Who Said It Could Not Be Forever?


Escrita porSamara Dias
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo. 18

Tempo estimado de leitura: 34 minutos

  Senti a claridade me cegar por um momento. Pisquei meus olhos e vi o teto da sala de estar do %Tom%. O braço de %Danny% estava em cima de minha barriga, seu rosto enterrado em meu pescoço, descansando em meu ombro. Virei minha cabeça para o lado e pude ver uma grande parte de meu cabelo cobrindo metade de seu rosto lindo. Sorri.
  Tentei me mover para levantar, mas no mesmo segundo o braço de %Danny% me apertou com força, levando meu corpo para ainda mais perto dele. Senti sua respiração pesada em meu ouvido enquanto ele se ajeitava me deixando presa.
  Rolei meus olhos.
  Eu tenho que levantar, mas não quero ter que acordá-lo.
  Com a minha mão direita levantei bem devagar o braço de %Danny% que estava em cima de mim. Consegui colocar o mesmo perto de seu corpo olhando atentamente para seu rosto para ver se ele acordava com o movimento. Dei um suspiro de alívio por ver que ele não acordou. Saí bem devagar do colchão e me levantei concertando meu moletom que estava todo embolado em meu corpo.
  Olhei mais uma vez para %Daniel% e vi que ele estava praticamente fora do colchão. Com certeza por culpa das minhas pernas. Minha mãe sempre dizia que eu lutava Karatê enquanto dormia e meus pés iam parar em lugares totalmente absurdos quando eu dormia com alguém.
  Bufei. Não quero me lembrar dela.
  Olhei ao redor à procura de minha pantufa e a calcei. Vi os copos que %Danny% tinha trago água ontem à noite e peguei os mesmos do chão. Eles com certeza estariam em pedaços assim que %AnaPaula% acordasse e passasse perto deles. Ela parece um ímã para quebrar coisas ou machucar ela mesma, é impressionante.
  Sorri ao me lembrar que %Paulinha% sempre foi uma %Jones% de natureza mesmo sendo %Poynter% de carteirinha. Ela sempre brincava dizendo que era irmã do %Danny% quando a gente dizia que os dois foram feitos um para o outro, o casal “quebra-tudo”.
  Andei até a cozinha e depositei os copos na pia. Soltei um bocejo.
  O que fazer agora?
  Olhei o relógio da cozinha e percebi que eram apenas 08:12h. Muito cedo para acordar.
  Comecei a andar novamente tentando me lembrar de onde o %Tom% poderia esconder coisas divertidas e silenciosas para fazer. Subitamente me lembrei dos livros na sala do piano.
  Encarei a pequena prateleira e vi vários dos livros que eu já li como %Harry% Potter, Jogos Vorazes, Cinquenta Tons de Cinza... Hum, %Fletcher% gosta de livros indecentes.
  Soltei um riso baixo imaginando o que eu faria com essa informação se ainda fosse uma fã desconhecida.
  Peguei um livro aleatório que eu ainda não tinha lido e fui me sentar na poltrona próxima ao piano. Encarei o instrumento lindo com grande admiração. Um dia eu ainda vou ter um desses!   Desviei meu olhar para o livro e abri o mesmo, li poucas linhas, mas minha cabeça não estava se concentrando no conteúdo do livro, ela estava estalando apenas um coisa: “Vá tocar!”   Sacudi minha cabeça para desviar aquela ideia, mas ela só ficou ainda mais forte. Relutantemente, me levantei, andando lentamente até o piano.
  Me sentei no banco e passei meus dedos pela madeira escura que cobria as teclas do piano. Segurei nas laterais e levantei para cima, revelando o branco e preto das teclas. Meus dedos pairaram em cima delas, minha cabeça pulsando e buscando.
  Que música tocar?
  Uma feliz, apaixonada...
  E porque eu escolheria uma assim consciência?
  Porque é assim que você está depois do que %Daniel% te disse ontem à noite.

  Sem que eu queira, eu sorrio com a lembrança. É verdade, eu me sinto feliz pelo que ele disse, me sinto feliz de ter dormido ao seu lado, de acordar e vê-lo encostado em meu ombro, me abraçando como se tivesse medo que eu fosse fugir.

  Bem deve ser exatamente isso que ele estava pensando quando te abraçou daquele jeito. Mesmo com aquele “problema” com aquela vagabith, ele estava aqui com você fazendo juras de amor. É um bom sinal.
  Odeio admitir consciência, mas é mesmo! Ele cada dia deixa isso mais claro.
  Seus sentimentos. Talvez ele realmente me ame.
  Ele te ama. Não existe um talvez!
  Revirei meus olhos e voltei a olhar as teclas do piano e me vem a cabeça a música perfeita. Ainda bem que ela foi uma das primeiras que eu havia aprendido a tocar, já tenho ela gravada em minha mente. Deslisei os dedos sobre as teclas e comecei a me aquecer.

  %Danny% POV.

  (N.A: Coloquem a música do Westlife – On My Shoulder para tocar)

  Abri meus olhos devagar. Esfreguei os mesmo e foquei no espaço vazio ao meu lado. Soltei minha respiração pesadamente. %Samara% não estava ali.
  Um som preencheu a sala. Franzi minha testa ao constatar que era o som do piano. Levantei meu tronco e dei uma olhada nos outros colchões. %Tom% estava se levantando e %AnaPaula% se espreguiçava. O som acordou a todos menos o %Poynter% que ainda roncava.
  Fiquei de pé e escutei o toque do piano novamente. Não era uma melodia ainda, era como se alguém estivesse se aquecendo. Olhei para %Tom% e vi que ele estava com a testa franzida assim como eu, talvez fazendo a mesma pergunta em sua mente. Quem é que está tocando?
  O som agora era ritmado, uma música que eu desconhecia.
  Aos poucos todos se levantaram, intrigados. Minha mente de repente respondeu a perguntar anterior.
  Apenas %Samara% não estava ali, então...
  Comecei a andar em direção ao som, agora escutando a voz familiar de %Saáh% ecoar pelas paredes silenciosas.
  Ela estava tocando piano e cantando?
  Desde quando %Samara% toca piano?

Nah nahnah nah nahnah
Nah nahnah nah nahnah
All around the world
Ao redor do mundo
All around the world
Ao redor do mundo
Someone needs somebody
Alguém precisa de alguém
Let it be a shield
Deixe-me ser sua proteção

All around the world
Ao redor do mundo
All around the world
Ao redor do mundo
Someone's feeling lonely
Alguém se sente só
But I know you never will
Mas eu sei que você nunca se sentirá

  Sorri ao visualizá-la sentada ao piano totalmente concentrada no que fazia, praticamente de costas para a entrada. Parei na soleira da porta com receio de que se eu entrasse, ela parasse de tocar e cantar.
  Cruzei meus braços junto ao peito e me deixei hipnotizar.

Cause when it all gets too much
E quando tudo parece demais

Put your head down on my shoulder
Coloque sua cabeça sobre meu ombro
A little warmth when it gets colder
Um pouco de calor quando fizer mais frio
Now I don't know the things that you're going through
Agora eu não sei as coisas pelas quais você está passando
But you can put your head down on my shoulder
Mas quando você puder colocar sua cabeça sobre meu ombro
Wear the storm till it blows over
Use a tempestade até que passe
I know you're there for me too
Eu sei que você estará lá por mim também
No I'll be there for you
E eu estarei lá por você

  O espaço ao meu lado ficou apertado quando %AnaPaula% e %Tom% apareceram. Logo atrás deles estavam o resto do pessoal tentando observar %Samara% também.
  %Paulinha% sorria abertamente enquanto %Tom% franzia a testa. Nossos olhares se cruzaram e eu percebi que não era o único ali que não sabia desse dom desconhecido de %Saáh%, mas essa informação só parecia ter sido omitida dos homens. As garotas estavam nem um pouco surpresas.
  Voltei a encará-la assim que sua voz ecoou em meus ouvidos outra vez.

You're waiting for a change
Você está esperando por uma mudança
You're waiting for the day
Você está esperando pelo dia
When all that you remember
Quando tudo aquilo que você se lembra
Is with you once again
Está uma vez mais com você

There's a long road ahead
Há uma longa estrada à frente
Stretches out for miles
Estendendo-se por milhas afora
And if you want some company
E se você quiser alguma companhia
Walk with me a while
Caminhe comigo por um tempo

Ohh and when the road gets too rough
Oh e quando a estrada fica longa demais

  Seus olhos fechados demonstrando uma grande emoção. Pude ver um pequeno sorriso surgir em seu perfil e senti que alguém cutucava meu braço. Olhei para o lado e vi %Paulinha% me encarando.
  - Vai lá. - Ela cochichou, apontando a frente do piano. Eu neguei com a cabeça.
  - Não quero atrapalhar a concentração dela. - %Paulinha% rolou os olhos.
  - Essa música é pra você %Danny%. - Fiquei sem reação por um momento. - Vai! - Ela cochichou de novo, um sorriso nos lábios.
  Voltei meu olhar pra %Samara%. Dei de ombros e comecei a andar.
  Era o único jeito de descobrir se %Paulinha% estava certa.

Put your head down on my shoulder
Coloque sua cabeça sobre meu ombro
A little warmth when it gets colder
Um pouco de calor quando fizer mais frio
Now I don't know the things that you're going through
Agora eu não sei as coisas pelas quais você está passando
But you can put your head down on my shoulder
Mas quando você puder colocar sua cabeça sobre meu ombro
Wear the storm till it blows over
Use a tempestade até que passe
I know you're there for me too
Eu sei que você estará lá por mim também
No I'll be there for you, for you, for you, yeah, oooh
E eu estarei lá por você, por você, por você, yeah, oooh

  Por um momento, eu imaginei que %Samara% não me perceberia ali, parado em frente ao piano, observando-a cantar. Mas seus olhos se abriram e fixaram-se nos meus e ela não parou de tocar como eu imaginei que faria, ela continuou me encarando, tocando e cantando para mim.
  Eu sei que é pra mim porque ela me disse isso com seu olhar.

When it all… gets... too... much...
E quando tudo... parece... demais...

Put your head on my shoulder, on my shoulder
Coloque sua cabeça sobre meu ombro, no meu ombro
Your head on my shoulder, on my shoulder
Sua cabeça no meu ombro, no meu ombro
Put your head on my shoulder, now
Coloque sua cabeça no meu ombro, agora

  %AnaPaula%, Mary e Rafaella começaram a cantar junto com %Samara%, cortando nosso intenso contato visual. Sorri para ela e vi sua retribuição da mesma forma, voltei então para o lado dos guys.
  As garotas que se entendam agora, mas não pude deixa de me sentir completo. Uma demonstração de afeto que partiu dela, de forma indireta, mas foi.
  É um passo para ela admitir o que sente por mim.

Oooh, you can put your head on my shoulder
Ooh, você pode colocar sua cabeça no meu ombro
A little warmth when it gets colder, (Put your head on my shoulder)
Um pouco de calor quando fizer mais frio, (coloque sua cabeça no meu ombro)
I don't know the things that you're going through, (Put your head on my shoulder)
Agora eu não sei as coisas pelas quais você está passando, (coloque sua cabeça no meu ombro)

Baby, put your head on my shoulder
Baby, coloque sua cabeça no meu ombro
Wear the storm till it blows over, (Put your head on my shoulder)
Use a tempestade até que passe, (coloque sua cabeça no meu ombro)
I know your there for me too, (Put your head on my shoulder)
Eu sei que você estará lá por mim também, (coloque sua cabeça no meu ombro)
So I'll be there for you
E eu estarei lá por você

Nahnah nahh nah nahnaah nah nah nah
Nahnah nahh nah nahnaah nah nah nah

  End POV.

  - Desde quando você toca? - %Tom% foi o primeiro a falar depois do longo minuto em que o local ficou em silêncio. Seu rosto demonstrava o quanto ele estava indignado de não saber que eu tocava piano.
  - Desde que a gente deu um teclado pra ela de aniversário. - %AnaPaula% respondeu por mim. %Tom% olhou de %Paulinha% para Mary e Rafaella. Quando viu que as outras duas confirmaram, ele voltou a me encarar. Eu apenas consegui sorrir e dar de ombros.
  - E você já toca tão bem em tão pouco tempo? Own! - Senti meu rosto esquentar de vergonha. %Danny% tinha um sorriso no rosto quando eu o encarei.
  - Eu tenho aulas de piano na escola. - Tentei esclarecer, mas %Tom% não pareceu escutar minha declaração.
  - Você sabe tocar alguma música nossa?
  - Que música era essa que você tocou?
  Os meninos perguntaram muita coisa ao mesmo tempo, não deu pra prestar atenção e responder todas.
  - Eu sei tocar algumas músicas de vocês. E o nome daquela música era On My Shoulder do Westlife. - %Danny% se aproximou do piano e indicou o espaço ao meu lado no banco. Concordei com a cabeça ao pedido silencioso dele sentar ao meu lado.
  Nossos olhos se encontraram e eu senti meu corpo arrepiar. Um sorriso surgiu em seus lábios e ele inclinou a cabeça para o lado, como se me analisasse.
  - Por que você só resolveu mostrar que tocava agora? - Eu dei de ombros e comecei a brincar com meus dedos e as teclas do piano, sem tocá-las.
  - Ah, sei lá! Me deu vontade de tocar. - Continuei sem encará-lo.
  - Uma bonita música, por sinal. - Eu sorri, concordando com um aceno de cabeça. - Ela teria algum significado especial? - Virei meu rosto subitamente e encontrei seus olhos azuis penetrantes. %Danny% sorriu e eu acabei sorrindo também, mordendo meu lábio inferior em seguida para tentar conter o sorriso.
  - Talvez tenha agora. - Falei baixo desviando meu olhar.

  Sábado, 03 de Novembro de 2012

  Vivian POV.

  - Então o que você acha? - Ashley estava muda há tempo demais. Ela começou a negar com a cabeça.
  - Viv, isso é loucura! - Cruzei meus braços. - Você realmente pretende fazer isso com ela? - Concordei com a cabeça e ela pareceu ficar mais assustada. Que imbecil! - Meu Deus, ela não fez nada pra você!
  - Ela fez sim! Ela nasceu! Isso já é crime o suficiente! - Quase rugi de ódio dessa idiota. E ela ainda se diz uma Campbell!
  - Eu não vou ajudar você com isso Viv. - Ela se levantou da cama. - Você parou pra pensar que pode matá-la? - Bufei.
  - É claro que sim! Se eu tiver sorte é isso que vai acontecer sem ninguém perceber. Uma doença rápida e fatal que vai matar a vadia, ninguém vai descobrir que foi o meu veneno. - A boca de Ashley se abriu em um perfeito 'o'.
  - Eu tenho certeza que a %Samara% não tem culpa de o %Danny% ter se apaixonado por ela. - Ela falou indo até a porta do quarto. - Mas agora eu vejo que você é a culpada por ele ter deixado de te amar.
  Andei rapidamente pra perto dessa puta e puxei seu cabelo com força. Um grito saiu de sua boca e eu sorri ao ver seu olhar assustado.
  - Acho melhor você pensar bem antes de falar merdas como essas pra mim, priminha. - Ela tentou se soltar, mas eu apertei o puxão ainda mais, fazendo-a inclinar sua cabeça para o lado.
  - Eu ainda não vou ajudar você! - Ela disse entredentes. - Vou contar pro %Danny% ou pra %Samara% todo esse seu plano e...
  - Ah, você vai mesmo? - Puxei ainda mais e ela gritou de dor. - Esqueceu quem me deu todas as informações sobre ela? Você é minha cúmplice Ashley, e eu vou fazer questão de indicar que você deu a ideia de usar o veneno.
  - Ninguém acreditaria em você. - Falou baixo, o medo transparecendo em sua voz. Eu gargalhei.
  - Sério? O %Danny% nem sabe da sua existência e a puta brasileira mal conhece você. Você que pagar pra ver? Eu sou muito convincente quando eu quero.
  Ashley ficou muda e eu sorri ao ver que o efeito que eu queria foi alcançado. Ela pode até não me ajudar, mas também não vai abrir a boca. Soltei seu cabelo bruscamente e ela concertou seu corpo, massageando o couro cabeludo.
  - Eu não preciso de uma garota frouxa e insuportável como você. Só atrapalharia meu plano. - Ela me deu um olhar mortal e eu quase avancei de novo pra quebrar aquela cara em duas.
  - Você é completamente louca. - Deu meia volta e saiu do quarto, quase correndo.
  Bufei apertando minhas mãos em forma de punho.
  Por culpa dessa desgraçada eu vou ter que adiar o plano e faze tudo sozinha. Tenho que planejar bem todos os passos para que ninguém me descubra, e ainda vou ter que ficar de olho na Ashley! Arg!
  Uma coisa eu tenho certeza, até o final do ano essa puta brasileira vai estar morta.
  E quem vai consolar o %Jones%? Eu!
  Gargalhei alto com o pensamento.

  End POV.

  - Nossa, você tá me abandonando! - Fiz bico e ele gargalhou alto.
  - Eu deixei de te ver só essa semana princesa, mas te liguei todos os dias! - Cruzei os braços bem junto ao peito e ele me abraçou. - Eu to aqui não to?
  - Ela reclamou a semana inteira James. - %Paulinha% apareceu na sala. - Nunca mais desapareça desse jeito! Encontra ela por dois minutos ou até mesmo segundos, mas encontra! Se não eu é que fico maluca! - Jimmy gargalhou e se afastou um pouco pra me olhar.
  - É verdade? - Perguntou com os olhos brilhando. Fuzilei %AnaPaula% com o olhar e voltei a encarar ele.
  - É, seu feio. Nunca mais faça isso comigo! - Ele sorriu e voltou a me abraçar.
  - Certo. Vou dar um jeito de te ver pelo menos uma vez na semana pra você não enlouquecer a %AnaPaula%. - %Paulinha% gritou um “É isso aí” de dentro da cozinha.
  - Vem, acho que o pessoal deve estar chegando. - Apontei a sala e ele concordou, andando abraçado a mim.
  Sentamos no sofá e ficamos assistindo televisão. James pegou o controle e passeou com os canais em busca de alguma coisa boa. A campainha logo tocou. Eu me levantei para ir abrir a porta, lá estavam Carlos, Melissa, Tiffany, Eric, Alice, Jessika, Nicky, Joe, Loise e Will. Sorri abertamente pra eles.
  - Oi gente! Entra aí! - Apontei pra dentro de casa e eles sorriram. Carlos foi o primeiro a entrar me dando um abraço apertado. Depois dele foi a vez da Melissa. O resto foi me cumprimentando de maneira reservada já que a gente estava começando a se conhecer por causa do trabalho, eles eram do outro turno e ficava difícil a gente se encontrar pra ensaiar.
  - Chegou todo mundo junto? - %Paulinha% perguntou quando veio da cozinha. Eu concordei, fechando a porta. Carlos e James estavam se cumprimentando e ele estava o apresentando aos outros.
  - %Saáh%, Paul e Clark disse que chegam daqui a pouco. - Melissa me disse e eu sorri.
  - Aqueles intrusos não tem nada pra fazer não? - %Paulinha% disse depois de cumprimentar todo mundo. - Eles vão ficar vendo a gente ensaiar? - Eu dei de ombros.
  - É bom ter alguém pra falar se está bom ou não. - Melissa respondeu. James veio pra perto de mim e me abraçou de lado.
  - E eu não conto, não? - Escutei algumas risadas.
  - Na verdade, não. Você é puxa saco da %Saáh%. - Nós dois nos fizemos de indignados e houveram mais gargalhadas.
  - Ok. Chega de papo! Temos muito pra fazer! - Falei alto. - Vamos arrastar os sofás pra gente ter mais espaço. %Paulinha%, coloca a música!

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  - Carlos, você tem que ajoelhar. - Expliquei, mostrando a posição. - Assim. - Carlos veio para o meu lado gargalhando e imitou meu gesto. - %Paulinha% volta a música aí. Vamos do começo! - Voltamos para as nossas posições. Olhei para o sofá e vi Eric lá ainda. - Vem logo Eric! Deixa Paul e Clark aí! - Clark gargalhou.
  - Cuidado James, você tem uma general aqui! - Sorri negando com a cabeça. Dar atenção ao Clark é a mesma coisa que dar atenção a uma criança de sete anos.
  - Então, vou dar play na música. Preparados? - Concordamos com a cabeça para a %Paulinha%. Loise estava de olho na gente pra localizar qualquer erro. As duas, por não terem mais homens para ser par, ficaram com a organização de tudo.
  Party Girl iniciou e eu me concentrei para não me esquecer de nenhum passo.

  %AnaPaula% POV.

  - I love this litlle party girl. - Eu cantava a música observando o desempenho da dança. Eles estavam indo muito bem, a primeira parte da música eles já acertavam todos os passos. O problema era quando acabava o refrão e eles iam para a segunda parte.
  Escutei a campainha tocar. %Samara% estava tão concentrada que não percebeu.
  Andei até a porta me perguntando quem seria aquela hora da tarde. Que surpresa eu tive quando dei de cara com %Dougie%, %Danny%, %Tom%, %Harry% e Rafa.
  - Epa, que festa é essa aí? - %Tom% foi o primeiro a se pronunciar. A música ainda tocava alto.
  - %AnaPaula%! O que você tá...? - %Samara% não terminou de falar quando ficou do meu lado e viu quem tava na porta. - Ahñ, o que vocês tão fazendo aí? - Ela ficou nervosa, deu pra perceber pela voz dela. A música abaixou e alguém chamou a %Saáh%.
  - Hey. Por que vocês estão aí? - Carlos perguntou abraçando a %Samara% de lado, sem olhar para a porta. %Danny% não fez uma cara boa. Oh Shit. - Ah! Vocês têm visita. - Ele não pareceu gostar muito de alguém ter interrompido nosso ensaio.
  Ele e %Danny% se encararam diretamente, fuzilando um ao outro com o olhar.
  - Desculpa gente. Nós ficamos surpresas. Vocês não avisaram que viriam aqui agora. - Eu disse para tentar explicar as reações.
  - A gente não ia vir, resolvemos agora. - %Dougie% me respondeu. %Samara% pareceu ter ganhado vida e entrou pra dentro de casa. Carlos deu uma última olhada em %Danny% e saiu atrás dela. - Porque vocês não entram? - Falei educadamente.
  - O que ele tá fazendo aqui? - %Danny% perguntou pra mim, a raiva em sua voz. Respirei fundo. Se ele ficou assim com a presença do Carlos, imagina quando souber que o James também está aí.
  Ah, mas isso não vai prestar.

  End POV

  - Vamos dar uma pausa no ensaio gente! - Falei tentando parecer normal, mas o James levantou logo do sofá vindo em minha direção com a testa franzida.
  - O que foi? - Perguntou preocupado enquanto o resto se espalhava pelo chão, casados de dançar tanto. Nem precisei responder.
  - James! - %Harry% falou entusiasmado de ver o amigo. Jimmy me deu um olhar compreensivo.
  - Entendi. - Falou antes de se afastar de mim e ir cumprimentar o %Harry%. - E aí cara?
  - Tá fazendo o que aqui, dude? - %Harry% perguntou ainda abraçado a ele.
  - Ah, eu vim dar uma olhada no ensaio dessa galera. - Ele deu de ombros. Droga James! Por quê você tinha que abrir a boca?
  - Ensaio de que? - Foi a vez de %Tom% perguntar, cumprimentando o James.
  - Uma apresentação de trabalho das meninas. - James olhou pra mim e viu meu olhar de desespero. - E vocês ainda não sabem dessa apresentação. Ah droga! - Ele veio pra perto de mim e depositou um beijo em minha testa. - Desculpa princesa. - Eu neguei com a cabeça e dei de ombros tentando sorrir.
  - Por que vocês vieram de surpresa? Eu te disse que a gente ia fazer um trabalho %Dougie%! - %AnaPaula% falou.
  - É, mas você não especificou o tipo de trabalho que vocês iam fazer. - Ele respondeu com raiva. Oh merda, as coisas tão feias e não é só pra mim.
  - A gente achou que vocês estavam sozinhas, estressadas e essas coisas. Viemos pra alegrar a tarde de vocês. - %Tom% completou tentando amenizar.
  - É, mas dá pra ver que vocês têm companhia o suficiente pra isso. - %Danny% disse com raiva, me encarando diretamente.
  Droga, mil vezes droga!
  - Hey %Saáh%! Não vai apresentar seus amigos? - Clark gritou. Olhei pra ele e vi um sorriso em seu rosto.
  Fiz as apresentações, tentando ganhar tempo, indicando um por um. Depois de feitas, um pequeno silêncio surgiu.
  - Por que vocês não nos contaram do trabalho? - %Tom% perguntou. Dei uma olhada em %Paulinha% e ela me olhou da mesma forma. Lá vamos nós!
  - A gente pensou em contar quando estivesse perto da apresentação. - Expliquei.
  - E por que ele pode ver esse ensaio e a gente não? - Fechei meus olhos e respirei fundo antes de encarar o %Danny%. Cara ele estava com raiva mesmo. James não se abalou nem um pouco com o que ele disse.
  - Porque ele não vai poder ir ver a apresentação.
  - Nossa, isso explica muita coisa! - Ele disse, irônico, desviando seu olhar do meu.
  - Você ia ficar sabendo %Danny%. - Falei baixo. Eu sabia que ele estava com raiva não porque a gente não tinha contado, mas sim porque o James sabia e está aqui agora.
  - Eu acho que não, afinal você já tem tudo o que você precisa com o Bourne. Você não precisa de mim. - Doeu muito ver nos olhos dele aquela mesma mágoa de Manchester quando eu atendi a ligação do James.
  - Er... Gente. - Paul falou se levantando. - Tem uma Starbucks aqui pertinho. Vamos pra lá? - Ocorreram várias exclamações em concordância e o pessoal foi se levantando e indo até a porta. Isso me fez lembrar que não existia só o grupo de sempre ali, acostumados com as reações do %Danny% e minhas.
  Fiquei muito vermelha de vergonha por eles terem presenciado aquilo.
  - Eu vou também. - James falou baixo.
  - Você não precisa... - Ele me interrompeu, negando com a cabeça.
  - É melhor. - Disse com um sorriso no rosto e depositou um beijo rápido em minha testa.
  Olhei ao redor e vi muitos deles já do lado de fora do apartamento e me deparei com Paul ao meu lado, com o Carlos e a Melissa.
  - Nós vamos ficar por lá um tempinho, quando as coisas acabarem por aqui você vai pra lá com a %Paulinha%, ok? - Eu sorri abertamente para o Paul. Ele tava literalmente me salvando naquele instante. Concordei com a cabeça.
  - Você quer que a gente peça alguma coisa pra você? - Mel perguntou.
  - Alguma coisa com muito chocolate, por favor. - Eles riram, Mel concordou com a cabeça. Eles se afastaram, mas Carlos permaneceu do meu lado.
  - Hey! O que foi que eu disse? - Eu franzi a testa sem entender. - O cara é louco por você. Tá morrendo de ciúmes. - Cochichou e eu me limitei a revirar os olhos. - Se ele te decepcionar, você sabe que eu vou estar aqui. - Eu gargalhei da sua cantada, mas concordei com a cabeça.
  Eu e o Carlos já tínhamos deixado claro que não poderia acontecer nada entre a gente, mas ele adorava me lembrar que ainda gostava de mim. Acabou virando nossa piada particular.
  - Certo. Você sabe que é o primeiro da lista. - Ele também gargalhou e me deu um beijo na bochecha, indo até a porta em seguida. Ele fechou a porta do apartamento e lá estávamos nós, nos encarando sem dizer nada.

  %Danny% POV

  - Por que vocês não sentam? - %AnaPaula% disse quebrando o silêncio. Eu fiquei parado no mesmo lugar, nervoso demais para me aproximar de alguém.
  Olhei pra %Samara% e vi que ela me encarava. Seu olhar estava assustado, suplicante e eu quase amoleci. O problema era que eu me sentia traído.
  Nós tínhamos passado um fim de semana incrível e uma semana perfeita. Ficamos próximos como nunca estivemos nesses últimos dias pra eu chegar aqui e me deparar com ela rodeado dos dois filhos da puta que haviam beijado aqueles lábios que eram meus.
  Não é difícil ficar maluco.
  - Certo. Quero explicações, agora! - %Dougie% disse cruzando os braços. Estava nervoso assim como eu.
  - Nós não queríamos contar porque vocês iam querer assistir aos ensaios e aí, perderia a graça. - %Paulinha% explicou encolhida ao lado do %Dougie%.
  - A gente ia contar sobre a apresentação perto da data porque a gente sabia que vocês iam. - %Samara% completou, ainda me encarando. Andou alguns passos pra perto de mim e eu fiquei rígido. - Eu não contei pro James sobre a apresentação. Foi o Paul que disse. E quando ele me falou que não ia poder ir eu dei a ideia dele assistir os ensaios. - Ela se aproximou ainda mais, me olhando de uma forma desesperada. - Ele ia saber no mesmo dia que você %Danny%.
  - Isso não muda o fato dele estar aqui e eu não. - Ela fechou os olhos com força e abaixou a cabeça.
  - Então nada do que eu diga vai te fazer entender que eu não escolho entre vocês. O James é meu amigo e você... - Ela parou de falar. Eu senti algo dentro de mim pular e percebi que era meu coração batendo enlouquecidamente no peito.
  Acabei como pequeno espaço que nos separava e levei minha mão até o queixo dela, levantando seu rosto. Ela olhou pra mim com os olhos confusos.
  - E você? - Perguntei tentando fazê-la completar a frase. %Samara% respirou fundo, desviando seu olhar do meu. - Me diz, por favor. - Cochichei. Seus olhos voltaram a encontrar os meus.
  - Você é especial pra mim. - Sorri. - Mas sempre que você me vê com o James você arranja um jeito de brigar comigo, ou fica com raiva! - Disse alterando seu tom de voz e se afastando de mim. - O James nunca fez isso! Nunca me disse de quem eu posso ou não ser amiga, pelo contrário! Ele me apoia em tudo. E você só sabe brigar, brigar e brigar! - Ela se calou, mas continuou me encarando com um olhar acusador.
  - Ok %Saáh%! Você tá certa! - Explodi. - Eu odeio ver você com o James, odeio ver você com o Carlos, odeio ver você com qualquer um! Eu brigo porque eu morro de ciúmes de você! Eu morro de ciúmes quando algum cara toca em você, ou quando você sorri pra outro cara que não seja eu. Eu tenho medo que você se apaixone por algum cara melhor do que eu. Eu não consigo controlar isso! Eu to tentando, mas ainda não consigo controlar os meus ataques de ciúmes, é mais forte do que eu!

  End POV

  Fique paralisada. %Danny% respirava rapidamente depois de ter dito tudo tão rápido. O local todo estava em silêncio.
  - Você tem ciúmes do James? - Perguntei baixo, ainda sem acreditar.
  - Do James, do Carlos, do Papa! De qualquer um. - Seu rosto estava sério. - Acho que tenho ciúmes até da %AnaPaula%, porque ela passa mais tempo com você do que eu. - Ele deu um pequeno sorriso.
  - Pera aí! - Virei meu rosto e vi a %AnaPaula% com o braço esquerdo levantado como se tivesse pedindo permissão para interromper. - Eu não ando beijando a %Samara% não, %Danny%!
  - Eca %Paulinha%! - Eu gritei e logo estávamos todos gargalhando.
  - %Saáh%. - Eu voltei a olhá-lo. - Me desculpa. Eu achei que sabia o que era ter ciúmes, mas depois que eu conheci você, eu vi que não. - Ele tinha um pequeno sorriso de lado que me tirou totalmente o fôlego.
  - Eu desculpo você. Mas não pense que eu fiquei feliz em saber que você é um maluco ciumento. - Ele franziu a testa. - Isso me assusta.
  - É sério? - Ele ergueu sua sobrancelha. Eu concordei com a cabeça.
  - Se, hipoteticamente, nós dois chegarmos a ter um relacionamento, e você agir como um maluco ciumento eu vou me assustar. E eu não quero ter que terminar com você por culpa das suas crises de ciúmes.
  - Se, hipoteticamente, nós dois estivermos juntos, eu não vou precisar ter ciúmes de você, porque eu vou ter certeza que você é minha e que o seu amor é meu. Eu sou um louco ciumento porque você nunca me deu certeza sobre os seus sentimentos. A única certeza que eu tenho é que hoje você pode estar aqui comigo, mas amanhã pode aparecer namorando com o James ou com outro cara.
  - Hey! Dá pause na novela aí porque eu preciso ir ao banheiro. - %Dougie% gritou sorrindo, andando até o corredor e sumindo dentro dele. Eu e %Danny% voltamos a nos encarar.
  - %Poynter%. - Dissemos ao mesmo tempo, soltando um gargalhada em seguida.

  - Será que o casal pode se juntar ao resto do grupo? - %Harry% perguntou com um tom irônico. Eu e %Danny% andamos até os sofás e eu me sentei no chão, encostando minha cabeça na perna do %Tom%. %Danny% se sentou ao meu lado. - Certo! Qual é a desse trabalho?
  - É como se fosse nossas provas finais. - Comecei. - Eles organizam uma mega apresentação para nos avaliar.
  - Tem várias modalidades. - %AnaPaula% continuou. - Nós estamos ensaiando para a apresentação de dança, que a gente faz aula.
  - Dança? - %Danny% me olhou com um jeito brincalhão e eu corei de vergonha.
  - É! A %Saáh% faz piano também e vai apresentar junto com a equipe de teatro. - Me encolhi ainda mais quando todo mundo me encarou.
  - E a %Paulinha% vai participar de um campeonato de vôlei. - Suspirei aliviada quando os olhares desviaram para %AnaPaula%.
  - Que dia vai ser a apresentação? - %Tom% perguntou.
  - Dia primeiro de Dezembro. - Respondi.
  - Ah, bom! Vamos poder ir então! - %Tom% suspirou aliviado. Eu franzi minha testa.
  - Como assim? Vocês vão ter compromisso? - Perguntei confusa.
  - A gente vai viajar na semana que vêm pra escrever as músicas do novo CD. - Minha boca se abriu em um perfeito 'o' quando o %Harry% respondeu.
  - E vocês pretendiam nos contar quando? - %AnaPaula% perguntou com raiva olhando diretamente para o namorado. %Dougie% encolheu.
  - Hoje mesmo. - %Tom% respondeu.
  - Parece que estamos quites de segredinhos. - Eu falei em tom de brincadeira e o %Danny% riu baixo ao meu lado. - Vocês vão que dia?
  - Na segunda. - %Danny% respondeu ao meu lado. Senti meu peito doer ao imaginar uma semana sem ele.
  - Pra onde vocês vão? - %Paulinha% estava a beira de um colapso, disso eu tinha certeza, só pelo seu tom de voz.
  - Não podemos dizer o lugar, mas é uma fazenda bem legal. Se eu pudesse levava você. - Ela bufou com a resposta do %Dougie%.
  - E vocês voltam quando? - Perguntei, tentando achar um apoio na data de retorno deles.
  - Na outra segunda-feira. - %Tom% respondeu com um pequeno sorriso.
  - Vai sentir minha falta? - %Danny% cochichou em meu ouvido.
  - Nem um pouco.

  Segunda-feira, 05 de Novembro de 2012.

Hora: 05:22h
Leitão! Estamos saindo agora daqui de Londres.
Não quis te acordar com uma ligação, por isso a mensagem.
Como vamos estar incomunicáveis, já digo logo:
Se comporte!
Quando eu chegar, vou querer saber de tudo o que você fez na minha ausência.
Te amo muito! <3

Xxx Seu Pooh.

  - O %Tom% me mandou uma mensagem. - Comentei para a %AnaPaula% depois que terminei de ler. Ela pegou meu celular e leu a mensagem, me devolvendo depois com um sorriso no rosto.
  - Tem uma não lida do %Danny% aí. - Eu suspirei, concordado com a cabeça.
  - Eu to sem coragem de ler. - Ela me olhou com a sobrancelha arqueada, enquanto mastigava seu biscoito.
  - Se você não ler isso logo eu vou te dar um tapa %Saáh%. - Eu rolei os olhos, mas voltei a encarar a tela do celular. Cliquei para abrir a mensagem.

Hora: 05:25h
%Saáh%. Eu queria ter tido a oportunidade de te ligar, mas sei que não conseguiria dizer muita coisa. A mensagem é mais fácil.
Toda vez que eu vou viajar, eu fico com aquela ideia na cabeça de que eu posso ir e não voltar mais. E eu me preocupo sempre de me despedir das pessoas que eu amo, pra que elas saibam o que eu sinto se alguma coisa acontecer comigo.
Então, eu quero que você saiba que você é a melhor coisa que me aconteceu nesse último ano. Você me fez perceber que a gente precisa abrir mão de muita coisa por quem ama e isso sempre foi difícil pra mim, abrir mão de algo. Mas eu fiz por você e não me arrependo.
Se eu morrer, saiba que eu te amei até o último segundo, até a última batida de meu coração.
Eu sou seu, e serei sempre.

Xxx %Danny%

  - Ah meu Deus! - Minha visão estava embaçada pelas lágrimas, minhas mãos tremiam tanto que eu deixei o celular cair em cima da mesa. Respirei várias vezes tentando me controlar, mas não consegui.
  - Que foi? - %Paulinha% perguntou preocupada. Eu apenas apontei o celular para que ela lesse.
  A cozinha ficou silenciosa enquanto %AnaPaula% lia a mensagem e eu tentava controlar as lágrimas que desciam pelo meu rosto.
  - Ah meu Deus! - Ela repetiu minha expressão. - Isso foi lindo %Saáh%! - Eu concordei com um aceno de cabeça. - Porque você tá chorando desse jeito?
  - Porque se ele morrer ele nunca vai saber o que eu sinto por ele. Eu nunca disse! - %AnaPaula% me abraçou.
  - Então diga a ele. - Ela levantou meu rosto e enxugou algumas lágrimas. - Manda uma mensagem. - Eu neguei com a cabeça.
  - Falar “Eu te amo” pra ele pela primeira vez por uma mensagem %Paulinha%? Não posso!
  - Então não diga eu te amo, diga algo que ele consiga saber o que você sente por ele. - Ela me entregou o celular. - Você tem alguns minutos. - Ela levantou e saiu da cozinha me deixando sozinha com meu celular.
  O que eu posso dizer?
  O quê?
  Respirei fundo e comecei a digitar.

  %Danny% POV.

  - Ah dude, eu tô um caco! - %Dougie% desabou no sofá. %Tom% abria as janelas do lugar e %Harry% estacionava o carro. Peguei minha mala e subi as escadas indo direto para o meu quarto. Coloquei a mala no chão e me espreguicei.
  Preciso de um banho.
  Peguei meu celular para ver que horas eram e me assustei ao ver uma mensagem nova, e era da %Saáh%.
  Sentei na cama e abri a mensagem.

Hora: 06:38h
%Danny%. Sua mensagem me pegou totalmente de surpresa, mas eu fiquei muito emocionada e também muito feliz por saber o que você sente.
Acho que é justo você ter uma noção de como eu me sinto.
Desde o dia que a gente esbarrou naquele shopping a minha vida mudou completamente. Tudo o que eu faço, tudo o que eu penso, tudo começou a girar em torno de você.
Pode não parecer, mas é verdade.
Você me fez rever os meus traumas, as minhas atitudes e os meus medos.
Você me fez amadurecer.
Se você morresse, se você não voltasse, eu acho que só teria um fim pra mim.
O mesmo fim que o seu.
Porque eu não consigo mais imaginar a minha vida sem você.
Sem suas crises de ciúmes, ou suas palavras de conforto e seus braços ao meu redor.
Você é uma parte de mim que eu não posso perder.
Eu não posso perder você entendeu?
Então trate de voltar vivo de onde quer que vocês estejam! :)

Xxx %Saáh%

  Puta que pariu! Se isso não é uma declaração de amor, eu não sei o que pode ser!
  É uma pena que aqui não tenha rede para o celular ou internet pra eu poder ligar pra ela. Agora vou ter que esperar até segunda-feira e ver se consigo arrancar tudo isso dela, com ela olhando pra mim. Quero ter certeza se é tudo verdade.
  Não vejo a hora de voltar pra perto dela!

  End POV.

  - Gente, que estranho o Carlos não ter aparecido até agora. - %Paulinha% cochichou para não ser pega pelo professor. Eu concordei com a cabeça, dando uma olhada no espaço vazio ao meu lado.
  - Ele sempre avisa quando vai faltar. - Mel disse também no mesmo tom de voz.
  - E o Paul também não veio. - Eu comentei também aos cochichos. O sinal tocou indicando o intervalo da aula.
  - Será que aconteceu alguma coisa? - A pergunta de Melissa foi abafada por Clark e Annie se aproximando.
  - Vocês viram o Paul? - Ele perguntou e nós negamos com a cabeça. - E o Carlos?
  - Também não veio. - Eu respondi.
  - Estranho. - Concordamos com a fala da %Paulinha%. Realmente era muito estranho.
  Andamos para fora da sala, e encontramos os corredores lotados de alunos. Seguimos o fluxo para a lanchonete ainda conversando sobre os motivos do Carlos e Paul terem faltado à aula.
  Fiquei surpresa ao ver Carlos parado na entrada da lanchonete. Quando nos viu, andou até a gente. Seu rosto estava sério, sem nenhum vestígio daquela alegria contagiante que ele tinha pela manhã.
  - Carlos! Onde é que você esteve? - Clark gritou antes mesmo do Carlos se aproximar da gente.
  - Eu me atrasei. - Respondeu olhando para o Clark e desviando o olhar para mim. - %Saáh%, será que eu posso falar com você? - Eu estranhei aquela pergunta, mas concordei. - Vamos dar uma volta. - Ele me pegou pela mão e saiu me arrastando para longe da multidão de alunos.
  Dei uma olhada pra trás e vi %AnaPaula% completamente curiosa e abismada pela atitude de Carlos. Eu apenas dei de ombros e voltei a olhar para frente.
  Paramos na entrada da faculdade, sentando no banco em baixo da árvore enorme. Eu sentei ao seu lado e vi ele esfregar as mãos uma na outra. Ele está nervoso.
  Mas por quê?
  Continuei calada aguardando até que ele estivesse preparado para falar.
  - %Saáh%, eu preciso da sua ajuda! - Começou, olhando para mim. - Você é a única do pessoal a quem eu posso recorrer, já que o Clark é muito amigo do Paul, mas não tem cabeça nenhuma e a Melissa é inocente demais como a Annie, e sobra a %Paulinha%, mas ela não é tão próxima do Paul como você. - Eu franzi a testa, totalmente confusa. O que tem o Paul com isso?
  - O que foi Carlos? - Perguntei depois da longa pausa que ele fez.
  - Promete que não vai contar pra ninguém? - Eu concordei com a cabeça, agora ainda mais confusa. - O Paul desapareceu. Ele não aparece na república desde sábado à noite.
  - O quê? - Falei surpresa. Jamais imaginaria que fosse algo assim.
  - O Paul sempre sai no sábado a noite e volta domingo de manhã, não faço ideia do que ele faz quando sai, mas ele sempre volta. Até esse fim de semana. - Ele passou as mãos pelos cabelos curtos e parou atrás do pescoço apertando o lugar.
  - Como você sabe que ele desapareceu?
  - Eu fui chama-lo pra vir para a aula, como em todas as segundas, mas ele não estava lá. Eu estranhei e perguntei pra galera da república se alguém tinha o visto saindo e todas as respostas foram não. Então eu voltei para o quarto dele e procurei qualquer pista que me indicasse onde ele poderia ter ido. Aí achei uma coisa na cômoda dele.
  Carlos deu uma pausa e começou a vasculhar em sua mochila. Pegou dois saquinhos plásticos na mão e escondeu em baixo da sua mochila. Olhou pra mim com feições nada boas. Ele levantou a mochila o suficiente pra que eu pudesse ver.
  - Ah meu Deus, isso é... - Ele confirmou com a cabeça e eu levei minhas mãos à boca.
  Maconha, Cocaína e Crack.
  Era isso que tinha nos dois saquinhos plásticos.
  Carlos os guardou na mochila e deu uma olhada ao redor pra ver se ninguém estava nos observando. Quando ele ficou satisfeito, voltou a falar.
  - Eu já desconfiava que o Paul usasse drogas, mas nunca tive uma confirmações e ele escondia muito bem isso. - Eu confirmei com a cabeça, atordoada demais pra falar. - E eu estou preocupado %Saáh%. Se ele sai nos sábados pra usar essas coisas, alguma merda deve ter acontecido pra ele não voltar pra casa. Você não tem ideia de quantas coisas terríveis já passaram pela minha cabeça!

  Apoiei minha cabeça em minhas mãos. Meus cotovelos apoiados em meus joelhos. Fechei meus olhos tentando pensar. Onde Paul estaria agora?
  Drogado em algum lugar?
  Sequestrado?
  Ferido?
  Morto?
  Ah meu Deus, onde ele está?
  - Eu procurei ele em alguns lugares que a gente costuma ir, mas não o achei. Se você for comigo talvez, não sei! Talvez a gente tenha mais sorte! - Olhei pro Carlos e vi o desespero em seus olhos assim como devia estar nos meus.
  Me levantei do banco em um salto no mesmo instante que o sinal tocou.
  - Vamos! A gente precisa encontrar ele! - Carlos se levantou também e me pegou pela mão.
  - Avisa a %AnaPaula%, mas não deixa ela desconfiar de nada. - Concordei com a cabeça pegando meu celular e digitando uma mensagem pra ela.

  %AnaPaula% POV.

  - Eles estão demorando. - Melissa comentou e eu tive que concordar.
  - O sinal tocou tem pouco tempo. Eles devem estar chegando. - Meu celular vibrou na mesma hora. Olhei na tela e vi que era uma mensagem da %Samara%.

Amiga, vou ter que matar a aula de piano e a de dança.
Carlos me pediu uma ajuda, mas não é nada demais.
Eu devo ir almoçar com ele se nos demorarmos muito, então vou direto pro trabalho.
Nos vemos em casa ou no shopping!
Te amo s2

Xxx %Saáh%.

  - Eles não vem. - Falei pra Melissa e ela franziu a testa. - A %Saáh% acabou de me mandar uma mensagem. - Ela fez uma cara de “ah, tá” e concordou com a cabeça.
  - Então vamos pro prédio dois. - Concordei e comecei a andar.

  End POV.

  Já havíamos passado por três lugares que o Paul costuma frequentar, no último recebemos a informação de onde o Paul ia pra comprar drogas. O lugar era bem longe, Carlos nunca havia ido por aqueles lados e tivemos que usar o GPS pra não nos perder.
  - Esse lugar me causa arrepios. - Concordei com sua fala porque também causa em mim.
  Haviam crianças gritando e jogando bola na rua. Os prédios tinham pichações de todos os tipos e tamanhos, muitas janelas tinham os vidros quebrados e até marcas de bala foi possível identificar.
  Carlos passou a mão ao meu redor como se quisesse me proteger. Eu suspirei agradecida.
  Andamos até o local que o homem falou e Carlos bateu na porta de metal. Por uma pequena abertura na porta, um garoto que não parecia ter mais que quinze anos apareceu.
  - Tão querendo o que? - Perguntou desconfiado.
  - Precisamos de uma informação. - Deu pra perceber o menino nos observando atentamente.
  - De que tipo?
  - Um amigo nosso sumiu desde sábado. Tivemos informação que ele vinha aqui nesses dias. - Carlos tentou falar da forma mais sucinta possível. O menino pareceu pensar por um tempo.
  - Como seria esse seu amigo?
  - Alto, loiro, olhos azuis e bem branco. O cabelo é caído na testa. - Eu dei as especificações.
  - Hum... Não sei. Passa tanta gente por aqui. - Eu praticamente suspirei derrotada, mas Carlos pareceu compreender algo que eu não pude.
  Ele pegou de dentro do seu bolso um dinheiro. Ele havia separado dentro do carro, mas eu não entendi bem pra quê ele queria. Agora deu pra saber.
  Carlos passou o dinheiro pela abertura da porta e o menino se afastou da mesma, parecendo contar as notas. Depois disso ele reapareceu.
  - Ah sim! Agora me lembro! - Esboçou um sorriso malandro. - Ele apareceu aqui na madruga e levou umas paradas. Depois sumiu por aquelas bandas. - Apontou com o dedo a direção que nós viemos.
  - Sabe pra onde ele possa ter ido? - Perguntei de forma suplicante. Só aquela informação não adiantava de nada.
  - Tem uma pensão na saída do bairro que alguns riquinhos vão pra usar as paradas. Talvez ele possa estar lá. Ainda mais com a quantidade de paradas que ele pegou. - Um cara apareceu atrás da gente. Parecia ir comprar com o menino. - Mais alguma coisa? - Perguntou.
  - Não. - Carlos respondeu já se afastando da porta.
  - Obrigada. - Eu disse.

  Achamos a tal pensão. Era nojenta a entrada do lugar e minha cabeça imaginava que por dentro seria muito pior. Carlos conversou com uma mulher gorda e suja que estava na recepção e ela confirmou que Paul estava ali.
  Com ajuda de um “auxílio financeiro”, Carlos conseguiu a chave reserva do quarto do Paul.
  Andamos até a escada. Eu tentava não reparar nas pessoas jogadas pelo lugar. Algumas estavam deitadas no chão, havia um fedor muito grande de vômito e sujeira por toda a parte.
  Nos andares não estava muito diferente. Tivemos que desviar de duas moças drogadas que vieram pra cima de nós, completamente sem consciência do que estavam fazendo.
  Finalmente, paramos em frente ao quarto dezessete. Tentamos escutar pra ver se tinha algum barulho vindo de lá, mas não havia nada. Carlos colocou a chave na porta e abriu.
  A primeira coisa que eu vi foi a cama de casal e vi alguém deitado em cima dela.
  Paul.
  Corri até lá e fiquei horrorizada com a quantidade de saquinhos plásticos espalhados ao redor dele. Seus olhos estavam fechados e seu rosto parecia ainda mais branco do que de costume.
  Vi Carlos se aproximar. Nós trocamos um olhar preocupado antes de tentarmos acordar o Paul.
  Tentamos uma, duas, três vezes. Carlos jogou até um pouco de água no rosto dele, mas ele não reagiu.
  Peguei o pulso dele e pedi Carlos o seu relógio. Meu pai havia me ensinado um pouco de primeiros socorros como aferir pressão e fazer massagem cardíaca.
  - A pressão dele tá muito baixa. - Eu disse. - Se ele usou a quantidade que tá parecendo que ele usou, nós precisamos de um hospital agora! - O desespero começou a me invadir.
  - Você acha que ele está numa Overdose? - Eu concordei com a cabeça.
  Nós não precisamos dizer mais nada.
  Carlos pegou Paul no colo de mal jeito. Eu procurei pelo quarto pra ver se achava alguma coisa de Paul. No chão peguei sua carteira e na cama seu celular. Todas as ligações do Carlos e minhas estavam ali como não atendidas.
  Saímos do quarto devagar. Carlos não conseguia andar rápido com todo o peso de Paul e ele não me deixou ajudar dizendo que nós dois andando com o Paul no colo era sujeito a um tombo. Eu tive que concordar, já que eu não sou um poço de força.
  Descemos as escadas e eu entreguei a chave para a mulher gorda. Ela nem ao menos olhou Paul sendo carregado por Carlos. Cenas daquelas deveria ser bem comuns por ali.
  Colocamos ele no banco de trás do carro e entramos. Carlos correu em direção ao hospital.

  %AnaPaula% POV

  - %Samara%? - Balancei a mão na frente do rosto dela. Ela me encarou assustada. - Você ficou no mundo da lua de novo! - Ela sorriu fraco, e balançou a cabeça de um lado pro outro.
  - Só me distraí amiga. - Sua atenção voltou para suas batatas fritas.
  - Não vai me dizer o que você andou fazendo com o Carlos? - Tentei mais uma vez. Ela bebericou seu suco.
  - Já disse que estava ajudando ele com uma coisa.
  - Que coisa? - Ela me olhou feio.
  - Amiga, eu já te expliquei mais de mil vezes que não diz respeito a mim, responder. Vamos esquecer isso? - Eu coloquei minhas mãos na frente de meu rosto em sinal de rendição.
  - Ok! - Ela voltou a comer suas batatas.

#

  - Aonde você vai? - %Samara% estava arrumada. Passava prancha na franja.
  - Vou sair com o Carlos. - Respondeu sem me olhar.
  - Sair com o Carlos? - Ela concordou com a cabeça.
  - Vou ajudar ele a estudar para as provas. - Cruzei meus braços junto ao corpo. Que coisa mais estranha.
  - E por que vocês não estudam aqui? - Ela parou com a prancha e ajeitou a franja, depois voltou seu rosto para mim.
  - Ele me chamou pra casa dele %AnaPaula%, ele não se convidou para a nossa. - Eu ergui uma sobrancelha e observei %Samara% atentamente. Tem alguma coisa que ela está me escondendo.
  - E por que você não me chamou pra ir também?
  - Você quer ir? - O jeito que ela perguntou foi como se ela já soubesse a resposta.
  - Na verdade, não.
  - Foi o que eu pensei! - Ela sorriu de leve pra mim. - Não se preocupe, ok? Eu volto em duas horas. - Me deu um beijo no rosto bem na hora que a campainha tocou.

  End POV.

  - Como foi com a %Paulinha%? - Carlos abriu a porta do passageiro pra mim e eu entrei agradecida. Já estava fazendo bastante frio naqueles dias.
  - Difícil, mas eu consegui convencê-la de que estava te ajudando com as matérias. - Ele concordou com a cabeça, ligando o carro. - Não posso demorar muito porque ela está sozinha.
  - Cadê o namorado dela?
  - Viajou com os outros. Foram escrever músicas pro novo CD. - Ele concordou com a cabeça. - Notícias do Paul? - Carlos respirou fundo.
  - Ainda desacordado, ainda com risco de vida, mas o médico disse que provavelmente ele possa acordar hoje ou amanhã assim que todo o efeito das drogas passar.
  Andamos todo o caminho até o hospital falando de coisas aleatórias, tentando nos distrair da verdadeira preocupação que nos rondava.
  Como Paul estaria quando acordasse?
  Será que ele acordaria?
  Entramos no hospital e fomos diretamente para a recepção. Tivemos informação que ele ainda não havia acordado, mas que o médico queria falar conosco. Sentamos em um dos sofás e esperamos. Dr. Joseph apareceu alguns minutos depois.
  - Boa noite! - Nos cumprimentou. Trocamos apertos de mão.
  - Como ele está? - Perguntei. Ele sorriu de uma forma acolhedora.
  - Muito melhor de quando vocês o trouxeram, mas ainda não podemos ter certeza até ele acordar. - Concordei com a cabeça. - O que eu preciso discutir com vocês é fato de informamos a família do Paul. - Troquei um olhar com Carlos.
  - Doutor, nós não podemos fazer isso. Paul mora aqui sozinho e nunca teve um bom relacionamento com os pais. Eles só atrapalhariam a recuperação dele.
  - Vocês precisam entender que esse é um procedimento padrão do hospital.
  - Nós entendemos. Mas não podemos fazer isso sem a autorização do Paul. - Carlos respondeu.
  - Vamos fazer assim. - Eu comecei e os dois me encararam. - Vamos esperar até amanhã à noite. Se o Paul não tiver acordado ainda, nós entramos em contato com os pais dele. - Carlos sorriu com a minha ideia e o médico pareceu pensar.
  - Certo. Vamos esperar até amanhã a noite então.
  - A gente pode ver ele agora? - Dr. Joseph sorriu e concordou com a cabeça.

  Terça-feira, 06 de Novembro de 2012

  Passei meus olhos pelos corredores à procura de Carlos. A mensagem que ele havia me mandado dizendo que precisava falar comigo me deixou preocupada. O vi parado ao lado da porta da nossa sala. Ele sorriu quando me viu, tirando todas as minhas preocupações sobre uma notícia ruim. Carlos correu ao nosso encontro.
  - Hey! - Disse nos cumprimentando. Depois seu olhar pousou em mim. - Preciso falar com você. - O sorriso ainda estava no seu rosto e eu acabei sorrindo também.
  - Coloca na minha mesa pra mim? - Entreguei a %Paulinha% minha bolsa. - A gente não demora. - Ignorei a cara de curiosidade de %AnaPaula% e saí correndo ao lado de Carlos. Teríamos pouco tempo antes do sinal tocar.
  Fomos direto para o nosso banco e sentamos sem fôlego.
  - Ele acordou! - Eu quase gritei de alegria e abracei Carlos fortemente.
  - Como você sabe? O médico te ligou? - Ele negou com a cabeça.
  - Eu fui lá hoje de manhã, antes de vir pra cá. Ele já estava acordado.
  - E como ele está? - Carlos deu de ombros.
  - Bem. Ele está um pouco desorientado, mas me reconheceu. O médico disse que é normal. Provavelmente à noite ele já vai estar com a cabeça melhor.
  - Você me leva pra ver ele a noite? - Carlos concordou com a cabeça. O sinal ecoou por todo o campus. - Temos que ir. - Levantamos e andamos abraçados até a sala.
  - Eu e o Paul combinamos uma história para não levantar suspeitas aqui. - Eu escutei atentamente quando ele começou a falar baixo. - Nós vamos dizer que ele me ligou, que teve que viajar de última hora por causa dos pais dele, que algum parente dele estava no hospital e ele não sabe se vai poder voltar para as provas finais. Ele também pediu pra gente ir até o diretor e explicar toda a situação.
  - Podemos fazer isso no intervalo. - Ele confirmou com a cabeça e a gente se calou quando chegamos até a nossa sala.

Capítulo. 18
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