Rivals

Escrita porSoldada
Revisada/Editada por Songfics

• ATO ÚNICO

Tempo estimado de leitura: 28 minutos

  SIRIUS BLACK ESTAVA TENDO UM DIA TERRÍVEL.
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  E boa parte disso era, inteiramente, culpa de %Cerci% %LaFay%. A corvina desgraçada, questionável, inconveniente e que mais parecia-se com uma bruxa má, de olhos grandes e esmeraldas, como os de uma coruja, cabelos desgrenhados que escapavam sempre da faixa azul em uma bagunça de cachos e frizz, sorriso idiota no rosto e uma precisão muito boa para conseguir tirá-lo do sério, havia passado dos limites. E sejamos sinceros, ele era Sirius Black, absolutamente ninguém, ninguém, conseguia tirá-lo do sério! Nem mesmo Snivellus era capaz de o fazer — e Severus certamente tentava; especialmente quando tinham perfeita consciência de que Sirius estava na mira de McGonagall outra vez, essa semana. Mas pelas barbas de Merlin se a garota não estava conseguindo entrar por baixo de sua pele e o fazer fumegar de raiva. Ah não, não era apenas isso, ou o cinismo insuportável da corvina — que ladina por si só, conseguia facilmente escapar das reprimendas com um sorriso inocente e uma expressão vazia! —, que estava o tirando do sério o dia todo, era também como Remus parecia completamente inafetado com toda a situação e como James parecia estar tentando se concentrar muito para não ter uma crise de risos fazia pelo menos, uns bons trinta minutos inteiros.
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  Um golpe terrível e preciso em seu bem mais precioso até o momento: seu ego. Sirius estreitou os olhos, lançando um olhar enviesado para os dois melhores amigos, o julgamento categórico preso em seu semblante emburrado, considerando se deveria acertá-los por serem um bando de traidores ou se deveria apenas continuar andando de um lado para o outro, como se isso fosse a única coisa que estivesse o impedindo de explodir com a crescente de raiva. Completos traidores, era isso que Remus e James eram de em se deram ao trabalho de defendê-lo quando %Cerci% %LaFay% havia apontando seu dedo imperiosamente e o chamado de “demais”. Pelo contrário, os dois pareciam estar se segurando desde o almoço para não rir e toda vez que olhavam para Sirius, se engasgavam desviando o olhar rapidamente para outro lado e fingindo interesse em uma parede ou algum dos fantasmas vagantes de Hogwarts — Remus, ao menos, estava conseguindo ser mais discreto sobre seu próprio divertimento, mas não era surpresa que ele estivesse satisfeito em ouvir Sirius ser maltratado por uma corvina idiota.
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  Sirius inspirou fundo, obrigando-se a desviar os olhos do semblante plácido de Remus, e, por sua vez, voltar a encarar o chão coberto de paralelepípedos que formavam-se no pátio. Cruzou os braços sobre o peito, exasperado, chutando com mais força do que deveria um pequeno cascalho que encontrava-se por seu caminho — acabou errando por alguns centímetros e agitando apenas as folhas que se acumulavam ali —, sem saber o que fazer consigo mesmo. De certo modo, uma parte de si estava ainda furioso com tudo o que havia acontecido. Tudo bem, tudo bem, ele precisava admitir que havia passado dos limites, ele estava ciente disso — e sua última discussão com Remus havia sido dolorosa o suficiente para que Sirius realmente tivesse passado duas semanas inteiras repensando suas atitudes. Ele gostava de aprontar, gostava de fazer pegadinhas, às vezes até mesmo cruéis com as pessoas, especialmente com Snivellus — que pedia por essas brincadeiras de mal gosto — ou %Dentinhos%, mas havia uma diferença gritante entre pregar uma peça que fosse humilhar e os fazer se contorcer para seu entretenimento próprio, e outra completamente diferente, era arriscar o segredo de Remus.
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  A última briga que os dois tiveram, Sirius tivera certeza de que a amizade entre eles havia acabado. Desta vez, o problema havia sido tão grande que não teria volta. Não importava o quanto ele tentasse se justificar ou ao menos corrigir o erro que tinha cometido — bem, não corrigir exatamente, porque, um, não podia voltar atrás do que havia feito, e dois, Minnie ainda estava pegando no seu pé pela falha tentativa de pesquisa por qualquer feitiço ou poção do esquecimento que pudesse usar em Snivellus para apagar a memória daquela fatídica noite — nada que tentasse fazer iria compensar Lupin, não importava o quanto tentasse pensar em maneiras de recompensar o melhor amigo. Mas, por Merlin, se Sirius não havia tentado! Era doloroso ver de todos, justamente, Aluado — com muita razão — que estava o ignorando deliberadamente, evitando-o como se fosse a própria concepção antropomórfica da praga. Não lhe respondia as importunações, e até mesmo atrevia-se a levantar-se de sua cadeira quando Sirius se sentava ao seu lado, disposto a tentar conversar. O gelo que estava levando do melhor amigo só passava quando James Potter — o traidor maldito que, agora, sequer disfarçava a risada baixa, rouca — se fazia presente. Não que Remus falaria diretamente com Sirius, mas era melhor do que o silêncio mortal que havia se instalado entre os dois; com James por perto, Remus interagia, fazia até piadas, mas mantinha os olhos longe de Sirius, as mãos ocupadas com alguma coisa, a cabeça virada para o outro lado.
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  Doloroso como era, Sirius genuinamente sentia-se mais e mais perto das lágrimas. Não choraria, é claro, ele era Sirius Black, e Sirius Black não chorava, ele se vingava e depois ria com gosto das pegadinhas que aprontava; não, ele não iria chorar na frente de Remus — não importava o quanto quisesse naquele momento. Era por isso, que redobrava seu ultraje ao pensar em %Dentinhos%. Aquela maldita garota! Sirius soltou uma exclamação exasperada, jogando as mãos para o ar, pronto para sair no soco com o vento quando James Potter — que amigo horrível! — caiu em uma gargalhada alta. Pior, até mesmo Remus pareceu tentar conter uma risada engasgada — ambos falharam miseravelmente. Sirius soltou um exalo, ultrajado, abaixando-se para pegar os primeiros cascalhos que encontrara pelo caminho e então, voltando-se para os dois, passou a arremessá-los com toda força. Acertou duas pedrinhas no ombro de James, que caiu para trás, em uma gargalhada alta e contagiante. Remus, por sua vez, desviou do projétil com a capa do livro que estava lendo, um sorriso largo iluminou seu rosto, fazendo seus olhos se acenderam e as linhas da cicatriz que decoravam sua face suavizarem. Algo no peito de Sirius se contraiu, sua garganta se apertando um pouco, ao sentir aquela familiar sensação cálida que ele nunca ousara dar um nome ou explorar a fundo.
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  Ao em vez disso, ajeitou suas vestes, lançando um olhar venenoso para os dois, o dedo, imperiosamente apontado para James, prometia retribuição.
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  — Não tem graça! Para, os dois! — Pedir para que Lupin e Potter parassem de rir era apenas uma receita para aumentar as gargalhadas. Agora os dois estavam rindo com gosto, James se debatia no chão, enquanto Remus empurra a mão do outro amigo para longe de si, tentando manter-se sentado no banco de pedra do pátio. Sirius estreitou os olhos, cruzando os braços sobre o peito. — Lealdade é um componente bem importante para um grifinório, idiotas… — Sirius murmurou frustrado, acusatório. James limpou uma lágrima abaixo de seu óculos, respirando fundo algumas vezes antes de se levantar.
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  — Ah, vai, foi engraçado, ela acertou em cheio, e a sua cara depois, impagável — James levou a mão esquerda em direção aos cabelos, tentando livrar seus cabelos escuros das folhas que acumulavam-se ali, ainda parecendo estar entre respirar fundo para acalmar-se e, ao mesmo tempo, lutando para não voltar a rir alto. Sirius lançou um olhar mortal na direção do melhor amigo, dando um passo em sua direção.
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  — Ela literalmente me disse que sou demais! Que sou muito! Não tem nada de engraçado nisso, %Dentinhos% se acha uma grande sabichona, mas a verdade é que só é mais uma lunática da Corvinal! — Sirius retorquiu, defensivo e com seu ego em frangalhos. Remus revirou os olhos, mas o sorriso largo preso aos seus lábios só piorava a situação. Sirius trincou os dentes com força, balançou a cabeça de forma negativa, e então, com exasperação, voltou a andar de um lado para o outro. Precisava fazer alguma coisa para aliviar a própria frustração, ou Merlin que o perdoasse, mas ele iria ir atrás de %Dentinhos% e encontraria uma forma de acertar as contas com ela. — Logo ela! %Dentinhos%! Querendo falar alguma coisa sobre mim?! Por favor, eu não sou demais, eu sou… — Sirius pausou por um momento, parando no lugar, os olhos moveram-se de um lado para o outro enquanto tentava encontrar uma forma mais elegante e satisfatória de se autoproclamar.
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  — Irritante? — Remus ofereceu com um estado de espírito mais brilhante que o sol. Sirius o ignorou categoricamente com um olhar enviesado.
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  — Exagerado? — James completou com um risinho mal disfarçado. Remus voltou-se para Potter, apontando na direção dele, rindo baixo.
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  — Não, não, acho que ela havia dito outra coisa — Remus pausou fingindo precisar de um momento para se lembrar das palavras de %Dentinhos%, quando Sirius sabia perfeitamente que a memória estava vivida e fresca na mente de ambos. — Dramático — Lupin deu de ombros, singelamente, levantando-se do banco e ajeitando os robes da Grifinória com desinteresse. — Concordo com ela, você é bem dramático às vezes.
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  — Não sou dramático! — Sirius exclamou exasperado, apontando na direção de Remus outra vez, antes de voltar a caminhar. — Sou apenas muito intenso! Só isso! Além disso, quem se importa com a opinião que %Dentinhos% pode ter de mim? Não é como se ela sequer fosse alguma coisa se não a esquisitona da Corvinal — Sirius bufou, revirando os olhos, tentando menosprezar %Cerci%, embora uma parte dentro de si, sentiu-se um tanto quanto desconfortável. Certo, ele não estava sendo exatamente justo com a garota, ela poderia ser esquisita, ter olhos grandes demais para serem considerados “normais” para os padrões de beleza que estava acostumado a ver por aí, e ser uma nascida trouxa, mas ela ainda era inteligente, e bem criativa quando queria. E havia algo que ela escondia que Sirius não saberia dizer ao certo o que poderia ser, mas que deveria ser perigoso, porque ela tinha aquele aspecto de quem estava aprontando e escondendo algo habilidosamente dos professores. Era frustrante, quando Sirius tentava aprontar alguma coisa, havia sempre um professor ali para impedi-lo ou flagrá-lo, a punição certamente não tardaria a vir, mas quando era %LaFay%… — Sério, qual é o problema dos Corvinos? Eles são sempre tão… — Sirius balançou a cabeça tentando afastar aquele pensamento de sua mente. Tinha problemas maiores, como, por exemplo, encontrar uma maneira de se vingar de %Dentinhos%.
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  Remus bufou, lançando um olhar enviesado na direção de Sirius. O rapaz tenciona a mandíbula, parecendo achar deveras interessante o chão de pedra, a encarar o rosto do melhor amigo.
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  — Você só está falando isso tudo porque dessa vez %Dentinhos% acertou em tudo o que disse sobre você, Black — Sirius apertou os lábios em uma fina linha, lançando um olhar irritado na direção Lupin, um aviso silencioso pairando por seu olhar. A mágoa estava ali, igualmente, mas havia mais incômodo do que revolta; Sirius sabia que Remus ainda estava magoado com sua pegadinho com Snivellus, sabia que Remus não o perdoaria assim tão cedo por ter quase arriscado a vida de Snivellus, mas mesmo assim, era cruel Remus o chamar pelo sobrenome, especialmente quando sabia perfeitamente o que causava em Sirius. Se Remus parecia assim tão determinado a machucá-lo, importava desculpar-se? Remus pigarreou, coçando o pescoço, distraidamente. — Ela tem um ponto, você é dramático demais, às vezes, é por isso que está tão ofendido assim. Se ela tivesse chamado você de qualquer outra coisa, eu dúvido que estaria aqui, agora, andando de um lado para o outro, como um dos hipogrifos de Hagrid.
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  James deu de ombros, alheio às entrelinhas compartilhadas entre Remus e Sirius.
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  — Ou talvez, você só esteja assim porque ela não cai no seu charme, Almofadinhas — provocou James, e Sirius piscou, mais ofendido pela ideia do amigo achar que ele queria ter o olhar de %Cerci% voltado para si do que pelo prospecto de ser chamado de exagerado.
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  — Não se atreva, Potter! — Bradou Sirius, para o deleite de James, que se jogou para a esquerda, desviando de uma pedra bem maior dessa vez, que Sirius havia arremessado. Sirius lançou um olhar ao redor, buscando por mais uma pedra, mas quando não encontrou nenhuma, tivera uma brilhante ideia: lançou-se contra James, derrubando-o no chão com um “ouch” baixo e entrecortado, tentando imobilizá-lo.
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  Dois minutos depois, James estava com o rosto pressionado contra os paralelepípedos de pedra que formavam os caminhos do pátio de Hogwarts, com um Sirius descabelado e ofegante sobre ele, dando-lhe uma chave de braço apertada, e o prendendo com as pernas no chão, preso às costas do Artilheiro da Grifinória. Sirius sufocou uma risada baixa, apanhando um amontoado de folhas secas e lama com a mão esquerda, com um supetão tentou obrigar James a abrir a boca para engoli-la. James gargalhou baixo, se debatendo.
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  — Vai, fala de novo, repete o que você disse! — Sirius provocou com um sorriso largo, antes de soltar o amigo. Limpou as duas mãos rapidamente, chacoalhando-as, antes de se levantar com um movimento rápido, estendendo a mão direita para ajudar James. James, como sempre, apenas bufou, aceitando o gesto com um aperto firme, deixando-se ser alçado pelo moreno. — Otário, nem todo mundo é um idiota apaixonado como você, Potter — Sirius revirou os olhos, e Remus deixou um sorriso torto surgir por seus lábios. Ao menos nisso eles ainda compartilhavam algo; sempre poderiam zoar juntos James Potter por sua paixonite não tão secreta por Evans. Sirius lançou um olhar ao redor, fingindo desinteresse, ajeitando outra vez seus robes, e então seus cabelos. — Além disso, se %Dentinhos% é alguma coisa, certamente, bonita não é! E ela cheira incenso o tempo todo. É nojento, além de esquisito.
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  James bufou, lançando um olhar de soslaio para Sirius, antes de sorrir para Remus, uma provocação singela e disfarçada pairou no olhar do Artilheiro que pegou Sirius desprevenido. Não era comum que ele sobrasse entre seus amigos, normalmente era Peter ou Remus quem sobrava, às vezes, até Marlene, mas o olhar compartilhado entre os dois melhores amigos o fez sentir-se, de repente, de fora de algo que não sabia ter perdido até o momento. Sua garganta pareceu inchar, de repente engolir tornou-se uma tarefa hermética, e o desconforto aumentou por sua pele. Quando aquilo havia acontecido?
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  — Ah, o Remus acha, não acha, Aluado? — James pontuou. A provocação de Potter soou estranhamente perigosa pelos ouvidos de Sirius, a surpresa, impossível de ser ocultada em seu semblante, pareceu repercutir como pequenas ondas à beira mar, ao voltar seu olhar para encarar o semblante cuidadosamente defensivo de Lupin. O rapaz tenciona a mandíbula com força, observando atentamente o melhor amigo, sem saber ao certo como deveria reagir aquela informação; uma parte de si, sentiu-se extremamente ofendido por sequer ter a ideia de que Remus poderia achar %Dentinhos% alguma coisa que não fosse puramente insuportável, eles se conheciam desde que tinham 11 anos, e ela era de longe a mais chata das meninas que eles havia encontrado. Já a outra parte de Sirius, uma parte desconhecida mas que fez-se presente com maior intensidade do que deveria, pareceu revirar seu peito, algo amargo e pesado projetou-se ao centro conforme seu coração se contraia até ficar do tamanho de uma noz. A ideia de que Remus poderia ter algum interesse em %LaFay%, por menor que fosse, era horrenda, abominável, assustadora, mas pior do que isso, Sirius não saberia dizer ao certo o porquê disso. Ele não saberia dizer se era porque %Cerci% o incomodava, ou por não querer perder Remus. Misturou-se em um amontoado sufocante que apenas o fez sentir-se mais e mais próximo de um precipício invisível.
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  Quando começou a perder Aluado? E como poderia impedir isso? Quando %Cerci% havia deixado de ser a garotinha irritante que era um excelente alvo para pegadinhas para ser… o que quer que James estivesse sugerindo? Não, não! Sirius não deixaria ela destruir mais nada. Ele a faria se arrepender, ela pagaria por… por o que quer que estava fazendo!
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  — Não acho nada — Defendeu-se Remus, mas algo na maneira com que a voz dele falhou pegou Sirius desprevenido. Foi como esfregar sal sobre uma ferida aberta, ardeu mais do que se ele tivesse admitido que possuía algum tipo de interesse pela corvina; Sirius não saberia dizer ao certo se teria sido mais fácil engolir as palavras, todavia, se tivesse sido ditas de forma diferente. Remus uniu as sobrancelhas, empurrando James para o lado, que riu baixo, cambaleando para o lado antes de colocar-se a espreguiçar-se com um grunhido exagerado. — Já falei para você parar com essa merda, Pontas, só porque ela é uma garota não significa automaticamente que exista algo onde não há. Ela é gentil, só isso.
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  — Aham — James lançou-lhe um olhar enviesado. Um olhar que Sirius detestou perceber no rosto do melhor amigo. Fechou as mãos em punhos cerrados, tentando controlar o impulso de explodir com Lupin e implorar por explicações. — E amigos ficam de segredinhos e cochichos na biblioteca agora, é?
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  Remus piscou, estupefato. Sirius prendeu a respiração, furioso.
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  — Ficam? — Remus respondeu com um tom redundante em sua voz, como se estivesse expondo algo obvio, e James soltou uma exclamação, percebendo o quão estúpido havia acabado de ser, já que eles ficavam de segredinhos e cochichos a onde quer que iam. Sirius, por sua vez, sequer ouviu a discussão dos amigos. Inspirando fundo, encheu seu peito de ar, fechando as mãos com força em punhos firmes, buscando com o olhar pelo rosto da maldita corvina. Considerando que faltava algumas horas para a aula de transfiguração com Minnie, ela deveria estar saindo da biblioteca exatamente…
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  Um amontoado de cabelos desalinhados, presos por uma faixa de cabelo preta surgiu pela visão periférica de Sirius que imediatamente a localizou. Carregando livros, com um papel na mão esquerda, parecendo distraída demais para olhar para qualquer outro lado que não fosse as próprias anotações. Um desenho, considerando o amontoado de pontilhados que havia na folha amassada, mas Sirius pouco importava-se. Marchando em direção a jovem, Sirius uniu as sobrancelhas, tentando parecer o mais intimidador possível. Podia ouvir atrás de si, Remus avisando-o para que ele não fizesse nenhuma besteira — uma pontada afiada atingiu seu peito ao perceber certa ponta de veneno na voz de Remus, na amargura que o melhor amigo agora carregava por um erro que Sirius havia cometido — enquanto James sufocava um bufar, resmungando alguma coisa inteligível. %Dentinhos% é claro só percebeu que Sirius se aproximava quando o rapaz já estava quase em cima dela, e como sempre, deu aquele maldito saltinho para trás, e ergueu os livros como se estivesse preparando-se para arremessá-los outra vez na cabeça de Sirius. Sirius estreitou os olhos.
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  Assim de perto, ela parecia até mesmo apresentável. É claro se você ignorar os olhos, a maneira descuidada que os cabelos pendiam por seus ombros ou ultrapassavam a faixa de cabelo preta que emoldurava o rosto. Ela era uma figura completamente questionável, se fosse levar em consideração os costumes de um bruxo, os olhos dela estavam sempre decorados com alguma coisa, uma tinta suave colorida ou então uma linha preta que já ouvira chamar de “delineado”, um costume entre as garotas trouxas de usar, os lábios sempre brilhavam com uma tonalidade avermelhada de algo que ela chamava “gloss” e pareciam ter cheiro de doce. Uma vez ele perguntou a ela se realmente tinha gosto de doce, querendo vê-la corar e ficar sem jeito, mas %Dentinhos% sendo %Dentinhos% esfregou a mão na boca, tirando a gosma brilhante dos lábios e então esfregou no rosto dele. Sirius havia passado o resto do dia inteiro cheirando a morango.
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  — Então, assim, se você não tiver nada para falar, dá uma licença aí, quero chegar na sala antes da Professora… — %Cerci% começou a dizer com aquele tom de voz enfurecedor que sempre usava quando se direcionava ele; não era desdém, tampouco desinteresse, era apenas uma apatia programada, com umas notas mais afloradas de desafio e desprezo. Ela não o respeitava, isso era bem evidente, mas era condescendente com ele também. %Cerci% forçou um sorriso largo, exibindo os dentes que a deixaram famosa, ela tinha os caninos mais pronunciados do que o resto de seus colegas, e Sirius viera a descobrir que ela detestava sorrir por causa disso. Ela também havia o mordido quando eles tinham 11 anos e Sirius correu na frente para tomar o lugar dela no vagão do trem, a marca havia gerado uma revolta coletiva entre ele e seus amigos que apelidaram ela de %Dentinhos%. Acontece que o apelido bem lhe calhou, já que %Cerci% só sorria quando estava prestes a morder alguém.
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  Sirius estreitou os olhos, por precaução, levando os dois braços para trás.
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  — Não tem nada para me dizer não?
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  %Cerci% fez uma careta, considerando as palavras dele por um momento. Sirius prendeu a respiração, irritadiço, por Merlin ele quase podia ouvir o barulho da mosca atravessando os ouvidos dela, de um lado para o outro. Não havia nenhum pensamento ali, só vazio. Sirius bufou consigo mesmo, quase rindo de sua própria piada.
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  — Tenho quase certeza que Mandrágoras podem ser consideradas tubérculos — ela disse, aleatoriamente, obrigando Sirius a empinar seu nariz desdenhoso. Lá estava, a parte Corvina de %LaFay%. Sempre aparecia em momentos inesperados e sempre era tão esquisito quanto da primeira vez que ela disse algo estranho para ele nos corredores de Hogwarts.
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  — Você sabe que é bem esquisita não é? Já disseram isso para você, %Dentinhos%? Porque se não? Deveriam — Sirius provocou, mas %Cerci% inclinou a cabeça para o lado, observando-o como a maldita coruja que era. Céus, os olhos dela não deveriam ter essa estranha intensidade quando voltavam para ele. Sirius podia sentir o julgamento da garota só pela maneira com que ela estreitou o olhar. Defensivo, Sirius ergueu o queixo desafiadoramente. — Peça desculpas, agora, na frente de todo mundo, pelo o que me chamou.
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  %Cerci% fez uma careta, estupefata.
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  — Me obrigue.
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  A raiva e a frustração acumularam-se no peito de Sirius que a fuzilou com o olhar. Tencionou a mandíbula com força, apontando o dedo na direção do rosto dela, esquecendo-se do perigo real que era apontar alguma coisa para %Cerci% %LaFay% — apenas duas pessoas haviam apontado os dedos para ela, e as duas haviam levado mordidas dolorosas nos dedos.
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  — Você se acha esperta, não é %Dentinhos%? A sabichona que sabe tudo e ninguém pode pegar, mas você não passa de uma pessoa bem cruel se quer saber. Eu nunca chamei você de esquisitona maluca, e você sabe que é, se a chamasse assim todos iriam entender perfeitamente bem! Mas você me chamar de demais é um absurdo! — Sirius começou a dizer, cedendo ao impulso e sua própria frustração crescente. %Cerci% bufou, o canto esquerdo de seus lábios se retorceu um pouco em um quase sorriso descrente. Ela franziu o cenho, parecendo estar decidindo entre manter uma expressão séria ou começar a rir. Sirius viu vermelho. — Acha mesmo que pode dizer o que quiser sobre as pessoas? Isso é cruel %LaFay%. E além disso, uma grande mentira! Todos sabem que sou apenas intenso, não demais. Esse é o preço de ser uma pessoa tão…
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  — Insuportável? — James ofereceu de algum ponto atrás das costas de Sirius, e o riso abafado de Potter deu a certeza a Sirius que Remus deveria ter interferido, porque a voz do Artilheiro soou abafada posteriormente, mal compreensível. Os lábios de %Cerci% de repente se entreabrir em um perfeito O chocado, como se ela tivesse entendido alguma coisa finalmente. Sirius prendeu a respiração, julgando-a profundamente quando ela levou a mão de forma afetada em direção a boca, como se estivesse cobrindo os lábios com horror.
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  Por Merlin ele a detestava.
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  — Não… você está me censurando?! — Exclamou %Cerci% com um cinismo insuportável, mas característico. Sirius considerou agarrá-la pelos ombros e a chacoalhar até que ela tivesse parado, mas temia mais por seus dedos do que qualquer coisa. E se ela o mordesse e ele precisasse tomar alguma poção contra venenos? — Espera, espera, volte ao começo, não quero perder nenhuma palavra! — %LaFay% exclamou animada, repousando seus livros e papeis sobre um banco mais próximo, antes de voltar a aproximar-se de Sirius. Ajeitou os cabelos como se estivesse se preparando para algo, e então, com o sorriso mais insuportável possível, completou: — Pronto, vai, pode começar de novo — Sirius só não revirou os olhos porque tinha quase certeza que, se o fizesse, acabaria não apenas enxergando seu próprio cérebro como torcendo igualmente seu globo ocular permanentemente, prendendo-o dentro de seu crânio.
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  Sirius fez uma careta.
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  — Você se acha muito inteligente não é? Pois fique sabendo que… — Sirius começou a dizer, de novo, determinado a ofendê-la até que ele tivesse entrado dentro da pele dela, tanto quanto ela havia entrado na pele dele. Apesar de sua determinação, o rapaz se silenciou abruptamente quando %LaFay%, sabe-se lá raios o porquê, começou a dançar ao som de sua voz. Para cada palavra proferida, para cada provocação e ofensa, %LaFay% fazia um movimento. Estupefato, piscou, sem ocultar o ultraje pela atitude da garota, dando um passo para trás, observando-a mover a cabeça em um ritmo imaginário que deveria estar “tocando” dentro de seu cérebro claramente perturbado. — O que há de errado contigo, %LaFay%.
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  — Oh! Minha parte preferida! — Exclamou %Cerci%, entre um tom genuíno e puramente debochado, quase batendo o cabelo com o tom acusatório de Sirius. Sirius praguejou entre dentes, cedendo outra vez ao próprio impulso e tentando avançar na direção dela; iria agarrá-la pelos ombros e chacoalhá-la até que ela parasse com aquela cena ridícula. As mãos de Remus agarrando o colarinho de sua blusa e robes da Grifinória foi a única coisa que o impediu de avançar na direção da corvina insuportável.
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  — Não está ajudando, %Cici% — Remus advertiu, mas Sirius podia ouvir o sorriso em sua voz. Isso apenas o irritou ainda mais; quem diabos Remus pensava que era para sorrir para %LaFay%? Era para ele ficar com raiva, ou provocá-la, dizer o quão estranha ela sempre havia sido, como ele fazia!
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  %Cerci% bufou, revirando os olhos, mas ao menos, tivera a decência de parar de dançar como uma lunática no meio do pátio ao som das vozes de sua cabeça.
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  — Awn, mas essa é minha preferida. Adoro ouvir “O Lamento Black”, dos discos “Latidos de Vira-Lata”, é a melhor! — %Cerci% provocou um sorriso incandescente preso em seus lábios, parecendo adorar cada segundo daquela situação. Remus fechou os olhos, e James tossiu audivelmente, controlando com um engasgo o riso crescente. Isso apenas ferveu ainda mais o sangue de Sirius que debateu-se para que Remus o soltasse.
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  %Dentinhos% sorriu outra vez, uma ameaça velada na maneira com que ela expôs os dentes, e então, voltou a pegar seus livros e papeis do banco. Sirius achou que ela continuaria desafiando-o, que continuaria a provocá-lo, mas então, ele a viu correr por sua vida em direção ao corredor, claramente ciente de que havia o estressado o suficiente para que ele estivesse tentando alcançá-la da forma que dava. Um riso baixo quase surgiu por seu peito. Havia uma sensação satisfatória naquele morde e assopra que os dois compartilhavam; ela o tirava do sério, então ele aprontava uma pegadinha que a fazia ficar irritada pelo resto do dia, e o ciclo se repetia. Havia uma sensação de excitação em fazer %Cerci% %LaFay% pagar por sua insolência — mesmo que fosse, de certa forma, apenas uma resposta a tudo o que Sirius já havia feito a ela. Então o rapaz apenas se debateu, tentando soltar-se do aperto de Remus, desesperado para alcançá-la antes que ela conseguisse chegar à sala de aula, e tivesse a proteção de McGonagall outra vez.
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  — Solta ele — James disse de supetão, com um sorriso largo, apenas para que Lupin o ouvisse. Remus lançou-lhe um olhar de soslaio, parte o censurando, parte curioso com a ideia a se formar na mente travessa de Potter.
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  Remus considerou por um momento, mordendo o interior de suas bochechas antes de assentir, contendo um pequeno sorriso conspiratório.
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  — 10 que McGonagall o pega primeiro, do que ele alcança ela — Remus disse por fim. James revirou os olhos, mas concordou com um menear de cabeça.
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  — Fechado — E com isso, Remus soltou o colarinho de Sirius, que atrapalhado, cambaleando um pouco, disparou como um raio atrás de %LaFay%. Promessas de retribuição se perderam nos corredores quando os dois rolaram escada abaixo, em um amontoado de braços, pernas e grunhidos, aos pés de uma professora McGonagall irritadiça. — Qual é! Que droga! Como você continua ganhando isso? — Praguejou James com um sussurro, apalpando os bolsos de seu robe, antes de revirar os olhos para o sorriso torto e a expressão satisfeita de Remus.
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  Remus pegou a nota, lançando-lhe uma piscadela travessa para James, antes de girar em seus calcanhares com um riso baixo, seguindo na direção oposta em que a voz irritada de Professora McGonagall recriminava Sirius e %Cerci%.
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Fim

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