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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Decay

Escrita porSoldada
Revisada por Lelen

🛈

PARTE UM • THE BEAST AND THE ROSE

Prólogo

Tempo estimado de leitura: 35 minutos

Treze anos antes.

  Deuses possuíam apenas uma regra: um acordo feito, jamais poderia ser quebrado. E ele havia acabado de quebrar o seu.
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  Podia senti-los espiralando ao seu redor, observando-o com aquele maldito interesse quase corrosivo. Estavam em todas as partes e em nenhuma ao mesmo tempo. Podia ouvir o eco de suas risadas ao fundo de sua mente, presentes, mas fantasmagóricas; arranharam sua mente, corrompendo seus pensamentos. Sentiu um pulsar familiar percorrer por seu corpo, instintivo, tentando afastar a influência deles de si, mas era difícil. Estava no território deles, não no seu; era vulnerável, uma presa fácil. Pior, uma oferenda voluntária, jogando no exato tabuleiro que há muito, muito tempo, recusou-se fazer parte. Se por arrogância, ego ou culpa, jamais saberia dizer, mas não tardava para que o arrependimento voltasse a sufocá-lo. Correntes ásperas contra seu pescoço, pulsos e tornozelos, tornavam-no prisioneiro. Engoliu em seco, exalando por entre seus dentes cerrados, tentando descomprimir a pressão familiar da fúria, e do ressentimento que borbulhava por seu peito. Ajeitou seu casaco, agora de um vermelho profundo e escuro que lembravam a sangue, ignorando o olhar que recebera dos dois guardas na entrada da casa deles.
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  Mediram-no com o olhar parecendo desconfiados, mas ainda havia deferência em seu olhar. Um respeito, é claro, forjado pelo que ele representava, não pelo que havia sido. Há muito tempo convivendo com os mortais, eles poderiam sentir a mácula humana pairando ao redor dele como um véu; condenatório, perverso. Ainda assim, não o impediram de entrar. Eles o estavam esperando, percebeu amargo, é claro que estavam.
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  A atmosfera pareceu alterar-se conforme ele seguia pelo corredor estreito, descendo vagarosamente, degrau por degrau, para baixo. As escadarias em formato caracol que se iniciavam como pedras irregulares se alteravam lentamente, transmutando-se para vidro maciço, o eco de suas botas militares de combate, esfoladas e sujas com sangue seco, abafados, mas ainda presentes conforme abaixava sua cabeça ao atravessar o portal que se abria até onde eles o esperavam. A iluminação tremeluziu com seus movimentos, acompanhando-o como uma sombra, as velas que se espalhavam pelo corredor, metamorfoseando-se para luzes vermelhas, de néon, oscilando, ora acesa, ora apagada, pulsando ao ritmo da música marcada e sensual que se espalhava pelas paredes, acompanhadas pelos suspiros e gemidos que se espalhavam pelo ar.
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  Ele trincou os dentes com força, sentindo o anseio vibrar por sua pele, arrepiando os pelos de seu corpo, dilatando suas pupilas, o desejo queimando por suas veias, convidativo, perigoso e impossível de recusar. Sua garganta ficou estranhamente seca, sua respiração perdeu-se em algum lugar dentro de seu peito, escapando curtos e acelerados. Não sabia dizer se eram eles o afetando como sempre o faziam por entretenimento próprio, ou se era o ambiente, a energia que se espalhava ao seu redor; tudo o que ele sabia era que o estava afetando tanto quanto qualquer outra criatura naquele lugar e isso o perturbava em demasia. Frustrava-o porque percebia, agora, que algo estava errado. Algo estava se transformando dentro de si, ou algo já havia se alterado; por milênios ele acostumou-se com a dádiva que era para as realidades que se abriam à sua frente. Por milênios fora imbatível, impossível de conter, caos puro, vivo, fazendo o que queria e conseguindo o que desejava sem o menor esforço; porque era seu direito, porque era o responsável pela destruição, pela guerra, pelo sangue. Mas agora? Agora podia sentir-se afetado pela energia que se espalhava pelo espaço como a porra de um mortal, tão vulnerável quanto.
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  Em outra época, ele até mesmo teria aproveitado; já não era mais assim há 500 anos.
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  Mas seu corpo reagia de igual forma. A eletricidade da tensão percorria por sua pele, arrepiando-a, as mãos espasmódicas, se contraíam com o desejo de tocar, de sentir o calor pelas palmas, de fincar os dedos na pele macia e voluntária, convidativa. Os músculos se tencionavam, como se estivessem no limite de ceder ao anseio que agora queimava por seu peito, como se os sussurros deles em seus ouvidos, incentivando-o a apenas ceder àquela parte selvagem e animal que reconhecia sua própria necessidade, fossem uma silenciosa autorização. O calor espalhando-se por seu corpo, seguindo para o centro de seu corpo, amontoando-se e crescendo na parte inferior de seu abdômen, familiar, exigindo atenção; eletricidade percorreu sua espinha, deixando-o alerta e, ao mesmo tempo, intoxicado. A pressão familiar no cós de suas calças militares, um pequeno indício do quanto estava sendo afetado, obrigou-o a ajustar-se discretamente, de repente, suas calças parecendo mais apertadas do que deveriam. Podia sentir seu pau endurecendo em suas calças, podia sentir o interesse desperto e que escapava de seu controle, e podia sentir igualmente que não passava de mais um dos truques deles.
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  Sempre havia um truque com seus irmãos.
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  Obrigou-se a lembrar do porquê estava ali. Obrigou-se a focar na tarefa em mãos, recusando-se a cair no truque barato deles. Não seria outra peça naquele maldito jogo, mesmo que seu corpo pulsasse com a necessidade de entregar-se ao convite que se abria à sua frente. Fumaça espalhava-se ao redor, dando a falsa impressão que deveria ser gelo seco, quando na verdade era apenas vapor, serpenteando pelo ar, criando formas abstratas à frente de seus olhos, tocando sua pele febril como uma carícia distante.
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  Estavam o provocando. Deixando-o desconfortável, determinados a torturá-lo até conseguirem o que desejava, uma explosão. Ele fechou suas mãos em punhos firmes, aproximando-se do grande salão que se abria à sua frente. As luzes de néon pareceram tornarem-se ainda mais instáveis, aumentando a velocidade que se acendiam e apagavam, tornando-se mais desorientadoras do que instigantes. Sombras se projetaram pelos cantos dos olhos dele, o fazendo encolher-se por instinto, e virar-se na direção de onde os movimentos surgiam apenas para se deparar com corpos se movendo em sincronia, bocas explorando corpos e outras bocas, e nada mais. Ainda assim, a adrenalina       infestou seu corpo, as pupilas dilatadas se contraindo enquanto o gelo da tensão percorria por suas veias, seus ouvidos zunindo com o alerta crescente. Sua respiração pesada tornou-se mais calculada. Buscou instintivamente por sua espada, normalmente presa em suas costas, apenas para deparar-se com o colarinho de seu casaco pesado vermelho escuro como sangue, em pura frustração.
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  Ele havia perdido direito a sua espada há muito tempo; perdido o direito sobre quem era e o que fazia, por causa daquele maldito acordo com eles. Ainda assim a memória muscular era sempre mais forte.
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  Inspirando fundo, tentando concentrar-se na tarefa em mãos, voltando a mover-se, ignorando a parte de sua mente que o alertava que a qualquer momento alguma coisa o iria atacar pelas costas, que a qualquer momento algo avançaria em sua direção como há tanto havia se acostumado. Ignorou a forma com que seu corpo, ainda afetado pelo truque deles, parecia pulsar, desesperado por alívio. Seus pés afundaram na pequena piscina que se estendia pelo salão, a água engolindo-o até a altura de seus joelhos, escaldante. Os arfares e os suspiros que se espalhavam pelo salão e pilares arredondados greco-romanos, como uma canção dissonante, o perseguiam como fúrias; determinados a atormentá-lo, a tentá-lo. Possuíam diferentes níveis de intensidade, destoavam em variadas nuances de volumes, mas ritmados, acompanhavam quase o mesmo ritmo, como se fossem um. Sussurravam o nome dele. E puta merda se uma parte dele, a parte velha e exausta daqueles jogos, não estava apenas considerando entregar-se. Admitir derrota. Ainda assim, fosse por ego ou orgulho soberbo, ele recusava-se, e talvez fosse por isso que a tortura soasse ainda mais divertida para seus irmãos. Ele podia sentir a energia percorrendo pelo espaço inteiro, acariciando sua pele, envolvendo-o por todos os lados. Estava começando a sobrecarregá-lo. Ele podia sentir o cheiro intoxicante, uma mistura de afrodisíacos, pimentas e flores queimadas, acompanhado com o suor e fluídos corporais. Mesmo ele podia sentir o suor começar a umedecer as laterais de suas têmporas, a fazer a blusa de compressão escura que usava por baixo de seu casaco grudar como uma segunda pele nos músculos tensos de suas costas. Os cabelos um pouco mais longos do que deveriam, grudando em sua nuca, enquanto ele continuava a andar, afundando mais e mais na água escaldante que o acompanhavam.
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  — Já chega, você teve o entretenimento que desejava. — A voz dele retumbou pelo espaço, baixa, rouca, áspera, mas ainda assim profunda com os vestígios que sempre carregava das batalhas que trazia consigo. O rei das guerras e da violência preferia observar, assistir, analisar, mas sempre que se pronunciava, fazia-se ouvir. Sua voz exigia o respeito do que outrora fora, não do que era agora. — Apareça de uma vez, Freya! Chega de jogos…
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  Ao pé de seu ouvido direito, ele sentiu a respiração deles. O hálito que deveria ser cálido contra sua pele, na verdade era gélido, e um arrepio traiçoeiro percorreu por seu corpo em resposta; cheirava a ambrosia, morangos e sangue. Ele inclinou sua cabeça para o lado contrário, abruptamente. Seu coração martelou contra seu peito, acelerado, irregular, sua respiração se prendeu abruptamente em sua garganta, e o tremor percorreu seu corpo. Ele quis odiá-los por isso, pelo efeito que lhe causava, mas não era culpa deles, a essa altura, ele precisava admitir que trouxera isso a si mesmo.
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  — Ah, irmão, mas assim não é mais divertido…? — provocou com um sussurro arrastado, quase preguiçoso, sua voz rouca soando quase como um ronronar, sensual e terrivelmente familiar. Os olhos dele percorreram os tetos abobadados, espelhados, buscando por algum sinal de onde eles estariam, mas é claro, eles nunca fariam aquilo ser fácil para ele. — Tão sério, tão frio… por que só não relaxa e aproveita? Eu tenho certeza que posso achar algo que você realmente queira.
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  Os olhos dele cintilavam dourados, quase animalescos enquanto trincava os dentes com força. Suas presas, um pouco maiores do que o normal, cortaram o lábio inferior, enquanto virava-se na direção de onde a voz deles havia partido, o grunhido vibrando por seu peito largo, subindo e descendo, pesado, tremendo. Ele teria avançado sem hesitar, teria arrancado a cabeça deles com suas próprias mãos, cedendo a parte mais animalesca de seu cérebro, mas deparou-se apenas com o vazio à sua frente. Os olhos buscaram por entre os corpos que se moviam em sincronia, buscando por eles.
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  — Não vou pedir outra vez, Freya, apareça, agora — comandou ele sem paciência. Fúria contida emendando de seus músculos tensionados, fazendo o ar tremer ao seu redor, unhas fincadas nas palmas de suas mãos, o suficiente para conseguir tirar sangue. Mas a risada que se perpetuou pelo ar evidenciou apenas a zombaria deles. As palavras dele, mais uma vez, haviam recaído em ouvidos surdos. Ele não seria atendido, não seria respeitado como um deles, mas como uma mera peça em um tabuleiro maior e pessoal. Ele não teria escolha senão entretê-los até que estivessem satisfeitos.
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  O desrespeito foi um golpe excruciante em seu ego, mas um dos quais ele se obrigou a engolir. Que outra escolha teria, afinal? Portanto, voltou a caminhar, fincando seus pés com mais força no mármore vermelho como sangue que envolvia a piscina, a água escaldante agora chegava na altura de seus quadris, encharcando sua calça cargo, e deixando-a pesada contra seu corpo, mas não o parou. Continuou a caminhar por entre o labirinto de corpos, em busca deles. As luzes oscilaram outra vez, com maior intensidade, fazendo tudo girar. Sentiu quando pisou em falso, o mármore do chão da piscina alterando-se lentamente a pedra solta do antigo riacho que ele conhecia. Seu corpo, pesado, projetou-se para frente, e ele quase desabou. Piscou, tentando afastar o atordoamento, erguendo sua cabeça para encontrar com os olhos deles, um vermelho púrpura, o outro preto como carvão, cintilando como os de um gato, enquanto o sorriso preguiçoso se espalhou por seus lábios cheios. Ele grunhiu baixo, frustração, a raiva agora pulsando por si como ondas, contínuas e mais violentas. Obrigou-se a caminhar outra vez, a água outrora escaldante, começando a ficar mais e mais gelada enquanto ele adentrava mais e mais para dentro da merda daquela piscina gigante.
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  Mãos projetaram-se debaixo da água, enroscando-se pelo corpo dele com anseio, desejo. Unhas se fincaram por sobre o tecido grosso e encharcado de sua calça cargo, alastrando por sua pele, marcando-a mesmo que não fizessem contato direto. Agarrando-o, acariciando-o, puxando-o para baixo. Ele tentou se desvencilhar, mas o aperto era mais forte, a distração e o desejo tornando-se mais e mais difíceis de ignorar. As luzes oscilaram de novo, e ele se debateu, usando unhas e dentes para arrancar as mãos que percorriam por seu corpo, projetando-se para frente e quase afundando na água.
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  De joelhos, e ofegante, agora encharcado por completo, os olhos dele, viscerais, incandescentes com aquele dourado intenso que começava a ser manchado pelo vermelho do sangue que carregava em seu domínio, cintilavam com intensidade em meio a penumbra do espaço, ameaçadores, vorazes. Água gélida escorria por seu rosto, gotas escorriam da lateral de sua mandíbula bem definida e cortante, pingando contra a camisa térmica que se agarrava aos músculos de seu corpo como uma segunda pele. O tremor pareceu aumentar, uma mistura perigosa entre o efeito que o desejo ainda lhe causava, com a fúria que agora o dominava. Percebeu tardiamente que havia, é claro, perdido seu casaco — sua única passagem para fora daquele lugar — e que talvez eles haviam conseguido o que queriam. Aprisioná-lo sob seu domínio ainda que por alguns longos minutos a mais.
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  Fúria cáustica e corrosiva inundou seu peito, tomando-lhe por direito como sempre fazia. As mãos fechadas em punhos imploraram para conectarem-se com qualquer superfície voluntária que estivesse pelo caminho. Seu cerne exigiu por violência, por vingança, mas sua mente, nublada ainda pelos efeitos dos truques de seus irmãos, perdia-se em crescente confusão e desespero; descendia mais e mais na decadência de sua própria vulnerabilidade. Sua respiração entrecortada escapou audível pelos dentes cerrados, as mãos, espasmódicas, pulsando com a fúria contida, ficaram-se com força, determinadas a arrancar sangue, nos pulsos que se projetavam para fora d’água, trilhando os músculos tensos de seus antebraços e ombros, até uma mão enroscar-se em seu pescoço, unhas cravando na pele febril, cortando seu ar por uma fração de segundos. As luzes oscilaram outra vez, obscurecendo tudo ao seu redor, e então, quando se acenderam outra vez, ele estava sozinho.
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  Ele piscou, desorientado, ainda sentindo os toques fantasmas explorando seu corpo, percorrendo seu abdômen e apertando seu pescoço, voltando a colocar-se de pé, deliberado e devagar, seu peito largo subindo e descendo de maneira irregular, embora sua respiração fosse superficial, mal estivesse lá. Sua garganta, áspera e seca, pareceu doer ao engolir em seco, os olhos com as íris alteradas entre o dourado e o vermelho cintilando com frustração e raiva mal contida, buscando pelo rosto de seus irmãos. Ele girou no lugar, gotículas de água deslizando por seus antebraços, pingando da ponta de seus dedos, a calça cargo encharcada e pesada soltando pequenos estalos conforme ele se movia para frente. Continuaria a andar até que os encontrasse, até que aquele maldito jogo tivesse acabado e eles o encarassem. Ele não desistiria até que tivesse não apenas as respostas, mas igualmente a reunião que havia vindo procurar. Ele não pararia até que aquela maldição infernal estivesse completamente quebrad…
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  Ela estava ali. A poucos metros de distância dele.
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  %Eva% … sua %Eva%.
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  Tudo desapareceu ao seu redor; tudo perdeu sua importância.
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  O mundo ao seu redor desacelerou, silenciou-se gradativamente até que a única coisa que o alcançasse fosse apenas sua própria respiração, pesada, presa no torpor febril que seus irmãos estavam lhe causando. Mas pela primeira vez desde que havia chegado ali, ele não havia se importado em ser controlado, de ser uma mera peça no jogo deles. Não quando ela estava ali, não quando sua %Eva% o encarava daquela forma. Era ridículo, ele sabia, era patético, e, todavia, o que ele poderia fazer para impedir-se? Tudo o que conseguia pensar naquele momento, era unicamente e somente nela. O tom intenso dourado de suas íris se apagou; voltou para o tom castanho-claro, meio esverdeado, meio âmbar que ele possuía, as pupilas dilatadas o suficiente para que suas íris se tornassem meros finos anéis ao redor. Os lábios secos, entreabertos, por onde sua respiração escapava, baixa e arfada. Os músculos se tensionaram, as mãos fechadas em punhos firmes, apertando-se um pouco mais, fazendo as luvas que as envolviam estalarem em protesto pela tensão que tentavam suportar. Seu corpo inteiro parecia formigar com o desejo de avançar na direção dela, de jogar a cautela de vez para o alto, e simplesmente permitir-se perder-se nela, e tomá-la para si como desejava fazer desde o momento que a viu pela primeira vez há muito, muito tempo. Céus e infernos sabiam o quanto ele queria tomá-la em seus braços e esquecer-se de tudo; não moveu um músculo.
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  Não podia, por mais que desejasse. Mas igualmente não a afastou quando ela se aproximou dele. O cheiro dela invadiu seus pulmões, familiar e ao mesmo tempo estrangeiro. Sabia que não passava de um fragmento de sua própria memória traiçoeira, mas ainda assim, por uma fração de segundos, ele se permitiu perder-se ali. Aquela mistura familiar de licor de cereja e canela, intoxicante, tentador, mas não mais perigoso que seus olhos. Tão vívidos. Tão… ela. Tornavam-no prisioneiro, voluntário. Ela poderia pedir-lhe qualquer coisa, e ele entregaria de bom grado — não fora o que fizera um milênio atrás? E veja aonde isso o havia guiado.
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  Ainda assim, sua %Eva% não era apenas seu maior ponto fraco; era sua maior tentação. Ela era tentadora, diabólica, até mesmo perversa. E não havia nada dentro de si que o convencesse de escapar dela. %Eva% era o calor a alguém congelado. O abraço apertado ao saudoso. O banquete real ao mero esfomeado. A água ao sedento. Um sonho inalcançável. A promessa que ele desvairadamente tentava provar real; o apelo dissimulado que estava desesperado a aceitar — mesmo com todas as consequências que poderiam acarretar. Sabia qual era o preço de seus próprios desejos, sabia o que acabaria por custar, e a risada fantasmagórica deles, ao pé de seu ouvido, era a provocação necessária para o lembrar o porquê estava ali.
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  — Você não está aqui — ele sussurrou, a voz mais baixa, a rouquidão vibrando por sua garganta. O pomo de adão moveu-se quando ele engoliu em seco, sentindo a mão dela repousar sobre seu peito. Levou toda sua força e concentração para simplesmente não se permitir derreter sob o toque dela. Céus e infernos sabiam o quanto ele queria; fechou os olhos com força, tentando livrar-se daquele tormento. Mas %Eva% não desapareceu como ele desejava que ela fizesse, ela não se afastou. — Você não é real, %Evie%… — As palavras forçadas por sua boca em um quase cuspe, não eram para %Eva%, mas sim para si mesmo. Precisava convencer-se que aquela tortura tinha o único propósito de desnorteá-lo, de torná-lo um brinquedo para eles, porque, mesmo que por uma fração de segundos, ele se permitisse acreditar que aquela fantasia era real, ele se permitisse aceitar a ideia de que era ela tudo o que ele sempre havia desejado, ali, tão perto de si, tão perto de seu alcance…
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  Os olhos dele se abriram, encontrando-se com os dela.
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  Ainda eram os mesmos olhos que o haviam feito perder tudo. Os mesmos olhos que o amaldiçoaram e o condenaram àquela vida precária, afastado de tudo o que mais gostava, exilado e amaldiçoado. Os mesmos olhos que o atormentavam em seus pesadelos, e que o assombravam diariamente ao caminhar entre tantos mortais, questionando-se onde estariam. Porque ele sabia que ela estaria em algum lugar daquele mundo; ele podia senti-la cravada em sua pele, em sua essência.
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  — Importa? — %Eva% sussurrou contra seu ouvido, e o som da voz dela percorreu o corpo dele como uma lâmina em brasas. Calor percorreu por suas veias como um incêndio, e seu corpo pareceu latejar, exigindo que ele cedesse. Seus músculos se tensionaram mais, sua cabeça se inclinou instintivamente na direção dela, como se a buscasse mesmo em seu inconsciente, sentindo o calor do corpo dela naquela maldita camisola curta, o tecido, uma mistura de seda e renda, farfalhando suavemente conforme ela se aproximava um pouco mais de si, o corpo pressionado contra a lateral do seu. — Se tivermos aqui a chance que nunca tivemos antes, importa se é real ou não? Faz diferença se o resultado é o esperado? Se eu puder tocá-lo ainda que por um…
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  O impulso, a esta altura, gravado em sua memória muscular, entra em ação antes que ele sequer perceba o que está fazendo. Sua mão esquerda envolveu quase imediatamente o pulso dela, impedindo-a de deslizar as pontas de seus dedos para dentro do cós da calça dele. Não a empurrou bruscamente, o gesto, mais gentil do que sua estrutura e postura eram capazes de permitir, mas ainda assim, obrigou-se a afastar-se dela. Sua respiração, outrora pesada e irregular, começou a acelerar, os olhos arregalaram-se e o tremor misturou-se com a adrenalina, deixando para trás em sua boca um gosto amargo e metálico que não lhe era familiar, mas que começava a ser algo frequente.
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  — Você sabe o que acontece se você me tocar… — ele sussurrou impaciente, dando mais um passo para trás, ainda segurando o pulso dela com força, os dedos, cobertos pelas luvas, pressionando a pele macia em um aviso silencioso. Havia, todavia, uma nota de incredulidade que beirava ao desespero. Os olhos queimaram o rosto dela, buscando por alguma faísca, algum mínimo resquício de compreensão da seriedade da situação, mas foi como ser acertado por água fria. %Eva% não era real, aquela miragem, sedutora e tão parecida com sua %Eva%, não era sua %Eva%. Era uma estranha completa, porque ao menos a %Eva% que ele conhecia e que perdia com frequência, o teria ouvido.
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  Esta, avançou em sua direção outra vez.
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  — JÁ CHEGA! — comandou ele, desta vez, com raiva.
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  Foi como se uma névoa o tivesse atravessado, e então, com um piscar de seus olhos, ele estava na sala de estar de seus irmãos. O espaço era massivo, elegante, e possuía uma arquitetura moderna, repleta de vidros, espelhos e metal. Obras de arte se espalhavam pela galeria como se fossem uma espécie de museu pessoal, cheio de cores e intensidade. Uma fúria passional que reverberava pela pele dele, familiar. Não eram, afinal, assim tão opositores uns aos outros, e isso tornava tudo apenas ainda mais frustrante. Suas mãos ainda pulsavam com a necessidade de agarrar alguma coisa, de destruir, mas conteve-se.
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  Eles estavam deitados preguiçosamente sobre um sofá largo e branco como neve, impecável, mesmo que estivesse com uma taça de vinho em suas mãos. Freya mantinha os cabelos longos e loiros, soltos, repousando por sobre seus ombros angulosos e pálidos, os olhos azuis, eram claros, quase acinzentados sob determinadas iluminações, por vezes gentis e intensos, agora revelavam apenas uma satisfação pessoal e vingativa, quase cruel. O rosto oval bem proporcionado revelava maçãs do rosto altas e definidas, e uma mandíbula quadrada delineada e firme, retesada com sua própria impaciência. Os olhos dele acompanharam a movimentação deles quando se levantaram do sofá elegante, caminhando descalços sobre o tapete antiquado e fora do estilo restante do espaço.
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  — Irmão — Freya murmurou com uma risada baixa, depreciativa. Um passo e então sua aparência se alterou, alta, com a pele escura como a noite, e os cabelos trançados reluzindo pela iluminação de fundo cálido, com os pequenos anéis enroscados por entre as mechas cacheadas e trançadas. — Magoei seus sentimentos? Mesmo os seres mais poderosos ainda desejam por algo, é natural, por que me olha com ressentimento?
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  Outro piscar e Freya assumiu a forma masculina. Não era binária, como nenhum sentimento de amor ou desejo era; transmutava, a cada passo, livre e maleável como água. E tão cruel quanto doce. Ele conteve um grunhido, furioso, o som escapando por sua garganta mais animalesco e violento do que desejava; seus olhos queimaram as costas de seus irmãos, tremendo com a frustração crescente, a fúria contida, derretida como lava percorrendo por sua corrente sanguínea. Mas ele não fez nada; não podia.
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  — Então, vai me dizer por que veio me visitar? Ou estava apenas com saudades? — soltou com sarcasmo, colocando em uma segunda taça, vinho. Ele engoliu em seco, tentando conter seu próprio orgulho, exalou entre seus dentes cerrados, permitindo-se sentar nos degraus da entrada da sala de estar dela. Ele exalou baixo, abaixando a linha de seu olhar enquanto apoiava os cotovelos sobre os joelhos, tensionando sua mandíbula com força. — Jeesh, você está horrível, irmão.
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  Não respondeu o comentário. Na verdade, por um longo momento, apenas ficou em silêncio encarando suas mãos. Uma parte de si mesmo, uma parte antiga e que se recusava a desaparecer, ansiava por simplesmente encerrar tudo aquilo da forma que sabia: através de sua lâmina, da violência e do sangue. Ele poderia matá-los com um gesto de seu pulso, poderia os fazer pagar por toda aquela merda, e por brincar com ele como a porra de um peão disponível em seu tabuleiro pessoal. Ele poderia conseguir a vingança que desejava, e então… haveria apenas vazio. Mas ele estava cansado; ver %Eva% outra vez, ainda que não passasse de uma mera fantasia para conseguir tirá-lo do sério — e conseguido com êxito a tentativa —, ainda funcionava como um potente veneno para si. Um lembrete amargo para si mesmo de que ele sempre iria querer aquilo que não poderia ter. Um lembrete para si mesmo que, mesmo sendo quem era, mesmo sendo que havia sido no passado, ele ainda era tão prisioneiro de Freya e seus caprichos, quanto qualquer outro mortal.
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  — Já basta isso tudo, Freya — ele resmungou por fim, quebrando seu silêncio, sua voz rouca e baixa, quebradiça. Não olhou para seus irmãos, mas sim para suas próprias mãos. Agora envoltas com luvas, era uma escolha estratégica, pessoal, seu toque afetava apenas um mortal, e a ideia de encontrá-la outra vez, de vê-la desfazer-se em sua própria destruição... Ele já havia visto o suficiente, por um milênio, assistira sem poder fazer nada. Era de se assumir que ao menos seus outros irmãos estivessem satisfeitos com a punição de sua arrogância e egocentrismo; mas algo lhe dizia, ao fundo de sua mente que, assim como a vida para eles era longa, seu ressentimento poderia seguir pelo mesmo caminho. — Já não teve o suficiente? Já não se deleitou com minha miséria o bastante? Admita, Frey… este jogo está cansativo, mesmo para você. Vamos acabar com tudo. De uma vez. Estou cansado.
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  — Ora, ora, veja só, para alguém que era grande e poderoso, e fazia tudo da forma que bem entendia — Freya ronronou em provocação, inclinando sua cabeça para o lado, ao aproximar-se de onde ele permanecia sentado. Os dois copos em mão, enquanto sua aparência se alterava novamente, parte a figura com os cabelos loiros e olhos azuis, parte uma figura nova, com o olho escuro como a noite, olho levemente repuxado para cima no canto, e cabelos lisos de um preto que parecia absorver a luz de sua sala de estar —, essa é uma mudança muito grande de opinião, huh? Me diga, irmão, o que aconteceu para que finalmente desistisse de sua teimosia? O que foi que te quebrou tão profundamente que você se atreveu a quebrar a sua promessa, e buscar por minha ajuda? Até onde eu lembro, você havia jurado que jamais voltaria a me ver novamente.
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  Ele tensionou a mandíbula com força, suas têmporas pulsaram com a dor que se espalhou pelo músculo. Seu pomo de adão se moveu outra vez, o gosto amargo da saliva que se obrigou a engolir, incômoda e pungente, pareceu sufocá-lo. Os olhos cintilavam outra vez com aquele brilho dourado, e embora revelassem o ressentimento, não ocultava também o cansaço que carregava dentro de si há tanto tempo.
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  — Em um milênio, não mudou nada? — ele retorquiu, franzindo o cenho, cínico, mas igualmente frustrado. Freya não respondeu.
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  Outra vez, o silêncio opressor recaiu sobre as duas entidades que se encaravam como gatos ariscos, uma, exausta do ciclo que havia colocado em si mesmo, a outra, observando com curiosidade e diversão a obra que havia criado. Não era que qualquer uma delas fosse cruel, ou existisse uma linha entre o bem e o mal clara e simplória para ser seguida ali; ambos eram entidades, ambos representavam e eram responsáveis por seus desígnios, ambos tinham seu próprio modo de ver as coisas. E a promessa de um deus, nunca era quebrada.
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  — Meu irmão… — Freya suspirou pesado, por fim, colocando-se sentada a frente dele, estendendo o copo de vinho, sem surpresa alguma quando o gêmeo se recusou a pegar o cristal delicadamente moldado. Repousou-a no chão, com um gesto alongado, desinteressado, levando sua taça em direção aos lábios tingidos de vermelho profundo. — Viera a juízo, em demasiado atraso, huh? Ao menos posso dizer que já não é o arrogante monstro que se portava, mas se está aqui, diante de mim, implorando por misericórdia, não posso deixar de supor que não compreendeu nada de nosso acordo.
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  Os olhos dourados dele, puros com energia violenta e raiva, cintilavam como os de um gato, e seus irmãos reviraram os olhos, permitindo-se deixar-se pender para trás, escorando-se em sua mão esquerda ao analisar o vinho tinto na taça que empunha com sua mão direita. O líquido refletiu na iluminação cálida e amena da sala de estar, parecendo adquirir uma tonalidade profunda e viscosa, lembrando vagamente a sangue.
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  — Nós não podemos quebrar nossos juramentos, meu irmão, a regra sempre foi clara, tanto para mim quanto para você — Freya pontuou, indicando com sua taça na direção dele, antes de suspirar, afastando com um gesto econômico os cabelos longos de seus ombros. — O que uma vez foi prometido, permanece, até ser cumprido.
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  Ele tentou conter o grunhido, mas a risada baixa, rouca que escapou por seus lábios, não era menos amigável do que as garras e presas que se fincavam em sua própria pele.
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  — E não cumpri seu desígnio? Não está satisfeita com o resultado de mil anos? — ele rosnou baixo, impaciente, mas Freya permaneceu imperturbável, observando-o com divertimento, o pequeno sorriso espiralando por seus lábios indicativo de sua própria crueldade, e, ao mesmo tempo, a dicotomia de sua gentileza. — Queria que eu admitisse que estava certa, pois bem, eis- me aqui, em tua frente, dizendo-lhe: você estava certa.
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  Freya soltou uma gargalhada alta, que ressoou pelo espaço como sinos suaves. Não havia humor em sua voz.
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  — Seth, por favor, ignorância nunca lhe caiu bem, não tem por que fingir agora que a aprecia — Freya recriminou, e os olhos dourados dele cintilavam em uma ameaça velada por ter seu nome invocado. Estreitou os olhos quando ela ergueu uma sobrancelha, parecendo entretida, e algo mais. Algo sombrio e perigoso, analisando-o melhor do que a si mesma por um longo momento. — Então os rumores são verdadeiros? Bem, isso significa que tudo eventualmente precisa mudar, seguir em frente, não? Está se tornando mortal, afinal, e é por isso que está desesperado?
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  Ele bufou, desdenhoso das palavras de seus irmãos, mas não respondeu. Por alguns minutos, considerou as palavras deles. Era verdade que estava sentindo-se enfraquecer há pelo menos 500 anos, podia sentir que algo estava saindo de controle dentro de seu domínio, e ele estava espiralando para dentro de um buraco negro que a tudo consumia e nada devolvia. Podia sentir que já não era mais o mesmo. Mas aquilo não era sobre poder; céus, não estava nem perto de seu verdadeiro desespero, e Freya sabia, podia vê-lo com tanta clareza quanto ele mesmo.
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  — Acredite em mim quando digo que se tornar-me mortal irá me prevenir de ter que lidar com qualquer um de vocês outra vez pelo resto da eternidade, eu aceitaria de bom grado — cuspiu as palavras com mais fúria do que deveria ter exposto, mas as palavras duras não pareceram incomodar Freya. Eles já deveriam esperar por esse tipo de sentimento vindo dele, após tanto tempo lidando com aquele ciclo vicioso que o havia colocado. Os olhos dele se estreitaram, a mandíbula se contraiu novamente, as mãos se fecharam em punhos, os músculos se tensionaram. — Não posso passar por isso outra vez… não consigo assisti-la morrer outra vez, não por minha culpa, por minha causa… — confessou, e detestou o quão patético havia soado para seus próprios ouvidos, mas havia apenas verdades em suas palavras. Uma honestidade visceral causada pela exaustão mental de uma tortura contínua, um desolar cansado da entidade que a tudo vira, e a tudo corroera. — Admito que estava errado, que você estava certa. Não há poder maior do que o teu, meus irmãos, me curvo diante de sua grandeza. — Torceu para que, com aquela admissão, sua punição e maldição estivesse acabada, mas ele sabia melhor do que alimentar apenas vãs esperanças.
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  Os deuses não possuíam misericórdia; nem mesmo pelos seus.
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  — Aprecio que finalmente tenha visto a razão, meu irmão — ela ronronou, parecendo satisfeita com a admissão, mas o pesar em sua voz suave e convidativa revelava o que não havia sido dito. Não mudava nada. Ele ainda estava preso naquela maldição, ele ainda estava condenado. — Mas nós não podemos quebrar acordos. A regra sempre foi clara e unânime. Eu sinto muito.
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  Ele ergueu a linha de seu olhar, e por um longo momento, apenas encarou seus irmãos em silêncio, observando-os oscilar entre as aparências que vestiam. Percebeu naquele momento o que anos atrás havia se recusado por sua arrogância e ego: eles eram tudo. O complemento e a promessa. Estavam no ar e na busca dos mortais porque era o que oferecia sentido para eles, e sem eles, não haveria sequer seu domínio. O gosto amargo de sua própria humilhação ao menos o mantinha pé no chão. Estava condenado, sabia disso já fazia um bom tempo, mas ao menos agora, decairia de forma diferente. Não desta vez, desta vez ele não seria a condenação de %Eva%. Ele não assistiria sua morte outra vez. A manteria longe, e a esqueceria — como deveria tê-lo feito há muito tempo.
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  — Se serve de algo, estou feliz que finalmente tenha compreendido parte da lição, mas se ainda está aqui, meu irmão, significa que não compreendeu o todo ainda. Encontre a resposta você mesmo, ou apenas aceite seu destino, isto eu deixo com você, mas não vou mais ajudá-lo ou aceitá-lo aqui, eu não posso. — Ele não ergueu seu olhar desta vez, apenas absorveu as palavras, ainda que gentis, definitivas de seus irmãos, tensionou sua mandíbula com força, observando as luvas, sem enxergá-las. Estavam desgastadas, as pontas dos dedos começavam a descosturar, um indicativo que em breve teria que trocá-las por novas. Sentiu quando a magia atravessou ao seu redor, quando o cheiro intoxicante de %Eva% desapareceu, e em seu lugar havia apenas o familiar aroma de carbono queimado, gasolina, lixo a céu aberto, suor e urina das ruas de Nova York.
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  — Não — resmungou ele, baixo, ainda sem desviar os olhos de suas luvas. — Não serve de nada. — Se ele havia dito para seus irmãos ou para si, isso ele não saberia dizer. Não houve mais resposta do outro lado. Ele estava, outra vez, sozinho.
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Lelen

Estou curiosa pra saber mais sobre essa história. O que o moço fez pra levar essa maldição na cara? E o que é essa maldição? Ele finalmente vai conseguir quebrar ela? Teremos um final feliz ou vai ser tipo Cidade dos Anjos? OIHSADOIASBDOIASD
TANTAS PERGUNTAS! Esperando a atualização! <3

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