Uncharted Feelings


Escrita porBetiza
Editada por Lelen


OITAVO CAPÍTULO • MUDAR AQUI HEIN!

Tempo estimado de leitura: 21 minutos

  Haechan ainda a olhava, o rosto a poucos centímetros do dela, com aquele brilho sereno e sincero nos olhos. O polegar dele deslizava de forma distraída pela lateral do braço dela, como se tentasse prolongar aquele instante, como se esperasse por uma resposta não dita.
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  %Sunji%, no entanto, não disse nada.
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  Apenas respirou fundo e desviou os olhos, ainda sentindo o gosto do beijo nos lábios, ainda com o corpo um pouco quente, o coração batendo forte — mas não da forma que havia batido antes. Não da forma que batia por Jaehyun.
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  Ela apertou os lábios, sutilmente, e encarou o chão úmido da praça.
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  Haechan recuou apenas um pouco, mas permaneceu ali ao lado dela, respeitando o silêncio que se instalava. Talvez ele tivesse sentido. Talvez já soubesse. Mas também não insistiu.
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  Por um instante, tudo o que se ouvia era o som distante de um carro passando na rua e o vento leve soprando entre as árvores da praça vazia.
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  %Sunji% levou as mãos aos bolsos da jaqueta e ficou ali, quieta, deixando o silêncio falar por ela — e deixando o nome de Jaehyun ecoar, uma vez mais, apenas dentro da própria cabeça.
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  — Parece que decepcionei você… — Haechan quebrou o silêncio primeiro, umedecendo os lábios que ainda tinham o gosto dela.
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  — Claro que não Haechan, porque decepcionaria? — A voz dela saiu mais baixa do que gostaria, com um quê de sofrimento que ela tentou disfarçar dando um sorriso.
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  — Não era o meu beijo que você queria, %Sunji%. Vamos falar a verdade?
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  %Sunji% sentiu o estômago revirar.
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  O peito apertou com uma força quase física, como se as palavras dele tivessem acertado exatamente o ponto que ela tentava esconder — até de si mesma.
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  O sorriso em seu rosto vacilou, desfez-se lentamente como névoa ao vento. Os olhos dela desviaram, indo parar em algum ponto perdido da praça, e seus ombros cederam levemente, como se um peso tivesse acabado de se acomodar neles.
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  Ela não disse nada.
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  Mas o silêncio, a forma como suas mãos se apertaram dentro dos bolsos, a maneira como sua respiração ficou presa por um segundo... tudo aquilo era resposta o suficiente.
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  — Eu não posso me apaixonar pelo Jaehyun. E não quero, Haechan. Não posso estragar tudo, e não quero ter meu coração quebrado por ele.
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  Haechan suspirou profundamente.
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  — Eu suspeitei que alguma coisa estava acontecendo. Quando encontrei vocês dois, vermelhos e ofegantes daquele jeito, tão perto um do outro… eu só quis me enganar mais um pouco.
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  — Haechan! — %Sunji% chamou, quebrando a distância entre ele e segurando-o pela gola da jaqueta — Eu quero ficar com você! Quero me apaixonar por você… não pelo Jaehyun.
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  Haechan a olhou surpreso, os olhos arregalados por um segundo, o ar sendo puxado com mais força pelos pulmões. O toque dela em sua jaqueta, os dedos apertando o tecido com leve desespero, disseram muito mais do que qualquer palavra.
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  — Eu quero ficar com você… — ela repetiu, mais baixo, quase como uma súplica — ...não com o Jaehyun.
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  O olhar dele buscou o dela com cuidado, como se esperasse algum sinal de dúvida. Mas, naquele momento, mesmo confusa e em pedaços por dentro, %Sunji% parecia decidida. E isso foi o bastante.
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  Haechan não hesitou.
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  As mãos dele foram parar na cintura dela outra vez, e então a puxaram com firmeza, colando seus corpos com precisão. Quando seus lábios se encontraram de novo, não havia mais hesitação — havia intensidade.
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  Dessa vez, o beijo não era tímido ou contido. Era carregado de uma vontade desesperada de acreditar que aquilo poderia dar certo.
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  A boca de Haechan se moldava perfeitamente à dela, seus lábios se encaixando com uma familiaridade inesperada. Ele explorava com suavidade e firmeza ao mesmo tempo, como quem sabia exatamente onde tocar, como tocar.
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  As mãos dele subiram pelas costas dela, deslizando até a base da nuca, onde os dedos se enroscaram em seus cabelos. O calor da palma contra sua pele arrepiou cada centímetro do corpo de %Sunji%, fazendo-a soltar um suspiro suave entre um beijo e outro.
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  Ela deixou que os próprios braços rodeassem o pescoço dele, puxando-o ainda mais, entregando-se. Não havia o mesmo turbilhão caótico que sentira com Jaehyun.
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  Mas havia aconchego. Havia desejo. Havia corpo, pele, calor…
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  E agora, diferente do primeiro beijo, ela estava ali de verdade.
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  Não tentando fugir de nada.
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  Mas tentando construir algo.
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  O beijo se intensificou por mais alguns instantes, os movimentos mais lentos e carregados de intenção. Era como se cada toque fosse uma tentativa silenciosa de dizer: “Escolha a mim.”
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  Quando os lábios se separaram, eles ainda estavam colados, testas encostadas, respirações descompassadas misturando-se no ar frio da praça.
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  %Sunji% manteve os olhos fechados por um momento, absorvendo aquele instante, deixando o corpo gravar todas as sensações possíveis.
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  Ainda era confuso. Ainda era arriscado.
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  Mas naquele segundo... ela quis que desse certo.
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👾👾👾

  Jaehyun escorou as costas na parede bege e gelada da casa, a festa estava a todo vapor ainda. Mas a mente dele só conseguia pensar em uma coisa: %Sunji% e Haechan voltando para casa sozinhos.
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  Os dedos dele apertaram o copo vermelho de plástico com mais força que o necessário e alguns amigos notaram.
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  — O que tá rolando com você, hein? Até hoje na fossa pela Dayeon? — A voz aguda de Minah ecoou nos ouvidos dele.
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  — Nem vem, Minah! Eu só quero ficar quieto.
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  — Achei que eu tinha feito você esquecer o fora que tomou dela…
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  Minah não respeitou o pedido de espaço imposto por Jaehyun, é claro… as mãos dela lhe tocaram o rosto, a mandíbula. Os dedos dela deslizando pela pele quente dele, subindo até lhe alcançarem a nuca.
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  Os dedos dela se entrelaçaram nos cabelos escuros de Jaehyun e ele se permitiu fechar os olhos, levando a cerveja até a boca, se servindo de um grande gole da mesma, enquanto sentia o corpo de Minah se juntar ainda mais ao seu.
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  Quando a cerveja desceu queimando levemente por sua garganta ele pensou em %Sunji% outra vez…
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  O gosto amargo da bebida mal conseguia apagar o gosto da boca dela. Aqueles beijos, intensos e inesperados, ainda estavam colados em sua pele como um perfume que não saía.
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  O modo como ela o puxou de volta para o segundo beijo.
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  O suspiro que escapou dos lábios dela quando ele a tocou pela cintura.
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  A forma como a boca dela se moldava à sua com tanta fome quanto ele sentia.
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  Aquilo não tinha sido só um erro de bêbados. Não tinha como ser.
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  Ele nunca tinha sentido aquele tipo de impulso com ninguém. Nunca tinha se perdido assim — de forma desajeitada, descontrolada, mas absurdamente real.
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  E agora... ela estava lá fora com Haechan.
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  Minah encostou a cabeça em seu ombro, os dedos ainda brincando com os fios da nuca dele, mas tudo parecia errado.
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  Era o toque certo, da pessoa errada. Ou talvez o toque errado, no momento errado.
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  Minah cheirava a baunilha adocicada, e Jaehyun se perguntou por que aquilo não trazia conforto.
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  Por que, mesmo com ela ali, tão perto, com as mãos deslizando por sua pele, o corpo dela colado ao seu… tudo que ele queria era %Sunji% de novo.
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  Os dedos dela não o faziam perder o ar.
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  Os beijos dela não faziam seu peito bater fora do compasso.
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  Fechou os olhos por um instante e o rosto de %Sunji% surgiu ali, nítido demais. Os olhos semicerrados no escuro da varanda, os lábios entreabertos, a respiração misturada à dele.
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  Jaehyun soltou um suspiro baixo, frustrado, e afastou o copo dos lábios.
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  Ele podia tentar fingir o quanto quisesse, podia até deixar Minah se aproximar… mas a verdade era clara como a dor latejando em seu peito:
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  Ele queria estar com a %Sunji%. E só com ela.
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  Minah se aproximou mais, e Jaehyun não recuou. Permitiu que o corpo dela se encaixasse ao seu, deixou que os lábios dela roçassem a curva de seu maxilar, um beijo suave que escorregou até o canto da boca.
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  Ele não disse nada.
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  Ela riu baixo, satisfeita com o silêncio dele, interpretando aquilo como permissão.
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  Os braços de Minah o rodearam, puxando-o pela cintura, e Jaehyun respondeu mecanicamente, deixando as mãos pousarem nos quadris dela. Mas o toque era leve demais, contido demais. Não havia desejo real ali.
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  Havia só… negação.
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  Ele se forçou a manter os olhos abertos. Como se, ao mantê-los abertos, pudesse evitar que %Sunji% invadisse sua mente outra vez.
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  Mas não adiantou.
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  Porque agora, até o beijo de Minah — quente, molhado, cheio de intenção — era um lembrete cruel de como não era com %Sunji%.
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  O beijo dela tinha gosto de impulso e arrependimento misturado. De algo que nunca devia ter acontecido, mas que ele faria de novo, sem pensar duas vezes.
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  Ele segurou Minah pela cintura, com um pouco mais de firmeza agora, mas não porque queria levá-la para mais perto — e sim porque estava tentando, desesperadamente, se convencer de que ainda conseguia querer outra pessoa.
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  Ela murmurou algo que ele não entendeu direito, a boca colada à orelha dele. E Jaehyun riu, um som sem graça, arrastado.
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  Tudo soava abafado. Longe.
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  Como se ele estivesse num lugar onde o corpo ficou, mas a mente já tivesse ido embora há muito tempo.
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  Para o corredor daquela casa. Para o toque dos dedos de %Sunji% em sua jaqueta. Para o jeito como ela suspirou o nome dele no escuro, sem precisar dizê-lo em voz alta.
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  Ele fechou os olhos por fim. E, no escuro, era %Sunji% quem ele via.
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  Minah afastou o rosto o suficiente para encará-lo de frente, os olhos brilhando sob a luz quente da sala. Seus dedos subiram do peito dele até o colarinho da jaqueta, brincando com o tecido, como quem buscava a última confirmação.
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  — Que tal a gente sair daqui? — ela sussurrou, o tom carregado de insinuação, o sorriso nos lábios quase vitorioso. — A gente podia ir pra sua casa… ou pra minha.
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  Jaehyun a olhou por um segundo longo demais.
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  Por fora, ele parecia considerar.
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  Por dentro, ele gritava.
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  Porque tudo aquilo — o convite, o sorriso, a intenção — não era o que ele queria. Não era quem ele queria. Mas ele não tinha forças para dizer isso em voz alta. Não ainda.
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  Estava prestes a responder qualquer coisa — talvez um "vamos", talvez um "não sei" — quando a voz alta e arrastada de um dos colegas de classe atravessou a sala:
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  — Jaehyuuuun! Mano, cê viu onde deixei meu celular? Aquele vermelho! Era seu copo ou meu? Eu acho que bebi no seu copo! — era Jongho, completamente bêbado, cambaleando com um sorriso idiota no rosto e dois copos iguais na mão.
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  Jaehyun fechou os olhos por um segundo, respirando fundo, como se aquele chamado tivesse o puxado de volta para a superfície de um mergulho que ele não queria ter feito.
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  Minah bufou, rolando os olhos.
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  — Sério? Agora? — ela murmurou, soltando a jaqueta dele com impaciência.
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  Jaehyun aproveitou a deixa. Deu um passo para o lado, afastando-se um pouco dela e pegando um dos copos da mão de Jongho sem nem olhar.
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  — Relaxa, tá tudo certo — respondeu, mas a voz saiu baixa, distraída, longe.
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  Ele tomou um gole sem sentir o gosto, os olhos vagando pela sala como se estivessem procurando algo — ou alguém.
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  Mas ele já sabia quem faltava. E onde ela estava.
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👾👾👾

  Jaehyun ainda segurava o copo em uma das mãos, mas o líquido ali dentro já não tinha gosto, não tinha sentido. A festa seguia pulsando ao redor dele — música, risos, conversas altas, gente demais. Mas ele só conseguia pensar em uma coisa.
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  Ou melhor, em uma pessoa.
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  %Sunji%.
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  Talvez ela já estivesse voltando para casa. Talvez ainda estivesse com Haechan. Talvez, talvez, talvez.
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  Ele odiava aquele monte de incertezas.
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  E odiava ainda mais saber que a única certeza era: Ele não queria que ela estivesse com mais ninguém.
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  Soltou um palavrão baixinho, largando o copo na primeira superfície que encontrou, e se afastou da parede. Passou por Jongho, por Minah, por todos os rostos conhecidos que pareciam desfocados, borrados, sem importância.
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  Minah ainda tentou chamá-lo, mas ele só acenou com a mão sem nem olhar para trás.
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  Os pés seguiram rápido pela varanda, depois pelo portão da casa. O ar fresco da noite bateu em seu rosto, e pela primeira vez em horas ele respirou com mais clareza.
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  Sem pensar, colocou as mãos nos bolsos da jaqueta e começou a caminhar. Não sabia exatamente onde ela estava, mas seus pés o levavam por instinto.
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  A praça ali perto. O caminho que costumavam fazer depois de festas.
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  A rua tranquila por onde sempre voltavam juntos para casa, rindo, reclamando do cansaço ou cantando alguma música ridícula que só eles lembravam.
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  Agora tudo estava diferente.
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  E ele não queria aceitar que talvez fosse tarde demais para impedir isso.
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  As mãos tremiam levemente — talvez pelo frio, talvez pelo medo. O coração batia rápido, mas não era o álcool.
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  “Se ela estiver com ele…”
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  Ele não conseguiu terminar o pensamento.
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  Ele só sabia que precisava vê-la. Precisava entender o que tinha sido aquele beijo. E se ela sentiu o mesmo que ele.
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  E, se sentiu…Talvez ainda houvesse tempo.
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  As luzes da praça estavam acesas, lançando um brilho amarelado sobre o chão ainda úmido da chuva. O som de seus próprios passos ecoava contra as pedras do calçamento, agora silencioso, calmo demais.
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  Jaehyun parou no meio do espaço, os olhos varrendo cada canto: os bancos de madeira, a árvore que sempre balançava com o vento, o balanço quebrado que rangia às vezes com a brisa.
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  Mas não havia ninguém ali.
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  Nem %Sunji%.
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  Nem Haechan.
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  Ele girou o corpo devagar, como se pudesse encontrá-los atrás de algum pilar, ou vindo pelo outro lado da rua. Mas o vazio respondeu com mais silêncio.
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  Um silêncio que pesava.
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  Engoliu em seco. A respiração saiu descompassada, como se até o ar ali doesse.
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  Seu peito apertou de um jeito estranho, mais profundo do que raiva, mais amargo do que ciúme. Era ausência. Era a maldita ausência dela.
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  E pior do que imaginá-la beijando Haechan… era o fato de que ele não estava lá.
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  Não a viu sorrir.
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  Não viu se ela hesitou.
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  Não viu se ela... pensou nele.
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  Caminhou até o banco no canto da praça e se sentou, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos passando pelo rosto uma, duas vezes.
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  O coração seguia acelerado, como se ainda tivesse algo a enfrentar. Mas tudo que havia ali era ele mesmo.
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  E a verdade.
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  Ele queria %Sunji%.
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  Não como amiga.
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  Não como colega de quarto.
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  Ele a queria de um jeito que nunca quis ninguém.
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  Mas talvez tivesse percebido tarde demais.
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  A noite continuava calma, os postes zumbindo baixo, a cidade inteira parecendo cochichar o que ele não queria ouvir: Ela não está aqui. Ela escolheu não estar aqui.
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  E com isso… ele sentiu algo dentro dele afundar devagar.
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  Jaehyun permaneceu mais alguns minutos sentado naquele banco, encarando o nada como se esperasse que, a qualquer momento, ela aparecesse sorrindo, como sempre fazia quando queria quebrar o silêncio.
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  Mas ela não apareceu. E o tempo passou.
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  Levantou-se devagar, os ombros pesados, os passos arrastados. O caminho de volta para casa parecia mais longo do que nunca. Cada esquina, cada poste, cada muro grafitado trazia algum resquício dela. Dos dois. Do "nós" que talvez nunca tivesse existido, ou que talvez tivesse acabado ali, naquela noite.
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  Quando chegou ao prédio, o porteiro apenas assentiu com a cabeça, e Jaehyun respondeu com um movimento discreto da mão. Não queria falar. Não queria explicar.
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  Entrou no elevador, apertou o botão do andar e observou o próprio reflexo nos espelhos da cabine. Os olhos vermelhos, o cabelo bagunçado, a jaqueta levemente úmida pela umidade da noite — parecia alguém que tinha perdido algo, mas ainda não sabia o quê.
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  Ou talvez soubesse.
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  A porta do apartamento se abriu com o rangido de sempre. O interior estava escuro, silencioso, como se guardasse a respiração para não assustá-lo.
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  Ela não estava lá. Ainda. Ou talvez tivesse passado por ali e ido embora. Ele não sabia.
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  Fechou a porta atrás de si com cuidado. Não acendeu a luz.
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  Apenas caminhou até o sofá e se jogou ali, de costas, sem tirar a jaqueta.
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  Os olhos fixos no teto escuro. O som da própria respiração preenchendo o silêncio.
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  Ela não está aqui.
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  E por mais que ele dissesse a si mesmo que estava tudo bem...
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  Não estava.
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  Nota da autora: Oi, chuchus! Lembrando que faltam só mais dois capítulos para esses dois se resolverem de vez, ou não... quais as expectativas, hein? Beijão :*

OITAVO CAPÍTULO
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Lelen

A gente sabe que essa ideia de “querer se apaixonar” pelo Haechan muito pouco provavelmente vai dar certo, então eu torço para o Jaehyun e a Sunji se acertarem de uma vez e deixem o pobre do Haechan (nunca pensei que diria isso kkkkk) ser feliz.
Ai, triângulo amoroso, se não for poliamor, sempre tem um que sofre, né? Pqp

Betiza

Infelizmente o póbi do Haechan tá sendo usado ): mas a Sunji não é uma pesoa ruim, tadinha KKKKKK só tem medo de se machucar, mesmo que possa machucar o Haechan, não é a intenção dela… (passando pano, eu?)
Por isso sou totalmente adepta aos trisais KOAKSOAKSOKAOS ops

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