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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paradise Kiss


Escrita porPams
Revisada por Mariana

1 • Continuum Post

Tempo estimado de leitura: 33 minutos

  O que pensar quando a vida lhe reserva a maior de todas as ironias?! Para %Evelyn% Moore conquistar a promoção de colunista premium, havia sido mais do que um sonho realizado. Poder ter a liberdade de escrever sobre qualquer assunto, e ainda ter a oportunidade de conhecer diversos lugares possíveis. Uma junção de ambas paixões de sua vida: viagens e jornalismo. Mas claro que nada vem de graça e o custo era bem alto. Qual? Suportar a presença do homem que ela julgava ser mais do que desprezível. Seu ex-noivo e também membro do círculo de amizades que integrava, %Oliver% Tenebrae. Outra surpresa? Ele era o supervisor de toda a redação.
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Londres, Inglaterra
Inverno de 2017

  A longa e complexa história de romance de ambos, se iniciou quando estavam no ensino médio. Ele vindo de uma família fundadora da Continuum, estudava em um dos mais prestigiados colégios internos de Londres, o Constance Elite High School. Ela de uma família humilde, conseguiu uma bolsa de estudos neste colégio e por seu destaque como uma das melhores alunas, a levou a ser convidada ao seleto grupo de amigos mais popular de lá. Ambos passaram os três anos do ensino médio em competição um com o outro para ver quem era o melhor.
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  Consequência disso? Uma forte atração surgiu entre ambos, os levando a um relacionamento sério seguido de um inesperado pedido de casamento por parte de %Oliver%, no último ano da faculdade deles. Um sonho de vida. Ela cursando jornalismo e se especializando em design editorial e ele cursando administração com especialização em comunicação. Mas nem tudo são flores. E por uma intriga alheia %Evelyn% foi deixada no altar e aquilo que era o misto de amor e competição, deu espaço a raiva e amargura.
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  — Ah, você está tão linda, Camile — disse %Evelyn% ao visualizar o vestido de noiva no corpo de sua amiga.
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  A jornalista tentava ao máximo controlar seus sentimentos de angústia e amargura internamente, para não atrapalhar o grande dia de sua amiga. Afinal, as lembranças de ser deixada no altar ainda permaneciam vívidas em sua mente. Entretanto, aquele era o dia de sua amiga e como a madrinha mais importante, ela não podia deixar que seu passado estragasse o dia.
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  — Obrigada, amiga. — Camile a olhou emocionada. — Significa muito para mim e sei que não está sendo fácil para você.
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  — Cami — ela se aproximou de sua amiga com o olhar mais emocionado ainda, um misto de alegria e tristeza —, não diga essas coisas, não podemos borrar a maquiagem.
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  — Eu sei, mas é que… Tenho certeza que não está sendo fácil para você tudo isso, e o desalmado do Robert me convida logo o %Oliver% para ser padrinho com você. — Ela bufou de leve. — Se eu não o amasse tanto, o jogaria da ponte.
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  — Você não pode ficar viúva antes da lua de mel. — %Evelyn% brincou, forçando um riso de leve. — Está tudo bem Camile, eu já superei ele, não o vejo há três anos e não sinto mais nada.
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  — Tem certeza? — Seu olhar ficou preocupado.
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  — Hoje é seu dia, então pare de se preocupar comigo, já disse que estou bem — assegurou a jovem. — Eu consigo aguentar algumas horas do lado dele sem o menor problema.
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  — Eu te amo, amiga, a melhor madrinha do mundo. — Camile a abraçou com empolgação.
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  — Calma — ela riu da amiga retribuindo o abraço —, não podemos amassar esse vestido.
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  — Verdade. — Camile se afastou em risos e voltou a se olhar no espelho. — É como um sonho sendo realizado.
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  — Estou mesmo feliz por você — disse com sinceridade.
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  — Obrigada — sussurrou Camile ao olhar para o reflexo da amiga no espelho.
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  %Evelyn% lhe desejou boa sorte e se retirou do quarto onde estavam. Descendo para o jardim da casa dos pais do noivo, onde o casamento estava sendo realizado, respirou fundo e seguiu até o altar. Até o momento %Evelyn% ainda não tinha visto %Oliver%, apenas sabia que ele estaria presente ao seu lado no altar como padrinho. Ela estava se sentindo segura, como se aquilo não pudesse afetá-la, porém assim que seu olhar cruzou o dele. Toda a imagem o esperando no altar e descobrindo que ele não apareceria, veio como um filme em sua mente. O que a fez forçar um passo mais seguro e firme, colocando-se ao seu lado.
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  Seu corpo trêmulo, suas mãos frias e sua mente quase em colapso. Tomou o cuidado de continuar respirando com tranquilidade para que seu coração se acalmasse dentro dela. Mas não o olhou novamente em nenhum momento, mantendo sua atenção voltada para sua mãe que estava na segunda fileira. Claro que o olhar de todos estava voltado para o casal de padrinhos que há três anos quase levaram até o fim a cerimônia de casamento deles.
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  — A quanto tempo. — Ele tomou a dianteira e pronunciou primeiro.
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  — Sim. — Ela manteve o tom baixo, olhando para frente.
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  — Não vai mesmo olhar para mim?! Sou eu quem deveria estar magoado. — A voz dele, era como jogar sal em sua ferida.
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  — Magoado?! — Ela finalmente voltou o olhar para ele. — E por acaso foi você o deixado no altar?
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  Ela controlou seu olhar de fuzilamento, mas era nítido em suas expressões faciais a revolta das palavras dele.
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  — Você sabe muito bem o que fez — retrucou ele.
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  — Vocês dois, são nossos melhores amigos. — Robert se aproximou de seus padrinhos. — Por favor, poderiam pelo menos agir civilizadamente?
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  — E quem aqui não está sendo civilizado? — %Evelyn% voltou o olhar seguro para o noivo.
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  — Só estávamos trocando algumas recordações — completou %Oliver% num tom irônico.
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  — Não estraguem esse dia — pediu o Robert, temeroso.
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  Ambos os padrinhos se calaram, voltando o olhar para frente. Não demorou muito para que a cerimônia se iniciasse. Quando o grande momento da entrada da noiva ao som da marcha nupcial chegou, %Evelyn% precisou cavar forças de onde não existia para se manter de pé. Seus abalos internos foram sutis e logo percebidos por %Oliver%, que discretamente ajudou-a a manter-se firme em sua postura. Mas era nítido para os dois que aquele momento os estava afetando de alguma forma, cada um à sua maneira. Fora difícil para ela sentir as mãos dele em suas costas apoiando-a, e manter a compostura diante de todos.
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  — Robert me disse que você já tinha me superado, mas vendo como está fugindo de mim desde o início da cerimônia... — %Oliver% se aproximou de %Evelyn%.
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  A jovem que se mantinha escondida na sala da casa, encostada na janela para a varanda, voltou o olhar para ele, erguendo um pouco mais seu corpo.
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  — De onde tirou isso? Meu mundo não gira em torno do seu. — Ela cruzou os braços, deixando seu olhar desinteressado.
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  — Sério? Então por que não está no jardim com todos? — Ele sorriu de canto, o que a fez revirar os olhos.
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  — Eu não lhe devo explicações, Tenebrae. — Deu de ombros.
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  — Vejo que não mudou em nada — brincou ele. — Sempre na defensiva e atacando.
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  — Digo o mesmo sobre você… — Ela o olhou com seriedade. — Pensando bem, acho que ficou mais feio com o passar dos anos, menos atraente.
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  Ele soltou uma gargalhada, enquanto ela permanecia séria.
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  — Então é isso que pensa atualmente sobre mim. — Ele se aproximou mais dela, parando em sua frente a milímetros de distância. — É bom saber que sou página virada em sua vida.
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  Agora sua voz saiu com traços de amargura.
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  — Sim, eu superei você cem por cento. — Seu olhar ficou mais confiante, então ela ergueu sua mão direita e o empurrou de leve. — Saiba que o que aconteceu entre nós não significa mais nada para mim.
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  %Oliver% engoliu seco, aquelas palavras arderam dentro dele, que de alguma forma não queria acreditar no que ela dizia com tanta segurança. %Evelyn% tomou impulso para se retirar e seguir para o jardim, porém ele segurou em seu braço, dando um sorriso de canto debochado para provocá-la.
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  — Te vejo na segunda então?! — disse ele.
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  — O quê?! — ela o olhou confusa.
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  %Evelyn% ainda não sabia, mas sua rotina profissional teria uma inesperada mudança. A jornalista finalmente tinha conquistado seu lugar na grande redação do Continuum Post, um dos jornais mais conceituados e importantes do mundo. Todas as famílias dessa sociedade tinham assinatura, assim como outros leitores de elite. E ela, com sua recente promoção, agora estava à frente da equipe de colunistas, seus artigos recebiam destaques e publicações quinzenalmente. Um upgrade de carreira que a fez sair do caderno de entretenimento depois de sete meses de dedicação pesada, tendo sido estagiária do caderno de esportes por mais sete meses antes. O que resultou em obter mais responsabilidade com prazos e criar expectativas a seu respeito no editor chefe e dono do jornal, Harry Tenebrae.
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  A jornalista se aproximou do grupo de amigos no jardim, e logo percebeu a mudança repentina de assunto. Uma confirmação para ela, de que o teria sido exatamente sua fatídica vida amorosa.
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  — Por que mudaram de assunto, gente? Vocês pareciam estar se divertindo tanto. — Sua voz irônica soou entre eles, que se mostraram sem graça com aquilo.
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  — Que isso, nem foi tão divertido assim. — A biomédica Freya Baker disfarçou um pouco, tomando um gole do champanhe em sua taça.
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  — Só estávamos comentando como você está linda com esse vestido — disse James Bale com mais tranquilidade. — A madrinha mais linda que já vi.
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  — Sempre a madrinha. — Joseline Collins riu de forma debochada, erguendo a mão que estava sua aliança de noivado e mexendo nos cachos de seu cabelo. — Quando será definitivamente a noiva?
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  — Ai, Joseline, não seja desagradável. — Freya fez uma careta para ela, puxando %Evelyn% pelo braço. — Venha, amiga, vamos para a mesa de doces.
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  A jornalista concordou sem contestações e a seguiu. Para a biomédica, se havia algo para deixar o dia mais leve era qualquer coisa que envolvia açúcar, quanto mais doce melhor. E assim que chegou em frente à mesa, já pegou um brownie e deu a primeira mordida.
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  — Não liga para a Joseline, ela sempre gostou de te provocar — Freya disse, ao engolir seu pedaço. — Ainda mais porque ela sempre teve uma queda pelo %Oliver%, e você ficou com ele…
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  Freya parou de falar e a olhou.
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  — Desculpa por entrar nos detalhes — disse meio sem graça.
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  — Fique tranquila, você só disse a realidade… — %Evelyn% soltou um suspiro cansado, voltando o olhar para frente. — Não sei como ela conseguiu ficar noiva de alguém tão legal como o Michael.
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  — Acredite, me faço a mesma pergunta todos os dias. — Ela soltou uma gargalhada, mas depois ficou mais séria ao ver %Oliver% passando por elas. — Como você está?
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  — Por que a pergunta? — A jornalista ficou confusa com aquilo.
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  — %Oliver%, você, numa festa de casamento… — explicou ela, em palavras chave.
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  — É claro que estou bem, é tão difícil assim acreditarem? — Ela cruzou os braços indignada.
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  — Não me olhe assim, é preocupação de amiga — ela se defendeu. — Afinal, todos notaram o quanto você tem se esquivado dele hoje, depois de três anos sem se verem… E de como ele tem te devorado com o olhar.
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  — Olha, eu não vim aqui por causa dele, não somos mais próximos, o que significa que não tenho a obrigação de ficar grudada nele, estou sendo o mais civilizada possível pela felicidade da Cami. — Ela deu um passo para se afastar. — Então, por favor, o que os outros pensam de mim, pouco me importa.
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  Ela seguiu em direção a sua amiga recém-casada. Após lhe dar um mega abraço cheio de felicitações, deu um soco no braço de Robert o jurando de morte, caso não fizesse a amiga feliz. Após fazer sala e caminhar pelos convidados por mais algum tempo, chamou um táxi e seguiu para sua casa. %Evelyn% aproveitou o final de semana para organizar sua nova rotina diária exigida pelo novo cargo na redação, assim como seu apartamento em novo endereço. O antigo loft que morava havia sido vendido pelo dono e o comprador não quis alugar mais, com a intenção de morar. O que a levou ao desespero de conseguir uma nova morada em tempo recorde.
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  Mas às vezes sua vida lhe dá momentos de aparente “sorte”, e um conhecido da família de Robert, que após se aposentar resolveu morar na Austrália, concordou em alugar o apartamento para ela. Foram os dois dias mais cansativos fisicamente para ela, pois o mental viria logo na segunda pela manhã.
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  — %Evelyn%, o chefe está te chamando na sala dele — Flint anunciou ao se aproximar da estação de trabalho da jornalista.
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  — Ok. — Assentiu ela, salvando o arquivo do artigo que revisava para a próxima publicação.
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  Seu último trabalho para o caderno de entretenimento. Ela se espreguiçou um pouco e levantou da cadeira, de forma despreocupada seguiu para a sala do seu chefe, curiosa para saber o que ele queria. Deu dois toques na porta e depois entrou, fechando-a. Então se colocou em frente a ele, notando uma terceira presença ali. Um homem vestido formalmente com um terno azul marinho, de costas para ela, com a atenção na grande parede de vidro que compunham a fachada do prédio.
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  — Estou aqui, senhor, o que deseja? — perguntou ela, forçando-se a desviar o olhar do homem misterioso.
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  — Bem, como nossa nova colunista chefe, quero lhe apresentar o novo supervisor geral da redação, meu filho, %Oliver% Tenebrae. — Assim que Harry anunciou, o homem se virou, com um sorriso de canto debochado. — Ambos já se conhecem e tenho certeza que, apesar disso, o que levarão em conta neste ambiente de trabalho é o presente e nossas ambições para o futuro do jornal. — E voltando o olhar para o filho: — Não haverá espaço para o passado aqui.
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  Harry sabia muito bem da história do problemático casal à sua frente. Mas não se importava com suas relações particulares, desde que não atrapalhasse o bom andamento do Continuum Post.
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  — Não terá problemas de minha parte — assegurou %Oliver%, voltando o olhar para ela.
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  — O presente é o que importa, senhor. — %Evelyn% ignorou o olhar dele e manteve a atenção no editor. — Mais alguma coisa?
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  — Sim, e como vejo que estão empolgados para trabalharem juntos — num tom irônico e sarcástico, Harry se manteve sério e focado —, tenho uma missão para ambos.
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  — Uma missão? — Ela ficou confusa.
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  — Sim, ambos conhecem a rede de hotéis da família Village, e sabem como tem crescido o patrimônio deles, atualmente o resort nomeado como Paradise Kiss tem ganhado notoriedade entre a mídia e muita especulação sobre as instalações e atividades ofertadas exclusivamente para casais — começou ele a explicação.
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  — E o que nós dois temos a ver com isso? — perguntou %Oliver% com o olhar desconfiado para o pai.
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  — Quero que o primeiro artigo de %Evelyn% como colunista premium seja sobre este resort — respondeu.
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  — E desde quando eu preciso de alguém para escrever algum artigo?! — Ela ficou mais confusa ainda, e tinha propriedade para dizer aquilo.
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  Suas matérias sempre foram as mais elogiadas da redação.
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  — Digamos que até hoje, nenhum jornal ou revista tiveram permissão dos donos para fazerem uma matéria sobre o lugar, nem mesmo uma pequena foto das instalações pode ser postada. E para se hospedar no lugar deve-se obrigatoriamente ser um casal. — Ele apontou para os dois.
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  — O quê? — disseram eles em coral.
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  — Isso mesmo — confirmou Harry.
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  — Pai, isso é loucura — questionou %Oliver%, recebendo um olhar repreensivo do pai por ter sido informal. — Senhor, é um absurdo.
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  — Eu odeio ter que fazer isso, mas concordo com o %Oliver%. — Ela praticamente empurrou essas palavras para fora de sua boca, cerrando os dentes quase.
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  — Não me importo com a opinião de vocês, se formos o primeiro veículo de comunicação a ter uma matéria sobre o Paradise Kiss, principalmente nesse período do Dia dos Namorados, estaremos em vantagem e nossas vendas triplicariam — continuou o editor Tenebrae. — Já fiz a reserva para ambos, irão no domingo pela manhã, assim poderão ter a oportunidade de falar diretamente com o dono Sullivan Village, teremos somente essa oportunidade e quero este artigo na próxima edição do Continuum Post.
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  — Mas senhor… — %Evelyn% tentou argumentar.
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  — Sem mas, ambos são ou não profissionais? — Harry cruzou os braços sério.
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  — Sim — responderam novamente em conjunto.
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  — Pois muito bem, se aprontem ao longo da semana e tracem uma estratégia para poder convencê-lo — finalizou com um tom de ordem. — Não me decepcionem.
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  %Evelyn% bufou de leve e saiu primeiro, seguindo para sua estação de trabalho no andar de baixo. Enquanto isso, %Oliver% continuou na sala do pai boquiaberto pela missão suicida que teria que enfrentar.
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  — O senhor é louco? — perguntou o filho com sua indignação. — Sabe a dimensão dessa ordem?
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  — Sei, mas sei também que ambos os meus funcionários são maduros e totalmente capazes de separar o pessoal do profissional. — Harry se levantou de sua cadeira de chefe e olhou seriamente para o filho. — Me convença que eu posso realmente deixar este jornal para você por ser um homem maduro e responsável, e não aquela criança que deixou uma mulher no altar sem a menor explicação e fugiu para o outro lado do mundo.
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  — Então é isso? O senhor tomou as dores dela e está fazendo isso para me punir? — Ele deu um riso desacreditado. — Eu sou o vilão da história agora?!
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  — Acredite, meu filho, será bem mais difícil para %Evelyn% do que para você. — Ele estendeu a mão para a porta. — Pode se retirar agora.
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  Com um gosto amargo na boca, %Oliver% saiu bufando da sala do pai e se dirigiu para o elevador. Não queria ficar nem mais um minuto naquela redação, não naquele dia. Quanto a ela, continuou seu trabalho, pois a vida continua sendo boa ou ruim. E para piorar, os suspiros e comentários de suas colegas de trabalho sobre o charme e beleza do filho do dono a irritava mais ainda. A jornalista nem estava de TPM para usar de desculpas por sua falta de paciência nos dias a seguir.
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  Terça de manhã, para começar bem o dia, assim que a porta do elevador se abriu vindo do estacionamento, lá estava %Oliver%. Encostado na parede dos fundos com as mãos nos bolsos da calça, o olhar desinteressado e enigmático. %Evelyn% respirou fundo e entrou, sendo seguida por mais algumas pessoas. Os cochichos soavam pelo pequeno espaço, com ela tentando ignorar todos.
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  — Bom dia, %Evelyn% — disse Charlot ao vê-la se aproximar de sua mesa.
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  — Fale por você. — A jornalista demonstrou logo seu mau humor do dia, ao sentar-se na cadeira e ligar o computador.
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  — Uau, estamos de TPM de novo? — brincou a garota. — Que loucura.
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  — Só problemas pessoais mesmo. — %Evelyn% suspirou fraco e manteve o olhar a frente.
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  Porém, o movimento de %Oliver% ao passar por sua mesa, a fez olhar para ele por segundos, até encontrar o rosto derretido de sua colega por ele. O que a fez bufar um pouco e revirar os olhos.
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  — Ai, ele é tão sexy — comentou ela. — Ouvi algumas meninas dizerem que ele está solteiro no momento, acho que vou me candidatar...
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  — Charlot, você não tem uma matéria para entregar hoje não? — %Evelyn% a olhou, para que ligasse o desconfiômetro. — O pessoal da diagramação só tem até à noite para enviar para o departamento de impressão.
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  — Tenho, mas essa visão é mais interessante. — Se forçasse um pouco mais, escorria uma baba de sua boca. — Ouvi a Tiffany comentar ontem no final do expediente que ele estava namorando uma modelo da Noruega, mas por divergência de agendas terminaram, apesar de que ele não passa mais de quinze dias com uma mesma mulher… E não vai acreditar…
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  — Tenho mesmo que saber? — O olhar desinteressado dela não conseguiu convencer a colega a deixar a informação no anonimato.
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  — Tá rolando boatos que ele já namorou alguém que trabalha na Continuum Post — terminou ela. — Ah, se fosse eu, não teria vergonha em dizer e ainda pediria pra voltar.
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  %Evelyn% levantou irritada, pegou o tablet na gaveta e afastou-se da mesa. Já previa que seu dia não seria fácil com Charlot tagarelando sobre seu ex, agora supervisor, o dia inteiro. Subindo de escadas até o jardim sobre a laje do terraço, sentou em um dos bancos e, ligando o aparelho nas mãos, começou a esboçar algumas possíveis perguntas relacionadas ao resort, assim como as pesquisas sobre os negócios da família Village.
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  — Ai, Senhor, me ajuda — disse ela olhando para o céu.
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  Sua mente estava tão atordoada que era complicado conseguir se concentrar na parte do trabalho. Imaginar que vai se hospedar, mesmo que por um dia, como um casal com %Oliver% a deixava desestabilizada de uma forma descomunal.
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  — Ah… Não sabia que o terraço estava ocupado. — A voz de %Oliver% soou ao passar pela porta e se deparar com ela.
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  — Você. — Ela manteve o olhar sério para ele. — O que faz aqui?
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  — Só queria um pouco de ar — respondeu ele.
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  — Não digo no terraço — ela colocou o tablet ao lado no banco —, estou falando da redação, você sempre disse que jamais trabalharia aqui.
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  Visivelmente sua voz tinha traços de irritação.
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  — Se você não percebeu, isso tudo pertence à minha família e um dia vai ser meu, por mais que eu quisesse fugir, eu não posso e vai além de você — explicou ele, alterando um pouco a voz. — Acha mesmo que estou confortável sabendo que vou te ver todos os dias?
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  — Ah, tá, vai mesmo me fazer acreditar que não foi uma armação sua pra me constranger ainda mais. — Ela levantou sua voz também, assim como do banco. — E não satisfeito tem que espalhar para todos que já teve um romance com alguém daqui.
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  — Quem disse que eu andei espalhando sobre minha vida pessoal? — Ele soltou uma gargalhada de deboche. — Por favor, a última coisa que eu quero é me associar a você novamente, mesmo que seja através do passado.
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  — Pois saiba que compartilho do mesmo desejo — concordou ela.
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  Ambos se calaram e permaneceram apenas se olhando por um tempo. Fora inevitável a chuva de lembranças em suas mentes, que os deixavam ainda mais sem estruturas. %Evelyn% segurou suas emoções no canto dos olhos e pegando o tablet para se retirar, foi barrada por ele, que segurou em seu braço.
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  — Eu não lhe devo nada, mas quero que saiba que não foi proposital estar aqui — confessou ele. — Da última vez que… Quando me mudei para o Japão, pedi a todos que não mencionassem mais sobre você, então posso te garantir que não sabia que trabalhava aqui.
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  — Acha mesmo que vou acreditar? — retrucou ela.
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  — Não me importo se acredita, essa é a verdade — rebateu ele com firmeza, que a deixou balançada. — Pela minha lógica, você nunca trabalharia aqui, porque é a empresa da minha família.
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  — Você tem dois irmãos e sempre disse que jamais ambicionou ser o herdeiro da Continuum Post, então, na minha lógica, o único lugar que não teria risco de te encontrar seria aqui. — Ela se soltou dele. — Mas a vida sempre foi imprevisível no nosso caso.
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  Sem que ele pudesse argumentar, ela se retirou. Como já tinha fechado sua matéria e enviado ao setor de diagramação, %Evelyn% resolveu encerrar seu dia de trabalho e voltar para casa. O restante da semana Moore trabalhou no estilo home office, até que, sexta à noite, uma batida em sua porta lhe tirou todo o seu sossego.
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  — O que faz aqui? — perguntou ela, ao abrir a porta e dar de cara com %Oliver%.
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  — Que olhar é esse, não sou um fantasma — brincou ele.
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  — Para mim é sim, uma assombração — retrucou ela.
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  — Vai me deixar aqui na porta? — perguntou ele.
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  — Por que eu deveria deixá-lo entrar? — retrucou ela.
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  — Porque sou o seu chefe. — Seu argumento era abusivo.
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  — Isso é abuso de poder — reclamou ela, abrindo mais a porta. — Entra, antes que eu me arrependa.
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  Ele sorriu de canto com malícia e entrou. %Evelyn% conhecia aquela expressão em sua face, convivera muito tempo com ele, e um dos pontos que a fez se apaixonar. Ao fechar a porta, deu alguns passos em direção à cozinha. O apartamento em conceito aberto integrava bem os ambientes sociais de uma residência.
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  — O que quer aqui? — perguntou ela, novamente.
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  — Temos um trabalho pela frente e como fugiu a semana toda da redação — iniciou ele.
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  — Eu não fugi, para sua informação, eu tenho o benefício de trabalhar em sistema home office — explicou ela, o interrompendo.
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  — Sei. — Ele deu de ombros, adentrando mais e analisando o lugar.
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  Não estava tão desorganizado como imaginava que estivesse, entretanto %Evelyn% não era o poço de organização e disciplina. Para ela sua bagunça era aceitável.
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  — Não me importo se não acredita. — Ela abriu a geladeira e olhou para ele. — Aceita uma água?
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  — É só isso que tem a coragem de me oferecer? — Ele deixou um tom irônico sair.
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  — Não que você mereça, por mim morria de sede no deserto. — Ela seguiu pela cozinha com o olhar sereno.
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  — Eu gosto de café, não que seja do seu interesse saber — comentou ele.
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  — Não é, mas acho que posso fazer dois macchiatos. — %Evelyn% deu de ombros. — Caramelo, não é?
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  — Olha, ela ainda se lembra — disse mantendo o tom de ironia.
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  Ela se aproximou da pequena cafeteira de expresso que o dono do lugar tinha deixado junto com parte da mobília e, pegando duas cápsulas de café saborizado de caramelo, preparou a bebida para ambos.
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  — Ainda consegue ser uma boa anfitriã — brincou ele, em provocação ao pegar a xícara de vidro com o preparo.
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  — Vou me abster da resposta. — Ela revirou os olhos e tomou o primeiro gole.
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  Ele também bebericou um pouco e iniciou o assunto.
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  — Olha, eu não estou mais confortável que você sobre esse assunto. — Sua voz soava sinceridade. — E como somos profissionais, precisamos de um plano de ação para que esta matéria seja concedida ao jornal e não precisemos nos matar no processo.
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  — O argumento é válido, continue. — Ela o olhou, controlando os pensamentos inapropriados. — Tem a minha atenção.
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  — Só precisamos de um dia para fazer isso, que é referente à reserva que meu pai fez. Soube também que o dono estará no resort para a inauguração da semana dos namorados — continuou ele —, não terá como ele escapar.
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  — E já conseguiu encontrar um argumento para convencê-lo? — indagou ela.
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  — A jornalista aqui é você, achei que já tivesse pensado nisso — respondeu ele com tranquilidade.
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  — Onde está o aluno competitivo que eu conheço? Já contava que trouxesse todo o plano de ataque na ponta da língua. — O deboche escorria em sua voz.
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  — A funcionária do mês aqui é você, colunista Premium. — Ele riu com sarcasmo, sua vez de atacar. — Esperava mais de você.
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  Ela revirou os olhos.
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  — Se não veio para contribuir, pode deixar o café e ir embora. — Ela se levantou e apontou para a porta.
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  — Você já foi mais educada. — Ele permaneceu sentado, como se não se importasse.
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  — Não diga. — Ela colocou a mão na cintura, embasbacada.
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  — Ainda não terminei meu café, podemos passar para o próximo assunto? — Ele sorriu de canto.
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  — Não temos mais nenhum assunto — disse ela convicta.
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  — Tem certeza? — Ele deixou a xícara na mesa de centro e se levantou. — Estar aqui não lhe traz nada à mente?
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  Ela tentou ignorar aquilo e não pensar. Não sabia qual era a intenção dele naquilo tudo.
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  — Por que eu ia querer me lembrar de algo insignificante? — Ela entrou na defensiva e ele percebeu.
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  %Oliver% deu alguns passos para se aproximar dela.
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  — Então é isso, nosso passado foi insignificante para você? — Ele entonou mais a voz, deixando uma tensão no ar.
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  O coração de %Evelyn% acelerou um pouco com sua aproximação. Por mais que não quisesse admitir, o que sentia por %Oliver% não havia sido cem por cento superado. Pelo contrário, sentir seu perfume fez seu corpo arrepiar com as lembranças das partes boas do relacionamento que tiveram.
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  — Para você certamente foi. — Confrontou ela. — Foram quantas namoradas depois de mim? Uma por semana?
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  Uma pitada de ciúmes escorreu em sua voz e, voltando o olhar para o lado, ela respirou fundo se contendo.
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  — Não fui o único a seguir em frente — retrucou ele.
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  — Acho melhor ir embora. — Ela abriu a porta. — Temos um longo dia amanhã para organizar as coisas da viagem.
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  Ele soltou uma risada fraca e irônica e, retirando-se do apartamento dela, seguiu para a porta do apartamento ao lado, retirou as chaves do bolso e entrou. O corpo de %Evelyn% gelou na mesma hora.
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  Além de voltar para a sua vida, ser seu novo chefe, %Oliver% ainda era seu vizinho da varanda ao lado.
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  E detalhe, faltavam apenas 15 dias para o dia dos namorados!
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Você é minha sorte,
Você me fez arriscar meu coração numa oportunidade única,
Agora, todos estão olhando para nós com pipoca na boca,
Esperando para ver o que vai acontecer com nós dois.
- Lotto / EXO

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