Ready For It?


Escrita porStephanie Pacheco
Revisada por Natashia Kitamura


Prólogo

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

  Antes de %Venus%, havia apenas o vazio e a dor.
  As paredes frias ecoavam o silêncio, que era interrompido vez ou outra por grunhidos baixos, sôfregos. O medo paralisava, por mais que não se soubesse exatamente o que temer. A desesperança estava impregnada como um veneno, matando pouco a pouco, destruindo lentamente.
  Seus passos foram discretos, tão sutis quanto as patas de um felino tocando o chão, no entanto, seu primeiro ataque foi tão certeiro quanto o bote de uma serpente.
  Um golpe perfeitamente executado, acertando a têmpora do primeiro guarda, que mal teve tempo para assimilar o que estava acontecendo.
  Com a sombra de um sorriso ameaçando aparecer, ela seguiu seu caminho, sabendo exatamente onde estaria o próximo homem que precisava nocautear.
  Aquele trajeto estava perfeitamente gravado em sua mente. Cada corredor, cada sala e depósito da base haviam sido minuciosamente estudados, principalmente certos pontos estratégicos.
  Apressando mais seus passos, %Venus% tomou impulso para acertar um chute logo abaixo do queixo de sua vítima e segurou o corpo antes que tombasse fazendo algum estrondo. Então observou atentamente suas feições, assimilando cada uma delas e respirando fundo.
  Um formigamento já bem conhecido por ela tomou conta de seu corpo e, no instante seguinte, qualquer pessoa que a olhasse não diria que aquela era %Venus% %Faulkner%. Ganhando alguns centímetros de altura, mais massa muscular e costeletas horríveis junto a um corte de cabelo duvidoso, sua aparência era exatamente a mesma do guarda desacordado em suas mãos.
  Com uma careta, %Venus% o largou e retornou ao seu objetivo. Não tinha muito tempo, cada um de seus movimentos havia sido calculado e erros não poderiam acontecer.
  Em poucos minutos, mais uma base da Hydra estaria fora de circulação.
  Quando encontrou os três próximos guardas, não precisou lutar contra eles, não quando todos achavam estar vendo ali apenas mais um colega de trabalho. E aquilo se repetiu nos próximos corredores por onde %Faulkner% passou, fazendo todas as paradas necessárias até o momento em que se viu diante do ponto crucial de sua missão.
  Como se fizesse aquilo todos os dias, ela seguiu em direção às portas do que claramente era um laboratório, já que havia uma placa de alto risco, porém foi barrada antes que prosseguisse.
  — O que pensa que está fazendo? — o homem rosnou, empurrando uma mão em seu peito.
  %Venus% se empertigou, fingindo indignação.
  — Preciso entrar. Tem uma papelada que o Doutor precisa assinar. — Enquanto mentia, seus olhos percorreram o guarda, registrando que se apoiava mais na perna esquerda e que ele demoraria pelo menos mais dois segundos para conseguir atirar nela, já que sua arma estava travada.
  — Qual é o seu nome mesmo? — Aquela pergunta deixou claro que o homem não havia comprado a mentira e %Faulkner% tombou a cabeça de lado, deixando um sorriso sarcástico se formar.
  — Eu não me preocuparia com o meu nome se fosse você, querido.
  O próximo barulho foi o do joelho dela acertando o estômago do guarda, que ofegou, buscando por ar e tombou para frente apenas para levar um soco no nariz. %Venus% não era muito fã do estalo que os ossos faziam quando partiam, mas era um tanto satisfatório quando a pessoa atingida era mais um dos porcos da Hydra.
  Como imaginava, logo mais dois guardas vieram correndo, ficando momentaneamente assustados porque aparentemente ela era um deles e a hesitação era perfeita para serem pegos desprevenidos.
  Acertando um chute na lateral do rosto de um e uma cotovelada no queixo do outro, %Venus% soltou o ar sonoramente.
  — Vocês nem se esforçam para lutar comigo. Não tem graça.
  Então, antes que perdesse mais tempo, ela finalmente empurrou as portas do laboratório.
  O cientista que estava ali dentro não era exatamente o esperado por %Faulkner%, muito menos a cobaia que encontrou.
Aquelas informações haviam sido trocadas por algum motivo, porém não era o momento de questionar isso.
  — Eu poderia dizer que não é nada pessoal, mas, na verdade, é. — %Venus% estalou a língua enquanto olhava o cientista à sua frente, que tremia completamente incapaz de se mover.
  O acertou com um soco na mandíbula e não fez nem questão de parar para ver o resultado.
  De repente, toda a sua atenção estava voltada para a cobaia.
  Aprisionada em uma espécie de caixa de vidro, a mulher estava nua, encolhida feito uma bola, tremendo tanto que parecia prestes a entrar em colapso. Um arco estranho pressionava suas têmporas, seus olhos estavam vidrados em um ponto só e quando ela soltou algumas palavras desconexas, em um lamento, %Venus% percebeu que eram dela os grunhidos que ouviu antes.
  Dando alguns passos para mais perto da caixa, %Faulkner% procurou qualquer vão ou porta por onde a mulher poderia sair, mas sem sucesso.
  Aquilo a fez franzir o cenho. Como estavam a mantendo naquelas condições?
  Desviando o olhar para o seu redor, viu o monitor que certamente registrava todos os dados sobre aquele experimento e no exato momento em que focou seus olhos nele, um estalo pôde ser ouvido e a tela se apagou em questão de segundos.
  — Não.
  %Venus% rapidamente voltou a encarar a mulher dentro da caixa de vidro e ela permanecia da mesma forma, mas sabia que o som havia saído dela. Não havia mais ninguém consciente naquele lugar.
  — Ei, eu só estou tentando… — Mais uma vez, %Faulkner% se aproximou.
  — Não! — Dessa vez, a mulher disse com mais intensidade e se virou para encará-la.
  Seus olhos eram castanhos, mas havia algo neles, um brilho azulado diferente de qualquer coisa que %Venus% havia visto.
  — Eu não vou ser apagada de novo. — O tom agora era de ameaça.
  — Não vim aqui para te apagar. — %Faulkner% tentou usar seu tom mais gentil, sentindo que seu coração se apertava por ver a forma defensiva como a mulher agia.
  — Foi isso que ele também disse. Não confio em você. — Indicou o cientista caído, arrancando uma careta de %Venus%.
  — Mas eu não sou como ele. Eu vim aqui te ajudar. — E percebendo uma leve hesitação, prosseguiu. — Nós não temos muito tempo. Logo mais guardas da Hydra vão entrar por aquela porta. Então você precisa me dizer como abrir essa caixa de vidro onde você está.
  — Você não é um deles mesmo? — Ainda havia dúvida e, pelo olhar que ela lhe lançou, %Venus% se deu conta de que ainda estava parecendo um guarda da Hydra.
  — Não. Não sou. — E abrindo um pequeno sorriso, voltou à sua forma normal, vendo a mulher ficar um tanto impressionada. — Agora me diz como abrir essa coisa.
  — Vira aquela chave. — Indicou um painel logo atrás de %Faulkner%, que imediatamente correu até lá e obedeceu.
  Nada aconteceu.
  — E agora? — Olhou da chave para ela, em dúvida.
  — Agora deixe comigo.
  Então a mulher arrancou o arco estranho de suas têmporas, se levantou e %Venus% poderia até ter reparado mais uma vez no fato de que ela estava nua, porém de repente o brilho nos olhos dela se intensificou, parecendo até mesmo ir além das íris.
  Levou meio segundo para %Faulkner% entender que realmente o brilho havia passado e o feixe azulado foi tomando conta de todo o corpo da mulher, seus dois braços se ergueram para os lados e ela se elevou alguns metros do chão.
  Foi naquele momento que %Venus% se deu conta também de que o feixe azulado era eletricidade.
  A mulher estava controlando a eletricidade.
  Com um sorriso se formando nos lábios, como se estivesse experimentando algo do qual sentia muita falta, ela irradiou correntes de suas mãos, acertando as paredes de vidro até que estourassem, jogando cacos para todos os lados, mas milagrosamente não acertando em %Venus%.
  %Faulkner% precisou de alguns segundos para assimilar o que acontecia, mesmo sabendo que o tempo era precioso. Com certeza os guardas entrariam ali a qualquer momento.
  — E agora? Para onde vamos? — a mulher disse, vindo em direção a ela, voltando ao seu normal, sem raios em seu corpo.
  — Primeiro vamos te arrumar alguma roupa. Não que eu não goste da visão, mas ela desconcentra. — %Venus% achou um jaleco e entregou a ela, que o vestiu, abrindo um sorriso de canto.
  — Bom saber disso. — Seu tom era bem baixo, mas ainda assim %Faulkner% a ouviu. E teria respondido se elas não precisassem mesmo correr dali.
  — Precisamos chegar até a ala leste.
  Nos minutos seguintes, as duas corriam determinadas. O barulho do alerta ecoou, fazendo todos se concentrarem em tentar impedi-las. Não podiam deixar que aquela prisioneira fugisse, mas qualquer um que se aproximasse era recebido com chutes e socos de %Venus% ou descargas elétricas capazes de fritar o cérebro.
  %Faulkner% acertou o joelho de um guarda bem a tempo de impedi-lo de acertar a mulher, que sorriu em agradecimento.
  — Não é que somos uma boa dupla? — O comentário a fez sorrir.
  Quando finalmente chegaram à ala leste, %Venus% empurrou a porta pesada e correu ainda mais rápido até as árvores que compunham a floresta ao redor, puxando a mulher pela mão e só parando ao ter certeza de que estavam em uma distância segura.
  — O que…
  — Não acha mesmo que eu vou deixar essa base ficar bonitinha daquele jeito, certo? — Um sorriso maldoso se formou nos lábios de %Faulkner% quando mostrou seu celular, preparado para acionar um detonador.
  Ela havia espalhado bombas por toda a base enquanto fazia seu caminho até o laboratório.
  A mulher à sua frente retribuiu o sorriso de imediato.
  E com um simples toque, o som da explosão pôde ser ouvido.
  De onde estavam, as duas conseguiam assistir aquela base da Hydra ruindo e a satisfação brilhava em seus olhos.
  — Definitivamente fazemos uma boa dupla. — %Venus% se virou para a mulher e estendeu uma mão para ela. — %Venus% %Faulkner%.
  — %Maeve% %Hofstader%. — Elas apertaram as mãos rapidamente.
  — É um prazer, %Maeve%. Melhor sairmos logo daqui. Explodir essas bases da Hydra sempre me deixa morrendo de fome.

Prólogo
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Lari ✨️Soldada ✨️

Respondendo a pergunta do título: não, to não, na verdade to BEM despreparada mesmo. Vou comentar duas vezes aqui, pra equilibrar com os dois capítulos disponíveis: sobre o prólogo, vamos lá. Não tava dando muita confiança Venus, side eye, side eye pra ela, tentando descobrir as intenções dela, mas aí tu me lança um poder da Mística, de X-men, e eu simplesmente soube que sim, eu vou estar acompanhando esta não importa o que aconteça! VOCÊ TEM IDEIA DO QUE DÁ PRA FAZER COM O PODER DE ELETRICIDADE?? A MAEVE TEM IDEIA DO QUE ELA PODE FAZER?? Literalmente pode mexer com a cabeça de uma pessoa e eu TOTALMENTE APOIO ISSO, também, achei maravilhoso que o par romântico do Bucky possui tem justamente esse poder, não vou especular muito porque quero ler, mas to suspeitando que a Maeve tenha conexão para reverter a lavagem cerebral que o Bucky sofria? Amo que a fic se passa durante Guerra Civil, que saudades dessa época ksksks ai, a dor, ela dói, agora vou ler o capítulo 1

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