Soleil

Escrita porLysse
Revisada por Lelen

Capítulo único

  Será que um dia, o sol os abraçaria novamente?”
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  Ela sentia falta do calor sobre a sua pele — talvez da vontade de comer uma lasanha, dos risos de seus pais e de tudo que era humano. De tal maneira, %Elizabeth% queria voltar a sentir. Desejava aquele calor humano ao mesmo tempo em que observava as plantas com cuidado, notando cada minúscula poeira que estava em sua vida. Mas tais pensamentos mesquinhos eram esquecidos assim que a ardência lhe chamava de volta para o presente.
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  Aquela maldita sede.
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  Queimante. Dilacerante. Intensa.
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  Rasgava por sua garganta, despertando os mais profundos desejos humanos. Enquanto aquela sensação esquecida em sua alma emergia, ela observou o sangue jorrar. As gotículas tocavam a sua face. Como um animal enjaulado, seus pensamentos eram nublados pelo mero prazer do sangue; cada célula morta de seu corpo estava em êxtase.
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  A queimação diminuiu enquanto seu odre dos Deuses caía sobre a garganta que parava de arder. O fogo em brasa funcionava como uma lembrança distante do que ela era, do monstro que se tornou naquele processo mesquinho pela imortalidade. %Elizabeth% largou a carcaça morta, de olhos vidrados e sem vida, enquanto ouvia a floresta fria. Os sons dos animais se distanciando do predador mais perigoso do planeta.
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  Seus sentidos eram aguçados. O cheiro de melodias, perfumes que suas narinas exalavam; ouvia com perfeição o coração batendo. Provavelmente poderia ouvir o som de cada gota de sangue que circulava pelos corpos dos animais ali perto. Entretanto, ela encarou apenas o corpo ceifado de vida.
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  Em um ato considerado inútil, ela o enterrou, mesmo sabendo que fora ela quem o tirara daquele mundo. De acordo com Fred, ela era humana demais, mesmo que já tivessem se passado alguns anos desde a sua transformação. Cavou a cova. O cheiro de terra batida e a umidade pelos dedos não a incomodavam mais enquanto o sangue seco se misturava às ervas. O corpo caído revelava olhos abertos e surpresos, como uma boneca em pânico.
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  %Elizabeth% se lembrava da primeira vez que caçou. Seu primeiro pensamento foi que aquele leão era mais saboroso do que cervos, de modo que deixou as pedras de lado. Talvez fosse mais um ato inútil. Fechou os olhos pensando que, se houvesse um Deus, Ele a tinha abandonado — mas o cervo embaixo da terra não merecia tal sofrimento.
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  Ela começou a correr. Talvez Fred estivesse certo sobre ela ser humana demais, mas a piada continuava enquanto pulava entre as árvores. Afinal, o que ela poderia perder mais? Sua humanidade, ou o que sobrou dela, ainda era a única coisa que restava de sua antiga vida.
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  %Elizabeth% era humana demais. Ouvia os sons da melodia enquanto cruzava a estrada vazia até o que eles chamavam de lar — embora talvez não fosse um lar como naquelas comédias que Charles gostava de assistir.
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  Porque ela estava pensando em Charles naquele segundo? O velho carrancudo que deixou para trás, dos risos suaves e altos... Pensar nele era um dilema suspenso em sua vida.
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  O som dos cheiros chegava às suas narinas. Os olhos dourados e límpidos observavam o que ela chamava de família disfuncional. %Elizabeth% flutuou até a entrada e paralisou: havia uma sinfonia de cheiros estranhos de sua própria espécie.
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  Doces demais. No meio deles, havia um aroma de whisky envelhecido misturado ao alecrim, o que atiçou a sua curiosidade. %Elizabeth% sentiu uma ardência leve no céu da boca enquanto a orquestra se movimentava. Um frescor gélido com metal pairava no ar, convidativo sob um toque de sândalo seco. Entretanto, havia um teor diferente do que imaginara, deixando sua alma agitada.
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  Desconhecidos. Com o som dos corações batendo em compasso, sentiu uma sensação sufocante assim que abriu a porta. %Elizabeth% encarou o grupo. Eram civilizados demais para serem nômades; as roupas limpas demais. O cheiro adocicado de animais flutuava pelo ar, mas foi o rastro de whisky envelhecido que a paralisou.
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  %Elizabeth% sentiu os olhos dourados e profundos fixos em si. Era a primeira vez que sentia seu coração gelado bater novamente, ao mesmo tempo em que todas aquelas emoções primitivas pareciam ter um motivo.
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  Do fundo de sua alma, ela soube: Jasper seria a sua ruína.
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JASPER

  O som da chuva misturava-se às batidas dos corações humanos. Há quanto tempo ele não bebia sangue daquela fonte? Jasper Hale percebeu que estava andando sem rumo. Fazia poucas horas desde que decidira descer até a cidade e, enquanto a sede arranhava a sua garganta, o som dos corações e a circulação nas veias alheias pareciam deliciosos. Aquilo o fazia querer quebrar o seu voto de castidade. Queria roubar vidas humanas, como antes, quando estava com Maria.
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  Soltou um longo suspiro diante de tais lembranças — a vida antes de Alice e depois dela. No entanto, ele sabia que não era essa a existência que desejara.
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  Ele ainda pensava em %Elizabeth%, a humana. Ela fora a primeira humana que ele deixou viva. Invadido por esse sentimento nostálgico, ele retornou para Calgary e encarou as casas. A informação estava em suas mãos; tudo havia mudado. Ele parou, praguejando-se mentalmente: se soubesse, teria vindo antes, exatamente como fizera no ano seguinte quando retornou à cidade atrás dela.
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  A notícia corria solta pela cidade de que os trigêmeos Swan haviam sido assassinados a sangue frio e seus corpos jamais haviam sido achados. Naquele momento, o primeiro instinto de Jasper foi rasgar a garganta de todos os suspeitos, até mesmo de George O’Hara. Entretanto, ele percebeu a lucidez do homem se esvair em medo e culpa.
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%Elizabeth% Lilian Swan
Amada filha
14 de dezembro de 1933
24 de julho de 1950

  Ela estava morta. Jasper Hale apenas depositou as flores sobre o túmulo. Ele ainda escutava o som da risada dela em sua mente e, mesmo quando tocava em Alice, às vezes pensava nos olhos cor de esmeralda, que pareciam duas pedras encarando-o enquanto as bochechas dela se coravam. Se havia algo de que ele podia se arrepender, era de não ter tentado transformá-la.
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  Ele sentia falta dela. Apertou os lábios, sabendo que, se soubesse que iria perdê-la tão cedo, teria cometido o pecado de pegar o fruto proibido para si. Aqueles pensamentos eram recorrentes em sua mente, desde quando descobriu que Alice não era sua parceira de alma.
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  Ambos sabiam disso quando entraram naquele relacionamento para esconder o próprio vazio. Sabiam que uma peça faltava naquela existência imortal. Talvez, desde o início, estivesse claro que eles só queriam se sentir amados por alguém. Mesmo com todo aquele entendimento e o entusiasmo dela, Jasper acreditou que as coisas boas tinham finalmente chegado e se deixou levar, até conhecer a humana.
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  %Elizabeth% Swan tinha os primores da idade quando a viu pela primeira vez. Era desejável, com uma pele que o atraía; amável e tudo o que Jasper não poderia ser para ela. Ele pensava em sua dívida com Alice, nos anos compartilhados e nas dificuldades em se manter longe da tentação. Por isso a deixou sendo humana, com sua pele quente e bochechas coradas, achando que era o melhor para ambos. Afinal, não queria deixar Alice sozinha naquele mundo, mas também não queria condenar %Elizabeth% àquela vida. Seria pedir demais; seria deixá-la sem nada além de amarguras.
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  Pequena demais.
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  Jasper observava a criatura de olhos dourados profundos. O rubor pela recente caçada deixava mais evidentes as covinhas escondidas em seu rosto. Os cabelos escuros como a noite contrastavam com sua pele de mármore imaculado, marcando seus traços enquanto os olhos pequenos mantinham-se atentos a ela. Ele arfou em sua mente.
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  Sua Lily estava morta como ele — a garota humana que deixou anos atrás, o sangue que cantava para ele através das veias. O cheiro de jasmim-da-noite emanava dela, a mesma garota que estancara seu sangue quando ele se machucara durante a guerra.
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  Jasper encarou %Elizabeth% Lily Davis — a garota de espírito selvagem que prometera voltar, a quem um dia jurara desposar antes de se tornar um monstro. O rosnado que escapou dos lábios dela soou alto, propagando suas emoções em ondas.
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  A garota encarou Alice. Oh, aquele detalhe. Alice apenas sorriu. A mulher de cabelos curtos e espetados sorriu de volta.
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  Mas Alice Cullen não era a sua parceira. Toda aquela explosão de sentimentos veio de imediato, como um soco em seu estômago. Emoções primitivas vinham daquela pequena mulher que parecia estar vendo um fantasma. O choque por tal criatura estar viva a paralisava; a vampira de cabelos longos e escuros exibia a pele rígida pela surpresa, as mãos tremendo, mas ainda era tão bela quanto ele se lembrava.
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  Os olhos em tons de dourado fixaram-se nele, trazendo à memória os olhos verdes como a grama que o encaravam encantados em Calgary. Jasper sentiu toda aquela enxurrada de emoções de uma vez: medo, tristeza, ansiedade... e conexão. Os olhos dela transitaram entre ele e Alice, observando as mãos unidas deles — um hábito de anos que criaram para manter sua existência com propósito.
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  Ciúmes.
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  Outra onda de emoções primitivas surgiu quando %Elizabeth% percebeu o olhar de Alice se direcionar a Cassius Swan. Este mantinha o rosto sério, enquanto uma nova onda de confusão emanava de ambas as vampiras. Jasper encarou a cena com ansiedade, entretanto, sua atenção foi desviada. Ele sentiu a fragrância de Maria na história. %Elizabeth% a matara. Um estalo soou em sua mente e ele pensou em várias formas de esquartejar Maria de maneira dolorosa.
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  %Elizabeth% pareceu processar os fatos mais rápido do que ele. Notando algo do lado de fora, franziu a testa de forma singular. Jasper sentia cada emoção dela. Em um estado de total ignorância ao redor, ele quis se aproximar de imediato, mesmo com todos os olhares sobre si.
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  Entretanto, a voz dela o deteve:
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  — Heidi está aqui. Cassius, você pode ir recebê-la?
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  Cassius encarou a irmã com a sobrancelha arqueada, assim como Alice. Havia uma ansiedade nos gestos de %Elizabeth% enquanto ela apertava as mãos uma na outra, forçando um sorriso.
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  — Claro. Ela está só?
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  — Não.
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  Sua voz soou mais fraca que o normal. Os vampiros do Clã Swan arquearam as sobrancelhas com a informação e se posicionaram. Benjamin acalmou Ângela, que assistia a tudo com o cenho franzido. Jasper sentia as emoções conflitantes do ambiente. Garrett suspirou, enquanto um dos Swan saiu logo atrás de Cassius. O loiro tocou nos ombros de %Elizabeth%:
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  — Ei, está tudo bem? Grandes emoções, não é?
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  — É.
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  Ela desviou do toque dele, prendendo os cabelos no alto.
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  — %Elizabeth%.
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  — Demetri está aqui — um estalo irritado soou da boca dela ao perceber a figura na porta.
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  O rastreador exibiu um sorriso indecente, fixando os olhos vermelhos como carmim nela, de uma forma sinistra que incomodou Jasper profundamente.
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  — Seja bem-vinda, chérie.
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  A voz dele soou amorosa, carregada de um falso entusiasmo para receber a visita. Jasper captou o sorriso fingido dela e a superfície de sua ansiedade. Demetri tinha os cabelos loiros escuros e vestia uma capa negra que quase tocava o chão. Sua expressão prazerosa parecia ser genuína enquanto entrava com passos fluidos como uma lâmina. Jasper o odiou de imediato. Sentindo o leve cheiro de sangue humano que o cercava, o recém-chegado estendeu a mão para ela.
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  Aquela mão imunda tentando tocar em algo angelical como ela... Jasper sentiu o perigo. Edward e Emmett se movimentaram pela sala, que pareceu extremamente abafada. Os olhos de Demetri focavam nela como se mais ninguém existisse no recinto.
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  Como um velho hábito, Jasper sentiu a mão firme de Alice e de Carlisle em seus ombros, oferecendo um semblante compassivo. %Elizabeth% encarou o rastreador e fez um movimento simples com a mão, negando o toque. Demetri suspirou ao percebê-la pouco à vontade.
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  — O que deseja, Demetri?
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  — Antigamente, você teria pulado em mim e me beijado, %Elizabeth% — disse de maneira indiferente. — O que houve? Nem pelos velhos tempos?
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  Jasper sentiu o ciúme corroendo suas estruturas, enquanto a mulher apenas revirou os olhos.
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  — Não seja assim, Demetri. Isso é passado — murmurou ela, fria. — Não acha que está na hora de seguirmos em frente?
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  %Elizabeth% sorriu da maneira mais gentil possível para manter a calmaria, porém o desejo inato de Demetri por ela era evidente. Jasper sentiu os olhos dele sobre ela e foi tomado por um forte enjoo ao decodificar a paixão daquele homem; Demetri a amava, da maneira estranha dele.
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  — Você parece diferente. Aro manda lembranças.
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  — Eu retribuo a gentileza.
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  — Se afaste dela, Demetri — a voz masculina cortou o ar. Cassius Swan leu a tensão entre as linhas de forma clara. Ele deu um passo à frente da irmã com as mãos nos bolsos, exibindo um sorriso de falsa cortesia. — Por favor.
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  — Cassius, sempre um estraga-prazeres — riu o loiro, retirando algo dos bolsos para entregar a Benjamin. — Eu tenho uma missão ao sul, mas resolvi trazer os presentes de Aro.
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  — Certo. Obrigada pela gentileza, Demetri — Benjamin manteve Ângela longe dele, mantendo o tom educado. — Mande minhas lembranças a Aro.
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  — Esta é a jovem Ângela? Adorável.
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  Benjamin expôs os dentes e rosnou. Demetri apenas riu.
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  — Eu não tenho interesse nela. Além disso, %Elizabeth% o detém completamente.
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  Jasper não conteve o rosnado. %Elizabeth% baixou os olhos.
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  — O que é isso? — Demetri indagou, intrigado.
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  “Não faça isso”, a voz feminina pediu na mente de Jasper, em tom de súplica. Ele percebeu o medo memorável na bela face dela, entretanto, Jasper Hale tinha outros planos. Ele andou até ela, envolvendo os dedos finos dela com os seus.
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  E a fera dentro dele se acalmou.
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  — Jasper, meu companheiro.
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  A voz dela soou coberta, derretida por algo genuíno. Naquele segundo, Jasper sentiu como se uma engrenagem estilhaçada fosse reparada dentro de si. O som que escapou dos lábios de Demetri parecia intrigado com a nova informação, enquanto Cassius soltou uma risada. Alice se colocou atrás de Cassius, tocando suas mãos de leve. O rastreador apenas encarou %Elizabeth%, em busca de uma confirmação.
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  — Diga a Aro que estamos bem. Obrigada pela visita, Demetri.
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  — É, você finalmente conseguiu. Aro ficará curioso. Não se esqueça de sua promessa.
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  — Eu não esquecerei, Demetri. Obrigada pela visita. Volte sempre.
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  — Sei que tem pouco desejo disso, minha cara.
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  Assim que ele desapareceu, %Elizabeth% relaxou os ombros pesados, soltando um estalo com a boca. As mãos de Cassius logo a ampararam.
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  — O que houve?
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  O silêncio foi a resposta. Ela puxou Jasper pelas mãos e pulou entre as árvores, ditando o ritmo. Ele a seguiu sem hesitar. A mulher o parou em uma campina um pouco distante, abrindo um sorriso.
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  — Por que não me ouviu?
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  — Eu não estava gostando das colocações dele.
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  — Pelo amor de Deus, Demetri tem pensamentos mais impuros do que você pensa — ela resumiu. Jasper sentiu a raiva crescer, mas a mulher riu de sua expressão. — Apesar disso, o que tivemos está no passado. Eu encontrei você finalmente, então não se preocupe.
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  — Vocês tinham...?
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  — Uns quarenta anos atrás, quando eu tinha vinte anos — murmurou pensativa, provocando-o. — Ah, bons tempos... Mas você estava na minha mente, então... Eu não fiquei mais do que alguns meses com ele.
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  Jasper Hale sentiu os dedos frios e delicados dela sobre a sua pele. Observou sua expressão curiosa enquanto ela aspirava seu perfume.
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  — Muito melhor do que as minhas lembranças — ela sorriu entusiasmada, com os olhos dourados memorizando cada parte do rosto dele.
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  Por um instinto inevitável, as bocas se colaram. Jasper sentiu a eletricidade passar por seu organismo morto — os dedos dela em seu cabelo, o corpo colado ao dele. Tudo o que sentira antes era um mero fagulho para aquela explosão. Sentiu a necessidade extrema de aspirar a fragrância dela, encostando seu nariz ao dela.
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  — Eu preciso que você fique calmo. Ok? Riley, por favor.
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  A sonolência o pegou de surpresa enquanto os olhos dourados dela sorriam.
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  — Eu sinto muito, Jasper.
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  O que pareceram alguns segundos transformou-se no despertar em uma cama fofa, cercada pela fragrância familiar e alguns livros espalhados. Jasper Hale sentiu a cabeça doer enquanto Alice tocava em seu rosto.
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  — Onde ela está?
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  — Ela foi ver Aro.
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  Jasper desceu as escadas o mais rápido que pôde, entretanto a porta estava bloqueada por Cassius, que parecia falsamente interessado em alguns livros.
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  — Ela irá retornar, Jasper. Que tal aguardarmos? Invadir Volterra não é uma escolha inteligente; afinal, Aro não vai matá-la.
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  Quarenta e oito horas. Malditas quarenta e oito horas. Jasper estava prestes a quebrar a cara de Cassius quando o som do motor ecoou. A mulher desceu do carro acompanhada por Carlisle. Esme correu para os braços do marido, enquanto Jasper apenas a encarou. O rosto dela não havia mudado nada.
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  — Você parece irritado. Não me trataram mal, mas parece que não foram gentis com você — disse ela.
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  O som levemente intrigado, enquanto observava as feições de Jasper.
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  — Nós fomos um amorzinho — concluiu Cassius. — Ele é quem quase me matou.
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  Jasper sentiu o estalo em sua cabeça ser substituído por uma leveza indescritível. %Elizabeth% riu de seu semblante sério.
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  — Oh. Você é realmente sentimental. Eu estou de volta. E isso vai acontecer a cada algumas décadas, então precisa aceitar.
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  — Algumas décadas?
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  — Aro deseja saber se tenho intenção de me rebelar contra ele — murmurou em tom solene, antes de sorrir. — Então, a cada dez anos, eu devo ir a Volterra reportar os meus passos. Apesar de que ele estava bastante interessado em você. Não se preocupe, ele não conseguiria me machucar mesmo que quisesse.
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  Jasper a apertou contra seu corpo, sem se importar que todos percebessem o quanto estava vulnerável para com aquela mulher. Ela tocou em seu nariz, descendo os dedos lentamente com um suspiro.
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  — Heidi não gostou de saber que você tem dona, Cass. Isabella muito menos. E Alec também não.
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  — Ei! — Cassius reclamou.
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  “Não serei a única a explicar amantes passados”, ela sussurrou na mente de Jasper.
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  Ele sentiu que, finalmente, aquela parte perdida sua — que acreditou que nunca mais veria — estava ali. Sorridente, irônica e viva.
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  — Podemos, Jasper? — ela perguntou enquanto ele tocava sua face.
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  “Nunca mais suma da minha vista.”
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  Jasper Hale sentiu o rosto dela contra a sua pele enquanto a eternidade os aguardava.
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Fim.

Capítulo único
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