A História de Baltsea


Escrita porMikaelson
Revisada por Lelen


Capitulo 1 • O Herdeiro da Torah

Tempo estimado de leitura: 7 minutos

  Em um mundo tribal marcado pela devoção a deuses estranhos, Jared, filho de Mahalalel e Dimah, destaca-se como um homem de fé que busca seguir a Torah e os ensinamentos de Deus. Durante uma pandemia reminiscentes da covid-19, ele se apaixona por %Baltsea%, uma jovem de 15 anos mais nova. No entanto, a serenidade de seu amor é ameaçada pelo surgimento de anjos caídos na Terra, desafiando suas convicções e colocando à prova a força de sua fé. Uma jornada de amor, fé e confrontos sobrenaturais se desenrola, enquanto Jared luta para proteger o que mais ama em tempos de incerteza.
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  O vento frio da manhã corria entre as tendas de palha e barro e, mesmo assim, o cheiro forte de defumações e incensos pairava no ar. A pandemia que assolava as tribos havia ficado conhecida como “A Sombra da Peste”: uma febre alta, tosse sufocante e um cansaço que consumia os corpos e as vontades. Muitos sacerdotes locais ofereciam sacrifícios aos deuses estranhos — N’garoth, Síbel e o Sussurrante — na esperança de aplacar a cólera divina. Mas, para Jared, filho de Mahalalel e Dimah, só havia um Deus verdadeiro.
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  Jared acordou antes do primeiro raio de sol tocar as planícies. Aos quinze anos recém-completados, já sentia sobre si o peso da responsabilidade. Na pequena cabana alugada junto à casa dos pais, ele ajoelhou-se diante de um tronco de madeira cinzenta que lhe servia de altar improvisado. Ali, lia as letras desenhadas em pergaminho — versos antigos da Torah que seu pai lhe trouxera de longe no dia em que nasceu.
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  — Ó Senhor, dá-me a força para consolá-los, a sabedoria para instruí-los, e a compaixão para amparar cada alma atormentada — murmurou, com os olhos fechados.
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  Do lado de fora, sua mãe, Dimah, preparava o mingau de cevada para a família. Ao sentir o aroma reconfortante, ele sorriu em gratidão.
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  — Bom dia, pai e mãe — cumprimentou, quando Mahalalel entrou, ainda carrancudo por causa das más notícias.
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  Mahalalel, um homem alto de voz firme, repousou a mão sobre o ombro do filho.
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  — Hoje é teu aniversário, Jared. Quinze anos. Tempo de tomar para ti o pergaminho da Torah e, junto a ele, a promessa de ser luz nesta escuridão. — A voz do pai embargou-se de emoção. — Levei cinco caravanas para trazê-lo até aqui. Agora, cabe a ti fazê-lo florescer.
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  Jared recebeu então um pequeno rolo de veludo azul, dentro do qual repousava o fragmento de pergaminho. Ao desenrolar, seus olhos brilharam: eram as bênçãos que Moisés transmitira a Levi, ancestrais de seus antepassados. Ele beijou o texto, sentindo o peso de cada letra.
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  — Obrigado, pai. Prometo que não apenas lerei, mas viverei cada mandamento.
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  Enquanto o céu clareava, o burburinho na praça central crescia. Zeti, líder de uma das famílias mais influentes na cidade, esperava por Jared junto ao poço. Ao seu lado, a filha, %Baltsea%, de cabelos negros e olhos curiosos, tentava sem sucesso conter o choro. Tinha apenas oito anos, mas os sintomas da doença já a haviam abatido.
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  — Mestre Jared — saudou Zeti, erguendo as mãos em reverência contida. — Trouxemos %Baltsea% para que a abençoe.
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  Jared aproximou-se, ajoelhou-se diante da menina, colocou a mão sobre sua testa e sussurrou uma prece:
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  — Ó Deus de nossos pais, estende a Tua mão de cura sobre %Baltsea%. Renova-lhe o fôlego, conforta seu espírito. Em nome do Eterno, amém.
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  %Baltsea% fitou-o com olhos úmidos. Num gesto quase instintivo, segurou-lhe a mão.
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  — Será que vou ficar boa? — perguntou, a voz trêmula.
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  — Sim, minha pequena. Confia, e ainda verá dias de alegria — garantiu Jared, erguendo-se e olhando Zeti nos olhos.
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  O homem engoliu em seco, ajeitou a túnica simples, feita de linho amarronzado.
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  — Se esta oração trouxer apenas um sopro de alívio, meu povo já te considerará um escolhido.
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  Mas nem todos viam com bons olhos a fé de Jared. Dois sacerdotes idólatras, Nareen e Taloca, aproximaram-se com risos discretos.
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  — Escolhido por quem? — zombou Nareen, puxando um incensário pesado. — Nossos deuses é que mantêm este lugar longe do caos completo. Essa peste, talvez, seja apenas o sacrifício que faltava para a verdade se revelar.
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  Taloca cutucou o ombro do companheiro:
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  — Deixa o rapaz em paz. Cresceu demais, mas ainda é criança.
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  Jared ergueu-se, a mão firme sobre o rolo da Torah preso ao cinto.
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  — O Senhor Meu Deus é o único que sustenta o céu e a terra. Quem fala em sacrifício não conhece a misericórdia que cura, edifica e salva.
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  Um silêncio pesado caiu sobre a praça. %Baltsea%, ainda agarrada à túnica do pai, olhou para Jared com admiração. Zeti pigarreou, incerto, mas ficou em silêncio. Quando os sacerdotes se afastaram, murmurando ofensas, Jared respirou fundo e voltou-se a Zeti.
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  — Cuide bem dela. E se precisar de mim, estarei disponível para orar, compartilhar o pão e lembrar seu povo do único Deus vivo.
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  Zeti assentiu, fitando a filha:
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  — Que o teu Deus te recompense, Jared.
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  No fim da manhã, as crianças do vilarejo reuniram-se ao redor de uma fogueira, onde Jared havia acendido brasas ornamentais. Mostrou-lhes os caracteres antigos, ensinou a palavra “Shalom” e distribuiu pequenas porções de pão com ervas. Entre risos, cânticos e dedos manchados de fuligem, sentia-se renascer a esperança.
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  Quando o sol atingiu o zênite, Jared subiu num tronco mais alto e falou à multidão:
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  — Irmãos, vivemos tempos sombrios, mas não estamos abandonados. Em cada gesto de bondade, em cada oração sincera, Deus se revela. Ele não exige sacrifícios humanos ou velas rituais aos deuses que nada podem. Ele quer nosso arrependimento, nosso amor ao próximo e nossa fé que age em favor dos aflitos.
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  A multidão ficou em silêncio. Muitos secaram lágrimas. Outros sussurraram améns. E, naquele instante, um novo dia nasceu para a pequena cidade tribal. Jared, o jovem de quinze anos, sentiu no coração a convicção de que seu destino era maior do que imaginara: tornar-se-ia um mensageiro da esperança, mesmo que os deuses falsos lançassem suas sombras sobre o caminho. E assim se encerrava o primeiro ato de sua jornada. A Peste podia rondar, mas a chama da fé, ali plantada, jamais se apagaria.
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