Capítulo único
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Foram 12 longos anos em que ele foi obrigado a permanecer atrás das barras gélidas de Azkaban, acusado de um crime que nunca cometeu. Aqueles longos anos de espera jamais teriam um fim, e ele sabia.
Desnutrido, fraco e de mãos dadas com a morte. Certamente, era sua única saída existente daquele lugar tão terrível. Mas Black sabia perfeitamente que não deveria se entregar daquela forma; ele ainda era inocente.
Contudo, não era apenas em sua inocência que Black passou a focar. Há 12 anos, ele deixou %Lyra%, para tentar impedir Voldemort de matar James e Lily Potter. O que sucedeu essa noite todos nós sabemos.
Mas e %Lyra%? Como ela ficou ao longo dos árduos 12 anos?
Sirius já tinha em mente que ela estaria esperando por ele, como sempre o fez. Imaginava todas as noites ela sentar na sala, perto do piano, com uma xícara de chá. Todas as noites, ele a ouvia tocar aquele instrumento tão belíssimo. Até mesmo Monstro, o elfo da família Black, parava o que estava fazendo para escutar as melodias vindas do mesmo.
Black tinha medo de que os Dementadores fossem atraídos por suas memórias felizes de %Lyra% então procurava não lembrar de mais. Por mais doloroso que fosse, sabia que não poderia dar o gosto a eles. Sua única razão de felicidade deveria permanecer intacta, de qualquer maneira.
Foi então que em 1993, ele teve a chance que esperou com muita calma. Depois de descobrir que Pettigrew estava vivo, sentiu desejo de vingança. Apesar de sua subnutrição, conseguiu se transformar na sua antiga forma animago e, assim, deixou aquele lugar.
%Lyra%’s POV
E novamente sentei próxima do piano com uma xícara de chá. Ao olhar para o instrumento, senti-me desamparada. Desde que Sirius foi enviado para Azkaban, o significado de alegria deixou de existir como um estalar de dedos.
Nesses 12 anos, todo 31 de Outubro tem sido uma data difícil de tolerar, porque nesse mesmo dia, ele foi tirado de mim. Quando Dumbledore me disse sobre o acontecido, parecia que tivessem arrancado meu chão e me jogado em um abismo profundo, sem chance de tornar a ver a superfície.
Tudo se tornou um imenso vazio.
Essa casa já não houve mais as risadas exageradas dele, ou até mesmo seus comentários implicantes com Monstro, ou, de certa forma, provocantes quanto a nós. Até mesmo o retrato de Walburga parece sentir falta das discussões com ele. Essa casa não é a mesma sem Sirius.
— Senhora, há visita. — Monstro me avisa.
— Mande-os subir. — respondo.
Deixei a pequena e delicada xícara de porcelana do lado, me recompondo. Ouvi passos tornarem-se mais e mais próximos, logo revelando seus respectivos causadores. Céus, ele não mudou nada desde a última vez em que estivera aqui.
— Albus. — o cumprimento.
— %Lyra%. — retribuiu, formalmente.
— O que faz fora de Hogwarts em um dia como esse?
Ele pareceu um tanto quanto aflito.
— Acredito que este assunto deva ser discutido com ambos muito bem acomodados. — suspirou.
— Certo. — respondo. — Fique à vontade. Monstro, traga mais uma xícara de chá, por favor.
O elfo virou-se, indo na direção da cozinha. Albus parece ansioso para me dizer algo importante, urgente. Ele não teria saído de Hogwarts se o assunto não estivesse requerendo uma devida atenção. Minutos depois, Monstro retornou com a xícara, que Dumbledore agradeceu. Após bebericar um pouco, deixou-a de lado, passando a me encarar.
— O que tenho para dizer, Srta. Black, é justamente sobre... Sirius.
— Aconteceu algo com ele em Azkaban? — questiono, ficando nervosa.
— Sim... Ele fugiu.
Encarei de forma perplexa não somente Albus, mas como também Snape, que estava calado no canto. Ele nunca foi fã de meu marido e eu entendo seus motivos, uma vez que estudávamos juntos na época desses eventos.
— Onde ele está, Albus?
O silêncio pairou no ambiente, aumentando minha aflição.
— Nós... Nós não sabemos, %Lyra%. — disse, com pesar.
— Ele está sendo procurado em diversos locais diferentes. — Snape pronunciou-se. — E o Ministério reconhece que um desses possíveis locais é sua casa.
Olhei para ele, raivosa. Tenho certeza de que ele adoraria capturar Sirius e entregá-lo para os Dementadores, para que assim, receba o Beijo do Dementador.
— Faça-me o favor, Severus. — rio, ironicamente. — Não venha insinuar que eu o esconderia aqui. Tenho consciência de que você é um daqueles que pretende entregá-lo para Fudge. Se você veio até minha casa para insinuar absurdos contra meu marido e eu, pode se retirar imediatamente.
— %Lyra%, é evidente que Sirius está procurando alguém. Não temos ideia de quem seria e até mesmo porquê, entretanto, achei prudente te avisar sobre o ocorrido. — Dumbledore enfatizou.
— Claro, Albus. — assenti. — Agradeço pela sua preocupação.
Monstro os acompanhou para fora, onde aparataram para Hogwarts novamente. Olhei pela janela, para me certificar de que realmente se foram, então pude notar algo, ou melhor, alguém. Pelos negros, assim como seus olhos. Não sei quanto tempo ficamos ali, apenas nos encarando. Meu coração acelerou, dando a impressão de que à qualquer momento iria rasgar meu peito. Sai da janela e apressei-me em descer as escadas, saindo para fora.
— Sirius? — o chamei.
Entretanto, não obtive resposta. O cachorro negro havia ido embora. É óbvio que era ele, só poderia ser. O vento gélido bateu contra meu corpo e balançou meus cabelos, e como se tivesse acabado de receber um beijo em pescoço, meu corpo inteiro arrepiou-se. Devo estar imaginando coisas, afinal. Virei-me de costas e então, segui para dentro, ouvindo lamúrias de Walburga.
Sirius’s POV
Ao vê-la na janela, meu coração se partiu. Meu maior desejo naquele momento era me transformar novamente e ir até ela, mas não poderia. Jamais colocaria sua segurança em risco. A parte mais difícil foi deixa-la, ao perceber que ela viria ao meu encontro.
Céus, eu me sinto o pior dos homens ao fazê-la sofrer desse modo. Mesmo após 12 longos anos, ela pareceu manter sua aparência, como se tivesse parado no tempo. A única diferença entre o agora e o antes é aquele olhar melancólico. Enquanto andei pelas ruas, pensei muito sobre ter ido visitá-la. Foi um risco, porém, necessário.
Antes que possamos finalmente estar juntos, eu preciso ir atrás daquele maldito traidor. Peter Pettigrew. Sim, aquele que se fingiu de morto ao longo dos anos está mais vivo do que nunca é mais, em Hogwarts, sobre a forma de um rato. Soube também que Remus está lecionando Defesa Contra A Arte das Trevas, o que de certa maneira, seria interessante.
Depois de deixar um lírio negro na porta de minha antiga casa, fui diretamente para Hogwarts, onde eu iria confrontar meu velho “amigo”.
[...]
Narrador POV
Depois de Sirius encontrar Pettigrew e sofrerem um tenebroso ataque de Remus, que havia se transformado em lobisomem, ele foi novamente capturado por Snape e mantido preso na Torre Negra, em Hogwarts, aguardando pelo Beijo do Dementador.
Isso poderia ter terminado naquela noite, se Hermione e Harry não tivessem voltado no tempo e salvado Bicuço, entregando-o para que Black fugisse para longe. Infelizmente, ainda não havia trocado uma carta sequer com %Lyra%, evitando que ela se tornasse alvo de investigações por parte do Ministério, apenas por ser sua esposa.
Então ele percebeu que havia um único modo de falar com %Lyra% sem ser descoberto. Harry. Estando na Europa, escreveu uma carta para Harry e outra para sua esposa. Evitando usar Edwiges, ele enviou as cartas através de pássaros tropicais. Naquela tarde, após receber instruções específicas de seu padrinho, ele procurou por %Lyra%. E lá estava ele, no Largo Grimmauld, N° 12. Após ser recebido por Monstro, ele aguardou pacientemente na sala, com o envelope em mãos.
— Harry! — sorriu. — Como você cresceu!
— Oi, %Lyra%. Como você está?
— Muito bem, obrigada. — sentou-se. — Mas então, o que veio fazer aqui? Tenho certeza de que não é uma simples visita.
— Tem razão. Eu vim a pedido de Sirius.
%Lyra% congelou.
— Desculpe-me, mas como?
— Ele está na Europa, fugindo de Fudge. — explicou. — Então me enviou uma carta e pediu para que eu a trouxesse para você.
— Harry, você sabe que está se arriscando muito em ter vindo aqui. — suspirou. — Ainda mais com uma carta de Sirius.
— %Lyra%...
— Entretanto. — o interrompeu. — Agradeço imensamente por ter o feito. — sorriu.
Harry suspirou aliviado. Achou que levaria um puxão de orelha vindo de %Lyra%, uma vez que Sirius mencionara seu temperamento forte e difícil de lidar, algo que o Maroto adorava.
— Deixe-me ver. — pediu.
— Aqui está. — entregou o envelope.
Abriu delicadamente, retirando outro papel de dentro, que revelou a caligrafia de Black. Sentiu um aperto imenso em seu coração. Após meses, era a primeira vez em que ele lhe mandara algo, com exceção do lírio negro deixado em sua porta.
Querida %Lyra%,
Sei que há meses convive com o meu sumiço e com a aflição de que eu possa ser preso caso me descuide. Sei também que é perigoso e arriscado enviar uma carta através de Harry, porém, é o único meio que encontrei para tentar lhe confortar.
Veja, naquela noite em que nos vimos, eu já tinha total noção de que poderia estar te colocando em risco. Eu não me aproximei por temer que Fudge desconfiasse de você e com isso, arrumasse qualquer motivo para te considerar suspeita de conspirar com um fugitivo.
Nessa altura, devo imaginar que Harry mencionou onde tenho vivido desde que fugi com um hipogrifo chamado Bicuço. Por enquanto, nós dois seremos obrigados a conviver com essa distância e a saudade, mas tenho certeza de que muito em breve estaremos juntos novamente.
Com amor,
Sirius.
%Lyra% sentiu seus olhos umedecerem. Largou o papel de lado e encarou seu afilhado, segurando suas mãos. Ela sorriu de uma forma feliz, como há anos não tem feito.
— Eu não sei como agradecer, Harry. — disse, serena. — Isso me deixou muito contente.
— Bem, eu poderia pedir um favor?
— O que quiser, querido.
Potter corou.
— Sirius não pode me dar autorização para ir a Hogsmeade, por estar foragido. — explicou.
— Ah, a autorização. — riu. — É claro que lhe darei! Poderia ter pedido antes.
— Digamos que eu não sabia sobre você e Sirius. — respondeu, tímido.
— Oh, tem razão. — concordou. — Depois do que ocorreu naquela noite, Albus tomou providências para que você permanecesse seguro de Voldemort e sua manada. Fazia parte ninguém mencionar sobre Sirius e eu, pelo fato dele ter sido preso em Azkaban. — explicou.
— %Lyra%, o que realmente aconteceu?
Ela pareceu um pouco constrangida pela pergunta, e Potter notou.
— A Ordem estava um caos. Ninguém sabia se poderia confiar em outro e ainda tínhamos que lidar com a baderna que os Comensais estavam causando. Era terrível, Harry. — relembrou do dia. — Seus pais estavam bastante preocupados com a onda de ataques de Voldemort.
Harry achou curioso o fato dela não temer dizer seu nome. Cada vez em que mencionara, uma frieza invadiu seu olhar. É nítido que o sentimento que surge é ódio.
— Entretanto, no dia 31, Lily e James seguiram para Godric’s Hollow, onde estariam protegidos por um feitiço que Dumbledore conjurou. Sirius seria o Fiel do Segredo, mas ele recusou, sabendo que iriam atrás dele. Então, ele próprio escolheu Peter para ser o Fiel, não sabendo de sua real lealdade. Pettigrew traiu seus pais e acusou Sirius, forjando sua morte e fugindo. Você conhece o resto da história.
— Eu achava que Sirius estava indo atrás de mim para me matar. — suspirou.
— Era o que todos achavam, Harry. Não precisa se sentir culpado, Fudge fez com que toda a população bruxa acreditasse que Black era um Comensal tanto quanto Régulo.
— Régulo...
— O irmão mais novo e assassinado de Sirius, Harry.
No fim da tarde, Harry retornou para Hogwarts, deixando sua madrinha. Havia conseguido a autorização dela para ir a Hogsmeade e com isso, não haveria maiores problemas. Ela ainda refez o convite de seu marido, dizendo-lhe que poderia vir passas as férias com ela, caso quisesse. Ligeiramente, aceitou a proposta.
[...]
1996.
%Lyra% fora obrigada a deixar sua casa no Largo Grimmauld por sua própria segurança, deixando todos os afazeres domésticos para Monstro. Há cerca de 8 meses ela já não morava mais no local e não havia ninguém que soubesse de seu paradeiro, exceto Harry.
— Sirius, o que houve? — Ron pergunta.
— É %Lyra%, Ron. — Hermione se aproxima.
— Ela ainda não deu notícias, apenas. — Black murmurou.
Levantou-se, indo para perto do piano. Além de não poder sair para a rua, arriscando ser levado para Azkaban novamente, Black ainda era obrigado a conviver com o fato de que sua esposa havia desaparecido de forma misteriosa.
Harry, notando o incomodo de seu padrinho por se sentir inútil e, ainda por cima, bastante nervoso, soube que era a hora de falar com sua madrinha. Entretanto, seus planos foram deslocados quando em Hogwarts, ele teve a visão de Sirius sendo torturado por Voldemort.
Apressado, escreveu uma carta para %Lyra% e enviou, explicando com muitos detalhes sobre onde os encontrar. Ele estariam indo para o Ministério, onde Sirius estava. Ele não tinha a menor noção se ela responderia sua carta ou se iria para o Departamento de Mistérios.
Ao chegar lá, todos notaram ser uma armadilha planejada por Comensais, que queriam a profecia de Potter sobre Voldemort. A batalha iniciou de modo severo e naquele momento, tinham certeza de que não haviam como vencê-los, tendo apenas uma única solução.
Quando Potter estava prestes a entregar a profecia, a Ordem da Fênix chegou, obrigando os Comensais retomarem a batalha. Sirius instintivamente correu para proteger Harry, dizendo-lhe que já havia feito tudo o que poderia e que agora, era um assunto para a Ordem resolver. Harry, a contra gosto, acabou dando-se por vencido e deixou com que Sirius tomasse as rédeas da situação. Foi aí que Bellatrix surgiu.
Nesse momento, os primos Black começaram a duelar, com Lestrange atacando fortemente Sirius, em diversas investidas que ele mal conseguiria revidar. Foi quando um tremendo estrondo atraiu a atenção de todos. As portas do local foram brutalmente escancaradas, causando fumaça. Uma sombra começou a surgir de lá, andando firmemente na direção daquela confusão.
A silhueta retirou o capuz e revelou-se sendo %Lyra% Black, para a surpresa de muitos dos que estavam ali. Por breves segundos, ela o viu lá, sorrindo. Então seu olhar severo desviou-se de seu marido e caiu sobre Bellatrix, que sorriu de forma maldosa. Esta deixou Black de lado e avançou contra %Lyra%, que adorou a ofensiva.
— Há anos que esperei por esse momento, Lestrange. — %Lyra% provoca.
— Então aproveite cada segundo, Black. — devolveu. — Porque hoje você morre.
Bellatrix cometeu um erro grave ao subestimar a capacidade de %Lyra%, e isso significou sua derrota. %Lyra% descarregou por completo toda sua ira contra Lestrange, que percebeu que não teria condições de se desvencilhar da mesma. As investidas de %Lyra% não deram chance alguma para que ela pudesse escapar.
Levada pela sede de vingança, %Lyra% ultrapassou os limites que possuía. Ao usar a Maldição Cruciatus contra Bellatrix, ela percebera que havia ido longe demais e violado seus próprios princípios. Desarmou a bruxa, ficando por cima e com um sorriso macabro nos lábios.
— O que ia dizendo, Lestrange? — indagou, ironicamente.
Apenas por ter usado Cruciatus, já tinha conhecimento de que poderia ganhar uma passagem apenas de ida para Azkaban, mas não era com isso que ela estava se importando. Tinha em sua frente Bellatrix Lestrange desarmada e aparentemente, indefesa.
— Sabe o que merece, Lestrange? — perguntou, irritada. — Merece muito mais do que passar sua vida em Azkaban.
— Vai, %Lyra%! — provocou. — Eu sei o que você quer fazer. Continue!
— Ava...
Antes mesmo que ela terminasse de pronunciar a Maldição, uma voz familiar ecoou no local, demonstrando urgência em seu tom. Sirius.
— %Lyra%! — gritou. — Pare!
E assim, o fez. Conforme Black se aproximou, tomando cuidado para não ser atingido por nenhum feitiço, Bellatrix notou a distração de %Lyra% para escapar, sendo seguida por Harry. %Lyra%, contudo, foi impedida de sair de lá por seu marido.
— Não faça isso, %Lyra%. — pediu.
— Ela precisa pagar por ter feito tudo aquilo, Sirius! — protestou.
— E ela vai, querida. — sorriu. — Mas matá-la não é a maneira.
Os dois, percebendo então que estavam juntos, se beijaram. Aqueles 12 anos em que Sirius viveu como acusado enfim valeram a pena simplesmente pelo fato de estar ali, sentindo os lábios de sua esposa junto dos seus. Ao se separarem, o abraço entre eles foi imediato.
— Na próxima vez em que resolver cometer uma loucura no meio da noite, eu vou te amarrar no pé daquela droga de cama e não te deixar sair. — brigou, mas rindo depois.
— Não acha que seria mais agradável para nós dois se fosse na parte de cima? — devolveu, rindo.
%Lyra% rolou os olhos, dando uma leve empurrada em seu marido. Sirius não havia perdido aquela mania de comentários provocantes e de certa maneira, sedutores. Ela percebeu que mesmo depois de 12 anos, ele ainda era o mesmo.
— O importante é que você está aqui.
[...]
O Largo Grimmauld N°12 nunca esteve tão cheio de vida como estava tendo nos últimos meses. A casa dos Black agora era realmente um lugar aconchegante e familiar para se viver. Harry acabou deixando a casa dos Dursley para morar com seu padrinho e madrinha, tendo uma relação muito amorosa, como se fossem pais e filho.
Porém, sabiam perfeitamente que Voldemort iria voltar e a Segunda Guerra Bruxa acabaria acontecendo de qualquer maneira e que com isso, deveriam estar preparados. Sirius estava sendo um grande mentor para Harry e agora não precisava mais viver como um foragido, uma vez que havia sido inocentado por Cornelius Fudge.
Com o Natal se aproximando, decidiram que essa data seria celebrada de uma forma especial, sendo o primeiro natal juntos desde que Black havia sido declarado um homem livre. E lá estavam eles, com a casa enfeitada e cintilando com diversas luzes decorativas. Os Weasley’s vieram, assim como Remus e Ninfadora. A Ordem também estava presente e todos estavam comemorando. Na escada, Harry observou a cena. Logo já não estava sozinho, pois Hermione e Ron se juntaram a ele nos degraus.
— O que foi, Harry? Você está bem? — Mione pergunta.
— Estava pensando, Mione. — respondeu. — Pela primeira vez, eu sinto que tenho uma família de verdade.
— Seus pais com certeza gostariam que você ficasse com Sirius. — Ron afirma.
— Eu sei. — riu. — É diferente, sabe. Com minha tia eu me sentia tão deslocado, mas aqui... Me sinto completo.
— Olhe só como eles são felizes. — Hermione diz. — Sirius parece ter deixado seu lado sarcástico de lado e parece contente.
— %Lyra% deixou aquela aparência desconfiada e abatida de lado e se tornou outra mulher também. Nem parece a mesma pessoa. — Ron brinca.
Os três riram. Conforme foi entardecendo e a pequena comemoração acabando, os três subiram para o quarto. Continuando a conversa, perceberam um som diferente vindo do andar inferior. Curiosos, abriram a porta e desceram apenas alguns degraus, tomando cuidado para não serem vistos. O som que ouviram eram notas. Notas de um piano.
— Há muito tempo essa casa não ouvia música. — Monstro diz, assustando o trio.
Ele saiu andando, deixando os três mais curiosos. Desceram o resto das escadas e sorrateiramente entraram na sala, observando que é %Lyra% quem toca o piano, enquanto Sirius está lá, encantado e prestando a devida atenção. Era a primeira vez que viam %Lyra% tocar. Ela deixou o piano prosseguir com a melodia e levantou-se, indo até seu marido. Os dois pareciam dois adolescentes durante o Baile de Inverno em Hogwarts, onde segundo Sirius, se beijaram pela primeira vez. Começaram a dançar juntos, enquanto o trio observa com sorrisos.
— 12 anos, Black. — sussurrou.
— Acho que ainda temos como recuperar o tempo perdido. — brincou.
— Controle-se, homem. — riu. — Temos visitas!
— Eu sei, Black. — devolveu.
— O que iriam pensar de mim? — perguntou, fingindo estar zangada.
— Que você é a melhor mulher, esposa e madrinha do mundo, claro. — disse, convencido. — Além do mais, 12 anos não são nada comparado ao tempo que temos agora. E sim, você é realmente a melhor bruxa que já conheci e tive o prazer de casar. Tem algo a mais que você poderia ser?
Ela sorriu.
— Mãe, quem sabe.