Só Agora


Escrita porLeeh Way
Revisada por Helen


Capítulo único

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

  - Pri, você não vem? - perguntou Joe, que já estava pronto.
  Nós íamos fazer um show na virada, mas não era o que eu queria. Tinha alguma coisa errada. Me conheço o suficiente pra entender que quando eu não estou muito afim de fazer um show significa que não estou bem. Existia algo que meu coração queria jogar pra fora, mas que eu não estava permitindo.
  - Já estou indo, Joe! - falei, me levantando do sofá. - Falta pegar uma coisa! - avisei e ele apenas assentiu, saindo do meu apê.
  Corri para o quarto, à procura do meu caderninho e de uma caneta de qualquer cor. Precisa destilar um pouco daquele sentimento nas palavras. Quando achei o caderno, me sentei na cama um pouco mal humorada, pois tinha demorado mais de 5 minutos pra achá-lo. Parei e pensei por um momento, "o que eu queria escrever mesmo?", me perguntei. Não lembrava nem da metade das palavras que tinha em mente há cinco ou seis minutos atrás.
  Comecei a lembrar de coisas extremamente chatas que aconteceram em 2010.

  Flashback: ON

  Janeiro de 2010
  - Mas Daniel, você não acha que estamos nos precipitando? - perguntei um pouco nervosa, mas juro que não era por causa do pedido de casamento e sim pelo forma que ele havia feito; tinha me pego desprevenida.
  - Não. Por que precipitado se eu te amo e você me ama também? - ele perguntou, parecendo um pouco decepcionado com a minha pergunta.
  - Oras, acho que se nós esperássemos um pouco... E você ainda tem muita coisa que aproveitar! - eu disse sentindo um nó na garganta; estava praticamente o dispensando.
  - Como posso aproveitar a vida, ser feliz sem você do meu lado? Você acha que eu posso fazer isso sem você? - ele perguntou, a voz um pouco distorcida por um pouco de dor.
  - Não, mas eu... - não consegui terminar.
  Nós dois andávamos discutindo por muito pouco, isso era fato. Mas eu ter tomado a decisão de quase terminar tudo com o Daniel no dia em que ele me pedira em casamento já era demais.
  - Mas você? - ele perguntou, incentivando-me. Eu não podia falar. Merda. Estava falando besteira.
  - Esquece! Tem como você me deixar um pouco sozinha? - pedi, sentindo o mesmo nervosismo do começo da nossa pequena discussão.
  - Ok, estou indo! - ele disse, se levantando do sofá, dando-me um beijo na minha testa e saindo pela porta.
  Ele estava chateado, sabia disso melhor que ninguém.

  Flashback: OFF

  Pois é, odiei ter lembrado disso, mas fora inevitável.

  Flashback: ON

  - Mas que droga! Será que você me ama mesmo ou então eu que amo o que você é perto de mim? - perguntei, me afastando de Daniel depois de mais um ataque de ciúmes dele.
  - Eu te amo, você sabe disso. Só que eu não gosto do jeito como ele olha pra você! - reclamou, cruzando os braços, enquanto eu seguia para a janela.
  - Não tenho certeza agora. Quem ama, deixa livre; você não está fazendo isso - retruquei, fechando a cara. Já podia sentir aquela vontade irritante de chorar tomar conta de mim.
  - Eu não estou te prendendo, só estou... - ele não continuou e me abraçou forte.
  Mas aquilo não adiantava. Desde sempre, tinha enfiado na minha cabeça que se alguém - quem quer que fosse - realmente me amasse, me deixaria ser o que sou com todos os meus defeitos e qualidades. Me deixaria ser somente isso.
  - Daniel, acho que precisamos dar um tempo! - falei, preocupada com o peso que aquelas palavras teriam daqui pra frente.
  - É um tempo ou um adeus? - ele perguntou, me soltando e me encarando com os olhos bem tristes.
  - É um até logo, nem um tempo e nem um adeus! É como um teste! - eu expliquei desviando meus olhos dele.
  - Tenho medo do quanto possa durar esse até logo... - eles resmungou e eu me aproximei segurando seu rosto nas minhas mãos.
  - Vai durar quanto tempo for necessário para provarmos a nos mesmos que nosso laço é real e não feito de filó!
  Ele abaixou a cabeça e deu meia volta saindo da minha casa, como outras tantas vezes.

  Flashback: OFF

  Senti meus olhos queimarem com aquelas merdas de lágrimas que insistiram em lavar meu rosto. Eu não tive muitas coisas boas para lembrar de 2010. Talvez este fosse o problema ou não. Eu não sabia bem, mas metade daquela euforia, daquele sentimento estranho, havia se passado. Desisti de escrever alguma coisa e fui encontrar os meninos que já deviam estar desesperados me esperando.

  Dezembro de 2011
  Será que este ano eu tinha alguma coisa a reclamar? Provavelmente não. Fora o ano com mais boas lembranças do que minha vida inteira junta. Sério mesmo. Enquanto 2010 merecia um grande FUCK YOU, 2011 merece aplausos. Por quê? Bom primeiro porque tudo se acertou entre mim e Daniel. Não brigamos por nada durante esse ano inteiro e, o melhor, estamos esperando uma filha. Não sabemos o nome mas não temos dúvidas que será a criança mais amada do mundo.

  Flashback: ON

  Baby, tanto a aprender
  Meu colo alimenta a você e a mim
  Deixa eu mimar você, adorar você
  Agora, só agora
  Por que um dia eu sei
  Vou ter que deixá-lo ir!

  - E agora, você ainda tem dúvidas de que eu te amo? - perguntou ele, me abraçando e largando o buquê de rosas no balcão da cozinha.
  Durante um show do Nx Zero, que ele mesmo me mandou um vídeo, ele se declarou para mim na frente de todos, dizendo milhões de coisas que, pra mim, não eram apenas palavras e sim sentimentos.
  - Não, eu realmente não tenho dúvidas... Na verdade eu nunca tive! - sorri, beijando-o de forma calma.

  Flashback: OFF

  Eu sorri ao sentir nossa filha linda chutar. Ela sabia que eu estava pensando no pai dela.

  Flashback: ON

  Sabe, serei seu lar se quiser
  Sem pressa, do jeito que tem que ser
  Que mais posso fazer?
  Só te olhar dormir
  Agora, só agora
  Correndo pelo campo
  Antes de deixá-lo ir

  - Sabia que eu me sinto mais em casa quando estou com você? - falei, me sentando na grama fria daquele parque.
  - Verdade? - ele perguntou, um pouco sem jeito.
  - Sério, parece que quando estou com você tudo passa devagar. Sem pressa, do jeito que tem que ser! - ele riu e encostou sua cabeça em meu peito, fechando os olhos.
  Em questão de segundos, estava ele ali, dormindo. Eu sorri, porque o que mais poderia fazer? Continuei olhando ele dormir, antes que acordasse e eu tivesse que deixá-lo ir.

  Flashback: OFF

  Essa era uma das minhas lembranças mais lindas de todas. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu tranquilamente deixei que elas caíssem. Fazer o quê, eu já estava sensível mesmo por causa da gravidez; o que eu me fazendo de forte mudaria?

  Flashback: ON

  Muda a estação
  Necessário e são
  Você a florescer
  Calmamente, lindamente

  - Dani, eu tenho uma coisa pra te dizer! - falei, um pouco hesitante. Eu não sabia qual seria sua reação, então teria que ir com calma. Ainda mais porque essa situação ainda me trazia um pouco de medo, pelas primeiras experiências.
  - Pode falar, meu amor! - ele disse, me puxando para o sofá com ele.
  - É que eu to... GRÁVIDA! - eu disse, meio sem jeito, esperando a reação dele.
  - AHHHHH, MEU DEUS, QUE ÓTIMO! EU VOU TER UM FILHO! - ele pulou do sofá, fazendo umas dancinhas engraçadas e esquisitas que devia ter aprendido com o Di.
  - Pensei que você não iria gostar... - respirei fundo com um sorriso, pois ele tinha adorado.
  - Eu? Não gostar? Tudo que eu mais quero é um filho seu! - ele disse me abraçando e me beijando com cuidado.

  Flashback: OFF

  Comecei a rir sozinha e continuei vasculhando na minha memória as melhores lembranças.

  Flashback: ON

  Mesmo quando eu não mais estiver
  Lembre que me ouviu dizer
  O quanto me importei e o que eu senti
  Agora, só agora
  Talvez você perceba
  Que eu nunca vou deixá-lo ir

  - Você tem mesmo que ir? - perguntei, me levantando devagar; a barriga já pesava um pouco.
  - Vou, mas você sabe eu volto! E qualquer coisa o Duda, o Joe e o Martin vão estar aqui com você, Pri - ele disse, acariciando meu rosto.
  Suspirei, tinha medo de ficar sozinha e acontecer alguma coisa, mas ele tinha razão.
  - Eu te amo! - disse, abraçando-o e ele riu.
  - Eu te amo muito! Mas sabe, andei percebendo uma coisa... - eu o soltei, encarando-o confusa e ele continuou: - Que você nunca, nunca mesmo vai me deixar ir! - ele sorriu e concordei, o beijando com força.
  É realmente eu nunca ia deixá-lo ir.

  Flashback: OFF

  - DANIIII, A BOLSA ESTOUROU! - gritei, já sentindo dor.
  - AI MEU DEUS! - ele gritou de volta, saindo da cozinha correndo.
  Provavelmente 2011 era o ano das boas lembranças, como eu tanto desejei.

FIM
Capítulo único
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