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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Vicious

Escrita porSoldada
Revisada por Lelen

CAPÍTULO 01 • MISTAKEN

Tempo estimado de leitura: 49 minutos

  Para minha %Lua%,
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  Se acaso estiver a ler estas palavras, é muito provável que seja tarde demais para mim. Receio que tenha mentido, meu amor, ainda assim, mais uma vez, e embora esteja consciente de como posso ter partido teu coração, não posso dizer que me arrependo de o fazer, pois, em minha errônea concepção, o fiz tentando protegê-la. Um dia, se porventura tiver filhos, espero que seja capaz de oferecer-me, ainda que mísera, graça por fazer de tudo ao meu alcance para protegê-la. Sei que não há perdão para o que fiz. Sei que dos erros que cometi, as punições mais severas recaem sobre você, meu amor, minha garotinha. Tal qual sei que existem também muitas questões em aberto entre nós que não lhe contei tudo, e que sempre seguirão abertas. Arrependo-me dos ferimentos que posso ter aberto em teu coração, meu amor, e se ressentir-se contra mim possa aplacar suas angústias, o faça! Por favor, meu amor, jogue-me teu escárnio, teu desprezo, alivia-te ao colocar-me como teu monstro e esqueça-me ao fundo de um baú lançado ao mar. Compreenderei seus motivos, eu prometo.
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  Só não te esqueças do quanto amo-lhe.
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  Não te esqueças que se o mundo fosse diferente, e de alguma forma, pudesse usar um vira-tempo para consertar meus erros, eu faria a tudo outra vez. Sei que não poderá compreender minhas palavras, sei que devo soar cruel contigo e para com o peso que carregas, mas você sempre foi, e sempre será, meu mundo, meu amor. Sinto muito se não me arrependo, sinto muito por dizer que faria tudo novamente, mas você é minha criança, minha menina, e prefiro que antes de tudo o mundo sucumba a você. O que há para salvar neste mundo que valha mais do que um filho? Não digas que a vida de cem pessoas, milhares, valha mais do que a tua, pois não vale. A mim, tal valor equivale-se ao jornal diário descartado após sua leitura. Não há um mundo para mim sem que exista você, meu amor, é por isso que fiz o que fiz. É por isso que te escrevo agora, implorando-lhe para que me esqueça. Esqueça-me como pessoa, esqueça-me como figura, mas não te esqueças do meu amor.
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  Durante minha vida inteira, viajei por cidades e lugares buscando algum significado que pudesse oferecer-me um desejo a mais para manter-me a este mundo. Sua mãe chamava-me de pessimista, e porventura talvez esta tenha sido apenas minha contribuição, mas pode chamar-me de equivocado quando digo que não há nada neste mundo que seja redimível de salvação? Há crueldade demais, meu amor, ganância demais. Vejo homens deploráveis conquistando o mundo apenas porque possuem o nome correto e a quantia correta. Vejo-os pelos fracassos que são, ditando palavras cruéis apenas para alimentarem seus egos. Não oferecem nada se não escárnio, desalento. Como posso querer salvar isso? Que os deixem se destruir. Ao fim de tudo, sobre apenas destruição, de qualquer forma. Mas entre o mundo e você, sempre escolhi, e sempre irei escolher você. Minha doce menina de teimosia incomparável e riso frouxo. Perdoe-me, minha %Lua%, pela sina que lhe confiei, ainda que sem intenção alguma.
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  Encontro-me em paz.
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  Não quero salvação, não quero que perca seu tempo buscando uma forma de me salvar, pois sei que não a mereço. Construí o caminho que me guia para minha cova. Não temo a morte, pois sei que há coisas piores por aí. Temo é prejudicar a sua vida, meu amor. Temo que meus erros voltem a assombrá-la e que de mesmo destino sua vida siga a minha. É por isso que lhe rogo para que apague minha existência de sua vida. Tome o nome de Sharp, se necessário, sua mãe e eu preparamos uma conta sob a alcunha de Marie Goldstein, use-a para comprar passagens, vá para a América se assim desejar, ou para qualquer outro lugar no mundo que aclame por seu coração. Confie em Sharp, ele irá lhe auxiliar, e nunca se esqueça, meu amor, que embora minhas falhas sejam em demasia, a única coisa que nunca acreditei e que nunca foi um erro a mim: é você.
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Perdoe-me, meu amor, pelas falhas que nunca pude consertar. Por ter sido teu pai.
Com amor, Leon.

  Sua garganta parecia estar inchada quando terminou a leitura do papel amassado e escrito às pressas com sangue. Até pensou em questionar Professor Sharp como ele havia conseguido aquela carta, mas reconsiderou no segundo que o olhar do professor austero e distante se tornou piedoso. Aesop Sharp poderia ser muitas coisas, mas raramente era sentimental para que seus olhos tivessem suavizado e sua expressão se contorcido com uma de pesar, %Luana% sabia perfeitamente a resposta que encontraria ali.
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  Tomou-lhe a carta das mãos e sem mais palavras emaranhou-se pelas escadas que se moviam dos corredores, perdeu-se antes que pudesse perceber, mas por sorte não estava assim tão longe das masmorras para que encontrasse o quarto que dividia com mais duas amigas da Sonserina. Não poderia dizer que eram assim tão próximas de si, mas certamente eram uma presença constante na vida de %Luana%.
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  Ivy Locke era uma garota de cabelos longos e ruivos, presos em um coque baixo cuidadosamente impecável. Já Isolde Razor, possuía olhos grandes e expressivos, e um rosto sardento apesar dos cabelos escuros como a noite, trançados em uma única trança que chegava à altura de sua cintura. Não eram pessoas ruins, na verdade, cuidavam de %Luana%, especialmente quando esta tinha algum pesadelo, e gostavam de passar tempo conversando com ela se %Luana% estivesse inclinada a fazê-lo, mas a mancha que %Atlas% %Gaunt% havia lhe deixado era o suficiente para que, mesmo em sua ausência, fosse temido aproximar-se dela.
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  Para o alívio de %Monteiro%, seu quarto estava vazio. As meninas muito provavelmente já haviam se preparado para seguir para Hogsmeade aquela manhã, para comprar mais algumas pegadinhas para colocar dentro dos doces que ofereceriam mais tarde durante o jantar de Halloween, quando %Luana% adentrou o espaço com a respiração entrecortada. Ficou ali por consideráveis horas, sentada à frente da lareira, lutando contra as lágrimas ao observar a letra escrita por seu pai. O fizera com o próprio sangue, e isso fez com que %Luana% se questionasse como o pai havia conseguido esconder papel dentro da cela que estava, como havia encontrado tempo de escrever aquela carta e enviá-la para Sharp. Agora tudo o que a jovem conseguiu fazer foi rasgá-la, amassando-a e arremessando-a contra o fogo da lareira.
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  Apoiou os dois braços sobre os joelhos dobrados, a saia pesada escura do uniforme farfalhando quando ela puxou os joelhos mais contra o peito, escorando seu queixo sobre as costas da mão. Assistiu sem ver quando o fogo consumiu as palavras gentis de seu pai, sentindo uma mistura insuportável de fúria mal contida e tristeza profunda. Uma parte de si queria aceitar o pedido do pai, seria tão mais fácil se ela simplesmente se esquecesse completamente de quem ele havia sido. Seria tão mais simples se ela apenas admitisse para si mesma que o pai era um maluco, e que os rumores que se espalhavam pelos corredores de Hogwarts, ou onde quer que ela fosse, eram verdadeiros… seria tão mais fácil se seu pai fosse o monstro que todos acreditavam ser. Mas ele não era.
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  Leon %Monteiro% era o melhor homem que %Luana% já havia conhecido. Por trás do rosto com uma barba grossa e pesada, com o bigode levemente curvado para cima porque adorava aquele estilo antiquado, e do olhar severo, que parecia enxergar até mesmo a alma de quem dirigia-se a ele, havia um grande homem carinhoso. Era o pai quem havia cuidado dela desde a morte prematura de sua mãe, era ele que cozinhava, que aprendeu a costurar os vestidos, que ensinara %Luana% a fazer tudo, e quem lia com um tom arrastado e quase sonolento seu livro preferido. Era o pai quem oferecia-lhe dinheiro para comprar laços novos, e até mesmo levava-a para comprar vestidos novos quando seus antigos eram já puídos. Ele fazia questão de levá-la para caminhar, e de explicar que embora muitas pessoas pudessem dizer que era equivocado, especialmente sendo uma mulher, o pensamento de que a curiosidade poderia ser perigosa: a curiosidade era o que levava à descoberta, e toda descoberta era um novo conhecimento. Não havia como arrepender-se de conhecer algo. Não havia arrependimento em aprender alguma coisa, boa ou ruim, não importava, aprendizado, em toda sua forma, era bom.
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  Era o pai que murmurava ritmos estranhos enquanto analisava alguma criatura com cuidado e fazia anotações em seus cadernos. Era o pai que recolhia as melhores maçãs do pomar ao fundo da casa e oferecia-lhe as melhores. Era o pai que a havia guiado desde que ela se conhecia por gente, e era o pai que havia lhe prometido uma vida nova em um mundo desconhecido. Mas era igualmente, este mesmo homem, um monstro.
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  %Luana% havia passado muito tempo tentando conciliar as duas facetas do homem. O que ela conhecia, e o que via no Profeta Diário descrito com tamanho desprezo e desdém. Um Auror maluco corroído pelo próprio luto que fora capaz de transformar-se em um monstro para trazer a amada de volta. Seu pai era um homem de poucos amores, porém profundos, %Luana% tinha o receio de que muito provavelmente havia herdado esta maldição dele também, mas ele não era um assassino sem motivo. Era a isso que se apegava e talvez, por isso, ela estivesse desesperada para conseguir provar a verdade sobre seu pai para os outros. Provar que ele era melhor do que acreditavam, que todo aquele processo, que sua prisão, havia sido na verdade injusta e vingativa. Mas ela não mais possuía provas o suficiente. Não mais possuía tempo.
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  Trincando os dentes com um estalo alto, prendeu sua respiração ao alcançar o jornal daquele dia. A manchete principal, com a tinta preta gritante contrastando contra o material cinza tornava sua exclamação inegável: JULGAMENTO DE BRUXO DAS TREVAS, LEON VAN DER LEYEN É FINALIZADO. EXECUÇÃO IRÁ ACONTECER AO FIM DO PRÓXIMO MÊS! Ao centro da página, a foto atualizada de seu pai, usada para a identificação de Azkaban, movia-se de um lado para o outro. Virou o rosto para a esquerda, então para frente, os olhos distantes, nebulosos, como ela lembrava-se de que ficavam ao perder-se em pensamentos no aniversário de morte de Clarice, sua mãe. A barba possuía um buraco na altura da mandíbula, como se tivesse sido arrancada com violência, e o sangue parecia seco sobre a pele. Tatuagens que não lhe eram muito características espalhavam-se por seu corpo, marcas enfeitiçadas e o que mais que poderiam fazer em Azkaban para manter os detentos presos. Seu pai era tormenta, era caos e destruição, mas havia algo no olhar dele, uma resignação que era quase insuportável. A fez ficar furiosa por perceber a resignação ali.
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  Não era ele que dizia a ela para levantar-se quantas vezes necessário até conseguir chegar ao fim de algo? Não era ele que dizia a ela para continuar caminhando mesmo quando seus pés estivessem cobertos por calos e esfolados até a carne? Que diabos então, aquele maldito homem poderia ter encontrado dentro de si para aceitar sua própria morte? Por que ele não estava lutando?! Por que ele estava escolhendo deixá-la para trás?! A pressão das lágrimas por trás de seus olhos e a contração em sua garganta, obrigou-a a rasgar o jornal o mais rápido possível e então arremessá-lo também ao fogo. Com isso feito, abraçou um pouco mais forte os joelhos antes de enterrar sua testa ali, segurando com mãos trêmulas as mechas que haviam se desalinhado de seu penteado padrão.
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  Como %Luana% poderia salvar alguém que não desejava ser salvo? E como, porventura, ela poderia aceitar tal destino sem lutar por ele? Como ele poderia dizer a ela para esquecê-lo quando era a primeira coisa que pensava ao acordar e a última antes de dormir? Como poderia viver com uma consciência limpa e tranquila, se a única pessoa que a amava estivesse esvaindo-se por seus dedos como areia, desfazendo-se ao vazio, sem que ela ao menos pudesse segurá-lo por mais um segundo?
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  Um ruído familiar ecoou pela janela de Isolde, sempre aberta. %Luana% não se virou na direção de onde o ruído ecoou. O grasnado de um corvo, é claro, pairou pelo quarto, enquanto o animalzinho de pelagem escura repousou sobre sua mesa, tentando chamar-lhe a atenção. Ela sabia quem a criatura era antes mesmo que ele se destransformar, jogando-se em sua cama, o cheiro que misturava pinho e limão com algo mais fresco espalhou-se por sua esquerda, lhe invadindo as narinas sem muitos problemas, quando %Scorpius% %Gaunt% deitou-se em sua cama, como se esta lhe pertencesse. Os cabelos desalinhados revelavam que ele mal havia terminado de se arrumar antes de transfigurar-se em sua forma animaga e voar para o quarto de %Luana%.
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  As regras dos dormitórios de Hogwarts eram claras: nenhum menino deveria ultrapassar as divisões onde os dormitórios femininos se iniciavam, e vice-versa; além de um completo indecoro e risco a destruição completa da reputação de uma dama, era igualmente relativo a expulsão imediata se um destes alunos rebeldes o fizesse. Mas %Scorpius% nunca havia se importado com aquela regra. O garoto que dormia em um quarto isolado dos outros, próximo do almoxarifado do que dos espaços comunais da casa, conseguia esgueirar-se pelos buracos que se abriam entre as paredes de pedra do castelo, e usá-los para sobrevoar até as janelas. Empoleirava-se muitas vezes na mesa ou na janela de %Luana%, disfarçado de um corvo, enquanto Ivy fazia piada, dizendo que, se %Luana% estivesse em Durmstrang então ela seria vista como uma agourenta, ou uma bruxa em contato direto com Odin, o Pai de Todos. Corvos eram sempre sinais de previsões futuras, na maioria das vezes, avisos de uma morte em potencial a aproximar-se, mas %Luana% sabia que era apenas %Scorpius% querendo fazer-lhe companhia. Posteriormente, quando estivessem caminhando pelos corredores, %Scorpius% soltava uma risada alta e gostosa, deleitando-se com a peripécia.
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  %Luana%, na maioria das vezes, gostava da risada de %Scorpius%: era algo raro de se ouvir, especialmente no último ano, quando o irmão gêmeo dele foi enviado para longe, mas quando o fazia, conseguia iluminar o lugar que estavam. Mas hoje, o som de seu riso suave, pouco tivera efeito para a brasileira que continuou encarando a lareira à sua frente. Continuou lutando contra as próprias lágrimas com determinação.
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  — Soube que os Lufanos estão preparando algum tipo de celebração após o toque de recolher na Floresta Proibida — confidenciou %Scorpius% com um sorriso torto, ajeitando-se na cama de %Luana% e então alçando um bichinho de pelúcia, uma cobra preta feita de pano que ela havia ganhado de presente do Professor Sharp como uma tentativa patética de conexão. A cobra era ridícula, faltava um olho, e era para uma criança de 6 anos, e não uma jovem de quase 18 anos agora, mas era o gesto de Aesop que a havia tornado sua preferida.
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  Ninguém se lembrava mais de seu aniversário, com exceção do professor, e o fato de que ele tomara seu tempo para comprar-lhe uma lembrança, a fizera sentir tanta falta de casa. %Scorpius% enrolou a cobra em seu pescoço, como um cachecol e então virou o rosto na direção de %Luana%, os olhos cintilando com travessuras não ditas.
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  — De fato, Horatio me chamou para participar, estão planejando roubar algumas comidas da cozinha, o que certamente fará com que o Diretor Black tenha mais uma síncope, particularmente, estou interessado em ver esse desfecho. Horatio me disse que, se eu quiser, posso levar mais alguém. — %Scorpius% conteve um sorriso para o rosto deformado da cobra, voltando-o para si mesmo antes de, movendo-a como um fantoche, apontá-lo para %Luana%. — Então você irá comigo. Não é um pedido, é uma convocação. O que acha?
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  %Luana% não respondeu. Não teve coragem, sabia que se abrisse a boca para dizer algo, %Scorpius% perceberia de imediato que ela estava prestes a debulhar-se em lágrimas. Seu silêncio, todavia, foi uma resposta para o jovem %Gaunt%, igualmente. %Scorpius% suspirou pesado, voltando o rosto de pano da cobra para si mesmo, arrancando uma linha perdida, mais pelo hábito do que por qualquer coisa, antes de deixar de lado, arrastando-se para a lateral da cama e sentando-se ao chão ao lado de %Monteiro%. Assim tão de perto, ele cheirava a pinho e sabonete de limão. Ela nunca havia entendido por que ele gostava de limão tanto assim, mas quando ele lhe respondia, dizia apenas: “as coisas mais amargas são as mais doces” como se isso fosse explicar tudo. Um poeta terrível, mas não menos esforçado. %Scorpius% uniu as sobrancelhas, voltando seu olhar para a lareira em que o fogo crepitava.
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  — Soube o que aconteceu — %Scorpius% disse, sua voz envolta por uma compaixão que, em outro momento, teria feito %Luana% rosnar com um severo “eu não preciso da sua piedade”, mas vindo de %Scorpius%, tudo o que fez foi engolir em seco, audivelmente, apertando os lábios com força. — Sinto muito, %Lua%. — %Luana% voltou a linha de seu olhar para %Scorpius%, em um aviso silencioso, %Scorpius% não pareceu intimidado, apenas sustentou o olhar dela com pesar. — Quer falar sobre?
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  — Se disser mais alguma coisa, eu vou te socar — %Luana% avisou com a voz embargada, e %Scorpius% estreitou os olhos, mas então deu de ombros.
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  — Vá em frente então, se vai ajudar, me acerta, será bom ter algum uso para mim afinal. — Alçou os cabelos de %Luana% com um pequeno graveto, girando-o em seus dedos por uma fração de segundos, antes de arremessá-lo em direção ao fogo.
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  %Luana% piscou, levando as mãos em direção às mechas desalinhadas de seus cabelos, verificando se teria mais uma vez folhas e gravetos por ter disparado pelos corredores externos de Hogwarts com uma mente fixa na tarefa em mãos para reparar no que esbarrava e trazia consigo, ou se %Scorpius%, sendo a criatura insuportável que era, havia escondido o galho na manga de sua blusa de linho branca até aproximar-se dela e fingir que estava preso em seus cabelos. O truque de mágica era comum para trouxas, em sua maioria, os encantavam como a promessa de realização de seus desejos mais íntimos, mas para bruxos, que estavam acostumados com a mais pura magia, tendia a ser apenas irritante, na maioria das vezes.
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  — Achei que Pettigrew havia dito que a ajudaria a… — pausou por uma fração de segundos, parecendo escolher suas palavras com cuidado. %Luana% o fuzilou com o olhar, mas %Scorpius%, novamente, parecia indiferente com o olhar mortal que recebera. — Ele não teria ao menos provas o suficiente para conseguir se atrasar…
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  — Deveria — ela murmurou com um tom de voz baixo, inspirando fundo antes de deixar sua cabeça pender para trás, escorando-se contra a estrutura de metal da cama atrás de si, e unindo as sobrancelhas. Observou as próprias mãos com fadiga, os dedos ocultos pelas luvas de renda criavam uma textura desconfortável e familiar. O tradicionalismo britânico e sua propriedade em postura e vestimentas às vezes a incomodava em demasia, afinal, ela precisava estar coberta da cabeça aos pés, mas %Scorpius% podia andar por aí com uma camisa entreaberta, cabelos desalinhados, e sapatos sujos que, no máximo, seria considerado um garoto só. Sentiu vontade de mordê-lo, ainda que não tivesse uma explicação lógica para isso, ao em vez disso, revirou os olhos, quando o olhar dele se voltou para seu rosto. — Mas já deveria ter desconfiado que seria apenas um charlatão qualquer, quer dizer, desapareceu há duas semanas, %Scorpius%, e mesmo que consiga encontrá-lo, já não faz mais diferença. O julgamento acabou, vão executá-lo de qualquer maneira.
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  %Scorpius% não respondeu, havia lido o jornal aquela manhã, não precisava que ela explicasse a situação do pai dela para que ele soubesse o que estava acontecendo. Moveu a mandíbula, unindo as sobrancelhas, arrancando distraidamente as peles que se erguiam ao redor de suas unhas, contemplativo. A dor aguda que se espalhou pelos dedos foi completamente ignorada enquanto sua mente parecia estar maquinando seus próprios interesses, seus próprios planos pessoais.
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  — Você ainda tem um mês, %Lua% — murmurou %Scorpius% com um tom de voz baixo e determinado. %Luana% uniu as sobrancelhas, voltando a encará-lo com uma ponta de irritação, e, por mais que não desejasse admitir, interesse.
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  %Scorpius% a encarou de volta, algo pairando em seus olhos intensos. Era sempre curioso observar o tom de suas íris em contraste com a pele pálida que o %Gaunt% possuía. Os gêmeos %Gaunt% tinham os mesmos cabelos pálidos, mas os de %Scorpius% eram mais loiros do que os de %Atlas%, tinham o mesmo formato de rosto, embora os de %Scorpius% fossem mais delicados, finos e elegantes, como uma ave de rapina, mas eram os olhos que se diferenciavam em demasia, enquanto os de %Atlas% eram uma tonalidade escura como piche, os de %Scorpius% eram puxados para um esverdeado escuro, às vezes, caramelo profundo. Eram olhos que ela havia se acostumado a ver com frequência, mas que não deixavam de incomodá-la por algum motivo que não desejava verificar a fundo.
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  — %Scorpius%, não começa…
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  — Estou falando sério — %Scorpius% cortou a amiga, inclinando-se em sua direção e tomando em suas mãos a dela com um aperto firme. — Ainda um mês até a execução do seu pai, há tempo.
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  %Luana% desejou acertá-lo com um soco no estômago, mas não fez nada, pois uma parte de si estava seguindo a lógica de %Scorpius%. Era falha, desesperada e ridícula, como agarrar-se com uma lâmina afiada em um abraço mortal, a lâmina sempre iria cravar-se em sua pele, sempre deixaria um rastro de cortes e sangue a se limpar, e acreditar que aquilo a estava salvando. Era estupidez pura, mas igualmente, tudo o que lhe restava. Esperança, percebeu com aflição, era uma das piores coisas a se sentir; mesmo no desespero havia esperança, o desejo por encontrar uma saída de uma situação impossível. Era inevitável a quebra de seu coração, mas se ainda havia uma chance, por que não tentar? Custasse o que custasse!
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  — Ouça, dane-se Pettigrew e suas falsas promessas. Vamos nós dois! Mesmo que ele tenha desaparecido sem maiores informações, sua casa ainda se encontra em Hogsmeade, não? Ainda há maneira de encontrar algo relevante! Podemos começar por lá, e seu pai não possuía outros contatos além de Sharp? Talvez, se nós repassarmos de novo, possamos encontrar algo relevante, não custa nada ao menos tentar, certo?
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  — Não vai funcionar, %Scorpius%, já tentamos fazer isso antes — ela retorquiu, pausou por um momento, antes de negar com a cabeça veemente. Puxou sua mão de volta, a renda delicada enroscou-se com os calos das mãos dele, acabando por ficar levemente entortada, obrigando-a a ajustá-la novamente. Uniu as sobrancelhas, trincando a mandíbula com mais força do que deveria, os olhos fixos nos aspectos florais dos fios trançados delicadamente pela renda. — Um ano atrás? Nós tentamos, %Scorpius%, e veja no que deu! Se %Atlas% não tivesse aparecido lá talvez… talvez tivesse conseguido encontrar as respostas que procuro, mas ele quase destruiu tudo! O que acha que irá acontecer desta vez?
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  Algo atravessou a expressão de %Scorpius%, algo sombrio e ruim. Os olhos pareciam escurecer-se com uma profunda irritação controlada, as narinas dilataram-se levemente, enquanto sua respiração tornava-se mais pesada e vagarosa. Os lábios se apertaram em uma linha rígida, tensa, e a mandíbula travou-se. Era uma expressão que %Luana% viera a perceber com mais frequência na expressão do amigo; sempre parecia adquirir uma nota sombria, para além de ressentida quando o nome do gêmeo era mencionado. %Luana% não poderia dizer que compreendia o que o amigo sentia, não poderia dizer que simpatizava completamente pela situação, mas podia, devidamente, entender que a conexão entre os dois irmãos era mais profunda do que qualquer outra coisa que %Scorpius% viria a sentir. Nunca houve um mundo em que %Atlas% não existisse junto com %Scorpius%, e vice-versa, talvez, esse fosse o problema, o fato de que um poderia ser considerado o espelho do outro. Que eram uma alma, ao mesmo tempo que eram duas pessoas completamente diferentes. Questionou-se novamente o quão profundo poderia ser a raiva que %Scorpius% possuía do gêmeo, e se %Atlas% teria capacidade de fazer algo definitivo contra o irmão — %Luana% não tinha dúvidas que, para a última, a resposta, certamente, era sim.
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  %Atlas% poderia destruir qualquer um que desejasse o fazer.
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  — %Atlas% não está aqui agora — murmurou com um tom de voz amargo, como sempre acontecia quando o gêmeo dele era mencionado. %Luana% estreitou os olhos, observando o rosto anguloso do rapaz por um longo momento. Os cabelos haviam crescido mais naquele último outono, adornavam seu rosto com mais segurança, quase o fazia parecer-se com um homem já. Costeletas envolviam e acentuavam a mandíbula bem definida, e ela sabia que ele estava tentando crescer um bigode fazia meses embora não fosse lá essas coisas. A gola de sua camisa de linho estava erguida, projetando sombras pelo pescoço pálido. — E mesmo se estivesse, não vou deixar que se aproxime de você outra vez, terá que passar por meu cadáver. — %Luana% abriu a boca para respondê-lo, mas o olhar que %Scorpius% lhe lançou a fez calar-se com um estalo. Não havia como discutir com %Scorpius% quando os dois sabiam exatamente o que havia acontecido naquela maldita noite. — Vou proteger você, não há por que se preocupar com %Atlas%.
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  %Luana% moveu a mandíbula sem ter certeza de que gostaria de dizer a %Scorpius% que, talvez, ele estivesse tão equivocado quanto ela por acreditar que alguém conseguiria colocar-se entre %Atlas% e o que sua crueldade era capaz de alcançar. Mesmo que ele não estivesse ali, a sombra dele ainda pairava como um fantasma pela mente dos alunos, mesmo os novatos, as crianças do primeiro ano, pareciam ouvir burburinhos dos mais velhos e temer aproximar-se dos outrora amigos de %Atlas% %Gaunt%.
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  — É arriscado — tentou argumentar, e %Scorpius% abriu um sorriso torto, lhe lançando um olhar. %Luana% revirou os olhos.
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  — Desde quando você se importa com riscos? — Para esta pergunta ela não tinha contraponto, apenas aceitação.
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  — Quando faremos isso? — %Luana% exalou, desistente em argumentar com %Scorpius%, e apenas aceitando a ajuda do melhor amigo.
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  — O quanto antes! Essa noite? Vamos usar a festa da Lufa-lufa como desculpa para escapar do castelo. Eu duvido, de qualquer forma, que alguém vá perceber — %Scorpius% murmurou com um tom animado, e ela se questionou se ele sequer percebia o que poderia acontecer de errado naquela noite.
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  Primeiro que a Floresta Proibida possuía esse nome por um motivo, segundo porque embora o Diretor Black fosse amigo próximo da família de %Scorpius%, ele não hesitaria em expulsar %Luana%, e terceiro… não era justo que ele fosse tão bom para ela…
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  — Então, você quer que eu te empreste mais uma calça? Acho que usar saia para correr por sua vida no meio da floresta vai ser uma péssima ideia, mas eu posso usar uma se quiser, por… propósitos científicos como… — %Scorpius% começou a dizer, antes de abruptamente se interromper, arregalando os olhos com o barulho da tranca da porta do quarto de %Luana% sendo aberta.
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  %Luana% arregalou os olhos, praguejando entredentes, levantando-se de supetão. Tão rápido que acabou derrubando um dos castiçais que mantinha repousado em sua mesa. Inclinou-se para alcançar o objeto no momento que %Scorpius% se lançou em direção ao chão, derrubando-a consigo. %Luana% desabou no chão com um grunhido baixo sobre as pernas de %Scorpius%, levando uma joelhada dolorida no abdômen, enquanto o melhor amigo atrapalhou-se com suas saias. %Scorpius% soltou um ruído inteligível, talvez de surpresa ou até mesmo desespero por ter visto mais do que deveria das pernas da amiga, mas não teve tempo para registrar o que havia acabado de ver, porque %Luana% já estava empurrando-o para debaixo de sua cama. %Scorpius% sufocou um grunhido de dor, meio rindo de desespero, meio grunhido quando a cabeça dele acertou a lateral da cama, um barulho oco escapou, que quase fez %Luana% rir — a cabeça de %Scorpius% era mesmo oca, huh?
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  Puxando as cobertas de sua cama para baixo, em uma falha tentativa de ocultar %Scorpius% abaixo de sua cama, sentiu quando a mão calejada do melhor amigo envolveu, por instinto, seu tornozelo, apertando-o em um silencioso aviso, prendendo-a no lugar. %Luana% prendeu a respiração por instinto. Ajustou as saias de seu vestido rapidamente, voltando-se na direção da porta em que Celine, uma das monitoras da Sonserina, com rosto anguloso e nariz aquilino, encontrava-se, braços cruzados e olhar inquisidor, pouco amigável. Por um segundo, %Luana% considerou se Celine iria perceber como suas mãos haviam se fechado atrás de suas costas, com mais força que o necessário, como havia prendido sua respiração com a tensão montante que se espelhava por seu corpo. Perguntou-se se acaso ela perceberia que estava mentindo, se %Luana% não tivesse treinado por tanto tempo à frente do espelho como controlar as emoções de seu rosto, como poderia sentir o medo sem que estivesse evidente em seu rosto. Para seu completo alívio, Celine não parecia nem um pouco interessada no que quer que se passasse na mente de %Luana%.
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  — %Monteiro%, Diretor Black quer falar com você — disse com um tom de voz esganiçado familiar. %Luana% uniu as sobrancelhas, considerando questioná-la o que diabos poderia ser, mas descartou a ideia de imediato. Assentiu para a outra garota, antes de vê-la fechar a porta atrás de si, deixando-a novamente sozinha em seu quarto.
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  Foi somente quando tivera certeza de que Celine estava longe o suficiente que %Luana% ajudou %Scorpius% a arrastar-se para fora de sua cama. O rapaz estava uma completa bagunça, os cabelos desalinhados pareciam ter desenvolvido uma pequena camada de poeira, e ele tinha um papel em sua mão esquerda. Os olhos estavam cintilando como os de um gato que havia acabado de encontrar um novelo de lã para brincar.
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  — Escreve poesia desde quando? — pontuou %Scorpius% com um sorriso torto, soltando um riso baixo quando %Luana% tentou alcançar o pedaço de papel. %Scorpius% estendeu o braço para longe da brasileira, mantendo-o no ar sobre a cabeça dela, em uma altura que %Luana% não conseguiria pegar sem ter que, primeiro, derrubá-lo.
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  %Scorpius% era apenas três centímetros mais alto do que ela, considerada com uma altura mediana, era Ivy quem possuía a estatura apreciada pela sociedade, não %Luana%, mas esses três centímetros de %Scorpius% era sempre algo que o fazia gabar-se. Se pudesse atormentar %Luana% de qualquer mísera forma, então o faria de bom grado.
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  — Não! Essa aqui é minha, não vou devolver! — %Scorpius% disse com um riso, guardando o papel dentro do bolso de sua calça, parecendo sentir-se satisfeito o suficiente em ver a amiga corada e com os olhos irritados. Com um suspiro pesado, passou a mão esquerda pelos cabelos, tentando livrar-se da fina camada de poeira que pairava por seus ombros e cabelos. — O que diabos Black pode querer com você?
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  — Se eu soubesse, te falaria — %Luana% retorquiu sarcástica, e %Scorpius% a encarou por um longo momento em silêncio. — Meu pai?
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  %Scorpius% estreitou os olhos, contemplativo.
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  — Duvido muito, ele teve quase um ano para sequer considerar te dizer alguma palavra de condolência, mas seja o que for, é melhor você tomar cuidado — %Scorpius% murmurou com um tom de voz mais pesado, pensativo, como se estivesse analisando muito de perto fragmentos de um quebra-cabeça que %Luana% sequer havia começado a entender ainda. — Não confie em Black. Ou no que quer que ele diga a você, tenho a sensação que há algum dedo de meu pai nisso tudo. Vou esperar você do lado de fora, certo?
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•••

  O cheiro de abóbora acompanhou-a como um fantasma brincalhão pelos corredores de Hogwarts. As lanternas enfeitando as paredes e o chão criavam uma ambientação quase festiva, algumas pairavam pelos ares, já acesas com seus sorrisos largos e olhos vazados, espiralando pelos ares, um pouco mais acima das velas dispostas em castiçais espalhados por entre as armaduras enfeitiçadas. %Luana% podia ver alguns alunos da Grifinória escondendo alguns doces em seus bolsos e entregando discretamente para alunos mais novos; para um feriado considerado trouxa, havia considerável comoção em comemorá-lo por ali. A verdade era que o feriado, visto apenas como uma data comemorativa para alguns trouxas, realmente possuía cunho mágico, e realmente oferecia energia o suficiente para que fantasmas andassem por entre os corredores de Hogwarts. Ela sabia que, em algum lugar abaixo das masmorras um pouco além da cozinha e de onde a Lufa-Lufa dormia, havia um salão onde os fantasmas se encontravam para seu “baile anual”. Se Diretor Black sabia ou não, %Luana% não poderia dizer, mas podia ouvir os espectros murmurando entre si sobre as preparações.
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  Quando era mais nova, considerou convencer Nick-Quase-Sem-Cabeça a contar-lhe para onde diabos estava indo, se o fizesse ela trocaria por um dos muitos segredos que sabia, mas, na época, como uma novata e sem ter ideia de como sobreviver sem a presença do pai, Nick-Quase-Sem-Cabeça havia gentilmente dito-lhe que não contaria até o dia que ela estivesse preparada para saber. Seja lá o que diabos fosse, ela provavelmente nunca conseguiu estar preparada o suficiente para descobrir o que acontecia no baile dos fantasmas, porque ele nunca mais lhe contou nada sobre. Tentou não revirar os olhos com as vozes animadas e os planejamentos para a noite. Não era comum que comemorassem tradições trouxas, mas era comum que os alunos dessem suas próprias formas para conseguir fazer o que queriam. E onde havia Lufanos, havia caos o suficiente para demolir parte de Hogwarts inteira, onde havia Grifinórios então, haveria a certeza de que destruiriam o restante.
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  Forçando um sorriso para Weasley quando este lhe estendeu uma barrinha de chocolate, %Luana% tentou lembrar qualquer desculpa possível para recusar o doce, mas no pânico, acabou aceitando-o com um sorriso desconfortável. Levou o objeto em direção ao nariz, inspirando seu cheiro, tentando se certificar de que não haveria nada ali, mais pela preocupação e paranoia que havia nascido com a presença de %Atlas% %Gaunt% do que qualquer outra coisa, antes de puxar as saias de seu vestido para cima, junto com as anáguas, e subir as escadas o mais rápido que conseguia. Não era que o salto fosse desconfortável: seus sapatos estavam velhos demais, e ela não tinha previsão alguma de comprar novos assim tão cedo. Virou à esquerda, e então à direita, subindo mais um lance de escadas em caracol, alcançando uma das torres de Hogwarts, onde a sala do Diretor encontrava-se. Os olhos de %Luana% percorreram por instinto os rostos que estavam ali.
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  Alguns professores, é claro, incluindo Professor Fig com suas costeletas desalinhadas e levemente eriçadas, cabelos brancos como fios de prata, olhos profundos e sorriso amigável, porém sempre pensativo. Era um bom homem, gentil até que havia lhe estendido uma compreensão que %Luana% não havia encontrado em muitas outras pessoas. Talvez, ainda reservado e perdido em seus próprios pensamentos para que %Luana% se sentisse confortável em questionar-lhe algo que poderia atrapalhá-lo, mas cuja presença conseguia ser surpreendentemente apaziguadora. %Luana% tensionou a mandíbula, parando à frente da porta dupla de carvalho antigo, a tranca grossa formava um círculo de vinhas e espinhos se conectando entre si, com o desenho entranhado cuidadoso de uma trifecta. %Luana% havia ouvido falar do símbolo em um outro momento, algo distante que não lhe cobraria na memória agora, mas sabia que deveria significar algo entre equilíbrio e a conexão de um deus com um humano. Achou curioso que logo o Diretor Black poderia apegar-se a este tipo de simbologia.
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  Se havia algo que seu pai havia lhe ensinado era que quando desprovido de algo que não poderia ser ter, dois resultados surgiam, ou a obsessão inerente de conquistar o que lhe foi negado, ou o completo desprezo e repúdio pelo que não possuía. %Luana% costumava pensar que pessoas não-mágicas possuíam este certo repúdio para tudo o que lhe era diferente puramente porque não poderiam ser como; e aqueles que eram obcecados com esoterismo, bem, era perceptível o desejo de conectar-se com a magia como os bruxos o faziam.
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  Tantas regras incorporando aquele mundo, tantas linhas a serem seguidas sem hesitação para que a ganância e o desejo de superioridade de homens como Black fossem os responsáveis por ditar quem permanecia vivo e quem era executado após anos de um julgamento injusto. %Luana% engoliu em seco, balançando sua cabeça, tentando afastar de sua mente o sentimento de revolta que começava a aflorar-se em seu peito. Não poderia deixar-se influenciar por suas emoções, não quando estava prestes a enfrentar o Diretor Black, e o que quer que o homem desejava tratar com ela.
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  — Diretor Black, fui informada que o senhor queria falar comigo… — %Luana% começou a dizer após adentrar ao escritório do direito, hesitante. Os olhos desviaram-se da porta, e sua tranca viva, observando-a deslizar pela estrutura de carvalho maciça, de volta a sua posição inicial com cliques mecânicos, antes de voltar sua atenção na direção onde a mesa de mogno do diretor encontrava-se.
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  Das quinquilharias que exibia, poucas poderiam ser dignas de nota: livros antigos, jaulas esvaziadas, alguns materiais de Professor Fig para as próximas aulas dos alunos menores, e até mesmo uma lista de afazeres riscados por uma caneta enfeitiçada. Um tabuleiro de xadrez bruxo encontrava-se apoiado em uma pequena mesa de centro próximo da lareira larga e uma janela adornada vitoriana, dava uma visão ampla para os campos de Quadribol onde ao longe %Luana% quase podia ver sem muita dificuldade alguns alunos preparando-se para jogar; Moriarty e Dorian estavam lá. Eram batedores, o que fazia com que o clichê de suas histórias se tornassem mais entediantes. Ela se questionou como eles deveriam se sentir agora, após um ano, sem a companhia do líder para protegê-los. Sabia com perfeita consciência que ainda se escondiam na sombra de %Atlas%, mas certamente já não deveria ser mais assim tão relevante para…
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  Um cheiro familiar atingiu seu nariz, congelando-a no lugar. O aroma era permeado por sândalo, terra molhada e algo pungente como ferro, levou um momento para que ela percebesse o que era: sangue. Seus olhos desviaram-se das parafernalhas de Diretor Black para repousar na figura inclinada à esquerda, sentada na cadeira à frente da mesa do Diretor, encarando-a em um silêncio gritante. Gelo percorreu como lascas grossas e afiadas pela corrente sanguínea dela, o tremor cresceu por seus braços, percorrendo como descargas elétricas sua corrente sanguínea enquanto os dedos apertavam com mais força as saias de seu vestido. O espartilho que adornava seu tronco, pareceu apertar ainda mais seu tronco, os arames fincando-se contra a pele, mesmo que fossem confortáveis.
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  — Foi você…? — ela começou a dizer em uma acusação silenciosa, tentando compreender como ela poderia ter caído em mais uma das armadilhas dele. O único olho bom do rapaz cintilou com algo quente, terrivelmente familiar, raiva pura, mas algo mais pareceu encobrir sua expressão, algo perigoso, mais latente.
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  — A chamei aqui? — %Atlas% %Gaunt% retorquiu com um tom de voz traiçoeiro, venenoso.
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  %Luana% trincou os dentes com força, erguendo o queixo de forma desafiadora embora houvesse uma nota de incerteza pairando por seus olhos. Ela prendeu a respiração, engolindo em seco, dando um passo instintivo para trás quando o rapaz colocou-se de pé.
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  — Porque diabos a primeira pessoa que desejaria ver seria justamente uma traidora tão baixa quanto você, %Monteiro%? — Na boca dele, seu nome havia tomado uma conotação quase ofensiva. %Luana% teve vontade de rir. — Você superestima seu valor, sabe? Seria quase engraçado, se não fosse patético.
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  %Luana% soltou um chiado entre dentes, obrigando-se a ficar parada quando viu %Atlas% dar um passo em sua direção. O garoto havia mudado consideravelmente da imagem que ela tinha dele de um ano atrás na mente; ou talvez ela tivesse apenas convenientemente se obrigado a esquecer-se. Estava bem mais alto, talvez maior do que %Scorpius%, os cabelos bem aparados, penteados para trás embora as mechas na altura de sua maçã do rosto ainda pendesse por seu rosto dolorosamente cruel e bonito. As cicatrizes que envolviam a pele pálida haviam se curado para linhas discretas prateadas profundas, o olho leitoso movia-se estranhamente acompanhando o outro olho bom, mas ela duvidava que ele pudesse enxergar corretamente. A mandíbula bem pronunciada parecia estar mais afiada. Estava mais magro, esguio, mas não era menos forte. O colete escuro como a íris de piche dele estava impecável, um relógio de bolso cuidadosamente repousado dentro do bolso interno, e as mangas de sua camisa branca de linho arregaçadas até os cotovelos, revelando antebraços fortes e firmes, mais cicatrizes condecoravam a pele delicada. %Luana% engoliu em seco, seu olhar repousando na varinha presa na lateral do quadril dele. Sob alcance da mão.
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  Uniu as sobrancelhas, tardiamente reconhecendo a postura, o gesto. %Atlas% %Gaunt% havia se tornado um duelista. Medo pareceu corroer suas entranhas quando ela deu mais um passo para trás, os olhos arregalaram-se ao encarar o sorriso torto, quase satisfeito que pairou pelo semblante do rapaz.
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  — Posso ver que está tensa, %Lua%. — %Luana% trincou os dentes com força para não retorquir a ele que não ousasse chamá-la, mas suas palavras fugiram de sua garganta quando ele deu mais um passo em sua direção. Sentiu o impulso de virar-se em direção à porta e correr, mas ele a alcançaria antes que ela conseguisse alcançar a tranca. Levou sua mão em direção ao cabelo, onde sua varinha permanecia como um adereço improvisado de cabelo, prendendo a respiração. — O quê? Estou assustando você? — %Atlas% murmurou, a voz arrastada não ocultava a satisfação que pairou em sua expressão.
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  — Você? — %Luana% desdenhou, tentando conter o tremor que percorreu seu corpo. Para lançar-se da janela era ter a certeza de que acabaria alcançando o chão antes que pudesse dizer accio para qualquer porcaria de muro. Engoliu em seco, praguejando mentalmente Celine por tê-la atraído àquela merda de armadilha. Quando %Luana% saísse daquela porcaria de sala, se saísse, Celine seria a primeira a quem responderia a ela. — O que há para temer em você, %Gaunt%? Se não sua própria mediocridade? — Forçou um sorriso, vendo que ao menos havia acertado onde lhe doía mais, seu ego.
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  — Vou matar você — %Atlas% pronunciou calmamente, frio como o metal de uma adaga. %Luana% engoliu em seco, arregalando os olhos. Não era uma ameaça, %Atlas% %Gaunt% nunca fazia ameaças; era uma promessa. Fria e calculada, um aviso do que ele iria fazer eventualmente, não do que ele queria fazer. Ela tremeu sem conseguir conter-se, e o sorriso de %Atlas% tornou-se mais afiado. — Vou aproveitar cada segundo.
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  %Luana% estava prestes a desafiá-lo, prestes a retorquir suas palavras quando um pigarro ecoou atrás de si, e ela saltou para o lado, sobressaltada. Levou a mão em direção à própria garganta, como se buscasse por proteção, apenas para deparar-se com os olhos estreitos do Diretor Phineas Black. Tratou-se de endireitar-se imediatamente, tentando manter o máximo de dignidade possível, tentando compreender o que diabos estava acontecendo ali. Por que ela havia sido convocada pelo Diretor de Hogwarts e por que diabos %Atlas% %Gaunt% estava ali.
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  — Muito bem, se já terminaram com os disparates infantis, sugiro que tomem seus lugares de uma vez, pois não tenho muito tempo, e há outros assuntos urgentes que demandam minha atenção. Senhorita %Monteiro%, por favor — Diretor Black disse com um tom de voz firme e impaciente, antes de estender o braço na direção da cadeira ao lado de %Atlas%, silenciosamente obrigando-a a mover-se logo. Sendo a criatura teimosa que era, %Luana% não moveu um músculo. Estreitou os olhos, encarando por um longo momento em silêncio o semblante do diretor antes de tencionar sua mandíbula, tentando manter sua voz o mais firme que conseguia.
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  — Primeiro diga por que nos convocou aqui!
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  Diretor Phineas Black pausou por um breve momento, avaliando-a com uma mistura de intensidade e desdém; %Luana% sentiu o desconforto rastejar por sua pele como vermes. O suficiente para que ela tivesse que conter a urgência de sacudir-se.
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  — Receio que de todos aqui, você, Senhorita %Monteiro%, seja a última que tenha direito a fazer demandas — Diretor Black retorquiu mais severo do que nunca havia se referido a %Luana%.
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  A jovem estreitou os olhos, não era facilmente intimidada por palavras grosseiras, e hierarquias de poder soavam-lhe mais patéticas e inúteis do que qualquer outra coisa, mas ela era, igualmente, inteligente o suficiente para escolher seus oponentes. Ficar do lado ruim de Diretor Black, era dar a %Atlas% quaisquer vantagens possíveis. E se ela desejava continuar viva, então era melhor que ela não oferecesse nenhuma brecha para o maldito %Gaunt%. Mantendo o queixo erguido, quase desafiador, %Luana% puxou suas saias um pouco mais para cima, marchando em direção a cadeira ao lado de %Atlas%, ignorando-o estrategicamente, ao sentar-se à frente da mesa de Diretor Black.
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  — Como já deve ter visto, o julgamento do seu pai foi encerrado esta manhã. Sinto muito por isso, senhorita %Monteiro%, sei que esta situação… — Diretor Black pausou por um momento, parecendo tentar buscar as palavras corretas e %Luana% obrigou-se a manter neutra, os olhos fixos no mais velho, observando passar ao lado da mesa até que estivesse sentado na cadeira estofada de couro curtido e confortável à frente dos dois alunos. Black inclinou-se para frente, repousando os cotovelos sobre as mesas e livros de contas, unindo as duas mãos a frente de seu rosto enquanto sustentava o olhar de %Luana% com falsa simpatia. — Pode ser um tanto quanto delicada a se navegar, mas a justiça, como um todo, deve sempre prevalecer.
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  %Atlas% bufou baixo ao lado de %Luana%, mas a jovem ignorou completamente a provocação velada. Manteve o olhar firme em Diretor Black, unindo as sobrancelhas. Se ele esperava uma resposta da brasileira, não a recebeu.
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  — Muito bem, que sejamos diretos então. Sua situação, embora complexa, é atestada em seu favor pelo Professor Sharp, e a palavra dele vale mais do que qualquer investigação feita pelo Ministério — Diretor Black disse parecendo desistir de sua falsa simpatia e simplesmente indo direto ao ponto. %Luana% quase suspirou em alívio, odiava meias palavras, odiava essa maldita necessidade de tratar a tudo e a todos como se fossem de vidro; se havia algo a ser dito, que o fosse, consequências para o inferno. Ela poderia ser muita coisa, mas fraca para dor, não era, devido a isso, não precisava que parassem sua queda. — No entanto, com o julgamento de seu pai encerrado, o Ministério precisa seguir o protocolo de ação, e isso inclui colocar você sob inquisição oficial ao menos pelo mês que se seguirá.
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  %Luana% piscou, sentindo o incômodo misturado com frustração corromper sua expressão neutra. Abriu os lábios para protestar, mas percebeu o erro que cometeria ao dizer alguma coisa, ao deixar-se levar por suas emoções ao lado de %Atlas%. Não, ela não poderia!...
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  — Isso significa?
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  — Significa que será… investigada pelo próximo mês, até que tudo tenha sido devidamente finalizado. — Diretor Black pareceu escolher suas palavras com cuidado antes de deixar-se recostar contra a cadeira estofada, apoiando o queixo sobre a palma da mão, e o cotovelo dobrado da mesma mão sobre o encosto de braço do objeto. %Luana% tensionou a mandíbula, sentindo a presença de %Atlas% %Gaunt% como uma sombra projetada sobre si.
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  — Assumo que será um dos alunos do último ano que fará essa supervisão, não? — Embora fosse uma pergunta, seu tom amargo e irritadiço tornou sua frase em uma afirmação. De repente, as peças começaram a fazer mais sentido no tabuleiro que se estendia à sua frente. Na presença de %Atlas% ali. Diretor Black pareceu considerar por um longo momento as palavras de %Luana% antes de assentir lentamente.
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  — O Senhor %Gaunt% realmente fez um trabalho excelente em Durmstrang sob a supervisão de Dragomir Lazar. É graças a indicação de Lazar que o Ministério lhe entregou a tarefa. — Diretor Black fez uma pausa, longa demais para que fosse confortável entre os dois estudantes da Sonserina. O ar pareceu pesar ao seu redor, como se tomado pela umidade de uma tempestade se aproximando. Quando voltou a falar, sua voz era mais baixa, cautelosa, estranhamente deferente a %Atlas%: — Como vocês dois possuem um histórico, gostaria de lembrá-los que quaisquer atos que violem a conduta de Hogwarts serão tratados com a severidade de suas punições. Mas tomem isso como uma nova oportunidade para deixar o passado para trás, e ficarem em seus futuros. Seria demasiado desnecessário expulsar um dos dois meramente por intrigas infantis. Estamos conversados, então?
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  %Atlas% abriu um sorriso discreto, elegante, destoante de toda sua postura, assentindo satisfeito com o Diretor antes de voltar-se na direção de %Luana%, estendendo-lhe a mão.
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  — Espero que não leve para o lado pessoal, senhorita %Monteiro%. — Traiçoeiro como uma maldita cobra, o único olho bom dele pareceu cintilar com veneno puro. %Luana% encarou a mão estendida dele sentindo seu estômago contorcer-se e a bile alcançar a ponta de sua língua. Os músculos de seu corpo se tensionaram, como se feitos de ferro, e ela só conseguiu encarar os dedos estendidos. Algo talhado na pele de %Gaunt% pareceu reluzir no interior de seu pulso, algo que lembrava as palavras, mas que ela não conseguiu entender de imediato. %Luana% não moveu um músculo, e isso apenas fez o sorriso perigoso de %Gaunt% aumentar. — Não precisa temer, senhorita %Monteiro%, afinal, você não tem nada a esconder, certo?
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  NOTA DA AUTORA: os enemies aqui são bem enemies tá? Então prepara que vai ser tóxico (a diferença aqui é que a PP não é songamonga e responde o Bully como uma boa brasileira que é fazendo MAIS Bully de volta então tecnicamente é um pior que o outro) vale salientar que SIM, os dois PPs têm medo um do outro, por isso a agressividade. Leia essa fic como uma original ok? Embora precise associar essa fic no universo “inspirado” (eu só queria escrever uma Dark Academia, mas não quero nunca mais escrever fics originais), porque acabaria sendo plágio se não fizesse, peço que desassocie essa obra dos livros e especialmente da desgraça de ser humano que “escreveu” os livros (que ela receba exatamente o que ela deseja as mulheres que ajudou financiar a destruição). Não pretendo seguir canons, não pretendo respeitar a obra original.

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Lelen

EU NÃO TAVA ESPERANDO A VOLTA DO HOMI TÃO CEDO AKONDIOABREAS
E achei maravilhoso o Scorpius se transformar em corvo. O menino é adorável e ótimo BFF.
Agora a volta do Atlas… HOGWARTS VAI PEGAR FOGO E A CULPA É DO DIRETOR BLACK KKKKKKKKKKKK
De quem foi a ideia de jerico de deixar esses dois em convivência forçada por um mês? ELES VÃO SE MATAAAAAAAARRR AKSNPOASNDPO

Ray Dias

Eu avisei que viria por aqui, não é? HAHAHA Olha, mas que fanfic DELICIOSAAAAAAA ! Ai, como eu adoroooo uma tensão! Eu dei o nome para o Atlas de Bryan e do Scorpius de Dylan, porque eu não lembrava os nomes originais! UAHSUAHUUAHSUASH

Mas tá ótimo, o fato é que: que carálias o Ministério tem em mente, em dar poder na mão de um capeta como o Bryan? Assim gente… escrito na testa dele: “eis aqui um bruxo das trevas, favor manter em Azkaban”. ALIÁS, meu povo… Ele vai vigiar a mulher que ele tentou matar? É como manter a própria Nagini, diante da comida!

E esse diretor? Nossa que vontade de meter um murro na focinha hipócrita dele! “Situação delicada [faz cara de benevolência]”. Olha, que gente inútil, viu!

Felizmente, há um corvo do bom agouro para invadir a janela e se Merlin abençoar, as saias propositadamente curtas, da nossa querida garota sonserina! KKKKKKKK

O pior é que por mais que o shipper seja para o mocinho, é um tanto perigoso que este demônio se torne um affair, já que a obsessão dele com a pp é bem a cara de uma futura síndrome de Estocolmo dela.

Nossa, ai, credo. Expectativas altas para estes corredores de Hogwarts cheios de adrenalina! ♥

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