Any Song

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Capítulo único

Tempo estimado de leitura: 7 minutos

“Em todos os distritos há comoção geral, as pessoas saem às ruas alegres, festivas, a chuva de abraços e beijos é tão grande como nunca se viu! Não parecemos mais estar na República da Coreia, e sim, em algum dos países latino americanos em que o calor emana das pessoas! Os coreanos fazem um verdadeiro carnaval contido nas ruas…”

  Se eu não tivesse dormido enquanto ouvia aquele filme à tarde, talvez estivesse acordado no horário do noticiário. Era meu aniversário e eu passei o dia inteiro em casa, trancado com aquela pandemia à solta. Não que eu quisesse ir a algum lugar, porque, certamente, o mau hábito de não saber mais socializar fizera rotina nos meus dias. Mas se eu tivesse escutado o noticiário, estaria ciente de que naquela tarde, enquanto a minha cabeça batia no sofá, e a baba escorria em meu rosto, o governo emitira uma nota oficial nacional dizendo estarmos livres da Covid-19.
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  Eu e todas as pessoas da nação já haviam sido vacinadas, e aguardamos ansiosos aquele tipo de anúncio dos especialistas para retomar 100% de nossas vidas. Nossas novas vidas. Mas, desde um mês atrás, eu estava pouco me importando com essa história de “nova vida”. Já estava habituado a um novo modo de vida solitária, e mexer naquilo seria fatigante.
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  O mundo lá fora parecia cair, mas eu estava sonolento em minhas paredes de acústica perfeitamente isolantes. Só não eram isolantes da campainha. Levantei e fui até a porta, confuso.
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  — Pijama!? — Nyo perguntou adentrando a minha casa com uma animação incomum. — Abraço coletivo!
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  Ter três caras me abraçando e pulando e berrando como animais, em votos de felicidade, era estranho como nunca! E tudo aconteceu muito rápido a seguir.
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  — Gun, leve a bebida aí para a geladeira, Wang, me ajuda a arrumar tudo, e Zico, libera a comida!
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  Nyo ordenava tudo e eu nada entendia.
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  — O que estão fazendo!?
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  — É seu aniversário! Vamos comemorar a primeira aglomeração pós-Pandemia livre do vírus! Cara! No dia do seu aniversário a Coreia recebeu libertação desse mal!
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  — Eu não quero festa de aniversário.
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  E não fui escutado. Gun, Nyo e Wang prepararam tudo rápido demais e começamos a comer e beber, embora eu nem estivesse naquele clima. Já havia dito ao longo da semana que eu não queria fazer nada no dia do meu aniversário, minha namorada havia terminado comigo um mês atrás e todos os planos que eu tinha para aquele dia estavam agora cancelados. Mas eles não se importaram!
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  Beberam, comeram, ficaram bêbados e no meio desse processo, desistiram de tentar me levar para um universo de alegria e festividade que era só deles. Então deitei no meu sofá, mas Gun logo surgiu com a merda de uma chamada telefônica:
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  — Zico! A gente vai se divertir hoje! Estou ligando à Hye para ir também!
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  — Jack, não! Eu não quero ver ninguém, não quero estar com ninguém e muito menos encarar a minha ex-namorada! Tire esses caras daqui, vai!
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  — Cara, mas é o seu aniversário! E a Coréia toda está em festa! Você realmente vai ficar nessa onda de isolamento ainda!? Tô chegando já, já!
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  Não adiantou falar nada, os três patetas na minha sala dançavam e riam, e eu só pude ficar observando tudo e comendo e bebendo. Eis que Jack chega e quando eu abri a porta da sala, tinha tanta gente que eu não conhecia invadindo a minha casa, que eu só queria mandar todo mundo à merda. Tentei ir para o meu quarto, ficar trancado lá, mas não consegui. Aonde eu ia, era impedido.
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  Os planos daquele dia eram: dormir, dormir, na manhã seguinte faxinar a minha casa, dar uma volta e fazer umas músicas! Depois eu iria cumprir as aulas da faculdade e, quem sabe, à tarde beber café em alguma cafeteria. Era aquela a minha vida no último ano! Eu não queria ter que suportar aquele tumulto na minha casa, que só tornavam a faxina do dia seguinte maior!
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  Gun bebeu tanto que dormiu na escada. Jack estava abraçado com uma mulher que eu não fazia ideia de quem era, no corredor, ao chão. Na cozinha devia ter umas dez cabeças dormindo ao chão, parecia até o apocalipse zumbi. Nyo dormiu no sofá, Wang estava dormindo no banheiro abraçado ao vaso. Nojento!
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  Minha casa estava um nojo! E eu decidi arrumar tudo antes do dia clarear. Mas precisava me sentir bem, e com tanta gente jogada era difícil arrumar a casa em paz. Portanto, só uma coisa poderia me tirar daquele mau-humor: arrumar tudo ouvindo Summer Hate, uma música que fiz e adorava escutar para faxinar. Olhei para a meia dúzia de papéis de presente no chão, afinal só os quatro bobões haviam trazido presente e eles mesmo haviam aberto! Observei também o relógio e de repente a surpresa: não era meu aniversário!
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  Eu já estava possesso de novo, pensando em chutar os traseiros daqueles amigos que se diziam ali para comemorar meu aniversário, quando nem sabiam o dia na verdade! Wang tocou meu ombro e quando olhei para trás estavam aquelas pessoas estranhas, outras conhecidas e meus amigos, cantando parabéns com um bolo pequeno. Eu precisava fugir. Estava com raiva pela paz perturbada, por me confundirem do meu dia de aniversário e porque:
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  1. Ou eu surtava pela bagunça na minha casa ao ponto de as pessoas que estavam ali para “comemorar” meu aniversário esquecerem de cantar o parabéns.
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  2. Ou eles também descobririam que meu aniversário era hoje e não ontem, como comemoraram, e iriam querer recomeçar a farra toda de novo.
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  Sair correndo me parecia mais atrativo, afinal as ruas deveriam estar vazias, já que todos decidiram aglomerar na noite anterior.
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  Dito e feito! 
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  Corri rua afora, feliz de me livrar de tantas pessoas. Para quem ficou 2 anos trancado em casa sozinho, o mundo externo, solitário, era mais libertador, mais perto de um “atual normal”.
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Fim.

  Nota de Autora: Essa é uma fanfic oneshot baseada no music video “Any Song” do Zico, e que se encaixaria perfeitamente em uma categoria do tipo: “Hã?”, escrita em 2020 pós-pandemia. Ela não parece fazer muito sentido, mas conforme baseada no clipe da música, se você o assistir, talvez entenda melhor. Ou não. Eu não sei o que estava se passando na minha mente ao escrevê-la (risos).

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Lelen

JESUS, QUE CENA CAÓTICA ASOPDMNPAODMAOPD
O Zico todo deslocado no meio de tanta gente HAHAHA
E COMO ASSIM OS AMIGOS ERRARAM O DIA DO ANIVERSÁRIO, GENTE? Era só uma desculpa pra bagunçar a casa de outro, né? Diz aí HAHAAHAH

Ray Dias

Tudo motivo da euforia pós-isolamento. Era só uma desculpa para aglomerar.

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