Poker Face: A Mãe do Anticristo (Volume 1)


Escrita porShakhbah
Revisada por Lelen


Prólogo

  A Bíblia sagrada não menciona uma mãe para o Anticristo. O conceito de uma figura materna para o filho da perdição pertence à ficção e a dramaturgias, como a personagem Débora na novela Apocalipse da Record, ou a mãe de Damien no clássico do cinema A Profecia. As Escrituras cristãs (como nas cartas de João e no livro de Apocalipse) falam sobre o espírito do Anticristo e a vinda de um homem ímpio associado ao mal, mas não detalham seu nascimento, infância ou genitores. O Apocalipse menciona a "Mãe das Prostitutas" (Apocalipse 17:5), que é uma representação simbólica de um sistema político e religioso corrupto e oposto a Deus, e não a mãe biológica de um indivíduo. Neste poker face, que também é uma das várias profecias de Salete, se atribui esse nome devido a fala de que esta mulher teria linguagem com a antiga serpente. Esta porquanto é sua história.
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  2009, ALGUM LUGAR DO MUNDO

  Era mais uma manhã comum. A garota observava o garoto que a desprezava à sua frente. Ele apenas disse uma única frase. "Eu nunca seria amigo de alguém tão estranho quanto você". Não disse mais, as palavras que saíam da boca do garoto vinham com arrogância. A mesma arrogância que seria dito que aquela garota um dia teria. Ela era estranha. Mais do que estranha, era esquisita. O garoto riu com desprezo. A garota seguiu seu caminho, mas ouviu mais a frente outra garota, chamada Ana, dizendo "Quer apostar quanto que essa bicha nojenta quer ser adorada". E riu. Não era um riso comum, um riso que denotava brincadeira. Era com autoridade. Com zombaria.
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  Assim que a aula acabou, a garota seguiu para casa. Ela pôde ver as outras crianças, todas quase adolescentes, saindo, conversando, rindo, se divertindo, zombando dela. Algumas não pareciam estar zombando especificamente dela, mas dava para notar que algumas sim, entre elas estava Addrell o garoto que disse que era estranha. Mais à frente, reunida a uma amiga, estava Ana. Quando finalmente chegou em casa, a garota abriu seu portão vermelho e entrou em sua casa. O pai estava dormindo como sempre, doente. Ele tinha uma ferida que nunca cicatrizava. A mãe tinha ido no vizinho para conseguir algumas coisas para fazer chá. A garota se deixou levar para o quarto. Ali olhou a Bíblia. A mesma Bíblia que sempre lia quando ia na igreja.
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  O padre havia falado certo dia que se devia perdoar seu irmão, ou seja, perdoar aquele que te fere. Se Jesus perdoa sete vezes, ela deveria perdoar setenta vezes sete. Mas isso não seria fácil. O padre também falou que Deus é justo, mas se era, por que ela era tratada dessa forma? O vento era seu único companheiro. Ventava como nunca naquele dia sobre a cidade. Enquanto a cidade cheirava a especiarias aromáticas, e cheiro de incenso queimado, a garota pensava: “Se Deus existe, por que permite tanto mal? Meu pai fala que é para nos provar, mas e se já tivermos sido provados? Até quando devemos sofrer!”
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  O vento não respondeu. O mundo pareceu parar por um instante. A garota deixou uma lágrima cair, antes de mergulhar novamente em seu estudo na Bíblia. Continuou a ler. E assim o dia continuou a se passar... A mãe voltou da casa da vizinha, trazendo o aroma do chá. À tarde, a garota que descobrimos se chamar %Estrama% fez sua higiene e partiu para o banho. Ela começou a orar para ouvir se algum Deus a ouvia, enquanto no banho sentia as lágrimas aumentarem, mas nada de Deus responder. Por fim, desistiu. Colocou sua roupa nova, e desceu para jantar. A sala de jantar estava silenciosa. O pai esperava que ela ou a mãe, a esposa dele, viesse trazer seu jantar no quarto, pois o homem estava debilitado. Na cozinha, %Estrama% comeu seu jantar lentamente e sozinha, contemplando sua solidão. Apenas com o crepitar de fogos de artifícios dos vizinhos, que pareciam estar se divertindo com alguma partida de jogo:
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  — Pelo menos eles são felizes — murmurou.
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  O dia seguinte amanheceu. Ela foi uma das primeiras a acordar. Tinha apenas doze anos, mas era como se tivesse mais. Conversou um pouco com o pai sobre Teologia, mas depois desanimou ao ver que tinha que ir para a escola. Sem que ela percebesse, um gato preto a guiou por todo o caminho. Chegando na escola, avistou Addrell e seus amigos rindo, provavelmente dela. Viu Ana a olhando com um riso e caminhou para dentro da sala de aula onde sua amiga Heisa já a esperava. O professor de História começou a explicar sobre a primeira guerra mundial e ela anotou atentamente. Mal sabia ela que sua vida estava prestes a mudar...
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