SEXTO CAPÍTULO • AQUI VAMOS NÓS DE NOVO!
Tempo estimado de leitura: 28 minutos
O silêncio confortável que os envolvia foi apenas interrompido pela chegada dos pratos. O cheiro delicioso preencheu a mesa, e por alguns minutos, tanto Jaehyun quanto %Sunji% se ocuparam comendo, evitando conversas mais profundas, como se ambos tivessem feito um pacto silencioso de dar tempo ao tempo.
%Sunji% cortava seu alimento em pedaços pequenos, mastigando devagar, enquanto Jaehyun alternava entre olhar o prato e olhar discretamente para ela. O som dos talheres batendo contra os pratos era quase o único ruído entre eles.
Depois de alguns minutos, Jaehyun pigarreou, apoiando o garfo no prato antes de perguntar, num tom casual:
— Você trabalha hoje à tarde?
%Sunji% ergueu os olhos para ele, mastigando devagar, e assentiu com a cabeça.
— Sim — respondeu, depois de engolir, a voz suave.
Jaehyun pareceu ponderar algo antes de continuar, agora com a voz um pouco mais cuidadosa:
%Sunji% parou por um instante, segurando o garfo a meio caminho da boca.
A pergunta pairou no ar, mais pesada do que deveria ser.
Ela desviou o olhar para a janela, observando a rua molhada lá fora, enquanto sua mente era invadida por flashes da noite anterior.
O toque quente das mãos de Jaehyun em sua cintura. O peso do corpo dele sobre o seu. O gosto do beijo, lento e urgente ao mesmo tempo. Os olhos dele encarando os seus com algo que ela nunca tinha visto antes. %Sunji% mordeu levemente o lábio inferior, sentindo o estômago revirar — não pela comida, mas pela confusão que ainda pulsava dentro dela.
Respirou fundo, tentando organizar os pensamentos antes de responder. Ela sabia que mentir não adiantaria, mas também não sabia como colocar em palavras tudo o que sentia.
Finalmente, voltou a olhar para ele, um pequeno sorriso surgindo, meio cansado, meio sincero:
Jaehyun a encarou por alguns segundos, como se buscasse ler tudo que ela não estava dizendo em voz alta. Então, apenas assentiu, respeitando o espaço que ela precisava, mesmo que por dentro a vontade dele fosse puxá-la para perto e perguntar "e quanto a nós?".
Eles terminaram de comer em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos. De vez em quando, seus olhares se cruzavam brevemente, mas logo desviavam, como se ambos temessem o que poderiam encontrar ali.
O almoço que normalmente seria cheio de piadas, brincadeiras e pequenas provocações agora se arrastava, como se cada garfada fosse pesada demais. Ainda assim, ambos tentavam manter a aparência de normalidade, como se agarrar às rotinas antigas fosse suficiente para salvar o que ainda não sabiam se havia mudado para sempre.
Quando terminaram, Jaehyun pediu a conta e pagou pelos dois, como sempre fazia sem sequer comentar, e eles deixaram o restaurante lado a lado.
O caminho de volta para casa foi calmo, mas carregado. Jaehyun, como de costume, ficou do lado mais próximo da rua, mantendo %Sunji% protegida, mas dessa vez o gesto pareceu ainda mais significativo —
mais íntimo — do que de costume.
Nenhum deles parecia disposto a puxar assunto. O som da chuva ainda caindo leve sobre as calçadas, o barulho ocasional de carros passando, e o som ritmado de seus passos preenchiam o silêncio entre eles.
Quando finalmente chegaram ao prédio, subiram juntos no elevador, os dois de olhos fixos nas luzes que indicavam cada andar. O clima era espesso, denso de coisas não ditas.
Assim que entraram no apartamento, %Sunji% tirou os sapatos e pendurou a bolsa no cabideiro perto da porta, respirando fundo, como se a rotina pudesse a ancorar novamente.
Jaehyun fechou a porta atrás deles e ficou ali por um momento, observando-a com um olhar indecifrável. Ele queria dizer algo —
qualquer coisa — para aliviar a tensão. Mas o medo de piorar ainda mais a situação o segurou.
— Bom... — %Sunji% ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha, sem olhá-lo diretamente — Eu vou me trocar para o trabalho.
Jaehyun assentiu em silêncio, e ela desapareceu pelo corredor em direção ao quarto.
Ele ficou ali, parado na sala, sentindo que algo muito frágil e precioso entre eles estava prestes a mudar.
Talvez já tivesse mudado. E ele não fazia ideia de como seria daqui para frente.
%Sunji% entrou em seu quarto e fechou a porta atrás de si, apoiando-se por um momento contra ela. Respirou fundo, tentando afastar a confusão que parecia se agarrar a cada parte do seu corpo.
Movendo-se de forma quase automática, ela abriu o guarda-roupa e pegou a roupa do trabalho: uma calça jeans escura, confortável, e uma blusa simples, de tecido macio. Escolhas práticas, seguras — exatamente o que ela precisava agora.
Enquanto trocava de roupa, seus pensamentos voltaram, inevitavelmente, para Jaehyun. Para o jeito como ele a olhava — como ainda agora, mesmo sem dizer nada, seus olhos pareciam querer perguntar tudo que ele não conseguia pôr em palavras.
Ela prendeu o cabelo em um coque simples, borrifou um pouco de perfume nos pulsos e passou um hidratante rápido no rosto. Tudo fazia parte da rotina, mas nada conseguia impedir a sensação persistente de que, de alguma forma, ela estava diferente. Como se tivesse cruzado uma linha invisível, e agora, não havia mais volta.
Já pronta, ela pegou a bolsa e respirou fundo mais uma vez antes de sair do quarto.
Na sala, Jaehyun ainda estava onde ela o havia deixado — sentado no sofá, o controle remoto esquecido ao lado, olhando para a televisão desligada como se tentasse encontrar ali as respostas que o próprio coração não sabia oferecer.
Quando ouviu os passos dela, ele se levantou imediatamente.
— Vai dar tempo tranquilo, né? — Ele perguntou, tentando soar casual, mas a voz carregava um cuidado quase excessivo, que não passou despercebido por ela.
— Vai sim — %Sunji% respondeu, oferecendo um sorriso leve, embora seus olhos ainda denunciassem uma ponta de nervosismo.
Eles ficaram frente a frente por um breve instante, a poucos passos de distância. Nenhum dos dois sabia exatamente o que dizer, como agir. Era como se o espaço entre eles tivesse se tornado delicado demais.
Jaehyun passou a mão pelos cabelos, nervoso, mas, ainda assim, se aproximou o suficiente para pegar a bolsa dela com uma das mãos — uma desculpa tola para não deixá-la sair sem algum tipo de contato.
Ele estendeu a bolsa para ela e disse:
%Sunji% segurou a alça da bolsa, os dedos roçando brevemente os dele, e por um segundo, ficaram ali, presos nesse toque mínimo que carregava todo o peso da noite anterior e da manhã que os dilacerava em silêncio.
— Você também. — Ela respondeu baixinho, quase num sussurro.
Então, com um último olhar, %Sunji% se virou e saiu do apartamento, fechando a porta atrás de si.
Jaehyun ficou parado no mesmo lugar, sentindo o eco da presença dela ainda pairar na sala, e se perguntando como algo tão simples quanto uma despedida podia doer tanto.
👾👾👾
%Sunji% caminhava pelas ruas ainda molhadas pela chuva, apertando a bolsa contra o corpo como se aquilo pudesse proteger seu peito do turbilhão que sentia. O guarda-chuva que segurava mal conseguia proteger seus pensamentos, que deslizavam de volta, inevitavelmente, para Jaehyun.
A cada passo, flashes da noite anterior a assombravam. O calor dos beijos. O peso confortável do corpo dele sobre o seu. A maneira como os olhos dele a procuravam, como se ela fosse a única coisa que existisse.
%Sunji% balançou a cabeça, tentando se concentrar na tarde de trabalho que a esperava. Mas era impossível. Algo dentro dela havia mudado — e não importava o quanto tentasse agir normalmente, ela sentia, em cada batida do seu coração, que aquilo não podia mais ser ignorado.
Ela pensava em Jaehyun. No toque dele. No que aquilo poderia significar.
E, principalmente, no medo absurdo de perder a amizade que mais significava para ela.
Jaehyun jogou-se de volta no sofá assim que ouviu a porta se fechar. Passou as mãos pelo rosto, bagunçando ainda mais os cabelos. A casa parecia vazia, silenciosa de um jeito que o incomodava.
Ele pegou o controle remoto e ligou a televisão no volume mínimo, mas nem olhou para a tela. A cabeça estava em outro lugar.
No calor do corpo dela contra o seu.
Na expressão dela quando seus olhos se encontraram naquela manhã.
Ele sabia que havia ultrapassado uma linha invisível. Sabia que, depois daquilo, fingir que nada tinha acontecido seria cada vez mais impossível.
E o mais desesperador era que, mesmo com todo o medo daquilo estragar tudo, Jaehyun queria fazer de novo.
Queria entender quando, no meio de tantos anos de convivência, ela tinha se tornado tão essencial que até o silêncio dela doía. Suspirou, apoiando a cabeça no encosto do sofá, encarando o teto.
Talvez o problema nunca tivesse sido o que aconteceu.
Talvez o problema fosse que ele, no fundo, nunca quis ser apenas o melhor amigo dela.
👾👾👾
Quando %Sunji% empurrou a porta do apartamento, já no começo da noite, a primeira coisa que viu foi Jaehyun em pé no balcão que dividia a cozinha da sala. Ele estava encostado de forma casual, mas havia algo diferente nele — o cabelo ainda um pouco úmido, roupas limpas e arrumadas, uma camiseta escura ajustada ao corpo e jeans desbotado.
Na mão direita, ele segurava uma garrafa de cerveja já quase no fim. A luz suave da cozinha realçava a expressão relaxada, mas os olhos… os olhos pareciam carregados de algo que %Sunji% não soube identificar de imediato.
Ela largou a bolsa perto do sofá e prendeu a respiração sem perceber, enquanto Jaehyun erguia a garrafa em sua direção num gesto despreocupado.
— O pessoal convidou a gente pra uma
resenha — ele disse, a voz soando tranquila, quase leve. — Casa do capitão do time de hóquei. Vamos?
%Sunji% piscou algumas vezes, absorvendo a cena. Havia algo no tom casual dele que parecia proposital, como se estivesse tentando retomar a leveza de antes, como se estivesse estendendo uma ponte para ela atravessar, se quisesse.
Ela mordeu o lábio inferior, ponderando, sentindo o cansaço da tarde de trabalho, mas também algo mais pulsando sob a pele: uma vontade estranha de estar perto dele de novo, mesmo sem saber direito como agir.
— Você quer ir? — ela perguntou de volta, a voz suave, tentando sondá-lo.
Jaehyun deu de ombros, o sorriso meio torto brincando nos lábios.
— Pode ser divertido. — Ele deu um último gole na cerveja e deixou a garrafa vazia sobre o balcão, cruzando os braços enquanto a olhava de cima a baixo. — Se você for, eu vou.
O coração de %Sunji% deu uma leve batida errada.
%Sunji% hesitou por um instante, mas o olhar de Jaehyun, tão casualmente desafiador, foi a resposta que ela precisava.
— Então tá. — ela disse, tentando soar despreocupada, mas sentindo o estômago revirar levemente. — Me dá uns minutos pra tomar um banho e me trocar.
Ela saiu apressada para o banheiro, fechando a porta atrás de si. Seu coração ainda batia rápido demais, e ela sentia o peso da expectativa crescer no peito.
Precisava de um banho rápido — algo que a ajudasse a clarear a mente, a respirar melhor.
Deixou a água morna escorrer por seu corpo, fechando os olhos enquanto o vapor preenchia o pequeno espaço. O som da água abafava um pouco o turbilhão de pensamentos, mas não o suficiente para fazê-los desaparecer.
Ela pensava em Jaehyun. Na noite anterior. Na tensão não resolvida entre eles naquela manhã. E agora, naquela noite inesperada que se aproximava.
Depois do banho, secou o corpo rapidamente, trocou de roupa com escolhas cuidadosas — jeans justo, camiseta preta de tecido leve e uma jaqueta amarrada na cintura — e passou um hidratante de aroma discreto, como se quisesse se sentir bem consigo mesma sem parecer que estava tentando demais.
Só então, já pronta, ela saiu do quarto e caminhou até a sala, onde Jaehyun a esperava, encostado casualmente no balcão da cozinha.
👾👾👾
Enquanto isso, na sala, Jaehyun girava a garrafa vazia sobre o balcão, os dedos inquietos. Por mais que tivesse tentado soar natural, a verdade era que a simples ideia de sair com %Sunji% de novo — e estar ao lado dela em público depois de tudo — deixava seu estômago em nós.
Ele se obrigou a andar pela sala, pegar as chaves, fingir que estava totalmente relaxado. Mas, por dentro, uma expectativa silenciosa crescia. Um nervosismo que ele não sabia explicar direito.
Quando ouviu a porta do quarto se abrir, Jaehyun virou-se automaticamente, e por um segundo, esqueceu como se respirava direito.
%Sunji% caminhava em sua direção, com aquela naturalidade toda dela, o cabelo ainda levemente bagunçado do banho, a roupa simples, mas perfeita. E o sorriso discreto, nervoso, mas lindo, como sempre.
Ele se ajeitou no lugar, engolindo em seco sem disfarçar muito.
— Você tá... — Jaehyun começou, mas parou no meio da frase, coçando a nuca. — Tá ótima.
%Sunji% sorriu, um sorriso pequeno, mas genuíno.
Ele pegou a chave do carro e balançou no ar.
— Então, prontos para encarar uma resenha universitária totalmente aleatória? — brincou, tentando manter a leveza, mesmo que o peito estivesse um caos.
— Prontos. — Ela respondeu, ajeitando a jaqueta na cintura.
E assim, os dois saíram do apartamento, levando consigo toda aquela tensão não resolvida — como uma corda esticada ao máximo, prestes a arrebentar.
👾👾👾
O ar da noite estava fresco e úmido quando Jaehyun e %Sunji% saíram do prédio, caminhando lado a lado pelas ruas ainda levemente molhadas pela chuva da tarde. O som das gotas escorrendo pelas calçadas e o cheiro de terra molhada criavam uma atmosfera tranquila, mas a tensão silenciosa entre eles era quase palpável.
A casa do capitão do time de hóquei ficava relativamente perto — apenas algumas quadras — então decidiram ir a pé, como tantas vezes já tinham feito para outras festas ou encontros casuais. A caminhada, que normalmente seria preenchida por brincadeiras, empurrões e conversas despreocupadas, agora era diferente.
A alguns momentos, suas mãos se balançavam em sincronia, tão próximas que bastaria um movimento sutil para que se encostassem. E, em mais de uma ocasião, isso aconteceu. Primeiro de leve, como um esbarrão inocente. Depois, com um toque mais demorado, como se ambos demorassem um segundo a mais para afastá-las.
%Sunji% sentiu a pele da mão formigar no breve contato, e sua respiração falhou por um instante. Fingiu ajeitar a jaqueta amarrada na cintura para disfarçar, mas seu coração já estava batendo rápido demais.
Jaehyun, do seu lado, manteve o olhar à frente, tentando parecer indiferente, mas cada vez que a ponta dos dedos dela roçava na sua, uma corrente elétrica subia por seu braço.
Eles atravessaram uma rua deserta, e Jaehyun instintivamente mudou de lado, colocando-se entre %Sunji% e o asfalto, protegendo-a — o gesto tão natural quanto respirar. %Sunji% ergueu os olhos para ele por um instante, e Jaehyun a encarou de volta. Foi um olhar que durou um pouco demais, intenso demais para ser ignorado, mas nenhum dos dois ousou quebrar o silêncio.
Caminharam assim, lado a lado, presos nesse limbo confortável e insuportável ao mesmo tempo, até que as luzes da casa começaram a aparecer no final da rua.
A música já ecoava fraca do lado de fora, junto a risadas e vozes conhecidas.
%Sunji% respirou fundo, endireitando os ombros.
— Vamos lá. — murmurou, quase para si mesma.
Jaehyun apenas assentiu, e juntos, atravessaram a rua e seguiram em direção à nova confusão — sem saber que, naquela noite, mais do que qualquer festa, era a relação deles que estava prestes a ser testada.
👾👾👾
Assim que atravessaram o portão da casa, foram recebidos pelo som abafado da música que ecoava das caixas de som espalhadas no quintal. Algumas luzes coloridas piscavam discretamente, e grupos de estudantes já se espalhavam pelo jardim e pela varanda, segurando copos e conversando animadamente.
O ambiente tinha aquela típica energia leve de uma festa universitária, mas para Jaehyun e %Sunji%, havia algo no ar que parecia mais pesado, mais carregado.
Antes que pudessem pensar muito sobre isso, ouviram uma voz familiar chamando:
— Até que enfim, hein! — Haechan apareceu no meio da multidão, caminhando apressado até eles com um sorriso largo no rosto.
Ele usava uma jaqueta jeans aberta sobre uma camiseta preta e jeans escuro. Parecia à vontade, o mesmo Haechan de sempre — animado, risonho —, mas, para Jaehyun, havia algo a mais nos olhos do amigo quando eles pararam em frente. Um brilho diferente, especialmente quando olhou para %Sunji%.
— Achei que vocês iam desistir! — Haechan disse, brincalhão, e sem cerimônia, passou um dos braços pelos ombros de %Sunji%, puxando-a para um meio abraço caloroso. — Ainda bem que vieram.
Jaehyun cerrou os dentes de leve, disfarçando com um sorriso forçado enquanto colocava as mãos nos bolsos da calça. Seus olhos seguiram o gesto automático de Haechan — e a forma como %Sunji% riu, meio sem jeito, mas sem se afastar.
— E aí, Jaehyun? — Haechan soltou %Sunji% e deu um tapa amigável no ombro dele, talvez mais forte do que o necessário. — Bora aproveitar hoje ou vai ficar aí com cara de quem perdeu um gol?
— Tô tranquilo — Jaehyun respondeu, o tom levemente seco. — E você? Não tá ocupado demais abraçando a minha colega de quarto?
%Sunji% arregalou os olhos discretamente para ele, e Haechan soltou uma risada alta, como se não tivesse notado a tensão nas palavras do amigo.
— Relaxa, cara. Estamos só começando a festa! — Haechan piscou para %Sunji%, antes de apontar com o polegar para dentro da casa. — Vamos? Já pegaram bebida?
— Ainda não. — %Sunji% respondeu, soltando uma risada nervosa, tentando aliviar o clima estranho. — Vamos ver o que tem.
Jaehyun acompanhou os dois, caminhando um pouco atrás, observando a interação de %Sunji% e Haechan com olhos atentos.
Era claro que Haechan ainda estava interessado nela. E era claro que %Sunji%… estava tentando agir como se nada estivesse fora do lugar.
O problema era que, para Jaehyun, tudo já estava fora do lugar.
E ele não sabia quanto tempo conseguiria continuar fingindo que não via isso.
A cozinha estava cheia de gente, mas era espaçosa o suficiente para que cada pequeno grupo tivesse seu canto. Sobre a bancada central, várias garrafas de bebidas, refrigerantes e copos plásticos estavam espalhados, à disposição.
Haechan se adiantou, abrindo uma das cervejas e oferecendo outra para %Sunji%, que aceitou com um sorriso pequeno, mas sincero.
— Você precisa relaxar — Haechan disse, brincando enquanto estendia o copo para ela. — E eu sou ótimo para ajudar nisso.
%Sunji% riu, aceitando a bebida, e deu um gole para disfarçar a súbita tensão que sentiu. Ela queria muito agir como sempre, queria muito que fosse só mais uma festa qualquer.
Jaehyun observava tudo da ponta da bancada, segurando sua própria cerveja com tanta força que o plástico fino do copo parecia prestes a rasgar em seus dedos.
Cada riso dela para Haechan, cada olhar meio tímido que ela trocava, era como um espinho enfiando-se lentamente em sua pele. Ele sabia que Haechan era um cara legal, sabia que era seu amigo... mas, naquele momento, tudo o que sentia era a vontade irracional de puxá-la para longe dali.
Haechan, animado como sempre, continuava falando e brincando, tentando incluir %Sunji% na conversa. Em certo momento, alguns outros colegas do time de hóquei chegaram até eles, chamando Haechan para ajudá-los a organizar algo no quintal — provavelmente alguma competição boba que estavam montando para animar ainda mais a festa.
— Já volto, prometo que não vou demorar! — Haechan piscou para %Sunji%, soltando um sorriso fácil antes de se afastar, sendo praticamente arrastado pelos amigos.
De repente, o barulho da cozinha pareceu diminuir, e a presença de Jaehyun ao lado dela se tornou ainda mais evidente.
%Sunji% ficou ali, segurando o copo com as duas mãos, balançando o líquido devagar, sem saber bem para onde olhar. Jaehyun, por sua vez, continuou encostado na bancada, os olhos fixos nela, sem sequer tentar disfarçar.
O silêncio entre eles não era desconfortável como poderia ser com outras pessoas. Era denso. Quente.
Jaehyun deu um gole longo em sua cerveja, pousou o copo vazio na bancada e inclinou levemente a cabeça, observando-a.
— Quer dar uma volta? — perguntou, a voz baixa, diferente de antes. Não era um convite animado, era quase um pedido silencioso.
%Sunji% mordeu o lábio inferior por um segundo, hesitando — mas no fundo, já sabia que não tinha como dizer não.
— Quero. — respondeu, a voz soando quase como um sussurro.
Jaehyun esticou a mão para ela, como se aquilo fosse o gesto mais natural do mundo. %Sunji% colocou seus dedos sobre os dele, sentindo aquele calor imediato, e então os dois deixaram a cozinha para trás, caminhando por entre as pessoas até saírem para o quintal dos fundos, onde a música parecia mais distante e o ar era mais fresco.
Ali, finalmente a sós, o mundo pareceu encolher ao redor deles.
Jaehyun parou e virou-se de frente para ela, o olhar sério, como se estivesse segurando algo há muito tempo.
— Você…
se divertindo com ele? — soltou, a voz grave, carregada de algo que ele mal conseguia esconder.
%Sunji% arregalou um pouco os olhos com a pergunta direta, o coração acelerando no peito.
— Jaehyun… — ela começou, sem saber o que dizer.
Mas Jaehyun não parecia disposto a dar muito tempo para respostas evasivas. Ele deu mais um passo, aproximando-se até que ela pudesse sentir o calor que irradiava do corpo dele.
— Porque eu tô ficando maluco aqui. — confessou, num tom que era quase uma súplica. — Maluco de ver você rindo com ele. De fingir que nada mudou entre nós.
%Sunji% sentiu seu peito apertar, seus olhos se perderam nos dele por um instante que pareceu eterno.
— E mudou? — ela perguntou, num fio de voz.
Jaehyun soltou uma risada sem humor e respondeu, se inclinando ainda mais, seus rostos separados apenas por um fio de coragem:
E então, sem conseguir mais se segurar, Jaehyun encurtou de vez a distância e capturou os lábios dela num beijo urgente, faminto, cheio de tudo que eles estavam tentando sufocar desde aquela noite.
O beijo foi imediato, explosivo, como se toda a tensão acumulada entre eles finalmente tivesse encontrado um ponto de escape. Jaehyun segurou o rosto de %Sunji% com as duas mãos, puxando-a para si com uma urgência que fez o coração dela disparar.
%Sunji% levou alguns segundos para reagir — não porque quisesse recuar, mas porque seu corpo inteiro parecia paralisado pela intensidade do que estava acontecendo. Quando finalmente respondeu, foi como se uma represa tivesse se rompido dentro dela.
Seus dedos se agarraram à camiseta de Jaehyun, puxando-o ainda mais para perto, enquanto os lábios se moviam juntos em um ritmo descompassado, impaciente. O beijo não era lento, nem calculado — era quente, desesperado, como se ambos estivessem tentando se convencer de que aquilo era real.
Jaehyun deslizou uma das mãos para a cintura dela, puxando-a contra seu corpo, sentindo cada curva se moldar à sua. O gosto de cerveja ainda estava presente na boca dele, misturado ao perfume adocicado que sempre parecia pairar ao redor dela.
%Sunji% deixou escapar um pequeno suspiro contra os lábios dele, e Jaehyun aproveitou para aprofundar o beijo, sua língua encontrando a dela de forma intensa e quase possessiva. Era como se cada movimento dissesse
"você é minha" sem precisar de palavras.
O mundo ao redor desapareceu — a música distante, o barulho das outras pessoas, até a sensação da noite fria contra a pele. Tudo o que existia era o calor, o toque, o desespero silencioso que ambos carregavam.
Jaehyun afastou o rosto apenas o suficiente para encarar %Sunji%. O peito dele subia e descia com força, os olhos escuros presos nos dela, como se estivesse lutando contra tudo que sentia e, ainda assim, incapaz de soltá-la.
%Sunji% mordeu o lábio inferior, ainda sentindo a respiração dele contra sua boca, e quando Jaehyun moveu o polegar para acariciar seu rosto — aquele gesto tão suave em contraste com o turbilhão dentro deles —, ela fechou os olhos por um segundo, como se se entregasse de vez ao que quer que estivesse nascendo ali.
Sem pensar, ela puxou Jaehyun de volta, iniciando outro beijo — dessa vez mais lento, mais exploratório, mas ainda cheio daquela fome que os consumia.
Cada toque parecia um novo começo, uma nova descoberta.
Cada beijo parecia uma confissão silenciosa.