Two Worlds Collide


Escrita porLuana Cheque
Editada por Natashia Kitamura


Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

  Jay e Lonnie deixavam o ginásio em silêncio, pensativos, apenas o som de suas respirações descompassadas pairava no ar.
  Um vento frio desarrumou o cabelo deles, que olharam um para o outro.
  - Desvantagens de ter cabelo longo - Jay riu e Lonnie o acompanhou, concordando
  Ambos ajeitaram seus longos cabelos pretos e sorriram ao perceber que tinham essa característica em comum. Andaram mais alguns passos em silêncio antes de Jay tirar seus olhos do céu estrelado e focar na garota ao seu lado.
  - Lonnie, posso te fazer uma pergunta? - ele rapidamente desviou o olhar antes que ela o fitasse
  - Claro - Lonnie o olhou curiosa
  - Por que você sempre foi gentil comigo? - mas ele logo se apressou em dizer - Quer dizer, não só comigo, é claro. Com todos os filhos dos vilões.
  Lonnie também olhou para as estrelas e refletiu por um momento.
  - Jay, eu tenho profundo respeito por todos os corações que habitam essa terra. Não consigo ver você e seus amigos como apenas filhos dos vilões. Pra mim, vocês são alunos e meus colegas como todos os outros.
  - Mas você não tem medo de mim? - ele cerrou as sobrancelhas para ela enquanto trocava sua mochila do ombro esquerdo para o ombro direito
  Lonnie não foi capaz de segurar o riso.
  - Medo de você? Jay, você é forte, rápido e pode facilmente dar uma surra em alguém. Mas existem coisas piores do que isso, como crueldade, preconceito, amargura…
  - Hey, eu sou o cara mais cruel, preconceituoso e amargo em todo o reino! - Jay protestou, se virando de frente para Lonnie
  - Mais cruel, preconceituoso e amargo? Esse pode até ser o seu pai; você é, no máximo, revoltado… - o tom de voz de Lonnie diminuiu gradualmente enquanto ela notava o sorriso no rosto de Jay diminuir também
  - Jay, desculpe. Eu não quis depreciar seu pai. - ela abaixou a cabeça, sem graça
  O garoto apenas deu de ombros.
  - Eu já estou acostumado, essa é a bagagem que tenho de carregar por ser filho do grande Jafar - ele disse as últimas palavras com uma voz afetada, desejando demonstrar a fama e a grandeza de seu pai - Ele adoraria ouvir você falando assim sobre ele; seria música para seus ouvidos.
  Eles contornaram uma das grandes fontes do jardim, indo em direção aos corredores dos dormitórios.
  - Você é parecido com ele? - ela quis saber - Não fisicamente, mas no seu jeito de ser.
  - Mais do que eu gostaria… - Jay sussurrou, mas no segundo seguinte corrigiu sua postura e fechou a cara - Quer dizer, MENOS do que eu gostaria. Meu pai é o rei dos traidores e indignos de todo o Oriente Médio; eu jamais conquistarei a honra de ser tão vil quanto ele.
  Lonnie riu baixinho
  - É isso mesmo que você quer, Jay? Ser tão mal quanto ele? Sabe, as vezes eu acho que vocês não são tão ruins como seus pais. Fala sério, se o terrível Jafar encontrasse a filha de uma princesa andando sozinha pelo colégio a noite, ele a acompanharia até o dormitório ou a sequestraria para colocar em prática algum plano maligno? - ela cruzou os braços e olhou para Jay com as sobrancelhas arqueadas e um sorriso esperto
  Ambos pararam em frente à porta do quarto dela.
  - Bom, obrigada pela companhia hoje, vilãozinho. Boa noite - ela se despediu enquanto destrancava a porta
  - Boa noite, princesinha - Jay a fez rir fazendo uma reverência exagerada - Qualquer dia a gente se encontra de novo para treinar. Eu vou te deixar na lona!
  Lonnie levantou uma sobrancelha em tom de deboche.
  - Qualquer dia e qualquer hora
  Jay já estava quase no fim do corredor quando parou e deu meia volta.
  - Hey, por acaso você disse que me acha forte e rápido? - ele deu um sorriso confiante que fez Lonnie revirar os olhos
  - BOA NOITE, JAY! - ela bateu a porta

  Deitado em sua cama, Jay não conseguia dormir. Em parte, por culpa dos roncos de seu amigo e roomate Carlos, e de Dude, seu pulguento de estimação. Porém, a conversa que teve com Lonnie mais cedo se repetia em sua mente várias e várias vezes.
  Em pouco tempo de diálogo, ele se abriu de maneira que nunca havia feito antes, nem com seus amigos ou com seu pai. Afinal, o poderoso Jafar ensinou tudo o que Jay sabe, mas nunca esteve disponível para que o filho criasse algum laço com ele. Os poucos sentimentos que um vilão possui devem ficar sempre escondidos, como uma velha lâmpada mágica numa caverna.
  Mas ele pensava não só na conversa com Lonnie, como também no treino que tiveram juntos. Seus movimentos cuidadosos, os golpes calculados, a leveza e a graciosidade. Jay nunca viu uma garota lutar assim. Com certeza não se encontra uma garota como ela em toda a dinastia.

Capítulo 3
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