Who Said It Could Not Be Forever?


Escrita porSamara Dias
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo. 11

Tempo estimado de leitura: 81 minutos

  9 de Setembro de 2012
  - Não Jimmy, mas que saco! – Ele me abraçou sorrindo. Eu bufei.
  - Deixa de bobagem senhorita %Samara%, você sabe, são duas semanas. Na verdade nem é isso tudo. – Saí de seu abraço, indignada.
  - Ela não consegue ficar sem você um dia James! Nossa. – Clark disse gargalhando e o resto do pessoal acompanhou.
  Estávamos no Aeroporto onde o James iria pegar seu avião e entrar em turnê no Reino Unido. Ficaria fora por quase duas semanas.
  - Não é a mesma coisa sem ele, ok Clark? – Dei língua pra ele que fez um 'owwn que romântico'.
  - Eu vou te ligar todos os dias. – Ele beijou minha bochecha.
  - E pra mim meu amor? Você vai ligar? – Paul fez palhaçada e o James mostrou o dedo do meio pra ele.
  - Vai te fuder Paul, eu não ligo pra macho! – Gargalhei com isso e Paul soltou um 'Então porque você me ligou ontem de madrugada?' me fazendo gargalhar mais, até perder o ar.
  Uma mulher de vozinha quase eletrônica, avisou pelo alto-falante que o avião do James iria decolar em 15 minutos.
  - É a minha deixa. – Ele disse colocando sua mochila em um dos ombros. – Se comportem crianças! – Disse depois de abraçar cada um. - Se cuida minha princesa. – Ele disse no meu ouvindo antes de sair do nosso abraço.
  - Você também, e faça um show incrível por mim! – Ele piscou e concordou com a cabeça.
  - Eu amo vocês! – Ele falou e nós fizemos sons melosos antes de gargalhar. – Principalmente você. – Ele não disse isso alto, na verdade apenas mexeu os lábios para que eu entendesse. Eu sibilei um 'eu também te amo' da mesma forma.

  %Danny% POV.
  - Oi gente! – %Saáh% chegou cumprimentando todos enquanto entrava na sala do %Dougie%.
  - E então? Como foi lá? – %Paulinha% perguntou pra ela. Não sei se quero escutar o que vem á seguir.
  - Uma merda! Odeio ter que lidar com o fato de não ver o James por quase duas semanas. – Ela sentou no sofá no único lugar vago, entre eu e %Harry%. Bufou e cruzou os braços mostrando raiva, eu acho.
  Já disse que odeio o Bourne? Pois é, eu odeio esse filho da mãe que consegue fazer a %Saáh% sentir mais falta dele do que... Bom, do que de mim.
  %Tom%, que estava sentado no chão jogando com %Dougie%, me encarou. Ele sabe como fico em relação à %Samara% e o Bourne.
  - Ah, mas você vai conseguir, afinal de contas nós vamos usar o presente perfeito que o %Jones% ali te deu de aniversário! – %Paulinha% disse e %Saáh% olhou pra mim com uma empolgação visível. Bem feito Bourne, ela vai te esquecer rapidinho com os preparativos para o show do Westlife!
  - Falando nisso, nós temos que olhar o hotel. – %Tom% se pronunciou tirando os olhos da TV e logo voltando a olhá-la. – Ah, Droga! – Ele bateu o controle no chão e o %Dougie% começou a zoá-lo.
  - Se fudeu, se fudeu, lá, lá, lá! – %Dougie% cantou levantando e fazendo uma dança esquisita. %Tom% levou as mãos á cabeça. – Vai prestar atenção nas conversas e esquece o jogo, seu trouxa! – Gargalhei junto com todo mundo com a cena entre %Tom% e %Dougie%.
  %Dougie% sempre perdia pro %Tom% nesse jogo, e agora ele não vai deixar o %Fletcher% em paz depois de ter vencido.
  - Ok, agora parem vocês dois! Temos que organizar tudo pro show. – Mary entrou no meio de %Tom% e %Dougie% que pareciam começar a se socarem a qualquer momento, e com isso, %Dougie% voltou para o lado da %AnaPaula%. Ela beijou sua bochecha e parabenizou pela vitória no jogo.
  - Então, nós vamos no carro de quem? – Rafaella disse se concertando no sofá.
  End POV.

  Vivian POV.
  - Hey, Vivian, querida. Como você está bonita! – Margareth me cumprimentou assim que atendeu a campainha. Ah, o que eu não faço por você %Jones%!
  - Tia Mag, digo o mesmo da senhora. – A abracei e forcei um sorriso quando nos encaramos novamente.
  - Venha, entre. – Tive que controlar minhas reações ao entrar naquela casa. Não sei como ela pode ser uma Campbell. Arg. – Ashley, vem ver quem está aqui! – Gritou perto da escada que acessava o segundo andar.
  - Que foi mamãe, eu estava no computador e... Vivian? – Ela me olhou assustada e eu sorri forçadamente.
  - Não vai dar um abraço na sua prima Ashley? – Tia Mag falou isso e eu tive vontade de estapeá-la. Odeio esse tipo de contato, ainda mais vindo dessa família.
  Pra minha tristeza, Ashley fez o que Tia Mag disse, me abraçando. Sorriu depois que me largou. – Bom, eu vou sair pra que vocês possam conversar. Você fica para o almoço Viv? – Arg! Ela me chamou pelo apelidinho infantil que eu tinha no passado. Ai paciência!
  - Na verdade tia, eu ia chamar a Ashley pra almoçar comigo. – Tia Margareth sorriu concordando com a cabeça e eu vi Ashley sorri também e me encarar, talvez surpresa por minha atitude.
  - Sério? – Apenas concordei com a cabeça fingindo animação. – Então mamãe eu vou com a Vivian e volto mais tarde!

~~

  - Então Ashley, você estuda na Kingston University, não é?
  - Sim, por quê? – Ela me olhou curiosa após tomar um pouco de seu suco de limão.
  - Porque, bem, eu vou precisar da sua ajuda em algo. – Ela arqueou uma sobrancelha e me encarou.
  - O que seria exatamente?
  - Bem, primeiro você tem que me prometer que não vai abrir a boca e contar pra ninguém o que eu vou te dizer. – Ela concordou com a cabeça e eu respirei fundo. Odeio ter que confiar nessa imbecil, mas ela é a única que pode me ajudar; Além do mais, ela é muito 'baba ovo' comigo. Sempre foi. E eu sempre consegui tirar proveito disso, é claro.
  - Quero que você descubra tudo sobre uma vadia que estuda nessa Universidade. – Ela demonstrava não estar entendendo nada; Lerda, como sempre foi.
  - E qual é o nome dela? – Cocei minha cabeça.
  - Eu ainda não sei. Por isso quero te pegar mais cedo em sua casa na segunda e te mostrar a garota.
  - Você sabe onde ela mora? – Concordei com a cabeça. – Hum, então ta. – Ela deu de ombros. – Agora Viv, por que isso, eu posso saber? – Rolei os olhos e bebi um pouco do suco. Contar o que aconteceu com %Danny% eu não queria, mas pelo que eu vejo, não vai dar pra deixa-la de fora por muito tempo. Merda de vida!
  - Essa vagabunda fez o %Danny% terminar comigo. – Ela arregalou os olhos e abriu um pouco a boca. Bebi todo o conteúdo do meu copo de uma vez e atirei o mesmo no chão. Ashley deu um salto, assustada. – Aquela vadia vai pagar caro por isso. E o %Daniel% também não perde por esperar. Ele vai voltar pra mim Ashley, se arrastando! – Senti uma lagrima cair com o ódio que eu sentia.
  - Conta direito Vivian. Como ela conseguiu isso? O %Danny% sempre foi louco com você! – Respirei fundo, me preparando pra contar o inicio do meu pesadelo.
  End POV.

  No dia seguinte...
  - %Saáh%, você não ta com uma sensação de estar sendo observada? – %AnaPaula% grudou no meu braço assim que nós saímos do prédio, andando pra ir á escola.
  Louca.
  - Obvio que não %Paulinha%. Que ideia é essa? – Ela continuou grudada em mim, olhando para todos os lados. Continuei encarando ela até ela me soltar.
  - Ah amiga, sei lá. Senti uma coisa estranha...
  - Pode parar %AnaPaula%. – Sorri. – A louca aqui com pressentimentos sou eu não você! – Ela olhou pra mim um momento e pareceu analisar. Sorriu depois de um minuto pensando.
  - Você tem razão. É bobagem minha! Afinal, quem iria nos observar uma hora dessas? – Ela consertou os cabelos ainda um pouco nervosa; Eu balancei a cabeça negativamente.
  - Só se for um fantasma. – Senti meu braço arder depois do tapa que ela me deu.
  - Credo %Samara%! Nem brinca com isso! – Gargalhei da sua cara.
  - Ok, ok. Nada de fantasmas. – Falei consertando minha mochila, ainda rindo de %Paulinha%.
  - Ah, não! – %Paulinha% parou abruptamente e ficou encarando a palma de sua mão com uma careta esquisita.
  - Que foi menina? O fantasma te deu a mão foi? – Ela me encarou com uma cara assustadora e eu gargalhei alto.
  - Hahá, engraçadinha você! – Disse irônicamente, voltando a andar. – Na verdade, senti um pingo de água cair aqui na minha mão.
  - Sério? – Olhei pro céu. – Será nossa primeira chuva em Londres?
  - Não sei. – Voltei a encará-la. – Só sei que eu não quero chegar ensopada na Universidade. – Ela prendeu seu cabelo em um rabo de cavalo.
  - Você não quer é estragar essa escova recém feita. – Gargalhei da expressão em seu rosto. Acho que só agora ela percebeu que isso pode acontecer.
  - Nem pensar %Samara%! – Me agarrou pelo braço e começou a me puxar. – Vamos andar logo. Não quero ter que fazer escova nele de novo! – Gargalhei de novo.
  Só a %Paulinha% pra me arrancar tantas risadas essa hora da manhã.

  POV em 3ª Pessoa.
  "Ta vendo Ashley? São aquelas duas vadias ali." Vivian disse assim que as duas garotas apareceram em seu campo de visão. Ashley seguiu a direção que Vivian apontava e encarou bem as duas. Seus olhos ficaram atentos, e Ashley teve a leve impressão de já ter visto elas em algum lugar.
  Vivian encarava Ashley com ansiedade; esperava que a garota fosse útil pelo menos em conseguir as informações necessárias que ela precisava. E, com certeza, o principal era saber o nome da vagabunda e de sua amiguinha vadia sem sal. Ela se sobressaltou quando Ashley lhe encarou com os olhos azuis demonstrando grande empolgação. Ela havia se recordado; conhecia sim aquelas duas.
  "O que foi? Desembucha Ashley!" Vivian já não tinha paciência com muitas coisas, e ainda odiava que fizessem suspense com ela. As palavras suspense e mistério lhe lembravam á surpresa, e ela tinha bons motivos pra não gostar de surpresas. Bons não, ela tinha horríveis motivos.
  "Eu conheço essas duas. Não tenho certeza, mas acho que estudo na mesma sala que elas." Vivian deixou escapar um sorriso satisfeito. Ashley não seria inútil afinal. "Você acha que consegue se aproximar da vadia?" Ashley Campbell se concertou na poltrona do carro e arrumou seus cabelos loiros, parecidíssimos com os modelados da prima; soltou um meio sorriso. "Bom, ela não é o tipo de garota com a qual eu andaria, mas me parece que conversar com ela vai ser fácil! Afinal, quem não quer conversar comigo naquele lugar?" Soltou uma pequena gargalhada nasalada e Vivian teve vontade de vomitar todo seu café da manhã. 'Literalmente eu não iria querer conversar com você' Pensou Vivian, fingindo concordar com o que a prima disse.
  "Ótimo! Agora, vou te deixar lá e passo na sua casa á noite pra saber todos os detalhes de hoje!" Ashley concordou com a fala da prima, animada. Estava feliz por estar novamente tendo contato com a prima. Depois que a mesma começou a namorar com o %Daniel% %Jones% do McFLY, nunca mais teve tempo para visitá-la; na verdade nem ligações ela recebeu esse tempo todo. Dois anos sem um contado sequer. "Ok Viv!"
  End POV.

  - Campbell, será que você pode explicar o motivo de estar atrasada de novo? – Charlie parou a aula quando a Ashley entrou na sala, concertando sua mini-saia. Ela deu um sorriso pervertido e se aproximou do Professor.
  - É que eu tive que dar uma passadinha no banheiro Prof. – Disse com uma voz melosa enquanto mexia nos botões da camisa do professor; o deixando completamente sem graça. Ela conseguiu arrancar vários cochichos da sala.
  - Tudo bem Ashley. Sente-se, mas da próxima vez terá advertência, ouviu? – Ela concordou com a cabeça e mandou um beijo no ar pro Charlie, que consertou sua camisa e voltou suas atenções para o quadro. – Bom como eu estava dizendo...

  - Eu acho que ela deveria se dar mais ao respeito. – Carlos cochichou, encarando a Ashley que se encaminhava até sua carteira. Ao lado de suas amigas fúteis.
  - Acha mesmo? – Ele concordou com a cabeça. – Pois eu acho que ela não tem amigas que prestam; se tivesse, ela não seria assim. – Carlos abriu um meio sorriso concordando. – Ai de mim se não fossem a %Paulinha%, %Aninha% e %Loraa%. Eu tava perdida! – Carlos parou de escrever e me encarou. – E agora, também não sei o que seria de mim sem você, o Clark, o Paul, a Melissa e a Annie.
  Carlos apoiou seu cotovelo na mesa e encostou seu queixo no mesmo. Seus olhos verdes me encaravam de um jeito terno.
  - Você sente muita falta do Brasil? – Perguntou ainda em cochichos.
  - Um pouco. E você? – O encarei, após olhar na direção de Charlie e ver que ele não estava olhando pra classe; sem correr o risco de nós sermos chamados á atenção, por estarmos conversando.
  - Acho que um pouco também. – Ele deu de ombros. – Aqui é muito legal. Sempre sonhei em estar nesse país. – Ele sorriu maroto.
  - Eu também. Mas antes eu queira ir pra Austrália. Só que a Inglaterra me conquistou depois de um tempo.
  Você só veio pra cá por causa do McFLY, lembra?
  'Shhi, consciência. Eu to conversando aqui!
  Então admita que foi por causa deles! Por causa dele!
  Ta, ta, ta! Foi sim! Agora fica quieta aí!

  - Gente agora eu tenho que conversar com vocês sobre o nosso trabalho. – Charlie disse me fazendo deixar de encarar Carlos pra ver o que ele iria dizer. – Ele vai valer 20 pontos e será em dupla. – Charlie sorriu, sentando-se em cima de sua mesa. Os alunos começaram a cochichar. – Mas, eu vou sortear os pares!
  A sala virou uma algazarra depois desta declaração. Eu nem me dei ao trabalho de me preocupar com a minha dupla. A probabilidade de sair com a %Paulinha%, Carlos, Annie, Clark ou Paul, é gigante!
  - Eu coloquei os nomes de vocês neste saquinho – ele prosseguiu – e o nome que eu sortear vai sortear seu companheiro. Entenderam? – Todos concordaram com a fala do professor e ficaram atentos ao primeiro nome que sairia. – Bom, e o nome é... Clark! Vem aqui sortear a sua dupla! – Clark, como sempre palhaço, foi até á frente e enfiou sua mão na sacola. Enquanto sacudia os papeis dentro do saco de pano que o Charlie segurava, Clark fazia 'altas caras de palhaço, arrancando muitas risadas de mim e de todos os presentes na sala.
  - Loggrey? - Ele encarou o professor com um sorriso amarelo. - Será que você poderia se apressar e retirar logo o papel? Quero estar com as duplas prontas ainda hoje. - A turma inteira gargalhou enquanto Clark concordava com a cabeça e retirava de lá seu papel.
  Ele o abriu e leu. Suas feições ficaram bem esquisitas.
  - Pode dizer em voz alta para os seus colegas! - Charlie se pronunciou, ao ver que Clark estava – basicamente – travado.
  - Jessika. - Disse sem nenhuma animação.

  A garota se levantou, também com uma cara nada boa, quando Charlie pediu pra que ela o fizesse. Ela se sentou em seguida e Clark também foi para seu lugar. Ele me parece bem desapontado! O motivo? Bom, eu realmente não sei.
  - Por que o Clark ficou daquele jeito ao saber que ia fazer o trabalho com a tal Jessika? – Perguntei ao Carlos assim que escutei o Charlie sortear mais um nome, que não era nem o meu ou o do pessoal.
  - Ele é louco com essa garota. – Cochichou sorrindo, encarando o Clark. Eu ergui minha sobrancelha, curiosa. – Os dois tiveram um lance no semestre passado, antes de você, eu, a %Paulinha% e a Mel chegarem aqui. – Abri minha boca devagar, surpresa.
  - E porque ele não continuou com ela? – %Paulinha% cochichou se intrometendo na nossa conversa. Eu e Carlos nos viramos para encarar a %AnaPaula% e Melissa, que pareciam ainda bem mais curiosas que a minha pessoa, devo acrescentar.
  Carlos encarou o professor Charlie novamente, assim que ele chamou outro nome. Voltou suas atenções pra gente em seguida.
  - Porque ele a traiu, e ela não quis mais nem ver a cara dele depois disso.
  - Ai meu Deus, que dó! – %Paulinha% soltou essa me arrancando uma pequena gargalhada.
  - Então a culpa é dele, dou todo o apoio pra tal de Jessika! – Melissa se pronunciou, lendo meus pensamentos.
  - Coitado cara, nem foi assim! Ele tava muito bêbado e a Ashley agarrou ele á força na festa de Fim de Ano. A Jessika não ia à festa porque ela ia viajar, mas acabou que ela não foi viajar naquele dia e foi pra festa. E ela viu eles dois se agarrando. – Carlos, gesticulando com as mãos enlouquecidamente, explicou o ocorrido. Minha boca não queria se fechar com a surpresa. Logo a Ashley?
  - E o que aconteceu depois disso? – %Paulinha% perguntou ainda mais curiosa que antes. Ela adora uma história cheia de conflitos e 'bafões.
  - Agora %Samara%! Pode vir aqui sortear a sua dupla! – Nós quatro olhamos bruscamente para o Charlie. Eu quase tive um infarto quando ele disse meu nome!

  Levantei da minha cadeira fazendo sinal pra que Carlos não contasse nada sem mim. Caminhei um pouco envergonhada por culpa das brincadeirinhas do Clark e Paul, vindas do fundo da sala. Me aproximei de Charlie e ele ofereceu o saco de pano pra que eu colocasse minha mão lá. Assim que o fiz, senti que ainda faltavam muitos nomes para serem sorteados, já que o saco estava cheio deles.
  Peguei o papel em minhas mãos e comecei a abri-lo. O nome escrito não foi o que eu esperava ver.

Ashley Campbell

  Vivian POV.
  - E então? Como foi lá hoje? Conseguiu se aproximar da vadia? Sabe o nome dela? – Ashley, sorrindo, fez sinal pra que eu me acalmasse. Respirei fundo algumas vezes e fiz sinal pra que ela falasse logo.
  - Respondendo a primeira pergunta, lá foi muito bem por sinal.  – Ashley fez uma pausa, parecendo se alegrar com minha angústia.
  - Ah fala logo garota! Você conhece bem a minha paciência! – Ela se assustou um pouco, me parece com meu tom de voz, mas acho que foi o necessário pra ela cair em si e ver que eu não to pra brincadeira.
  - Ok! Ok! – Ela se concertou em sua cama. – Eu consegui sim, me aproximar dela! E o nome dela é %Samara% %Dias%. – Fiquei feliz pela primeira vez naquela semana. Já sabia o principal pra acabar com aquela desgraçada intrometida! – Hey e não é tudo!
  - Não? – Voltei a encarar a Ashley com um sorriso no rosto. Essa garota ta me saindo melhor que a encomenda.
  - Não! Nós duas acabamos formando uma dupla de trabalho de literatura! Por causa disso eu vou ter que fazer trabalho na casa dela e coisas assim. Vamos ficar juntas por um mês, praticamente. – Respirei satisfeita com as informações que Ashley me trouxe. É só bolar bem o meu plano agora. – E o melhor! – Ashley começou me fazendo encara-la novamente, com minha testa franzida de curiosidade e irritação. Porque essa garota já não fala tudo de uma vez? Que saco!
  - Espero que você acabe dessa vez Ashley. To começando a perder minha paciência! – Ela concordou com a cabeça, me parecendo não se intimidar com a ameaça.
  - Ela e a amiga, vieram do Brasil. – Minha boca se abriu um pouco com a surpresa daquela declaração.
  Então aquelas duas putas vieram pro meu país pra estragarem a minha vida?
  Ótimo!
  Vai ser ainda mais fácil acabar com essa vadia sem nenhum parente aqui pra sentir a falta!
  End POV.

  20 de Setembro de 2012
  - %Saáh%, você viu meu tênis? – A desesperada, cujo o nome é %AnaPaula%, entrou no meu quarto pela milésima vez pra perguntar sobre algum dos seus objetos pessoais, os quais ela nem faz ideia de onde os colocou. Pior ainda, ela deixou pra arrumar a mala dela bem no dia que a gente vai viajar. Santo caos pra uma noite só!
  - %Paulinha%, deve estar na lavanderia, ou você se esqueceu que o lavou ontem á noite?
  - É mesmo! Burra, burra, burra! – Disse batendo a mão direita em sua cabeça e dando pequenos 'soquinhos na mesma. Soltei uma pequena gargalhada voltando minhas atenções para as minhas bijuterias; Ainda não decidi o que vou levar e usar nesses dois dias. %AnaPaula% saiu do meu quarto, acho que indo pegar seu tênis desaparecido na lavanderia.
  Escolhi os brincos, colares, pulseiras e afins, e coloquei todos bem organizados dentro da minha caixa pra viagem. Separei a roupa que eu vou usar na viagem e me preparei pra tomar meu banho. O pessoal já deve estar chegando a qualquer momento.

  - %Saáh%! Me ajuda a escolher um biquíni? – Escutei %Paulinha% gritar no meu quarto de dentro do banheiro onde eu já estava. – %Saáh%, cadê você? - Minha boca se abriu em um pequeno sorriso e eu balancei minha cabeça em sinal de negação; %Paulinha% não vive sem mim, sério.
  - Estou aqui amiga. No banheiro. Pode abrir; a porta só está encostada! – %Paulinha% abriu a porta com mais ou menos sete biquínis nas mãos, me arrancando uma pequena gargalhada, enquanto eu prendia meu cabelo na frente do espelho.
  - Credo menina! Eu não quero te ver desnuda assim não! – Gargalhei de sua reação ao perceber que eu estava de calcinha e sutiã. – Vai se cobrir, anda! Que coisa feia, eca! – Gargalhei ainda mais e joguei um pouco de água nela. – Ai! Não me molha não, ô 'debilóide! – Ela gargalhou também e sentou na pia de mármore do meu banheiro.
  - Como se você nunca tivesse me visto assim né retardada? – Ela negou com a cabeça, rindo. – E outra, se fosse o Poynter só de cueca aqui você ia ta adorando e não mandando ele se cobrir! – Apontei pra ela em acusação, recebendo em troca um tapa bem estalado no meu braço direito. – Ai! Não me bate! To falando a verdade! – Gargalhei e me sentei na pia de mármore ao lado dela. Se ela vai conseguir aguentar essa duas obesas em cima dela? Bem, eu nem faço ideia!
  - Para com isso sua chata, eu sou uma menininha inocente ok? – Fiz que sim com a cabeça debochando dela. – E vamos parar de conversar! Me ajuda logo a escolher esse biquíni; eu ainda tenho que arrumar um monte de coisas! – Ela disse com um pequeno vestígio de desanimação. Essa garota preguiçosa não tem jeito!
  - Imagino. Hum, eu gosto desse azul e o vermelho também. São lindos! – Falei observando os dois biquínis entre os sete que estava no colo dela. Ela sorriu e se levantou da pia com eles nas mãos.
  - Eu quero levar três, só de precaução. Escolhe mais um? – Sorri e concordei com a cabeça. Analisei os outros cinco biquínis e concluí que o mais bonito era o roxo com detalhe em amarelo.
  - Esse! Ta perfeito! – Ela concordou assim que eu apontei o biquíni e se dirigiu até a porta do banheiro. Me levantei da pia de mármore também.
  - Vou deixar você tomar seu banho! Não demora ouviu? – Gritou a ultima frase já fechando a porta. Sorri indo até o box do banheiro.
  - Digo o mesmo pra você! – Gritei de volta, ligando o chuveiro em seguida.

  %Tom% POV.
  - Cadê o meu bêe? – %Dougie% perguntou a %Saáh% depois que nos cumprimentamos. Me sentei no sofá sendo seguido pela Mary e %Danny%. %Harry% e Rafaella foram até a cozinha e %Dougie% estava em pé.
  - Ta lá no quarto pequeno %Dougie%. Vai lá ajudar ela! Pra variar ela deixou pra arrumar a mala dela hoje á noite! – %Dougie% soltou uma gargalhada e foi até o corredor, se dirigindo ao quarto da %Paulinha%. Já a Sáah veio em nossa direção, juntamente com %Harry% e Rafa.
  - E então Leitão, ta preparada pro show de amanhã? – Perguntei a ela que se sentou no braço do sofá, bem ao meu lado.
  - Acho que sim Pooh! Sei lá, to mesmo é nervosa! – Ela levou as mãos ao rosto e depois concertou os cabelos, de um jeito bem nervoso.
  - Nervosa por quê? – Rafa perguntou o que eu perguntaria. %Saáh% encarou Rafaella e depois encarou um canto qualquer da sala. Ficou bons segundos em silêncio.
  Suspirou e encarou, pra variar, o %Danny%.
  - Pressentimento bobo, só isso. – Encarei o %Jones% e vi que ele estava com a mesma expressão que eu. Um pouco assustado.
  - Da última vez que você teve um pressentimento, o %Jones% ali te fez muito mal! – %Paulinha% entrou na sala dizendo isso e tirando praticamente as palavras da minha boca. %Danny% encarou a %AnaPaula% com cara de poucos amigos, acho que por lembrar o ocorrido; já %Paulinha% encarou o %Danny% com um sorriso enorme no rosto. Adoro a franqueza dessa garota!
  - Isso não quer dizer que ele seja o causador desse pressentimento. – %Dougie% disse tentando amenizar a situação. %Saáh% sorriu se levantando.
  - É claro que não %Dougie%! Eu e o %Jones% estamos bem, não temos motivo pra brigar ou algo do gênero! – Disse com os braços cruzados em volta ao peito, mas sem encarar o %Danny%. Eu te conheço %Samara%! Você não tem certeza do que esta falando! E pelo que parece, a %Paulinha% pensa a mesma coisa, só de olhar para as feições desconfiadas dela!
  - Eu to escutando um celular tocando I'll Be Your Man aqui! – %Paulinha% apontou a bolsa lilás que estava no chão com um sorriso no rosto. %Saáh% andou meio desesperada e começou a fuçar cada pedaço daquela bolsa.

Been all around the world
I never met a girl
That does the things you do
And puts me in the mood
To love you and treat you right
So come here and close your eyes
Lie back, release your mind
and let the world fall down
while I'm by your side

End POV

  - Cadê a droga do celular? – Odeio quando eu guardo uma coisa no lugar e quando preciso achar, ele parece que cria pernas e some só pra me deixar irritada!
  - Quem é amiga? – %AnaPaula% falou, como quem não quer nada, assim que eu consegui achar o bendito celular. Encarei a 'tratante com um rabo de olho.
  - Como se você não soubesse! – Disse antes de me afastar um pouco da sala pra poder conversar com mais privacidade. Ainda consegui escutar uma gargalhada dela.
  - É eu sei! Essa música é exclusivamente dele! – Mandei o dedo do meio pra minha melhor amiga, e atendi em seguida.
  - James Bourne! Como assim você não me ligou na hora do almoço? – Falei bem séria, me apoiando na parede mais próxima.
  - Oi amor! Eu sabia que você ia ficar chateada comigo, mas antes de você me maltratar pelo celular, eu tenho um álibi! – Sorri de leve.
  - Então diz logo.
  - Ok! Você ta parecendo irritada. Adoro isso sabia? – Ele deu uma pequena gargalhada e eu fiz força pra não gargalhar junto.
  - Bourne...
  - Ta bom! Acontece que eu consegui a proeza de esquecer meu celular no hotel. Aí, quando eu fui almoçar, nem tive tempo de voltar lá; já fui direto pra aquela entrevista na rádio e a apresentação na TV que eu te contei. To chegando agora de lá! – Respirei fundo, me virando e dando uma pequena olhada na sala. Todos pareciam alheios a minha conversa. Claro, menos o %Jones%. – Você me perdoa meu bem? – Voltei a minha posição anterior e fechei meus olhos por um instante; meus lábios se formaram em um grande sorriso. Adoro o jeito como o James me trata.
  - Ok. Ta perdoado! Mas não faça isso de novo, entendeu?
  - Sim, sim. Vou andar com esse celular colado em mim agora. – Escutei ele gargalhar e gargalhei junto.
  - Jimmy eu tenho que ir. Nós vamos pra Manchester agora.
  - Ah, sim! Desculpa, to te atrapalhando!
  - Não! Você nunca me atrapalha!
  - Bom ouvir isso. – Ele ficou mudo por um momento e eu também. – Tem problema se eu te ligar amanhã quando eu chegar aqui em Londres? Eu sei que vai ta tarde, mas se não eu só vou poder te ligar quando você chegar de Manchester e aí é muito tempo. Eu preciso da minha 'dose de %Samara% diária'. – Gargalhei da ultima frase.
  - É lógico que você pode me ligar! Pode não, deve! – Ele soltou uma risada.
  - Então ta. Boa viagem linda.
  - Obrigada lindo.
  - Eu te amo muito. Mesmo! – Fiquei muda por um momento. Virei meu corpo e fiquei encarando a sala novamente. %Danny% ainda não tirava os olhos de mim.
  - Eu te amo muito mais. Mesmo! – Escutei a risada dele, ao mesmo tempo em que eu soltava a minha.
  - Tchau. – Sibilei um "tchau" e escutei o telefone ser desligado. Fiquei encarando o monitor por alguns segundos e a foto que nele havia. Não era mais minha e dos garotos; era uma das fotos tiradas na surpresa que fizeram no meu aniversário lá na escola. Todo mundo sujo de torta. Sorri involuntariamente ao me lembrar.

  Andei meio sem graça até a sala e vi todos os olhares me encararem por um momento. Quer dizer, o %Danny% não estava me olhando. E eu não sei por que isso me incomoda.
  Sua mentirosa, você sabe sim!
  Nem vem com aquele papo de novo consciência.
  - Vamos? – Disse, após ver que ninguém estava com cara de dizer nada.
  - Sim! Vamos gente! – Mary se levantou animada, fazendo qualquer um na sala animar também. – Garotos, levem as malas das meninas pro carro do %Danny%!
  - Pode deixar a minha ta leve, eu levo! – Eu disse me encaminhando até onde minha bolsa lilás estava. Me abaixei e segurei em suas alças, dando o impulso necessário para levanta-la do chão.
  - Deixa que eu levo. – Senti minha mão ser envolvida pela mão dele e levantei meu olhar encontrando com aqueles olhos %azuis%. Endireitei meu corpo ainda sem soltar minha mala. Parece que o contato de nossas mãos dá choque, já que meu coração esta batendo sem parar e os arrepios vindos daquele ponto em comum são grandes e intensos.
  Respirei fundo. Péssima ideia. O cheiro de seu perfume adentrou minhas narinas como uma droga entorpecente. Não sei como não caí dura no chão.
  - Não precisa, já disse que está leve. – Quase gaguejei ao dizer isso. Seus olhos %azuis% estavam escuros, frios. Como se me acusassem de algo. Fiquei meio perdida ao encará-los, mas o efeito hipnotizante era forte demais.

  Consegui de volta um pouco da minha sanidade com muito esforço e olhei ao meu redor. Na sala estávamos apenas eu e o %Daniel%; com certeza mais um plano daquele grupo de delinquentes.
  - Você me parece assustada. – Voltei a encarar aqueles olhos %azuis%, assim que aquela voz rouca e – aparentemente – dura invadiu meus ouvidos.
  - Por quê? – Senti meu coração parar de bater assim que ele aproximou os seus lábios dos meus, encarando cada centímetro do meu rosto. Senti os batimentos voltarem em disparada quando sua mão direita pousou de leve entre meus seios.
  Não consegui reagir a nenhuma de suas atitudes e também, não as compreendi.
  - Porque seu coração está disparado, e sua mão ta gelada demais. – Olhei pra nossas mãos bruscamente e retirei a minha do contato da mão firme e quente do %Danny%. Meu corpo reclamou dessa atitude fazendo minha mão tremer. Ele retirou a mão que estava no meu tórax pra concertar a minha mala e, pra tristeza do meu corpo, se afastou de mim; indo em direção a porta do apartamento.
  O acompanhei com o olhar, ainda paralisada. %Danny% parou na porta do apartamento de costas pra mim.
  - Acho melhor você fechar a casa. Nós já estamos atrasados. – Respirei fundo, agora sem nenhum vestígio do perfume do %Danny% pra tirar a minha sanidade mental e conclui que ele estava certo.

  %Danny% POV.
  - Essa demora toda pra pegar uma malinha dessas? – %Harry% caçoou e eu nem dei muita atenção. Apenas me dirigi ao porta-malas do meu carro e guardei a mala da %Samara% lá dentro. Não to com nenhuma paciência pra brincadeiras; não to com paciência pra nada, na verdade.
  Não depois de escutar a conversinha dela com o Bourne. Aquele filho da mãe, desgraçado!
  - Cala a boca %Harry%! – %Samara% disse, parecendo nervosa. Os guys soltaram um "xiii" escandaloso por causa da reação que ela teve.
  - Quem vai no meu carro? – Falei já cortando qualquer tipo de continuação das brincadeirinhas sobre eu e a %Saáh%.
  - %Saáh%, eu e Mary. – %Tom% se pronunciou. Obvio! Ele não desgruda da %Samara% nem por um segundo. Nem sei por que eu ainda tive duvidas se seria ele ou a %AnaPaula%.
  - Então vamos logo. %Samara% você vai na frente comigo. – %AnaPaula% e %Samara% se entreolharam. %Paulinha% mostrou um sorriso pervertido, já %Saáh% não me parecia muito feliz. Continuava com a cara assustada que fez lá em cima, no apartamento.
  - Você vai dirigir dude? – %Tom% perguntou me abraçando de lado. O encarei e concordei com a cabeça. – Não quer que eu dirija? Assim, você vai atrás com a %Saáh%. – Encarei o chão por alguns segundos depois de escutar aquela proposta.
  Se eu não estivesse com tanta raiva, adoraria ir a viagem inteira ao lado da %Samara%, mas do jeito que eu estou é bem mais seguro que eu dirija. Minha cabeça fica ocupada com a estrada e não com a vontade de matar o Bourne e sequestrar a %Dias%, pra que ela nunca mais se aproxime de nenhum outro cara a não ser eu.
  Voltei a encarar o %Fletcher% que aguardava minha resposta parecendo bem ansioso.
  - Prefiro dirigir dude. – Saí de seu abraço e fui na direção da %Samara% que aguardava junto a Mary ao lado do carro. Abri a porta do passageiro indicando que ela entrasse.
  %Samara% entrou no carro com certo receio e sem me encarar. Fechei a porta do carro assim que ela se acomodou e vi que Mary e %Tom% estavam entrando no carro no mesmo momento. Rodeei o carro e abri a porta do motorista, entrei e fechei a mesma; coloquei meu cinto de segurança e a chave na ignição. Tudo pronto pra partir.
  - Prontos? – Perguntei á todos, mas apenas encarando a %Saáh%. Ela me olhou rapidamente e voltou seu olhar para as suas mãos, juntas em cima de suas pernas cobertas pela calça jeans de cor azul. Concordou de leve com a cabeça. Respirei fundo e encarei %Tom% e Mary, apoiando minha mão esquerda no banco da %Samara%. Eles concordaram também com a cabeça e eu voltei a minha posição anterior.
  - Espera! E a música? – Mary se pronunciou antes que eu ligasse o carro. Eu e %Samara% olhamos pra trás no mesmo segundo.
  - Cadê o seu Ipod? – Virei meu olhar pra %Saáh% que me encarou por um longo minuto. Tenho certeza que ela estava tendo à mesma lembrança que eu.

  Flashback On.
  - Você anda com seu Ipodna bolsa por todo lugar? – %Daniel% perguntou a %Samara% com muita curiosidade. Ela achava normal andar com seu Ipod na bolsa, mas parece que em Londres isso não era um hábito muito comum.
  - Ando sim. Ah está aqui! Toma Mary conecta o cabo ai, eu coloco as musicas do McFly – Falou entregando o cabo para a Mary que logo conectou o cabo ao som.
  - Por que você anda com seu Ipod na bolsa %Saáh%? – Ele encarou a garota com os olhos %azuis% cheios de curiosidade.
  - Porque quando eu vou para um lugar qualquer, às vezes acontece de ficar chato e entediante; então eu coloco meu Ipod e me distraio! – Ela disse encarando o belo rapaz que estava ao seu lado; queria ver sua reação com o "chato e entediante".
  - Cara, isso é demais! Você ama musica mesmo não é? –%Jones% disse sorrindo enquanto a primeira musica começava a tocar. Como quem não quer nada, e talvez para aproveitar a oportunidade, ele chegou ainda mais perto dela.
  - É, eu amo musica de todos os tipos! – %Saáh% sorriu também e começou a cantar No Worries, uma de suas músicas preferidas. %Danny% a observou cantar e depois de um tempo chegou os seus lábios bem perto de seu ouvido, algo que a fez arrepiar completamente.
  - Pode ter certeza que essa noite não será chata e nem um pouco entediante pra você. – Ele a fez arrepiar mais ainda e então ela sorriu, continuando a cantar. Fingindo não ligar com o que ele havia acabado de dizer.
  Flashback Off.

  As bochechas da %Saáh% ficaram bem vermelhas e, posso jurar que vi um pequeno sorriso naquela boca linda.
  - Ta na minha bolsa. – Ela pegou em suas mãos uma pequena bolsa preta com alguns detalhes em dourado. Sua mão saiu com o Ipod de lá de dentro. Sorri voltando a me acomodar no banco.
  Ela conectou o Ipod ao carro e escolheu a pasta do Westlife, sugerido pela Mary, obvio por causa do show. A primeira música já começava a tomar conta de todo o carro, de maneira bem leve por causa de o volume estar baixo.
  - Então você imaginou que a viagem poderia ser entediante. – Ela me olhou rapidamente, parecendo não entender minha declaração no primeiro segundo, mas depois demonstrou ter recordado já que suas bochechas voltaram a ficar bem vermelhas. Sorri de sua reação. – Espero que você se surpreenda. – Aumentei o volume sem nem ao menos ver o que ela achou da ultima declaração, e liguei o carro dando uma buzinada para sinalizar ao %Harry% que nos estávamos prontos pra sair.
  End POV.

  A estrada estava deserta. Escura. Fria. Senti um aperto no peito, algo que não me deixava caminhar. Eu sabia que tinha que fugir, aquele lugar era perigoso, mas meus pés não me obedeciam. Eu procurava por algo, mais precisamente, por alguém. Mas tudo ali estava preto, não havia um vestígio de luz que me ajudasse a achá-lo, nem mesmo a lua estava ali. Nem estrelas. Nada.
  Senti um vento forte passar que causou um arrepio em minha espinha. Tremi. Algo me fez olhar na direção de onde o vento veio, e pra minha surpresa alguém estava ali. Mas eu não consegui ver quem é.
  "Olhe pra si mesma" ordenou uma voz irreconhecível que ecoou em meus ouvidos. De repente tudo ficou claro; já não era mais uma estrada e já não era mais tão frio. Era uma igreja. Eu estava vestida com um longo vestido de noiva branco e meu pai estava ao meu lado, me encaminhando ao altar. Meu noivo, com um terno também branco, aguardava minha chegada com um grande sorriso no rosto. Me senti muito feliz, estava tudo perfeito.
  "Pense de novo" a voz voltou a dizer. Vi nas feições do meu futuro marido o horror que estava atrás de mim. Virei-me, sem saber de onde veio a coragem para encarar o que me aguardava. O desconhecido.
  Completamente em trevas, a única coisa que reconheci. Ainda era uma pessoa, eu sabia disso, mas sua vestimenta cobria completamente o seu corpo, fazendo com que sua visão fosse de uma coisa macabra que eu ainda não consegui identificar com clareza.

  Com passos que mais pareciam flutuar, ele se aproximou de mim. Senti uma mão quente e segura envolver a minha. Olhei para o lado, meu noivo estava ali; seu rosto estava enfurecido. Ele conhecia o desconhecido, e sabia assim como eu que algo, ou alguém muito ruim estava embaixo de toda aquela cobertura negra. Mas o vulto negro não pareceu se intimidar com a presença dele. Pelo contrario, pude ouvir uma gargalhada, enquanto ainda se aproximava de mim e do meu amor.
  "Acha mesmo que faz diferença? Eu vou levar os dois de qualquer forma." Não entendi a parte de nos levar. Levar pra onde?
  Meu noivo ficou ainda mais enfurecido. Gritava coisas que eu não conseguia distinguir. Não havia clareza em sua voz, pelo menos pra mim. Isso me assustou ainda mais.
  O vulto negro parou, a dois passos de distância de mim e meu noivo. Ele levantou o que parecia um de seus braços, e o apontou em minha direção. A mão completamente revestida de negro apareceu e seus dedos fizeram uma forma que no primeiro segundo eu não consegui distinguir, mas depois ficou absolutamente claro. O indicador e o polegar formaram uma arma. O polegar se dobrou. Um barulho estrondoso ecoou pela igreja.
  Senti algo me atravessar o peito, perfurando, rasgando, e depois sair. De alguma forma, eu havia sido baleada. Meu corpo não mais me obedecia, e a gravidade não parecia estar a meu favor; Caí no chão também branco da igreja e senti algo molhar minha pele e meu vestido de noiva.
  Sangue.
  Meu noivo abaixou ficando ao meu lado; sua mão voltou a envolver a minha, mas agora eu já não sentia o calor delas. Sentia frio.
  Meu corpo estava morrendo.
  Meus olhos estavam embaçados, por culpa das lágrimas. Minhas últimas lágrimas. Apenas consegui ver, no rosto de meu noivo os seus lindos olhos azuis.
  Meu ar começou a faltar. Com certeza meu tempo estava acabando.

  De repente, tudo voltou a ficar escuro. Eu estava de volta a estrada, de pé e ainda vestida de noiva. Meu vestido agora em sua grande parte era vermelho-sangue. Em minha frente, estava o vulto negro.
  "Agora você sabe quem eu sou?" a voz voltou a falar me fazendo sentir novamente aquele arrepio profundo enquanto o vento gelado passava por mim. Sim, agora eu sabia.
  "Você é a morte" não consegui reconhecer minha própria voz. Ela estava destorcida, estranha. A morte deu uma gargalhada como se concordasse.
  "Tente lembrar a ultima coisa que você ouviu antes de morrer. A última coisa que viu e ouviu." Puxei pela memória, se é que isso era possível de ser feito. Alguns vultos começaram a se formar em minha cabeça. Uma voz dizia "Você achou mesmo que você teria um para sempre com ele? Eu jamais deixaria isso acontecer!". "Eu jamais deixaria acontecer" "Jamais." E eu consegui ver. Eu consegui ver quem me matou. Não era mais o vulto negro.
  "Isso mesmo" A morte disse me fazendo acordar do meu transe mental. Ela se aproximou ainda mais de mim, ficando a centímetros do meu rosto, ainda com os pés flutuando.
  "Não se esqueça. Está previsto. A sua morte tem olhos verdes" Enxerguei dentro do capuz da morte os horrendos olhos verdes que vi pela última vez antes de morrer. Eles foram ficando maiores. Maiores.
  Gigantes. 
  "%Samara%, não me deixe!" a voz de meu noivo ecoou por toda a estrada negra. Forcei minhas pernas a saírem de perto dos olhos gigantes e verdes da minha morte.

  Corri. Corri como nunca, dentro da escuridão. Seguindo a voz do meu amado; Eu sabia que ele estava ali. Ele também estava me procurando. Eu tentava gritar, mas da minha garganta não saia nada. Continuei correndo e senti o vento frio novamente me percorrer. A morte estava atrás de mim.
  "%Samara%, não me deixe!" Uma lágrima escorreu no meu rosto ao ouvir sua voz me chamando. Eu precisava encontrá-lo. Ele estava ali pra me salvar, tinha certeza disso.
  "Você não vai a lugar nenhum com ele!" Minha perna foi puxada, e eu caí de bruços na estrada negra. Meu vestido se rasgou. A morte estava ali com seus gigantes olhos verdes.
  "%Samara% venha comigo!" A voz do meu amor estava perto. Olhei para a estrada a minha frente, no meio da escuridão estava a luz. A minha luz. Brilhando como uma estrela, ou melhor, como um anjo. Um anjo mandado por Deus pra me salvar.
  A morte abriu um buraco negro no chão. Meu anjo estava com a mão estendida pra mim. Eu queria pega-la, mas a morte não largava minha perna por mais que eu a chutasse.
  "Eu quero ir com ele!" Gritei com todas as minhas forças. A morte apenas gargalhou. "Você não vai. Você nunca mais o verá!" Ela começou a me arrastar pra longe do meu anjo e pra mais perto do buraco negro. Um abismo que não tinha fim. Cravei minhas unhas no asfalto negro, lutando de todas as formas que eu podia. A morte era mais forte que eu. Eu ia cair. Estava tudo acabado.
  "Eu te amo. Pra sempre!" Foram minhas últimas palavras proferidas ao meu anjo. Seus olhos azuis despejavam lágrimas e mais lágrimas. "Me perdoe." Ele disse. "Eu não posso te salvar." Senti minhas mãos ficarem moles. Eu já sentia que minhas unhas tinham se quebrado ao ponto de estarem na carne viva. Minhas forças haviam acabado. A minha única esperança, meu anjo, não podia fazer nada por mim.
  "Adeus %Samara% %Dias%." A morte proferiu antes de me jogar no abismo. A última coisa que eu vi além da escuridão, foram os gigantescos olhos verdes. E escutei a voz que dizia "Você achou mesmo que você teria um para sempre com ele? Eu jamais deixaria isso acontecer!". "Eu jamais deixaria acontecer" "Jamais".

~~

  - %Samara%! %Samara% acorda! – Minha mão estava envolvida novamente por aquele calor. Por aquela segurança. Só pode ser loucura do abismo.
  - Não. Não. Não! – Meu corpo voltou a sentir calor, mas as lágrimas ainda estavam em meus olhos. Eles estavam fechados. Eu precisava abri-los. Assim que o fiz eu vi a escuridão da estrada a minha frente, mas a morte não estava mais ali. Nem o abismo. Nem os olhos gigantes e verdes. Foi tudo um pesadelo.
  - %Samara%? – Olhei pro lado e vi %Danny% segurando minha mão. Então é dele que está vindo o calor. Olhei ao meu redor; o carro estava parado na beira da estrada. %Tom% e Mary dormiam tranquilos no banco de trás. – Calma, foi só um pesadelo. Você ta no carro. - Voltei a encarar %Danny% com certa dificuldade por causa das lágrimas que embaçaram minha visão. Ele tinha uma expressão preocupada. Imagino que a minha cara não esteja uma das melhores.
  Soltei minha mão da sua pra limpar meus olhos. Comecei a ter flashes do pesadelo. Voltei a chorar de novo.
  - Hey. Calma, calma. – Ele soltou meu cinto e me puxou para um abraço apertado. – Eu to aqui! – Solucei com a intensidade do meu choro, molhando completamente a camisa branca que ele usava. Branca. Ai meu Deus. – Xii. Não chora. Por favor, não chora! – Suas mãos alisavam meu cabelo, uma tentativa frustada de me acalmar. – Hey! – Ele pegou meu rosto em suas mãos, me obrigando a encarar seus olhos %azuis%. Seus polegares limpavam cada lágrima teimosa que caia. – Já passou. Eu to aqui com você! – Fechei meus olhos com força tentando impedir que um choro escandaloso retornasse.
  - Eu só preciso de um abraço. – Disse em meio a soluços, de uma forma quase inaudível. Ele no mesmo segundo me abraçou, dando liberdade para que eu o apertasse com todas as minhas forças. Eu queria contar. Queria dizer o quanto tive medo de ser verdade aquele pesadelo. De eu ter sido tirada dele daquela maneira. De que existia uma pessoa cruel que faria isso. Mas como contar algo assim? Eu não era dele e ele, muito menos era meu. É uma bobagem no final das contas. Só mais um pesadelo aterrorizante.
  Meus soluços diminuíram, e minha respiração voltou a ficar normalizada. Eu queria continuar ali, abraçada a ele, mas nós ainda tínhamos um caminho bem longo até Manchester.
  - Eu estou melhor, obrigado. – Disse saindo de seu abraço e me endireitando em meu banco. – Desculpe por encharcar sua camisa. – Tentei forçar um sorriso que, com certeza, não foi muito bem sucedido.
  - Não se preocupe com isso. – Disse encarando o local molhado esboçando um sorriso lindo. – Tem certeza que está bem?
  - Sim, obrigado. – Voltei a encarar a estrada e me lembrei de um fato importante. – Onde ta o carro do %Harry%? – Olhei pelo retrovisor e não vi sinal de nenhum carro atrás do nosso. Pelo menos não naquele momento.
  - Ah. Isso? – Concordei com a cabeça. – Não se preocupe, tem uma lanchonete um pouco mais a frente, eu combinei com ele pra gente parar lá pra comer alguma coisa. – Dei de ombros passando meu dedo indicador em meu olho direito. Tava coçando um pouco.

  %Danny% colocou seu cinto e deu partida no carro. Acomodei-me no banco pra que eu ficasse olhando a estrada. Eu estava com medo de dormir e ter aquele pesadelo novamente.
  - Você desligou a música. – Disse assim que percebi isso. %Danny% me olhou de relance, voltando suas atenções para o asfalto.
  - Eu só abaixei pra escutar o que você tava dizendo. – Ele deu de ombros, despreocupado. Como assim escutar o que eu tava dizendo?
  - O quê? – Encarei seu rosto que se abriu em um meio sorriso ao me encarar, mas depois suas feições voltaram a ficar sérias encarando a estrada.
  - É. Você disse coisas como 'um abismo', 'não', 'olhos verdes' e sobre um 'anjo'. No começo eu achei que você estava falando comigo, mas as coisas ficaram sem nexo demais. – Senti minhas bochechas queimarem de vergonha. Será mesmo que ele só escutou aquilo? – Mas quando você começou a falar muitos 'nãos' seguidos, foi que eu percebi que algo estava errado. – Suas feições estavam pensativas. Sua testa franzida e a leve bagunçada no cabelo com a mão esquerda me fizeram perceber isso. – E você se contorceu muito. Chutando alguma coisa com as pernas. Foi aí que eu resolvi parar o carro e acordar você. – Ele voltou a me encarar de relance. Eu o olhava um pouco assustada com o fato de ter representado os chutes que eu dei na "morte". – Você parecia estar sofrendo muito. – Respirei fundo tirando meus olhos de seu rosto acusador. Ele iria perguntar, tenho certeza. – Vai dizer o que aconteceu no sonho?
  - Não. Na verdade, nem me lembro direito dele. – Não o encarei. Se o tivesse feito, com certeza ele teria enxergado a mentira estampado nos meus olhos. Preferi olhar a lua minguante pela a minha janela. Ela parecia muito linda. Incrivelmente gelada e sem vida. Talvez eu me parecesse com a lua quando morresse. Linda. Gelada e sem vida. Completamente sem vida.
  %Danny% não respondeu me fazendo agradecer mentalmente por ele não ter insistido no assunto. Mas minha cabeça sem conversar com ele ficava a mil, lembrando do pesadelo; e pra quebrar um pouco do silêncio e distrair meus pensamentos da morte, aumentei o volume do som. O som do Westlife voltou a preencher o ambiente do carro.

  %Danny% POV.
  - Chegamos. – Disse assim que o hotel apareceu em meu campo de visão. %Samara% encarou o mesmo pelo vidro do carro e ficou ainda mais maravilhada do que a reação que teve quando chegamos em Manchester.
  - É enorme! – Me pareceu um pouco mais animado o seu tom de voz a partir do momento em que entramos na cidade. Assim ela me deixa mais tranquilo.
  - É mesmo. Você tem que ver por dentro. É incrível! – Falei já entrando com o carro no estacionamento. Vi o carro do %Judd% entrar bem atrás de mim. Estacionamos nas vagas respectivas de nossos quartos.
  - Nossa! Odeio o final de uma viagem quando eu dirijo. – Retirei meu cinto, esticando meus braços em seguida. Um alongamento pra melhorar a dor.
  - Por quê? – %Saáh% perguntou desligado o som e desconectando seu Ipod.
  - Eu fico todo quebrado! – Ela sorriu da minha expressão facial, eu imagino. – To precisando dormir.
  - Pra mim isso é um problema. – Ela cochichou, acho que mais pra si mesma que qualquer outra coisa. Medo de ter um pesadelo novamente, assim imagino.
  - Você vai conseguir dormir bem, e também, vai ter a %Paulinha% pra te ajudar lá. – Ela abriu um sorriso meio descrente e saiu do carro. Eu a imitei, saindo em seguida.
  - Gente eu nem acredito nesse hotel! É um sonho! – %Paulinha% estava enfeitiçada quando saiu do carro do %Harry%. Soltei um sorriso ao ver sua expressão. – Credo menina, que cara de defunto é essa? – Ela disse assim que pousou seus olhos na %Saáh%. Encarei a reação dela.
  - Só não fiz uma boa viagem. Você sabe que se eu não dormir, passo mal a viagem toda! – Franzi minha testa sem entender. Porque não falar do pesadelo?

  Esperei que todos fossem ao elevador que nos levaria até a recepção, para ficar pra trás com a %Saáh%. Andamos bem lentamente, um ao lado do outro.
  - Porque você não contou a ela sobre o pesadelo? – Perguntei cochichando. Ela me encarou com os braços cruzados junto ao peito, mordendo o lábio inferior.
  - Você conhece a %Paulinha%. Ela ia me encher o saco pra contar o pesadelo, só que eu não to lembrando dele. Só sei que ele é bem ruim. – Concordei com a fala dela mexendo de leve com a cabeça. A %AnaPaula% é meio desesperada mesmo; iria enlouquecer a cabeça da %Saáh% pra ela contar todos os detalhes do sonho.
  - Hey vocês dois! Dá pra acelerar o passo? Eu to com fome aqui! – %Dougie% gritou, segurando o elevador pra que eu e a %Saáh% entrássemos. Ela soltou um sorriso envergonhado e começou a andar mais rápido. Coloquei minhas mãos nos bolsos da minha calça jeans preta e apertei o passo pra acompanhá-la.

~~

  - Os cartões que abrem os nossos apartamentos! – %Tom%, após conversar com a recepcionista, apareceu com quatro cartões nas mãos. Nós levantamos do sofá super confortável da recepção que quase me fez dormir lá mesmo. – Esse é das meninas, dos gays e o do %Harry% e Rafaella. – Disse entregando um dos cartões para a %Paulinha%, o outro pra mim e o ultimo pro %Harry%. – E esse aqui é meu e da Mary. –Falou abraçando a namorada de lado, que soltou um sorriso.
  - Então vamos ne galera? – %Harry% se pronunciou apontando o elevador no outro lado do salão. Um rapaz educado com um carrinho próprio pegou toda a nossa bagagem e mostrou o caminho. Eu e %Samara% seguimos calados. Ela perdida em seus pensamentos e eu, perdido nos meus.
  End POV.

  - O quarto das moças. – %Tom% apontou o número 32 para mim e a %AnaPaula%.  %Paulinha% parou em frente a porta e passou o cartão que abria o quarto. No dispositivo embutido na porta, a luz vermelha ficou verde no mesmo segundo indicando que a porta podia ser aberta. %Paulinha% fez uma cara retardada quando conseguiu abrir a porta. Reação básica de uma "da roça" como nós duas. Sorri.
  - Eu vou entrar e tomar um bom banho! – Ela disse dando um beijo de despedida no pequeno %Dougie%. – A gente vai descer pra comer alguma coisa? – Perguntou ao Poynter. O mesmo encarou o restante da galera.
  - Eu achava legal a gente sair pra comer alguma coisa. – %Harry% se pronunciou. O restante parecia concordar com a proposta.
  - Desculpa gente, mas eu to meio cansada. E não to com fome. – Falei deixando a turma bem desapontada. – Mas vocês podem ir! Eu só vou tomar um banho e dormir mesmo. – Dei de ombros tentando ser o mais convencível possível.
  - Concordo com a %Dias%. Eu to bem quebrado pra sair agora. Vocês podem ir. Amanhã a gente sai todo mundo junto! – Pra minha surpresa, %Daniel% disse isso deixando %Tom% e %Paulinha% com uma cara desconfiada. Os dois se encararam por um breve momento, e pelo que eu percebi, acharam que seria melhor concordar com o fato de nem eu, nem o %Jones% querermos sair.
  - Então ta. Se vocês dizem... – %Paulinha% começou dando de ombros com um sorrisinho desconfiado no rosto.
  - É. Então vamos nos arrumar rapidinho galera, pois eu to com fome! – %Dougie% novamente disse a palavra fome em sua frase, me fazendo soltar um pequena risada.

~~

  - Bêe! Vamos! – Duas batidas na porta fizeram a %AnaPaula% pular da cama e se dirigir a mesma.
  - Se comporte ok? – Disse antes de fechar a porta do quarto. Sorri. Ela acha mesmo que eu e o %Danny% combinamos isso, só pra ficarmos sozinhos ou algo do tipo. Se ela soubesse do pesadelo que eu tive, não se esforçaria pra que eu e ele ficássemos juntos. Do jeito que ela é supersticiosa.

  Três batidas na porta me chamaram a atenção e me fizeram parar de assistir Sobrenatural. Me levantei com uma ponta de raiva por sair de baixo da coberta quentinha.
  Provavelmente é a %Paulinha%, que deve ter esquecido alguma coisa. O cartão pra abrir a porta quando ela chegar, assim imagino. Apertei o botão que abria a porta por dentro e virei a maçaneta.
  - Oi. – %Danny% estava parado na porta do meu quarto com um sorriso encantador. Nas mãos, uma caixa de bombons em forma de coração. Meu coração começou a ter um ataque cardíaco.
  - Oi. – Disse com enorme dificuldade após reparar cada centímetro do seu corpo. Estava vestido com uma calça de moletom cinza e, pra variar, estava sem camisa. Na verdade a mesma estava pendurada em seu ombro muito bem desenhado.
  - Não vai me chamar pra entrar? – Perguntou coçando sua cabeça um pouco sem graça. Respirei fundo pra não desmaiar ali mesmo.
  - Desculpe. Entra! – Me afastei da entrada da porta e fiz sinal pra que ele entrasse. Parecendo estar bem á vontade, ele foi direto pra minha cama, sentando-se. Fechei a porta rezando mentalmente pra que minhas forças não se acabassem e eu não avançasse naquele homem. Eu não podia me deixar levar por ele! As consequências poderiam ser bem graves se isso ocorresse. A minha morte, pra ser mais exata.
  - É pra você; Eu sei que você adora chocolate. – Estendeu a caixa em minha direção. Sorri em agradecimento e a peguei. – Antes que você pergunte o que eu vim fazer aqui, eu respondo. – Fiquei atenta após essa fala dele e o encarei. - Eu vim te ajudar dormir. – Ele abriu um enorme sorriso ao ver minha expressão confusa. – Ou você achou mesmo que eu ia te deixar sozinha depois daquele pesadelo? – Senti uma terrível vontade de chorar, mas engoli o maldito choro.
  Me encaminhei até a cama e sentei ao lado dele.
  - Na verdade, eu nem imaginava que você havia ficado tão preocupado. – Fui muito sincera com ele. Eu realmente achei que aquela reação no carro foi só momentânea.
  - Então você não tem a mínima noção do quanto eu me preocupo com você. Todos os momentos. – Encarei seus olhos e vi toda a sinceridade impressa naqueles perfeitos globos %azuis%.
  Seus olhos continuaram a me encarar e meu corpo não tinha a mínima intenção de desconectar aquele contato visual. Como ímãs, nossos rostos começaram a se aproximar; Meu coração não conseguia mais se controlar e batia forte com a expectativa. A uma determinada distância – centímetros - a mão direita do %Danny% pousou em meu rosto de uma maneira suave. O contato fez todo o meu rosto formigar. Seu polegar fez um carinho de leve em minha bochecha me deixando com uma sensação tão boa que nem meus olhos aguentaram continuar abertos; se fecharam, mostrando que a minha consciência havia entregado os pontos e finalmente perdido pro meu coração.
  Escutei a música do Springsten ecoar no quarto. Abri meus olhos ao sentir a mão de %Danny% se afastar de meu rosto. Vi ele encarando seu celular por um momento, fazendo uma cara nada agradável. Atendeu o celular bufando enfurecido.
  - Vivian. Me deixa em paz! Ou será que eu vou ter que trocar o numero do meu celular por sua causa? – Disse no telefone com uma voz assustadora. Caí na real com aquela interrupção. Nós estávamos indo nos beijar! Deus, obrigada! Isso não podia acontecer, de forma alguma. – Pelo amor de Deus! Você não cansa de encher o meu saco não? Eu já disse que acabou! – Ele continuou discutindo ao telefone sem me encarar. Me levantei e fui em direção ao banheiro; precisava lavar meu rosto e esfriar meus sentimentos.

  Encarei meu reflexo no espelho por um momento. Abri a torneira, respirando fundo; Senti a temperatura da água assim que adentrei minha mão na mesma. Fiz uma concha com as duas mãos e enchi com a água gelada. Levei até meu rosto e fiz com que escorresse em todo o mesmo. Repeti o ato três vezes sem nem ao menos me preocupar se a água molharia ou não meu cabelo. Resolvi que já era o suficiente e fechei a torneira. Levantei meu rosto e enxuguei o mesmo na toalha de rosto branca com o emblema do hotel. Assim que acabei, voltei a encarar o espelho. Além do meu reflexo, havia o de outra pessoa. Encostado no batente da porta estava %Daniel%.
  - Desculpe por isso – Ele disse com um meio sorriso. – Eu não queria que tivessem atrapalhado o nosso momento. – Eu dei um meio sorriso abaixando meu olhar. Meu coração voltou a bater forte só em escutar o "nosso momento". Desculpe coração, mas isso não pode acontecer; não até eu estar totalmente segura.
  - Tudo bem. – Voltei a olhá-lo. – Você ainda quer me ajudar a dormir? – Ele sorriu e concordou com a cabeça.
  Concertei meu cabelo e me virei indo na direção dele. Estendi minha mão pra que ele o pegasse e assim ele o fez, com um sorriso lindo no rosto. Fui à frente o puxando pela mão e indo até minha cama. Soltei minha mão da dele pra poder deitar na cama. Ele continuou parado, me encarando deitada.
  - Não vai deitar? – Perguntei sem encará-lo, olhando a televisão ligada.
  - Eu não acho que vamos caber nós dois aí. – Disse me fazendo encara-lo. A cama do quarto meu e da %Paulinha% era de solteiro. Um pra mim e outra pra ela. Soltei uma pequena gargalhada. – Acho que to mais acostumado com a sua cama de casal. – Ele deu de ombros me fazendo lembrar da noite que dormiu comigo lá em casa.
  'Acostumado'. Como se ele tivesse dormido mais que uma noite comigo.
  - Cala a boca %Jones%, e deita logo aqui antes que eu te expulse desse quarto! – Ele gargalhou com o meu tom de voz bravo e sentou na beirada da cama. Puxou a coberta pro alto e começou a se deitar.
  - Com licença. – Disse passando o braço por trás de mim, de forma que ficasse me abraçando. Como ele estava mais ou menos sentado, eu aproveitei e me deitei em seu peito; ficando de lado.
  Seu peito nu, devo acrescentar.
  Senti seu perfume me entorpecer e fechei meus olhos. Sua mão começou a acariciar meus cabelos, me deixando com uma sensação incrível de paz. Minha mão esquerda quis retribuir o carinho e começou a mover seus dedos no peito definido do %Danny%. Ficamos assim por um bom tempo.
  Um toque bem conhecido ecoou no quarto. Meu celular acabou de receber uma mensagem. Abri meus olhos e levantei um pouco minha cabeça. %Danny% abaixou a sua e assim, ficamos nos encarando por algum tempo.
  - Pode pegar meu celular em cima do criado ao seu lado, por favor? – Ele sorriu e concordou com a cabeça. Afastou-se um pouco de mim pra que pudesse alcançar o celular.

  %Danny% POV.
  Me afastei um pouco dela pra poder conseguir alcançar o celular em cima do criado. O peguei e, não porque eu queria, mas porque foi inevitável vi o que estava escrito no visor do celular.

Você recebeu uma nova mensagem de:
James B.

  - Toma. – A entreguei o celular e fiquei encarando sua expressão. Ela leu a mensagem e deu um sorriso maravilhoso, que eu acho que nem pra mim ela já deu um daquela forma. Ela virou deixando de estar deitada em meu peito para deitar de forma reta na cama.
  - Eu só preciso responder essa mensagem. Um minuto! – Disse pra mim ainda com uma empolgação notável.
  Apesar da minha curiosidade pra saber o que estava escrito na mensagem e o que ela iria responder, fiquei encarando a televisão sem nem ao menos saber o que estava passando nela.
  - Pronto! Obrigada. – Disse chamando minha atenção e me entregando o celular para que eu o colocasse no mesmo lugar que estava antes; Assim que o fiz, ela voltou a deitar em meu peito.
  Ok. Isso é bem mais forte do que eu.
  - Posso saber quem te mandou a mensagem? – Perguntei chamando sua atenção. Ela franziu a testa por um momento ao me encarar.
  - Você quer mesmo saber? – Disse apoiando em seu cotovelo pra ficar um pouco mais alta. Concordei com a cabeça. – O James. – Senti meu sangue ferver; por mais que eu tivesse lido o visor, ainda assim escutar da boca dela o nome dele com tanta normalidade não me deixa de uma forma muito agradável.
  - Posso ler? – Os olhos dela ficaram desconfiados. Ela se sentou na cama, ficando em minha frente.
  - Por quê? – Perguntou me fazendo cruzar os braços e ficar mais nervoso ainda.
  - Eu não preciso lhe explicar os meus motivos.
  - Ah não? – Neguei com a cabeça. – Então por que você, que sempre foi amigo do James, não conversa mais com ele? – Abri minha boca pra falar, mas dela não saiu som algum. – Ou, melhor ainda. Porque você sempre me trata de uma forma diferente quando eu falo dele, ou quando eu atendo alguma ligação dele? – Fiquei paralisado. Nunca que eu iria imaginar que ela indagaria todas essas questões, que só levam a uma resposta. Eu tenho ciúmes dele com ela. – Como, por exemplo, antes de nós sairmos de Londres, lá em casa. Você ficou estranho ao ponto de me assustar. – Encarei a barra do cobertor sem saber o que eu faria agora. Acabei me colocando em uma 'sinuca de bico', como dizem. – Olha pra mim %Daniel%. – A encarei quase que automaticamente. – Eu só quero que você seja sincero comigo e me explique tudo isso.
  End POV.

  - Eu... Eu... – Ele respirou fundo, olhando pra um ponto qualquer na cama. – Eu acho melhor eu ir pro meu quarto. A %AnaPaula% e o %Dougie% devem estar chegando. – Meus lábios se abriram com a surpresa de o ver levantando da cama. – E se eles nos vir aqui, vão acabar pensando bobagem. – Me arrastei até a beirada da cama, com dificuldade por causa da coberta enrolada em minhas pernas. – Boa noite %Saáh%. – Ele pegou minha mão direita e se inclinou um pouco, beijando ela em seguida. – Guarda um bombom pra mim. – Ele piscou um olho tirando o pouco de reação que ainda me restava, e se afastou aos poucos.
  - %Danny%... - Chamei o vendo abrir a porta do quarto. Ele me encarou por alguns segundos e depois abriu um pequeno sorriso.
  - Até amanhã %Dias%. – Vi a porta bater e a luz do aparelho indicar que ela estava trancada novamente. Deitei de qualquer jeito na cama e encarei o teto.

  Muito estranho ele não ter dito nada á respeito.
  Também acho consciência. O pior é que eu fico ainda mais confusa!
  To vendo! Sua cabeça ta uma bagunça de pensamentos!
  Eu só quero desvendar esse maldito enigma! Porque tanta raiva do Jimmy?
  Por sua causa. Isso é obvio!
  Claro que não! Se fosse assim ele teria dito agora que era isso; teria admitido que sentia ciúmes de mim. Era fácil pra ele admitir isso!
  Não é assim tão fácil pra ele. Você não conhece os homens? Poucos são os que admitem estarem apaixonados na frente da pessoa que ama.
  Mas ele também é tão instável. Uma hora é um amor comigo, outra hora é um grosso! Não sei qual dos dois ele realmente é.
  Eu imagino que ele seja os dois. Quando ele está apenas com você, ele deixa aflorar o que sente, mas quando alguém chega pra atrapalhar isso, por exemplo, o James; ele se sente ameaçado e reage daquela forma. É uma defesa natural.
  Mas ele já se apaixonou antes e não agia assim, pelo que o %Tom% me conta. Esses chiliques são só comigo.
  Então ele não havia se apaixonado de verdade. Deve ser a primeira vez que ele tem o sentimento de perder algo que nem ao menos é seu. Que ele sente ciúmes exagerados por causa disso. Ele ama você.
  Ah. Para! O coração ta te influenciando aí! Cadê a consciência que falava mal do %Jones% e me dizia pra afastar dele; que ele não prestava. Cadê?
  Todo mundo pode mudar de opinião. Ele não vacila com você já faz um bom tempo! Então ele deve ter aprendido a lição.
  Não sei. Eu tive um pressentimento lembra?
  Lembro, mas pode ser que o culpado não seja ele dessa vez.
  Assim espero.
  Ta com sono né? Pode dormir aí que eu bloqueio aquele pesadelo horrível. Ele não vai voltar hoje pra te atazanar!
  Mas pode voltar outros dias?
  Hum. Pode! Eu não tenho tanta força pra bloquear ele de vez da sua cabeça. Tem uma força externa querendo o deixar ficar aqui e ser lembrado. Talvez ele seja útil no futuro.
  É, talvez. Boa noite consciência.
  Boa noite %Samara%.

  %AnaPaula% POV.
  - Bom dia bêe. – %Dougie% me cumprimentou com um abraço e um selinho em seguida, assim que eu abri a porta do meu quarto.
  - Bom dia %Paulinha%. – %Danny% me cumprimentou em seguida com um abraço.
  - Bom dia %Danny%! – Respondi vendo o mesmo encarar dentro do meu quarto, como se esperasse que a %Saáh% saísse de lá a qualquer momento. Ah, esse %Jones%! – Ela ta dormindo ainda %Danny%. – Ele me encarou assustado como se tivesse sido pego no flagra. %Dougie% gargalhou da cara que ele fez.
  - Porque você não vai acordar ela? – Meu bêe deu essa sugestão ao amigo que me encarou como se pedisse permissão. Bom, porque não?
  - Vai! – Apontei com o polegar o quarto, e dei um sorriso. Ele entrou também sorrindo. – Vejo vocês lá em baixo! – Falei cochichando e o %Jones% concordou com a cabeça.
  - Dormiu bem linda? – %Dougie% me abraçou de lado e disse isso quando começamos a andar até o elevador. Concordei com a cabeça.
  - E você? – Ele concordou com a cabeça respondendo a minha pergunta, e nós voltamos a ficar em silencio quando entramos no elevador, pois tinham algumas meninas lá. Imagina se elas descobrem que aquele rapaz de óculos escuros e boné é o %Dougie% Poynter do McFLY? Ia parar no twitter e todas as fãs do McFLY em Manchester iriam vir pra porta desse hotel. Uma loucura.
  End POV.

  %Danny% POV.
  Fechei a porta com cuidado pra não fazer barulho e acordar a %Saáh% antes da hora. Me aproximei bem devagar da cama dela. Olhei pra ela tão inocente dormindo, parecendo uma criança. Provavelmente ela não teve o pesadelo na noite passada. Olhei para o criado-mudo ao lado da cama dela e vi a caixa de bombons quase intacta. Ela comeu apenas três bombons, ou talvez, a %Paulinha% tenha comido eles.
  Sorri ao vê-la suspirar. Voltei a olhar a caixa de bombons e vi que ao seu lado estava o celular da %Samara%. Voltei a encará-la já prevendo o que ela faria comigo se me pegasse fuçando seu celular; Mas é só eu tomar cuidado. Eu só quero ver a mensagem mesmo, não vai demorar nada!
  Peguei o celular e destravei o teclado. Fiquei desapontado quando vi que a foto que estava lá era dela e o pessoal da escola dela, sujos de torta. Me lembrei do episódio lastimável desse dia, do tal de Carlos ter lambido torta no pescoço dela. Balancei minha cabeça, tirando esses pensamentos dela e me concentrando na caixa de mensagens do celular; a primeira mensagem era do "James B.", abri e encarei palavra por palavra.

Oi meu amor! Você nem me ligou! Já chegou em Manchester? O que você achou da cidade hun?
Saudades de você princesa. Te amo pra sempre. Sz
Xxx Jimmy.

  Respirei fundo, tentando de alguma forma controlar toda a raiva que me invadiu ao ver aquela mensagem cheia de declarações de amor. Ela respondeu essa mensagem. Cliquei indo no celular até a pasta de mensagens enviadas. Abri à primeira.

Oi amor! Desculpa! Cheguei sim e achei a cidade incrível, mas to muito cansada pra sair agora á noite. Resolvi dormir! Não esquece de me ligar amanhã hein?
Também to com muitas saudades de você príncipe.
Te amo, sempre. Sz
Xxx %Saáh%.

  Tive vontade de jogar aquele celular na parede e gritar com todas as minhas forças o quanto eu estava com raiva por causa desse relacionamento dos dois. Mas o que eu acho mais estranho é que se eles estivessem de fato juntos, o %Tom% ou a Ana Paula já saberiam disso. Eles me contariam.
  Mesmo porque a %Samara% não tem cara de ser o tipo de pessoa que namora escondido. Não. Não quero nem imaginar isso! Ela e o Bourne. Eu o mataria.
  Coloquei o celular no lugar e me abaixei ficando da mesma altura que o rosto da %Saáh% estava. Levei minha mão até seus cabelos e concertei alguns fios soltos que estavam depositados em seu rosto. Acariciei sua bochecha de leve e fiz o mesmo com seus lábios um pouco inchados.
  - Eu amo você. – Suspirei após cochichar isso. – Desculpe não conseguir dizer isso olhando em seus olhos. – Ela se remexeu um pouco, me assustando. Quando tive certeza de que ela não havia acordado, consegui respirar de novo. – Me desculpe por ser um covarde. O James é melhor do que eu, no fim das contas. Eu só to recebendo meu castigo por todo o mal causado a minhas ex-namoradas. Já ele sempre foi um namorado exemplar. Ele merece você, não eu. – Senti meu coração dilacerar dentro do meu peito; eu não queria admitir isso, mas agora com esse desabafo, não tem como não fazê-lo. – Mas eu não vou desistir de você. Um dia nós dois vamos conseguir admitir o que sentimos um pelo outro. E eu tenho certeza que nesse dia nós vamos nos acertar!

  Me levantei e fui até o banheiro; joguei uma água no rosto pra que eu pudesse me acalmar. Voltei pro quarto e vi-a deitada da mesma forma que eu vi quando saí. Queria poder me declarar como eu fiz só que com ela acordada. Mas como eu sou um tremendo covarde, ter conseguido com ela dormindo e correndo o risco dela acordar ou estar escutando tudo, bom, acho um enorme começo pra mim!
  Voltei para o lado da cama já com o intuito de acordá-la. Sentei no pequeno espaço que havia na beirada da cama e comecei a passar minha mão de leve em seu braço esquerdo.
  - %Saáh%. Acorda! – Disse aproximando meus lábios de seu ouvido. Ela nem se mexeu. – Acorda %Saáh%! – Falei novamente passando minha mão pela suas costas, sentindo o calor que ali havia. – %Samara%. – Falei seu nome um pouco mais alto, e surgiu efeito dessa forma; Ela se remexeu um pouco e ficou deitada de frente pra mim. Levou suas mãos ao rosto e esfregou os olhos ainda fechados. Abriu seus olhos e retirou suas mãos de lá, ficando me encarando por algum tempo. Eu apenas sorri.
  - Bom dia %Jones%. Ta fazendo o quê aqui? – Perguntou com a voz um pouco rouca. Peguei a mão direita dela e a beijei.
  - Bom dia %Dias%. A %Paulinha% me deu permissão pra te acordar. – Ela sorriu e concordou com a cabeça como se já soubesse que a resposta seria essa.
  End POV.

  Soltei um pequeno bocejo enquanto me colocava sentada na cama.
  - Vamos descer pra tomar café? Os guys já estão todos lá. – Concordei com a cabeça tirando a coberta quentinha de cima do meu corpo e me levantando da cama. Concertei meu cabelo e o prendi em um coque.
  - Só preciso tomar um banho. Liga a televisão aí que eu não demoro. – Apontei o controle em cima do criado-mudo e ele consentiu. Fui até minha mala que estava dentro do guarda-roupa do quarto e procurei uma muda de roupa. Um short jeans branco e uma blusa mesclada de lilás, azul e alguns detalhes em amarelo. A blusa caía no meu ombro direito deixando um pequeno charme que era meu sutiã com strass nas alças. O peguei e também peguei uma calcinha e meu sabonete. Peguei também o meu desodorante, o creme de pele, o perfume e a minha maleta de maquiagem. Fechei a porta do guarda-roupa e vi %Danny% me encarando com um sorriso no rosto.
  - O que? – Ele gargalhou assim que eu disse isso e eu fiquei sem entender.
  - Você ta parecendo que vai pra guerra com todos esses 'mantimentos' nos braços! – Ele se levantou da cama e veio em minha direção, pegando um pouco das coisas que eu tentava equilibrar nos meus braços e em minhas mãos. Sorri.
  - Eu já tenho costume queridinho! – Dei de ombros indo até o banheiro. %Danny% veio logo atrás e colocou as minhas coisas em cima da bancada de mármore do banheiro.
  - Quando você acabar me chama pra eu ajudar a levar de volta pra mala. – Ele gargalhou da minha cara de poucos amigos e saiu do banheiro. Fechei a porta e comecei a me despir.

~~

  - Hey %Jones%! Vem me ajudar aqui, por favor. – Gritei abrindo a porta do banheiro assim que acabei de me arrumar completamente.
  - Nossa! Valeu a pena esperar esses 30 minutos! – Sorri depois desse pequeno elogio de "você ta linda" camuflado nessa frase e comecei a entregá-lo as coisas.
  - Ta bom, agora leva isso pra lá! – Ele sorriu concordando com a cabeça e saindo do banheiro com as coisas na mão. Só me sobrou pra levar a roupa que eu tava usando e minha maleta de maquiagem.
  - Mais alguma coisa capitã? – %Danny% bateu continência me arrancando uma gargalhada.
  - Não soldado! Descansar! – Ele prendeu o riso e fez como normalmente nós vemos nos filmes e imitou o soldado. Fechei a porta do guarda-roupa e fui arrumar minha cama.
  - Hey, pode deixar assim. Tem o serviço de quarto que arruma isso. Daqui a pouco a moça deve ta ai! – Ele apontou a cama ante que eu pudesse começar a arrumá-la. Dei de ombros, por mais que eu quisesse arrumar a gente já estava bem atrasado. Comecei a andar indo até o lado dele.
  - Cadê o seu disfarce? – Ele me encarou sorrindo.
  - Eu nunca usei disfarce nesse hotel, só pra sair dele. – Ele abriu a porta do quarto e apontou pra que eu saísse primeiro. Fechou em seguida. – Só o Poynter que é muito medroso e fica de óculos e boné. Já eu, gosto só dos óculos. – Sorri andando com ele até o elevador. Apertei o botão pra que ele chegasse a nosso andar.
  - E cadê os seus óculos?
  - Não sei, acho que perdi de novo! – Ele deu de ombros e eu gargalhei. Já sabia dessa fama do %Jones% de perder suas coisas com facilidade, só não achei que era tão estremo.
  - Ainda bem que agora eu sei que não posso te emprestar nada meu. – Ele gargalhou e prendeu o riso em seguida assim que o elevador se abriu.

  %Danny% POV.
  - Amiga, eu acho que seu celular tocou aqui. – %AnaPaula% disse á %Saáh% que estava ajudando a Mary a fazer cachos no cabelo. %Tom% e %Dougie% estavam jogando no notebook do Poynter, já a %Paulinha% estava fazendo as unhas da Rafaella e eu e o %Judd% estávamos jogando cartas em cima da cama do Poynter.
  - É mensagem! Um minuto Mary! – Mary concordou com a cabeça e a %Samara% foi saltitante pegar seu celular em cima do criado-mudo, ao lado da minha cama. Aposto o meu carro que essa mensagem é do FDP chamado James Bourne!
  %Samara% leu a mensagem e fez aquela cara retardada, foi até onde estavam o %Tom% e o %Dougie%, sentados na mesa de quatro cadeiras próxima á varanda do quarto.
  - Meninos lindos da minha vida! – Disse chamando á atenção dos dois. – Será que vocês podem parar de jogar só uns minutinhos pra eu mexer em uma coisa aí? – O %Fletcher% e o Poynter se entreolharam, sorrindo em seguida.
  - Tudo bem Leitão! – %Tom% falou se levantando.
  - Mas não demora! – %Dougie% complementou e ela concordou com a cabeça.
  - %Saáh%! E meu cabelo? – Mary gritou arrancando uma gargalhada da galera. %Samara% a encarou.
  - Eu já vou! Cinco minutos! – Fez um cinco com as mãos e voltou a encarar o notebook assim que Mary concordou com a cabeça.
  - Ta fazendo o que aí filha? – %Paulinha% perguntou desviando o olhar das unhas da Rafa.
  - MSN. – Falou sem nem encará-la. Ela tava digitando que nem uma louca.
  - Hum! Imagino até com quem. – Ana Paula e suas indiretas me fizeram ter certeza de que eu estava certo sobre a mensagem ser do Bourne.
  - Cala a boca aí, débil! Não te interessa. – %Saáh% mandou língua para a amiga que gargalhou. Tenho que dar um jeito de ver essa conversa depois.
  End POV.

  - Pronto meninos! – Disse fechando a janela da minha conversa do msn e saindo em seguida. %Tom% e %Dougie% voltaram a sentar-se à mesa enquanto eu me levantava. – Obrigada seus lindos! Com todo o respeito amigas! – Beijei o rosto dos dois que sorriram convencidos e voltaram a jogar no notebook. Voltei a me sentar junto a Mary e a continuar a fazer os cachos em seus cabelos.
  - Gente quantas horas? – Rafa perguntou. %Danny% olhou em seu relógio de pulso.
  - 17h39m. – Falou voltando a encarar suas cartas.
  - Que horas é o show %Danny%? – Perguntei pra ele que me encarou após fazer sua jogada.
  - Ás 20h. – Ele voltou a olhar as cartas, e eu a olhar as meninas.
  - Nós temos que arrumar logo! – %Paulinha% disse. Nós concordamos.
  - Eu ainda tenho que tomar banho, arrumar meu cabelo, fazer a maquiagem... Ah, tanta coisa! – Rafaella disse gesticulando com as mãos abertas, tomando cuidado pra não estragar o esmalte.
  - Nem me fala! – Complementei. – Só a Mary aqui que foi esperta e já ta quase pronta! – Mary me encarou e negou com a cabeça.
  - Eu demoro um século na maquiagem, por isso já tomei meu banho e você ta fazendo meu cabelo. Se eu deixasse pra mais tarde nem ia dar tempo!
  - Ainda bem que eu sou homem! – %Harry% gritou arrancando muitas gargalhadas da gente.

  %Danny% POV.
  - Dude, eu vou tomar meu banho primeiro. Não demoro! – %Dougie% falou chamando minha atenção e me fazendo parar de escolher a roupa que eu iria.
  - Beleza dude. – Ele pegou sua toalha e se encaminhou até o banheiro. – %Dougie%? – Ele parou e virou, na porta do mesmo. – Posso mexer no seu notebook? To querendo olhar uma coisa. – Ele sorriu e concordou com a cabeça, fechando a porta do banheiro em seguida.
  Fui até a mesa onde o notebook ainda estava ligado. Cliquei em 'Meus Documentos' e logo em seguida em 'Meus Registros'. Rezei mentalmente pra que o notebook do %Dougie% tenha salvado a conversa da %Saáh%. Olhei a quantidade de pastas e deduzi que sim; de datas que provavelmente são desde o dia que ele comprou o notebook. O Poynter é meio lesado, não ia se importar em salvar as conversas. É bem a cara dele.
  Procurei a pasta que realmente importava e cliquei nela, 'Setembro 2012'. Procurei a última conversa e abri. Não era a dela. Então resolvi procurar pelo email. Os que eram do %Dougie% eu pulava, fui abrindo os diferentes e finalmente achei a conversa dela.

  Registo de Conversação

Início da Sessão: sexta-feira, 21 de setembro de 2012

  (17:29)    James B: Oi amoooooor!
  (17:29)    %Saáh% 8 %Dias%: Oiii príncipe! ;D
  (17:29)    %Saáh% 8 %Dias%: O q era, hun?
  (17:30)    James B:   Ah, linda. To c saudades. E eu queria contar q eu sonhei com vc essa noite.

  (17:30)                    James B. alterou o estado para Ocupado.

  (17:30)    %Saáh% 8 %Dias%: Mesmo? *----* Ah, príncipe tb to com mta saudade! E eu tb tive um sonho muito loco noite passada.
  (17:31)    James B:  É mesmo? Loco como? Me conta!
  (17:31)    %Saáh% 8 %Dias%: Por msn não né? Quando eu chegar em Londres, eu te conto tudo. Nossa, nem gosto de lembrar.
  (17:32)    James B: Nossa! Então ta. Mas me diz, e vc e o %Jones%?
  (17:32)    %Saáh% 8 %Dias%:  Oq tem o %Jones%?
  (17:32)    James B:  Não se faça de desentendida amr. Vc sabe bem, ele ta te fazendo passar raiva aí?
  (17:32)    %Saáh% 8 %Dias%: Nãp Jimmy, nada a ver.
  (17:33)    James B: E vcs tão ficando muito juntos aí?
  (17:33)    %Saáh% 8 %Dias%: Amr, da pra parar com esse seu ataque de ciúmes? Meu coração é todo seu e vc sabe! ;)
  (17:33)    James B:  Eu sei, o caso é saber se ele sabe.
  (17:34)    %Saáh% 8 %Dias%: É obvio q ele não sabe. A gente namora escondido esqueceu? kkkkk. Nem a %Paulinha% sabe! HAHA.
  (17:34)    James B:  É msm, minha cunhadinha linda. kkkk. Nem descofia.
  (17:34)    %Saáh% 8 %Dias%:  e agr chega de papo que eu ainda tenho q ajudar a Mary a arrumar o cabelo dela. E me arrumar ainda!
  (17:34)    James B: É, to vendo que só pq o %Jones% ta aí vc quer se livra logo de mim. :´(  MAGOEI.
  (17:35)    %Saáh% 8 %Dias%:  nãaaaao amooor. Vc sabe q não é verdade! Eu tenho msm q me arrumar. 'DESMAGOE.
  (17:35)    James B: kkkkkkkk 'Desmagoe é ótimo! Adoro a sua criatividade meu bem!
  (17:35)    %Saáh% 8 %Dias%:  Obrigada meu bem! Posso ir aggr?
  (17:35)    James B:  Não sem antes teclar aquelas três palavrinhas.
  (17:36)    %Saáh% 8 %Dias%:   Sim senhor! E ainda acrescento!
  (17:36)    %Saáh% 8 %Dias%: Eu te amo, mto mto mto mto. Infinitamente. kkk. O infinito no meu nick name é seu!
  (17:36)    James B: Huuuum que honra! E eu tb te amoo muuuitão! Haha. to doido pra te ver! Não esquece de mim aí!
  (17:37)    %Saáh% 8 %Dias%: Esquecer de voc? JAMAIS. Beeijo meu príncipe!
  (17:37)    James B:  Beij minha princesa! ;*

  Namorando? Namorando? Ela ta namorando com aquele cretino? Ah, não. Isso é demais pra mim!
  End POV.

Capítulo. 11
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