NONO CAPÍTULO • O ACORDO
Tempo estimado de leitura: 25 minutos
A música não estava alta, mas estava alta o suficiente para que ele pudesse ouvir pelo apartamento praticamente todo. Era um dos dias em que eles limpavam o apartamento todo, já que não trabalhariam em nenhum momento nem do dia, nem da noite.
Mas ali estava Jaehyun, de pé desde às 08:30, começando a faxina sozinho. Nem sinal de %Sunji% até o momento. Ele havia pensado em ligar para ela, em mandar uma mensagem que fosse, mas havia desistido.
Não havia pregado o olho durante a noite então a cabeça pesava sobre o corpo. A noite havia sido longa, quase uma eternidade, e a cabeça dele não parava.
Bufou alto e passou as mãos pelos olhos outra vez.
As imagens dos beijos com %Sunji% surgiam com nitidez dolorosa a cada nova música. O toque dela em sua nuca. Os dedos pequenos agarrando sua camisa.
Depois ele pensou em como seria a forma como ela dizia o nome de Haechan… A forma como ela deveria ter beijado Haechan…
A raiva vinha em ondas, se misturando ao arrependimento, à frustração e ao que ele se recusava a nomear.
Jaehyun bufou, largando o rodo encostado na parede. Precisava de uma pausa.
Foi até a cozinha e pegou um copo d’água, os olhos encarando o reflexo no micro-ondas espelhado. Estava um trapo. Cabelos bagunçados, olheiras fundas. O tipo de olhar de alguém não tinha dormido, muito menos descansado.
Então a porta do quarto dela se abriu.
%Sunji% apareceu com uma expressão sonolenta, o cabelo emaranhado, uma blusa de moletom dele, que ela havia roubado meses atrás, e o rosto com as marcas do travesseiro. E mesmo naquela versão bagunçada de si mesma, ainda era bonita. Bonita o suficiente para Jaehyun desviar os olhos imediatamente.
O coração acelerou instantaneamente, ele disfarçou a expressão de surpresa que surgiu no rosto rapidamente. Ele nem a escutou chegando em casa… mesmo a noite toda acordado.
— Você começou sem mim? — ela perguntou, a voz rouca da manhã.
— Você demorou. Já são quase dez.
%Sunji% coçou a cabeça e entrou na cozinha com passos lentos.
— Desculpa. Eu… — ela parou, tentando encontrar alguma justificativa plausível, mas os dois sabiam que não existia nenhuma boa o bastante. Não depois da noite anterior.
O silêncio se alongou entre os dois, até que %Sunji% se encostou no batente da cozinha, com os braços cruzados.
— A gente precisa conversar, né?
Jaehyun soltou um suspiro demorado.
— A gente precisa decidir o que somos agora.
Os olhos dela baixaram, e os dele também. Nenhum dos dois tinha coragem de sustentar o olhar do outro por tempo demais.
— Eu quero minha amizade de volta, Jaehyun. — ela disse, firme. — Quero voltar a ser só sua amiga. Como sempre foi.
Ele sentiu um peso no peito, mas assentiu devagar.
— Tudo bem. Só amigos. — disse, mesmo que soasse como uma mentira.
%Sunji% forçou um sorriso e estendeu a mão.
Jaehyun a encarou, depois olhou para a mão estendida. Ele pegou a mão dela, apertou. Por fora, os dois pareciam seguros da decisão. Mas por dentro…
…nenhum dos dois fazia ideia de como sustentar aquilo. 👾👾👾
Ela estava arrumando o quarto dele, como sempre fazia. Ficava responsável pelos quartos e o banheiro, e ele sempre cuidava da sala, da cozinha, da pequena lavanderia e da sacada.
Já tinha entrado no quarto dele tantas e tantas vezes, — tanto para momentos de limpeza como aquele, quanto para conversarem ou encherem o saco um do outro —, mas daquela vez tudo estava diferente.
O cheiro de Jaehyun parecia diferente... Ela conhecia aquele cheiro de cor, mas agora ele mexia com ela de um jeito que não sabia explicar.
As roupas jogadas na cadeira e na mesa do computador pareciam chamá-la, e ela suspirou pesadamente pegando uma camiseta branca de lá de cima. Até aquele simples ato de segurar a peça lhe pareceu estranho.
A camiseta branca escorregava devagar entre os dedos de %Sunji%, como se tivesse peso demais para algo tão leve. O tecido macio ainda guardava o calor do corpo dele —
ou talvez fosse apenas imaginação. Mesmo assim, ela levou a peça até o nariz, discretamente, como se fosse apenas para conferir se estava limpa… mas o cheiro era inconfundível.
O mesmo cheiro de sempre, levemente amadeirado, com um fundo cítrico suave — o tipo de fragrância que parecia casual, mas que grudava na memória. Só que agora, aquilo que antes era conforto, soava quase como provocação. Um lembrete do que não deveriam mais repetir.
Ela respirou fundo, tentando manter o foco. Dobrou a camiseta de forma precisa, até demais, como se o capricho fosse uma forma de controlar a bagunça na cabeça. Empilhou a peça dobrada com outras sobre a cama, e passou os olhos rapidamente pelo quarto.
As meias emboladas no canto. A toalha deixada na poltrona. Os fones esquecidos sobre a mesa. O copo meio cheio com água da noite anterior. Tudo tão
ele, tão Jaehyun, tão cotidiano. Só que agora, cada detalhe parecia carregado de sentido.
Abaixou-se para pegar um tênis jogado debaixo da cama e percebeu que o coração batia rápido demais para o simples ato de estar ali.
Estava mesmo abalada? Só por estar no quarto dele? Sacudiu a cabeça, bufando. Precisava terminar logo aquilo. Precisava terminar antes que as lembranças da varanda, os beijos, os toques, e até mesmo a noite da festa invadissem seus pensamentos de novo.
Mas era tarde demais. Enquanto ajeitava os travesseiros na cabeceira, as imagens voltaram com força, e ela sentiu a pele do rosto esquentar. Não tinha ninguém ali para ver, mas ainda assim, se sentiu exposta. Vulnerável.
Ela se sentou na beirada da cama por alguns segundos, segurando os lençois, como se precisasse de apoio. Respirou fundo outra vez.
“É só o quarto do Jaehyun… só isso.” Mas até ela sabia que era mentira.
👾👾👾
Os dois estavam sentados no sofá, cada um segurando sua bandejinha de tteokbokki que Jaehyun havia buscado no restaurante. Exaustos após faxina. O silêncio pesado no meio dos dois, quase como se fosse um terceiro morador.
Ele mastigava, calado, e ela também. Hora outra eles se olhavam de canto de olho, mas desviavam sempre que percebiam que o outro estava olhando também.
Jaehyun não resistiu a tentação de provocá-la:
— Você e o Haechan vão namorar? Tipo, o negócio entre vocês é sério mesmo? Tá apaixonada por ele?
%Sunji% fechou os olhos, respirando fundo e pesadamente, ainda com a boca meio cheia, ela soltou, cansada:
— Não começa Jaehyun! Eu e ele ainda não decidimos nada, e é muito cedo para pensar em namoro.
Ele assentiu, se remexendo totalmente inquieto no sofá. O peito queimava por dentro em antecipação e ansiedade. A cabeça dele estava um completo caos, mas ele havia feito um novo acordo com ela…
Amigos. Só amigos, como sempre foram. Ele repetiu para si mesmo que precisava se esforçar para voltar a enxergá-la assim. E não como uma perfeita tentação que estaria ali todos os dias de manhã, andando pela casa com aquelas camisetas largas, cara de sono, a boca carnuda e rosada…
Piscou os olhos afastando aqueles pensamentos. Olhou para ela, que o encarou de volta.
— Nós temos um acordo, não temos? — Os olhos dele desceram justamente para a boca carnuda e rosada que ele havia beijado.
— Temos um acordo %Sunji%. — Ele respondeu com a voz rouca, baixa, mais afetado do que gostaria de aparentar.
Jaehyun sentia o peso das próprias palavras latejando nos ouvidos.
“Temos um acordo, %Sunji%.” Disse isso como um lembrete, como uma âncora para mantê-lo no lugar… mas foi inútil.
Porque quando os olhos dela baixaram por um segundo para os lábios dele e voltaram com rapidez — um gesto quase imperceptível, mas que ele conhecia bem demais — o corpo dele reagiu antes que pudesse impedir.
Sem pensar, ele se inclinou.
Lentamente. Como se esperasse que ela o afastasse a qualquer momento.
Os olhos de %Sunji% estavam fixos nos dele, grandes, escuros, brilhando com algo que parecia confusão… ou desejo. A bandeja com o tteokbokki ainda repousava sobre o colo dela, esquecida. A dela e a dele. Tudo foi esquecido.
O rosto dele se aproximava em silêncio.
A respiração de ambos agora se misturava. Ele podia sentir o calor dela, o perfume da pele, algo leve e fresco, contrastando com o calor picante do que tinham acabado de comer. A tensão entre eles parecia vibrar no ar, estalando como energia estática.
E então, seus lábios se tocaram. Foi um beijo suave no começo, quase hesitante, como se ambos estivessem testando o limite daquele acordo que haviam acabado de fazer. Mas o gosto adocicado e picante do molho ainda em suas bocas deu outro tom àquele beijo. Jaehyun aprofundou o toque devagar, até que não havia mais controle.
A mão dele buscou o rosto dela, a palma envolvendo sua bochecha com delicadeza. Os dedos roçaram atrás da orelha dela, e %Sunji% respondeu com um suspiro baixo, quase inaudível, mas que Jaehyun sentiu reverberar direto no estômago.
A bandeja dela caiu do colo, escorregando para o chão com um baque abafado.
Mas nenhum dos dois pareceu notar.
Porque agora as mãos dela estavam na nuca dele, puxando-o para mais perto.
E naquele instante, tudo — o sofá, a comida, o mundo ao redor — se dissolveu, restando apenas eles dois. Novamente.
Mesmo depois do acordo. Mesmo sabendo que estavam prestes a quebrar tudo.
O beijo já não era mais leve.
%Sunji% puxava Jaehyun pela gola da camiseta enquanto ele deslizava a mão por sua cintura, com um toque mais firme dessa vez, aproximando seus corpos até que não houvesse mais espaço entre os dois. As bandejas de comida esquecidas no chão. O mundo completamente apagado. Só existiam eles.
Os dedos dela se enroscaram nos fios da nuca dele e Jaehyun soltou um suspiro rouco contra os lábios dela, pressionando-a contra o encosto do sofá. Seu corpo pesava sobre o dela de uma forma que não era desconfortável — era desejada. Tão desejada que a respiração de %Sunji% já saía entrecortada.
As mãos dele desceram pelas laterais do corpo dela, pressionando contra a curva de sua cintura até encontrarem o quadril. O polegar desenhava círculos lentos e quentes por cima da blusa, e %Sunji% sentia cada toque como se fosse na pele nua.
Ela afastou os lábios apenas para respirar, mas antes que qualquer palavra fosse dita, Jaehyun voltou a beijá-la — mais intenso agora, mais profundo. Um beijo carregado de tudo o que eles estavam tentando evitar sentir.
Desejo. Confusão. Aquele sentimento que os dois insistiam em chamar de qualquer outra coisa que não fosse o que de fato era. Os dedos dele agora subiam por debaixo da blusa dela, explorando a pele da cintura como se estivesse tentando memorizar cada detalhe. Os corpos se moldavam no encaixe já familiar de quem havia se beijado outras vezes e sentiu o gosto do proibido… mas agora não havia mais nada impedindo. Nenhuma desculpa.
As mãos dela também começaram a explorar — subiram pelas costas dele, deslizando por debaixo do tecido da camiseta, arranhando de leve o caminho que traçavam até os ombros dele. Jaehyun soltou um gemido abafado contra a boca dela, e aquilo a fez prender o fôlego, o corpo arrepiado.
Quando ele afastou o rosto para encará-la, os olhos estavam escuros, dilatados, respirando ofegante.
— A gente tá quebrando o acordo… — ele murmurou, a voz rouca, os lábios quase roçando os dela.
— Já não sei mais o que é certo ou errado… — %Sunji% respondeu com sinceridade crua, a respiração igualmente descompassada.
Ela passou os dedos por entre os fios de cabelo da nuca dele e puxou-o de volta para mais um beijo — como se estivesse disposta a afundar naquela confusão junto com ele, sem pensar no depois.
As mãos dele já não se contentavam em apenas tocar por cima da blusa. Jaehyun levantou o tecido com movimentos lentos, cuidadosos, como se cada centímetro revelado fosse precioso. Os dedos deslizaram pela pele quente do abdômen de %Sunji%, causando um arrepio imediato que fez ela prender a respiração e apertar ainda mais a cintura dele entre as pernas, que agora o envolviam ali no sofá estreito.
Ela o puxava para mais perto, mesmo que já não houvesse distância entre eles.
E ele… se deixava levar. Cada toque era uma permissão silenciosa, uma rendição. O beijo seguinte veio mais ousado, profundo, com os corpos já em sintonia — as mãos dele agora alcançando as costas dela por debaixo da blusa, o polegar traçando a curva da coluna.
%Sunji% gemeu baixinho quando sentiu os lábios dele descerem pela linha do maxilar, em direção ao pescoço. Jaehyun distribuía beijos ali com uma suavidade contrastante ao turbilhão que tomava conta dele por dentro. A ponta da língua marcava caminho sobre a pele úmida do suor recém-formado, e a respiração dela acelerava com cada nova provocação.
As mãos dela também estavam em movimento, retirando a camiseta dele por completo. Os dedos traçaram o caminho pelo peito e pelo abdômen definido dele, como se tentassem memorizá-lo às cegas. Ela estava tonta — d
e desejo, de calor, de tudo o que estava sentindo e não sabia como nomear. Jaehyun voltou a encará-la, os olhos escuros mergulhados nela.
— %Sunji%… — Ele parecia querer dizer algo, mas mordeu o lábio inferior, lutando com as palavras.
Ela negou com a cabeça, como se pedisse silêncio. E puxou a blusa que vestia por cima da cabeça, jogando-a de lado, como se finalmente assumisse para si mesma:
ela também queria aquilo. Os lábios dele voltaram aos dela com ainda mais intensidade, e agora os toques eram mais ousados — mãos explorando, corpos se encaixando, pele com pele, os sentidos em combustão. Ela se apertava contra ele como se não quisesse deixá-lo escapar, e ele parecia disposto a se perder ali, no calor, no corpo, no gosto dela.
Jaehyun desceu os lábios pelo pescoço de %Sunji%, sentindo a pele quente e úmida sob sua boca. Beijava, mordiscava de leve, sugava com cuidado como se quisesse deixar sua marca ali. Os dedos dele percorreram as costas dela, subindo sob o tecido do sutiã até alcançar o fecho. Ele hesitou por um segundo — por respeito, talvez — mas o modo como %Sunji% se apertava contra ele, como suas pernas se entrelaçavam nas dele, como o quadril se encaixava ao dele… foi tudo o que ele precisou como resposta.
Ela arfou quando sentiu o fecho se abrir, a pele se arrepiando com o contato do ar contra os seios, e com o toque das mãos dele em seguida. Mãos firmes, mas gentis. Dedos que traçavam caminhos ao redor dos mamilos até tocá-los diretamente, fazendo um gemido escapar da garganta dela.
— Jaehyun… — ela sussurrou, embriagada de sensações, os olhos semiabertos procurando os dele, mas ele ainda explorava seu colo, beijando o centro do peito antes de descer lentamente, como se saboreasse cada centímetro. Seus lábios encontraram um dos seios e ele o envolveu com a boca quente, sugando com leveza, depois com mais intensidade, deixando-a ofegante.
%Sunji% agarrou os cabelos dele, puxando de leve, o corpo curvando em busca de mais, o quadril rebolando contra o dele como se quisesse provocar —
ou se aliviar. Jaehyun gemeu contra a pele dela, sentindo-se perdido naquela dança descompassada e perfeita entre o prazer e o desejo.
—
Você é linda demais… — ele murmurou, com a voz rouca, os olhos finalmente encontrando os dela, escurecidos pelo desejo. E naquele olhar, ela soube:
não era só tesão. Não era só fogo. Havia sentimento ali, por mais que ambos fingissem que não.
Ela puxou a barra da calça de moletom dele, os dedos trêmulos. Jaehyun correspondeu, deslizando os próprios até a cintura dela também, tirando o short leve que ela usava — agora já sem nenhum pudor, só necessidade.
Eles se encararam por um momento, os dois deitados no sofá, agora completamente despidos, os corpos colados, as peles suadas e quentes, os corações batendo rápido.
— Tem certeza…? — ele perguntou com um fiapo de voz, a respiração descompassada, mas ainda tentando se conter.
— Não tem mais volta, Jaehyun. — %Sunji% respondeu, puxando-o de novo para si com um beijo tão urgente quanto suave, que dizia tudo o que ela ainda não tinha conseguido verbalizar.
E então ele a tocou entre as pernas, os dedos firmes e carinhosos descobrindo sua umidade, seu desejo, fazendo-a arfar contra sua boca. Ela tremia, os olhos fechados, os lábios entreabertos. Era real. Era ele.
Ele se posicionou entre suas coxas, os olhos fixos nos dela, e quando os corpos finalmente se uniram, foi como se tudo fizesse sentido.
%Sunji% soltou um gemido contido que se perdeu contra a boca dele, os olhos se fechando com força ao sentir cada centímetro dele preencher seu corpo com lentidão, como se Jaehyun quisesse memorizar cada instante, cada reação dela. Ele parou apenas por um segundo, ainda dentro dela, a testa colada na dela, respirando fundo.
— Você tá bem? — a voz dele era baixa, quase um sussurro, rouca de desejo, mas embargada de cuidado.
— Sim… — ela respondeu com um fio de voz, os olhos ainda fechados, o corpo tremendo levemente sob o dele —
Só... não para. Aquela frase foi tudo. Jaehyun a beijou com pressa, com fome, e começou a se mover dentro dela, com ritmo suave no início, como se quisesse que ela se acostumasse à sensação, como se quisesse sentir tudo com calma. Mas logo os corpos passaram a ditar o próprio compasso, como se não houvesse mais tempo a perder. %Sunji% se agarrava a ele com força, as unhas marcando as costas, a boca dele encontrando seu pescoço, sua clavícula, seus seios, e voltando aos lábios dela, sempre faminto por mais.
— Você é perfeita… — ele disse entre beijos, entre movimentos, entre suspiros.
— Eu não devia estar fazendo isso… — ela murmurou de olhos fechados, as palavras escapando no meio do prazer, entrecortadas por gemidos suaves — Mas eu não consigo parar...
— Então não para. — ele respondeu com intensidade, olhando nos olhos dela — Só sente. Me sente.
Os quadris dele aceleraram, e ela se arqueou toda debaixo dele, os dois ofegantes, molhados de suor, consumidos por algo muito mais forte que apenas desejo. Era necessidade. Era a soma de todos os dias que fingiram que não existia algo entre eles.
E naquele momento, era impossível fingir.
As mãos dele apertavam as coxas dela, o corpo dela se moldava ao dele como se tivessem sido feitos um para o outro. Cada investida arrancava dela um som novo, cada toque, um arrepio. Ele a observava como se estivesse vendo o céu pela primeira vez. Como se o mundo estivesse ali, entre os braços e os gemidos dela.
— Jaehyun… — ela arfou contra a orelha dele, com os dedos cravados em sua nuca — Eu…
Mas a frase morreu ali, engolida por um clímax que tomou conta do corpo dela sem aviso, como uma onda quente e avassaladora. Ela se curvou contra ele, e ele a acompanhou segundos depois, enterrando o rosto na curva do pescoço dela, gemendo baixo, o corpo inteiro se contraindo.
Só as respirações descompassadas, o som do suor escorrendo, e o coração de ambos tentando voltar ao ritmo.
Ele ainda estava sobre ela, o corpo trêmulo, os olhos fechados, o peito colado ao dela. Quando finalmente se afastou apenas o suficiente para encará-la de novo, ela já o olhava, em silêncio. Nenhum dos dois disse nada de imediato. As palavras pareciam pequenas demais para o que tinham acabado de viver.
Mas estava claro:
eles haviam atravessado uma linha. E não havia como voltar. As respirações ainda estavam descompassadas. Os corpos nus, entrelaçados no sofá, agora envoltos apenas pela manta que %Sunji% puxou instintivamente ao sentir o ar gelado da sala tocar sua pele suada. O silêncio caiu pesado, quase sufocante, quebrado apenas pelo som da chuva fina começando a cair lá fora.
Jaehyun deslizou os dedos lentamente pelo braço dela, como se ainda não acreditasse que ela estava ali.
Tão perto. Tão entregue. Mas %Sunji% já não estava. Não de verdade. Ela mantinha os olhos fixos em um ponto qualquer da parede à frente. As sobrancelhas levemente franzidas, os lábios entreabertos... e o coração em descompasso por motivos diferentes dos de antes.
Ele notou. E antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela se afastou devagar. Cuidadosa. Como quem tentava não quebrar algo frágil demais.
— Eu… preciso de um tempo. — disse baixo, quase num sussurro, sem encará-lo.
Levantou-se com a manta ainda envolvendo o corpo. Pegou uma blusa larga que estava jogada no encosto do sofá e a vestiu com movimentos lentos, cuidadosos, quase meticulosos — como se quisesse ganhar tempo, mas não soubesse para quê.
Jaehyun se sentou, observando cada gesto dela. O peito ainda ofegante, agora de ansiedade. Esperando. Algo.
Mas %Sunji% não disse mais nada. Só caminhou até o corredor.
Ele pensou em chamá-la. Em pedir para ela ficar. Em dizer alguma coisa estúpida, mas sincera — como
“a gente dá um jeito”, ou
“eu não me arrependo”. Ela entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, sem bater. Só o
clique suave da maçaneta ecoou no ar.
E Jaehyun continuou ali, no sofá, ainda nu da cintura para cima, com os músculos tensos e o olhar perdido na porta fechada.
Ele passou as mãos pelos cabelos e soltou um palavrão abafado. O gosto dela ainda estava nos lábios dele. A pele dela ainda estava na memória de suas mãos.
Mas agora, tudo parecia longe demais.
Nota da autora: Oi chuchus! Tudo bem? O que acharam do nosso penúltimo capítulo?