Who Said It Could Not Be Forever?


Escrita porSamara Dias
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo. 05

Tempo estimado de leitura: 35 minutos

  Sai correndo pelo corredor, chegando rapidamente à escada. Desci igual um foguete, desesperada. Queria sair dali o mais rápido possível, queria nunca mais voltar aquela casa, queria que toda a minha dor sumisse a mesma dor que eu senti há uns anos atrás só que, daquela vez, eu não sabia me proteger como agora.
  Tentei me livrar das lembranças e voltei minhas atenções em encontrar a %Paulinha%. Procurei com o olhar, mas meus olhos só viam borrões á frente. Passei as mãos rispidamente pelo meu rosto, pra ver se controlava o choro pelo menos até eu achar a %AnaPaula%. Olhei por toda aquela gente e consegui localizá-la ao lado do %Dougie% no bar, bebendo animados.
  Não pensei em outra coisa. Teria que pedir ajuda aos dois, por mais que eu não quisesse atrapalhar a noite deles, mas eu não conseguiria ir pra casa sozinha.
  Não no meu estado.
  Andei apressada, esbarrando várias vezes nas pessoas ao meu redor, até conseguir enfim chegar ao bar onde %Dougie%, que me olhou primeiro, levantou rapidamente vendo o estado em que eu me encontrava.
   - Ai meu Deus, %Saáh%! O que aconteceu com você? – %Dougie% disse apavorado e %Paulinha% se virou pra ver o que estava nas suas costas. A me ver, ela veio aterrorizada em minha direção.
   - %Samara%, quem fez isso com você? – Ela me perguntou já imaginando algo.
   - Eu... Preciso... Ir... Embora. – Eu disse gaguejando entre soluços e lágrimas, que insistiam em cair como balas dos meus olhos.
   - %Samara% me conta agora! Seu vestido está rasgado e... – Ela parou de falar depois ficou paralisada ao ver o %Danny% descendo as escadas, completamente bêbado, apoiando uma das mãos no corrimão e a outra no membro onde eu chutei. %Dougie% seguiu seu olhar e passou as mãos nos cabelos, balançando a cabeça negativamente enquanto eu encarava as escadas com uma vontade louca de fugir, sair correndo dali.
   - Ele fez a... – %Dougie% começou, mas eu o interrompi.
   - Eu conto no caminho pra casa! Por favor, vamos agora? – Eu disse com algumas lágrimas nos olhos, mas o soluço passava aos poucos não sei se devido ao susto de ver o %Daniel% de novo ou o fato de eu ter cansado de chorar. Acho que os dois.
   - Tudo bem, mas você vai contar tudo! Absolutamente tudo! – %Paulinha% disse me olhando firme andando do meu lado direito, enquanto o %Dougie% se posicionava do meu lado esquerdo, concordando com a cabeça com o que %Paulinha% tinha dito.
   - Ok, eu só quero sair logo daqui. – Eu disse andando ainda com as pernas moles, assustada.

  Entramos no carro do Doguie e eles queriam que eu contasse a historia ali, no carro. Eu argumentei que não teria possibilidade disso ali, já que o %Dougie% estava dirigindo e poderia se descontrolar.
  Chegamos ao prédio e subimos em silêncio no elevador, eu estava de cabeça baixa, mas podia perceber os olhares de %AnaPaula% e %Dougie%, provavelmente tentando imaginar o que aconteceu. %Paulinha% abriu a porta do apartamento e nós entramos.
  Depois que eu me sentei no sofá da sala, o %Dougie% sentou ao meu lado e, logo depois, %Paulinha% se sentou do outro lado.
   - Pode contar tudo agora, %Saáh%. – %Dougie% disse tentando parecer calmo.
   - Ai gente, é... – Eu tentei começar, mas as lágrimas invadiram os meus olhos novamente me fazendo levar as mãos ao rosto, tentando inutilmente parar de chorar e contar a historia.
   - Calma, amiga, por favor, eu vou pegar um copo com água e açúcar pra você. – %Paulinha% disse já se levantando enquanto o %Dougie% me abraçava, tentando me confortar. %AnaPaula% voltou com a água e eu bebi para não ter que vê-la me forçar a beber se eu recusasse.
  Respirei fundo, limpei as lágrimas e me preparei pra contar, agora sem choro.
   - Vocês viram quando o %Tom% me chamou pra ir achar um CD com ele? – Eles concordaram com a cabeça, apreensivos.
   - Bom, ele me levou ao quarto do %Jones%, por que os CDs ficam lá. Nós procuramos e não estávamos achando o tal CD, ai o %Tom% achou outro lá e desceu me deixando lá procurando o CD. Um tempo depois o %Jones% apareceu no quarto e começou a me ajudar a procurar. Estava tudo indo muito bem mesmo ele estando bêbado, parecia até um pouco sóbrio, até ele encontrar o CD. Eu peguei o CD e me virei pra sair do quarto só que ele fechou a porta de uma vez e me imprensou na parede...
  Dei uma pausa pra respirar se não, meu choro voltaria só por lembrar da cena. %Dougie% olhou pra %Paulinha% e ela retribui o olhar dele com um olhar muito preocupado que eu percebi.
   - Ai eu pedi pra ele me soltar, só que ele em vez disso me agarrou, me beijando á força. Eu tentei bater nele e me soltar, mas nada adiantou e eu aos poucos, fui cedendo ao beijo sem perceber. A merda do meu coração não escutava minha cabeça implorando pra ela não fazer isso! – Eu alterei o tom de voz, mas me controlei.
   - Continua, amiga. – %Paulinha% falou me abraçando e %Dougie% fez o mesmo.
   - O %Jones% empolgou com o beijo, começou a me agarrar agora com mais violência. Ele começou a passar as mãos pelo meu corpo, se é que vocês me entendem. – Eu disse pausadamente porque o %Dougie% estava ali.
   - Ele não tentou... – %Dougie% falou me olhando assustado, acho que já sabendo a resposta.
   - Ele tentou, %Dougie%! Foi por isso que meu vestido rasgou! Eu me concentrei em escapar dali e, quando ele abriu a guarda, eu acertei no “lugar onde dói’’! – Eu disse já deixando as lágrimas voltarem. Mesmo a ideia do chute ter sido engraçada se não fossem as circunstâncias.
   - Eu mato aquele cretino! – %Paulinha% disse furiosa.
   - Amiga, não vale à pena. – Eu disse baixo.
   - Não vale à pena? Amiga depois de tudo que aconteceu com você antes! Eu te disse que se algum desgraçado tentasse a mesma coisa eu... – Ela dizia, mas o %Dougie% interrompeu.
   - Aconteceu antes? – Ele disse com cara de interrogação.
   - Ai meu Deus! Amiga eu esqueci completamente do %Dougie% aqui... – Ela dizia me olhando, tentando se desculpar por ter falado demais.
   - Não %Paulinha%, tudo bem. Eu contaria de alguma forma, não é? – Eu falei limpando as lágrimas e me preparando para contar o pesadelo que me assombrava todos os dias.
   - Contar o quê? Eu já estou ficando preocupado. – %Dougie% disse me fazendo olhar pra ele.
   - %Dougie%, o assunto é de se preocupar. A %Samara% nunca contou isso pra nenhum garoto. Nem o ex dela sabe disso. Acho que ela só contou para mim, %Kalissa% e %AnaLuisa%. – %Paulinha% dizia baixo, medindo as palavras.
   - Deixa amiga eu conto. – Eu disse pra %Paulinha% e ela assentiu com a cabeça. %Dougie% me olhou com atenção, esperando eu começar a historia.

  %Tom% POV:

  - %Tom%! Você viu a %Saáh%? Ela sumiu, eu estou procurando ela á horas! – James disse quando se aproximou de mim, da Mary, do %Harry% e da Rafa. Estávamos no bar tomando nossas bebidas.
   - Merda! Eu a deixei lá em cima procurando o CD pra mim. Esqueci de voltar lá e ajudar ela. - Eu disse com a mão na cabeça. Burro! Eu pedi o %Danny% pra ajudar ela. Será que aquele bêbado ainda está lá?
   - Eu vou lá atrás dela. É em qual quarto? – James perguntou apontando para as escadas. Acho melhor eu ir, vai que a %Saáh% e o %Danny% se acertaram lá em cima? Eu que não quero deixar o James, quem me parece estar amarradão na %Saáh% ir lá e presenciar uma cena dessas.
   - Não, deixa que eu vou lá. Se eu não for ela me mata! Espera aqui que eu já desço. - Eu disse já me dirigindo às escadas.

  Passei com dificuldade pelo pessoal bêbado que estava na sala e acabei esbarrando com o %Danny% no meio do caminho.
   - Cara, cadê a %Saáh%? – Eu disse pra um %Danny% meio machucado. Ele colocava as mãos no meio das pernas como se algo o tivesse atingido ali. - Tudo bem, dude? – Eu perguntei pra ele, que não respondeu nada. - Vem aqui, vamos para o bar pra você sentar, ai você me diz onde a %Samara% está. – Ele concordou com a cabeça e nós fomos eu meio que carregando o %Danny% que cambaleava acho que com o efeito da bebida e da dor. Se isso for dor!
  Fomos barrados por um grupo de pessoas que eu mal me lembro de onde conheço que começaram a falar várias coisas conosco, impedido eu e o %Danny% de chegar ao bar.

  End POV.

  - %Saáh%, eu não sei o que dizer... – %Dougie% falava baixo depois da história que eu contei.
   - Tudo bem %Dougie%, acho que ninguém sabe o que dizer de uma coisa dessas. – Eu disse esforçando um sorriso que não saiu. %Dougie% me abraçou forte, ficando comigo daquele jeito por longos segundos. - Foi melhor do que palavras. – Eu disse depois que ele me soltou, sorrindo, o que o fez sorrir também.
   - Eu vou matar o %Danny%! – Ele falou recuperando a raiva e se levantando.
   - Não, por favor, %Dougie%. Eu não queria ter feito vocês virem aqui comigo, e não quero atrapalhar o resto da noite de vocês! Esquece isso, por favor! Volta pra lá e se diverte com a %Paulinha%. – Eu falei me levantando também, logo depois a %AnaPaula% se levantou.
   - Você tá louca? Eu não vou te deixar aqui sozinha não! – Ela disse com uma expressão extremamente nervosa no rosto.
   - Ah! Você vai sim! Eu não vou ficar acordada por muito tempo não, eu quero ficar sozinha amiga. Se você ficar aqui, vai me deixar com culpa na consciência por ter estragado a primeira noite de vocês dois! Não mesmo você vai! – Eu disse gesticulando com as mãos, vendo a %Paulinha% cruzar os braços em sinal de indignação.
   - Eu vou ficar bem, é serio! – Eu falei abraçando os dois.
   - Tem certeza? – Ela perguntou insegura enquanto eu empurrava ela e o %Dougie% pra porta do apartamento.
   - Eu tenho! – Eu disse abrindo a porta.
   - Tudo bem, mas você vai ficar com o celular do seu lado. Se eu ligar e você não atender eu volto igual uma doida pra casa! – Ela falou apontando o dedo indicador na minha direção.
   - Provavelmente se eu não atender, eu vou estar dormindo. – Eu disse me encostando á beirada da porta.
   - Então você desliga o celular quando for dormir ai a gente vai saber! – Doguie disse sorrindo.
   - Ele teve uma ideia que presta dessa vez! Você está evoluindo não é %Dougie%? – Eu disse rindo. Comecei a gargalhar depois da cara que ele fez, colocando língua pra mim. %Paulinha% também riu.
   - Então fica combinado assim. Qualquer coisa, pelo amor de Deus, me liga! – Ela falou andando com o %Dougie% até o elevador.
   - Eu ligo, divirtam-se. – Eu disse acenando e fechando a porta em seguida.

  Corri até meu quarto e fechei a porta, peguei meu edredom e fui para a varanda. Gostava de ficar ali, onde eu podia pensar e colocar a cabeça no lugar sempre que precisava e eu precisava mais do que tudo naquela noite.
  Porque tudo tinha que retornar logo agora? Porque toda essa dor tem que me fazer lembrar tudo que aconteceu? Por que o %Danny% fez isso comigo?
   - Meu Deus, me responde, por quê?
  As lágrimas já caiam pesadamente por meu rosto, eu não queria mais segurá-las. Eu tinha que jogar tudo para fora antes que toda essa dor me sufocasse como antes.
  Encolhi-me no banco da varanda, acabei olhando para o céu e vi como ele estava lindo. Como eu queria poder ver esse céu feliz, mas não era assim que eu estava e olhar para o céu só me lembrava que momentos de felicidade eram difíceis de continuar por muito tempo na minha vida.
   - Por que quando tudo começa a dar tão certo, algo acontece pra fazer tudo desabar de novo? Deus, eu não sei mais se eu aguento tudo isso novamente! Me dá forças, por favor!
  Deus era meu único refúgio nesses momentos. Eu sabia que tudo teria um fim, tudo um dia acabaria bem e, por esse motivo, que eu me sentia bem conversando com Deus. Ele é alguém que nunca vai te fazer sofrer, que vai estar sempre do seu lado apesar de tudo, e é disso que eu necessito! É Ele que vai ajeitar tudo no final. Mas isso também não impedia que a dor invadisse o meu coração, como se fosse quebrá-lo em milhões de pedaços a cada segundo, também não impedia a minha louca vontade de sumir, de chorar até todas as lágrimas se esgotarem, até não haver mais nada. Nada que possa fazer essa dor retornar.

  %Dougie% POV:

  - É sério, %Paulinha%, o %Danny% pode ser o meu melhor amigo, mas o que ele fez me faz querer matá-lo! – E é isso que eu vou fazer quando chegar à festa! Eu dizia pra %AnaPaula%. Eu não conseguia me controlar de tanta raiva do %Danny% ainda mais porque eu disse pra ele não fazer nada com a %Saáh%.
   - Eu vou matar ele primeiro! – Ela falou furiosa, e não era pra menos. Depois que a %Saáh% me falou o que ela passou com certeza a %AnaPaula% quer proteger à amiga principalmente porque elas só têm uma á outra aqui em Londres.
   - Vamos logo antes que o %Danny% desmaie de tão bêbado. – Ela falou abrindo a porta do carro e entrando. Eu entrei logo depois e arranquei com o carro.

  Mal paramos na frente da casa do %Danny% e a %AnaPaula% já saiu que nem uma louca do carro. Eu tive que correr pra alcançá-la.
   - Onde é que está aquele desgraçado! – Ela dizia percorrendo o olhar pela casa.
   - Ali! – Eu disse depois de avistar o %Danny% sentado no bar com o %Tom% e o James me parecendo fazer perguntas á ele. %AnaPaula% foi com fúria ao local e eu a segui do mesmo modo. Ela tava puta de raiva com ele e eu também! Quando nos aproximamos a primeira coisa que eu quis fazer foi quebrar a cara do %Danny%, mas o %Tom% me impediu.
   - Me larga, %Tom%! Deixa eu bater nesse idiota! – Eu gritava, mas o %Tom% me empurrava para longe do %Danny% que mal conseguia ficar em pé de tão bêbado.
   - Caralho, %Dougie%, por que essa raiva, dude? – %Tom% me perguntou e eu parei, mas tive que agir rápido quando a %Paulinha% avançou no %Danny% com tudo.
   - Desgraçado! Como você pode fazer isso com ela? – Ela falava aos gritos enquanto eu a segurava, já que começava a chamar á atenção dos curiosos no bar.
   - Fazer o quê com quem? – James perguntou e %Paulinha% parou ao ouvir a voz dele, tentando ficar mais calma.
   - Com a %Samara%. – Ela falou e todos nos olharam nervosos, indo de nós ao %Danny% várias vezes.
   - O que ele fez com ela, %Paulinha%? %Dougie%? – %Tom% disse me parecendo muito preocupado.
   - Gente, é melhor a gente ir conversar em outro lugar. Está todo mundo olhando pra gente. – Eu disse já que era o certo a fazer.
   - É, gente, vamos para o quarto do %Danny%. – %Harry% disse já pegando o %Danny% pelo braço e o fazendo andar até a escada enquanto os curiosos analisavam cada movimento nosso.
  Seguimos até o quarto do %Danny%. Eu e %Paulinha% muito nervosos ainda pelo que ele fez e o pessoal, nervosos pra saber o que aconteceu.

  End POV.

  %Tom% POV:

  - Agora vocês podem contar. – Eu falei já impaciente para o %Dougie% e a %AnaPaula% enquanto o pessoal se ajeitava pelo quarto. %Harry% e Rafaella na cama ao lado do %Danny%, %Paulinha% e %Dougie% em pé perto da porta e eu, James e Mary na frente da cama de olho no %Danny%.
   - O negócio é o seguinte, eu não vou contar muitos detalhes não e... – %Dougie% começou, mas a %Paulinha% interrompeu.
   - %Dougie% é melhor a gente não contar ‘aquilo’ agora, eu prefiro esse ridículo ali sóbrio!
   - Tudo bem, %Paulinha%. – Ele disse, mas o que será ‘aquilo’?
   - O que vocês não podem contar agora? – O %Harry% perguntou. Tirou as palavras da minha boca.
   - Vocês vão saber amanhã, quando o cretino do %Jones% ficar sóbrio! – %AnaPaula% falou.
   - Mais eu não tô bêbado. – O %Danny% disse completamente bêbado, fica até engraçado ele dizer que não está.
   - Cala a boca, retardado! – %Paulinha% disse nervosa, deve ter sido algo muito grave pra ela estar assim.
   - Parem os dois! – Mary falou, eu olhei pra ela assustado com o nervosismo. - Fala logo, %Paulinha%, o que o %Danny% fez com a %Saáh%? – Mary continuou com as mãos na cintura, o que confirma minha tese do nervosismo.
   - Ok. A %Saáh% estava aqui procurando um CD pro %Tom%, ai o %Danny% veio aqui e até ajudou ela, pelo que ela disse que ele parecia sóbrio até achar o tal CD. Ela estava indo sair do quarto, mas o %Danny% a impediu. Imprensou ela na parede e... – %Paulinha% parou de falar e me pareceu não conseguir dizer. O %Dougie% percebeu e continuou a história.

  - Eu não acredito... – Eu disse depois do %Dougie% finalizar.
   - Agora eu sei por que vocês queriam bater nele, esse idiota... – Mary disse quase adivinhando meu pensamento. Eu queria bater no %Danny% pelo que ele fez a minha amiga, mas acabei recordando de algo.
   - É mais grave do que isso não é? – Eu perguntei aos dois já sabendo que sim e vi que todos pensavam a mesma coisa.
   - Muito mais grave, %Tom%, mas a gente só vai contar amanhã pra esse idiota saber o tamanho da burrada que ele cometeu! – %Paulinha% falou baixo.
   - Onde a %Saáh% está, %Paulinha%? Tudo bem com ela? – %Harry% perguntou fazendo todos voltarem suas atenções pra %AnaPaula%.
   - Ela está em casa, não quis que a gente ficasse lá... – Ela falou ainda baixo, me parecia preocupada.
   - Ela disse que queria ficar sozinha, mas que ia ficar bem, coisa que eu duvido muito. – %Dougie% complementou.
   - Eu tenho que falar com ela, eu vou lá! – Eu disse. Tinha que ir vê-la, não conseguiria dormir de preocupação com ela. Eu prometi que cuidaria dela e é isso que eu vou fazer.
   - Acho melhor não, %Tom%, ela falou que não quer ver ninguém. – %AnaPaula% falou.
   - Sou eu, %Paulinha%, ela vai falar comigo. – Eu disse convicto.
   - %Tom%, eu aconselho você a mandar uma mensagem perguntando. Eu conheço a %Samara% e sei que nesse momento ela não quer ver absolutamente ninguém. – Ela falou olhando pra mim sinceramente.
   - Ok, vou mandar a mensagem. – Eu disse derrotado.
  Me afastei do pessoal indo até a janela, podia escutar as meninas xingando o %Danny% que não devia estar nem entendendo o que elas diziam. Peguei meu celular e digitei a mensagem, cliquei em enviar e fiquei olhando o céu da janela, estava tão bonito para estar presenciando algo tão triste. E eu ainda nem sei o que aconteceu a mais com meu Leitão. Agora é só esperar pra ver o que ela responde.

  End POV.

  Acho melhor ir trocar de roupa, olhar pra esse vestido só piora a situação. Me levantei e caminhei lentamente até o guarda roupa e peguei a primeira camisola que eu vi na frente. Para piorar a minha situação é a camisola que eu comprei com as meninas no Brasil antes de vir pra Londres.

  Flashback On:

  - Meninas, olha só que linda essa roupa de dormir! – Eu disse apaixonada com a camisola.
   - É bem o gosto McFLY, %Saáh%, compra ela! – %Paulinha% disse.
   - Vai que você conhece os meninos lá e fazem uma festinha do pijama. – %Aninha% disse com uma carinha safada.
   - Com certeza o %Tom% iria gostar, é da Disney. – %Loraa% disse sorrindo.
   - Depois dessa propaganda o jeito é levar não é? – Eu disse rindo e as meninas gargalharam em seguida.

  Flashback Off.

  Eu sinto tanta falta delas, só falei com a %Kalissa% e a %AnaLuisa% pela internet, mas isso ainda me deixa com saudades delas. Eu queria tanto ter visto a reação delas quando nós contamos no MSN que conhecemos o McFly. Queria tanto que elas estivessem aqui, com certeza a %Loraa% iria me dizer coisas úteis como da ultima vez.
  Meus pensamentos foram interrompidos pelo meu celular avisando que uma mensagem havia chegado.
   - Demorou até demais! Eu achei até que ela iria ligar.
  Peguei o celular e, para minha surpresa, a mensagem era do %Tom%.

Leitão,
Eu estou preocupado com você, posso ir te ver? Se você demorar pra responder eu vou ai. Se você preferir me liga.
Te amo, Pooh.

  O %Tom% merece o apelido, ele é tão fofo! Eu abri um sorriso involuntário depois de ver o ‘Te amo, Pooh.’
  Por mais que eu tentasse, receber alguém hoje não teria como. Nem mesmo o %Tom%. Digitei a mensagem de resposta e voltei para a varanda, sentei no banco e voltei a chorar. Chorar por ser tão fraca, por não conseguir lidar com isso, por não conseguir lidar com a dor.

  %Tom% POV:

Pooh,
É difícil pra eu ver alguém agora, eu estou bem não precisa se preocupar. Não vou ligar porque, dizer o que não é?
Boa noite meu pequeno Pooh.
Eu também amo você!
Beijo, Leitão.

  Eu não acredito, nem a mim ela quer receber. Nem um telefonema. Com certeza esse ‘Eu estou bem’ é a mais pura mentira! Ela está mal, muito mal.
   - Eu mato você, %Danny%, e o que quer que seja que vocês vão contar amanhã, não é nada bom. – Eu disse furioso. O pessoal me olhou assustado meio que perguntando o porquê da raiva repentina.
   - Ela não quis te ver, não é, %Tom%? – Rafa disse depois do longo silencio.
   - Ela não quis Rafa, nem ao menos um telefonema ela aceitou. Disse que estava bem, que não era pra eu me preocupar, mas eu não acredito nisso. – Eu disse de cabeça baixa, com as mãos na cabeça. Sinônimo do quanto eu estava desesperado. Mary me abraçou tentando me acalmar e confortar. Ela conseguiu depois de um tempo.
   - Eu vou embora daqui pra não ter que quebrar a cara do %Danny%. – %Paulinha% disse e o %Dougie% concordou.
   - Eu também vou, só de olhar pra ele um ódio bate dentro de mim, mas eu sei que amanhã ele vai sofrer mais do que qualquer um de nós aqui, pela burrada que ele fez. – Eu falei olhando pra um %Danny% desmaiado na cama, ele já devia estar assim de muito tempo, eu que não percebi.
   - Eu vou ficar e despachar os convidados já que o %Danny% não esta em condições. – %Harry% falou e a Rafa concordou.
   - Eu ajudo também %Harry%. - O James disse. Ele ficou calado durante toda a conversa, até me esqueci dele ali.
   - Então até amanha pra vocês. – Eu disse pra eles.

  End POV.

  Cansei! Cansei de chorar, de sofrer. Amanhã vai ser um novo dia, uma nova %Samara%! Nada de me rebaixar ao %Jones% não, nada de me crucificar como da ultima vez! Amanhã eu vou acordar mais forte que nunca. Deus me ajude com isso! Me ajude a ser forte!
  Levantei-me do banco da varanda, fechei a porta e me dirigi à minha cama, deitei e me cobri. Os pensamentos ruins queriam voltar á minha mente, mas eu não vou deixar.
  Meus olhos foram ficando pesados a cada segundo e, em pouco tempo, eu já tinha dormido.

  %Paulinha% POV:

  - Será que ela dormiu? – %Dougie% me perguntou assim que nós abrimos a porta do apartamento.
   - Parece que sim, está tudo muito silencioso. – Eu disse.
   - E escuro. – Ele falou me abraçando.
   - Você está com medo, %Dougie%? – Eu disse tentando conter uma risada.
   - Eu tenho medo do escuro, você me protege? – Ele falou manhoso. Eu já estou sacando qual é a dele.
   - Acho mais fácil acender a luz então. – Eu disse indo até o interruptor e ligando a luz.
   - Você é minha heroína! – Ele falou me abraçando enquanto eu ria baixo.
   - Tudo bem, agora me solta que eu vou ver se a %Saáh% está dormindo mesmo.
   - Ok, vai lá, mas não demora! Eu fico aterrorizado aqui sozinho. – Ele fez bico e eu dei um selinho nele. Com toda essa confusão nós acabamos não aproveitando a noite mesmo. Se a %Saáh% souber ela me mata!

  Tirei o salto e andei até o quarto da %Saáh%. Eu não queria acordá-la com o barulho dos sapatos. Abri a porta lentamente e olhei pela fresta da porta. Ela estava dormindo, então fechei a porta e andei até a sala mais tranquila. %Dougie% sorriu quando me viu chegar.
   - Dormiu? – Ele perguntou ainda rindo.
   - Sim. Qual é a graça? – Eu perguntei franzindo a testa.
   - Eu só estou feliz porque finalmente a gente vai curtir a noite! – Ele mal acabou de dizer e já me puxou pela cintura, colando os lábios nos meus, começando um beijo apaixonado e ao mesmo tempo muito quente.
  Coloquei meus braços em seu pescoço e ele percorria as minhas costas com as mãos, às vezes uma das mãos subia até minha nuca parando em meus cabelos, fazendo carinho de leve em meu rosto enquanto nos beijávamos.

  Ficamos juntos assim por muito tempo, mas estava ficando tarde e eu achei melhor pedir pra ele ir embora.
   - %Dougie%. – Eu disse com certa dificuldade por estar ofegando por causa do beijo.
   - Hm? – Ele só gemeu com sua testa encostada na minha me fazendo carinho nas bochechas com as mãos.
   - Acho melhor você ir, eu tenho que me preparar mentalmente pra encarar o %Danny% amanhã de manhã. – Eu disse olhando nos olhos dele que concordou com a cabeça em seguida.
  Andamos até a porta e eu a abri, ele veio por trás de mim beijando meu pescoço de leve, me causando arrepios dos pés á cabeça. Eu continuei virada para a porta enquanto ele passava as mãos em meus ombros que desciam pelos meus braços, parando em minhas mãos. Ele ás pegou e entrelaçou seus dedos nos meus me abraçando apertado e, depois de um tempo, me virando para olhá-lo.
   - Apesar de tudo que aconteceu, essa foi a melhor noite da minha vida ou pelo menos, parte dela. – Ele disse olhando nos meus olhos me fazendo sorrir.
   - Foi a minha também, mas parte dela, com certeza! – Eu disse e ele sorriu também.
  Ele tirou uma mecha do meu cabelo e o colocou atrás da minha orelha me fazendo fechar os olhos automaticamente só por sentir o toque da sua mão. Ele se aproximou devagar e me beijou, um beijo cheio de ternura. Eu nunca imaginaria o %Dougie% assim, nem em meus sonhos mais loucos. Ele se afastou e deu um beijinho na ponta do meu nariz me fazendo sorrir.
   - Boa noite, %Paulinha%. – Ele falou me abraçando.
   - Boa noite, %Dougie%. – Eu disse perto do ouvido dele, que se contorceu um pouco.
   - Não faz isso não, dá arrepios. – Ele falou no meu ouvido me fazendo arrepiar.
   - Então porque você está fazendo hein? – Eu ri me afastando dele.
   - Tchau, até amanhã. – Ele disse me dando um selinho.
   - Tchau. – Eu falei e ele saiu. Fechei a porta em seguida e corri para o meu quarto.
  Não iria dormir, sabia disso. Essa noite foi muito turbulenta e maravilhosa, só por parte de mim e %Dougie% mesmo. Amanha eu já estou vendo que vai ser uma barra. Só espero que a %Saáh% esteja melhor quando acordar.

  End POV.

  Acordei com uma puta dor de cabeça e com os olhos mais inchados que tudo. Ainda bem que eu coloquei o despertador pra tocar. Não queria ficar em casa, então eu vou à igreja onde a Iris levou eu e a %Paulinha% quando nós chegamos em Londres.
  Fiz minha higiene matinal, tomei meu café da manhã, troquei de roupa e sai de casa, sem celular. Tudo sem fazer nenhum barulho pra não acordar a %Paulinha%. Não queria ninguém me perturbando logo agora de manhã. Se eu pudesse evitaria todo mundo hoje, mas como nada é fácil e simples na minha vida, com certeza eu vou ter que aturar pelo menos muitas ligações.
  A igreja não era muito longe de casa então eu iria á pé sem problemas. O dia estava muito bonito, já tinha muitas pessoas na pracinha perto do prédio aproveitando o sol que era muito raro em Londres. Eu vi um casal de namorados perto da fonte que fez meu coração doer de novo. O maior problema é rever as lembranças à cada esquina que eu vou. Senti as lágrimas encherem meus olhos e as deixei cair chegando à igreja.
  Apenas me ajoelhei em um dos bancos e chorei, chorei com todas as forças tirando de mim essa dor. Eu agora vou sair daqui renovada. Outra %Samara%.

  %Harry% POV:

  Cara que bagunça ficou a casa do %Danny%!
  Eu e a Rafa passávamos pela sala desviando das garrafas no chão, entre outras coisas espalhadas pelo lugar. Subimos as escadas e nos deparamos com o %Danny% da mesma forma que deixamos ontem.
   - Acorda, dude. – Eu dizia sacudindo o %Danny% que praticamente não se mexeu.
   - %Danny%! – Rafa gritou e o %Danny% acordou assustado pelo barulho.
   - Merda, minha cabeça! – Ele dizia se sentando com as mãos na cabeça, com certeza a ressaca ia ser brava.
   - Ela vai doer ainda mais pode acreditar. – Eu disse sério, o %Danny% não deve nem lembrar o que aconteceu ontem.
   - O quê vocês estão fazendo aqui? – Ele disse agora parecendo reparar em mim e na Rafaella.
   - Viemos te acordar, você tem que tomar um banho e vir com a gente pra casa do %Dougie%. – Eu falei tentando fazê-lo levantar.
   - Pra casa do %Dougie%? Ah não, dude, minha cabeça está doendo. – Ela falou deitando na cama de novo o que fez a Rafa soltar um suspiro pesado. É aquilo não ia ser fácil.
   - Dude, você não tem noção do que fez ontem. Você está ferrado cara! – Eu falei, teria que abrir o jogo pra ele antes da gente saber o que de mais grave aconteceu na vida da %Saáh%.
  O %Danny% levantou meio que assustado depois do que eu falei, ficou olhando pra mim com uma cara de “não acredito” que me deixou preocupado.
   - O que foi, %Danny%? – Rafa perguntou percebendo a tensão.
   - Com quem, %Harry%? – Ele ainda olhava pra mim quando disse.
   - %Samara%. – Falei simplesmente, pra mim ele já sabia a resposta. Ele sentou na cama e abaixou a cabeça.
   - Não foi um pesadelo então... – Parecia-me que ele falava pra si mesmo. A Rafa olhou pra mim com olhar de pena.
   - Dude eu não sei o que está na sua cabeça, mas o que eu sei é que você fez uma coisa terrível com a %Saáh%... – Eu comecei a dizer, mas ele me interrompeu.
   - A conversa no meu quarto, a %Paulinha% dizendo que ainda tinha algo mais grave pra dizer?
   - Sim. - Ele abaixou a cabeça de novo me parecendo desesperado.
   - %Danny%, você tem que tomar um banho, comer algo pra gente poder ir lá pro %Dougie%. Já está todo mundo esperando a gente lá, menos a %AnaPaula% que me parece não ter acordado ainda. – Rafa disse depois do longo silêncio.
   - Ela vai contar o que aconteceu com a %Saáh% e que você a fez lembrar quando fez a burrada ontem. – Eu disse baixo. Por mais que ainda sentisse raiva do %Danny% pelo que ele fez, eu entendo que ele não queria fazer nada daquilo. Ele estava bêbado e isso o fez perder a noção das coisas.
   - Eu vou me arrumar. – Ele disse baixo se levantando.

  End POV

  %Dougie% POV:

  - Até que enfim vocês chegaram. – Escutei o %Tom% dizer lá na sala.
  Cheguei à sala e vi o %Danny%, o %Harry% e a Rafaella que tinham acabado de chegar. Todos estavam muito tensos e agora só faltava eu ligar pra %Paulinha%.
   - Eu vou ligar para a %AnaPaula% pessoal. Eu disse pegando o telefone e discando o numero da casa das meninas.
   - Alô? – Uma voz sonolenta atendeu.
   - Dormindo até agora, linda? – Eu disse e ela riu.
   - É, você me acordou.
   - Já está todo mundo aqui, só esperando você.
   - Ok. Eu vou me arrumar e ligo pra você.
   - E a %Saáh%? – Eu perguntei e as atenções na sala se voltaram pra mim, principalmente o %Danny%.
   - Eu não sei me parece estar dormindo ainda. Espera ai que eu vou ao quarto dela olhar.
   - Ok. – Esperei na linha por um longo tempo enquanto o pessoal me olhava impaciente.
   - Você está perto do pessoal? – Ela me perguntou um pouco nervosa.
   - Estou sim, por quê?
   - Coloca na viva voz, %Dougie%. – Ela falou mais nervosa ainda, me deixando assim também.
   - Gente, ela quer que eu coloque o telefone na viva voz então, fica todo mundo calado. – Eu falei para o pessoal na sala que me olharam sem saber o porquê de tudo aquilo, na verdade nem eu sei.
   - Oi, gente. Diz ai quem está na sala, um de cada vez.
   - %Tom%. – %Tom% disse rindo.
   - %Harry%. – %Harry% falou com a testa franzida e voz de galã de novela.
   - Mary.
   - Rafaella.
   - %Dougie%. – Eu disse gargalhando.
   - %Danny%. – Ele falou baixo, nem sei se ela escutou.
   - Tudo bem, agora me escutem. A %Samara% não está em casa, eu olhei em todos os lugares, mas não estou vendo ela aqui.
   - Como assim? Você não a viu dormindo ontem? – Eu disse perturbado.
   - Eu vi, %Dougie%, tenho certeza que ela estava deitada, mas agora de manhã ela não esta mais. – %Paulinha% parecia desesperada ao telefone.
   - Tentou o celular dela? – %Tom% perguntou também preocupado. %Danny% só escutava tudo, mas parecia mais nervoso que todos ali.
   - Ele está aqui, no quarto dela.
   - Nenhum bilhete na geladeira? – Eu perguntei e o %Harry% me olhou com quem me chamava de “Retardado” com os olhos.
   - Não, %Dougie%, nenhum. Ai meu Deus, onde a minha amiga está? – Ela parecia chorar ao telefone.
   - Calma, %Paulinha%, ela deve ter ido dar uma volta, talvez pra esfriar a cabeça. Vamos dar um tempo pra ela. Com certeza ela vai voltar pra casa. – %Harry% falou concluindo que aquela seria a única opção.
   - Tudo bem, mas eu não vou sair de casa até ela voltar e... – %Paulinha% estava falando quando ela ouviu um barulho na porta que todos nós ouvimos também. Barulho de porta se fechando.
   - Ai meu Deus, onde é que você estava? – Ela gritou basicamente esquecendo-se do telefone enquanto nós escutávamos tudo.
   - Na igreja. Vou pro meu quarto, ok? Sem mais perguntas.
   - Mas, %Saáh%, volta aqui! – Escutamos o barulho que, provavelmente, seria do quarto da %Saáh% se fechando bruscamente. Todos na sala se olhavam assustados imaginando que, só pela voz da %Samara%, ela não parecia bem. Parecia um robô falando.
   - %Danny% eu vou matar você, ouviu? E %Dougie% vem me buscar daqui vinte minutos. Eu quero contar essa história logo de uma vez! – Ela estava nervosa, acho que por estar vendo a amiga naquele estado.
   - Tudo bem, %Paulinha%, daqui há vinte minutos eu chego ai.
   - Tchau. – Ela disse e nem esperou a minha resposta, desligando o telefone.

  End POV.

  %Paulinha% POV:

  Cinco minutos para o %Dougie% chegar e eu já estou pronta. Tentei falar com a %Saáh%, mas ela não respondeu. Está trancada no quarto e eu nem sei se ela comeu hoje! Droga me dá um ódio! Eu não posso fazer nada a não ser esperar ela ficar melhor.
  A campainha tocou e eu fui abrir. O %Dougie% olhou pra mim com um sorriso maravilhoso no rosto que me fez sorrir apesar da raiva que eu ainda sentia.
   - Oi, minha linda! Vamos? – Ele disse quando eu o abracei.
   - Vamos sim, %Dougie%, eu só vou avisar a %Saáh% mesmo que ela não esteja me respondendo nada desde que chegou, só está trancada no quarto.
   - Ok. – Ele falou encostando-se à porta.
   - %Saáh%? – Eu falei batendo na porta e recebendo o silêncio como resposta. - Eu vou sair com o %Dougie%, pelo amor de Deus, me liga qualquer coisa amiga! – De novo ela não disse nada. Nem percebi o %Dougie% se aproximar da porta.
   - %Saáh%, pelo menos responde vai! O silêncio que você está fazendo assusta a gente! – Ele falou perto da porta. Esperamos uns segundos pra ter uma surpresa.

Silence is a scary sound
Silencio é um som assustador
Funny feeling happened today
Senti algo engraçado hoje
Somewhere buried in the past
Alguma coisa enterrada no passado
Didn't mean much. that much anyway
Não significa muito mais, de qualquer forma
I know that love will never last
Deveria saber que o amor não ia durar

  Ela cantou a música e se calou. Eu olhava do %Dougie% pra porta a todo instante até ele me chamar.
   - Isso é um bom sinal, não é? – Ele disse bem baixo enquanto nós andávamos até a porta.
   - Não sei, talvez sim. – Eu falei o que era a verdade. Eu não sabia se aquilo era bom ou ruim.
   - Quem sabe, é só a gente analisar a letra. – Ele falou enquanto a gente ia ao elevador.
   - É pode ser, “Não significa muito mais, de qualquer forma”. – Eu falei abrindo aspas com os dedos.

  End POV.

  %Danny% POV:

  Toda essa demora vai acabar me matando! Eu preciso saber logo o que aconteceu antes, o que vai piorar mais a minha situação com a %Saáh%. Todo mundo estava muito nervoso, ninguém falava nada, só o %Harry% que às vezes falava algumas asneiras que ninguém estava dando muita atenção.
  Fiquei pensando em como a %Samara% estaria nesse momento. Quando a história do ex dela veio á tona, eu que estava lá pra aconchegá-la e, agora, sou eu o causador de toda a tristeza dela! Eu não me conformo com isso! Como eu pude ser tão burro? Como eu pude tentar machucar a pessoa que eu mais amo? Não, não pode ser real. Eu vou acordar desse pesadelo a qualquer momento e...
   - Oi ,gente. – %Dougie% disse assim que abriu a porta. A feição dele e da %AnaPaula% não eram as melhores.
   - Até que enfim! Eu estava quase indo lá atrás de vocês! – %Tom% falou um pouco mais aliviado.
   - Pessoal, eu quero acabar com isso logo. Será que vocês podem prestar bastante atenção nas nossas palavras? – %AnaPaula% falou olhando pra todos na sala, até pra mim.
   - Tudo bem. – Nós dissemos.
   - Principalmente você, %Jones%! – Ela falou apontando o dedo em minha direção.
   - Eu acho que sou o mais interessado aqui, %Paulinha%. – Eu disse baixo e só ouvi um “Que se dane” dela.
   - Começando... – Ela começou se sentando no sofá e todos nós a olhávamos vidrados. - Quando a %Samara% tinha 13 anos, ela conheceu um garoto chamado Filipe. Ele tinha 16 anos e parecia ser um garoto legal. Eles começaram a ficar e, depois de dois meses ficando, ele pediu ela em namoro. Ela nunca tinha namorado, na verdade, ele foi a primeira pessoa que ela beijou, então de cara ela aceitou o pedido. Eles namoravam escondidos porque os pais dela não a deixavam namorar. Se viam pouco e, quando se viam, era junto com as amigas dela no caso eu, %AnaLuisa% e %Kalissa%. Nós também gostávamos dele, ele fazia nossa amiga feliz e era isso que importava. Depois de uns cinco meses de namoro, não tenho certeza do tempo, nós combinamos de ir ao clube. Todos nós éramos sócios do mesmo clube onde a %Saáh% conheceu o Filipe. A casa do Filipe era próxima do clube, então estávamos todos indo juntos até que o Filipe chama a %Saáh% pra ir á casa dele, disse que seria rápido, que era só pra ela conhecer a família dele. Ela claro, não contestou e foi com ele enquanto eu e as meninas íamos ao clube. Depois de um longo tempo esperando a %Samara% e o Filipe chegar, eu resolvi ligar para o celular da %Saáh%. Chamava, mas ninguém atendia. Fiquei preocupada, então convenci as meninas a irmos atrás deles. Nas proximidades do clube, em uma calçada, encontramos a %Saáh% agachada, chorando.
  %AnaPaula% colocou as mãos ao rosto, me parecia chorar. %Dougie% a abraçou dizendo algo em seu ouvido. Ela respirou fundo, secou as lágrimas e continuou.
   - Ela não conseguia falar, mas eu e as meninas percebemos marcas no corpo dela, roxas e vermelhas por todos os lados. A gente não sabia o que fazer e muito menos o que tinha acontecido com ela. A %Kalissa% como sempre foi que pensou na solução. Nós fomos até a quadra do clube que era bem afastada e quase ninguém entrava ali. Pedimos a %Samara% pra contar o que tinha acontecido. Eu não acreditei quando a ouvi dizer: “Ele me estuprou” em meio a soluços. Eu olhava pras meninas e elas estavam mais chocadas que eu. Pedi a ela que explicasse melhor como foi que isso aconteceu. “A família dele não estava lá! Não tinha ninguém lá. Aquele desgraçado tinha armado tudo desde o começo! Ele me ameaçou, disse pra eu não contar a ninguém.” Ela falava cada vez mais baixo, como se sua voz estivesse sumindo pelo medo. %Aninha% tentou acalmá-la dizendo que nós iríamos denunciá-lo e que ele não poderia chegar perto dela, mas ela não quis. “Eu não quero me arriscar e arriscar vocês. Nada de denuncia!” %Kalissa% tentou convencê-la do contrario, mas não conseguiu.
   - Meu Deus. – Foi só o que eu consegui dizer. Eu estava desesperado! Nunca pensei que a %Samara% pudesse ter passado por algo assim! Meus pensamentos foram interrompidos pela fala do %Tom%.
   - Ela não fez nada mesmo? – Ele dizia quase sem voz.
   - Não. – Foi a vez de o %Dougie% dizer.
   - Não acabou, gente! – %AnaPaula% falou fazendo todos voltarem suas atenções a ela.
   - Ela foi perseguida por ele durante meses, até chegar às férias de Julho. Quando as férias chegaram, ela viajou pra casa do primo em BH e ficou lá o mês inteiro. Ela rezava todos os segundos pra que Deus tirasse aquele maldito de perto dela e ele o fez! Filipe teve que ir embora com os pais pra São Paulo. Quando a %Saáh% voltou ela não conseguiu acreditar que era verdade quando nós contamos. Foi basicamente a primeira vez que ela sorriu de verdade depois do que aconteceu. Um ano depois, ela começou a ficar com %Samuel%. Eles eram amigos á cinco anos, estudaram juntos por dois anos e, desde então, não se desgrudaram! Ele ajudou muito na volta da %Samara%, na reabilitação dela. Um belo dia, nós combinamos de sair e fazer um piquenique. Eles estavam se divertindo e, de repente aconteceu, eles se beijaram e namoraram por quatro anos e, bom, o resto vocês sabem!
   - Dudes, a %Saáh% já sofreu demais nessa vida! – %Harry% falou impressionado.
   - Aconteceram mais coisas na vida dela, gente, vocês não têm noção do tanto que ela já sofreu! – %AnaPaula% falou e todos olharam abismados pra ela. Ainda tinha mais coisa?
   - Não me olhem assim não. Eu não vou contar! Essa história eu só contei porque ela deixou e, porque era necessário pra vocês verem o tanto que o %Jones% ali está ferrado com ela! – Todos olharam pra mim e, parece que se lembraram do que eu fiz ontem. Eu queria não poder lembrar.
   - Beleza, %Paulinha%, eu estou mesmo ferrado com a %Saáh%, mas eu não tive tanta culpa no cartório sabe? – Eu falei baixo tentando mesmo acreditar que o que eu disse era verdade.
   - %Danny%, você vai ter que me desculpar, mas a culpa é toda e completamente sua! – Ela falou cruzando os braços e olhando pra mim com as feições duras.
   - Eu estava bêbado!
   - Porque VOCÊ quis beber! – Ela gritava.
   - Se eu não estivesse bêbado eu não teria feita nada daquilo com ela, %Paulinha%! ME ENTENDE, CARAMBA! – Eu gritei mais alto ainda, quase aos prantos.
   - Não, %Danny%! Não tem como eu te entender agora! Você que escolheu enfiar a cara na bebida ontem á noite e fazer com que a vida da MINHA AMIGA VIRASSE UM TOTAL INFERNO! – Ela disse e eu me calei chorando como uma criança. Desde que o %Harry% me contou tudo o que aconteceu ontem e ainda mais depois do que eu ouvi agora, eu não conseguiria mais segurar o choro.

  End POV.

  %Dougie% POV:

  Tudo virou um completo silêncio. Só era possível ouvir o choro abafado do %Danny% pelo abraço do %Harry%. Eu até pensei em ir lá confortá-lo, eu entendi o lado dele porque eu já bebi pra caralho e sei como é não ter controle das coisas, mas a %Paulinha% me mataria se eu fosse lá agora então deixei quieto já que o %Harry% já estava lá o abraçando.
  Depois de alguns minutos, o %Tom% levantou do sofá pegando as chaves do carro, fazendo com que todos colocassem suas atenções nele.
   - Eu vou ver ela. – Ele falou simplesmente pra %AnaPaula%.
   - Não sei, %Tom%, ela mal falou comigo e com o %Dougie% também não... – Ele a interrompeu.
   - Comigo ela vai falar %Paulinha%.
   - Ok. Leva a chave de casa então, ela deve estar no quarto ate agora. – %Paulinha% disse entregando ao %Tom% as chaves. Ela estava convencida que ele não iria desistir.
   - Obrigada, %Paulinha%. %Danny%? – Ele parou esperando o %Danny% olhar pra ele. - Espero que o estrago não seja tão grande, dude, espero mesmo. – Ele falou e o %Danny% assentiu com a cabeça depois continuou.
   - Cuida dele gente, ele já vai sofrer muito por estar longe dela e pelo ódio que ela deve estar sentindo dele. Não sei se vocês perceberam, mas o %Danny% ali está apaixonado pela %Saáh%. – Ele disse e o pessoal todo concordou menos a %AnaPaula% que bufou.
   - Mary, você vai comigo?
   - É melhor não, %Tom%, se ela quiser conversar vai ser só com você! Eu espero você aqui. – Ela disse sorrindo e ele a abraçou concordando com o que ela disse. Ele a beijou e, em seguida, saiu pela porta de casa.

  End POV.

  N/A: Aconselho colocar You’ve Got a Friend pra tocar quando a música aparecer.)

  Tédio. Era isso que estava sendo resumido o meu Domingo. Era pra eu estar com o pessoal, brincado de alguma coisa retardada e rindo até falar chega, mas não, tinha que acontecer alguma coisa! Esquece %Samara%, esquece! Já passou.
  Depois dessa briguinha com a minha consciência escutei um barulho vindo da porta da frente. Pra variar eu ainda estava trancada no quarto e não abriria tão cedo. Provavelmente era a %AnaPaula% porque tudo ficou silencioso depois. Mas e se for um ladrão? Ou algum pervertido que sequestrou a minha amiga? Ah! Para com isso %Samara%, a %AnaPaula% está com o %Dougie%. Mas se não é a %Paulinha%, seria quem?
   - %Saáh%? – Escutei o barulho vir da porta do meu quarto e quase dei um pulo ao ver que era uma voz masculina.
   - %Saáh% sou eu, o Pooh. – Ah! Que alívio! É só o %Tom% fofo. - Por favor, %Saáh%, abre a porta pra mim, vai? – Ele pediu manhoso, não tinha como eu não aceitar não é? Era o meu pequeno Pooh. Ele deve estar preocupado comigo.
   - Você está com alguém ai? – Eu perguntei.
   - Não, sou só eu, Leitão.
   - Nem a %Paulinha%?
   - Nem a %Paulinha%. – Ele disse e depois abriu um enorme sorriso quando eu abri a porta. Tive que forçar pra não rir junto, indo correndo pra minha cama e pulando com tudo, ficando com a cara enfiada no travesseiro.
  Ele não disse nada, apenas fechou a porta do quarto e sentou de leve na cama, deu um beijo na minha cabeça e me abraçou, da maneira que eu estava ele ficou me abraçando. Depois daquele dia eu nunca havia me sentido tão confortável e segura. O %Tom% tinha esse poder maravilhoso de me fazer ficar bem, e é impressionante o fato de nós só nos conhecermos á uma semana. Quer dizer, ele me conhecer á uma semana já que eu sou fã, o conheço como ninguém!
  Eu me virei para poder abraçá-lo melhor e fiz com que ele se deitasse. Aninhei-me em seu tórax como uma criança indefesa, que eu era na verdade, e fechei meus olhos tentando aproveitar ao máximo aquela sensação boa que ele causava em mim. Ele começou a alisar os meus cabelos, mais bagunçando do que alisando, mas eu nem ligava estava me fazendo bem mesmo! Ele fez carinho no meu rosto e começou a cantar pra mim.

When you're down and troubled
Quando você estiver deprimido e confuso
And you need a helping hand
E precisar de uma ajuda,
And nothing, nothing is going right
E nada, nada estiver dando certo,
Close your eyes and think of me
Feche seus olhos e pense em mim
And soon I will be there
E logo eu estarei lá
To brighten up even your darkest night
Para iluminar até mesmo suas noites mais sombrias.

  Foi só ele começar a cantar pra um enorme sorriso se abrir na minha boca. Porque era isso que se resumia a minha a amizade e a do %Tom%. Essa música dizia tudo!
  Comecei cantar junto com ele sem perceber, ainda abraçada á sua cintura, deitada em seu tórax.

>You just call out my name
Apenas chame meu nome
And you know wherever I am
E você sabe, onde quer que eu esteja,
I'll come running to see you again
Eu virei correndo para te encontrar novamente.
Winter, spring, summer or fall
Inverno, primavera, verão ou outono,
All you've got to do is call
Tudo que você tem de fazer é chamar.
And I'll be there, yeah, yeah, yeah.
E eu estarei lá, sim, sim, sim,
You've got a friend
Você tem um amigo.

If the sky above you
Se o céu acima de você
Should grow dark and full of clouds
Tornar-se escuro e cheio de nuvens
And that old north wind should begin to blow
E aquele antigo vento norte começar a soprar,
Keep your head together
Mantenha sua cabeça em ordem
And call my name out loud, yeah
e chame meu nome em voz alta
Soon I'll be knocking upon your door
E logo eu estarei batendo na sua porta.

  Ele me fez cócegas enquanto cantava me fazendo ficar sentada ao lado dele, olhando para o seu rosto lindo. Eu amava o %Tom% isso era fato, mas não do jeito que eu amava o %Danny%, era uma amizade verdadeira, mais verdadeira que qualquer outra.

You just call out my name
Apenas chame meu nome
And you know wherever I am
E você sabe, onde quer que eu esteja,
I'll come running, oh yes I will
Eu virei correndo, sim eu virei.
To see you again
para te encontrar novamente.
Winter, spring, summer or fall
Inverno, primavera, verão ou outono,
All you've got to do is call
Tudo que você tem de fazer é chamar
And I'll be there, yeah, yeah, yeah.
E eu estarei lá.

  Ele me abraçou de lado e eu voltei a cantar junto dele. Ele olhou no fundo dos meus olhos quando começou a cantar a próxima parte, eu nem consegui cantar junto, pois meus olhos se encheram de lágrimas que, aos poucos, caíram como balas dos meus olhos.

Ain't it good to know that you've got a friend
Ei, não é bom saber que você tem um amigo?
When people can be so cold
As pessoas podem ser tão frias,
They'll hurt you, and desert you
Elas te magoarão e te abandonarão
And take your soul if you let them
E então elas tomarão sua alma, se você permitir
Oh yeah, but don't you let them
Oh, sim, mas não permita

You just call out my name
Apenas chame meu nome
And you know wherever I am
E você sabe, onde quer que eu esteja,
I'll come running to see you again (oh baby don't you know)
Eu virei correndo para te encontrar novamente. (oh, querida você sabe)
Winter, spring, summer or fall
Inverno, primavera, verão ou outono,
All you've got to do is call
Tudo que você tem de fazer é chamar
Lord, I'll be there yes I will.
E eu estarei lá sim, eu estarei.
You've got a friend
Você tem um amigo.

  - Hey, não era pra te fazer chorar pequena! Desculpa. – Ele disse secando minhas lágrimas o que me fez rir.
   - Não estou chorando de tristeza, Pooh. – Eu disse ainda rindo e chorando, como é que pode? Eu sinceramente não sei.
   - Ah não? – Ele me olhou assustado.
   - Não, é de emoção, Pooh. Obrigada por tudo! – Eu disse abraçando ele novamente enquanto ele sorria e me apertava com força contra seu corpo. Que sensação boa era essa meu Deus? O %Tom% só pode ser um anjo que veio me salvar.

  Ficamos um bom tempo abraçados e voltamos a deitar, ficando na mesma posição que estávamos antes do %Tom% começar a cantar.
   - Acho melhor eu ir pequena, a Mary está me esperando na casa do %Dougie%. – Ele disse beijando minha testa.
   - Ok, Pooh. – Eu disse sorrindo e me sentando na cama.
   - Eu quero que você me prometa duas coisas antes de eu ir. – Ele falou sentando na minha frente, olhando firmemente em meus olhos.
   - Diz ai, vamos ver se eu prometo.
   - Primeiro: Quero que você me prometa ficar bem, eu sei que não é fácil, mas eu quero que você tente melhorar o mais rápido possível! Eu não gosto de ver você assim. – Ele disse segurando minha mão e beijando-a logo em seguida.
   - Tudo bem, isso eu posso prometer. E a outra?
   - Bom, a outra eu acho mais difícil, mas vou tentar mesmo assim: Eu quero que você perdoe o %Danny%. Ele está arrasado pelo que fez e, eu dou um pequeno desconto á ele por estar bêbado. – Eu abaixei minha cabeça, não podia prometer isso ao %Tom%, por mais que eu quisesse não seria tão simples assim. - Pelo menos diz que vai tentar. – Ele disse levantando meu rosto.
   - Vou tentar. – Eu disse depois de um tempo e ele me abraçou.
   - É para o seu bem %Saáh%. Eu sei que você o ama e ele também ama você! Não é saudável ficar longe de quem a gente ama. – Ele falou me olhando de uma maneira doce e meiga que me fez abrir um sorriso involuntário.
   - %Tom%, se ele me amasse não estaria namorando outra pessoa e, não teria feito o que fez comigo. – Eu disse calmamente, com o %Tom% tratar desse assunto é mais fácil.
   - %Saáh%, eu não posso dizer o porquê dele estar com ela ainda, mas eu sei que amanha você vai saber, e vai ver que os motivos dele não ter terminado são convincentes. – Ele disse abrindo um sorriso de lado.
   - Convincentes... Tudo bem, mas não muda o que ele fez comigo.
   - É não muda, mas com o tempo melhora a situação dele não é?
   - Eu não sei %Tom%, não sei como eu vou reagir vendo ele depois disso, não sei se vou conseguir perdoá-lo, não posso dar certeza! Pode ser que melhore com o tempo.
   - Posso perguntar uma coisa? – Eu assenti com a cabeça.
   - Você viu o tal de Filipe depois que ele foi embora? – Ele falou bem baixo, com receio eu acho.
   - Vi. – Eu disse baixo também.
   - O que aconteceu?
   - Bom, eu vi ele depois de dois anos mais ou menos. Nós nos encontramos em uma festa lá na minha cidade, ele estava de férias e eu estava com o meu namorado. Imagina como eu fiquei depois que o vi! Apavorei-me achando que ele tinha voltado pra infernizar a minha vida novamente. %Samuel% estranhou minha atitude nervosa e eu somente disse que estava passando mal, ele foi atrás de um remédio pra mim e eu fiquei sozinha, sentada em uma cadeira. Fiquei morrendo de medo quando escutei a voz de Filipe no meu ouvido. Eu estava de cabeça baixa então não o vi aproximar-se.
   - O que ele fez, %Saáh%? – %Tom% me interrompeu com uma voz muito preocupada.
   - Calma, %Tom%, escuta: Ele me disse “%Samara%? É você mesmo?”, eu levantei a cabeça e disse “Ei Filipe” tentando parecer o mais calma possível. Ele respondeu “%Samara%, me desculpa por favor! Eu era imaturo, idiota e fui a pessoa mais horrível desse mundo pra você! Quando você viajou e eu fui embora, minha prima passou por uma situação parecida com a que eu fiz você passar. Nunca me senti tão culpado na minha vida inteira quando ela me contou o que ela estava sentindo, como foi traumatizante pra ela e eu comecei a pensar como teria sido traumatizante pra você”. Você pode imaginar que a minha cara caiu com aquilo, não é?
   - Uau, mas ele deveria ter visto isso antes, %Saáh%. Analisar só depois que aconteceu com a família dele... – %Tom% ia dizendo, mas eu o interrompi.
   - Isso não foi tudo não Pooh. Escuta: Ele disse aquilo tudo e ainda complementou dizendo “Eu voltei aqui há um ano, mas não consegui falar com você. Fui à sua casa, mas você tinha se mudado então, voltei pra São Paulo pior do que cheguei aqui. Eu queria mesmo poder ter dito antes, serio %Samara%! Me desculpa por favor, não sei se eu aguento ficar mais tempo com isso dentro de mim. Está me matando por dentro, tudo que eu te fiz.” Eu não sabia o que dizer.
   - Ele te pegou de surpresa com tudo isso. – %Tom% concluiu. Eu ri.
   - É... O mais engraçado foi que eu perdoei ele.
   - VOCÊ O QUÊ? – %Tom% gritou assustado me fazendo rir mais ainda.
   - Foi, Pooh, fica calmo. – Eu disse ainda rindo e ele acalmou, mas ainda com a testa franzida.
   - Eu já tinha perdoado ele antes sabe? Foi como uma das prioridades pra que eu conseguisse recomeçar a minha vida. Então ficou até mais fácil quando ele me pediu desculpas entende?
   - Ah! Agora eu entendo %Saáh%, meu Leitão indefeso! – Ele disse me abraçando e nós caímos na risada. O %Tom% era mesmo o meu anjo, só ele pra me fazer rir depois desse fim de semana trágico.
   - Você não estava indo embora, %Tom%? – Eu disse ainda rindo e ele fez que sim com a cabeça, me deu um beijo na bochecha e levantou da minha cama, indo pra porta do quarto.
   - %Saáh%?
   - Oi?
   - Agora eu tenho uma boa noticia pro %Danny%. – Ele disse isso e fechou a porta rindo.
  Como assim uma boa noticia? Ah ele não se atreveria a fazer isso!
   - POOH, eu vou ficar com muito ODIO de você mocinho! – Eu só pude escutar um “EU SEI QUE VOCÊ NÃO VAI, É POR ISSO QUE EU TE AMO, LEITÃO!” e ouvi a batida da porta da minha casa.
   - Tinha que ser o lado %Tom% idiota %Fletcher%!
  Voltei a me deitar e acabei me perdendo em lembranças, lembranças não muito distantes, lembranças que por mais que eu as amasse, queria que elas sumissem da minha cabeça.

  Flashback On:

  - Oi meninas lindas da minha vida! – %Harry% falou quando viu eu e a %AnaPaula% entrando na casa dele junto com o %Dougie%.
   - Isso me inclui, não é, meu amor? – %Dougie% disse correndo e pulando no %Harry%, como sempre muito gay! Todos caímos na risada, até a %Paulinha% que ás vezes não gosta da ‘viadagem’ dele!
   - Claro minha flor, vem aqui me dá um beijinho! – %Harry% disse agarrando o rosto do %Dougie% e colocando a mão na sua boca, beijando a mão e eles ficaram fazendo umas vozes de coisas eróticas (sem comentários a cena).
   - Credo seus gays, vocês vão assustar as meninas! – %Danny% falou vindo da cozinha, piscando pra mim sorrindo, com uma feição maravilhosa no rosto. Eu sorri involuntariamente.
   - Elas vão é vomitar isso sim! – %Tom% gritou da cozinha e eu gargalhei alto quando, em seguida, o %Harry% e o %Dougie% caíram do nada no chão. Só via as gargalhadas de todos enquanto eu ia ajudar os meninos que estava contorcendo no chão. Tadinhos!
   - Tudo bem com vocês? – Eu perguntei preocupada. Só escutei os gemidos do %Dougie% em resposta.
   - Ai %Saáh%, me ajuda, meu cotovelo olha! – %Harry% disse mostrando o cotovelo sangrando e eu o ajudei a levantar.
   - Vem aqui, %Harry%, tem álcool e algodão aqui? Tenho que fazer um curativo. – Eu disse sentando no sofá com ele enquanto a %Paulinha% ajudava o %Dougie% a se levantar ainda rindo do tombo. %Tom% voltou pra cozinha e o %Danny% veio pra sala também. Parecia-me observar tudo com muita atenção.
   - Eu tenho sim, vou pegar. – Ele disse e saiu, eu segui ele com os olhos e acabei encontrando com os olhos do %Danny% que sorriu me deixando constrangida.
   - Eu acho que vou cair também pra você cuidar de mim. – Ele falou com uma carinha vergonhosa que me fez sorrir. Deus como ele é lindo! Por que ele namora mesmo? Ah! Já sei, é porque a minha vida nunca é perfeita. Fazer o que não é?
   - Não se atreva a fazer isso! Eu não gosto de ver vocês machucados. – Eu disse sorrindo e ele cruzou os braços em sinal de indignação.
   - Que foi?
   - Ah! %Saáh%, ele tá assim porque você está atenciosa com o %Harry%. – %Dougie% disse entrando na sala com a %AnaPaula%. Eu continuei sem entender e vi o %Danny% socar o %Dougie% no braço nervoso com o que ele disse.
   - %Saáh%, minha linda, ele esta com ciúmes de você! Olha só a cara dele! – %Tom% disse rindo apontando para o %Danny% quando também entrou na sala. Eu olhei pro %Danny% e o vi ficar com as bochechas rosadas, dizendo algo baixo, acho que se arrependeu de fazer aquele comentário.
   - Opa! O que está acontecendo aqui? – %Harry% disse quando entrou na sala com uma maleta de primeiros socorros em mãos.
   - É que, pelo que os meninos disseram, o %Danny% está com ciúmes porque a %Saáh% está cuidado de você e tal. – %Paulinha% falou rindo um pouco e, depois de olhar para o rosto do %Danny% e ver como ele estava envergonhado, começou a gargalhar. Eu a encarei com um olhar de reprovação. - Ok, ok. Parei! – Ela disse levantando as mãos para o alto fazendo o %Dougie% e o %Tom% rirem.
   - Ah! Se for isso eu não ligo. Anda %Saáh% faz o meu curativo porque eu preciso de você sabe? Eu sou muito carente! – Ele disse se sentando ao meu lado no sofá e eu dei um tapa de leve no braço dele.
   - Ai, %Saáh%, eu tô dodói esqueceu? Você tem que cuidar de mim e não me bater! – Ele fez bico e uma cara de bebê chorão.
   - Cadê a Rafa pra cuidar de você, hein, %Harry%? – Eu disse sarcasticamente enquanto pegava o algodão dentro da maleta.
   - Ah %Saáh%, a Rafa se esquece de mim quando está trabalhando! Ela só se lembra de mim á noite mesmo ou quando ela está de folga. – Ele disse fazendo bico e exclamando um “ai” alto quando eu comecei a passar o algodão com álcool em seu cotovelo machucado.
   - Ah, %Harry%, eu também não ligaria se estivesse no trabalho! – %Paulinha% disse e o %Dougie% a olhou com certa indignação.
   - Que foi? Se eu tivesse um namorado, ele não receberia ligações de mim nem de manhã e nem á tarde. Só á noite mesmo, se eu não estivesse com vocês é claro! - Ela disse fazendo os seus famosos gestos com as mãos e eu vi o %Dougie% ficar muito sem graça. Ele praticamente quase deu um ataque de ‘namorado’ na frente dela. To falando que esses dois vão ficar juntos?! Eu só pude cair na risada junto com o %Tom% e o %Danny%.

  Eu terminei o curativo do %Harry% depois de muitas demonstrações de frescura por causa do machucado. Depois de acabado o %Harry% me abraçou e pulou em cima de mim fazendo um escândalo.
   - Montinho na %Saáh%! – Ele gritou e eu só vi aquele tanto de gente em cima de mim, estavam me sufocando como sempre! Desde a primeira vez que eles fizeram montinho em mim nunca mais pararam. Eles querem me matar eu acho!
   - Ai gente! Eu tô sufocando! %Tom% socorro! – Eu gritava e, aos poucos, eu via o %Tom% tirar um por um de cima de mim, me levantando depois que todos já estavam de pé.
   - Meu herói! Só o %Tom% me ama aqui! Vocês todos querem mesmo é me matar! – Eu disse abraçando o %Tom% que também me abraçou fingindo ser o Super-homem.
   - Claro que não %Saáh% a gente ama você! – %Dougie% disse e todos concordaram com a cabeça.
   - Vamos jogar gente? – %Harry% falou depois de um tempo que todo mundo ficou só sorrindo.
   - Jogar o que, dude? – %Danny% perguntou interessado.
   - Ah! Não sei! Alguém tem uma ideia?
   - Eu tenho! Eu e a %Saáh% jogávamos muito “Qual é a música” no Brasil. Vamos jogar esse? – %Paulinha% disse e eu já empolguei, eu amo esse jogo muito e, agora vai ser interessante, porque a gente nunca jogou com músicas em inglês.
   - Beleza! – %Tom% falou e o resto do pessoal concordou.

  Flashback Off.

  Essa foi a melhor quinta feira da minha vida! Os meninos não trabalharam à tarde e a gente combinou de antecipar a ida à casa do %Harry%. Aquele jogo foi tão comédia! Saía cada música que só de lembrar me faz gargalhar novamente. Eu vou sentir falta daquela felicidade toda que existia entre mim e o pessoal, que morreu nesse sábado.
   - Acho melhor eu ir dormir se não eu vou chorar de novo, e eu prometi não chorar mais!

Capítulo. 05
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