Capítulo. 08
- SURPRESAAAAAA! – Abri meus olhos devagar depois da Mel tirar a minha venda e eu escutar gritos escandalosos do pessoal.
- Meu Deus... – Não consegui dizer mais nada.
Meus olhos passeavam pelo local. O gramado do colégio tinha sido cercado de balões de ar, de todas as cores, que flutuavam. Tinham estudantes curiosos parados, observando o que acontecia. Carlos segurava um bolo enorme (de chocolate!!) e o Paul tinha um chapeuzinho nas mãos, que logo foi parar em minha cabeça. No bolo, duas velas (20) estavam acesas e a Annie já se aprontou a começar.
- Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida! – Todos que estavam observando começaram a cantar junto com eles. O Paul animava o pessoal me arrancando risadas envergonhadas por todos aqueles olhares depositados em mim.
- ÊEEEEÊEEÊ! Feliz aniversário %Samara%! – O coro e aplausos me deixavam ainda mais envergonhada.
Cheguei próxima ao bolo para assoprar as velas.
Qual o pedido que você vai fazer?
Vou pedir consciência, pra que, quem sabe um dia, eu tenha o meu ‘felizes pra sempre’.
Assoprei as velas com a máxima intuição pra que isso se realizasse. Espero que não demore muito tempo.
- Vêm aqui %Saáh%, deixa eu te dar um presente. – O Carlos tinha entregado o bolo pra Melissa que sorria. Ele tinha as mãos para trás e, pra variar, eu não tinha o visto pegar nada.
Aproximei-me dele, morta de curiosidade. Ele sorria de um jeito perverso com aqueles olhos verdes mais claros do que nunca.
%Samara% %Dias%, você está mesmo acreditando que o seu amigo Carlos fez isso com você?
Não, definitivamente não.
Carlos teve a audácia de jogar uma torta na minha cara! E ainda fica rindo ai igual um retardado. Ele só não, todo mundo tá rindo de mim agora. Tá, se fosse outra pessoa, eu estaria morrendo de rir também.
Claro que eu vou me vingar, por isso eu procurei algo além do meu bolo de chocolate que eu não quero desperdiçar. Ótimo! Têm tortas no gramado. Como eu não vi isso antes?
Você estava vendada quando veio pra cá.
Ah sim! Obrigada por lembrar consciência. Que tal darmos uma boa torta na cara do Sr. Carlos Andrade?
Ah, mais eu vou adorar isso com certeza!
- Carlos Andrade, você vai se arrepender por isso. – Enquanto falava, eu andei até onde as tortas estavam no gramado perto da Melissa que segurava o bolo.
Mel, acho que com medo de eu jogar torta nela, deixou o bolo em cima de um pano forrado no gramado e saiu correndo gargalhando. Eu peguei duas tortas nas mãos e o Carlos fez cara de estar com medo de mim. Os curiosos gritavam: “Joga, joga” enquanto eu ia em direção ao Carlos que parecia se preparar pra correr.
- Tem certeza que você vai fugir Carlos? – Ele gargalhou.
- Claro que sim, não vou deixar você me melar com essa torta!
- Mesmo? Que pena – Balancei a cabeça negativamente – Sua fama de frouxo com medo de mulher vai se espalhar por aqui. – Ele abriu a boca devagar.
Chamar um brasileiro de frouxo ou veado não é algo muito bom. É a mesma coisa de estar pedindo pro cara provar se ele é homem de verdade; E não podia haver maneira melhor de provocar o Carlos do que essa. Sem contar o pessoal que observava começar a o chamar de “frouxo, frouxo, tem medo de mulher” só pra provocar mais.
Ele se aproximou com uma cara nada boa e ficou perto de mim. Tão perto que nossos corpos se tocaram.
- To aqui %Saáh%, mas você pode ter certeza de que quando isso acabar eu vou mostrar pra você quem é frouxo. – Eu ouvi os gritinhos do pessoal mais nem me importei já que esse era um lado do Carlos que eu ainda não conheci. Quero ver mais desse lado.
Safadinha!
Não é nada disso consciência, cala a boca!
- É mesmo? Tenho certeza de que você não é de nada, querido Carlos. – OMG eu disse mesmo isso?
Carlos me olhou de um jeito como se não acreditasse. Eu olhei tentando mostrar que no fundo era tudo brincadeira. Acho que ele percebeu. Minha cara ainda estava toda suja de torta porque eu não consegui limpar tudo, mas tenho certeza que o Carlos viu meu sorrisinho malicioso.
- Quer pagar pra ver %Saáh%? Posso te dar uma prova agora mesmo. – Ele nem esperou minha resposta e lambeu (sim, isso mesmo) um pouco de torta que tinha no meu pescoço. Jesus, isso vai acabar virando uma putaria explicita. Tá, nem tanto.
Os gritos aumentaram e mais pessoas começaram a se aglomerar em volta de nós. Eles estavam esquecendo até que era o fim da aula e que todo mundo tinha que ir embora.
- Quer saber mesmo o que eu quero ver agora? – Perguntei do jeitinho mais safado possível. Ele concordou sorridente. O silêncio se tornou total no lugar; Todos estão curiosos pra saber o que eu ‘quero ver agora’. – Isso! – Eu disse e joguei as duas tortas que eu tinha em mãos no Carlos. Uma eu esfreguei bem na cara dele e a outra ficou pelo cabelo todo.
Carlos afastou se limpando e espalhando bolo em todos os lugares. Paul, Mel, Clark e Annie não se aguentavam de tanto rir. Os curiosos aos poucos foram se afastando, mas ainda gargalhando do Carlos.
%Tom% POV.
- %Tom%, acho que agora você pode ligar pra %Saáh%. – %Paulinha% sentou do meu lado do sofá sorridente.
- E por que agora pode? – Já disse pegando o meu celular.
- Porque agora ela deve ta toda melada. – Ela gargalhou em seguida fazendo com que sua fala chamasse a atenção de todos na sala do %Danny%.
- Melada? – %Danny% perguntou desconfiado.
- Liga aí %Tom%, vocês vão ver. – Ela levantou e se sentou ao lado do %Dougie%.
- Ta bom, vou ligar. – Eu disquei os números que já sabia de cabeça.
O celular tocou algumas vezes e eu já estava achando que ela não iria atender até que...
- Pooh! – %Saáh% parecia gargalhar ao mesmo tempo em que dizia.
- Oi meu leitão! Feliz aniversário! – coloquei no viva-voz depois de ver a cara
suplicante dos meninos. – %Saáh%, ta no viva-voz aqui, os meninos também querem te dar parabéns.
- %Tom%, meu amor, muito obrigado! Obrigada a quem estiver aí. – Ela disse ainda gargalhando. O barulho do outro lado da linha estava incrível; Quase não dava pra escutar ela falando.
- %Saáh%, eu fui o primeiro a te dar parabéns né? Com a mensagem. – %Paulinha% me olhou com uma cara estranha. Os meninos ficaram curiosos com a resposta.
- Ah, Pooh! Desculpa te dizer isso, mas não foi você. – O quê? Como assim não fui eu? – Foi o James que mandou primeiro. – O %Danny% fechou os punhos com raiva.
- O Bourne? – Ela disse um ‘sim’ quase cochichado. – %Saáh% você pode ter certeza que hoje ele vai pro hospital. – Eu disse na brincadeira, claro, mas o %Danny% adorou essa ideia e disse silenciosamente que me apoiava. Quase gargalhei com isso.
- Não Pooh, nem brinca com isso ta? – Alguém disse do outro lado um ‘%Saáh% vem cortar o bolo’ e todos nós olhamos a %Paulinha%, perguntando quem era. Ela mexeu os lábios deixando um ‘Carlos’ sair.
- %Saáh%, como assim cortar o bolo? Eu também quero! – %Harry% gritou e a %Samara% gargalhou na mesma hora.
- Vocês acreditam que o pessoal aqui fez uma festa surpresa pra mim? – Ficamos meio nervosos ao ouvir isso, já que a festa surpresa dela deveria ser a nossa. – Não é bem uma festa, são só balões de ar e um bolo bem no gramado da escola, mas eu to achando um máximo! – Ela parecia super feliz com isso.
- Que ótimo %Saáh%. Eu também vou querer um pedaço do bolo! – %Dougie% disse.
- Se sobrar eu levo pra vocês. – De novo, a voz chamou a %Saáh% e ela disse um ‘só um minuto gente!’ – Vocês não vão acreditar no que o Carlos fez comigo. Gente, tenho certeza que a escola inteira vai comentar. – Curiosidade a mil agora com a gente.
- Conta %Saáh%! – A %Paulinha% cutucou o %Dougie% pra ele dizer isso por ela. Ela estava louca pra gritar um ‘conta amiga’. Eu ri.
- Bom, o Carlos jogou uma torta na minha cara. Eu to aqui toda melada de torta. – As gargalhadas começaram. – Hey! Não riam de mim ok? Eu fiz pior que ele.
- O que você fez Leitão? – Perguntei já parando de rir.
- Eu provoquei o coitado, depois que ele mostrou que fugiria quando eu peguei duas tortas pra jogar nele. Eu disse que ele era frouxo na frente da escola toda e isso pra um brasileiro é a mesma coisa de mandá-lo provar que é homem. – A %Paulinha% quase caiu do sofá com isso. Provavelmente ela sabe bem o efeito dessa palavra num brasileiro.
- O que ele fez? – %Harry% perguntou deixando o %Danny% angustiado com a resposta que viria.
- Ele... Er... – Ela gaguejou depois riu. – Me deixa dizer as falas até o final antes de vocês comentarem ta? – Nós todos concordamos com um ‘ok’. – Ele disse: “To aqui %Saáh%, mas você pode ter certeza de que quando isso acabar eu vou mostrar pra você quem é frouxo”, eu acho que nunca vou me esquecer disso. Ai eu respondi: “É mesmo? Tenho certeza de que você não é de nada querido Carlos”, eu sei, eu sou louca por dizer isso. Bom, ai ele respondeu assim: “Quer pagar pra ver %Saáh%? Posso te dar uma prova agora mesmo”, adivinhem só o que ele fez? Acho que nem a %Paulinha% saberia. – Nós olhamos na mesma hora pra %AnaPaula% que estava abismada assim como nós. Acho que ela não esperava isso.
- Ele te beijou? – Chutei.
- Não, ele lambeu um pouco de torta que tinha no meu pescoço. – Ela cochichou a última parte acho que com vergonha. – Na frente da escola inteira dudes. – %Dougie% e %Harry% começaram a gritar e eu, Mary e Rafa estávamos surpresos. %Paulinha% teve que tampar a cara com uma almofada pra não falar nada com a amiga. Ela ainda ta fingindo estar doente.
- E o que você fez? – Nós nos calamos na mesma hora. A voz do %Danny% saiu cuspida. Nem quero imaginar o que ele deve ta sentindo agora ainda mais pra ter a coragem de falar com ela.
O telefone ficou mudo. %Samara% não devia estar esperando que o %Danny% dissesse algo.
Ouvimos uma respiração mais pesada do outro lado da linha. Eu podia jurar que ela iria chorar.
- Não é da sua conta %Jones%. – Ela também cuspiu as palavras, só que a voz dela parecia ter nojo de pronunciar o sobrenome dele. %Danny% se encolheu no sofá, respirando fundo também e o clima não ficou nada legal na sala com o silêncio que se instalou logo depois.
- Er... %Saáh%... Você pode contar o que fez pra gente né? Nós estamos curiosos. – O %Dougie% disse isso pra quebrar o silêncio. Conseguindo fazer a %Saáh% soltar uma risada.
- Ok! Bom, eu fiz a maior cara de safada do mundo e disse pra ele: “Quer saber mesmo o que eu quero ver agora?” e ele concordou. Tadinho... Acho que ele nunca imaginou que eu jogaria duas tortas de uma vez na cara dele. – A gargalhada foi geral aqui na sala depois disso. Até o %Danny% sorriu com esse final. – Gente eu vou pra casa agora porque a %Paulinha% estava passando mal hoje de manhã. Tenho que ver como ela está. E ainda tenho que cortar o bendito bolo aqui! – A %Paulinha% fez uma cara de ‘Own, minha amiga é tão fofa’. Ela cutucou o %Dougie% pra ele fingir que estava preocupado.
- Como assim a %Paulinha% ta passando mal?
- Pois é %Dougie%, ela nem veio à aula. Achei que ela ia te ligar mais do jeito que ela é com certeza não queria atrapalhar você no trabalho.
- Então você pede pra ela me ligar. Quero saber como ela está. – A %Paulinha% fez um ‘joinha’ com a atuação do %Dougie% e eu sorri.
- Claro pequeno %Dougie% %Poynter%. Beijos pra vocês amores da minha vida.
- Tchau %Saáh%. – Dissemos em uníssono.
- %Dougie% eu tenho que ir pra casa agora! Ela não pode chegar lá e não me achar. – %Paulinha% disse já pegando seu celular de dentro da bolsa. %Dougie% concordou com a cabeça. – Eu volto assim que ela for embora pra gente começar a parte dois do plano, meninos. – Ela mandou um beijo no ar e saiu puxando o %Dougie% pela mão.
- E aí dude? Qual vai ser o rango de hoje? – %Harry% disse abraçando o %Danny% que ainda estava encolhido no sofá.
End POV.
%Paulinha% POV.
- BEEST! CHEGUEI! – %Saáh% disse assim que eu desliguei o telefone onde Carlos me contava o que aconteceu de manhã e perguntava se eu já estava em casa. – Amiga? Ta melhor? – Escutei ela dizer já dentro do meu quarto e continuei fingindo dormir. – %Paulinha%. – Ela me sacudiu e eu abri os olhos devagar, levando as mãos na cabeça.
- Oi amiga! Como foi a escola? – Eu tentei fazer a foz mais embargada do mundo. Ela me deu um sorriso sapeca, com os olhinhos brilhando.
- Fizeram uma surpresa pra mim. Tenho certeza que tem dedo seu nisso mocinha. – Ela apontou acusando. Eu sorri concordando. – E aconteceram umas coisas comigo e o Carlos... – Ela disse como quem não quer nada.
- Ah, me conta tudo agora! Quero saber os detalhes! – Ela negou com a cabeça, sorrindo.
- Não! Eu tenho que fazer almoço. – Eu sorri negando também.
- Hoje é seu aniversário e eu pedi comida do restaurante do tio do Carlos. Entregaram á cinco minutos. – Ela me deu um mega abraço sorridente. – Hey! Eu ainda to doente mulher. – Ela fez uma carinha de desculpas.
- Ops, esqueci amiga, desculpa. Mas diz ai o que você pediu? – Os olhinhos dela brilhavam.
- Adivinha só o que eu pedi? O preferido da minha melhor amiga. – Ela começou a gritar e pular na frente da cama.
- Vem, vamos comer que eu te conto o que aconteceu lá. Tenho que te contar uma coisa da aula de piano de hoje. E você perdeu a aula de dança! Foi um máximo dançar Salsa. E o %Tom% me ligou e eu tenho que te contar sobre isso também. – Ela dizia tudo muito rápido toda empolgada enquanto eu me levantava da cama.
End POV.
- Quer dizer que você não vai mesmo pro trabalho. – Eu disse a %AnaPaula% que tinha voltado a se deitar.
- Não amiga. Como eu disse, o chefão me liberou. – Eu sorri com a brincadeirinha dela e mandei um beijo no ar.
- Eu vou indo e você mocinha, liga pro %Dougie% se piorar ta? E pede pra ele me avisar. Tenho certeza que ele fica aqui com você. – Pisquei o olho com uma cara safada e ela concordou.
- Sua safadinha! Mas pode deixar que eu ligo pra ele sim. – Eu concordei e sai do quarto dela.
%Dougie% POV.
A porta do apartamento ta abrindo. É agora %Dougie%, mostre o seu lado ator.
- Ah, oi %Saáh%! Ainda bem que você chegou. – Ela olhou pra mim muito surpresa.
- %Dougie%, que foi? – Ela disse me dando um beijo no rosto.
- A %Paulinha%... – Ela ficou com uma cara nada boa e me interrompeu.
- O que tem ela %Dougie%? Cadê a minha amiga? – Ela saiu correndo indo até o quarto da %AnaPaula%.
- Ela ta no hospital %Saáh%. – Ela voltou no mesmo segundo. – Senta aqui que eu vou explicar você. – Ela sentou no sofá, parecendo estar desesperada.
- Ela me ligou mais cedo e eu vim pra cá ficar com ela, mas há uma meia hora eu percebi que ela estava com febre. Como ela tinha dito que já tinha se medicado eu achei melhor levá-la pra lá. – As feições dela relaxaram um pouco. – Só que você sabe como eu sou desmiolado né? – Ela concordou sem entender. – Eu me esqueci de levar roupas e os documentos dela. Só quando eu cheguei ao hospital que a enfermeira me lembrou. Aí eu liguei pro %Danny% e ele foi pra lá junto com o %Harry% pra ficar com a %Paulinha% enquanto eu voltava pra cá e pegava as coisas dela.
- E você já pegou tudo? – Ela perguntou se levantando. Eu levantei também.
- Peguei as roupas e essas coisas. O problema é que ela disse que os documentos estão dentro da bolsa dela e ela esqueceu essa bolsa na casa do %Danny%. – Ela franziu a testa com a ideia da bolsa estar lá, provavelmente. – O %Danny% me deu a chave pra eu ir lá buscar.
- Então vamos logo, porque eu quero ver a minha amiga. – Ela correu até a porta do apartamento e eu peguei a bolsa que estava em cima do outro sofá.
Pelo o que parece, ela caiu na história. Tenho que me gabar depois do meu talento de ator.
End POV.
- Espera %Saáh%, me deixa pegar a chave aqui. – Eu olhei pro %Dougie% com uma cara angustiada.
Primeiro: Minha amiga está no hospital; Segundo: Eu estou voltando á casa que eu disse nunca mais por os pés; Terceiro: Eu to com muita fome.
Isso lá é hora de pensar em comida?
O que eu posso fazer? Eu acabei de chegar do trabalho!
- Pronto %Saáh%. – %Dougie% abriu a porta do bendito apartamento. – Me deixa acender a luz aqui. – Faz isso %Dougie% porque eu não to vendo absolutamente nada aqui dentro. Nunca pensei que o apartamento do %Jones% fosse tão escuro a...
- SURPRESA! – Não acredito que eu to vendo todo mundo aqui. A %AnaPaula% ta aqui.
- Gostou amiga? – Ela veio com a maior cara de pau do mundo.
- %AnaPaula% %Ferreira%, eu não acredito que você inventou uma doença pra fazer uma festa surpresa pra mim. Você tem noção do quanto eu estava preocupada com você? – Ela fez uma cara manhosa e eu emburrei a cara.
- Se não fosse assim você nunca cairia na surpresa. – Eu bufei. %Tom% veio pra perto de mim.
- Leitão, deixa de bobagem e vem curtir a sua festa de aniversário! – Ele me abraçou e começou a me puxar pra mais perto das pessoas que estavam na sala. Não é muita gente, só os conhecidos mesmo. Eu parei no mesmo segundo.
- Pooh, olha o meu estado! Eu acabei de chegar do trabalho e vocês tão todos arrumados e cheirosos. – Todo mundo sorriu.
- %Saáh%, você acha que tinha o quê naquela bolsa de roupas que a gente ia levar pro hospital? Tem coisas suas que a %Paulinha% arrumou. – %Dougie% falou abraçado a %Paulinha% que concordou com a cabeça.
- Você vai subir ali agora pra tomar o seu banho Leitão e o %Dougie% vai pegar a bolsa no carro. – Concordei com a cabeça e voltei meu olhar pra sala. – %Danny% a leva lá. – Olhei pro %Tom% meio desesperada.
- %Tom%, ele não, por favor. – Cochichei. Ele sorriu e me abraçou.
- Fica tranquila ta? Aquele dia não vai se repetir. – Eu o olhei ainda desesperada, aquilo não me acalmava nem um pouco. – O %Danny% mudou em muitas coisas desde aquele dia. Ele não bebe mais. – Dessa vez eu fiquei surpresa. Como assim ele não bebe mais? Como assim eu to me importando com isso? NÃO! Eu não posso me importar com ele.
- Ta bom. Mas eu vou gritar se acontecer alguma coisa. – Ele concordou com a cabeça e eu me soltei dele.
Quase voltei correndo pro lado do %Tom% quando eu vi o %Jones%. Céus, como ele ta lindo.
- Er... É lá em cima. – Ele coçou a cabeça sem jeito e eu continuei estática olhando aquele ser lindo na minha frente. – Tudo bem %Samara%? Eu posso chamar o %Tom% e...
- Não! Eu to bem. – Ele me olhou estranho. – Vamos? – Ele concordou com a cabeça e começou a andar até a escada. Querer que fosse o %Tom% ali é claro que eu queria, mas eu não vou dar esse gostinho pro %Jones%; Não vou o deixar sentir que ainda me abala de alguma forma. Eu o superei, ele não pode me abalar. (Ou pode?)
- Hey %Saáh%! – Olhei pra trás e vi o %Dougie% com a minha mala. Ele foi rápido. – Toma suas coisas. – Peguei a bolsa e vi que o %Tom% e o %Harry% estavam chegando perto com uma caixa em mãos.
- %Saáh%, a gente quer que você use isso. – %Harry% disse me entregando o pacote.
- É um presente de nós quatro. – %Tom% explicou.
- Vou abrir lá em cima meninos! Muito obrigada. – Dei um beijo estalado na bochecha dos três. Voltei pra escada e vi o %Danny% com uma carinha desolada que eu achei fofa. Merda! Eu não posso achar fofo.
- %Saáh%, o %Danny% que escolheu tudo sabia? Acho que ele merece um beijo na bochecha também. – Fiz meu olhar matador pro %Harry% que correu pra traz do %Dougie%, com medo de mim. Por mais que eu não queira admitir, ele tem razão. Se foi o %Jones% que escolheu tudo ele merece, afinal, ele também é do McFly e... Quê que isso que eu to pensando? OMG. Eu to amolecendo só de ver o desgraçado do %Jones%.
- Cala a boca %Harry%, não força ela a uma coisa que ela não quer. – Olha só! O %Jones% virou gente e disse isso mesmo? Ganhou um ponto comigo.
Então o beija na bochecha.
Meu Deus consciência até você quer ajudar ele? Arg, eu vou beijar.
Olhei o %Danny% e dei um sorrisinho pequeno. Ele não parecia saber o porquê de eu estar sorrindo pra ele. Na verdade nem eu sei o porquê.
Claro que você sabe.
Cala a boca!
Aproximei-me dele devagar e beijei sua bochecha. Tentei fazer isso o mais rápido possível, mas eu acho que demorei até demais.
- Satisfeito %Harry%? – Ele fez um joinha todo sorridente e o %Tom% me olhou com uma cara de interrogação. – Vamos %Jones%. – Olhei pra ele que estava com o sorriso maior que o mundo. Só falta ele ta achando que tudo mudou por causa de um beijo na bochecha.
- Vamos sim. – Ele começou a subir as escadas junto comigo.
Paramos no corredor, em frente à porta do quarto dele.
- Se você preferir tem o banheiro de hóspedes lá no fim do corredor, mas o meu banheiro já ta arrumado pra você. – Eu olhei do corredor pro quarto e assim sucessivamente. As lembranças daquela festa vieram com força total. Respirei fundo. Eu disse que não ia me mostrar abalada.
- Não, o seu está ótimo. – Ele concordou com a cabeça e entrou no quarto. Eu o segui.
O quarto continuava o mesmo, a diferença eram dois porta-retratos com fotos conhecidas por mim no criado-mudo ao lado da cama dele. Sentei na cama sem nem ligar com a presença dele e peguei um dos porta-retratos em mãos. Uma foto minha e do %Danny%. Nós tiramos aquele dia na casa do %Harry%. Meus olhos ameaçaram se encher de lágrimas e eu não posso deixar isso acontecer.
Levantei meu olhar e encontrei o %Danny% encostado na parede, me observando.
- Porque essa foto ta aqui? – Eu tinha que perguntar, eu explodiria se não perguntasse. Ele respirou fundo e olhou pro chão.
- Eu olho ela toda vez que acordo e quando vou dormir, pra me lembrar de quando a gente era feliz junto, e de como eu fui burro por ter feito você se afastar de mim. – Ele levantou o olhar e me encarou.
Ficamos bons minutos nos encarando até eu sentir uma lágrima escorrer. Malditos sentimentos.
- Eu preciso tomar meu banho. – Ele assentiu e se desencostou da parede.
- A banheira ta pronta se você quiser tomar seu banho nela. – Banho de banheira? Eu cheguei perto dele dentro do banheiro. – Tem toalha, sabonete, sais de banho, shampoo, condicionador. Eu acho que me lembrei de tudo. – Ele se lembrou? Que dedicação pra preparar um banho.
- Obrigada, mas eu não vou usar a banheira não. Eu nunca tomei banho em uma. – Eu disse sem graça o fazendo sorrir.
- É fácil! É só você ligar essa torneira de água quente e essa de águas fria, aí depois que encher você desliga e coloca os sais de banho e a espuma. – Ele mostrou tudo e eu sorri só de me imaginar dentro daquela banheira maravilhosa.
- Se eu inundar o seu banheiro a culpa vai ser sua. – Ele sorriu e se aproximou de mim, aproximou até demais.
- Eu não vou me importar. – Será que ele percebeu o tanto que ele ta próximo de mim? Droga, mais que cheiro é esse?
- Er... %Jones%. – Ele se afastou assustado quando percebeu que estava indo me beijar.
- Desculpa, desculpa. – Eu concordei com a cabeça ainda intoxicada pelo perfume dele e a vibração daqueles olhos %azuis%. – Eu vou descer. Qualquer coisa você grita ou dá um toque no meu celular, se você ainda tiver o numero, porque lá embaixo ta muito barulhento. – Ele dizia já saindo do banheiro e indo até a porta do quarto. Eu concordei com a cabeça de novo. – Então eu vou lá. – Ele apontou pra fora do quarto e saiu fechando a porta.
Respirei fundo e me sentei na cama dele. Acho que eu não estava respirando com ele perto só pode. Olhei a caixa que os meninos me deram e peguei pra abri-la.
- Que lindo! – Um vestido preto com uma faixa vermelha na cintura, tomara-que-caia que me parece ir até um palmo acima dos meus joelhos, foi a primeira coisa que saiu da caixa. Coloquei o vestido na cama e peguei uma sandália maravilhosa, vermelha estilo meia-tapa. Coloquei a sandália no chão e peguei agora um conjunto de colar, brincos e pulseira. O colar era prata, com um coração de pingente. O mesmo coração estava nos brincos e a pulseira era prata e tinha um ‘%Samara%’ feito de strass, pelo menos eu acho que é strass. Do jeito que eles são, podem ter colocado alguma pedra cara aqui.
%Danny% POV.
- Vocês se mataram lá em cima? – %Harry% perguntou zoando coma minha cara. – Acho que não, pelo sorriso dele. – Ele disse pro %Tom% que me encarou.
- As coisas tão melhorando? – Ele me perguntou assim que eu me juntei ao grupo. %AnaPaula%, %Dougie%, Mary, Rafaella, %Tom%, %Harry% e (Arg) James, me encaravam curiosos.
- Não sei, acho que ela ta só atuando. Mas isso não muda o fato de ela pelo menos estar falando comigo. Por mais que eu saiba que ela ainda me odeia, eu fico feliz. – Eles concordaram.
- %Danny%, tem que colocar uma música aqui dude. Isso ta muito parado! – %Harry% disse batendo nas minhas costas.
- Cara, eu vou ter que atrapalhar o banho da %Saáh%? – Ele concordou sorridente e piscando pra mim. – Deixa pra depois %Harry%. – Ele negou com a cabeça.
- Vai lá dude, ela ta no seu banheiro né? – Concordei com a cabeça. – Com certeza a porta ta fechada, você pede licença e avisa que só ta indo pegar uns CDs lá.
- Ta bom %Harry%, mas é só pra você parar de encher o meu saco! – Sai em direção à escada novamente enquanto o %Harry% comemorava.
Subi bem devagar as escadas, rezando pra que a %Saáh% já tivesse saído do banho ou estivesse mesmo com a porta do banheiro fechada. Nem quero pensar o que ela vai achar se me pegar lá no quarto. Vai achar que eu sou um tarado pervertido que tentou agarrá-la antes e agora ta indo terminar o que começou. Credo %Daniel%, não é pra tanto.
Parei em frente á porta do quarto e fiz mais uma hora pra demorar um pouco mais.
End POV.
Eu preciso urgentemente de uma banheira dessas! Tenho certeza que se eu não soubesse que o pessoal ta me esperando lá em baixo eu tinha ficado aqui por, no mínimo, meia hora. Mas como eu sou a aniversariante e tenho que ficar lá, eu vou me arrumar logo.
- Hey, %Samara%. Ta me ouvindo? – Dei um pulo pra trás quando escutei a porta bater e aquela voz me chamar.
- To sim! – Sentei na cama pra não desmaiar ali mesmo.
- Er... Será que eu posso pegar uns CDs aí? O %Harry% ta me enchendo o saco lá em baixo pra eu colocar música no som. – Ele me parecia nervoso. Até imagino porque o %Harry% estava enchendo o saco dele.
Olhei pra mim de toalha, sentada na cama. Eu posso correr pro banheiro enquanto ele pega os CDs né? Isso!
- Tudo bem. – Corri pro banheiro e fiquei só com a cabeça do lado de fora da porta. O %Danny% abriu a porta do quarto e, assim que me viu, sorriu de leve.
- Desculpa por isso. Vou tentar não demorar. – Assenti com a cabeça e ele andou até o guarda-roupa.
Não aguentei ficar escondida na porta, por isso, encostei-me ao batente da mesma observando-o.
- Você ainda deixa os CDs aí? – Perguntei. Ele virou pra me olhar e quase deixou o CD que estava em sua mão cair no chão. Será que o fato de eu estar de toalha o influencia?
- Er... Sim. – Ele enterrou o rosto pra dentro do guarda-roupa, todo sem graça. – Estão do mesmo jeito que você deixou. – Do jeito que eu deixei no dia que você trouxe o Céu e o Inferno ao mesmo tempo pra minha vida %Jones%.
- Ah ta. – Dei de ombros e ele fechou o guarda-roupa com alguns CDs em mãos.
- Eu vou indo. – Ele apontou pra porta e eu assenti com a cabeça. – Gostou dos presentes? – Perguntou sem olhar pra mim, olhando pros presente na cama.
- Gostei, são lindos. – Ele sorriu.
- Que bom que gostou. – Ele voltou a andar pra porta.
- %Jones%! – Ele me encarou – Er... Já que é meu aniversário hoje e eu não quero que nada me aborreça e tals, eu vou fazer uma trégua com você. – Ele me encarou sem entender. – Eu odeio você, vou deixar claro isso; Pelo que você me fez, mas hoje eu vou tentar esquecer aquele dia e tentar te ver como o %Danny% %Jones% que eu conheci. – Ele mostrou um pequeno sorriso.
- Você sabe que a gente tem que conversar... – Ele tentou.
- Não. Eu não quero falar disso hoje. – Fitei o chão. – Nem sei se vou querer falar algum dia. – Ele respirou fundo e eu também.
- Eu acho que mereço pelo menos uma chance de te fazer entender. De tentar amenizar minha situação. – Olhei agora pro teto, tentando controlar a vontade de chorar que estava surgindo.
- É. Todo mundo merece uma segunda chance. Até você. – O encarei e ele me encarou também.
O silêncio se instalou no quarto. Eu podia ouvir o coração dele bater. Na verdade, não sei se é o coração dele ou o meu.
- Eu vou descer. Te espero lá em baixo. – Ele sorriu cortando o silêncio e eu forcei um sorriso.
- %Danny%, coloca o Above The Noise? – Ele olhou o CD e sorriu.
- Tem certeza? A %Paulinha% disse que você não ta escutando nossas músicas mais. – Ele disse baixo olhando pro CD ainda. %AnaPaula%, eu ainda vou matar ela por contar coisas que não devem.
- Tenho. – Ele me encarou sorrindo ainda. – Eu sou fã de vocês ainda. Isso nunca vai mudar. – Ele concordou com a cabeça e saiu do quarto, me dando uma última olhada profunda com seus imensos globos %azuis%, antes de fechar a porta.
%Danny% POV.
- Proto seu mala! Coloca o Above The Noise porque a %Saáh% pediu. – Todo mundo me encarou, principalmente a %Paulinha%.
- A %Samara%? Sério? – Concordei com a cabeça e o %Harry% pegou os CDs das minhas mãos. – Tem milagre acontecendo aqui. – Eu a encarei sem entender. Na verdade, todo mundo. – Vou explicar. A %Saáh% ta conversando com o %Danny% e ta ouvindo McFly em um só dia?! Só pode ser milagre. – O Bourne começou a rir e o %Tom% o acompanhou. Minha cara ficou fechada só de ver que o Bourne acha graça disso.
Quem ele pensa que é? Nem aqui ele deveria estar. Nem sei por que a %AnaPaula% o chamou. Mentira eu sei sim.
- Então dude, ela vai demorar? – %Dougie% me perguntou.
- Ah! Acho que não, ela estava indo trocar de roupa. – Eu disse dançando ao som de This Song. Pelo que parece, %Harry% colocou o CD no Shuffle.
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- Ela ta demorando %Danny%, tem certeza que ela estava indo trocar de roupa? – %Paulinha% me perguntou gritando por causa do som alto que tocava Take Me There.
- Tenho, vai ver ela está se maquiando ou sei lá o quê que vocês mulheres fazem pra se arrumar. – Ela riu concordando com a cabeça e voltou a conversar com o Bourne, que por sinal, estava infernizando a minha vida por eu ter que olhar pra cara dele e lembrar a todo segundo que ele beijou a %Saáh%, que ele pode tocá-la e eu não.
- Você ainda não falou com ele. – %Tom% cochichou pra mim apontando discretamente para o Bourne. Bufei com isso e ele me olhou meio duro. – Nós sempre fomos amigos %Danny%, você sempre gostou muito do James. Porque ficar com raiva agora? – Puxei o %Tom% mais afastado do pessoal onde eles não poderiam escutar a nossa conversa.
- %Tom%, droga, você sabe bem que ele ficou com a %Saáh%. Ele foi um grande desgraçado comigo!
- Pelo amor de Deus %Danny%! Eu já te disse que você estava namorando e não podia reivindicar nada como se a %Samara% fosse propriedade sua. – %Tom% e seus sermões que sempre me deixam com culpa.
- Eu não consigo %Tom%, não o vejo mais como meu amigo. Não consigo. – Balancei a cabeça negativamente, olhando pro chão.
- Você faria a %Saáh% feliz se pelo menos não olhasse torto pra ele como se quisesse matá-lo. – Olhei pro %Tom% e vi sua cara fechada me encarando.
- O problema %Fletcher%, é que eu quero matá-lo! – Ele sorriu. – É sério. – Complementei e ele parou de sorrir.
- De verdade dude, eu nunca te vi assim por garota alguma. Como você ficou desse jeito em tão pouco tempo cara? Ao ponto de ficar com raiva do Jimmy, o cara que você mais ‘compartilhou’ mulher?! – Ele ta certo, eu nunca fiquei assim por ninguém nesse mundo. Só que também nunca encontrei alguém como ela.
- Nem eu sei a resposta pra essa pergunta %Tom%.
- Vamos voltar pro grupo, pois conversar com você sobre o James é perda de tempo. – Concordei com a cabeça.
- Ainda bem que você viu isso! – Disse e ele começou a andar.
- Um dia você vai me dizer que eu estava certo. – Sorri. Eu nunca vou achar isso certo, o James vacilou comigo.
- O que você dois estavam falando hein? – %Harry% perguntou todo curioso depois que nos juntamos ao grupo.
- Nada, eu só estava dando uns conselhos sexuais pro nosso amigo aqui. – %Tom% disse antes que eu pudesse dizer algo. – Ele não ta dormindo muito bem á noite e acorda molhado de manhã. – Me virei já com o intuito de socar o %Fletcher% que ria do que acabara de dizer. Todos acompanhavam sua risada menos eu, claro!
- Vem aqui %Tom%, eu vou matar você por dizer asneiras! – Ele saiu correndo e eu fui atrás.
Depois de muito correr, quase derrubar a mesa de doces, esbarrar na Rafa e tropeçar no %Dougie%, eu e o %Tom% paramos com a brincadeirinha de pique-e-pega e voltamos ao grupo completamente exaustos. O pessoal ainda ria da brincadeira quando eu percebi que o James olhava completamente vidrado (vale ressaltar) a escada que dava acesso ao segundo andar da minha casa. %Tom% também percebeu e virou seu olhar para onde o Bourne olhava e esboçou um sorriso enorme.
Será que é ela?
(N.A – Coloque End Of The World do McFly)
Parecendo uma deusa, %Samara% descia as escadas quando meu olhar pousou sobre ela.
Os presentes caíram perfeitamente bem, como eu imaginei. Parecia estar tudo em câmera lenta pra que minha mente pudesse gravar cada movimento dela.
O movimento dos cabelos, o sorriso, o olhar, a respiração, tudo estava sendo perfeitamente gravado na minha memória. Eu nunca a vi tão linda e radiante.
- %Saáh%! Você ta linda! – %Tom% se aprontou em falar quebrando toda a sensação de câmera lenta.
%Samara% tinha acabado de descer as escadas e parecia envergonhada. Do nada ela abriu a boca e gritou.
- Jimmy! Você ta aqui! – Aquele desgraçado, filho da puta, sorriu e foi até o encontro da %Saáh%, abraçando ela e rodando ela no ar.
- Claro que eu to aqui! Você acha mesmo que eu não iria ver você hoje é %Dias%? – Ela sorriu ainda abraçada a ele. Porque ela fica assim com ele? Será que ela não gosta mais de mim, me odeia ao ponto de gostar dele agora? Não, não pode ser.
- Eu não ti vi quando cheguei. – Ela fez um bico fofo e o idiota do Bourne beijou a bochecha dela.
%Jones%, você ta morrendo de ciúmes. Isso é fato.
End POV.
- Ah princesa, queria ver a sua reação quando não me visse. – Eu fiz uma carinha de dúvida e me soltei do abraço dele.
- E você gostou da minha reação Bourne? – Ele fez que sim com a cabeça sorridente. Sorri junto.
- %Saáh%, você vai matar o %Danny% de ciúme sabia? – %Tom% chegou me abraçando e dizendo isso no meu ouvido.
- Que ele morra %Tom%. – Ele sorriu.
- Como se você não se importasse. – Ele se afastou do abraço e me olhou nos olhos. Assim é difícil mentir.
- E não me importo mesmo. – Ele riu ainda mais balançando a cabeça em negativa.
- Você não consegue mentir pra mim Leitão.
- Ah Pooh, cala a boca! – Ele gargalhou e eu fui abraçar o resto do pessoal.
- Então %Saáh% o que achou dos nossos presentes? – %Dougie% perguntou ainda abraçado a mim. Eu sorri.
- Amei meninos, tudo ficou perfeito em mim. – %Harry% abraçou o %Jones% e sorriu.
- Olha só %Danny%, você escolheu bem. – O %Danny% deu um soco no peito do %Harry% que gemeu.
Parei de prestar atenção na conversa deles pra reparar na decoração. Eu entrei tão distraída e com raiva porque a %Paulinha% fingiu estar doente que nem vi o quanto tudo estava lindo.
Há balões por todos os lados nos tons prata, vermelho e preto. Uma mesa de doces perto da escada com brigadeiros e outros docinhos. Há também outra mesa com o bolo de chocolate e balas enfeitadas. Tudo parece uma festa de criança em relação á comida.
Sorri ao ver uma espécie de quadro. Na verdade são dois que mais me lembram fotos gigantes e devem ser isso mesmo. Na primeira estava à foto que eu vi no celular da %AnaPaula% uns dias atrás e na segunda estávamos nós todos: %Harry%, Rafaella, Mary, %Tom%, %Dougie%, %AnaPaula%, %Danny% e eu. É engraçado como eu e o %Danny% parecemos um casal nessa foto. Um casal apaixonado que nós nunca seremos. Pelo menos não um pelo outro.
- Aquele ali é seu, de presente. – A voz dele cortou meus pensamentos me deixando toda arrepiada.
- Meu? – Ele concordou com a cabeça depois que eu apontei pro primeiro quadro. Os quatro, eu e a %Paulinha% sorriamos na foto que eu agora encarava como sendo minha. – E o outro? Vai ficar aqui? – Disse ainda olhando o quadro.
- Sim. – Dei de ombros.
- %Saáh% vem aqui pra eu te dar o seu presente! – %Tom% me chamou (lê-se gritou) perto do sofá. Olhei pro %Danny% que sorriu e me acompanhou até onde ele estava.
- Enfim eu vou saber o que é! – %Harry% disse chegando perto da gente também junto da Rafa. Eu cruzei os braços.
- Você não sabe? – Ele fez que não com a cabeça e o %Tom% riu.
- O Sr %Fletcher%, o %Jones%, a %Ferreira% junto das duas ali – Ele apontou pra Mary e Rafa. – Não me contaram os presentes que eles daria por si sós. Todos com segredinhos. – Ele fez bico e eu abracei o %Harry% lindo.
- Own %Harry%, eles te deixaram curiosos foi? – Ele continuou manhoso e me apertou mais. – Então vamos acabar com a sua curiosidade. Quem vai começar? – Eu olhei pra eles que estavam juntos no sofá. As meninas apontaram pro %Tom%.
- Ok, ok, vou pegar meu presente %Saáh%. Só um minuto. – Ele correu para o que eu achei ser a área de serviço da casa do %Danny%. – Fecha os olhos! – Ele gritou de lá e eu fechei meus olhos no peito do %Harry%.
- Como você guardou isso aí e a gente não viu? – %Dougie% praticamente gritou me fazendo abrir os olhos.
- Ai meu Deus %Tom%, ele é LINDO! – Corri ao encontro do %Tom% pra pegar no meu colo o enorme Ursinho Pooh. – Ele bate na minha cintura %Tom%, e eu to de salto! – Eu estava impressionada. – E ele é tão fofinho, bom de apertar. – Eu abracei o urso com força e o pessoal gargalhou. – Tem o seu perfume nele %Tom%! – O %Tom% veio me abraçar sorrindo.
- Eu o coloquei pra você sempre se lembrar de mim. Cada vez que você quiser conversar e eu não estiver perto ou algo do tipo, você conversa com ele. – Eu entreguei o Urso pra %Paulinha% que estava louca pra pegar ele e dei um mega abraço no meu melhor amigo. Meu anjo chamado %Tom% %Fletcher%.
- E aquele ali? No canto da sala? – A Rafa falou me fazendo sair do abraço do %Tom% e olhar pra onde ela apontava. Apontava pra um Leitão também gigante. Corri até o Leitão e o peguei no colo.
- Esse aqui é meu. O nome dela é %Saáh% e eu trouxe mesmo pra mostrar você que todo Ursinho Pooh tem um melhor amigo Leitão. – Meu sorriso não cabia na boca e eu estava quase no ponto de chorar.
- Então o nome dele vai ser %Tom% o melhor amigo dela, porque ela é mulher %Tom%, você tem que dizer ‘melhor amiga’! – Ele gargalhou concordando.
- E agora as moças vão dizer qual é o presente? – %Harry% perguntou me fazendo sentar no sofá com o meu Urso. Vale observar que ele quase me abraça como uma pessoa do tanto que ele é grande.
- Não, nem a %Samara% vai saber agora. – Eu franzi a testa estranhando o porquê de todo o mistério. – Vem aqui %Saáh%, pra gente te dizer uma coisa. – Eu me sentei entre a %Paulinha% e a Mary.
- Você vai ver seu presente em casa. – A Mary cochichou no meu ouvido enquanto a Rafa batia no %Harry% por tentar escutar.
- Está em baixo da sua cama e lá eu te explico porque eles não estão sabendo do presente. – Concordei com a cabeça depois de a %AnaPaula% concluir.
- Acabaram suas chatas? – %Harry% perguntou emburrado. Nós rimos da cara que ele fez e concordamos. – Então o %Danny% aqui vai dar o presente dele. – Eu olhei incrédula pro %Daniel% que sorriu pra mim mostrando ser verdade mesmo que ele ia me dar outro presente. – Anda logo dude! – %Harry% deu um tapa nas costas do %Danny% que revidou com um soco fazendo todo mundo sorrir menos eu, que não estou acreditando ainda que ele vá me dar um presente. O que será?
- Ta bom! – Ele começou sem jeito e eu me levantei do sofá ficando de frente pra ele. – Er... Eu conversei com o Fletch e o pedi uma ajuda. – Ele apontou o Fletch no canto da sala e eu olhei pra ele que sorriu e acenou. – Pra poder entrar em contato com um certo empresário. – Ótimo, eu não to entendendo nada e parece que o resto também não está. – e consegui isto aqui. – Ele retirou do bolso um envelope branco com uma fita vermelha e me entregou. – São entradas para o camarote exclusivo pro show do Westlife em Manchester pra todos nós irmos. – Nem tive coragem de abrir o envelope. Minhas mãos tremiam tanto que seria impossível se eu tentasse. – Eu conversei com o Shane Filan e ele fez questão de nos conseguir o melhor camarote do lugar. – Tive que sentar pra não cair pra trás. Ele conversou com o Shane? O meu preferido do Westlife. Ele ainda conseguiu o melhor camarim? Fez questão disso? Céus! Isso é demais pra minha cabecinha.
- %Saáh%, tudo bem? – %Tom% me perguntou depois que eu me sentei. Acho que o fato de eu estar pálida, suando frio e com as mãos tremendo, terem o feito chegar à conclusão de que eu não estou bem. Erro do %Fletcher%, eu to ótima!
- To muito bem Pooh. – Ele sorriu entendendo. – %Danny% eu não acredito nisso. – Ele sorriu e se abaixou perto do sofá onde eu to sentada.
- Por que você não abre o envelope então? – Eu olhei o envelope e respirei fundo; Puxei a fita vermelha e abri o envelope. Oito tickets azuis apareceram, cada um tinha o nome específico. Olhei o ticket onde continha o meu nome e parei encarando já com os olhos marejados. Eu vou ao show do Westlife e de camarote exclusivo, ainda não dá pra acreditar.
- Amiga, nós vamos ver o Westlife! – %Paulinha% me abraçou também emocionada. Acho que ela deveria estar se sentindo como eu. Eu concordei com a cabeça sorridente e voltei meus olhos pro %Jones% abaixado na minha frente. Ele sorriu a me ver sorrir.
- Desculpe se o show vai demorar tanto tempo, mas eles fizeram show em Londres no mês passado e Manchester era o último lugar da Inglaterra que eles iriam fazer o show. Se não fosse lá, a gente teria que ir pra Portugal. – Me deu vontade de bater nesse retardado do %Jones%.
- Deixa de ser idiota %Danny%, eu to indo no show do Westlife de camarote! Não posso reclamar de data, nem de local, de nada! – Ele sorriu com isso e se levantou.
- Na verdade, tem mais uma coisa só que você só vai saber lá no show. – Olhei pra ele morrendo de curiosidade. – Nem adianta, é surpresa e eu não vou contar! – Cruzei os braços mostrando indignação e o pessoal sorriu.
- Parece que o %Danny% deu o presente pra %Saáh% que agradou á todos! – Mary disse também empolgada.
- É, agora nós vamos nos preparar pra ir ao show do WESTLIFE! – %Paulinha% pulou em cima do %Danny% agradecendo e quase fazendo os dois caírem no chão.
James POV.
- Não Jimmy! Droga! – %Saáh% fazia a maior cara de choro do mundo quando eu disse que ia embora.
- Princesa, eu te disse que amanhã eu tenho que acordar cedo. Essa história de turnê me ocupa demais e você sabe disso! – Ela fez bico.
- Ah Jimmy, eu queria que você ficasse mais! Você ficou tão pouquinho aqui. – Ela me abraçou forte e eu aproveitei pra sentir o perfume dela enterrando meu rosto em seu pescoço.
- Pelo menos eu fiquei né? Além do mais, é difícil ficar assim com você e não ter vontade de te agarrar. – Ela me largou me dando um tapa no braço. – Ai %Saáh%! – Eu gargalhei com a reação dela.
- Cala a boca Bourne. O assunto aqui é sério! – Eu sorri e passei meus braços por sua cintura.
- Eu também disse isso sério princesa. – Ela bufou e depois sorriu.
Nós dois estávamos afastados do pessoal, perto da porta de saída da casa do %Danny%. Ele, por sinal, não tirava os olhos de mim e da %Samara% nem por um segundo sequer. Ele parece ta com muito ciúme.
- James Bourne. Eu já to ficando triste só com a ideia de você ficar longe de mim por duas semanas. Quem vai me fazer rir nesse tempo, hun? – Eu dei um beijo estalado na testa dela.
- %Saáh%, o seu medo não é esse. Você só não quer ter que voltar a andar com os dudes. – Ela me abraçou parecendo não querer encarar os meus olhos. – E eu já te disse que isso não vai adiantar de nada! – Peguei o rosto dela pra que ela me olhasse. – Você os ama %Saáh%. Os quatro.
- Os três você quer dizer.
- Não, você ama todos eles e vai te fazer mal ficar longe deles assim. – Ela suspirou concordando. – Olha só o que eles fizeram pra você! Essa festa linda! Você não pode negar o tanto que eles gostam de você e devem sentir sua falta. – Os olhos dela se encheram de lágrimas. – Hey, não é pra você chorar viu? É o seu aniversário! – Ela sorriu olhando pro teto pra ‘parar’ as lágrimas.
- Eu já disse que você é incrível Jimmy? – Ela olhou pra mim ainda com os olhos um pouco vermelhos.
- Todos os dias você diz isso, mas hoje você não disse não! – Ela gargalhou e beijou minha bochecha fazendo meu coração disparar.
- Você é incrível Bourne! E convencido também! – Eu sorri concordando. – Eu te amo seu chato! – Olha só! Ela disse que me amava! Sempre sou eu que digo isso pra ela primeiro.
- Que bom. Eu também te amo demais princesa. E agora eu vou embora. – Dei um beijo na testa dela e fui até a porta. – Tchau pessoal! A gente se vê. – O pessoal acenou pra mim e eu mandei um beijo no ar pra %Samara% que sorriu me mandando outro.
End POV.
- Agora que só ficou nosso grupo, nós vamos jogar! – %Tom% se levantou me abraçando.
- Jogar o quê, Pooh? – Perguntei. Ele sorriu e chamou a %Paulinha% e disse algo no ouvido dela. Ela imediatamente correu pra cozinha e voltou com um saco pequeno em mãos.
- Da pra alguém explicar? – %Dougie% disse curioso.
- Nós vamos brincar de Karaokê, mas de uma forma diferente. – %Tom% começou e eu me sentei ao lado da Mary e do %Danny% no único espaço vago do sofá, só pra constar.
- O Karaokê vai ser feito em duplas que serão sorteadas. – %Paulinha% falou.
- E eu e a %AnaPaula% fizemos uma seleção de músicas tanto em inglês como em português, e elas também serão sorteadas. – %Tom% continuou a fala da %Paulinha%.
- Então vamos começar com isso logo porque essa festa ta precisando ser mais animada! – Eu disse já indo até a %Paulinha% e pegando o saco. – Quem vai pegar os papeizinhos de nome? – Todos levantaram a mão. – Hum vejamos... Difícil escolher. – %Dougie% começou a balançar o braço freneticamente. – Ta bem %Dougie%, vem você! – Ele deu um salto do sofá e me abraçou. – Você adora ser o primeiro a tentar avacalhar com os outros, né %Poynter%? – Ele gargalhou concordando com a cabeça.
- Então se preparem que eu vou pegar o primeiro nome.
- Espera %Dougie%! – Ele me olhou sem entender. – Rafa, vem aqui pra você escolher as músicas. – Ela levantou sorridente e o %Harry% se emburrou.
- Hey, tinha que ser eu e não a Rafaella. – A Rafa mandou um beijo no ar pro namorado.
- Pronto, agora eu vou pegar o primeiro nome que é... – Ele sacudiu a mão dentro do saco e puxou de lá um papelzinho, desdobrou e leu. – %Fletcher%! – %Tom% sorriu. – Agora vamos ver o seu par... – Ele pegou outro papelzinho de lá e fez uma cara emburrada. Aposto que é a %AnaPaula%. – Bêe, você é o par dele. Não gostei! – Ele cruzou os braços e o %Tom% gritou ‘Ta com ciuminhos’ fazendo todo mundo gargalhar do %Dougie%. A %Paulinha% deu um selinho nele e disse algo no ouvido dele que sorriu. Nota mental: Lembrar de perguntar o que ela disse.
- Agora vamos ver a música de vocês. – Rafa disse pegando um papelzinho do outro saco. – It’s My Life do Bon Jovi! – %Paulinha% faltou dar um mega beijo na Rafaella por ela ter pegado essa música. Uma coisa que o pessoal não sabe é que a %AnaPaula% é louca, obcecada, retardada, apaixonada pelo Bon Jovi. Paixão de longas datas, desde que ela se entende por gente.
- Vamos á próxima dupla! – %Dougie% estava se sentindo o apresentador de televisão. – Rafaella! E seu par será... Mary! Lá se vai duas garotas, agora eu só posso fazer par com a %Saáh%. – Gargalhei com esse comentário bobo do %Dougie% e prestei atenção na música que a Rafa ia tirar. - Hot N' Cold da Katy Perry, adorei Mary! – Elas comemoraram com vários pulinhos retardados me fazendo gargalhar alto.
Agora sobrou eu, %Dougie%, %Danny% e %Harry% pra escolher quem vai ser par de quem.
- Então vamos lá! Agora o nome que eu vou pegar aqui é... %Saáh%! – Sorri. – Seu par vai ser... – O %Dougie% ta demorando um século pra tirar o papel do saquinho e eu to no ponto de desmaiar aqui só de imaginar que eu posso ser o par do... – O %Danny% é o seu par %Saáh%! – %Daniel% me olhou preocupado e eu olhava do %Tom% pra %AnaPaula% a todo segundo. O %Jones% começou a andar na minha direção com passos cautelosos e parou bem na minha frente.
- Você não precisa fazer isso. – Ele disse baixo. Eu concordei com a cabeça.
- Eu sei, mas foi um sorteio, então eu vou cantar com você. – Ele não conseguiu esconder a alegria que teve quando eu não quis trocar de par e ficou sorridente do meu lado. – Rafa tira aí a nossa música! – Tentei demonstrar animação.
Rafaella concordou com a cabeça e sacudiu o saquinho. Tirou o papel de lá e leu a música. Ela fez uma cara estranha que eu não entendi.
- Apologize do Timbaland com o One Republic. – Entendi a cara que ela fez. É muita coincidência eu ter saído com o %Danny% e ainda por cima com uma música dessas.
- Então eu sobrei com o %Harry%! – %Dougie% disse fingindo decepção. – Tira nossa música Rafa! – Ela concordou com a cabeça e tirou o papel.
- Tomara que seja Brasileira! – %Paulinha% meio que gritou antes da Rafaella ler a música.
- E você acertou %Paulinha%! Robocop Gay dos Mamonas Assassinas. É assim que pronuncia? – Ela falou com um sotaque engraçado fazendo todo mundo rir.
- Você falou até bem Rafa. É quase assim que se diz.
- Eu conheço essa música! – %Harry% disse.
- Eu também! – Eu e a %AnaPaula% rimos.
- Que peninha. – %Paulinha% disse abraçando o %Dougie%. – Eu queria ver vocês improvisando pra cantar essa música, mas já que vocês conhecem vai ficar sem graça. – Ela fez bico.
- Ta louca amiga? Nunca que vai ser sem graça o %Harry% e o %Dougie% cantando Robocop Gay com sotaque londrino! – Ela concordou gargalhando como os outros.
- A gente devia gravar e por no Super City pros fãs brasileiros verem. – %Tom% deu a sugestão que me agradou muito.
- Oba! Eu gravo! – Eu já peguei a mega câmera digital do %Danny% pra gravar aquilo. – Vou adorar ter meus créditos nesse vídeo lá no Super City. – Nós começamos a ir até o Karaokê.
- To até vendo todos os comentários que você vai ter no seu perfil %Saáh%. – %Paulinha% disse me abraçando. Eu concordei com a cabeça.
- Você tem conta no Super City %Saáh%? – %Danny% perguntou surpreso. %Harry%, %Tom% e %Dougie% estavam da mesma forma.
- Tenho sim. – Eu disse dando de ombros.
- Porque você nunca disse? – Foi a vez de o %Harry% perguntar.
- Porque vocês nunca perguntaram dãa! – Eles resolveram deixar pra lá e pararam de falar no Super City.
- Então vamos por ordem de sorteados, no caso, eu e o %Tom% começamos. – %Paulinha% falou já pegando os microfones e dando um ao %Tom%.
%Tom% POV.
- %Tom%, você é um gênio! – %Paulinha% cochichou depois que o pessoal sentou pra ver a ‘apresentação’.
- Quem poderia imaginar que aqueles dois ficariam juntos do jeito que a gente pensou? – Eu comentei no mesmo %Tom% de voz enquanto procurava a nossa música na lista do Karaokê.
- Sem contar que a música que a gente queria também saiu pra eles. – Eu concordei com a cabeça.
- Mas sairia de qualquer forma com aquele tanto de músicas parecidas com Apologize que nós colocamos lá; Eles iam ficar com alguma delas. – Ela concordou e nós nos preparamos pra cantar.
End POV.
It's my life
É a minha vida
It's now or never
É agora ou nunca
I ain't gonna live forever
Eu não vou viver para sempre
I just want to live while I'm alive
Quero apenas viver enquanto estiver vivo
(It's my life)
(É a minha vida)
My heart is like an open highway
Meu coração é como uma estrada livre
Like Frankie said
Como Frankie disse
I did it my way
Eu tracei meu caminho
I just wanna live while I'm alive
Quero apenas viver enquanto estiver vivo
It's my life
É a minha vida Não posso negar que está muito engraçado o %Tom% e a %Paulinha% cantando. A %Paulinha% vai me matar de rir se continuar soltando aqueles agudos no refrão da música e o %Tom% vai me matar de rir se não parar de tentar parecer um cantor mexicano dançando daquele jeito!
- Huhuuu! – Batemos palmas e gritamos feitos loucos quando eles acabaram de cantar.
- Calados! Vamos ver quanto nós tiramos. – %Paulinha% disse fazendo todo mundo prestar atenção na TV.
- 87? Porque 87? Nós cantamos tão bem! – %Tom% ficou indignado com o numero na tela. Eu gargalhei. – Para de rir %Saáh%, isso é sério! – Gargalhei mais alto. – Eu sou um cantor renomado que vendeu milhares de discos e tiro nessa porcaria de Karaokê um 87?! – Eu não consigo nem rir mais do tanto que a minha barriga ta doendo. Eu to até sem respiração. Parece que todo mundo me acompanhou pra rir da reação do %Tom%. Até a %Paulinha% ta rindo do que ele disse.
- Hey amor para de drama ok? Agora eu e a Rafa vamos cantar! – Mary tirou um %Tom% indignado de perto do Karaokê e se aprontou juntamente com a Rafaella pra começarem a ‘animar’ o lugar com uma dose de Katy Perry.
%Danny% POV.
- Acho que agora é a nossa vez. – %Samara% me olhou sorrindo, ainda por causa da interpretação das meninas com a música da Katy Perry e concordou, se levantando.
- Arrasa aí casal! – %Harry% soltou essa idiotice, mas eu não deixei de lado não, ele levou um belo soco no braço por causa disso. – Ai estressadinho! – Mandei o dedo do meio pra ele que botou aquela língua enorme e nojenta pra fora, balançando de um jeito retardado como só o %Harry% é capaz de fazer.
- Como a gente vai cantar? – Ela me perguntou parecendo nervosa.
- É só você cantar quando se sentir á vontade. Escute o seu coração %Saáh%. – Que coisa gay foi essa que eu disse? Ta, %Jones%, você já sabe que quando o assunto é %Samara% %Dias% as coisas ficam estranhamente melosas na sua cabeça.
Ela respirou fundo e concordou mostrando um sorriso lindo me fazendo desviar desses pensamentos estranhos.
I'm holding on your rope,
Eu estou me segurando na sua corda
Got me ten feet off the ground
Estou a 10 pés do solo
And I'm hearing what you say, but I just can't make a sound
E eu estou ouvindo o que você diz, mas simplesmente não consigo emitir um som
You tell me that you need me
Você diz que precisa de mim
Then you go and cut me down, but wait
Depois você me derruba, mas espera
You tell me that you're sorry
Você diz que sente muito.
Didn't think I'd turn around, and say...
Não imaginava que eu me viraria e diria... Ela ta levando á sério a história de ‘escutar o coração’ já que, desde aquele dia, ela nunca me olhou com tanta tristeza no olhar. Parece que ela quer me mostrar o que ela sente por meio da música.
That it's too late to apologize, it's too late
Que é tarde demais para se desculpar, é tarde demais
I said it's too late to apologize, it's too late
Eu disse que é tarde demais para se desculpar, é tarde demais End POV.
%Tom% POV.
- Acho que Apologize não foi uma boa ideia %Tom%. – %Paulinha% cochichou pra mim sem tirar os olhos da %Saáh% e do %Danny% cantando.
- Porque %Paulinha%? Eles estão tão bem cantando juntos! – Ela me encarou.
- Você não percebeu %Tom%? Olha só as feições da %Saáh%! O %Danny% mau ta cantando a música. – Ela voltou a olhar os dois e eu fiz o mesmo. – É só a %Samara% dizendo ao %Danny% que é tarde demais pra se desculpar %Tom%, por isso à música não foi uma boa ideia. Em vez de ajudar nós dois atrapalhamos!
A %AnaPaula% tem razão. Do jeito que a %Saáh% ta olhando o %Danny% é exatamente isso que ela quer dizer e o %Danny% parece estar entendendo perfeitamente já que nem cantar mais ele ta conseguindo só por estar encarando os olhares duros da %Saáh%.
I'd take another chance, take a fall
Eu me arriscaria outra vez, levaria a culpa,
Take a shot for you
Levaria um tiro por você
And I need you like a heart needs a beat
E eu preciso de você como um coração precisa de uma batida
But it's nothing new – yeah
Mas não é novidade - yeah
I loved you with a fire red
Eu te amei com um vermelho fogo
Now it's turning blue, and you say...
Agora está se tornando azul, e você diz...
I'm sorry like an angel
"Eu sinto muito" como um anjo
Heaven let me think was you
O céu me fez pensar que era você
But I'm afraid...
Mas eu receio... End POV.
I said it's too late to apologize, yeah
Eu disse que é tarde demais para se desculpar, yeah
I'm holding on your rope, got me ten feet off...
Eu estou me segurando na sua corda, estou a 10 pés...
the ground
do solo As palmas do pessoal me fizeram cortar o forte contato visual entre mim e o %Jones%. Não sei se ele percebeu, mas praticamente cada palavra dessa música foi com um sentido maior que eu cantei pra ele. Por mais que ele não tenha cantado muito (não sei por que), só de olhar os seus olhos %azuis% que transbordavam confusão e tristeza quase como os meus que transbordavam tristeza e raiva, eu sentia que se fosse em outro momento eu poderia desmaiar por ter aquele olhar sobre mim. E pensar que um dia eu sonhei em olhar naqueles olhos todos os dias; Hoje, eu os quero bem longe de mim, pra não me lembrarem mais das minhas dores.
- Vocês tiraram 94! Parabéns casal! – O %Harry% ta merecendo uns bons tapas por ficar chamando eu e o %Jones% de ‘casal’ a todo segundo!
- Valeu %Harry%, agora para de falar merda ok? – %Daniel% me olhou assustado; Não só ele, mas todos.
- Er... Vamos logo %Harry%. Agora é a nossa vez! – %Dougie% tentou cortar o clima chato que tinha ficado no ar por causa do meu pequeno ‘chilique’, conseguindo com sucesso. – Bêe vem me ajudar aqui com essa música! – A %Paulinha% sorriu se levantando.
- Você que vai cantar querido, eu vou só rir da sua cara aqui de camarote! – O %Dougie% arqueou a sobrancelha não acreditando no que a %Paulinha% disse. – To brincando Bêe! Mais que eu vou rir, eu vou! – Gargalhamos com a cena do %Dougie% e da %AnaPaula%.
Sentei-me em um puff branco, perto da janela que dava pra uma Londres muito bem iluminada e movimentada. Acho melhor ficar um pouco isolada do pessoal enquanto eles se distraem com a apresentação dos meninos. Vou aproveitar e filmar essa apresentação daqui.
- É pra ganhar 100 %Harry%, amor! – Baixou o veado no %Dougie%, acho que ele ta se identificando com a música antes até dela começar a tocar.
- Eu canto uma parte e você outra! – %Dougie% concordou com o que o %Harry% disse e preparou o seu lado ‘gay’.
Só de a música começar a tocar eu já comecei a rir, mas tenho que me controlar já que o video vai pro Super City; Imagina só, o povo só ia escutar as minhas risadas.
Um tanto quanto másculo
Ai com M maiúsculo
Vejam só os meus músculos
Que com amor cultiveiMinha pistola é de plástico
em formato cilíndrico
sempre me chamam de cínico
mas o porquê eu não sei
Não é que eles sabem mesmo a música? Eles tão até fazendo interpretações ridiculamente gays sobre cada palavrinha com muito talento! Se eu não soubesse que eles são machos por terem duas namoradas tão lindas, eu diria que eles são realmente gays. E isso seria um baita desperdício pra sociedade feminina!
O meu bumbum era flácido
mas esse assunto é tão místico
devido a um ato cirúrgico
hoje eu me transformeiO meu andar é erótico
com movimentos atômicos
sou um amante robótico
com direito a replay
Vai ficar difícil aguentar as risadas aqui com o %Dougie% e o %Harry% fazendo suas interpretações de ‘Andar erótico’ e ‘Bumbum flácido’, sem contar o sotaque deles cantando! O melhor é quando eles não sabem falar a palavra e fazem como aquelas pessoas que só cantam o finalzinho do ritmo. Tipo: místico = ...co. De verdade, eu nunca imaginei o McFly sabendo cantar música dos Mamonas. Se eles ainda estivessem vivos, as duas bandas tinham que se encontrar com toda a certeza! Seria o encontro do século.
Um ser humano fantástico
com poderes titânicos
foi um moreno simpático
por quem me apaixonei
e hoje estou tão eufórico
com mil pedaços biônicos
ontem eu era católico
Ai, hoje eu sou um GAY!!!!!Abra sua mente
Gay também é gente
baiano fala oxente
e come vatapá
Você pode ser gótico
ser punk ou skinhead
tem gay que é Mohamed
tentando camuflar
(Allah meu bom Allah)
Faça bem a barba
arranque seu bigode
gaúcho também pode
não tem que disfarçar
Faça uma plástica
aí entre na ginástica
boneca cibernética
um robocop gay
Um RoboCop Gay,um robocop gay, ah eu sei, eu sei, um Robocop Gay...
Ai como dói! ...
- Muito bom! – Palmas e gargalhadas tomaram conta da sala. Desliguei a câmera e me levantei pra ver o resultado do Karaokê.
- Bêe, se eu não soubesse que você é homem, você já seria um gay assumido em minha opinião depois dessa! – Gargalhei alto depois dessa. Só a %AnaPaula% mesmo pra dizer isso pro próprio ‘quase namorado’. Ainda bem que esse ‘quase namorado’ é o %Dougie% %Poynter%, um quase gay assumido.
- Ah %Dougie%! É por isso que você ainda não pediu pra namorar com a %Paulinha% né? Você ainda ta pensando se vai ser gay ou homem. – Não acredito que o %Tom% disse isso!
%Dougie% pensou a mesma coisa que eu e saiu correndo atrás do %Tom% gritando coisas do tipo ‘eu vou te matar’ ou ‘deixa eu por minhas mãos em você’ e o %Fletcher%, pra variar, respondia: ‘credo seu gay, sai de mim que eu sou macho!’ matando todo mundo de risadas.
Voltei a me sentar no puff e me perdi olhando as lindas luzes de Londres pela janela.
%Danny% POV.
- Já faz meia hora que ela ta olhando pra aquela janela guys. – %Tom% olhou novamente para o mesmo lugar que eu encarava há muito tempo. %Samara% sentada no puff e encarando a janela praticamente sem piscar. O que será que ela está pensando?
- Eu vou lá ver o que é. – Levantei do sofá.
- Você? – Encarei a %Paulinha% assim que ela disse isso. – Não toque naquele assunto ou você vai acabar piorando as coisas %Danny%. – Olhei pra %Saáh% novamente. Já ta na hora de eu me esclarecer com ela. Já adiei isso por tempo demais.
Andei lentamente até onde ela estava. Acho que ela percebeu minha presença já que, no mesmo instante, ela respirou fundo; Talvez pra se controlar.
- Tudo bem com você? – Perguntei. Ela nem me olhou, apenas concordou com a cabeça. – Eu queria conversar com você. – Falei com certo receio da reação que ela teria. Ela apenas concordou com a cabeça novamente, pra minha surpresa. – Er... Eu queria pedir desculpas por aquele dia. Não foi minha intenção fazer nada com você, mas confesso que eu estava descontrolado naquele momento. – Respirei fundo não vendo nenhuma mudança na expressão do rosto dela. – Eu nunca imaginei que você pudesse ter passado por algo tão ruim como aquilo. – Ela continuou do mesmo jeito. – Fala alguma coisa! – Ela me olhou com os olhos amargurados.
- Você que queria conversar comigo, já eu não tenho nada pra falar com você. Vou apenas escutar o que você tem a dizer. – Ela voltou a encarar a janela me deixando atordoado com o que ela disse. Eu achei que as coisas tinham melhorado depois de hoje, mas acho que me enganei.
- Tudo bem, se você quer assim. – Ela bufou. – Eu queria primeiramente te explicar o porquê de não ter terminado com a Vivian antes. Nós dois estávamos em crise já tinha um tempo e eu tinha decidido terminar com ela antes mesmo de te conhecer, mas eu era muito fraco em relação a ela; Era só vê-la chorar que eu logo mudava de ideia, só que dessa última vez foi diferente, eu estava decidido, mas ela conseguiu me convencer pra que nós décimos um tempo, sem contato algum por um mês. Ela achava que se eu ficasse longe dela, sentiria falta e me arrependeria. E ela estava certa. – Cocei os cabelos sem jeito. – Não houve um dia que eu não tenha me lembrado dela e, pra ser sincero, exatamente no dia que eu te conheci naquele shopping as lembranças estavam mais fortes. Eu estava mandando uma mensagem pro celular dela quando nós nos esbarramos. – Ela me olhou confusa. – E foi quando eu te vi que eu esqueci completamente da Vivian. – Ela voltou a olhar a janela dando um risinho de ‘que mentira’. – Eu tive de cumprir a promessa de não entrar em contato com ela, além de que, terminar por celular um namoro de dois anos não seria legal, mas ficar perto de você estava praticamente impossível resistir. – Ela fechou os olhos com força quando eu me aproximei do corpo dela. – Então, depois de toda aquela burrada que eu fiz, na segunda eu terminei com a Vivian no instante em que ela pisou os pés aqui em casa.
- Bom pra você. – Foi isso que ela disse? Foi isso mesmo que eu ouvi? Como assim bom pra você?
- %Saáh%, eu terminei com ela por sua causa. – Ela olhou pra mim me deixando mais confuso do que eu já estava. Ela parecia ter achado o que eu falei um absurdo.
- Você terminou porque quis!
- O quê? Meu Deus %Samara% eu to tentando ficar de bem com você e olha só o que você fala pra mim! – Me irritei e ela se levantou do puff, ficando de frente pra mim.
- Ficar de bem comigo? O que você tem na cabeça %Jones%? Você acha mesmo que eu vou ficar de bem com você depois de tudo o que aconteceu? Depois de tudo que você me fez passar esses dias? Você tem noção do quanto me machucou? Do quanto eu quero você bem longe de mim?
- Eu não errei tanto assim! Eu bebi demais e me descontrolei! Por fatalidade do destino você tinha um trauma que eu te fiz lembrar por ter te agarrado á força! Só que eu te pedi desculpas por isso! O que mais você quer que eu faça?
- NADA! Não quero que você faça absolutamente nada! Eu só quero que você fique longe de mim.
- Por que eu ficaria longe de você? – Eu já sentia as lágrimas escorrerem por meu rosto. Lá vai %Daniel% %Jones% chorar de novo por essa mulher. – %Samara%, é tão simples a gente resolver isso. Você só precisa me perdoar. Não me parece tão difícil! – Ela gargalhou irônica.
- Porque não foi com você não é mesmo %Danny%? Por isso você acha tudo tão simples! Você tem tudo! Nunca deve ter passado por algo parecido ao que eu já passei nesses míseros vinte anos de vida! – Ela virou o rosto pra janela, pra não me encarar. – Você não sabe o tamanho do inferno que eu tive que enfrentar e, agora, to tendo que enfrentar de novo. – Ela voltou a ficar de frente pra mim. – E TUDO POR CULPA SUA!
- Saah, você já contou o que aconteceu, com aquele tal de Filipe. Eu sei pelo que você passou e já pedi desculpas por te lembrar disso. – Falei baixo, tentando amenizar os ânimos. Ela negou com a cabeça.
- Não. Vocês só sabem de uma parte. – Ela olhou pro chão com o olhar vazio, mas logo levantou o rosto com o mesmo olhar amargurado. – E você, não finja que não sabia que eu tinha traumas, pois na festa você sabia muito bem. – Olhei confuso pra ela. Como assim eu sabia?
- Gente, parem com isso. – %Tom% chegou tirando a atenção da %Saáh% sobre mim.
- NÃO! Vocês fiquem quietos por que nós dois temos que esclarecer essa história de uma vez! – %Tom% se afastou vendo a minha determinação. Agora que eu percebi que o pessoal estava todo ao nosso redor, observando o que estava acontecendo. Olhei pra %Samara% novamente. – Eu não sabia %Saáh%!
- Não se faça de idiota %Jones%! A %Paulinha% disse pra vocês que eu tinha um trauma de bebida lá na festa! Ela só não disse qual.
Flashback On.
- Não entendi! – %Dougie% disse para a %Paulinha% logo depois que a %Saáh% saiu.
- Eu também não! – Eu disse e o %Harry% concordou com a cabeça.
- Gente, tem muitas coisas que vocês não conhecem da %Saáh%! Ela teve muitos traumas na vida e a bebida é um deles! Ela odeia quem bebe exageradamente. Beber com moderação pra ela é algo suportável, mas ela conhece vocês e ela sabe o quanto vocês bebem. – Ela explicou e acabou esclarecendo um pouco as coisas, mesmo eu achando besteira da %Saáh% essa historia.
- E qual foi o trauma dela com bebida? – %Harry% perguntou.
- Pergunta pra ela %Harry%! Eu não vou dizer nada sem a %Samara% deixar! E vamos logo beber algo porque eu estou com sede!
Flashback Off.
- Eu me lembro. – Respirei fundo, derrotado. – Mas eu nem sei do que se trata! Na verdade, achei uma grande bobagem sua ter um trauma de bebida. – Eu não devia ter dito isso.
- Bobagem minha... – Ela olhava pro teto, parecendo tentar se controlar. – BOBAGEM MINHA? VOCÊ DIZ ISSO PORQUE NÃO VIU A SUA FAMILIA SE DESMANCHAR POR CAUSA DELA! – Ela apontou o dedo na minha cara, me assustando com a frase que ela acabara de dizer.
- %Saáh%, você não precisa... – %Paulinha% disse.
- NÃO! %AnaPaula%, eu to cansada de escutar ESSE CRETINO dizendo que é fácil perdoá-lo! Agora ele vai saber por que eu o odeio tanto depois do que ele me fez. – %Paulinha% disse algo no ouvido dela e a %Saáh% concordou com a cabeça, apertando tanto os dentes no lábio que parecia que ela ia os fazer sangrar a qualquer momento.
- Então diz amiga. – %AnaPaula% disse se afastando da %Saáh% que me olhou com os olhos transbordando raiva.
- Meus pais sempre foram pessoas muito boas, pelas quais eu sempre tive um carinho enorme. Mas tinham defeitos que podem estragar a vida de qualquer família, ou seja, eles bebiam demais. Quando eu fui estuprada, com treze anos, eu estava numa época difícil na minha família. Meu pai era do tipo que bebia muito com a galera da faculdade; Por ter engravidado minha mãe cedo demais, não teve a oportunidade de cursar uma faculdade, só quando eu fiz doze anos que ele entrou em uma. Além de ele ser novo demais e, provavelmente, queria viver e aproveitar tudo que perdeu. Minha mãe era uma adolescente aos meus olhos; Tinha crises terríveis de ciúme do meu pai, provocando brigas e mais brigas, principalmente quando ela bebia; Ela falava merda atrás de merda quando estava bêbada e meu pai escutava tudo controlando a calma, até um certo ponto. – Ela fez uma pausa pra respirar já me dando a impressão de que o que viria não seria algo bom. – Quando meu pai perdia a cabeça ele batia na minha mãe; Não posso dizer que fosse só ele porque não, minha mãe jogava tudo que via pela frente em cima dele. Até a mesa de jantar ela já tentou jogar nele uma vez. Outra vez ela quebrou todos os vidros do banheiro e se trancou lá dentro e eu, apenas uma criança, achei que ela tinha se suicidado aquele dia. Fora a vez que ela se cortou toda com um Gilette e meu pai, que estava sóbrio esse dia, teve que levá-la às pressas para o hospital. Eu sempre apoiei mais a minha mãe, sempre achei que a culpa dela beber era do meu pai que a tinha ensinado. Na verdade, eu odiava o meu pai, com todas as minhas forças. Só que as coisas mudaram quando eu fiz onze anos. Meu pai tinha um melhor amigo, que era muito legal comigo, casado com dois filhos com os quais eu brincava sempre que saíamos juntos pra algum lugar. Em um sábado á noite, meu pai estava de plantão na farmácia onde trabalhava. Eu estava com a minha mãe em casa e a campainha tocou; Eu abri a porta e vi o melhor amigo de meu pai ali. Bom, era normal ele ir lá quase todos os dias e aos sábados principalmente. Quando eu disse que meu pai não estava lá ele disse que ia entrar e conversar um pouco com a minha mãe e ficou lá duas horas com ela na varando lá de casa. Por uma triste ironia do destino, eu tinha esquecido alguns brinquedos na varanda onde eu costumava brincar. Entrei pelo pequeno corredor que dava acesso á mesma e percebi a luz apagada, andei bem devagar e quando cheguei à extremidade olhei só com a ponta da cabeça. Eu os vi. Estavam se agarrando ali, sem nem respeitar que eu estava na sala, sem pensar no meu pai! Como a minha mãe pode? Sinceramente eu não sei. A partir dali eu fiquei calada, mas passei a observar cada passo dos dois, cada telefonema estranho que minha mãe recebia. Então dois anos se passaram e eu fui estuprada. Eu precisava de uma mãe, de um pai, de uma família estruturada; E eu a tinha? Não! Um dia eu não aguentei e explodi! Eu queria acabar com aquilo então contei tudo pro meu pai na frente dela. Ela se assustou no mesmo instante e meu pai começou a fazer milhares de perguntas e tudo mais. Ele acreditou em mim e ligou para o ex melhor amigo dizendo que eles precisavam conversar. Enquanto ele fazia isso, minha mãe olhava pra mim como se quisesse me matar, coisa que eu acho que ela faria se meu pai não tivesse voltado pra sala. Quando o cara chegou, meu pai me pediu pra dizer tudo o que eu tinha dito á ele na frente do outro; E eu disse, com toda a firmeza que eu pude encontrar e aquele desgraçado me chamou de mentirosa, disse que eu estava louca. Eu enfiei o dedo na cara daquele filho da puta e disse: “Mentiroso é você seu vagabundo desgraçado”. Meu pai mandou o cara ir embora. Agora dessa parte eu nunca vou me esquecer; A parte que a minha mãe vira pra mim e diz: “Você não é mais a minha filha, você morreu hoje!” deixando essas palavras marcadas pra sempre em mim. – %Samara% se sentou no puff olhando pra janela novamente. Ninguém sabia dizer nada, muito menos eu que era o culpado por tudo aquilo ter retornado pra vida dela. – Desde então eu nunca mais falei com ela. Ela já me procurou várias vezes, pediu desculpas, mas pra mim ela morreu aquele dia como eu morri pra ela. Ainda mais que ela não mudou nada, continua a mesma irresponsável e continua bebendo. Já meu pai, graças a Deus, tomou rumo na vida e parou de beber. Hoje eu tenho uma madrasta muito legal e posso encher a boca pra dizer que tenho uma família de verdade.
Eu, %Harry%, %Tom%, %Dougie%, Rafa e Mary estamos emocionados. Chorando por tudo que nós acabamos de ouvir. Nunca pensei que alguém pudesse passar por tanto em tão pouco tempo. E eu que achava que já tinha sofrido muito na vida.
- Agora você entende %Jones%? Entende porque você é um desgraçado que eu tenho que odiar? – Ela se levantou – Você pode até ter terminado com a Vivian achando que ia ficar comigo ou algo assim, mas não %Jones%! Eu não quero alguém como você. Você tem os defeitos que eu mais odeio nessa vida e eu prometi a mim mesma que não ficaria com merda de homem algum que me lembrasse à porra do meu passado! – Olhei pra ela com o olhar suplicante. – Eu posso suportar a sua presença por causa dos meus amigos, mas não fale comigo, não olhe pra mim, não chegue perto de mim! Se mantenha bem longe! – Ela olhou pra todos no local e saiu correndo.
- Eu disse que você pioraria tudo %Jones%. – %AnaPaula% disse com uma cara desapontada e saiu por onde a %Samara% passou.
- É melhor eu ir levá-las pra casa. – %Dougie% disse batendo em meu ombro e saindo.
- De verdade dude, acho melhor você não forçar a barra, já que dessa vez a %Saáh% parece decidida a te ignorar. – %Tom% me abraçou de lado e foi agora que eu percebi que eu to mais ferrado do que nunca com a %Samara%.
O que eu vou fazer agora?
End POV.