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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Twins

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

  - Ela é idêntica a Sarah, senhora %Merrick%, idêntica! - %Jack% falava para a mãe de %Zack%, quando ele resolveu trazê-la para casa numa reunião afim de apresentar a garota aos pais biológicos. Ela não queria. %Zack% contara a ela que os pais não procuraram por ela como Sarah havia feito. Porém ao falar com os dois, ele tivera a leve impressão de que estavam bem emocionados com o fato. Queriam ver a filha.
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  - É o que se espera de uma irmã gêmea, %Jack%. - %Rian% diz rindo do amigo.
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  - Bah, cala a boca. - ele balança uma mão para %Rian%, que ri mais.
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  Ding Dong.
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  - Eu vou. - %Zack% diz se levantando e indo até a porta, onde %Juliana% esperava paciente. - Hey.
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  Ela abre um pequeno sorriso.
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  - Entra aí. - ele diz dando alguns passos para trás e abrindo a porta por completo para a garota. - Vem. - ele fecha a porta e a leva até a sala.
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  A surpresa era nítida nos rostos de todos. Eles olhavam %Juliana% boquiabertos. A mãe de %Zack% murmurara um "meu Deus". %Juliana% não sorrira. Ela achava que não sabia sorrir, praticara em frente ao espelho e não deu muito certo. Cumprimentou a todos e se sentou num sofá indicado por %Zack%. Ficara olhando para todos sem graça. Eles não paravam de encará-la de corpo inteiro.
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  - Então, %Juliana%, não é? - a mãe de %Zack% resolve falar e ela concorda com a cabeça. - O que você faz?
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  - Estou cursando Letras na faculdade daqui da cidade.
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  - Daqui mesmo?
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  - Sim.
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  - E você já trabalha?
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  - Dou aula no orfanato onde cresci.
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  Todos estavam chocados demais para comentarem. A mãe de %Zack% estava tentando, mas estava mesmo difícil. Ela era muito idêntica, tirando o cabelo, que não era nada ondulado e comprido como o de Sarah.
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  - E você mora aonde?
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  - Na faculdade.
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  - Hm...
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  - Olha %Juliana%, trouxe o álbum de fotos da Sarah. - %Zack% entrega o objeto para a garota, que recebe e lhe manda um olhar agradecida. Fica encarando a capa do álbum onde estava escrito a mão delicadamente.
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  Pertence a Sarah Lohr
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  - Sarah Lohr... - ela sussurra. - Lohr, é o sobrenome dela?
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  - Não é o seu?
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  - Não, eu não tinha um sobrenome. Tiveram que me dar um para a ficha de cadastro no orfanato, senão eu não seria adotada. - ela tinha uma certa vergonha em falar sobre o assunto. Levanta os ombros. - Nunca fui, de qualquer maneira.
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  - Nunca fora adotada? - a mãe de %Zack% abre a boca indignada. - Mas é tão boa garota, como podem?
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  %Juliana% dá um pequeno sorriso ainda olhando para a capa do álbum.
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  - Eu nunca fui uma criança sociável. Pais não querem filhos que se isolam e não tem amigos. E quanto mais você cresce, mais difícil fica de ser adotado. Eles procuram por crianças pequenas, para que elas os tratem como pais quando crescem.
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  Ela sabia que todos estavam morrendo de dó dela. Ela não gostava de sentir isso, mas preferiu se manter calada. Quando estava para abrir o álbum da irmã, a campainha toca, indicando a chegada de seus pais. Ela desiste de ver o álbum e alguns segundos depois ouve um:
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  - Meu Deus.
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  Lentamente ela olha para trás, onde podia ver as pessoas que a colocaram neste mundo cruel. Ela não muda a expressão séria e fria do rosto. A mulher parecia emocionada, lágrimas saiam de seus olhos e as duas mãos estavam à frente da boca, ela corre até %Juliana% parando em sua frente e olhando cada detalhe do rosto da garota. O pai não aparentava tanta emoção, mas definitivamente ver a filha abandonada mexera consigo. Ele parara atrás da mulher, observando %Juliana% como se tivesse algo nela para desconfiar.
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  O sentimento que %Juliana% sentia no momento era de repugnância. Ela não estava se sentindo bem perto dos pais. A vida inteira pensara neste momento. Em como seria ao encontrar com eles. Ela choraria de felicidade e abraçaria a ambos. Eles diriam que sentiram a falta dela e que finalmente a encontraram. Eles a mimariam e cuidariam dela como não puderam cuidar durante toda a vida dela e a família viveria feliz para sempre.
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  Ilusão. Era o que isso era de verdade. Desde que %Zack% contara tudo, %Juliana% não guardava nada além de mágoa daquele casal. Ela lera a carta deixada pela mãe a tal de senhora Kennedy.
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  - Minha filha... - a mulher diz emocionada.
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  - Não sou sua filha. - %Juliana% responde espontaneamente surpreendendo a todos, até a si mesma, porém, não demonstrando ao casal à sua frente.
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  - Claro que é nossa filha. - o homem diz ao ver a reação da mulher ao ouvir o que a garota dissera. - Seu sangue é o nosso.
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  - Pais são os que criam, não os que geram. - ela diz tão fria quanto o pai. - Eu não tenho pais.
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  O homem não teve como responder a questão da garota. Ela estava certa, e ele odiava saber disso. Não gostava de ser retrucado. Não gostara de %Juliana%.
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  - Vocês não procuraram por mim...
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  - Não. - ele a corta achando ali uma deixa para magoá-la. - Não procuramos.
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  Ela arregala levemente os olhos e concorda com a cabeça. %Zack% e os outros estavam estupefatos com o comportamento do homem com a filha.
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  - Não diga isso. - a mulher falava. - Eu não queria te deixar lá...
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  - Mas deixou.
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  - Deixe de ser ingrata, criança. - o homem diz. - Ela está chorando por você.
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  - Eu chorei por vocês por 18 anos. - a garota retruca o homem. - Vocês não procuraram por mim. Eu procurei por vocês por 18 anos.
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  - Você sequer recebeu educação onde foi criada.
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  - Você não tem o direito de falar do lugar onde eu fui criada.
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  - Eu sempre soube que você seria o problema das duas. - ele finalmente diz a fazendo se calar. - Não ficamos com Sarah por opção. Ficamos porque quisemos ficar com ela.
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  Não havia ninguém que não achasse injustiça da parte do homem em dizer aquilo a garota. %Zack% tentou fazer algo, mas os pais o impediram. Ele estava nervoso demais com o homem.
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  - Quando vocês nasceram. Já na sala de parto. Sarah nasceu primeiro. Chorando como uma criança normal. Então veio você. Calada. Como se pensasse se era certo estar sendo parida naquele momento. - ele falava olhando para a garota. - É descritível todas as diferenças que vocês duas possuem.
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  - Charlie, chega... Ela é...
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  - Ela não é nada, Brenda. É uma órfã.
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  - Não! - ela olha para o marido. - É nossa filha.
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  - Sua filha morreu. - %Juliana% diz seca. - Eu não estou aqui pra ocupar o lugar dela.
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  - Como pode querer tratar uma pessoa dessa como filha, Brenda? Ela sequer demonstra algum carinho por você. Deixe-a aí, jogada no mundo, porque é isso o que ela é.
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  %Juliana% estava quebrada por dentro. Ouvir isso do próprio pai. Mas não iria chorar. Não na frente dele.
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  - A única coisa que ela faria de bom seria trocar de lugar com minha Sarah. - ele olhava para a garota com nojo. - Não duvido dela ter feito algo para nós sofrermos com a perda da nossa filha porque a deixamos com Lory Kennedy.
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  Os lábios de %Juliana% crispam. Ela nunca desejou nada além de conhecê-los durante toda a vida.
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  - Quando é que foi que caiu na real? Que não nos encontraria mais?
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  - Quando fiz 18. - %Juliana% responde fria. - Quando soube que não adiantava mais ser adotada e muito menos esperar por pais que não me procuravam. Se fossem para me achar, já teriam feito.
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  - Pelo menos usa a cabeça.
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  - Algo que você não faz. - %Juliana% retruca e o homem ameaçou ir até ela, sendo impedido pela a mulher.
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  - Chega, Charlie. Querendo ou não, ela é nossa filha...
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  - Ela não é minha filha.
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  - Muito menos eu sou filha dele. Não tenho tanta ignorância. - %Juliana% se levanta.
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  - Está vendo o que dá querer dar atenção a uma órfã mal-educada, Brenda? Não sei por que quis vir aqui perder nosso tempo com essa criança.
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  A mulher não sabia o que falar. Apenas observa %Juliana% ir até %Zack% e entregar o álbum de Sarah a ele.
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  - Obrigada. - ela diz baixo. - E me desculpe pela sua namorada. - e lhe dá as costas, indo para a porta.
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  Ela não aguentava mais ficar ali. Era duro demais para ela.
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