Esta é uma obra de ficção destinada ao público adulto.
A narrativa retrata personagens universitários maiores de idade inseridos em um contexto de privilégio social, poder econômico e conforto estrutural. Ao longo da história, são abordados temas sensíveis como uso de substâncias químicas, relações sexuais, dinâmicas familiares disfuncionais, exclusão social, comportamentos moralmente questionáveis e consequências emocionais silenciosas.
As situações apresentadas não têm como objetivo romantizar excessos ou servir como modelo de conduta, mas observar personagens em suas contradições, escolhas conscientes e limites éticos dentro de um sistema que frequentemente os protege.
Capítulo Um
Tempo estimado de leitura: 28 minutos
A universidade estava do mesmo jeito antes das férias acontecerem.
Os prédios estavam claros, as árvores bem cuidadas, e o mais importante, gente bonita andando como se nada no mundo fosse abalá-las.
A universidade parecia exatamente como deveria parecer.
Parecia ter saído da capa de alguma revista, e até as pessoas menos desprovidas pareciam brilhar sob a luz que emanava desse lugar. Mas diferente dos outros, o campus tinha sua própria beleza. Ele exalava riqueza.
Poder. Também, a metade dos nossos pais faziam generosas doações para que o campus ficasse exatamente como eles queriam.
Caminhei pelo corredor principal sem pressa, cumprimentando alguns rostos conhecidos, e outros nem tanto. Apenas o necessário para não parecer tão distante deles, mas também na dose certa para não estar disponível demais.
— %Emma%! — Alguém chamou.
Virei o rosto, apenas para confirmar quem era.
— Você sumiu ontem. — Liv praticamente encaixou seu passo com o meu, como se aquilo tivesse sido combinado.
— Tinha um compromisso importante, por isso fui embora mais cedo. — Ela me olhou, estreitando os olhos, ponderando se acreditaria ou não nas minhas palavras.
— Você nunca vai embora cedo. — Liv, resmunga.
— Para tudo existe uma primeira vez. — Ela riu, e isso já deixava claro o que pessoas como nós já sabiam. Nossas escolhas não importam, o que importa é o nosso status.
— Aquela balada nova que abriu irá dar uma festa hoje. — Finjo que estou prestando escutando, até senti-la apertar levemente meu braço para chamar minha atenção.
— Você vai. —Isso não era uma pergunta, e sim uma afirmação.
— Vou. — Minha resposta bastou, fazendo que ela sorrisse satisfeita e desgrudasse de mim. Apenas o suficiente para me deixar caminhar sozinha.
Entramos na sala. E como de praxe as cadeiras do fundo já estavam ocupadas por nossos colegas.
Sim colegas. Afinal são poucos os que podemos chamar de amigos.
Algumas bolsas estavam jogadas no chão, quer dizer, as bolsas dos caras, porque nós garotas jamais deixamos uma bolsa de marca no chão. Elas eram os nossos bebês. Sentei no mesmo lugar de sempre e joguei a bolsa ao lado da cadeira.
O ar condicionado estava forte demais. Deixando o ambiente mais frequentável.
Atrás de mim, as conversas começaram antes de qualquer aula.
— Dormi duas horas. — alguém disse.
— Valeu a pena? — a outra perguntou.
Inclinei um pouco o corpo para trás. Eu gostava de uma fofoca, e gostava ainda mais de manter uma socialização com quem valia a pena.
— Se não valesse, ninguém repetia.
— Isso é verdade. — alguém respondeu, rindo.
Porém o som da risada é cortado por um silêncio que tomou conta da sala, pois a porta se abriu, e uma garota entrou.
Ela parou perto do meio da sala, e meus olhos percorrem toda a extensão de seu corpo. E com um simples olhar percebi que se tratava de uma bolsista.
Tenho que admitir que ela tinha coragem, pois caminhou até a mesa de umas garotas e um sorriso se estendeu pelo seu rosto.
A garota com quem ela tinha falado automaticamente puxou a cadeira livre para um pouco mais perto da mesa e a ignorou como se ela nunca tivesse existido. A outra continuou mexendo no celular, mostrando que não se importava.
Acho que ela não entendeu que ninguém iria dar brecha para ela se juntar, mas agiu bem em mudar seu rumo e ir até uma mesa que estava livre, próximo a porta.
— Corajosa. — Ouço Caleb sussurrando atrás de mim.
— Ou desinformada. — Uma das garotas ao meu lado sussurrou.
Girei a caneta entre os dedos, observando sem pressa.
— Acho que ela não entendeu que aqui existe hierarquia. — falei.
— Ou apenas se fez para ver se alguém a aceitava. — Caleb completou.
— É. — Concordo. — Isso também é possível.
O professor entrou antes que a conversa seguisse. Largando suas coisas em cima da mesa e abrindo seu computador. Ninguém parecia interessado em sua aula. Quer dizer… Nem todo mundo.
Alguns responderam. Outros não. Então a aula começou.
Anotei o suficiente para caso eu precisasse de algo nessa matéria. O que eu sabia que não iria acontecer, porque a prática é totalmente diferente da didática, mas como minha mãe falava, não posso dar motivo para alguém achar que eu não merecia estar ali.
A garota perto da porta escrevia rápido. Como se dependesse daquelas anotações.
— Ela escreve como se fossemos ter alguma prova. — Alguém cochichou.
Não dou muita importância para o que estavam falando, então pego meu celular para mexer.
Quando a aula terminou, o barulho voltou de uma vez. Cadeiras arrastadas, faladeira, planos sendo feitos antes mesmo de alguém sair de lá.
— Hoje à noite tá confirmado, né? — alguém disse.
O pessoal ficou a manhã toda falando sobre isso. Como se essa fosse a melhor festa do ano. Claro que ela iria ser boa, mas o ano ainda nem acabou…
Eu não precisava confirmar novamente que iria, Liv espalharia a notícia, isso é se já não fez.
Peguei minha bolsa da cadeira, levantando com calma. Eu não precisava fazer nada com pressa, até porque ela era inimiga da perfeição, e eu amo a perfeição.
Saí da sala junto com as poucas pessoas que sobraram ali. O barulho tinha aumentado consideravelmente, algumas pessoas andavam rápido demais, outras paravam para conversar. Desci as escadas desviando dessas pessoas, e praticamente corri do prédio.
Eu só tinha vindo para essa aula hoje, então estava liberada.
No estacionamento, procurei meu carro estacionado e assim que o achei, acionei o alarme para abri-lo. Estava muito quente, e eu só queria poder voltar para o ar-condicionado, por isso assim que entrei, joguei minha bolsa no banco do passageiro e imediatamente liguei o carro.
Saí pelo portão principal deixando o campus para trás sem nenhuma vontade de voltar amanhã. Dirigi algumas quadras até o restaurante. Estacionando sem dificuldades próxima ao estabelecimento.
Minha melhor amiga, %London%, já estava lá.
— Você não foi pra aula. — Falei, puxando a cadeira para me sentar.
%London% tirou os óculos devagar e apoiou na mesa, sua cara entregava o motivo de eu não tê-la visto mais cedo.
— Fui para as duas primeiras. — A ouço resmungando.
— Esperta. — Inclinei levemente meu corpo para frente, olhando para %London%. — Aconteceu alguma coisa além da ressaca?
O restaurante estava mais cheio do que o normal. Fazendo com que as mesas mais próximas estivessem ocupadas. E então veio o choro.
Alto. Agudo. Persistente.
Eu e %London% viramos o rosto rapidamente para saber de onde estava vindo o escândalo.
Uma criança chorava na mesa ao lado, vermelha, inquieta, a mãe tentando controlar com uma paciência inútil. O som parecia atravessar minha alma, provocando uma sensação terrível.
%London% fechou a expressão.
— Isso é tão desnecessário. — Ela encara a situação com desgosto, e a entendo.
— Algumas pessoas confundem lugares privados como suas próprias casas. — respondi.
O choro continuou, e a mãe não fazia absolutamente nada a respeito. Quase como se fosse nossa obrigação escutar uma criança chorar.
Com tudo isso acontecendo, o garçom se aproximou, talvez ele tenha percebido que %London% e eu estávamos nos levantando para ir embora, pois rapidamente nos entregou o cardápio para tirar nossos pedidos.
A sorte do proprietário era que eu amava esse lugar e sabia que qualquer outro estaria extremamente cheio, por isso encaro minha amiga e entre uma conversa silenciosa, decidimos ficar. Pedimos rápido. Quando ele saiu, %London% girou o copo entre seus os dedos, e me encara pensativa.
— %Trevor% ligou ontem. — disse. Levantei os olhos.
— Imagino o motivo. — %London% sorriu de canto.
— Ele ficou falando daquele jeito calmo dele sobre casamento… — Reviro meus olhos, eu conhecia %Trevor% desde que era criança, mesmo ciclo social, e sabia que para ele estar cobrando isso de %London%, era porque a mãe dele estava pressionando.
— Com certeza, %Trevor% está fazendo isso porque a mãe dele mandou. — Comentei.
— Tenho certeza, desde quando ele falaria que
deveríamos dar um passo à frente ou
pensar no futuro? — Sorrio com a tentativa falha dela de imitar %Trevor%.
— Desconversei, disse que tinha prova essa semana e que não tinha tempo de pensar nisso. — Ela dá de ombros. Mas parecia que tinha algo a mais a incomodando.
— Ele acha que estou adiando o casamento. — Típico dele.
— Mas eu te conheço e sei que você não está. — Comentei.
— Exatamente. Mas ele fica falando que estou passando por uma fase ruim e é por isso que não quero casar. — Reviramos os olhos.
A criança voltou a chorar novamente, %London% fecha seus lábios em uma linha reta, irritada.
— Acho que hoje não está sendo um bom dia. — Concordo.
A comida não demoroupara chegar, e logo ajusto o guardanapo no colo, pegando o garfo para enfim começar a comer. Minha amiga faz o mesmo, mantendo sua postura intacta, apesar dos problemas.
— Amanhã você vai para a aula? — Pergunto.
— Tudo depende como vai ser hoje. — Fecho meus olhos ao lembrar da festa.
— %Trevor% irá? Faz alguns dias desde a última vez que o vi.
— Sim… Mas vai depois. Algo como ele e %Connor% terem que sair para resolver alguma coisa que eu não quero nem saber. — %London% dá de ombros.
— Ou seja, eles vão fazer merda, e temos que esperar que nada respingue no nosso grupo. — Falei um pouco entediada.
Terminamos de comer e chamei o garçom para pagar a conta. E nos levantamos juntas para sair.
— Vai fazer o quê agora? — %London% coloca novamente os óculos.
— Yoga. Depois academia. — Olhei para o relógio, apenas para confirmar as horas.
— Claro que vai. — Ela sorriu. — Você ficaria insuportável sem isso.
— Com, ou sem, eu já sou insuportável. — Respondi rindo.
Nos despedimos e eu fui para o carro.
Assim que cheguei no estúdio, ele estava silencioso. A luz baixa, o cheiro de lavanda, tudo isso me trazia paz de espírito. Vou até o banheiro para trocar de roupa, e faço isso com toda a calma do mundo, prendendo meu cabelo, e depois guardando minha bolsa de academia, que servia para o Yoga também.
Durante a aula de hoje, nossa professora realizou exercícios mais focados no equilíbrio e na respiração, para depois focarmos nas posturas. Cada movimento foi acompanhado pela respiração, reforçando a conexão entre corpo e mente. Posso dizer que a aula terminou com uma sensação de leveza em bem-estar. Porém eu ainda não me sentia completa, eu precisava ir para academia, para enfim minha mente descansar.
Ao chegar lá, coloquei meus fones de ouvido e escolhi minha playlist favorita de treino. Cada repetição, cada esforço físico parecia descarregar o que ainda estava acumulado dentro de mim. O suor, o cansaço e o ritmo intenso finalmente trouxeram o silêncio que eu buscava.
Quando terminei, o céu já estava mudando de cor.
Voltei para casa no fim da tarde. Minha casa estava silenciosa quando entrei. Então procuro não fazer muito barulho. Tirei meus sapatos, ainda andando e abro a porta da salinha para guardá-los, depois subi direto para o meu quarto.
A casa estava silenciosa quando entrei. Tirei os sapatos andando, deixei a bolsa na mesa da entrada e subi direto para o quarto.
Arrumo meu banheiro para tomar um banho premium, enchendo a banheira e jogando sais minerais nela.O banho foi demorado e quando desci, a mesa já estava pronta.
A luz do lustre brilhava, deixando o ambiente ainda mais radiante. Os pratos já estavam alinhados perfeitamente, da forma como minha mãe prefere, assim como os talheres e guardanapos que estavam dobrados. O cheiro da comida que vinha da cozinha me deu água na boca. Nossa cozinheira era uma cozinheira de mão cheia.
Observo que antes mesmo de eu e meu pai aparecer, minha mãe já estava sentada à cabeceira da mesa.
Ela não levanta seu rosto para me encarar, na realidade ela parecia muito ocupada com alguma coisa que estava acontecendo em seu celular. Apenas se dando conta de que eu estava ali quando me aproximo.
— Dá próxima vez que você caminhar, lembre-se de manter sua postura corretamente. Agora, ombros.
Ajustei minha postura sem falar nada. Existiam batalhas que não mereciam ser enfrentadas. Puxei a cadeira com calma, sem arrastá-la. Minha mãe odiava quando as pessoas ao seu redor faziam isso, e me sentei.
— Essa cor de vestido favorece seus olhos. — Mamãe me encara de cima a baixo. — Porém não saia com ele, esse corte não caiu bem no seu corpo.
— Mamãe… — Ela sorri brevemente.
— Não me venha com essa, e se tivéssemos convidados?
— Estamos eu e você aqui. — Resmungo, sem ter o que realmente falar.
Ouço um barulho vindo do hall de entrada e me sinto um pouco mais aliviada ao ver meu pai entrando na sala de jantar, afrouxando sua gravata enquanto caminhava para perto da minha mãe.
— Olá querida. — O observo beijando a testa dela e internamente reviro meus olhos.
Meus pais se odiavam, mas sempre mantiveram a postura de casal perfeito na frente dos outros, e isso inclui nossos funcionários.
— Chegou tarde, querido. — A vontade de vomitar me atinge em cheio.
— Trabalho. — Seu sorriso é duro, claro, não tinha ninguém por perto além de nós. Mas não por muito tempo, é claro.
Os pratos começaram a ser colocados na mesa um a um, minutos depois da chegada do meu pai. Então, após aguardar os mais velhos começarem a comer, faço o mesmo.
Minha mãe mexia na própria comida sem real interesse.
— Algo está me incomodando. — Ela fala de repente, fazendo eu e meu pai encará-la.
— O que exatamente? — Pergunto.
— Você trocou de perfume? — Mamãe me pergunta.
— Por quê? — Não entendi porque ela perguntou se troquei, se foi ela quem o escolheu.
— Está forte — inclinou a cabeça. — Você precisa ser notada, mas não da forma incorreta.
— Você está certa, mamãe. — Suspiro. — Irei jogar o perfume fora.
— Melhor. — Ela sorriu. Agora satisfeita.
Continuei comendo. Cortando outro pedaço de salmão, mastigando devagar.
— Você saiu para almoçar — Mamãe comentou. — Fui até a universidade para falar com o reitor e você não estava lá.
— Com a %London% — Completou minha fala. — A %London% é útil — Continuou. — A família dela é muito rica, e ela está noiva de %Trevor%.
— Você pensa tão pouco de mim, achou mesmo que eu iria andar com pessoas que não estão no meu nível? — Pergunto.
Meu pai soltou um som curto, quase um riso.
— Isso é verdade — Ele disse. Papai não era muito de conversar durante almoços e jantares. — Que bom que você sabe se posicionar socialmente.
Minha mãe virou o rosto para ele.
— Porque eu ensinei. — A frase pairou sobre nós e ela me encara sorrindo. — Hoje eu vi os pais do %Connor%. — Parece que isso sim atiça a curiosidade do meu pai.
— Eles voltaram mais cedo de Milão? — Perguntou.
— Sim… Mia não estava se sentindo muito bem, então eles decidiram voltar antes. — Mamãe me olha novamente. — %Connor% ainda está no mesmo ciclo que você, não?
Engoli antes de responder.
— Ótimo — disse ela. — Quem sabe não ouvimos boas notícias vindo de vocês dois?
— Não acho que você irá escutar alguma coisa boa vinda de nós. — Terminei de comer e limpei a boca com o guardanapo. — Vou sair hoje à noite. — Mudo de assunto.
Ela não perguntou com quem.
— Não volte tarde demais — disse.
Meu pai bebeu mais um gole, como se aquilo fosse apenas um aviso comum.
Levantei, ajeitei a cadeira no lugar e sorri para eles.
— Talvez eu não volte para casa, de qualquer forma irei para a aula amanhã.
Minha mãe inclinou a cabeça, insatisfeita.
— Não preciso lembrar a você o que temos em jogo, não é mesmo? — Acenei com a cabeça.
Fiz meu caminho para o meu quarto, e chegando lá, fui direto para o meu closet. Assim que deslizo as portas, a iluminação acende automaticamente, deixando amostra fileiras de roupas de grife. Meus olhos percorrem cada uma das peças que estavam ali dentro, tentando imaginar o que eu vestiria hoje. Eu não queria estar apenas bonita; eu queria que as pessoas ao meu redor sentissem inveja de mim, inveja por tudo o que eu tinha.
Meus dedos percorrem os cabides, parando apenas quando senti a textura fria de seda. Acho que para essa noite, um vestido slip dress preto combinaria perfeitamente. Ele era curto na medida certa e como eu já tinha tirado minha roupa e estava apenas de calcinha e sutiã, coloquei o vestido deixando que ele escorregasse pelo meu corpo e o abraçasse perfeitamente. E o melhor disso tudo, ele acabava exatamente onde a imaginação dos outros começava.
Calcei uma sandália preta, minimalista que tinha comprado no final de semana, e fui até o local que eu guardava minhas joias.
A noite de hoje pedia um colar dourado e argolas, então tirei o colar de pérolas que estava usando e os guardo para substituir por uma peça mais quente. Aproveitei também e peguei uma bolsa, colocando ali um batom, meu cartão de crédito, e meu pequeno estojo.
Dei uma última olhada no meu look para ver se estava tudo perfeitamente alinhado, e saí do meu quarto sem olhar para trás.
%London% e mais uma colega já estavam me esperando em frente à minha casa. Claro que o nosso estilo de vida permitia que um motorista nos levasse para baixo e para cima, apesar de amar dirigir, em dias como este, deixar uma pessoa sóbria conduzindo um veículo era a melhor solução.
— Até que fim. — %London% me entrega uma taça de champanhe assim que entrei no banco de trás.
— Amo ser bem recepcionada. — Fecho a porta ao meu lado e bebo rapidamente.
— Deixe-me adivinhar, sua mãe? — Aceno para ela, que riu suavemente.
O motorista da partida no carro. As luzes da rua passando rápidas demais.
— Estou pressentindo que hoje vai estar cheio. — Chloe tinha um sorriso nos lábios. — E o melhor, pessoas do nosso nível.
— Bom… Eu não tenho muito como aproveitar carnes novas, porque meu noivo irá para festa. — %London% ergueu seu copo.
— E desde quando isso impediu você de fazer algo? — Pergunto.
Não demorou muito para chegarmos, a balada já estava bombando, e isso que não eram nem dez horas da noite. Não havia fila para nós; apenas o aceno discreto do segurança que já conhecia meu sobrenome.
Ao entrar no local, sou tomada pela música alta. As pessoas que já estavam ali pareciam estar em outra dimensão.
Eu queria estar assim. Então fui até o bar. Peguei uma dose de tequila e bebi o shot rapidamente, enquanto minhas amigas começaram a pedir os drinques da noite.
Sentamos na lateral do camarote, onde a vista para a pista era completamente privilegiada. Algumas pessoas que passavam por ali nos cumprimentavam, cumprimentos vazios que não valiam de nada na minha vida.
— Olha lá. — Chloe aponta para uma garota dando uma leve risadinha. — Será que quando ela se olhou no espelho, realmente pensou que seria uma boa ideia vir vestida desse jeito?
Meus olhos percorrem o caminho que minha colega aponta, me sentindo um pouco entediada.
— Você sabe que esse tipo tenta se vestir igual a gente para tentar se enturmar, daqui a pouco alguém tira ela daqui, assim como outra meia dúzia de bolsistas. — Dou de ombros, meus olhos focando no que realmente interessa.
— Puta que pariu, %Emma%. — %London% sabia muito bem o que eu estava fazendo.
— Não falou que eles chegariam mais tarde? — Encaro minha amiga com a sobrancelha arqueada. Pensei que eu iria aproveitar um pouco antes da festa acabar para mim.
— %Trevor% deve ter terminado o que tinha que fazer. — Ela dá de ombros. — Sério! Vocês dois são problema.
Meus olhos voltam para o bar, exatamente onde %Connor% estava parado. Ele conversava com algumas pessoas ao seu redor, mas parou assim que notou meu olhar.
%Connor% atravessou o caminho todo do bar até o lugar que eu estava com as meninas sem desviar o olhar. Ao se aproximar, o cheiro dele me atinge em cheio. Uma mistura perigosa de carvalho, cigarro e whisky.
— Você demorou. — Ele se inclina para falar em meu ouvido.
— Errado. Eu cheguei quando era para ter chego.
Ele sorriu, não um sorriso fofo, esse gesto deixava claro o que ele queria. Então não me surpreendo quando sinto a mão de %Connor% deslizando pela minha cintura, cravando ali e puxando meu corpo contra o dele, fazendo com que eu sentisse sua coxa contra a minha.
Me inclino um pouco pra frente, minha mão acariciando seu pescoço antes de eu mesma deixar que minhas unhas o apertassem, o arranhando levemente. Solto uma risadinha quando ouço um gemido saindo de sua boca.
— Não confunda o que temos com exclusividade. — Provoquei, sabendo muito bem aonde iremos chegar.
%Connor% apenas soltou uma risada baixa, rouca, enquanto aumentava a intensidade do aperto em minha cintura. Sua mão livre percorreu meu pescoço até chegar em minha boca. Ele passa seu dedo polegar suavemente antes de se aproximar e me beijar.
Aquilo era um beijo faminto.
Senti suas mãos descendo até a curva da minha bunda, me puxando ainda mais para perto dele, se isso fosse possível, enquanto minhas mãos se perdiam em seus cabelos.
Ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos meus olhos, a respiração descompensada.
— A gente vai sair daqui agora — Isso não era um convite, era uma certeza.
— Agora… — Eu respondi, tentando controlar minha respiração.
Quando falei que minha noite tinha terminado por aqui, era porque algo melhor iria acontecer.
Continua...
N/a: Hello! Hello! Gente, essa é uma das muitas histórias que eu já tinha pronta e estou reescrevendo.
Primeiro, gostaria de falar que ela foi escrita há um bom tempo, então existem situações que hoje abordamos de uma forma completamente diferente do que lá em 2018, e até mesmo antes disso.
Se eu mudasse todo o contexto da história ela ficaria completamente diferente e perderia o real sentido dela. Então por isso eu deixei um disclaimer no início, pois é meu dever como escritora avisar os tópicos sensíveis que a história está abordando.
E o mais importante, lembre-se que isso é ficção, são atitudes dos personagens e não minhas.
Não me odeiem.
Irei tentar manter o envio de dois capítulos por mês, lembrando que eu ainda estou reescrevendo e postando “Entre dois mundos” aqui então se você ainda não conhece essa história corre lá.
Até o próximo cap.