1º Capítulo
Tempo estimado de leitura: 5 minutos
E aqui estou eu, pleno sábado e eu estou em um aeroporto...
- Me diz mesmo o porquê de eu estar aqui mãe?
- Porque você vai me agradecer depois. E, além disso, você precisava sair um pouco e se divertir. Curtir sua infância.
Infância? Qual é mãe!
- Eu posso me divertir aqui em Toronto mãe...
- Filha, é com conhecer novos lugares. – ela me deu um abraço e beijou o topo da minha testa – Te amo.
- Também te amo mãe.
“A todos os passageiros do voo 8123 (n/a: ...Means everything, to me... <3) para a Califórnia, favor irem até a sala de embarque do 2º andar.”
Olhei tristemente para a minha mãe, ela colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha e sorriu, deixando um lágrima cair dos seus olhos.
- Ah mãe! Não chora! Se não eu choro.
Apesar das brigas diárias com a minha mãe, eu amava ela, pô ela é minha mãe! Ver ela chorando me lembrava o meu pai, que nos deixou há 11 anos. Aquele projeto mal feito de pessoa... Nunca mais consegui confiar em nenhum homem, cara, menino, que seja! Pessoas do sexo oposto.
- É melhor você ir querida. – minha mãe me abraçava esmagadoramente – Se cuida, não faça nada de errado, tente não brigar com ninguém e se divirta.
- Vou tentar mãe.
Ela olhou orgulhosa e sorriu, beijando minha cabeça e me abraçando pela última vez.
- Ótima viagem minha lindinha.
- Se cuida também mãe. – sorri torto.
Peguei minha mala (sem rodinha mas com alça) e encaixei as alças em meu ombro, comecei a andar e ouvi uma última fala vinda da minha mãe:
- Quero várias fotos sim?!
Virei e sorri para ela. Logo em seguida, eu já estava abrindo a minha mala para o cara ver se havia algum objeto “perigoso”.
Califórnia, aí vou eu.
~ 0 ~
Minha viagem não foi boa (graças a Deus que eram apenas 2 horas e 40 minutos!).
Primeiro – tive de me sentar no meio de duas pessoa, a do lado direito era uma menina que não calava a boca, e o pior era que ela mascava chiclete enquanto tagarelava, resultados: meu headphone ficou cheio de salivas-não-bem-vindas; a pessoa do lado esquerdo era um cara gordo, que também não parava de mexer a boca, porém ele não falava, ele comia, resultado: meu headphone ficou fedido de gordura (o cara comeu uns 5 hambúrgueres caseiros...)
Segundo – só me serviram uma barrinha de cereal que não tinha chocolate.
Terceiro – a bateria do meu IPod acabou nos primeiros 5 minutos da viagem (eu não tirei os headphones, não queria ouvir a menina tagarela).
Quarto – não consegui dormir.
Esse foi o resultado da minha viagem...
O importante era que eu já estava no local onde eu deveria estar e que eu estava viva.
Peguei minha mala na esteira e me virei a procura de um “tio” que segundo mamãe, se chamava Hugo e que estaria usando uma camiseta azul esverdeada com um sol laranja no meio... Eita camiseta linda! (n/a: sarcasmo mode ON)
Tá, fiquei uns 10 minutos procurando a camiseta até que vi um cara alto, muito alto (tá, ele devia ter uns 2 metros!) loiro e meio gordinho que usava um bigode de “hermanos” vestindo a tal camiseta...
- Licença, você é o Hugo? – perguntei
Um sorriso proporcional para ele se abriu em seu rosto... Ou ele era um tarado que acabara de achar a sua vítima ou ele era o tal Hugo.
- E você deve ser a Ella! Sim, sou o Hugo O’Callaghan! Prazer! - estendi a mão mas ele me envolveu em um abraço de urso – Falei com a sua mãe por telefone, não se preocupe, você não irá quebrar nenhuma unha comigo ao seu lado!
- OK... Você será tipo um guarda-costas?
- Tipo um guarda-costas! – ele respondeu sorridente novamente, sorri torto (quando eu digo que eu “sorri torto” significa “sorri falso”, é difícil eu sorrir para valer”) e ele se ofereceu para ajudar a carregar a minha mala, claro que eu aceitei, sabe, eu estava gostando de ter um “Hugo” ao meu lado...
~ 0 ~
Assim que saímos do aeroporto, Hugo me guiou até o carro dele, uma Kombi verde (num tom bem desgastado), me acomodei no banco passageiro e logo fechei os olhos, na esperança de dormir...
- Eu fico feliz com a sua chegada.
OK, acho que eu não vou conseguir dormir... Abro os olhos e o encaro, apesar de ser grandemente assustador, ele era uma boa pessoa.
- Você fica feliz com todas as pessoas que vão para o acampamento ou está feliz por eu, em especial, estar indo?
Ele virou o rosto e começou a me analisar.
- CARA! Olha para frente Hugo! – eu berrei, sim. Ele é maluco de parar de olhar para frente enquanto dirige?!
Logo, ele começou a rir, e eu a entrar em desespero. Eu não queria morrer em um acidente de carro na Califórnia acompanhada de Hugo, um barbeiro risonho! (n/a: cara, que situation!)
- Para de rir Hugo! Você bebe cara?! Presta atenção nessa droga de estrada!
- Isso! Isso responde a sua pergunta! HáHáHá!
Tenho certeza, ele bebeu.
- Isso não responde porra nenhuma! E PARA DE RIR!
Ele não parou, mas se acalmou um pouco. Um tempo depois, ele voltou a falar:
- Eu fico feliz quando mais pessoas vão ao acampamento, claro, eu vivo daquilo! Mas fiquei bem feliz quando você veio com esse seu estilo. – o encaro séria, ergo uma sobrancelha – Não estou te dando uma cantada OK?! Eu tenho namorada e sou muito velho para você Ella! – ele diz rapidamente
- OK, mas então porque ficou feliz de eu vir com o meu “estilo”? – fiz um aspas com os dedos
- Porque eu conheço alguém que precisa te conhecer.
Ave Maria...
~ 0 ~
Depois de observar as diversas paisagens do Texas pelo carro, adormeci. Só acordei por causa da buzinada escandalosa que o Hugo deu. Para uma Kombi de pintura desgastada, até que a buzina era forte. Bem forte.
- Acorda belezinha! Chegamos! – Hugo me balançou até eu acordar – Bem vinda à sua segunda família, o acampamento Sun To Shine!
Abri a porta da Kombi e saí do carro...