Who Said It Could Not Be Forever?


Escrita porSamara Dias
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo. 14

Tempo estimado de leitura: 45 minutos

  - Awn, que coisa mais linda amiga! – %Aninha% exclamou toda abobada na conversa do Skype. Sorri e vi %Dougie% sorrir também.
  - Eu não to entendendo nada do que elas estão falando. – Ele cochichou pra mim e eu segurei a gargalhada. – Ela ta me elogiando né? – Perguntou em tom de brincadeira.
  - É claro, Poynter! Ta contando os detalhes do “grande pedido”! – Ele encarou a %AnaPaula% sentada no outro sofá. – Eu vou ter que agradecer ao %Tom% por ter lembrado de colocar as filmadoras lá! Você não tem noção do quanto eu fiquei louca pra ver aquilo de camarote! – Ele gargalhou baixo e concordou com a cabeça.
  - Ele e o %Harry% tão querendo pegar as melhores partes, sei lá, e fazer um vídeo pra postar pras fãs.
  - Elas vão enlouquecer %Dougie%, principalmente porque foi o pedido mais lindo do século! Tudo ideia minha, é claro! – Ele bagunçou meu cabelo com uma cara emburrada.
  - Vai jogar na cara senhora humildade? – Gargalhei alto dessa vez. %Paulinha% fez careta pra mim.
  - Será que dava pra você parar de atrapalhar nossa conversa dona %Samara%? – Disse fingindo estar brava.
  - Ai gente eu já disse como é lindo ver vocês falando em inglês? – Escutei %Kalissa% gritar, quase estourando os alto-falantes conectados ao notebook. Levantei do sofá e pulei ao lado de %Paulinha% no outro. Ela fez careta.
  - Nem reparei que tinha dito em inglês, acreditam? – Disse agora em Português. As meninas gargalharam.
  - Claro que a gente acredita, sua língua nativa esta sendo substituída pelo inglês, sua feia. – Gargalhei pela cara de espanto que ela fez pra logo depois gargalhar da fala de Lora.
  - Então, vocês podem ficar despreocupadas porque o %Tom% teve a brilhante ideia de colocar umas filmadoras na casa do Poynter, assim vocês vão ver todo o pedido na íntegra! – As duas começaram a gritar como loucas, sendo necessário eu abaixar o volume na caixinha de som. Depois da crise passada, eu voltei a aumentar o volume.
  - O %Tom% é mesmo um lindo, fofo, perfeito... Ai Deus! – %Kalissa% fingiu um desmaio e eu apenas agradeci mentalmente o fato de o %Dougie% não entender nada de Português.
  - Perfeito é o meu namorado que fez tudo aquilo pra mim, e só pra mim! – %Paulinha% deu um pequeno ataque fazendo o %Dougie% gargalhar quando ela lhe mandou um beijo no ar que ele retribuiu.
  - Hum, exibida essa nova namorada do %Dougie%, não acham? – %Aninha% debochou me arrancando risadas. – ESPERA AÍ! – Ela gritou do nada fazendo todo mundo calar a boca. – O %Dougie% ta aí com vocês? – Nós concordamos com a cabeça. – AH MEU DEUS E POR QUE VOCÊS AINDA NÃO COLOCARAM ESSE LINDO NA FRENTE DA WEBCAM? – Ela gritou me fazendo tampar os ouvidos por causa da sua voz. – Com todo respeito %AnaPaula%. – %Paulinha% revirou os olhos e %Kalissa% sorriu.
  - Bêe, vem aqui! As meninas querem ver você! – %Paulinha% chamou e eu me levantei para que %Dougie% sentasse ao lado dela e aparecesse na webcam. Fui para de trás do sofá, assim elas também me veriam.
  - Oi garotas, é um prazer finalmente conhecê-las. – Ele deu uma piscadela que arrancou o ar das duas sem nem ao menos a %Paulinha% ter traduzido nada.
  Quem precisa saber o que ele ta falando quando se dá uma piscadela daquelas? Bom, %Paulinha% traduziu, é claro e se preparou pra traduzir o que elas diriam pra ele.
  - Ai meu Deus, %Paulinha%, você tem muita sorte! – %AnaLuisa% disse depois de se recuperar. – Diz pra ele que nós achamos muito lindo o pedido de namoro!
  - E que é pra ele cuidar bem de você! – Lora completou. %Paulinha% traduziu tudo arrancando um sorriso de %Dougie%.
  - E como eu não cuidaria? Essa garota é a realização de todos os meus sonhos. – Ele falou beijando a testa dela e deixando %AnaPaula% tão abobada que se esqueceu de traduzir; Eu fiz isso por ela, arrancando sonoros “Awn” das meninas.
  - Então, conta pra gente quais são os planos do McFLY pra esse final de ano? – %Kalissa% perguntou, eu traduzi e vi %Dougie% fazer uma cara misteriosa. Até eu to curiosa em relação a isso.
  - Tem algumas coisas com o novo CD, mas nada que eu possa falar agora.

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  - Depois de tanto papo eu acho que até esqueci que tem aula amanhã.
  - Nem fala amiga, essa vida ta me matando! Estudar de manhã, trabalhar a tarde toda, ai Deus! – Falei arrancando uma risada casada de %Paulinha%.
  - Então boa noite best!
  - Boa noite namorada do Sr. %Dougie% Poynter! – Ela mandou língua pra mim, com certeza pra disfarçar suas bochechas rosadas de vergonha, antes de sair do meu quarto e fechar a porta.

When you're down and troubled
And you need a helping hand
And nothing, nothing is going right
Close your eyes and think of me
And soon I will be there
To brighten up even your darkest night

  Acordei assustada com meu celular tocando alto. Peguei o mesmo de cima do criado-mudo e vi quem era: %Tom%. Atendi logo estranhando o porquê daquela ligação tão tarde.
  - Pooh, são duas e meia da manhã. – Sibilei soltando um bocejo cansado. Me assustei ao ouvir pequenos soluços do outro lado da linha. – O que aconteceu %Tom%? – Perguntei me sentando na cama.
  - %Saáh%... Eu... Desculpa ta ligando essa hora, mas... Eu não sabia pra quem ligar... – Os soluços aumentaram me deixando apavorada. O que deixou ele assim meu Deus?
  - %Tom%, tudo bem, apenas me explique o que aconteceu ok? – Tentei parecer calma para deixá-lo assim também. A resposta demorou um pouco pra vir. – %Tom%?
  - Ela foi embora %Saáh%. – Disse baixo. Eu quase não entendi. – Ela me deixou e... Eu não sei o que fazer! – Ah Deus ele não pode estar falando da... – A Mary foi embora... Ela foi embora... – A voz dele foi sumindo transparecendo o seu desespero. Ah, droga.
  - %Tom%, fica calmo, ok? Onde você está? – Escutei ele fungar algumas vezes antes de responder.
  - Eu precisava ver alguém então eu... Eu to na frente do seu prédio. – Suspirei aliviada por ele não ter ido pra nenhum bar. – Eu só não quero ficar sozinho %Saáh%. Aquela casa sem ela é tão... Tão vazia. – Disse baixinho me causando uma dor no coração. Ele deve estar um caco. Tadinho do meu amigo!
  - Olha, você vai ter que esperar só uns quinze minutos ok? Eu vou avisar a %AnaPaula%, trocar de roupa e já desço ai! – Ele fez um som indecifrável, o que eu suspeitei ser uma confirmação. Desliguei o telefone e me levantei rápido.

  Desci de elevador quase surtando por causa da demora. Sabia que o %Tom% já estava enlouquecendo e eu ainda demorando tanto pra descer... Aff.
  Sai pelo portão e logo avistei o carro do %Tom% estacionado. Andei quase morrendo de frio por estar só com um moletom. Mal abri a porta do carro, %Tom% me agarrou em um abraço apertado. Seus soluços logo começaram a preencher o silêncio do carro.
  - Hey, %Tom%, fica calmo. - Eu sibilava enquanto fazia carinho em seus cabelos. Aos poucos a crise de choro foi passando e ele logo se recompôs, sentando e endireitando o corpo. Dei um tempo para ele.
  - Eu tô parecendo um garotinho de cinco anos, fala sério! - Ele reclamou consigo e eu apenas me limitei a negar com a cabeça. - Desculpe por te fazer ficar escutando os choros de um idiota que foi largado. - Ele disse olhando pra mim pela primeira vez.
  Me aproximei, limpando algumas lágrimas que rolaram por seu rosto, sentindo uma dor tão forte por vê-lo daquele jeito.
  - Pooh, seu bobão, só de estar com você o resto é o resto. - Ele forçou um sorriso. - Vamos logo pra sua casa ou vamos subir pra minha, porque né... - Ele finalmente gargalhou e concordou com a cabeça.
  - Só você mesmo pra me fazer rir uma hora dessas. - Disse ligando o carro e saindo em seguida.

#

  - Então, %Fletcher%, me conta logo o que aconteceu. - Ele largou seu chocolate quente de lado e deu um longo suspiro.
  - Eu estava em casa, ela tinha ido ao trabalho pra resolver uns problemas que surgiram lá. - Começou, se encolhendo no sofá, puxando mais seu edredom. - Quando ela chegou veio conversar comigo, disse que tinha recebido uma proposta muito boa do emprego, mas... - Ele travou. Respirou fundo algumas vezes. - Mas ela teria que se mudar.
  - De cidade? - Ele deu um sorriso sarcástico e negou várias vezes com a cabeça.
  - De país. De continente! - Ele se levantou completamente irado. - Ela tá indo para os Estados Unidos e ainda quer que eu fique feliz?

  Flashback On.
  - Você o quê? Tá brincando, não é? - %Tom% perguntou a noiva, que apenas negou com a cabeça. Ela já esperava uma certa crise dele.
  - %Tom%, é a chance da minha vida! Essa promoção sempre foi o meu sonho e...
  - Sim, até aí tudo bem, mas você ir para o outro lado do oceano Mary? Como você espera que eu reaja a isso? Com um “meus parabéns meu amor!” cheio de entusiasmo? - O rapaz se alterou, seu rosto já concentrava uma grande parte de seu sangue estando, dessa maneira, todo vermelho.
  - É! É exatamente assim que eu quero que você reaja! - Mary disse sentindo seus nervos ficarem mais pulsantes de indignação. %Tom% fez sua melhor cara de sarcasmo e negou com a cabeça.
  - Pois então, pode ficar esperando sentada essa reação. – Falou cruzando os braços firmemente em volta do peito. Mary ficou revoltada, revoltada ao ponto de explodir.
  - Que ótimo %Tom%! VOCÊ É UM IDIOTA EGOISTA! – %Tom% se assustou com os gritos dela que a pose sarcástica desapareceu. – Quando você resolveu formar uma banda? Eu apoiei você! Quando você começou a não ter nem um minuto do seu dia pra mim? Eu ainda estava apoiando você! Quando você começou a ser caçado por garotas apaixonadas, até mais bonitas do que eu? EU AINDA CONTINUEI DO SEU LADO! E AGORA VOCÊ NÃO PODE ME APOIAR A REALIZAR O MEU SONHO? – Ela gesticulava com as mãos de maneira alucinada, dos olhos algumas pequenas lágrimas de decepção escorriam.
  %Tom% não pareceu perceber, sua raiva ainda estava atrapalhando.
  - Eu quero apoiar você droga! – Ele disse sentindo lágrimas escaparem. – Mas você não entende? Você vai morar nos Estados Unidos Mary! Há sei lá quantos mil quilômetros daqui! Você não pensou em mim?
  - Mais que merda %Tom%! É claro que eu pensei em você! – Ela se exaltou ainda mais. – Eu sempre penso em você, mas pela primeira vez eu tô pensando em mim! – %Tom% abaixou a cabeça e deixou que as lágrimas escorressem. Ele realmente não acreditava que aquilo estava acontecendo.
  O silêncio se instalou por alguns minutos no local. O ar parecia muito pesado para se respirar com tanta raiva e indignação espalhada pela sala de estar.
  Mary foi até o quarto dos dois e de lá só saiu com suas malas prontas. %Tom% se surpreendeu ao vê-las.
  - Mary você...
  - Nós já conversamos tudo o que tínhamos pra conversar %Tom%. - Ela se aproximou da porta e parou. - A única coisa que eu preciso saber é se você vai ou não me apoiar. - %Tom% olhou para ela sem nenhuma vontade de aceitar aquilo. Ele respirou fundo algumas vezes e chegou a conclusão de que jamais conseguiria aceitar a decisão dela. Não quando isso fazia ela ir para o outro lado do oceano. - Foi o que eu pensei. - Mary disse com uma decepção que ela tentou esconder.
  Se aproximou de %Tom% que lhe olhava de forma suplicante. Beijou demoradamente a bochecha dele e o olhou profundamente nos olhos. Ela pegou a mão dele nas suas mãos e lá depositou a aliança de noivado que havia ganhado um ano antes. %Tom% encarou o anel em sua palma e sentiu seu peito doer.
  - Não Mary... - Implorou. Mary deixou algumas lágrimas caírem enquanto se afastava, em direção ás escadas.
  - Adeus %Tom%. – Sibilou antes de fechar a porta de casa. %Tom% pode ver pela janela ela indo até um taxi, entrando nele e partindo.
  Flashback Off.

  - Eu sinto muito Pooh, mas você fez uma grande besteira. – Ele apenas me encarou dando sinal para que eu continuasse. Respirei fundo. – %Tom% você deveria tê-la apoiado, ficado ao lado dela!
  - Me explica como %Saáh%, porque pra mim é impossível continuar com a Mary morando nos Estados Unidos!
  - %Tom% vocês dois estão juntos há séculos! – Ele deu uma risadinha. – A Mary sempre esteve com você em todas as situações que envolviam o McFLY e tudo o mais. Ela tem toda a razão de ficar chateada com você. – Ele cruzou os braços em volta do peito. - E outra coisa, você imaginou que com isso não deu nenhum motivo para ela tentar voltar pra cá?
  - Eu não tinha pensado nisso. – Ele disse totalmente surpreso.
  - É claro que não, você estava com raiva. Ninguém consegue pensar com clareza quando está assim. – Ele concordou com a cabeça e voltou a beber um longo gole do seu chocolate quente. – Mas agora não dá pra voltar atrás.
  - Por quê? – Perguntei soltando um pequeno bocejo. O sono estava começando a ficar forte.
  - Porque ela saiu por aquela porta e eu não faço ideia de onde ela possa estar. Eu sei que ela viaja amanhã, mas não sei qual o aeroporto nem que horas é o voo, eu não sei nada! – Ele começou a chorar novamente. Me sentei ao lado dele no sofá e o abracei de lado.
  - Para %Tom%, não fica assim. A gente descobre e...
  - Não! Eu não quero saber! – Ele disse se afastando para me olhar nos olhos. – Se ela escolheu me abandonar, ótimo! Quem vai perder é ela!
  - Não fala isso...
  - %Saáh%, eu não quero mais tocar neste assunto, ok? – Ele estava tão decidido que eu sabia que falar alguma coisa ia ser pior.
  - Ok %Fletcher%.
  - Então a gente pode colocar o colchão aqui na sala e assistir filme até tarde! – Disse limpando o rosto e tentando parecer entusiasmado.
  - Mais tarde do que já é? – Ele concordou com a cabeça esboçado um sorriso. – Então tá. Vamos ver se existe filme bom passando essa hora! – Dei de ombros e ele levantou rápido largando sua caneca de chocolate quente na minha mão indo pegar o colchão no quarto.

  %Danny% POV.
  - Hey %Tom%! Porque você não foi ao estúdio cara?
  - %Danny%, escuta. Eu preciso falar com você, coisa séria. Vem aqui em casa, já liguei para o %Harry% e %Dougie%. – A voz dele estava cansada, como se ele não tivesse dormido a noite toda.
  - Tá tudo bem dude? – escutei um suspiro pesado.
  - Vou explicar aqui. – Ele deu uma pausa. – %Danny% quando chegar não toca a campainha, me dá um toque no meu celular.
  - Por quê? – Perguntei estranhando aquilo.
  - Só faz isso dude. Tenho que desligar. – Dito isso ele desligou sem nem escutar se eu tinha mais alguma coisa pra dizer. Isso tá muito estranho.

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  - O que vocês acham? – Perguntei ao %Dougie% e %Harry% assim que cheguei em frente a casa do %Tom%.
  - O cara tá muito estranho. Ele não é de faltar no trabalho sem avisar. – %Harry% falou baixo.
  - E ele só não faltou como tá todo misterioso. Qual é o problema de tocar a campainha? – %Dougie% completou.
  - Não sei, mas vou fazer o que o cara pediu. – Falei pegando meu celular e discando o número do %Tom%. Depois de um toque ele apareceu abrindo a porta de sua casa.
  Eu e os meninos nos encaramos com feições assustadas ao ver o estado do %Tom%, mas sem dizer nada a ele. O cara tava parecendo um zumbi. Ele fez sinal para que nós estrássemos, sem dizer uma palavra sequer.
  Depois de dentro, reparei que o lugar estava todo escuro por causa das cortinas fechadas. %Harry% ameaçou começar a falar, mas o %Tom% imediatamente fez sinal pra que ele ficasse calado.
  Andamos até a cozinha e ele falou finalmente.
  - Não falem alto para não acordá-la. - Ele cochichou, sentando em uma das cadeiras da mesa. Imitamos sua ação e também sentamos.
  - Acordar a Mary? - %Dougie% perguntou aos cochichos.
  - Acordar a %Saáh%. - Ele falou e eu logo ergui minhas sobrancelhas. Que diabos a %Samara% tá fazendo dormindo aqui? %Tom% pareceu perceber meu incomodo e logo completou. - Hey, não comece a pensar besteira antes de eu explicar ok? - Eu rolei os olhos e dei de ombros. Pouco me importa o que ela tá fazendo aqui. Não quero mais saber dessa garota.
  - Desembucha logo %Fletcher%. Quê que tá rolando? - %Harry% perguntou falando baixo. %Tom% respirou fundo antes de começar.

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  - Puta que pariu! – %Dougie% exclamou alto quase levando um tapa do %Tom%. – Desculpa cara, é só que... Isso é muito louco. – Ele voltou a cochichar.
  - Mas por que você não falou com a gente ontem? Por que não ligou? – Perguntei me sentindo um completo imbecil com ciúmes do meu amigo.
  - Eu só... Só achei que a %Saáh%... Ah! Eu não sei, mas quando eu vi já estava parado na frente do prédio delas e discando o telefone dela. – Ele se expressou diretamente pra mim, como se me explicasse algo. – Foi no desespero. Ela foi a única pessoa que me veio á cabeça.
  - Muita consideração da sua parte. – Falei morrendo de ciúmes, e eu não sei se era do %Tom%.
  - %Danny%! – %Harry% me repreendeu. Eu dei de ombros. – Porra o cara tá sofrendo! – Ele apontou para o %Tom% e depois se dirigiu a ele. – Nós estamos do seu lado dude. O que precisar, você sabe... – %Tom% concordou com a cabeça.
  - Bom dia meninos. – A voz dela me fez dar um salto assustado.
  %Samara% estava parada ao batente da porta com seu cabelo levemente bagunçado, um sorriso lindo e um moletom do Ursinho Pooh. Sacudi minha cabeça tentando tirá-la dos meus pensamentos, mas meus olhos não conseguiram desviar dela de forma alguma. Quando eu vi, ela já estava dando um beijo no %Dougie%, %Harry% e indo para o lado do %Tom%. Só ali ela fingiu perceber minha presença.
  - Olá %Jones%. – Disse sem expressar nenhum sentimento, nada. Eu fingi o mesmo e apenas movimentei minha cabeça.
  - A gente acordou você? - %Tom% perguntou seguindo %Samara% com os olhos até a geladeira.
  - Um “Puta que pariu” fez esse trabalho. Imagino que o Poynter seja responsável. – Ela sorriu trazendo de lá a garrafa de leite e um bolo de chocolate.
  - Desculpa %Saáh%, é que eu fiquei um pouco impressionado com os fatos. – %Samara% concordou colocando copos em cima da mesa e voltando ao armário para pegar uma caixa de cereais de chocolate. Essa garota é louca por chocolate. E por que eu acho isso lindo? Fala sério eu sou um idiota!
  - E você já contou tudo? – Ela se dirigiu ao %Tom% que concordou. – Ótimo! Então não vamos tocar no assunto por enquanto ok? – Nós concordamos. – Alguém quer cereal?
  End POV.

  - Você não vai embora, não é? – Ele disse com um desespero visível quando ficamos sozinhos novamente.
  - %Tom%, eu preciso trabalhar daqui a pouco. Não posso faltar no emprego. – Ele soltou um suspiro pesado e eu me sentei ao lado dele no sofá o abraçando em seguida. - Deixa de ser bobo ok? Á noite eu venho pra cá e durmo com você de novo. Ou você pode dormir lá em casa! – Ele tentou sorrir, o que não foi bem sucedido.
  - Eu não quero ficar sozinho. – Falou baixo. – Porque assim eu vou começar a pensar nela, pensar em tudo o que aconteceu e... Você sabe! – Eu concordei com a cabeça e fiz ele deitar em meu colo.
  - Eu sei %Tom%. Olha, você pode ir pra casa do %Dougie%, sei lá, vai ver um filme com os meninos ou jogar no Xbox. Eu sei que você vai se distrair. E eu não vou te deixar dormir sozinho, ok? – Ele me abraçou forte parecendo um garotinho indefeso.
  - Promete?
  - Prometo Pooh. Agora vamos arrumar essa bagunça da cozinha! – Ele fez careta, mas se levantou indo ao meu lado até a cozinha.

#

  - Como foi o seu dia? – Ele suspirou, jogando-se ao meu lado no colchão que estava na sala.
  - Eu tentei, de verdade %Saáh%, mas não consegui tirar ela da minha cabeça. – Olhou distante para a televisão ligada, parecendo se perder em pensamentos. – Eu não entendo porque ela não me procurou ainda, nem ao menos me ligou para ver como eu estava, nem nada. – Me encarou com o olhar triste.
  - E você ligou pra ela? – Ele negou com a cabeça. – Então, como quer que ela te ligue?
  - Ela foi embora, não eu. – Disse em resposta. Ai, esse %Tom% não aprende.
  - Para de ser orgulhoso %Fletcher%! Você está cheio de culpa no cartório. – Ele ergueu a sobrancelha, parecendo-me confuso.
  - Culpa no cartório? – Perguntou.
  - Ah! Desculpa %Tom%! Expressão brasileira quando a pessoa está errada e tal. – Gesticulei com as mãos toda nervosa quando isso acontecia de eu colocar uma expressão que eles não conheciam, já ele, sorriu.
  - Eu gostei! Bem legal essa culpa no cartório. – Ele começou a rir e eu rolei os olhos.
  - Você ta fugindo do assunto %Tom%! – Ele bagunçou meu cabelo e eu não consegui não rir. – Para Pooh.
  - Ok, parei! Mas vamos parar de falar nela. Não quero saber mais, por mim ela que nunca mais volte pra cá, que arranje um outro cara americano pra ela. Eu só não quero mais saber dela ok? – Olhei com compaixão para o meu amigo que claramente estava tentando disfarçar a dor que estava sentindo, sem sucesso em relação a mim. – Eu sou o %Tom% %Fletcher%! Eu não preciso dela! Posso ter todas as garotas que eu quiser! Posso ir a um PUB e voltar com vinte garotas aqui pra casa ficar com cada uma delas sem sentir culpa, porque eu não tenho mais noivado com ninguém. Nenhum compromisso. Nada. – Ele começou a chorar, mas limpou rapidamente as lágrimas ao ver que eu reparei e forçou um sorriso. – Ainda bem que eu tenho você. – Disse pegando em minha mão e entrelaçando com a sua.
  Estranhamente meu coração começou a bater forte, muito forte, por causa daquele contato. Encarei nossas mãos entrelaçadas e depois voltei a encará-lo, ainda sorrindo pra mim. Retribui o sorriso e concordei com a cabeça.
  %Tom% me puxou para um abraço, me apertando em meio aos seus braços musculosos. Eu sorri ao receber um carinho nos cabelos.
  - Que filme nós vamos ver hoje? – Falei para quebrar o silêncio um pouco constrangedor que se instalou assim que nos separamos do nosso abraço. – Mas nada de ver até a madrugada! Você vai ter que me levar ao colégio amanhã.
  - Oh, droga! Vou ficar sozinho de novo! – Eu o encarei com meu melhor olhar de reprovação. – Ok, ok! Eu sei que eu vou trabalhar amanhã, só estava querendo ver a sua cara! – Disse apontando em minha direção. Fiz bico e saí do colchão, indo me deitar no sofá da sala. – Não Sáah, vem aqui! Eu tava brincando linda! – Fez cara de cachorro pidão se aproximando de mim. – Desculpa vai! Vem deitar comigo! Prometo que não brinco assim de novo. Hun? – Disse manhoso pegando em minha mão. Senti um arrepio percorrer a minha espinha instantaneamente.
  Que diabos está acontecendo comigo?
  - Tudo bem. – Falei. – Mas não se atreva a fazer isso novamente! - Me levantei do sofá e sentei ao lado dele no colchão.
  - Vai ser uma pena, você ficou linda com raiva. – Eu abri minha boca totalmente surpresa, sentindo minhas bochechas começarem a ferver. Dei um tapa nele apena para disfarçar o quanto eu fiquei corada. – Ok, parei! Vamos ver o filme! – Ele apontou a televisão e pegou o controle. Deitou no colchão e bateu em seu peito para que eu me deitasse lá, com um sorriso lindo que era difícil resistir.

  %AnaPaula% POV.
  - E como o %Tom% está? – Perguntei enquanto andávamos até a nossa sala.
  - Ele está bem. Ás vezes ele se lembra da Mary e fica triste, ou ás vezes com raiva, você sabe. – Concordei com a cabeça. – Fora isso ainda é o mesmo %Tom%, só um pouco amedrontado porque tem medo de dormir sozinho. – Eu sorri. – E como anda o %Dougie%? Vocês ontem fizeram... – Deixou a frase vaga e eu me senti vermelha de vergonha.
  - É claro que não! – Quase gritei. – Ele só dormiu lá ontem pra não me deixar sozinha, mesmo eu falando que não havia necessidade. – Expliquei toda nervosa. %Samara% gargalhou.
  - Eu sei boba, só disse aquilo pra ver sua reação. – Suspirei aliviada antes de dar um tapa no braço dela. – Ai! – Ela disse ainda rindo de mim. – Mas se vocês dois forem fazer alguma coisa hoje, você sabe, usem camisinha. Eu não quero ter sobrinhos agora! – Ela falou com tanta naturalidade que me deixou pasma.
  - %Samara%! – Ela gargalhou mais uma vez.
  - Ok, parei! Mas eu quero saber tudo o que aconteceu ontem. – Disse aos cochichos por termos encontrado o Carlos e a Melissa nos esperando ao pé da escada que leva ao corredor da nossa sala.
  - Está bem. Mas vou logo avisando, não teve nada demais. – Ela me olhou desconfiada e depois voltou suas atenções para o comprimento do Carlos.
  End POV.

  Sábado, 29 de Setembro de 2012.
  - %Dougie% me disse que está dormindo lá na sua casa com a %AnaPaula%. – %Tom% comentou enquanto comia o cookie de chocolate da Starbucks.
  - É! Eu pedi pra ele fazer isso. A %AnaPaula% é muito orgulhosa pra pedir e se acha muito corajosa pra dormir sozinha. – Mordi meu cookie. – Mas eu não ia deixar ela dormir lá sozinha! – %Tom% concordou com um sorriso, bebendo seu cappuccino.
  - O que a gente vai fazer hoje? – Perguntou tentando roubar o meu cookie, sem sucesso, é claro. Eu sou mais esperta! – Me dá! – Pediu manhoso.
  - Não! – Ele fez bico e eu repartir o cookie no meio e dei a outra metade á ele. – Hoje nós vamos arrumar essa casa!
  - Não precisa. A Gigi vem na segunda e arruma. – Falou se levantando e jogando a embalagem de Starbucks no lixo.
  - E você acha mesmo que só uma faxina na segunda é suficiente? – Ele concordou com a cabeça. – É claro que não %Tom%! A gente tem que, ao menos, varrer, passar um pano e lavar os banheiros! –Ele fez careta.
  - %Saáh%, é sério que você vai me fazer arrumar casa em pleno sábado? – Disse todo manhoso.
  - Vamos lá %Tom%, vai ser divertido! – Comecei a puxá-lo. – Onde ficam os materiais de limpeza?
  - Eu não sei. Acho que na área de serviço. – Eu parei de andar e o encarei.
  - Quer dizer que você nunca ajudou a Mary a arrumar casa?
  - Eu enxugava e guardava as vasilhas da cozinha. – Eu neguei com a cabeça e voltei a andar. – O quê? Isso é muito difícil e cansativo, ok? – Escutei ele falar atrás de mim e eu só soltei uma risada baixa.
  - Vai lá na minha bolsa e pega meu Ipod. Liga o som nas músicas Dance, eu só consigo arrumar casa movida á música! – Ele concordou e saiu enquanto eu procurava tudo o que eu iria precisar.
  Sabão em pó, desinfetante, água sanitária, vassoura, rodo, pano de chão, balde. Acho que já peguei tudo.
  Escutei Call Me Maybe tocar e já comecei sentir meu corpo reagir à melodia da música. Peguei todas as coisas que consegui com apenas dois braços e levei para a cozinha. Ás vezes eu penso que ser os quatro braços uma hora dessas não seria tão mal. %Tom% apareceu em seguida indo me ajudar.
  - Vamos começar pelos banheiros. – Falei vendo ele me seguir ao som de Hangover. Ele colocou no modo aleatório pelo que deu pra perceber já que elas estão em ordem alfabética no iPod. – Entra. – Ele fez careta, mas entrou no banheiro. – Primeiro tem que espalhar um pouco de sabão e depois molhar um pouco, aí você esfrega com a vassoura. – Expliquei pra ele entregando o sabão e a vassoura.
  - Assim? - %Tom% virou a caixa de sabão demais, caiu sabão que dava pra lavar uma máquina de roupa.
  - Eu falei pouco sabão %Tom%! – Disse gargalhando.
  - Agora já era. – Ele deu de ombros e derramou água com o balde, começando a esfregar com a vassoura de maneira desajeitada.
  - Quero ver como você vai tirar todo esse sabão. – Comentei rindo. Ele olhou nervoso pra mim. – Tá bom, faça do seu jeito! – Ele voltou a esfregar o chão do box. – Hey, se você não tomar cuidado você vai acabar escorregando aí.
  - Eu? É claro que não! Sou profissional! Olha só quanta espuma nesse... – Ele não conseguiu terminar a frase e caiu de bunda no chão.
  - %Tom%! Você tá bem? – Perguntei segurando o riso, indo com cuidado pra perto dele. – %Tom%? – Perguntei pra ele que estava com a cabeça abaixada.
  - TE PEGUEI! – Ele me agarrou quando me aproximei o suficiente e me fez cair no chão cheio de sabão. – Você tava rindo de mim não é? Agora tá aí toda suja de sabão também! – Ele pegou espuma e jogou em meu cabelo.
  - Ah, mas isso não fica assim %Fletcher%! Toma isso! – Joguei toda a água do balde nele que ficou encharcado. Ele me agarrou e começou a me arrastar pelo banheiro, encharcando meu moletom de sabão.
  - Não, %Tom%, para! Eu não aguento mais! - Em meio às gargalhadas dos dois, ele me soltou e se jogou ao meu lado.

  %Tom% POV
  - Que horas são? - %Saáh% perguntou.
  - São 13:18h. - Ela respirou fundo.
  - Hora do almoço. - Sibilou me encarando. Eu neguei com a cabeça.
  - Hora de dormir. - Ela me deu um olhar de reprovação. - Eu to exausto! Nunca trabalhei tanto na minha vida.
  - Deixa de ser bobo, você fez uma mega bagunça no banheiro e não arrumou nada, fui eu! - Coloquei língua pra ela.
  - Mas eu ajudei a varrer a casa!
  - Você tava jogando tudo pro lado errado! Em vez de limpar tava era sujando mais ainda! - Dei um beijo em sua bochecha.
  - Ok. Da próxima vez você faz tudo sozinha. - Ela fez uma carinha ofendida que eu achei muito linda, e se levantou em seguida.
  - Você vai ou não vai almoçar? - Peguntou com os braços cruzados. Eu sorri.
  - É claro que sim. Vou pedir pizza! - Ela comemorou, correu até o telefone e o trouxe para mim. Joguei um beijo no ar para ela que retribuiu.
  Me senti estranhamente bobo com isso.

#

  - Ai meu Deus, esse filme é perfeito! - Escutei da cozinha %Samara% gritar. - Vem ver %Tom%! - Sorri deixando os pratos sujos na pia da cozinha e voltando para a sala. Sentei ao lado dela no sofá.
  - O que a gente tá vendo? - Perguntei abraçando ela de lado.
  - Vem Dançar. - Franzi minha testa. - %Tom%, não acredito que você nunca viu Vem Dançar! Que absurdo. - Ela fez um escândalo e eu ri. - Você vai ter que prestar bastante atenção porque já passou muita coisa do filme!
  - Eu alugo depois pra gente ver do começo. - Falei, mas ela nem prestava mais atenção em mim. Rolei meus olhos e fui acompanhar o filme.
  - %Tom%, levanta! Essa parte é perfeita! - Ela falou saltando do sofá e me assustando. - Vem que eu vou te ensinar a fazer esses passos! - Ela estendeu as mãos em minha direção.
  - %Saáh%, eu não sou um dançarino. - Falei, ela rolou os olhos. - Tá bom, tá bom. - Me levantei ficando de frente pra ela.
  - Olha, você tem que segurar bem aqui e aqui. – Ela direcionou minha mão direita em sua mão e a esquerda em sua cintura. – Isso é Tango, então o contato visual é muito importante. – Concordei com a cabeça olhando para seus olhos. – Agora olha lá. – Ela apontou a tevê e eu vi Antônio Banderas e a outra atriz fazendo uns passos para os alunos verem. – Agora vamos repetir! – Ela voltou a me encarar e eu também fiz o mesmo.
  %Samara% começou a se mover de forma sensual como foi visto no filme, e eu apenas tentava acompanhar. Encaramos a televisão mais algumas vezes para tentar fazer os passos. %Samara% conseguia bem já eu sou um desastre! Acho que pisei no pé dela algumas vezes. Não durou mais do que dois minutos, a dança no filme acabou.
  - Você até que não foi tão mal. – Ela comentou. Nós ainda estávamos na posição de dança, um encarando o outro.
  - E você dança muito bem. – Ela sorriu envergonhada. – Agora o meu grande final! – Ela franziu a testa sem entender.
  Peguei bem firme atrás de suas costas e a virei em direção ao chão, curvando bem o meu corpo por cima do dela.
  - Será que você consegue ficar aí por muito tempo? – Brinquei.
  - E será que você vai aguentar esse peso por muito tempo? – %Saáh% também brincou. Eu a puxei para cima rapidamente, voltando a colar nossos corpos. Me pareceu que ela não esperava essa reação.
  - Dá pra parar de dizer que você é gorda? O seu corpo é lindo! – Eu parei de encará-la para olhar %Samara% da cabeça aos pés. Ela é mesmo muito linda! Como eu não percebi isso antes? – Você é linda. – Falei baixo quando voltei a encarar seus olhos.
  End POV.

  Meu coração começou a acelerar, parecia querer sair do peito. Minha respiração seguiu o mesmo ritmo, acho que não há tanto oxigênio assim no ar para eu estar precisando respirar tanto de maneira tão rápida.
  Os olhos dele não desviaram dos meus, isso apenas aconteceu quando eu mordi meu lábio inferior por puro nervosismo, mas acho que isso chamou a atenção dele para aquele ponto de uma maneira que, seus olhos passeavam de meus lábios para meus olhos que o olhavam, nervosos.
  Na TV, o filme ainda passava, mas eu já não conseguia distinguir as vozes ou o que elas estavam dizendo, mesmo tendo visto aquele filme mil vezes contadas. A única coisa que meu cérebro dava atenção era o fato de que %Tom% estava aproximando seu rosto do meu lentamente.
  Desisti de encará-lo quando meus olhos começaram a ficar vesgos por culpa da proximidade, resolvi que era melhor fechá-los e apenas esperar. Quando finalmente senti os lábios dele tocando os meus, meu corpo inteiro tomou um choque.
  Ele demorou um pouco no selinho, acho que não sabia o que fazer. Eu sabia muito menos! Me sentia paralisada, apenas esperando o próximo toque.
  Senti sua mão direita em meu rosto e seus lábios se separando dos meus. Fui obrigada a abrir os olhos depois disso só para encontrar %Tom% no mesmo lugar, apenas com seu rosto a centímetros de distância. Ele me encarou profundamente, seus olhos um pouco confusos pareciam me fazer uma pergunta, não consegui decifrar bem, mas acho que ele queria a minha permissão.
  Eu não raciocinei muito bem, pois eu respondi aquela pergunta da forma mais inesperada, eu o beijei.
  Senti um pequeno sorriso nos lábios de %Tom% quando eu fiz isso, mas que só durou um segundo, porque logo em seguida eu senti a língua dele percorrer meus lábios querendo passagem. Eu cedi de imediato. As duas se encontraram e pareciam que já se conheciam, pareciam dançar em perfeita sincronia.
  As mãos de %Tom% me agarravam com força, uma nos cabelos e a outra na cintura. Já as minhas se contentavam em apertar suas costas quentes.
  Depois de muitos minutos sentimos que respirar era necessário, então partimos o beijo. %Tom% grudou sua testa na minha ainda de olhos fechados. Ele os abriu alguns segundos depois encontrando com os meus.
  - %Saáh%... Eu... – Ele começou, mas a respiração acelerada o impediu de continuar. Eu aproveitei e neguei com a cabeça antes que ele falasse algo. Eu sabia muito bem que esse beijo com o %Tom% não deveria ter acontecido, foi um erro. E ele com certeza vai falar algo assim.
  - Eu sei %Tom%. Me desculpa, eu não deveria ter te beijado. – Saí de seu abraço e me virei de costas, totalmente envergonhada de minha atitude.
  Senti %Tom% me virar para ele. Suas mãos encontraram meu rosto e o levantou me fazendo ser obrigada a encará-lo.
  - Quer dizer que você se arrepende? – Perguntou com a voz baixa e os olhos bem grudados nos meus.
  - Não me arrependo, mas...
  - Eu também não, então por que essa história de “me desculpa”? – Tive que desviar meus olhos dos dele, me sentindo uma perfeita idiota.
  - Eu achei que você ia... – Ele colou os lábios nos meus me impedindo de continuar. Mordeu meu lábio inferior e se afastou com um sorriso.
  - Achou errado. – Disse baixo tirando uma mecha de meu cabelo e o colocando atrás da orelha, me deixando completamente boba com seu olhar meigo. Seus lábios voltaram a se aproximar, e mais uma vez eu estava indo beijar o meu melhor amigo.

  %Tom% POV.
  - Tem o churrasco na casa do %Dougie% amanhã. A gente podia contar pra todo mundo. – %Samara% tirou sua atenção do filme para me encarar. Pegou o pote de sorvete da minha mão e começou a mexer com a colher.
  - Acho melhor não %Tom%. Faz pouco tempo que você terminou com a Mary e...
  - E você também tá preocupada com o que o %Danny% vai pensar. – Ela me olhou, deixando transparecer o quanto eu havia acertado.
  - É claro que não! Eu ia dizer que nós dois nem temos certeza, só estamos ficando. Não é necessário contar pro grupo e deixar eles achando que já ta sério ou algo assim. – Ela parou de falar e colocou uma colher de sorvete de chocolate na boca. Eu sorri.
  - Quer dizer que não tem nada a ver com o %Danny%? – Ela negou de novo. – Ok %Saáh%, só não se esquece que eu ainda sou seu melhor amigo, apesar de estarmos nos pegando. – Eu gargalhei quando ela me bateu. – O quê? É verdade! Agora temos a famosa amizade colorida. – Ela negou com a cabeça e eu me aproximei, roubando um selinho com gosto de chocolate.
  - Seu chato. – Ela pôs língua pra mim. – Vamos dar um tempo tá bom? Vamos ver aonde isso vai parar, aí depois a gente conta pra todo mundo. – Eu concordei com a cabeça, e ela colocou o pote de sorvete no chão.
  - Quer dizer então que nós estamos namorando escondido? – Perguntei só pra provocar. Ela negou com a cabeça e veio pra cima de mim, aproximando nossos lábios.
  - Não. – Ela me deu um selinho. – Nós estamos nos pegando escondido. – Eu ri e a agarrei, a virando e ficando por cima dela.
  - Já que é pegação... – Beijei seu pescoço. – Vamos praticar um pouquinho. – Falei em seu ouvido.
  - %Tom%, mas e o filme? – Ela falou baixo, entregue ás caricias de meus lábios em seu pescoço.
  - O filme a gente aluga e vê depois. – Falei, e o suspiro dela foi a minha deixa para beijá-la.
  End POV.

  %AnaPaula% POV.
  - Cadê a %Saáh% e o %Tom%? – %Dougie% perguntou me entregando um copo com refrigerante.
  - Eu liguei pra ela e ela disse que só ía em casa trocar de roupa e eles viriam pra cá. – Ele deu de ombros e me abraçou de lado.
  - Sabe a %Saáh% tá ficando com ele lá, o deixou bem. A voz dele ontem quando eu liguei pra avisar do churrasco dava até pra dizer que estava feliz. – Eu concordei com a cabeça.
  - A %Saáh% tem o dom de achar milhões de coisas pra gente fazer e se distrair. Ele nem deve estar lembrando mais do ocorrido com a Mary. – Escutamos a campainha tocar e %Dougie% se levantou.
  - Deve ser o %Danny% ou o %Tom%. – Disse antes de se afastar.
  Me levantei e fui conversar com a Rafaella que estava com o %Harry% mexendo na churrasqueira. Depois de um minuto escutei as vozes do %Dougie% e do %Danny% e mais uma feminina que eu não conhecia. Quando olhei para a entrada, vi de quem era.
  A namorada vadia do %Jones%.
  Vivian é o nome dela. %Samara% sempre odiou essa mulher antes mesmo de conhecer o %Danny%, na época de fã. Enquanto eu odiava a ex do %Dougie%, a Sarah. Graças a Deus eu não tenho que suportar aquela garota, já a %Saáh%, to até vendo que ela vai ficar bem teatral do lado dessa aí.
  Os três se aproximaram da churrasqueira. %Dougie% veio para o meu lado e %Danny% foi cumprimentar %Harry% e Rafaella.
  - Bom, %Harry% e Rafa você já conhece. – %Danny% falou para a Vivian. – E essa é a %AnaPaula%, namorada do %Dougie%. – Foi impressão minha ou ela fez uma careta?
  Eu estendi minha mão e forcei um sorriso, ela pegou na minha rapidamente e depois soltou.
  - Prazer em te conhecer. – Falou com uma voz esganiçada.
  - Cadê o %Fletcher%? – %Danny% perguntou assim que passou os olhos pelo lugar. Acho que ele queria perguntar mesmo era “Cadê a %Saáh%?”.
  - Já devem estar chegando. – %Dougie% disse e na mesma hora a campainha tocou novamente. – Olha aí! Vou abrir a porta.
  End POV.

  %Tom% POV.
  - Já está todo mundo aí? – %Saáh% perguntou ao %Dougie%. Ele concordou com a cabeça. – Droga! Odeio ser a última a chegar! – Ela disse me arrancando uma risada.
  Ela passou o braço ao redor do meu e respirou fundo. Em poucos passos, adentramos a área de churrasco. Passei os olhos pelo local e vi toda a turma próxima á churrasqueira, menos o %Danny% que estava com a Vivian sentados em uma das espreguiçadeiras a beira da piscina. O olhar do %Danny% foi direto para mim e %Saáh%.
  %Samara% percebeu o olhar do %Danny% e soltou meu braço.
  - Eu vou ver os outros. – Cochichou pra mim. Eu sorri.
  - Eu vou cumprimentar o %Danny%. – Ela concordou com a cabeça e saiu, enquanto eu me dirigia aos dois.
  - E aí dude? – Estendi minha mão e o levantei para um abraço.
  - Tá tudo bem com você? – Ele me perguntou ainda abraçado a mim. Me soltei dele e concordei com a cabeça. Se ele soubesse o que tá acontecendo provavelmente me socaria agora. – Ótimo!
  - Oi Vivian! – Cumprimentei ela que nem fez questão de se levantar. Antipática como sempre. – Faz muito tempo que não nos vemos. – Ela concordou com a cabeça. – Tenho que cumprimentar o resto do grupo. Vamos também? – Perguntei aos dois. %Danny% concordou com a cabeça e puxou Vivian para que ela se levantasse. Andamos até onde os outros estavam.
  Saí cumprimentando um por um e por fim parei ao lado da %Saáh% que sorriu para mim. Ela desviou o olhar e encontrou com os de %Danny% a encarando.
  - Não vai me apresentar chuchu? – Vivian perguntou se pendurando no pescoço de %Danny%. %Saáh% desviou o olhar da cena e encontrou com os meus lhe dando apoio.
  - Ahñ? Sim, sim! Linda, essa é a %Samara%. %Samara% essa é a Vivian. – Ele apontou as duas garotas e eu percebi o quanto %Saáh% teve que se esforçar para sorrir.
  - Sou a namorada dele. – Vivian completou algo totalmente desnecessário. Deu até para ver %Danny% rolando os olhos.
  - É um prazer conhecer você. – Disse pegando na mão estendida de Vivian.
  - Ótimo! Agora que todo mundo se conhece, quem vai querer cerveja? – Perguntei pra cortar o clima chato que se espalhou pelo ar. – Pra você um refrigerante certo? – Falei para a %Saáh% que sorriu, concordando com a cabeça.
  End POV.

  - Então, %Tom%, a Mary não vem? – A vadia soltou essa pegando o %Tom% de surpresa. %Danny% a repreendeu. – O quê? É natural eu perguntar já que ela é a noiva dele não acham? – Fingiu-se de desentendida. Eu sei bem o que essa aí tá tentando, criar algum caso por aqui.
  - Não %Danny%, tudo bem. – %Tom% disse antes que %Danny% repreendesse a sua vadiazinha de novo. – A gente terminou no inicio da semana, ela foi morar em outro país. – Ela forçou uma cara desapontada e encarou bem a mim e depois a ele.
  - Que pena! A Mary é uma mulher incrível. Duvido que você encontre outra igual! – Ela voltou a me encarar quando disse a última parte me deixando completamente assustada.
  É impressão minha ou essa vadia tem um excelente poder de percepção? Desconfiar de mim e %Tom% assim de cara? Tem que ser bruxa, fala sério!
  - %Tom%, pega mais refrigerante na geladeira da cozinha? As que tinham aqui já acabaram. – %Dougie% disse pra cortar as minhas farpas que saíam do meu olhar sendo bem retribuídas pela vadia do %Jones%. %Tom% se levantou.
  - Vem me ajudar. – Não foi um pedido. Seu olhar esboçava muito mais do que um simples pedido de ajuda. Segundas intenções, a gente se vê por aqui!
  Mal entramos no pequeno corredor, %Tom% me agarrou por trás depositando beijos em meu pescoço.
  - Para %Tom%! Alguém pode nos ver! – Cochichei sentindo meu corpo arrepiar com as carícias.
  - Que nada. Ninguém vai vir aqui agora. – Também cochichou, mas de forma bem sensual.
  Continuei andando com certa dificuldade por culpa do %Tom%, mas consegui chegar à cozinha. Ele saiu me arrastando até a geladeira e, ao invés de abri-la e pegar os refrigerantes, ele me prensou contra a porta da mesma. No mesmo segundo grudou seus lábios aos meus de forma brincalhona. Eu até tentei resistir, mas não fui bem sucedida.
  Nossas línguas voltaram a travar aquela mesma dança que pareciam estar tão acostumadas em dançar enquanto nossas mãos lutavam para ver quem apertava mais, puxava mais, aranhava mais. O último eu estava ganhando, é claro.
  %Tom% segurou meu rosto em suas mãos e mordeu meu lábio inferior, beijando meu queixo em seguida e percorrendo um caminho lento até o meu pescoço. Minha respiração começava a ficar totalmente desregular sem contar os arrepios que percorriam o meu corpo.
  Procurei seus lábios novamente e ele logo atendeu meu pedido e voltou a me beijar de forma mais séria, com muito mais fervor do que a primeira vez. Seu corpo me prensava contra a geladeira fria que não conseguia amenizar o calor que meu corpo começara a sentir. Vinha do meu baixo ventre e subia por todo o meu interior.
  Eu estou mesmo excitada por culpa do meu melhor amigo? Que mundo é esse?
  Minha cabeça dava voltas em um turbilhão de pensamentos, falas da minha consciência e a sensação de que aquilo tudo estava errado. Só que no fundo eu sei que não é errado. %Tom% é solteiro e eu também sou. Nós também temos o direito de escolher a forma com a qual lidaremos com a nossa dor, a nossa fossa. E não há jeito melhor do que acabar com a frustração corporal.
  Dessa vez eu mordi o lábio inferior de %Tom%, para recuperar o oxigênio e esfriar um pouco aquela pegação desenfreada que aquilo estava se tornando.
  - %Tom%, nós temos que ir. – Falei ainda com dificuldade pela recente falta de ar. Ele concordou com a cabeça e me afastou da geladeira ainda me abraçando pela cintura.
  - Mas antes eu quero mais um beijo. – Falou baixo com um sorriso lindo que ficou até difícil negar. Sorri também e vi ele se aproximar novamente.
  Senti os lábios dele junto aos meus, dessa vez de forma lenta e carinhosa. Sua mão acariciava minha bochecha de leve enquanto eu fazia carinho em seus ombros descobertos pela camiseta.
  - O que ta acontecendo aqui? – Paramos bruscamente de nos beijar e nos viramos na direção da voz.

Capítulo. 14
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