Who Said It Could Not Be Forever?


Escrita porSamara Dias
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo. 17

Tempo estimado de leitura: 40 minutos

  - Eu cheguei em casa e não te vi! Resolvi preparar uma surpresa! - A puta loira estava apenas enrolada em uma toalha próximo à mesa de jantar. De toalha na casa do %Danny%. - Só não sabia que você viria com companhia. - Disse parecendo perceber minha presença. - Você vai querer ficar para o jantar %Samara%? - Perguntou com um sorriso sarcástico no rosto. Eu simplesmente tive que me segurar para não vomitar ao ouvir meu nome sair da boca daquela vadia!
  Virei meu olhar para %Danny% que olhava completamente assustado para Vivian. Eu me senti enojada. O filho da puta só queria brincar comigo enquanto sua namoradinha estava nua em sua casa apenas esperando ele chegar.
  - Na verdade, eu não estou com fome. - Falei entredentes, me segurando para não gritar. - E eu já vou indo para deixar vocês dois mais à vontade. - Virei-me em direção a porta do apartamento e comecei a andar em passos largos para fora daquele lugar.
  - %Samara%! - %Jones% veio atrás de mim e eu escutei ele gritar enquanto eu esperava impaciente o elevador aparecer. Que inferno! - Eu não sabia que ela estava aqui! Eu... Meu Deus eu nem fazia ideia! - Senti sua mão me puxar para encará-lo. Olhei com bastante relutância.
  Deus, ele parece estar apavorado.
  - Por favor, acredita em mim! - Suplicou. - Eu jamais te traria aqui se soubesse! - Meus olhos se estreitaram com o ódio que me invadiu.
  - Oh, será mesmo? - Falei sarcasticamente. - Imagino que agora você finalmente conseguiu sua vingança não é mesmo %Jones%? - Ele me encarou com os olhos confusos. - Bom, foi excelente, de verdade, você está de parabéns! A idiota aqui não sacou nada! - Senti meus olhos se encherem de lágrimas, mas engoli o choro. O elevador abriu.
  - O quê? Do que você tá falando?
  - Quando eu finalmente estava cedendo você viu que era uma ótima oportunidade para se vingar do ocorrido em Manchester. E olha só? Você conseguiu! - Eu entrei no elevador e apertei o botão para a porta se fechar. - Foi a última vez que você brincou comigo. - Falei baixo vendo o elevador ir se fechando à minha frente. %Daniel% pareceu perceber e tentou impedir, mas graças a Deus, sem sucesso.

  %Danny% POV.
  - %Samara%! - Vi o elevador se fechar em minha frente. - QUE DROGA! - Gritei socando o ferro do elevador. Senti minha mão latejar, mas não sei se é por causa da dor ou da vontade de socar a Vivian.
  Entrei rapidamente em casa e a vi lá acendendo as velas que estava em cima da mesa de jantar, agindo como se nada tivesse acontecido.
  - Que diabos você pensa que está fazendo? - Perguntei aos gritos. Ela fingiu de desentendida ao me encarar.
  - Eu estou ascendendo as velas pro nosso jantar. - Disse apontando a mesa.
  Não aguentei me segurar e fui em direção a ela que me olhou assustada quando eu a agarrei pelo braço.
  - Você acha que eu estou brincando com você Vivian? Eu não quero mais saber de você! - Ela estreitou os olhos verdes e me deu um pequeno sorriso.
  - Desculpe se eu atrapalhei alguma coisa xuxuzinho. - Falou com aquela voz irritante. Soltei seu braço com força.
  - Como você entrou aqui? - Perguntei me afastando dela, antes que eu explodisse.
  - Eu usei a minha chave. - Ela deu de ombros. Eu voltei a me aproximar.
  - Me devolva, AGORA! - Gritei. Ela deu um meio sorriso e foi até a cozinha, retornando depois com as chaves nas mãos. - Agora suma da minha casa! - Apontei a porta da rua para ela assim que ela me entregou as chaves.
  - Você vai me fazer ir embora assim? - Disse pegando a toalha e desenrolando em minha frente. Deixou a mesma cair no chão enquanto ficava nua. Eu me senti ainda mais puto enquanto desviava o olhar.
  - Você tem cinco minutos para se vestir e desaparecer da minha frente Vivian. - Falei entre dentes. Só pude escutar seu bufo pesado seguido de passos para a escada. Quando me virei e não a vi finalmente pude respirar direito.
  Que encosto que eu fui arrumar! Não vejo a hora dela sair e eu ficar livre pra poder ir atrás de %Samara%. Ela entendeu tudo errado! Tem que me escutar! Logo agora que a gente finalmente tinha se acertado!
  End POV.

  %AnaPaula% POV.

  - Você acha que finalmente eles se acertaram? - %Dougie% perguntou.
  - Talvez sim. A %Samara% tava começando a admitir que eles estavam se acertando. E o %Danny% me disse que estava indo chamá-la pra sair, como num encontro. - Sorri e %Dougie% fez o mesmo.
  - Isso realmente me surpreendeu! %Danny% %Jones% convidando uma garota? O mundo deve estar realmente acabando em 2012! - Brincou gargalhando em seguida. Eu ri também, mas meu riso foi cessado ao olhar para a calçada próximo a casa do %Danny%.
  - Ah meu Deus! Aquela ali é a %Saáh%? - Falei apontando o local e %Dougie% o seguiu com o olhar.
  - Oh, droga! É ela mesmo! - Disse já desviando o carro e se aproximando da calçada onde %Samara% andava apressadamente.
  %Dougie% estacionou o carro e eu logo sai de dentro andando até minha amiga. Ela me agarrou ao perceber que era eu. Escutei seu choro abafado e apenas a abracei.
  - Hey %Saáh%. Calma! O que houve? - Perguntei a empurrando um pouco para olhar para ela. %Dougie% logo estava do nosso lado limpando algumas lágrimas dela.
  - Por favor, me leva pra casa? - Foi só isso que ela disse. Eu e %Dougie% nos entreolhamos e concordamos com a cabeça.


#

  A campainha tocou assim que %Samara% adormeceu no colo do %Dougie% e no meu. Como eu estava com os pés dela em cima de minhas pernas, me levantei com cuidado e fui atender a porta com uma leve impressão de que eu já sei quem é.
  %Danny% estava com feições desesperadas, parado em frente a nossa porta. Eu sai e encostei a porta para poder conversar com ele.
  - %Paulinha% eu sei que ela já deve ter falado milhares de coisas horríveis pra você, mas eu não tenho nada a ver com a Vivian estar no meu apartamento! Eu preciso falar com ela! - Disse alto. Eu fiz sinal para que ele falasse baixo.
  - %Samara% tá dormindo %Danny%, e sim, ela já me contou tudo o que aconteceu na versão dela. - Ele continuou a me encarar, parece estar esperando a bronca. Não dessa vez %Jones%. - Eu acredito que você não teve culpa dessa vez. - Ele deu um meio sorriso aliviado.
  - Oh, graças a Deus! E você disse isso pra ela? - Perguntou esperançoso.
  - Eu tentei %Danny%, mas você sabe como %Samara% é. - O rosto dele murchou. - Ela tá achando que você estava se vingando de Manchester...
  - %Paulinha%, eu não tinha noção que a Vivian estava lá em casa! Ela estava lá porque ainda tinha a chave do meu apartamento! - Falou exasperado! Fiz sinal novamente para ele falar baixo. - Desculpe. - Disse.
  - %Danny%, o problema é que %Samara% nunca vai acreditar nisso! Ela está chateada demais porque ela se deixou levar por você e deu no que deu! - Ele levou as mãos à cabeça, puxando os fios por ali, demonstrando seu desespero. - Desculpe %Danny%, mas eu não posso fazer nada. - Me senti muito mal por dizer isso, afinal essa impressão que a %Saáh% teve vai machucar tanto ele quanto ela.
  - Mais que droga! O que eu preciso fazer pra essa garota perceber o quanto eu a amo? -   Disse mais para si mesmo.
  - Dê um tempo pra ela. E tenha paciência! - Ele me encarou. - %Saáh% é o tipo de pessoa que precisa escolher por conta própria, não ser induzida a isso. Ela precisa ter certeza do que está fazendo. - Ele cruzou os braços e ficou pensativo por um momento.
  - Tudo bem. Eu vou fazer isso. - Dei um sorriso. - Só espero que o que aconteceu não tenha acabado de vez com todos os progressos que nós dois fizemos.
  - Eu também espero isso. Mas só quem vai saber são vocês dois!
  End POV.

  - %Saáh%, tudo bem? - Melissa despertou-me de meus pensamentos que, mais uma vez, estavam em %Danny%.
  - O quê? - Perguntei vendo todos os olhares me encarando.
  - Você ficou pensativa de novo. - Carlos disse dessa vez. Eu apenas neguei com a cabeça.
  - É só o trabalho que tá me preocupando. A apresentação amanhã. - Eles pareceram acreditar e voltaram para as suas conversas.
  Carlos começou a falar sobre sairmos no sábado, ir ao London Eye. A ideia, se fosse dita antes dos últimos acontecimentos, com certeza teria me animado, mas agora a única coisa que eu consigo pensar é que essa só vai ser mais uma desculpa pra não ver o %Danny%.
  Depois de %Paulinha% me contar que ele foi lá em casa na semana passada eu me senti tentada a vê-lo, afinal a explicação dele é plausível e %Paulinha% parece acreditar na versão dele também. O problema é que a imagem daquela vadia de toalha, com uma mesa toda preparada pra um jantar, não me sai da cabeça. Eu não consigo deixar de pensar que ele apenas estava brincando comigo, que foi tudo uma vingança.
  Conversei com %Tom% sobre isso assim que ele voltou dos Estados Unidos. Ele me disse o mesmo que a %AnaPaula%. Que não vale a pena eu me sentir mal por algo que não foi culpa do %Danny%, muito menos descontar nele depois de todo o progresso que nós dois fizemos.
  Eu acabei concordando, internamente, é claro. %Danny% nunca vai saber, vai ter que provar mais uma vez que é merecedor. Por mais que me doa eu acho que essa é a única maneira de resolvermos isso de uma vez. Eu vou continuar conversando com ele, mas vou voltar a fingir que entre nós dois não pode haver nada mais do que amizade.
  - %Samara%! - %Paulinha% estralou os dedos em minha frente e eu consegui reorganizar minha concentração para o rosto dela. - Nós vamos ou não? - Perguntou.
  - Vamos sim! - Falei tentando parecer animada.
  Eles voltaram a conversar me deixando de lado. Quer dizer, Carlos deixou um pequeno sorriso aparecer quando eu capitei seu olhar em mim. Ele logo desviou e encarou a Annie que falava. Eu nem havia visto ela chegar.
  - Você vai levar seu namorado %Paulinha%? - Ela perguntou marotamente. Eu quase gargalhei das bochechas coradas de %AnaPaula% ao concordar. - Será que não vamos ter muitas fãs histéricas nos seguindo com o %Dougie% %Poynter% ao nosso lado? - Perguntou fingindo estar com medo. Eu finalmente gargalhei.
  - Só se a fã histérica for você Annie! Tá louca pra conhecer o %Poynter%, admita! - Ela deu um risinho envergonhado que fez todo mundo gargalhar.
  - Temos que ligar pro James. - Clark sugeriu depois de cessar sua gargalhada.
  - Pode deixar que eu ligo pra ele. - Falei e ele concordou com a cabeça.

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  - Por que a aula vai ser no auditório? - Perguntei para Melissa que deu de ombros.
  - Deve ser por causa desse monte de gente. - Ela comentou assim que adentramos o local que estava bem cheio de alunos que eu nunca vi por aqui.
  - Como vocês sabem, o fim do ano está chegando e com ele as avaliações finais. - A professora começou a falar. Nós estávamos atrasados então apenas nos sentamos na primeira fileira vazia que achamos. Houve um murmurinho enquanto a professora fazia uma pausa. - E todos os anos a Kingsiton University faz um grande espetáculo onde seus alunos fazem suas apresentações artísticas para conseguir sua nota na avaliação final! - Falou dando um rodopio com seu longo vestido para valsa. - Elas ocorrerão na primeira semana de Dezembro, ou seja, vocês terão pouco mais de um mês para se prepararem! - Olhei para Carlos, %Paulinha% e Melissa que fizeram as mesmas expressões aterrorizadas que eu deveria ter em meu rosto.
  - Um mês é muito pouco! - %Paulinha% cochichou e nós concordamos.
  - No ano passado nós fizemos parceria com a equipe de teatro onde a apresentação dos alunos fora encaixada perfeitamente no teatro da Bela e a Fera! E foi um imenso sucesso! - Ela bateu palmas. Eu tentei imaginar como teria sido a apresentação e, com certeza, deve ter sido incrível! - Este ano nós estaremos por conta própria já que a equipe de teatro fará parceria com a equipe de música. Então, vocês poderão formar grupos e eu sortearei o estilo de dança de cada um. Haverá dois grupos que se unirão quando o estilo de música for Hip-Hop, e outros dois grupos se unirão para o estilo Street Dance. O resto será de grupos de seis pessoas. - Ela pegou uma pequena caixa verde e começou a sacudi-la. - Como vocês podem ver, a equipe da tarde e de manhã farão os grupos juntos. Eu mesma fiscalizarei para que em cada grupo haja pelo menos metade de cada turno, então nada de panelinhas hun? - Ela apontou o dedo na nossa direção. Eu quase gargalhei, mas consegui segurar o riso bem a tempo. - Então vamos lá! Formemos grupos para sortearmos os estilos de dança! - Disse agitando as mãos em nossa direção. Logo os grupos começaram a se formar. Como nós já estávamos em quatro, apenas esperamos até duas garotas que sobraram se aproximarem de nós com um pequeno “oi”.
  - Elas são da tarde. - Mel cochichou em meu ouvido e eu concordei.
  - Muito bem, muito bem! - A professora falou ao ver todos os grupos formados. - Agora eu vou passar com esta caixa verde e uma pessoa do grupo sorteará o seu ritmo! - Ela desceu as escadas do palco e começou a andar pelas cadeiras do auditório.
  O primeiro grupo retirou Samba. Nós rimos bem discretamente já que todos os componentes daquele grupo são completamente londrinos. Os únicos que haviam se dado bem nas aulas de Samba fomos eu, %AnaPaula% e Carlos. Já tava no nosso sangue, é claro.
  O segundo grupo retirou a valsa. O terceiro retirou o Hip-Hop o que foi bem comemorado pelo grupo. Já o quarto retirou Hip-Hop também.
  - Já temos aqui o primeiro grupo maior! Juntem-se, juntem-se! - A Professora disse animada enquanto os alunos se levantavam e uniam o grupo. - Agora só temos mais três grupos! - Disse indo até o quinto grupo. Esse grupo pegou o Street Dance.
  - A gente podia pegar esse! - Eu comentei, vendo a professora vir até o nosso grupo.
  - Então você pega o papel! - Carlos indicou e eu concordei.
  Sacudi minha mão na caixa e vi que só haviam dois papeis. Peguei um e fiz um pequeno suspense enquanto todo mundo me olhava curioso. Finalmente, eu puxei o papel e li em silêncio o que havia lá. Fiz uma cara de decepção que deixou todos com testas franzidas.
  - Street Dance! - Falei sorrindo vendo as expressões mudarem para alegria!
  - Ótimo! Temos mais um grande grupo! - Disse a professora. - E vocês ficaram com Tango! - O último grupo comemorou. Tango também é um ritmo incrível!
  A professora voltou até o palco e demorou um pouco para conseguir silêncio dos alunos.
  - Então, agora que os grupos estão formados, as apresentações são por conta de vocês! Cada grupo esquematizará seus próprios passos! Escolherão também a música que acharem melhor, desde que esteja dentro do ritmo sorteado! - Houve murmurinho entre os grupos, inclusive o nosso. - O resto da aula será para que vocês discutam o que querem fazer! O que precisarem perguntar é só virem a mim! Posso dar algumas dicas para ajudá-los!

  - A professora realmente tá animada, né? - %Paulinha% comentou assim que nos unimos para discutir. Nós concordamos.
  - Fiquei sabendo que no ano passado foi lindo! - Uma menina do outro grupo comentou.
  - Então vamos fazer esse ano perfeito! - Um garoto do outro turno disse com convicção!
  - Ok, então alguém tem alguma ideia? - Melissa perguntou.
  Muitos começaram a falar ao mesmo tempo. Eu tinha uma ideia na verdade, mas resolvi ficar calada. Não é nada de muito especial ou legal.
  - Que tal a gente ir falando um por um? - Carlos interrompeu a confusão.
  - Eu acho que nós temos que escutar primeiro os melhores da turma. Quem tirou as maiores notas na turma da manhã? - A garota que havia se juntado a nós antes de escolhermos o ritmo, falou.
  - Foi a %Samara%! - %AnaPaula% me apontou e eu me encolhi na cadeira.
  - No nosso turno foi a Tiffany. - O garoto loiro apontou a menina ao seu lado, que sorriu envergonhada como eu.
  - Então o que vocês acham? - Melissa perguntou para nós duas. Eu encarei a garota loira na minha frente que sorriu. Eu cochichei um “você primeiro”.
  - Eu pensei em alguns passos, mas não tenho nenhuma música em mente. Na verdade, acho que como nós temos alguns meninos no grupo, nós podemos fazer uma espécie de disputa entre eles e nós na dança. - Ela deu de ombros. Eu tenho certeza que abri minha boca em surpresa. Ela pensou praticamente o que eu pensei.
  - Eu pensei praticamente a mesma coisa, só que no meu caso eu tenho uma música em mente. - Eles me encararam com curiosidade. Eu comecei a explicar.

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  - Vai ficar muito legal não acham? - Melissa comentou animada enquanto nós íamos embora.
  - Com a ideia da %Samara% e os passos que ela e a Tiffany tem em mente, vai ser incrível! - %Paulinha% completou me deixando envergonhada de novo. Odeio ser o centro das atenções.
  - O importante é a gente marcar logo os ensaios! Não podemos perder tempo. Afinal, a %Saáh% ainda vai ter que se apresentar na equipe de música e a Mel na equipe de teatro. Enquanto eu e a %Paulinha% vamos pra um campeonato de basquete e vôlei! - Carlos relembrou. Nós paramos em frente à universidade para nos despedir.
  - Vocês pelo menos tem sorte de o campeonato não ser no mesmo dia das apresentações. - Eu dei de ombros e Mel concordou comigo.
  - Bom, amanhã a gente olha isso direito. - Falei.

  Sábado, 27 de Outubro de 2012

  - Você não vai recusar o meu pedido, né? - Mary disse com as mãos juntas, implorando. - Por favor, %Saáh%!
  - Mary, nós vamos ao London Eye agora, com o pessoal da universidade! - Tentei desconversar.
  - Não é desculpa Mary. Dá muito bem pra gente ir pra lá depois. Ela tá fugindo do %Danny%, como sempre. - %Paulinha% comentou entrando no meu quarto com sua maquiagem pra fazer. - Eu e o %Dougie% vamos pra lá também %Samara%. E eu não vou te deixar dormir aqui sozinha! - Ela completou indo passar seu rímel.
  - E eu muito menos! - %Tom% apareceu no quarto também. Eu bufei.
  - Vamos %Saáh%! Eu só vou ficar aqui dois dias! A gente tem que aproveitar! - Ela me abraçou. Eu encarei o %Tom% que estava de braços cruzados me encarando com aquele jeito “Você não tem escolha”.
  - Fazer o que né? Eu vou! - Mary deu um gritinho.
  - Ótimo! Nós vamos esperar você lá! Quer que eu já leve suas coisas? - Ela perguntou. Eu concordei com a cabeça e fui pegar minhas coisas. Um moletom pra dormir, minha escova de dentes, meus materiais de higiene pessoal. Coloquei tudo em uma bolsa e entreguei pra ela.   - Pronto! Satisfeita? - Perguntei, %Tom% gargalhou.
  - Não até você chegar lá! - Eu rolei os olhos.
  - Não se preocupe, eu não vou fugir! - Foi a vez de %Paulinha% gargalhar.
  - Você nem seria louca mesmo. - Ela deu de ombros e eu tive que sorrir.

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  - Eu tenho certeza que você vai adorar... - Eu simplesmente não consegui escutar mais nada que Carlos disse.
  Ainda estava cedo, o céu estava claro, mas logo iria escurecer.
  A visão do London Eye me fez ficar paralisada apenas olhando de baixo. Imagine a minha reação quando eu estiver lá em cima? Dá até um antecipado frio na barriga.
  A imensidão daquela roda gigante me fez perceber como o homem pode fazer coisas incríveis, mas ainda as desperdiça com guerras e violência. Poucos são aqueles que utilizam sua inteligência e criatividade para ajudar as pessoas, para ajudar a natureza.
  Um dia eu vou fazer a diferença. Eu vou salvar o mundo, nem que seja só um pedacinho dele!
  - Então, como serão os pares para as cabines? - Clark perguntou. Eu nem ao menos havia reparado que tinha andado até a fila de entrada. Muito menos, que eles já havia comprado seus bilhetes para uma volta no London Eye. - Já sei que %AnaPaula% e %Dougie% já estão em um. - O casal concordou com a cabeça e eu sorri. É bom ver os dois juntos!
  - Você quer ir comigo? - Carlos cochichou em meu ouvido e eu quase pulei de susto. Fiquei tão distraída que nem reparei que ele estava ao meu lado.
  Encarei os olhos verdes dele que esperavam atentamente por uma resposta. Desviei o olhar e reparei em Melissa um pouco mais à frente de onde estávamos. Ela nos encarava firmemente.   Está na hora de juntar esses dois. Operação cupido!
  - Ok. - Respondi com um meio sorriso. Ele sorriu em troca.

  Meu coração começou a palpitar assim que entramos nas cabines. Olhava atentamente para fora, esperando o momento em que aquela roda gigante fosse se mover e me levar lentamente para o alto. A expectativa me deixava ansiosa, ver Londres de tão alto me deixaria em completo estado de nostalgia. Eu realmente sou muito apaixonada por esse lugar para não ficar assim.
  Uma pequena vibração ocorreu na cabine. Senti meus pés perderem um pouco o equilíbrio quando ocorreu o deslocamento da roda gigante.
  Firme minhas pernas no chão e senti que tudo havia ficado mais firme na cabine, a única coisa que havia mudado era que estávamos subindo.
  Não me informaram, mas eu imagino que a volta completa deve demorar em torno de 10 minutos, talvez mais. Tempo suficiente pra conversar com Carlos e fazê-lo enxergar a Mel com outros olhos.
  - Então... - Ele começou a falar e eu finalmente percebi que ele estava me encarando desde o início. - É emocionante, não é? - Apontou para fora, onde era possível ver que subíamos cada vez mais alto. Eu concordei com a cabeça. - Sabe, eu só vim aqui uma vez. - Se aproximou de mim, ficando ao meu lado. Carlos olhava para fora, além do vidro da cabine. - E enquanto eu visualizava toda essa beleza que é Londres, eu soube que gostaria de voltar aqui com alguém especial. - Seu rosto se virou em minha direção. Os olhos me encarando profundamente. - E esse alguém é você %Samara%.
  No início eu não entendi muito bem o que ele queria dizer, mas ao vê-lo se aproximar ainda mais de mim, me encarando firmemente, percebi que a conversa não estava indo da maneira que eu planejei.
  Abri a boca para dizer algo, mas vi que estava muda. Eu não faço ideia do que falar agora, principalmente com ele tão próximo.
  Oh, droga! Por que o Bourne tinha que ter um compromisso? Se ele tivesse vindo eu não estaria aqui com o Carlos agora!
  - Carlos. - Consegui balbuciar. - O que você... - Ele não me deixou terminar. O dedo indicador foi aos meus lábios e eu parei de falar.
  - Por favor, foi muito difícil tomar coragem pra fazer isso %Saáh%. - Um sorriso nervoso apareceu em seus lábios. - Se você indagar alguma coisa agora eu vou acabar tento um colapso nervoso e vou me jogar daqui de cima! - Foi difícil não sorrir depois que ele disse isso e ele acabou sorrindo junto. - Idiota, eu sei. - Ele deu de ombros virando o rosto para o outro lado.
  - Não é idiota. É só que... - Ele voltou a me encarar. - Eu não posso deixar que você faça isso se eu não vou poder retribuir. Não quero dar esperanças pra você. - Ele ficou pensativo por um instante.
  Carlos voltou a me encarar e se aproximou ainda mais de mim. Um olhar penetrante fixou em meus olhos. Senti que o ar começou a sumir de meus pulmões e eu não tinha nenhuma coragem de puxá-lo de volta. Ele ficou alguns longos segundos me encarando nos olhos.
  Quando eu assustei, senti suas mãos segurando meu rosto com firmeza.
  - Deixa que eu me responsabilizo por isso. - Disse em resposta a minha frase anterior.
  Não tive tempo, nem oportunidade para responder.
  Carlos colou os lábios nos meus de maneira apressada, desesperada e urgente. Me senti respondendo mesmo sem querer e logo nossas línguas conversavam animadamente. Minhas mãos ficaram depositadas em seus ombros, quietas, mas firmes.
  Fui empurrada até a lateral de vidro da cabine sentindo um pequeno choque por causa da baixa temperatura. Beijamos por mais algum tempo naquela posição, até a consciência me alertar do quanto aquilo era errado com a Melissa e com o %Danny%, mesmo eu odiando admitir, ela estava certa e eu fui obrigada a me afastar.
  Carlos pareceu assustado quando fiz isso, mas não disse nada. Ficamos recuperando o fôlego por alguns segundos, eu olhando para o chão sentindo o olhar dele em mim. Eu sabia que era hora de falar, mas não sabia o que dizer.
  - Eu sei o que você está pensando. - Carlos resolveu falar por mim. Comecei a encará-lo. - Você não deveria ter feito isso, é errado, essas coisas. - Mordi meu lábio inferior tentada a concordar, mas fiquei quieta. - Mas quer saber? Nada disso importa! - Ele segurou minha mão esquerda, entrelaçando nossos dedos. Encarei nossas mãos unidas. - Eu sei que você não sente nada por mim %Saáh%, mas eu não podia desistir sem antes fazer isso. - Voltei a olhá-lo e vi um pequeno sorriso em seus lábios. Sorri mais por alivio de não ter que explicar toda a ladainha de “nós só podemos ser amigos”. - Mas eu tinha a esperança de que depois que eu te beijasse você se apaixonaria por mim. - Fiquei sem reação com seu olhar sério sobre mim.
  O silêncio se apossou de nós por muito tempo. Me senti uma covarde por não conseguir falar nada, mesmo que fosse pra negar.
  - Então... Você se apaixonou? - Perguntou com um sorriso brincalhão. Soltei o ar pesadamente me sentindo aliviada. Começamos a gargalhar. - Não custa nada tentar não é? - Disse me puxando para um abraço.
  - Você merece alguém melhor do que eu. - Sibilei meio sufocada por causa do aperto que me deu no peito. Melissa nunca me perdoaria se soubesse o que aconteceu aqui.
  Carlos se afastou um pouco para me olhar com a testa franzida.
  - Que bobagem é essa? Você é tudo o que qualquer cara sonha em ter em uma mulher! - Neguei com a cabeça e soltei um bufo.
  - Você não sabe nada Carlos. Eu sou problemática demais! - Ele deu um sorriso ao me ver irritada.
  - Você só não consegue perceber o valor que tem! - Rolei os olhos. - Já reparou na quantidade de caras loucos por você? - O encarei com extrema curiosidade. - James, o %Danny% %Jones%, eu... - Contou nos dedos. - E esses são os que eu sei! - Eu estava surpreendida por ele saber do %Jones%.
  - Isso não é a verdade. - Falei baixo. Ele gargalhou.
  - Ah, qual é %Saáh%! Vai mentir pra mim agora? - Neguei com a cabeça. - Não sou bobo, e essas coisas qualquer um pode reparar.

  Dei meia volta e encarei Londres pelo vidro da cabine. Atrás de mim eu podia sentir Carlos soltando a respiração de forma lenta. Cruzei os braços bem perto ao peito e cravei minhas unhas nos mesmos.
  Será que é tão óbvio assim pra todo mundo que o %Danny% gosta de mim?
  Porra! Por que só pra mim isso parece ser impossível?

  - O importante pra mim é que você seja feliz. - As mãos dele foram parar em meus ombros por trás. Levei minha mão direita até a sua e esbocei um sorriso.
  - Eu digo o mesmo. - Ele sorriu. Agora é a hora de falar sobre o que realmente interessa. - É por isso que eu digo que você é muito burro! - As sobrancelhas dele se arquearam e eu evitei sorrir.
  - Por que você diz isso? - Ele me soltou se afastando um pouco. Eu fiquei de frente para ele.
  - Porque só você ainda não percebeu a garota incrível apaixonada por você! - Ele ficou parado por um bom tempo, sem reação. Dei um tempo pra ver se ele adivinhava, mas não deu em nada. É muito sonso! - Carlos, a Melissa é apaixonada por você!
  - Para de brincadeira %Saáh%! - Ele disse de uma maneira engraçada. Algo que beirava a descrença e o susto. - Isso é impossível!
  - Ok. Se você vai continuar fingindo que não sabe a verdade, eu não tenho nada com isso! - Encarei o Carlos com dureza. - Mas eu só te aviso uma coisa: Eu vou juntar vocês, você querendo ou não!
  Ele ficou um bom tempo parado, pensativo.
  Enquanto Carlos ficava preso em seus pensamentos, eu acabei me perdendo nos meus ao voltar a encarar a vista de Londres. Não tão magnífica quanto estava antes. Também, foi imperceptível a decida da cabine da roda gigante e, pelo o que eu estou vendo, não demora muito e eu vou ter que me despedir desse passeio incrível.
  Sabe-se lá quando eu vou poder voltar aqui de novo com tantas coisas da escola pra fazer.

  Carlos continuou mudo por todo o final do trajeto do London Eye e eu resolvi melhor deixá-lo assim, mesmo porque agora que deu para eu perceber o que aconteceu aqui dentro. Carlos me beijou, eu quero juntá-lo com a Mel, ele sabe sobre o %Danny% e agora, sabe sobre a Melissa. Coisas demais para ele e eu podermos processar.
  Quando a roda gigante parou eu percebi que iria entrar em desespero. Melissa viria conversar comigo para saber como foi com o Carlos e eu não vou conseguir mentir pra ela. Ela vai me odiar!
  Virei-me em direção ao Carlos e percebi que ele me olhava. Seus olhos verdes faiscaram em minha direção enquanto ele se aproximava. Um pequeno sorriso apareceu e eu percebi que prendia a respiração.
  - Sabe, eu nunca vou me esquecer desse beijo. - Eu iria abrir a boca para falar, mas ele me interrompeu. - E eu sei que pra você não teve a mesma importância que para mim, mas isso é irrelevante e as suas preocupações também! - Soltei um suspiro ao ver seu indicador apontado em minha direção. - Eu gosto muito de você %Saáh%, mas desde o início você não me deu nenhuma esperança. Eu já estou conformado! - Ele deu de ombros, sorrindo.

  - Hey! Vocês já podem sair! - O rapaz que havia nos “embarcado” na cabine, interrompeu nossa conversa. Eu e Carlos concordamos com a cabeça.
  - Você disse que vai me juntar com a Melissa... - Ele disse olhando para além de mim. - Eu não sei se você vai conseguir algum resultado da minha parte %Saáh%, mas não há maneira melhor de se esquecer um amor com outro certo? - Eu sorri mais do que tudo depois daquilo.
  - Então... Tudo bem? - Perguntei ainda com receio. Carlos pulou em cima de mim me pegando em um abraço apertado. Gargalhei.
  - Claro que sim! - Ele me soltou e começou a andar comigo para fora da cabine. - Só não... Pega leve, ok? Com a Melissa. - Ele cochichou a ultima parte por causa de termos nos aproximado da turma que estava apenas nos aguardando sair da cabine.
  Fui obrigada a concordar com a cabeça e um meio sorriso cúmplice. Agora tenho que me preocupar com a noite do pijama na casa do %Tom%.

  %Danny% POV.
  - Ah, finalmente! Achei que vocês tinham desistido junto com a %Samara%! - Mary comentou de forma exagerada enquanto abraçava os três recém-chegados.
  - Na verdade, ela bem que tentou, mas eu não me deixei levar. - %Paulinha% falou já adentrando a sala. Reparei que %Samara% fez careta ao que ela disse. - Oi todo mundo! - Disse com um sorriso ao nos cumprimentar. %Dougie% veio logo atrás fazendo o mesmo.
  Enquanto %AnaPaula% e %Dougie% tagarelavam de como foi o passeio no London Eye, %Samara% foi cumprimentar o %Tom%, se demorando um pouco ao lado dele. Parecia estar contando algo interessante já que fez o %Tom% fazer umas caras surpresas em alguns momentos. Depois, levantou indo até o %Harry% e Rafaella, trocando algumas palavras. Vi que ela havia me pegado no flagra a encarando e desviei rapidamente para a televisão em minha frente. Meu coração começou a bater forte em expectativa, quando ela se sentou ao meu lado no meu colchão. Algo que realmente me surpreendeu.
  - Oi %Jones%. - Tentei parecer firme, mas não consegui resistir à vontade de virar meu rosto e encarar o dela. Ela não olhava para mim assim que eu o fiz. %Samara% parecia estar bem concentrada no que estava na televisão.
  - Oi %Dias%. - Não sei de onde veio voz para responder, mas ainda bem que eu consegui porque ganhei um olhar rápido, junto de um pequeno sorriso. Um belo começo!
  - Pois é, aí eu fui com o %Dougie% na cabine e a %Samara% foi com o Carlos! - Aquilo chamou a atenção tanto minha quanto de %Saáh%. Nós dois nos viramos para encarar a %AnaPaula%. - E eu nem ouvi uma palavrinha sequer do que aconteceu durante todos aqueles minutos, com toda aquela vista... - Ela deixou vago e eu senti %Samara% ficar rígida. Dei uma pequena olhada nela e reparei em sua testa franzida para a amiga.
  - E o que você quer saber exatamente dona %AnaPaula%? - %Saáh% disse com uma voz irônica.
  - Todos os míseros detalhes, amiga. - Ela disse simplesmente arrancando uma risada do %Dougie% e %Tom%.
  Mulheres.
  - Ok. Pelo que deu pra ver, não é só você interessada, não é mesmo? - Ela passou o olho em cada pessoa ali na sala. %Paulinha% fez questão de concordar e pedir para abaixar o volume da TV.
  %Samara% deu um pequeno bufo.
  - Vou simplificar. - Começou. - Eu admirei a vista, a gente conversou, ele me beijou, a gente conver...
  - Ele o quê? - Quase falaram todos juntos. A única pessoa que ficou calada fui eu. Acho que foi mais pelo choque.
  - Por que o escândalo? - Fez de desentendida. %AnaPaula% lhe deu um olhar acusador. - Ah, qual é %Paulinha%, vai me dizer que você não sabia? - %AnaPaula% se encolheu ao lado do %Dougie%.
  - Na verdade, ele me falou... - Hesitou. - Mas eu nunca imaginei que ele tivesse mesmo coragem pra fazer!
  - E você correspondeu? - Rafa perguntou, muito interessada.
  - No início sim. - Deu de ombros. - Mas depois eu me afastei.
  - Ele se declarou pra você? - %Paulinha% voltou a perguntar. %Samara% concordou com a cabeça. - Uau! - Disse levando as mãos aos lábios em sinal de grande surpresa.
  - Rolou mais alguma coisa? - Mary perguntou dessa vez. Meu coração acelerou ainda mais. Imaginei até que %Samara% poderia ouvi-lo do jeito que ele estava.
  - Não. Nós só conversamos mesmo. - Respirei aliviado. - E eu acho melhor a gente parar de falar de mim que tal? - Ocorreram alguns protestos, mas no fim o assunto foi mudado.
  %Samara% havia caído no sono há alguns minutos atrás. Eu sou o único sobrevivente que ainda assiste o final de 'O curioso caso de Benjamin Button'. %Saáh% até havia tentado continuar, mas pelo que eu escutei antes do filme ser iniciado, ela tinha reclamado de já ter visto umas dez vezes o filme, nas ultimas cinco ela dormiu quando deu duas horas de duração. Não tinha mais paciência.
  Desviei meu olhar da TV e reparei nela. Usava aquele moletom branco onde na frente havia os símbolos lançados por nós no Above The Noise e atrás um grande “%Danny% %Jones%” estava. Foi engraçado quando ela retornou após vesti-lo, tentando não me deixar ver suas costas. Pena que ela se esqueceu do %Harry% e %Dougie%. Eles a atormentaram por longos minutos, deixando ela totalmente vermelha de vergonha. Eles só pararam quando viram que a ameaça de que ela iria trocar o moletom era verdadeira.
  Eu apenas tentei não rir de toda a situação. O que foi bem difícil se contar o fato da minha cabeça me enganar muitas vezes me fazendo esquecer desse ponto importante: Ela era uma fã minha. Antes de toda essa merda acontecer ela via minhas fotos, sonhava comigo, dizia que me amava. E eu nem fazia noção disso.
  Agora sou eu que digo que a amo, que sonho com ela todos os dias, que vejo as fotos dela e ela não tá nem aí... Que grande ironia do destino!

  Dei um suspiro e me levantei, tentando ser o menos barulhento possível para não acordá-la. Acabou que não adiantou de nada.
  - Aonde você vai? - Perguntou bem sonolenta, com os olhos meio fechados e tentando tirar o cabelo que havia caído em seu rosto.
  - Pegar um copo de água. - Dei um pequeno sorriso. - Você quer um? - Perguntei coçando minha cabeça e bagunçando meus cabelos.
  - Sim, por favor. - Dizendo isso voltou a se deitar de barriga para baixo agarrando o Pooh de pelúcia que ela havia ganhado do %Tom% de aniversário.
  Mordi meu lábio inferior sufocando minha vontade de gritar o quanto eu a amava e o quanto ela estava linda naquele momento. Fiquei a observando por mais uns segundos para enfim me mover até a cozinha.
  Peguei dois copos de água e voltei até a sala. Assim que me sentei no colchão, os olhos dela voltaram a se abrir. Ela levantou metade do corpo e pegou o copo de minha mão sibilando um 'obrigada'.
  Acompanhei, bebendo minha água também. Quando ela acabou, peguei os dois copos e coloquei em um lugar próximo ao colchão onde ninguém esbarraria sem querer. Voltei a me levantar e fui em direção ao sofá. Me deitei lá e reparei em %Samara% me encarando assim que terminei de fazer isso.
  - Vai dormir aí? - Perguntou baixo.
  - Vou. - Respondi no mesmo tom.
  - Por quê? - Fiquei surpreso com aquela pergunta. Será que não era óbvio? Porque você não quer dormir comigo %Saáh%. Não quer ficar perto de mim.
  - Porque aí só tem espaço pra você e o Pooh. - Ela encarou o urso gigante e concordou com a cabeça.
  - Acho que é melhor o Pooh dormir no sofá do que você. - Fiquei algum tempo parado apenas discutindo comigo mesmo se eu havia escutado aquilo direito. - Se você quiser é claro... - Acho que eu me demorei demais nesses dilemas. Praticamente dei um pulo do sofá arrancando uma risadinha sonolenta da %Saáh%.
  Peguei o Pooh e o deitei no sofá. Voltei tentando não parecer ansioso, para o colchão. %Saáh% parecia ter adormecido novamente, agora abraçada ao travesseiro. Me deitei ao seu lado e me acomodei, virado de frente para ela. Seus olhos voltaram a se abrir pela metade.
  Ela não disse nada, apenas pegou o edredom e me cobriu. Dei um pequeno sorriso quando ela voltou a me encarar.
  - Boa noite, %Danny%. - Sibilou voltando a fechar seus olhos.
  - Boa noite, %Saáh%. - Falei baixo ainda a encarando. Senti uma súbita vontade de esclarecer uma coisa. - Porque você se afastou? - Ela franziu de leve a testa, mas não abriu os olhos.
  - Afastei? - Perguntou baixo.
  - É. Do beijo daquele cara. - Vi sua testa relaxar em entendimento.
  - Porque eu me lembrei de você. - Ela disse simplesmente. Senti meu coração acelerar. - Mas isso não significa muita coisa. - O sorriso que se formava em meus lábios murchou.
  - Significa sim. - Eu disse entredentes. - Significa que eu ainda tenho uma chance. - Os olhos dela se abriram, interrogativos.
  - É, você tem. Só que essa é definitivamente, a última. - Sua voz era tão doce que me pareceu incrivelmente irônico já que o que ela me disse me atingiu como um ácido corrosivo. - Depois que essa fracassar, eu vou estar finalmente aberta à novas opções. - Seus olhos fecharam de novo. - Vou estar livre da sua influência em mim. - Um suspiro pesado saiu de seus lábios e depois, o silêncio. Me senti revoltado, mas ainda mais decidido a não desistir!
  Levantei meu tronco e me aproximei de seu ouvido. Minha mão repousou em seus cabelos de leve. Falei com a maior convicção, como quando eu disse pela primeira vez que eu seria músico.
  - Eu não vou fracassar %Samara%. Nem que seja a última coisa que eu faça eu vou fazer você perceber que eu sou o homem da sua vida! - Pude jurar que vi um vestígio de um sorriso aparecer em seus lábios, mas ela não disse nada. Vi que ela realmente não diria nada, me deitei ao lado dela agora mais perto e passei meu braço direito sobre sua cintura, por cima do edredom.
  %Saáh% se aproximou e aconchegou seu rosto na curva de meu pescoço, me abraçando de lado. Sua respiração leve batendo por ali, me deixando arrepiado. Soltei um pequeno bocejo e me ajeitei ao redor dela, aconchegando-a mais em mim.
  Por mais que aquela conversa tivesse sido tão tensa, eu tenho agora certeza que ela é a primeira pessoa a querer que eu não desista, mesmo que não admitindo isso.
  Não vai demorar, eu vou conseguir ter essa mulher pra mim.
  End POV.

Capítulo. 17
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