Capítulo. 23
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- Bom, %Samara% , você não precisa se preocupar. - O Dr. Albert sorriu pra mim, olhando uma prancheta que estava em seus braços. - Seus exames estão ótimos. Seu coração está bem e seu cérebro também, não vimos quaisquer lesões causadas pela parada cardíaca nestes órgãos. - Eu sorri vendo %Danny% , %Paulinha% , %Dougie% , %Tom% e %Harry% , respirarem aliviados. - Temos apenas esse pequeno problema com a sua coordenação motora, mas com a devida fisioterapia você deverá voltar ao normal em alguns meses.
- Eu já tomei conta disso. - %Danny% interrompeu. - Você vai fazer a fisioterapia em casa. - Eu sorri em agradecimento. Eu não podia fazer nada contra a louca vontade do %Danny% de pagar todos os meus tratamentos, mas como meu pai conseguiu aceitar, eu é que não vou recusar.
- Obrigada %Danny% . - Agradeci e ele deu de ombros.
- Você também vai precisar de algumas seções com um fonoaudiólogo para cuidar dessa pequena dificuldade que você está tendo pra falar, mas cinco seções serão suficientes. E o rapaz ali também já cuidou pra que você os tivesse em casa. - Concordei com a cabeça. - Você vai ficar hoje por aqui ainda em observação, mas amanhã você poderá ir pra casa se tudo correr bem. Eu só vou precisar te dar algumas recomendações...
O Dr. Albert começou a falar sobre o que eu deveria ou não comer, beber muito líquido, não fazer nenhum esforço físico, dormir bastante, tomar os remédios corretamente, entre outras muitas recomendações.
%AnaPaula% e %Danny% prestavam bastante atenção em tudo o que ele dizia. Acho até que a %Paulinha% pediu uma cópia das recomendações impresso pra que ela pudesse me controlar. Eu só podia sorrir o tempo todo porque eu vejo o quanto eu senti falta dessas pessoas, e eu sinto que escolhi corretamente quando disse que queria voltar.
Eu não contei pra ninguém como foi o meu coma. Sabia que seria surreal demais pra todos eles se eu dissesse que estava na Antártica com Jesus, abraçando pinguins e ursos polares. Também não disse nada a %Danny% sobre eu ter escutado sua voz durante todo aquele tempo e sobre eu saber da promessa que ele me fez. Ele já havia se afastado de mim, minimamente, mas afastado.
Começou depois que nós nos abraçamos quando eu acordei. Ele permaneceu do meu lado no quarto o tempo todo, mas não chegou perto de mim e muito menos me tocou. Tentei fingir que não havia reparado, mas reparei, principalmente quando os olhos dele ficavam tão tristes ás vezes.
Ele estava sofrendo com tudo aquilo e eu não ia deixar isso continuar assim. Por mim ele não cumpriria aquela promessa de forma alguma!
O Dr. Albert saiu do quarto com um pedido para que a turma me deixasse descansar. Eu me despedi dos meninos, mas %Danny% e %Paulinha% permaneceram no quarto.
- %Danny% , será que eu posso conversar com a %Paulinha% um pouco? - Ele se assustou com o meu pedido, pois desde que eu acordei, não deixei ele sair do meu lado. Ele concordou com a cabeça um segundo depois e nos deixou a sós.
- O que foi? - %Paulinha% perguntou com curiosidade, sentando-se na minha cama de hospital.
- Me conta tudo o que aconteceu desde aquele dia da apresentação. - Ela deu um sorriso de lado antes de concordar com um aceno de cabeça.
Uma coisa era saber as coisas pela voz do %Danny% enquanto eu estava em coma, outra muito diferente era saber os mínimos detalhes através da minha melhor amiga. Por mais que o %Danny% tivesse me esclarecido muitas coisas, ele não saía de perto de mim. Mas a %Paulinha% estava por dentro de tudo, com certeza!
Ela começou a tagarelar sobre tudo. Me contou de quando me encontrou desacordada em casa, como o %Danny% reagiu, quando nós viemos para o hospital e eu tive a parada cardíaca. Essa parte ela me contou os mínimos dos mínimos detalhes, como as feições do %Danny% quando percebeu que meu coração tinha parado, sua aflição enquanto eu era reanimada, seu desespero quando o médico disse que eu tinha morrido e quando ele explodiu com raiva para fazer o médico tentar mais uma vez e quando meu coração voltou a bater.
Ela disse que nunca havia visto o %Danny% chorar tanto. Eu fiquei aliviada por não poder ver a cena, porque para o %Danny% chorar, só pode estar acontecendo uma desgraça mesmo.
Depois ela me contou tudo o que sabia dos outros dias que se seguiram. Contou da visita do James e sobre seu namoro com a Annie. Eu fiquei muito feliz com a notícia. Contou também de quando meu pai ligou pra ela dizendo que estava aqui e me disse também sobre o encontro épico entre o %Danny% e meu pai. Eu ri muito nessa parte.
Em seguida ela me contou como estavam as coisas na escola, me disse as pessoas que estavam preocupadas e que vieram me visitar. Contou que eu passei com louvor em piano e dança e que minhas notas foram excelentes nas matérias de estudo. Então ela me contou da visita do Carlos.
%Danny% desabafava com ela na maioria das vezes e nessa não foi diferente. O %Danny% contou tudo o que os dois conversaram e eu não pude deixar de ficar agradecida ao Carlos por ele me defender e se preocupar tanto comigo. Mesmo ele tendo sido o principal responsável pela promessa do %Danny% .
Ela me contou sobre os dias seguintes, sobre as outras visitas que eu recebi e sobre o desespero do %Daniel% por eu estar demorando tanto tempo para acordar. Contou que a imprensa havia descoberto que eu estava internada e que boatos de que eu estava namorando o %Danny% já estavam correndo na internet.
Eles me reconheceram da festa do One Direction que eu tinha ido na companhia do %Tom% e me tacharam inicialmente como amante do %Tom% . Ele desmentiu tudo, junto com a Mary, dizendo que eu era a melhor amiga dele e nada mais, e foi aí que eles começaram o boato do meu namoro com o %Danny% que era o único solteiro da turma.
E pelo o que parece, ele não negou nem confirmou os boatos. Mas imagino que seja porque ele não tinha tempo nem atenção pra nada disso.
%Paulinha% pegou meu notebook, que ela tinha trago depois de saber que eu acordei, e colocou nas notícias. Eu ri de muitas delas, porque eles inventavam mil e uma coisas pra mim estar no hospital e do meu envolvimento com o McFly. Mas alguns tinham sido certeiros e descobriram o local onde eu estudava e até o meu envolvimento com o James.
Eu só pude respirar fundo.
Se eu iria mesmo seguir adiante com a luta pra ficar com o %Danny% , tenho que começar a me acostumar com a mídia.
%Paulinha% me contou também que %Loraa% e %Aninha% estavam juntando dinheiro pra vir me ver. Eu só pude sorrir quando a %Paulinha% explicou o que as duas estava fazendo pra juntar dinheiro. Depois disso eu só pude implorar por uma conversa no Skype com aquelas loucas.
Vivian POV.
- Abre essa porta Viv! - Arg. Larguei minha garrafa de Vodca e fui até a porta. Encontrei a minha querida prima do outro lado da madeira. - Você quase a matou sua louca! - Ela gritou e eu apenas revirei meus olhos voltando a atravessar a sala de estar e agarrar minha companheira e amiga Vodca. - Você tem noção de que o %Danny% colocou detetives pra investigar tudo?
- Ele não vai conseguir chegar até mim Ashley. - Levei a garrafa a boca e Ashley a arrancou de mim antes que eu pudesse beber. - Me devolve!
- Não! Você já bebeu demais! - Eu bufei com raiva e tentei pegar a garrafa de volta, mas fiquei tonta e caí no chão. - Você já nem se aguenta em pé Viv! - Tentei me levantar, mas não consegui. Resolvi ficar pelo chão mesmo.
- Foda-se, eu não me importo! Aquela vadia brasileira não prestou nem pra beber a merda do suco todo. Agora eu fiquei sabendo que ela acordou do maldito coma e está bem e o meu %Danny% está lá com ela! - Gritei com ódio, sentindo minha visão embaçar com as lágrimas.
- Você precisa se entregar Viv, conversa com o %Danny% , tenho certeza que ele não vai te denunciar! - Joguei meu celular em cima dela, mas errei o alvo completamente.
- É claro que eu não posso me entregar idiota! O %Danny% me odiaria! Eu preciso é pensar em mais alguma forma de matar aquela vadia. Ela não pode viver. - Vi Ashley se afastar de mim, andando em direção a porta.
- Você é doente Viv, precisa de tratamento. - Ela foi até a porta sem olhar pra mim. Me agarrei a mesa da cozinha e consegui me levantar. - Eu vou contar para o %Danny% ou pra %Saáh% . - Corri até a gaveta do armário e peguei minha arma. Carreguei a mesma e apontei para a minha prima que já olhava pra mim com os olhos arregalados.
- Se você abrir a boca, vai ser a primeira a morrer. Me entendeu? - Vi ela engolir em seco e eu tentei ficar firme e renunciar a tontura que me invadia. - E eu vou adorar fazer uma visitinha a minha querida tia e mostrar pra ela meu brinquedinho também.
- Eu... Tudo bem! Tudo bem! Eu não digo mais nada, mas você vai ter que prometer que nunca mais vai me procurar ou procurar os meus pais. Se eu te ver alguma vez eu conto tudo ao %Danny% ! Entendeu? - Hum. Parece que eu ensinei algumas coisas pra essa pirralha afinal. Ela aprendeu bem a fazer ameaças.
Pensei por um momento. Eu não precisaria mais dela. Tudo o que ela podia fazer por mim já foi feito e ela era fraca demais para me ajudar com meus planos. Não precisava mais dela e eu podia confiar que ela não abriria a boca por gostar demais daqueles ridículos que ela chamava de pais.
Eu não precisava me preocupar com a Ashley.
- Ok. Combinado. Agora some daqui. - Ela não esperou nem um segundo pra dar meia volta e bater a porta do meu apartamento com força. Larguei a arma no sofá e voltei pra cozinha. Peguei minha querida companheira e a abracei. - Somos só eu e você por enquanto Vodca, mas logo, logo, teremos o %Danny% de volta. Vamos esperar a poeira baixar e assim que não tiver mais riscos, atacaremos de novo. A vadia vai morrer e o %Danny% vai ser meu, assim como deve ser. - Virei a garrafa em meus lábios e bebi um longo gole do líquido antes de sorrir.
End POV.
%Danny% POV.
Me acomodei na poltrona e estendi o edredom em meu corpo, sabia que a %Samara% me encarava, mas eu tentei não olhar pra ela o tempo todo. Deitei minha cabeça no encosto e respirei fundo antes de olhar pra cima e encontrar os olhos da %Saáh% me perfurando.
Estendi minha mão esquerda para alcançar o interruptor que apagava os pequenos abajures.
- Não apaga ainda. - %Samara% cochichou.
- Você precisa dormir. - Eu rebati no mesmo tom de voz, sem olhá-la.
- %Danny% , olha pra mim. - Não pude negar seu pedido e eu sabia que me arrependeria de não ter insistido pra ela dormir. - Por que você está estranho comigo?
- Não estou estranho com você. - Ela ergueu a sobrancelha como se dissesse: “É mesmo?” daquele jeito irônico.
- Você é um péssimo mentiroso %Daniel% . - Ela me deu um meio sorriso e eu tentei não sorrir também, mas sem sucesso.
- E você é muito perceptiva %Samara% . - Ela sorriu ainda mais antes de concordar com a cabeça.
- Eu conheço você muito bem. - Deu de ombros e eu senti meu coração bater forte. - Sei que você está me ignorando. - Oh merda! - Mas não vamos falar sobre isso, ainda não. - Ela disse quando eu havia aberto a boca para rebater sua afirmação.
Caralho. Eu espero não ter que falar sobre isso nunca! Não sei se vou aguentar!
- Então é melhor a gente ir dormir mesmo. - Eu disse com minha garganta seca.
- Sim, mas antes eu quero a sua mão. - Eu arregalei os olhos e franzi minha testa sem entender. %Samara% apenas sorriu e estendeu sua mão esquerda na minha direção, os dedos espalhados deixando-a aberta. - Anda %Danny% ! Acho que você não vai morrer se me tocar, vai? - Oh, se ela soubesse que eu realmente posso morrer com esse toque por saber que nunca mais vou poder tocá-la da maneira que eu realmente desejo! Merda de promessa!
Levantei minha mão direita e envolvi a mão dela. %Saáh% entrelaçou nossos dedos e eu senti aquele choque familiar percorrer todo o meu corpo.
- Agora eu posso dormir. - Ela fechou os olhos, mas ainda estava sorrindo. Se acomodou na cama de hospital antes de suspirar. - Boa noite %Danny% . - Senti um aperto em minha mão e sorri. Levantei minha mão esquerda e apaguei as últimas luzes. O quarto virou um breu, mas o calor da mão dela era tudo o que eu sentia.
- Boa noite %Saáh% . - Cochichei dando um pequeno aperto na mão dela, retribuindo seu último movimento.
Fechei meus olhos e senti que pela primeira vez em tantos dias, eu dormiria como um bebê. Sem pesadelos e sem preocupações. Eu conseguiria até esquecer aquela maldita promessa por algumas horas.
Até meus olhos se abrirem amanhã.
End POV.
- Vou mandar trazerem a cadeira de rodas. - Eu neguei com a cabeça.
- Não Doutor, eu quero andar. - Virei meu rosto na direção do %Daniel% . - %Danny% , você me ajuda? - Vi ele engolir em seco antes de concordar com um aceno de sua cabeça. Fazer ele abrir mão daquela promessa idiota estava sendo mais difícil do que eu imaginei.
%Danny% veio para o meu lado da cama e estendeu o braço, enrolando-o em minha cintura. Me desceu da cama sem dificuldade e me esperou firmar os pés no chão antes de afrouxar o aperto. Olhei pra ele e sorri, seu rosto a centímetros do meu. Ele sorriu também, com os lábios fechados. Eu podia ver sua luta interior através daqueles lindos olhos %azuis% .
- Vamos pra casa? - %Paulinha% disse sorridente. Eu sorri também e concordei com a cabeça. Apoiei meu braço esquerdo no pescoço do %Danny% antes de começarmos a andar.
Meu corpo ainda doía muito e era bem difícil andar sozinha, mas eu acho que estava melhorando a cada vez que eu andava. Como o doutor Albert disse, eu só preciso de fisioterapia e vou voltar ao normal.
Saímos pela parte de trás do hospital por causa dos paparazzis que ainda permaneciam à espreita. %Tom% havia estacionado seu carro ali para que %Danny% pudesse levar a mim e a %AnaPaula% pra casa. %Dougie% iria pegar o carro do %Danny% no estacionamento do Hospital e o %Tom% iria com o %Harry% .
%Danny% me colocou delicadamente no banco do passageiro e eu sorri em agradecimento. Ele foi para o lado do motorista enquanto a %Paulinha% sentava no banco de trás. Fomos embalados pela música que passava na rádio até chegar em casa, ninguém disse nada. Eu apenas me concentrei em observar Londres passando pela janela do carro, agradecendo mentalmente a Jesus por me deixar ver essa maravilha no inverno.
Fiquei triste apenas por ter perdido a neve cair, mas eu sei que esse evento da natureza vai acontecer de novo e eu vou presenciar. Mal posso esperar pra ver isso!
Em frente ao prédio, %Danny% me ajudou a descer do carro e me sustentou até chegarmos ao apartamento. Meu coração batia acelerado a cada toque e eu sabia que ele se sentia da mesma maneira que eu.
- Bem vinda ao lar amiga! - %Paulinha% me abraçou assim que ultrapassamos a porta do apartamento.
- É muito bom estar em casa. - Respirei fundo e sorri. %Tom% , %Harry% e %Dougie% apareceram em seguida. - Pooh, acho que você me deve uma pizza e sorvete de chocolate! - %Tom% logo veio ao meu encontro me abraçando, cortando o contato entre %Danny% e eu.
- Meu Deus, você ainda se lembra disso? - Eu estreitei meus olhos pra ele que sorria. Aquelas lindas covinhas aparecendo em sua bochecha.
- Eu posso estar conversando engraçado e estar precisando de uma bengala pra andar, mas isso não significa que a minha cabeça está ruim ok? Eu me lembro de tudo! - Pisquei meu olho direito para ele. %Tom% simplesmente gargalhou de mim, concordando com a cabeça.
- Ok! Sorvete e Pizza! Mas ainda é muito cedo. Que tal eu trazer tudo mais tarde? Deixa anoitecer. - Eu estava indo protestar quando o %Danny% interrompeu.
- O %Tom% tá certo %Saáh% . Você precisa descansar um pouco. - Soltei um bufo, mas concordei. Sabia que não poderia discutir com o meu enfermeiro particular. Acabei sorrindo com o pensamento.
- O que é engraçado? - %Dougie% perguntou, percebendo meu sorriso. Eu neguei com a cabeça.
- Nada %Dougie% . Está combinado então. Mais tarde eu vou ter minha pizza e meu sorvete, mas Pooh, eu quero um pote só pra mim! - %Tom% arregalou os olhos.
- Deus, você tá começando bem em Leitão?! - Eu fiz aquela cara de quem não quer ser contrariada e ele se deu por vencido. - Certo, um pote só pra você.
- Ótimo! Então, acho melhor a gente ir embora. Eu to louco pra ir em casa. - %Danny% comentou na mesma hora que o %Harry% veio me tomar do %Fletcher% . Senti aquele abraço de urso e quase urrei de dor. %Harry% pediu milhões de desculpas. Claro que ele tinha se esquecido que meu corpo todo doía, eu só pude rir do seu desespero.
- É eu acho melhor mesmo. A %Saáh% ainda vai ter que se preparar pra receber muitas visitas hoje. - %Paulinha% comentou e eu olhei pra ela com uma enorme interrogação em meu rosto. Ela não havia me dito que eu receberia visitas. %Harry% me soltou e foi a vez do %Dougie% vir me abraçar.
- Quem vai vir aqui? - Ela deu de ombros em resposta a minha pergunta.
- Você sabe, o pessoal da escola. Eles não me deram certeza se viriam hoje ou amanhã, então eu já estou preparando você. - %Dougie% depositou um beijo em meu rosto e eu sorri. Meus olhos se encontraram com os de %Danny% , que agora era a pessoa que faltava para se despedir de mim.
- Er... Acho melhor a gente ir dudes. - %Dougie% comentou ao perceber minha troca de olhares com o %Danny% . E um segundo estavam todos do lado de fora do apartamento, nos deixando sozinhos.
- Você tá aguentando bem aí? - Ele apontou para o meu corpo e eu apenas sorri.
- Não é difícil ficar de pé. O problema mesmo é caminhar. É aí que eu perco a força e o equilíbrio nas pernas. - Ele concordou com a cabeça e se aproximou.
%Danny% estendeu a mão em minha direção e eu a peguei. Ficamos encarando nossos dedos entrelaçados por um bom tempo antes dele se aproximar de meu corpo e envolver seus braços ao redor de minha cintura. Eu o puxei pelo pescoço e o abracei forte, pelo menos com o máximo de força que eu consegui no momento.
- Obrigada por tudo. - Falei com os lábios em seu pescoço, respirando fundo e sentindo seu cheiro.
- Não precisa agradecer, é o meu trabalho. - Ele se afastou um pouco para poder olhar pra mim. Sua mão direita envolveu meu rosto com delicadeza. - Eu sempre vou cuidar de você, sempre. - Pude ver em seus lindos olhos %azuis% que ele estava confirmando a distância. Ele estava me dizendo que mesmo não ficando comigo, ainda cuidaria de mim.
Eu queria acabar com o sofrimento dele naquele instante, falar sobre aquela promessa e tirar aquilo de sua cabeça, mas eu sabia que ainda não era o momento, então não disse nada.
- Eu sei. - Eu pude ver o alívio estampado em seu rosto. Ele conseguiu ver que eu entendi o que ele queria dizer com aquilo.
- Acho melhor eu ir. - Ele me deu um sorriso triste e beijou minha testa delicadamente. Eu suspirei com o contato de seus lábios. - Até mais tarde %Saáh% . - %Danny% se afastou de mim e desapareceu rapidamente pela porta da frente. Um minuto depois, %Paulinha% estava ao meu lado.
%Tom% POV.
- Vai lá, conta tudo! Finalmente pediu pra %Saáh% namorar com você? - %Danny% apenas soltou o ar pesadamente com o comentário do %Dougie% . Eu franzi minha testa sem entender.
- Vocês não fizeram as pazes? - Perguntei, estranhando as feições tristes do %Jones% . Ele negou com a cabeça.
- Dude, vocês dois são uns idiotas! - %Harry% comentou, abraçando o cara de lado. O elevador se abriu e nós entramos, apertando o botão para o térreo.
- Ela não tem nada a ver com isso, o problema sou eu. - Agora sim eu não estava entendendo nada.
- Fala logo porque eu não to entendendo merda nenhuma. - %Dougie% disse tirando as palavras da minha boca e o %Danny% apenas apertou suas têmporas com a ajuda do seu dedo indicador e o polegar.
- Eu não posso ficar com a %Samara% . - Ele disse baixo, a voz embargada. O elevador se abriu e nós saímos em direção aos nossos carros. - Eu fiz uma promessa. - Eu, %Harry% e %Dougie% paramos de andar no mesmo segundo. %Danny% se voltou em nossa direção alguns passos depois.
- Que promessa? - Eu perguntei já imaginando que tipo de promessa seria para ele estar tão arrasado daquele jeito.
- Eu prometi que se ela acordasse eu me afastaria, eu não ficaria com ela. - Minha boca se escancarou. Pude ver o %Danny% enxugando uma lágrima solitária que desceu por sua bochecha.
- Você é louco ou o quê? - %Harry% comentou assim que conseguiu passar sua surpresa. - Você podia ter prometido qualquer coisa, menos isso!
- Eu prometi o que mais me importava no mundo. Eu abri mão do seu amor pra ver ela com saúde e bem. - Ele soltou um suspiro resignado e nos encarou, os olhos cheios de lágrimas não derramadas. - A %Samara% vai ficar bem melhor sem mim. - Dizendo isso ele deu meia volta e saiu andando até seu carro. Eu apenas continuei encarando até ele desaparecer.
- Puta que pariu. - %Dougie% soltou essa e eu só pude confirmar.
End POV.
- Você me deu um susto daqueles %Saáh% ! - Eu apenas sorri. - Eu que fico na reabilitação e você é que vai para o hospital? Não é nem um pouco lógico sabia? - Soltei uma gargalhada e o Paul me ajudou. - Senti sua falta garota. É muito bom saber que você já está em casa.
- Eu também senti sua falta Paul. Como vai a sua reabilitação? - Escutei seu suspiro do outro lado da linha.
- É bem mais difícil do que eu imaginei, mas a sua ida ao hospital me ajudou muito no fim das contas, porque eu fiquei muito concentrado em melhorar pra poder ir visitar você. - Me olhei no espelho do banheiro e comecei a passar uma maquiagem leve para disfarçar a minha recém cara de hospital.
- Ainda bem que isso serviu pra alguma coisa boa! - Escutei sua risada e ri também, aproveitando para passar um batom rosa claro nos lábios. - Quando eu estiver um pouco melhor e a %Paulinha% tiver diminuído suas paranoias pra cima de mim eu vou dar um jeito de ir te ver.
- Eu vou ver se consigo superar essa merda de desintoxicação logo porque assim você não precisa sair de casa. É a minha vez de te visitar garota.
- E as suas notas? - Apoiei o celular no meu ombro pra que eu pudesse abrir o recipiente com a máscara de cílios.
- Passei com louvor graças a você e o Carlos. Acho que se eu tivesse estudado sozinho não teria conseguido me sair tão bem. - Consegui perceber a felicidade em sua voz. - Ah, Droga! Eu tenho que ir, meu tempo pra ligações acabou.
- Tudo bem. Obrigada por ligar Paul, foi muito bom conversar um pouco contigo, mesmo que eu esteja demorando duas horas pra falar uma simples frase. - Escutei sua gargalhada.
- Já que você tocou no assunto. Cara, tá muito engraçado você conversando, sério! - Eu gargalhei também porque eu também estava me achando muito engraçada. - Mas ainda assim, mesmo você tendo me feito perder toda a minha hora com apenas algumas frases, eu amei conversar com você. Agora só me falta te ver pessoalmente e te dar aquele abração de urso!
- Que bom que isso vai demorar. Meu corpo todo dói e eu ficaria com lesões por muito tempo com esse seu abraço de urso. Contente-se de me dar ele por telefone mesmo! - Nós gargalhamos por algum tempo.
- Preciso desligar %Saáh% . Amanhã eu ligo pra você de novo ok? Aí nós vamos continuar essa conversa.
- Seu idiota! Você vai me zoar pro resto da vida por culpa dessa dificuldade que eu to tendo de falar não é? - Eu sorri, porque eu sabia exatamente que resposta ele daria.
- Com toda a certeza garota! - Neguei com a cabeça, mas com um enorme sorriso no rosto. - Até amanhã %Saáh% . Beijo!
- Tchau Paul, um beijo!
Voltei minha atenção para a maquiagem depois de dar play no som que eu tinha pausado quando o Paul me ligou. Rocket do The Wanted voltou a preencher o meu quarto e eu sorri. Engraçado como eu ainda não conseguia escutar McFly, Westlife e Backstreet Boys. Com isso acabei viciando nas músicas do The Wanted.
Cantarolei a música enquanto aplicava uma camada de rímel em meus cílios. Não queria nada exagerado, apenas uma maquiagem leve mesmo. Finalizei tudo com um pouco de blush pra dar mais vida ao meu rosto e comecei a guardar meus produtos de maquiagem quando a %Paulinha% invadiu meu quarto.
- Eles chegaram! - Eu sorri para seu reflexo no espelho e concordei com a cabeça.
- Eu vou em um minuto. - Ela sorriu e saiu do quarto.
Peguei meu outro casaco e minha pequena bengala improvisada por mim e %Paulinha% naquela tarde. Arrancamos o cabo de uma das vassouras e enchemos o fundo do cabo de fita isolante para evitar que ele arranhasse o piso da casa e diminuir os riscos da madeira escorregar.
Eu sabia que os meninos iriam rir horrores quando me vissem andando com aquela coisa, mas eu nem me importei. Melhor assim do que ter alguém na minha cola o tempo inteiro quando eu quiser ir pra algum lugar dentro da minha própria casa.
Eu sempre fui independente, não vai ser agora que isso vai mudar.
Desliguei o som e peguei minha imitação barata de uma bengala. Me apoiei na madeira e comecei a dar meus passos lentos até a sala de estar. Do corredor eu pude ver a %Paulinha% abraçada ao %Dougie% e o %Tom% de mãos dadas com Mary. Ah! Ela chegou hoje para passar a semana do Natal! O %Tom% deve estar muito feliz com ela aqui.
Eu sorri, ainda concentrada em não cair no chão, quando eu vi o %Danny% aparecer em meu campo de visão. Ele estava usando um sobretudo preto, uma cachecol vermelho enrolado em seu pescoço. Os braços estavam cruzados e ele virou o rosto na direção do corredor e nossos olhos se encontraram. Eu tive que parar de andar pra não cair com a força daquele olhar.
Ele andou rapidamente em minha direção.
- Que merda você está fazendo andando sozinha? - Perguntou baixo, os dentes cerrados e a mandíbula travada. Uh, alguém ficou com raiva.
- Eu não estou inválida %Danny% . Só preciso de um apoio pra andar e eu e a %AnaPaula% improvisamos esse. - Levantei minha bengala improvisada e vi %Danny% se esforçando pra não sorrir. - Pode rir, eu sei que você tá louco pra fazer isso! - Ele gargalhou alto.
- Só você mesmo. - Negou com a cabeça ainda sorrindo e me abraçou de lado, pegando minha bengala com sua mão livre. - Vem aqui. Eu prefiro não arriscar você andando com isso. - Eu não tive forças pra reclamar, não quando ele estava me apertando bem firme em seu braço, seu rosto a centímetros do meu e sua respiração quente me deixando tonta.
- Olha ela aí! - %Tom% gritou, apontando em nossa direção. Logo eu me vi no meio de um milhão de braços que me apertavam em um abração conjunto.
- Ah, eu fiquei tão preocupada! - Mary disse assim que eu consegui respirar, quando eles se afastaram com a ajuda do %Danny% que estava prometendo bater em quem continuasse me esmagando daquele jeito. - Tava ficando louca por não conseguir uma folga pra vir aqui te ver! Ainda bem que você já acordou e nós vamos poder passar o Natal todos juntos! - Eu só pude sorrir e concordar com a cabeça.
- %Fletcher% , cadê meu sorvete? - Perguntei cruzando os braços quando o %Danny% me sentou no sofá.
- Calma garota, eu mal cheguei e você já tá me cobrando sorvete? - Eu ergui uma sobrancelha tentando passar minha melhor cara de mal. - Ok! Ok! Tá no congelador sua brasileirinha impaciente. - Eu sorri satisfeita.
- E a minha pizza?
- Nós vamos ligar agora, se você quiser, e pedir! - Concordei com a cabeça e já vi o %Dougie% agarrar o telefone sem fio e digitar o número da pizzaria.
- Qual sabor vai ser? - Ele perguntou já com o telefone no ouvido. No segundo seguinte a sala explodiu de pessoas gritando sabores e mais sabores diferentes. Eu só gargalhei da cena.
Como é bom estar com todos eles de novo. Apenas uma coisa está faltando pra isso ser perfeito. Acho que está na hora de conversar com o %Danny% .
- Vamos lá em baixo comigo? - Cochichei no ouvido dele que estava sentado ao meu lado. %Danny% me encarou com a sobrancelha erguida. - Eu quero ver a neve. - Expliquei.
- Acho melhor não. Você pode se desequilibrar e cair. A neve é muito escorregadia. - Eu soltei um suspiro pesado e rolei os olhos.
- É pra isso que eu estou chamando você %Jones% . Eu sei que você vai me segurar e não vai me deixar cair. - Existia muito mais nessa declaração do que ele poderia imaginar.
Vi em seu rosto ele ponderando se eu poderia ou não descer. Não esperei sua resposta, apenas fiquei de pé e eu sabia que em um segundo ele estaria o meu lado.
Não deu outra.
Logo eu senti o braço dele envolver a minha cintura.
- Você é impossível quando quer alguma coisa. - Eu soltei uma risada baixa e o encarei.
- Você nem faz ideia %Danny% . - Vi a dúvida surgir em seu rosto, mas não deixei ele pensar muito sobre isso. - Vamos? - Concordou com a cabeça. - Hey gente! Nós vamos lá em baixo um minuto, quando a pizza chegar dá um toque no meu celular ok? - Vi todos aqueles rostos nos encarando enquanto a gente andava até a porta do apartamento, mas ninguém disse nada. Acho que eles sabiam o que eu queria indo lá em baixo sozinha com o %Danny% . Vi cabeças se mexendo em concordância e logo eles retornaram para a discussão dos sabores da pizza.
- Espera. - Falei baixo assim que nossos pés tocaram a neve do lado de fora do prédio. %Danny% parou de andar e ficou me observando com curiosidade. Eu tentei ignorar e apenas respirei fundo, soltando o ar em seguida e vendo aquela fumacinha se formando quando o ar saía de meus lábios. Sorri ao ver que aquilo já me era muito familiar por causa do meu coma na companhia de Jesus.
Eu ainda me pergunto se de fato eu não estava na Antártica com ele. Aquilo tudo foi real demais.
- Tá rindo do quê? - %Danny% cochichou e eu só pude sorrir mais ao olhar pra ele.
- To rindo porque eu estou feliz. Feliz de estar tendo a chance de ver o inverno em Londres. Se não fosse você eu não estaria aqui, não é? - Senti ele ficando rígido ao meu lado, seu rosto demonstrava sua apreensão e dúvida.
Eu sabia que ele estava martelando em sua cabeça como eu poderia saber daquela informação, mas eu não me referia diretamente a promessa e sim ao fato dele ter insistido para que o médico usasse o desfibrilador mais uma vez.
Bom, deixa ele pensar no que quiser.
- Vamos %Danny% . Vamos até a pracinha. - Ele não respondeu nada, apenas engoliu em seco e começou a andar.
Eu simplesmente não conseguia tirar meus olhos do chão, ver como nossas botas se afundavam na neve acumulada na calçada e na rua. Na rua havia pouca neve, como se ela tivesse caído recentemente e eu tinha certeza que essa pequena quantidade só era possível graças a alguma máquina que tirava a neve das ruas como eu havia visto muitas vezes em filmes.
Alguns passos complicados depois por culpa da minha dificuldade em andar, eu visualizei a pequena praça próxima ao meu prédio. O lugar estava com uma visão incrível, digna de algumas fotos profissionais. Os brinquedos estavam cobertos de neve e haviam alguns adolescentes correndo por ali em uma divertida guerra de bolas de neve.
Apontei os bancos a %Danny% e vi ele concordar com a cabeça antes de andar na direção deles. Tínhamos sorte que aqueles bancos tinham proteção de uma espécie de pequeno telhado acima de cada um deles, imagino que foram construídos mais para abrigar as pessoas em um dia de chuva do que para protegê-las da neve, mas servia muito bem nos dois casos.
Nos sentamos ali, %Danny% me soltou com cuidado ainda com medo de eu escorregar no enorme acúmulo de neve que existia em frente ao banco, fruto da neve que caía do pequeno telhado. Assim que nos acomodamos, %Danny% se afastou um pouco de mim, imagino que mantendo uma distância segura de meu corpo. Eu quase sorri de desespero. Ficamos observando os meninos brincando no nosso lado direito por um bom tempo.
- %Danny% ?
- O quê? - Sua voz estava contida, receosa. Ele sabia que eu iria perguntar.
- Por que você está distante de mim? - Olhei nos olhos dele de forma que ele não pudesse desviar o olhar. Eu sabia que ele queria olhar pra qualquer lugar menos pra mim, mas ele não conseguiu desgrudar seus olhos dos meus.
- Eu não posso ficar com você. - Foi a única coisa que ele me disse. Eu achei que ele iria negar a distância, mas eu vi que o %Danny% jamais poderia mentir olhando nos meus olhos.
- Você não pode ou você não quer? - Perguntei mais para confirmar minhas suspeitas. Talvez ele até não me amasse mais. Talvez a promessa fosse só uma desculpa para ele me deixar. Vi ele soltar um suspiro pesado e desviar os olhos. Dei um tempo pra ele, ainda aguardando minha resposta.
- Não posso. Você não entenderia. - E lá estava aquela tristeza em seu olhar quando seus olhos %azuis% voltaram a me observar.
- Talvez sim, talvez não. - Dei de ombros tentando melhorar o humor dele. Vi uma pequena elevação na lateral de seus lábios e sabia que ele estava reprimindo um sorriso. - O que me importa aqui é apenas uma coisa %Danny% e eu quero que você me responda com toda a sua sinceridade. - Vi ele concordar com a cabeça, bem concentrado em mim. Respirei fundo antes de dizer. - O que eu significo pra você?
- Você é tudo pra mim. - Meu coração acelerou. - Você é a melhor amiga, a inimiga, a namorada, a amante, a estudiosa, a trabalhadora. Você é todas elas em uma só, uma só que é absolutamente tudo o que eu sempre quis e tudo o que eu sempre vou querer.
Eu sorri, pois era apenas isso que eu precisava. Era apenas essa confirmação que me faria contar tudo mesmo parecendo uma maluca, mas com a esperança que ele voltasse atrás com aquela promessa pelo bem do nosso amor.
Desviei meus olhos do seu e observei o céu, reunindo forças para contar tudo o que estava em minha cabeça e rezar pra que Jesus me ajudasse nessa hora.
- Quando eu estava em coma %Danny% , eu passei por uma experiência maravilhosa e que pra você pode soar meio louca. - Continuei falando sem olhar pra ele. - Eu estava na Antártica acompanhada de um homem que dizia ser Jesus. - Sorri ao me lembrar dele. - Tivemos muitas conversas que não vem ao caso aqui, mas o fato é que algo incrível aconteceu que me prova que tudo aquilo foi real. - Olhei em sua direção e vi seus olhos me encarando com dúvida e curiosidade, esperando. - Eu escutei a sua voz todo o tempo em que estive lá.
- Minha voz? - Concordei com um aceno de cabeça e vi a surpresa estampada em seu rosto. Achei melhor despejar tudo de uma vez antes que ele começasse a ver a loucura naquilo tudo.
- Eu escutei cada palavra que você disse pra mim enquanto eu estava em coma. E eu apenas podia escutar você. - Levei minha mão até seu rosto e arrastei meu indicador coberto pela luva em seu maxilar. %Danny% fechou os olhos por um momento. - Eu sei tudo o que você passou nesses dias %Danny% , eu escutei tudo, escutei principalmente quando você fez a promessa. - Seus olhos se arregalaram e ele se afastou de súbito do meu toque.
- Não é possível. - Ele cochichou em choque. - Eu só contei para os caras quando eu saí de sua casa hoje, você só pode ter sabido através deles! - Eu neguei com a cabeça.
- Você disse que você era o culpado de alguma forma de eu estar em coma. Disse que eu tinha que ficar com outro cara, alguém que fosse me fazer feliz de verdade porque você não conseguiria isso. Você disse que não podia me privar de uma chance de ser feliz por ser egoísta o bastante pra me querer por perto, que você não merecia uma garota incrível como eu. - A cada palavra que eu dizia a compreensão e surpresa tomavam o lugar do choque. Seus lábios estavam abertos em um círculo perfeito. - Você me pediu para não esquecer que você me amou demais e que iria continuar me amando até o dia que você morresse. - Levei minhas duas mãos até seu rosto, trazendo-o para mais perto de mim. - Você disse que eu era a única pra você %Danny% .
Ele abriu a boca pra falar algumas vezes, mas a fechou logo em seguida. Ele só conseguia ficar ali olhando pra mim e eu estava praticamente morrendo, esperando ele dizer alguma coisa.
- Você acredita agora? - Perguntei aos sussurros, meus olhos cheios de lágrimas não derramadas.
- Como isso é possível? - Ele se afastou mais uma vez, se levantando rapidamente. Suas duas mãos estavam em sua cabeça envolta pela touca preta. - Quer dizer... É loucura!
- Eu não sei %Danny% , mas foi isso o que aconteceu. - Dei de ombros e vi ele me encarar daquele jeito triste de novo fazendo meu coração doer.
- Você saber disso não muda nada %Saáh% . Eu fiz a promessa, você está viva e bem, e eu tenho que me afastar de você! - Eu me levantei também, perdendo um pouco de equilíbrio, mas as mãos fortes do %Danny% logo me seguraram.
- Você não vê %Danny% ? - Aproveitei a aproximação e passei meus braços ao redor de seu pescoço. - Não vê que eu não posso simplesmente seguir com a minha vida sem você?
Sabendo que você me ama assim como eu te amo? - Espalmei minha mão em sua bochecha sentindo as lágrimas rolarem por meu rosto e vendo que isso acontecia também no seu. - Porque eu te amo %Daniel% %Jones% . Você também é o único pra mim.
%Danny% encostou sua testa na minha, seus braços agora em volta da minha cintura com força. Um soluço baixo escapou de seus lábios e eu vi o choro desesperador que ele tentava conter, pude sentir sua batalha interna.
- Eu amo você demais %Samara% , mas eu não posso quebrar essa promessa. Eu não posso sequer imaginar ver você naquela situação de novo, morrendo. - Ele negou fervorosamente com a cabeça. Eu segurei em seu rosto com força pra que ele pudesse olhar pra mim.
- Eu vou morrer de tristeza se eu ficar sem você. %Danny% , eu não tive uma segunda chance de viver por causa da sua promessa, mas sim pra poder ter uma segunda chance com você! - Fiquei na ponta dos pés para aproximar ainda mais nossos rostos. Meus lábios roçaram nos dele causando um choque elétrico muito familiar. - Por favor, não me deixe, não faça isso com o nosso amor.
Quando eu fechei meus olhos rezando, implorando, eu sabia que cada segundo poderia contar na minha memória para classificar o dia mais feliz ou o dia mais triste da minha vida. Mas quando eu senti os lábios frios de %Danny% nos meus eu soube que aqueles segundos seriam para o dia feliz.
Abri meus lábios imediatamente para que nossas línguas se encontrassem. O desespero era palpável em cada gesto nosso. Minhas mãos agarraram a parte de trás do seu pescoço com força, com medo que ele desistisse a qualquer segundo e falasse que cumpriria a promessa. Já minha cintura foi espremida em um abraço apertado como se ele estivesse com medo que eu fosse desaparecer a qualquer instante.
Ficamos naquele beijo até estarmos sem ar, até eu sentir o gosto salgado de lágrimas misturadas ao gosto de hortelã de seus lábios e eu não sabia se era eu ou ele ou ambos que choravam, mas sabia que aquelas lágrimas não eram de tristeza e sim de alegria, de alívio.
Nos separamos depois de milhares de selinhos, eu sorria como uma idiota e sabia que se abrisse meus olhos veria %Danny% sorrindo também.
- Eu tenho medo do que pode acontecer por eu estar quebrando essa promessa. - Ele cochichou levando suas mãos até o meu rosto. Eu neguei com a cabeça e abri meus olhos.
- Não tenha medo. A única coisa que me importa é ter você do meu lado %Danny% , só isso. - Ele fechou os olhos com força e me puxou para um abraço apertado, seu rosto enterrado na curva do meu pescoço, sua respiração quente arrepiando minha pele.
- Ah, Deus! Eu amo tanto você! Eu não sei como eu pude pensar que conseguiria viver sem você! - Ele voltou a se afastar apenas para colar seus lábios nos meus novamente, em um beijo casto. - Namora comigo? - Disse com os lábios ainda colados aos meus e eu só consegui sorrir.
- Achei que você nunca fosse pedir. - Dei muitos selinhos nele dizendo vários 'sim'. Logo os selinhos viraram mais um beijo apaixonado.
- Eles estão se beijando! - Escutei a voz da %AnaPaula% gritar e nós nos afastamos para confirmar que toda a turma estava parada nos observando, os três casais. %Danny% e eu sorrimos, ainda abraçados. Acho que eu nunca mais vou querer me soltar dele.
- Finalmente resolveram essa merda toda? - %Harry% comentou com um tom sarcástico, mas com um enorme sorriso no rosto, principalmente quando eu e o %Danny% concordamos com a cabeça. - Cara eu fico muito feliz por vocês! - Recebemos abraços de todos e tivemos que aguentar todos os comentários idiotas dos meninos. Eu não me importava menos, tudo ali pra mim estava perfeito. Eu finalmente estava do lado do amor da minha vida e sabia que dessa vez era pra valer.
- Hey amor, tá nevando! - %Danny% apontou o céu e eu vi aqueles pequenos flocos brancos caindo devagar acima de nós. - É a primeira vez que você vê a neve cair, não é? - Eu concordei com a cabeça voltando a olhar naqueles lindos olhos %azuis% que me hipnotizaram.
- É sim. Obrigada por estar do meu lado. - Ele sorriu largamente e depositou um beijo na minha mandíbula, mordiscando em seguida.
- Pode ir se acostumando porque eu não vou sair do seu lado nunca mais. - Sorri, fechando meus olhos pra apreciar o toque do meu namorado. - Se existe um para sempre, esse é o meu, com você.
- É, eu acho que posso me acostumar com isso. - Ele gargalhou baixo antes de voltar a colar seu lábios nos meus mais uma vez.