c9 porque eu te adoro, meu amor. \u2013 contou em gemido entrecortado \u2013 Eu te amo h\u00e1 muito tempo.<br \/>\n\u2003\u2003L\u00e1grimas se formaram nos globos do escravo sendo tomado por verdadeiro b\u00e1lsamo com a revela\u00e7\u00e3o franca e sem impedimentos.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu tamb\u00e9m o amo, meu pequeno. \u2013 fungou emocionado repousando a testa no v\u00e3o entre o ombro e o pesco\u00e7o \u2013 Muito. Demais.<br \/>\n\u2003\u2003O quarto foi tomado por declara\u00e7\u00f5es emotivas, juras de amor genu\u00ednas e comprovadas ao longo dos s\u00e9culos, gemidos aud\u00edveis e repeti\u00e7\u00f5es sobre o amor rec\u00edproco. Apenas os quadris do moreno se moviam para penetr\u00e1-lo. Se tocavam como podiam e at\u00e9 onde alcan\u00e7avam na posi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de distribu\u00edrem diversos beijos e car\u00edcias pelas peles sens\u00edveis. De vez em quando segurava as m\u00e3os pequenas nas suas.<br \/>\n\u2003\u2003Ao se enterrar pela \u00faltima vez em profunda estocada, gozaram juntos violentamente \u2013 Damon soltando um agudo grito abafado pela m\u00e3o \u00e1spera tampando a boca e Sebastian, tr\u00eamulo, grunhindo com o rosto contra o travesseiro.<br \/>\n\u2003\u2003Permaneceram na posi\u00e7\u00e3o por intermin\u00e1veis minutos de comunh\u00e3o harm\u00f4nica onde o moreno distribu\u00eda beijinhos no rapaz ofegante e exausto.<br \/>\n\u2003\u2003Suspirou antes de se retirar do seu interior t\u00e3o familiar. Se arrastou para o colch\u00e3o sem se afastar do contato corporal. Deitado ao lado do ruivo, quem, de bru\u00e7os, apenas virou o rosto na dire\u00e7\u00e3o do outro, afastou as mechas macias da testa alva.<br \/>\n\u2003\u2003- Oi. \u2013 murmurou o moreno em olhar apaixonado contrastando com o do outro, que era apaixonado e exausto.<br \/>\n\u2003\u2003- Oi. \u2013 abriu o pequeno sorriso sem mostrar dentes devagar.<br \/>\n\u2003\u2003Satisfeito f\u00edsica e emocionalmente, o puxou para si o aninhando no peitoral firme.<br \/>\n\u2003\u2003A m\u00e3o macia resvalou em dire\u00e7\u00e3o ao abd\u00f4men, onde acarinhou em car\u00edcias sutis e meigas.<br \/>\n\u2003\u2003- Me desculpa por n\u00e3o contar antes sobre meus sentimentos por voc\u00ea.<br \/>\n\u2003\u2003- E por qual motivo me disse agora?<br \/>\n\u2003\u2003- Talvez porque voc\u00ea teve significativa participa\u00e7\u00e3o. Nunca vi algu\u00e9m se esfor\u00e7ar com tanto afinco at\u00e9 descobrir a verdade.<br \/>\n\u2003\u2003Adorou escut\u00e1-lo rir junto \u00e0s batidas do cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003- Como se voc\u00ea n\u00e3o tivesse gostado dos meus esfor\u00e7os. \u2013 o apertou beijando os cabelos.<br \/>\n\u2003\u2003- Nem fala. Mal estou conseguindo me mexer. E n\u00e3o \u00e9 reclama\u00e7\u00e3o, n\u00e3o, t\u00e1? \u2013 mordeu carinhosamente o peitoral musculoso \u2013 Repita sempre que desejar.<br \/>\n\u2003\u2003Passaram tempo suficiente em sil\u00eancio na bolha particular desfrutando como iguais dos sentimentos expressos para Sebastian achar que o rapaz dormiu.<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o quero ficar longe de voc\u00ea. \u2013 sussurrou em voz carregada de ar \u2013 E me desculpa por&#8230; \u2013 engoliu em seco pelo arrependimento.<br \/>\n\u2003\u2003- Sim?<br \/>\n\u2003\u2003- Porque esqueci quando me disse que me amava. Provavelmente teria nos poupado de algumas situa\u00e7\u00f5es e evitaria o seu afastamento. \u2013 se desvencilhou para beij\u00e1-lo em incondicional ternura \u2013 Desculpa. \u2013 tocou o nariz com a ponta do indicador.<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o se preocupa. \u2013 sorriu meigo pelo gesto embalando a lateral da face com a palma \u00e1spera \u2013 Talvez eu tenha me precipitado ao te falar naquela \u00e9poca. Foi cedo demais.<br \/>\n\u2003\u2003Se observaram por longos minutos. O som predominante era a tempestade cujos raios e trov\u00f5es clareavam o quarto em curtos intervalos. Perdidos um no olhar do outro, eram capazes de desfrutar da certeza do amor rec\u00edproco. Sentiam-se em paz pela uni\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003Damon encostou a testa na de Sebastian em ato \u00edntimo e c\u00famplice completamente relaxado. A impress\u00e3o das digitais dele na bochecha alva trouxe acolhimento e prote\u00e7\u00e3o necess\u00e1rios para a seguran\u00e7a sobrepujar qualquer resqu\u00edcio de incerteza acerca do futuro do casal.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu te amo, Sebastian.<br \/>\n\u2003\u2003- Te amo, beb\u00ea. Muito.<br \/>\n\u2003\u2003Ao notar o moreno se arrepiando em virtude do frio, agora que os organismos haviam se tranquilizado, Damon os cobriu com os len\u00e7\u00f3is. Em seguida se aconchegou nele no exato momento em que a luz da lamparina apagou sozinha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":96,"featured_media":9736,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2521],"class_list":["post-10003","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","historias-paixaoecrueldade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/10003","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10003"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9736"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10003"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=10003"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}