×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Trigger

Escrita porSoldada
Revisada por Lelen

🛈

CAPÍTULO 01 • THE LADY IN RED

Tempo estimado de leitura: 51 minutos

Latvéria • Agora.

  Ele a reconheceu por seu cheiro.
0
Comente!x

  O perfume tinha uma nota intensa de canela que destoava do aroma floral original produzido pela marca. Ele sabia que havia sido adaptado por ela mesma, com o único propósito de torná-lo único — como ela era. Às vezes, o sentia mesmo quando ela não estava por perto, como se carregado pelo vento, ou uma memória muscular, ou uma traiçoeira ilusão convidativa, uma oferta momentânea de desassociação que ele sempre parecia estar no limite de aceitar. O sentia preso em suas roupas. Preso em sua pele. E ele tinha quase certeza que essa era uma das muitas formas a qual ele estava condenado a perder sua sanidade; culpa inteira dela. O aroma que facilmente se espalhava pelo espaço agora denunciava sua presença como um grande e brilhante sinal em neon, vermelho, indicando por onde ela havia atravessado a entrada arcada do salão feito de mármore e pedras, medieval, de Doom. Sentiu sua garganta ficar seca, raspando com o fôlego que havia tomado, podia ouvir Yelena murmurando algum comentário seco pelo comunicador preso em sua orelha direita, Bob prontamente a respondeu, então Walker, que se seguiu com um grunhido e uma piada baixa de Ava, e a gargalhada satisfeita de Aleksei; Bucky não podia se importar menos. Sabia que Yelena havia lhe direcionado a pergunta, mas sequer havia ouvido.
0
Comente!x

  Por instinto, desligou o comunicador, ajustando a máscara preta que envolvia a parte superior de seu rosto antes de marchar com um único propósito. O alerta vermelho se acendeu por trás de sua mente, naquela parte enterrada profundamente em seu subconsciente que havia se tornado um instinto; sabia que não deveria estar fazendo aquilo. Sabia que estava desviando o curso da missão, colocando tudo em perigo apenas porque se deparava com um demônio de seu passado, um do qual não conseguia livrar-se, não importava o quanto tentasse. Mas era ela. Era %Priya%. Sua… chiou entre dentes não se permitindo atrever a finalizar aquela linha de pensamento, não quando sequer sabia quais eram as intenções dela ali, o que ela queria desta vez, quem seria quando se deparasse com ela. Os olhos azuis esverdeados cintilaram por trás da camada grossa de plástico revestido por tecido preto, uma mistura de couro e veludo formando linhas diagonais em diferentes nuances da coloração, desviando dos outros convidados com facilidade. Passos silenciosos, a essa altura, instintivos, eram dificultados por seus sapatos sociais, quase o fazendo praguejar entre dentes por aquela ideia estúpida de Yelena.
0
Comente!x

  Para todos os efeitos, Bucky era o assistente de um dos embaixadores russos na Latvéria — papel este que Aleksei Shostakov desempenhava com o máximo de graciosidade que possuía. Usavam roupas parecidas, condecorações que pertenciam de fato ao embaixador e seu assistente, mesmo as máscaras eram destes, a fim de auxiliar o disfarce. Ao mesmo tempo, Ava e Walker estavam no quarto de hotel, de olho no verdadeiro embaixador e assistente russo, junto com Bob, responsável por monitorar as câmeras e ajudá-los a se moverem sem que algo ficasse no caminho deles — incluindo a si mesmo. Yelena estava nos telhados, assistindo a tudo e esperando a oportunidade certa para descobrir o que diabos Doom estava mantendo em seu porão, enquanto Barnes e Shostakov serviam, para dizer o mínimo, como iscas. A princípio, Bucky se irritou com a ideia, estava mais acostumado a agir nas sombras, a ser aquele que fazia a infiltração e eliminava os seguranças, espionagem era seu forte, mas igualmente o deixava exposto ao perigo de reconhecimento. Com Aleksei sendo aquele a usar a máscara que transfiguravam o rosto para o do embaixador russo, Bucky tinha a vantagem de o assistente do embaixador não ser conhecido por Doom ou qualquer um dos seus aliados, isso não alterava o fato de estarem lidando com alguém perigoso e terrivelmente atento como Victor era.
0
Comente!x

  Tensionou sua mandíbula, alçando uma taça de vinho, não para si, mas porque sabia que ela gostava daquele tipo — não doces, os amargos, ela sempre preferia sabores amargos. Por uma fração de segundos, seus olhos encontraram-se com os de Aleksei, vendo o questionamento silencioso ali: “O que diabos você está fazendo?”, mas apenas indicou discretamente na direção onde Ophelia Sarkissian encontrava-se, conversando com um riso frouxo e toques repletos de flertes com alguns convidados, embora seus olhos, igualmente verdes, estivessem fixos em Victor. O tirano, por sua vez, permanecia eloquentemente explicando algo com desinteresse para aqueles que o ouviam, perguntas empresariais, pela dinâmica que portavam. Sobrancelhas grossas, unidas, taça de vinho pela metade, os olhos percorrendo o espaço com alerta e desconfiança de alguém que via entre as linhas. Barnes desviou para a esquerda, usando um dos pilares quadrados compostos de pedra da estrutura medieval do castelo para fugir do olhar de Doom, no segundo que o ouviu pedir licença para aqueles que discutiam sobre precificação e investimentos, abrindo um sorriso confiante, quase satisfeito, quando a mulher deslumbrante se aproximou dele.
0
Comente!x

  Foi como ter levado um soco: seu estômago se contorceu, sua respiração se esvaiu, os dentes trincaram com força. Ela estava deslumbrante em um vestido vermelho escuro como vinho de veludo. Era justo ao corpo, ocultando pouco de sua forma — e Bucky sabia que ela havia feito de propósito. Em seu rosto encontrava-se uma máscara delicada, vazada, apenas a estrutura da máscara permanecia exposta como se fosse feita de renda, com a lateral inferior sobre a maçã do rosto esquerda construída por algumas pequenas argolas de cobre formando uma corrente delicada. Os cabelos longos estavam soltos, pendendo por seu ombro direito em camadas irregulares, como uma cachoeira, elegantes, macios, contrastava lindamente com a cor escolhida do vestido e o tom de sua pele. Os olhos %obsidianas% exibiam um delineado repuxado, afiado, como um gato, os destacavam com a intensidade que estes exibiam, como se fossem capazes de absorver tudo ao seu redor, sem nada devolver. Como se pudesse ler facilmente através da fachada que lhe era apresentada — ela podia. O decote do vestido era singelo, até mesmo modesto entre os outros, com um formato em coração, a barra bordada delicadamente com pedrarias igualmente vermelhas, expunham apenas o colo e a clavícula, mas as costas do vestido dela eram a atração principal. Estavam completamente expostas, a iluminação amarelada proporcionada pelas velas dispostas nos candelabros de prata e cobre que envolviam o salão, destacavam a pele macia e suave, adornando músculos discretos, porém presentes.
0
Comente!x

  Barnes sentiu seu corpo se tensionar um pouco mais, a restrição e uma censura mental, tentando obrigá-lo a manter seus olhos fixos nas omoplatas dela, nas cicatrizes que ele havia ajudado a criar ao longo dos anos, mas seus olhos, traidores, sequer reconheceram a censura, determinados a decorar, mais uma vez, cada centímetro da pele exposta, na forma com que o tecido parecia deslizar sobre seu corpo, expondo discretamente as covinhas sacrais que ela possuía na região lombar, como o tecido parecia esticar-se sobre os quadris dela, destacando a bela bunda que tinha. Como a fenda na lateral esquerda, iniciando-se um pouco mais acima de sua coxa, expunha as pernas torneadas e grossas. Bucky engoliu em seco, tentando sufocar o anseio por percorrer com sua mão aquelas pernas, fincar os dedos em sua maciez, relembrar qual era a sensação da pele dela, quente, macia, sob seu toque, tentadora.
0
Comente!x

  Podia sentir como seu corpo havia se tensionado, aquele choque de desejo percorrendo por seu corpo como algo vivo, queimando por suas veias, contorcendo-se por baixo de sua pele, enroscando-se em seus músculos, pressionando-o. Sua pulsação acelerou-se, esquentando sua pele, e começando a deixá-la sensível, a brisa suave que adentrava por uma das portas duplas de vidro envolto por ferro das sacadas, arrepiando os pelos de sua nuca, tocando sua pele como se esta estivesse envolta por estática. Obrigou-se a desviar os olhos dela, inspirando fundo algumas vezes, tentando ignorar o calor que começava a se formar em seu baixo ventre, ou a forma com que suas calças pareciam estar mais apertadas do que deveriam. Praguejou entre dentes, obrigando-se a focar na tarefa que tinha em mãos: descobrir o porquê ela estava ali, e quais eram suas intenções.
0
Comente!x

  Moveu-se com as sombras do lugar, os músculos tensos começando a latejar suavemente por baixo de sua pele, a mão biônica soltando um pequeno estalido mecânico, evidenciando o impulso intenso para agir. Apertou com um pouco mais de força a taça de vinho intocada, observando por um momento os rostos desconhecidos, verificando se havia algum olhar voltado em sua direção ou se ele continuava em segurança em seu anonimato e sombras, antes de seguir em direção da sacada que Von Doom a havia guiado. Algo queimou por suas veias, algo perigoso e feio, sombrio, algo que ele não tinha o menor interesse de descobrir o que diabos poderia ser quando observou a mão enluvada de Von Doom repousar sobre a parte inferior das costas dela. A ideia de quebrá-la não parecia assim tão extrema quanto Bucky normalmente acreditaria que era. Parou perto o suficiente para conseguir ouvir, ou ao menos discernir o que eles estavam falando, mas não perto o suficiente para que evidenciasse seu interesse, muito menos presença.
0
Comente!x

  — Ela está interessada, é por isso que está tentando encontrar uma forma de se aproximar — %Priya% informou, sua voz baixa e cautelosa, ecoando pelo ar gélido da parte externa do castelo de Doom quase como um ronronar suave. Era de acreditar-se que seu sotaque britânico a essa altura já teria desaparecido, todavia, ainda estava ali, pulsando por sua voz, como uma carícia suave, elegante, polido e pesado, sempre marcante, modulando cada uma das palavras que ela dizia. Uniu as sobrancelhas, tentando analisar quem havia sido sua contratante; pelas palavras, certamente uma mulher, mas ela poderia simplesmente estar mentindo como sempre havia feito. — Não irá descansar até descobrir o que você está planejando.
0
Comente!x

  Von Doom pareceu absorver as palavras dela com uma expressão contemplativa. O rosto frio e austero, voltou-se para o horizonte iluminado e vivo do centro da cidade. Era uma parte destoante do velho castelo medieval, com estruturas compostas por madeira, madeira e a mistura entre argila e cimento, em que o tirano fazia questão de morar, com a imagem viva da modernidade que a sua cidade coexistia. Não era nem um pouco próximo do que Wakanda era, e toda a tecnologia que possuía, compostos em um equilíbrio elegante entre a ancestralidade e o futurístico; lembrava, de certa forma, uma versão mais agressiva, menos evoluída, e estranhamente sufocante. Não pelas pessoas que viviam ali, mas pela presença de Doom.
0
Comente!x

  — E assumo que você se sentiu bondosa o suficiente para vir até mim e avisar-me, não é? — O sarcasmo na voz de Doom não era sequer disfarçado, mas a fez sorrir. Bucky estreitou os olhos um pouco mais, unindo as sobrancelhas. Fez uma careta consigo mesmo, censurando seus próprios pensamentos e aquele sentimento estranho que começava a distorcer e infestar seu peito, fincavam-se como garras afiadas em suas entranhas. Levou a taça de vinho em direção aos seus lábios, finalizando seu conteúdo em um único gole. Uma parte de si, meio à parte, desejou que Sam estivesse ali, ao menos Sam poderia ajudá-lo a manter a cabeça no lugar e não a analisar, de novo e de novo, por que havia tamanha intimidade no tom de voz de Doom.
0
Comente!x

  — O que posso dizer? Às vezes gosto de fazer caridade — ela retorquiu com um quase sorriso afiado. Desviou o olhar do rosto de Doom, e por uma fração de segundos quase o viu, mas Barnes era sempre mais rápido do que ela. Moveu-se com facilidade em direção a uma das paredes, escorando-se ali por um momento, permitindo-se vagar com seu olhar pelos convidados de Doom, buscando por Aleksei. Com o canto do olho, pôde ver o momento em que Yelena entrou em ação.
0
Comente!x

  Seus olhos azuis esverdeados se encontraram com os da russa, e uma ponta de exasperação surgiu por seu semblante neutro ao vê-la gesticular por entre os pilares de sustentação “o que diabos você está fazendo?” e “Preste atenção” antes de se lançar para frente, deslizando por entre os pilares, antes conseguir se lançar por entre a saída de vento do castelo. Por ser uma estrutura medieval, as saídas de ar eram mais largas e propositalmente usadas como opções de fuga para nobres em perigo, o fato de que Yelena havia se voluntariado para aquele trabalho dizia muito de que ela estava interessada na oportunidade de rastejar por entre os ratos e ratazanas a fim de encontrar o cofre de Doom, apenas pelo prazer de poder atormentar Walker com descrições explícitas e gráficas das coisas nojentas que ela viu ou teve que fazer. Tecnicamente, Barnes deveria ser contra aquela postura; pessoalmente, era sempre um prazer ver Walker se contorcer a um passo de vomitar.
0
Comente!x

  — Muito bem, Senhorita %Mallah%, preciso reconhecer que sua lealdade tem se provado um presente e tanto. — A voz de Doom atraiu a atenção de Barnes outra vez, e, desta, a pressão de sua mão biônica, ocultada pela luva de couro, foi maior do que deveria, partindo a taça que ainda segurava. Barnes tensionou a mandíbula com força, um pequeno músculo saltando pela pele coberta por uma camada suave de barba recentemente aparada, descartando discretamente a parte superior do copo, ajustando-o em sua mão de modo que a base estivesse pressionada com a palma biônica, e o cabo, agora quebrado e com uma ponta afiada, estivesse preso por entre seus dedos. Uma arma improvisada, ainda assim tão mortal quanto ele mesmo.
0
Comente!x

  — Significa que vai fazer o que lhe pedi? — indagou %Priya%, arqueando uma sobrancelha ao deixar-se escorar contra a balaustrada de pedra que adornava a sacada. Barnes pressionou suas costas com mais força contra a parede atrás de si, sentindo as pequenas irregularidades e protuberâncias da pedra gélidas, umedecidas pelo ar ao seu redor, contra o terno elegante de kevlar que Aleksei havia conseguido para eles naquela noite. Falando em Aleksei, sua risada sonora ecoou de algum ponto à sua esquerda, talvez mais alta do que deveria, mas a atenção de Bucky permaneceu inalterada, fixada no reflexo que acontecia contra o vídeo das portas duplas.
0
Comente!x

  Victor Von Doom pareceu considerar as palavras dela por um longo tempo, tempo o suficiente para que Barnes pudesse ver a expressão casual dela começar a tornar-se cautelosa. Escorou as duas mãos, uma de cada lado, contra a balaustrada de pedra, as unhas longas e avermelhadas batucando ritmado contra a superfície; uma demonstração sutil de sua própria ansiedade. Barnes moveu sua mandíbula por um momento, observando a forma com que os músculos expostos dela se tensionaram, embora o sorriso tranquilo estivesse exposto em seu belo rosto. A pior parte era que ela era boa naquilo. Ocultar suas reais reações e emoções parecia ser apenas instintivo a ela, permitir que os outros vissem apenas o que ela desejava que fosse visto. Sabia que se tocasse seu pescoço, sua pulsação permaneceria ritmada e firme, sem denotar um pingo de seu desconforto. Ela era boa em compartimentalizar suas emoções, e ainda melhor em agir como se nada importasse. Como se fosse fragmentada em duas partes completamente opostas.
0
Comente!x

  — Não — Victor Von Doom disse por fim, quebrando o silêncio que havia se instaurado entre os dois, a brisa suave que atingiu seu rosto afastando algumas mechas escuras de seus cabelos lisos, e Barnes pôde jurar que o fantasma de um sorriso quase se formou pelos cantos dos lábios do tirano. — Não irei fazer nada. Deixe que ela venha, diga a ela que estarei esperando.
0
Comente!x

  — Sem recompensas? Oh, me sinto enganada — %Priya% murmurou, aquele ronronar familiar, como se suas palavras fossem carícias sobre a pele, arrastando-se de maneira perigosa, agora possuíam uma ponta mais afiada, perigosa. Ela forçou um sorriso divertido na direção de Victor Von Doom que lhe lançou um olhar curioso e até mesmo apreciativo. Os dedos biônicos de Barnes envolveram com mais força a taça quebrada feita de arma improvisada. Não ousou, todavia, permitir-se quebrar mais o objeto, não havia uma segunda opção para ele.
0
Comente!x

  — Como você disse, senhorita %Mallah%, há dignidade em oferecer um gesto de caridade às vezes, tomo o teu como um indicativo de uma potencial frutífera amizade — Victor retorquiu, encarando-a com intensidade, parecendo buscar alguma coisa em seu rosto. O que quer que ele buscava, deveria ter encontrado, para a tensão e irritação crescente de Barnes, porque Doom finalmente sorriu.
0
Comente!x

  — Então houve recompensa, afinal. Sempre generoso, Barão Von Doom — %Priya% murmurou a ninguém em particular, retribuindo o sorriso de Doom, charmosa. Ele detestou o que viu no rosto dela, mas igualmente, não era mais real do que qualquer outra emoção que ela já havia expressado anteriormente.
0
Comente!x

  Ela acenou com a cabeça em uma despedida silenciosa para o tirano, quando este, sem muita cerimônia, se retirou, de volta para sua festa, ou o que quer que fosse aquele encontro. O sorriso de %Priya% se tornou mais preguiçoso, deliberado, os olhos %obsidianas% pareceram se iluminar pela penumbra parcialmente iluminada da lua e das chamas amareladas das velas que se espalhavam pelo salão, acentuando as sombras que se projetavam ao redor de seu rosto, acentuando os traços delicados e marcantes de seu rosto.
0
Comente!x

  — Você já pode parar de se esconder, James.
0
Comente!x

  Não ficou surpreso por ela saber que ele estava ali, tampouco nem por ter murmurado seu nome daquela maneira — um arfar suave que pareceu percorrer por seu corpo inteiro como eletricidade. Os pelos de sua nuca e braço se arrepiaram, um tremor suave percorreu por sua espinha, pulsando por sua corrente sanguínea, intoxicante. %Priya% apoiou os cotovelos sobre a balaustrada de pedra, permitindo-se inclinar um pouco, deixando sua cabeça pender um pouco para trás, as longas mechas de seus cabelos deslizando de seu ombro e pescoço, pendendo atrás de si, movendo-se com a brisa, expondo a curvatura delicada de seu pescoço, ou o desenho delicado e atraente de sua clavícula. O observava com olhos intensos e difíceis de serem lidos, os lábios, tingidos com um batom vermelho escuro, combinavam com o vestido que usava, ainda exibiam aquele sorriso preguiçoso, quase felino, que possuía.
0
Comente!x

  — Sem discursos dessa vez, James? — %Priya% murmurou, o sotaque agora arrastado por cada uma das palavras que enunciava.
0
Comente!x

  Barnes engoliu em seco, tentando manter sua expressão neutra e firme, mas algo naquela rouquidão suave, algo naquela maneira com que os lábios vermelhos formavam seu nome, na maneira com que ela o chamava, como sua voz modulou seu nome com um suspiro, uma carícia invisível, estava o afetando mais do que desejava admitir. Mais do que poderia se permitir afetar. Tensionou a mandíbula com força, engolindo em seco, ignorando a maneira com que seu corpo parecia reagir a ela; como se fosse puxado em sua direção como um ímã, como se faíscas de eletricidade percorressem por seu corpo ao estar tão próximo dela agora.
0
Comente!x

  %Priya% pareceu perceber, é claro, seus olhos cintilaram com um brilho perigoso, fazendo um biquinho ridículo, mas que ainda assim foi capaz de roubar sua respiração por uma fração de segundos. Por um momento, tudo o que ele desejou foi simplesmente desfazer aquele maldito beicinho com um beijo; sem gentileza, sem paciência ou cuidado, apenas aquela chama intensa e quase enlouquecedora de desejo puro, um anseio por ela que fazia com que seu corpo latejasse e seus músculos tivessem pequenos espasmos, implorando para que ele fizesse algo. Para que tomasse o que queria, consequências que fossem para o inferno. Ela estava brincando com ele, Bucky conhecia aquele jogo; o havia jogado com ela por vezes o suficiente para saber que havia perdido antes mesmo de se iniciar. E, no entanto, não sentia nenhum impulso de afastar-se dela.
0
Comente!x

  — Estou desapontada. Estava esperando no mínimo um resmungo de desaprovação, talvez até mesmo uma carranca e uma arma no meu pescoço, mas isso? Tsc, nem mesmo um rosnado? Parece que tornar-se um vingador realmente o mudou, que pena.
0
Comente!x

  O comentário era afiado, mesquinho, e não demorou a entrar por baixo de sua pele. Bucky forçou um sorriso irônico para %Priya%, os olhos sombrios, parando à frente dela, a poucos centímetros de distância. Então o perfume dela estava por toda parte, envolvendo-o em um manto quase sufocante, intoxicante e do qual ele não queria se afastar. Tentou obrigar-se a desviar os olhos da bela mulher à sua frente, trincando os dentes com força, ao olhar por sobre seu ombro, verificando outra vez se alguém estava os observando. Não podia encará-la, não quando estava a centímetros de distância dela, não quando podia sentir o calor de seu corpo, mesmo envolto pelas peças de roupas, tão próximo ao seu, não quando cada centímetro de seu corpo parecia estar lutando contra sua mente, tentando convencê-lo a ceder ao que desejava. Por dois motivos o fizera: primeiro, a última coisa que ele desejava era que %Priya% %Mallah% lesse suas emoções; era alimentar uma víbora com seu próprio sangue, esperando que sua mordida eventualmente se tornasse menos dolorosa, não apagaria o veneno, tampouco lhe ofereceria resistência. E segundo, Barnes não tinha tanta confiança dentro de si para sustentar o olhar dela, não sem ter certeza de que cometeria mais uma vez aquele maldito erro. E céus, como ele queria…
0
Comente!x

  — O que está fazendo aqui, %Priya%? — Embora as palavras de Barnes tivessem sido bruscas, até mesmo rudes, seu tom de voz contrastava. Baixo, rouco, mais vagaroso, o efeito que ela causava nas pessoas ao seu redor, não o tornava imune que a conhecesse há muito tempo, pelo contrário. Obrigou-se a prender a respiração, tentando permanecer imóvel quando ela se aproximou. Tinha quase certeza que o gesto era deliberado e calculado, assim como tinha quase certeza que não levaria muito para que ele derretesse se sentisse seu perfume outra vez, tão, tão perto de si…
0
Comente!x

  — E se eu fizer a mesma pergunta para você, Bucky? — Os músculos de Barnes tensionaram-se ainda mais quando ela se endireitou, erguendo o queixo desafiadoramente, buscando por seu olhar. Não se moveu quando sentiu dar um passo em sua direção, pressionando seu corpo contra o dele. Os olhos azuis esverdeados cintilaram por trás da máscara escura, as pupilas dilatadas, finalmente encontrando-se com as dela, podia sentir o olhar dela queimando o seu, as palavras não ditas, e a acusação por trás da maneira com que mantinha o queixo erguido, mas igualmente havia curiosidade ali, e algo mais perigoso, familiar, convidativo. Travou a mandíbula com força, prendendo sua respiração quando sentiu o hálito dela, uma mistura de canela e vinho, chocar-se contra a base de seu pescoço. O ar cálido expelido de seus lábios enviando um tremor por seu tronco, que quase o fez praguejar. — Vai me responder?
0
Comente!x

  O impulso falou mais alto do que seu autocontrole, ou talvez ele simplesmente estivesse preso demais no jogo que ela criou para se importar com as consequências — fossem estas quais fossem. Naquele momento, apenas cedeu ao que seu instinto e subconsciente parecia determinado a demandar imperiosamente. Usou seu corpo para prensá-la contra a balaustrada de pedra que outrora ela se escorava preguiçosamente, prendendo-a ali, uma mão repousando de cada lado de sua cintura. O suporte do copo quebrado ainda preso por entre seu punho biônico, pronto para entrar em ação se necessário, roçando perigosamente contra a lateral da cintura dela.
0
Comente!x

  %Priya% pareceu prender a respiração, os olhos %obsidianas% se arregalando por uma fração de segundos, antes de retirar, com um movimento rápido, a faca que mantinha oculta na faixa presa em sua coxa. Ele não percebeu que ela a empunhava até que a lâmina, fria e lisa, uniforme, repousasse contra seu pescoço, firme contra sua pele quente. Bucky trincou os dentes com um estalo baixo, sua mandíbula travada apertando-se um pouco mais, fazendo novamente um pequeno músculo saltar. Ele não se afastou, pelo contrário, sustentando o olhar dela em um desafio silencioso, inclinou-se em direção ao rosto dela, ficando a centímetros de distância, a lâmina afiada da faca beliscando a base de seu pescoço onde repousava, sua respiração misturando-se com a dela, os olhos fixos nos dela sem desviar, quase vidrados.
0
Comente!x

  Por um longo momento, os dois apenas se encararam.
0
Comente!x

  Não soube o que poderia ser, mas Barnes buscou no rosto dela por algo, qualquer coisa que pudesse lhe indicar que %Priya%, sua %Priya%, estava ali, mas ela era um livro em um outro idioma completo e Barnes mal saberia ler seu próprio idioma. Ainda assim ele percebeu como a respiração dela se perdeu em sua garganta, como um pequeno tremor percorreu seu corpo com a proximidade dele, como suas costas se arquearam suavemente, buscando por mais contato, como suas pupilas dilataram-se até que as íris se tornassem meros anéis finos ao redor destas, como os lábios avermelhados se entreabriu, um suspiro baixo escapando pelos mesmo, o hálito cálido misturando-se com a frieza da lâmina. Ele teria sorrido se não estivesse perdido na frustração e o desejo; a necessidade de conseguir as respostas que precisava, e o anseio de simplesmente esquecer-se, ainda que por um momento, de todo o resto.
0
Comente!x

  — Desde quando você faz caridade, %Priya%? — questionou Barnes, sustentando o olhar dela, desta vez sem desviar seu olhar, e puta merda, se ele não estava se afogando nela. Não se importava, não quando ela estava tão perto assim, não quando ela estava tão perto de seu alcance como nunca antes havia estado.
0
Comente!x

  — Desde quando é você que atua como a isca em uma missão, Barnes? — ela retorquiu, sarcástica, inclinando sua cabeça para trás, um pouco mais, expondo sua garganta delicada, e Barnes engoliu em seco, uma parte de si desejando apenas inclinar-se o suficiente para saborear o gosto que sua pele tinha; para lembrar-se de como era ter a pele dela contra seus lábios, céus sabiam o quanto aquele pensamento ainda o atormentava. Girou habilidosamente a base quebrada do copo, apoiando o cabo quebrado e afiado na altura das costelas dela em resposta. %Priya% prendeu a respiração, sentindo a pressão da ponta afiada da arma improvisada de Barnes, enquanto Bucky lhe ofereceu um quase sorriso sarcástico.
0
Comente!x

  — Eu perguntei primeiro.
0
Comente!x

  — E eu em segundo — murmurou ela petulante. Ele poderia beijá-la se quisesse, estava perto o suficiente para poder sentir o calor de seus lábios, perto o suficiente para respirá-la como um viciado em busca da próxima dose que lhe ofereceria alívio. Ainda assim, obrigou-se a não fazer nada, apenas permaneceu encarando em silêncio. Se perdido no que poderia ter vindo a ser, ou no que havia sido pouco saberia dizer. — Você nunca muda não é, James? Mesmo perdido, você sempre volta a este início.
0
Comente!x

  Bucky estreitou os olhos, observando-a com atenção, buscando a mentira ou a manipulação, mas não encontrou nada se não uma pesada camada de cinismo que ele certamente não havia colocado ali, mas havia ajudado a construir. Engoliu em seco, ainda em completo silêncio.
0
Comente!x

  — Você sempre vai ser um herói, não vai? — %Priya% murmurou por fim, os olhos intensos desviando-se dos dele para repousar em seus lábios. Por um momento Bucky se questionou o que diabos estava passando por sua mente, mas então ele a sentiu mover a faca por sua pele. Uma ameaça silenciosa, a ponta afiada fincando-se um pouco mais contra sua pele, cortando-a superficialmente, sentiu quando um filete de sangue escorreu por sua garganta, quente e vagaroso, seguindo a faca dela. — Nobre. Correto. Impecavelmente bom. Tem sorte, sabia?
0
Comente!x

  Bucky lançou um olhar enviesado, irritado.
0
Comente!x

  — Não. — Ainda que rouca, sua voz escapou mais firme, mais intensa do que antes. A voz baixa, grave até para os próprios ouvidos, vibrando contra a lâmina pressionada em sua garganta. Seus olhos permaneceram fixos nos dela, e por uma fração de segundos ele quase viu algo familiar, algo que ele buscava fazia anos, e ainda mais tentava esquecer. Sua %Priya% ainda estava ali, em algum lugar. — Não haja como se não tivesse escolha, %Priya%. Você tem… você sempre teve… eu procurei por você… — Não havia como disfarçar a urgência em sua voz, e Barnes odiou-se por deixar-se tão exposto assim na frente de %Priya% %Mallah%. — Não ouse se ressentir de mim agora, %Priya%… não você… eu tentei… sabe tão bem quanto eu que tentei, mas você nunca esteve lá… você nunca sequer me retornou uma carta…
0
Comente!x

  Um riso amargo escapou por entre aqueles malditos lábios tentadores. A mente de Barnes dividiu-se dolorosamente em estímulos diferentes: uma parte dele sabia que precisava encerrar aquilo logo, e a melhor escolha a se fazer era capturá-la e levá-la de volta para o Complexo dos Novos Vingadores; teria que tentar convencer Yelena a manter aquele segredo sem que o restante da equipe fizesse muitas perguntas, mas se Victor Von Doom estava escondendo alguma coisa, então %Priya% deveria saber de algo — deveria saber muito mais do que sequer havia deixado perceber. E, todavia, sua outra parte estava apenas desesperada para vencer os poucos centímetros que o separavam dela, e a beijar até que ela fosse nada mais do que um amontoado trêmulo de suspiros e gemidos, até que fosse obrigado a respirar outra vez, e mesmo assim, ele não tinha intenção de parar. A base da taça quebrada que Barnes usava como arma acabou escapando de sua mão biônica, não por um deslize, mas simplesmente pela urgência, ao repousar na cintura dela. Seus dedos fincando-se contra a pele macia e quente dela, mesmo por sobre o veludo de seu vestido, sentindo sua respiração tornar-se mais pesada e lenta. Não desviou os olhos dela, não poderia, mesmo se assim desejasse.
0
Comente!x

  — Me diz uma verdade — sussurrou ele, talvez mais impulsivo do que deveria, talvez apenas desesperado para agarrar-se àquela maldita mísera linha que ainda os conectava, que ainda a mantinha em sua órbita. Estava cometendo um erro estúpido, um do qual já deveria ter aprendido; mas não podia se impedir, não queria.
0
Comente!x

  %Priya% o encarou por um longo momento. Uma mistura de emoções contrastantes surgiu por sua bela face, distorcendo suas feições por um momento, havia frustração, impaciência, cinismo e até mesmo um ressentimento latente direcionado e cultivado somente a ele. Havia o peso de anos naquela mesma dança, naquela mesma busca. Poderia confiar nele? Poderia ele confiar nela? Parecia que ambos estavam sempre em paralelas rumando em direções diferentes, ela indo, ele vindo, e vice-versa. Nunca se encontravam, por mais que o desejo queimasse como lava por suas veias. Mas Bucky não desistia assim tão fácil; havia aprendido isso com Steve, era sua melhor qualidade, sua única qualidade.
0
Comente!x

  — Você fica horrível de azul escuro — %Priya% sussurrou, sua voz rouca, baixa, quase inaudível. Algo no peito de Barnes se acelerou, martelando com força contra sua caixa torácica. A faca repousando na base de seu pescoço completamente esquecida quando ele venceu os poucos centímetros que a separavam de si, seus lábios deslizando gentilmente pelo canto direito dos lábios dela, sentindo a maciez de sua pele, ouvindo com uma ponta de satisfação o pequeno arfar que ela deixou escapar. Estava a afetando tanto quanto ela o afetava. Bom, ela merecia isso.
0
Comente!x

  — %Priya% — murmurou, rouco contra a pele dela, prendendo o lóbulo da orelha dela entre seus dentes, mordiscando-o. A sentiu tremer em seus braços, e teve que controlar-se para não envolver sua cintura com seus braços e perder-se ali mesmo, em uma sacada, no meio de uma festa de um poderoso inimigo.
0
Comente!x

  — Não deveria estar aqui — sussurrou ela, fechando os olhos, sua pele arrepiando sob o toque dos lábios dele em sua mandíbula, trilhando um caminho de beijos lentos, cálidos, sem pressa alguma. Barnes sentiu quando a pressão da faca dela começou a ceder. — Diga a Valentina que foi um erro, Bucky, que foi um tiro no escuro, diga que encontraram o alvo errado e saiam daqui antes que as coisas fiquem piores. Porque se ficar… — %Priya% perdeu a linha de seu pensamento quando Barnes mordiscou a curvatura de seu pescoço, um gemido baixo, sem fôlego, escapou da garganta dela, parecendo incendiar as veias dele, uma onda de desejo e satisfação percorreu por seu corpo inteiro, suas mãos deslizando de sua cintura para repousar em seus quadris, puxando-a com um pouco mais de urgência contra si. Dedos fincando-se na pele macia que havia ali. — Um de nós dois irá morrer, James, e você sabe que não será eu… — Bucky pausou por um momento, afastando-se da clavícula dela, apenas para repousar sua testa contra a de %Priya%. Tensionou a mandíbula, ainda perdido na névoa intoxicante de seu próprio desejo e na sensação de tê-la em seus braços mais uma vez, obrigando-se a fechar os olhos e concentrar-se em suas palavras.
0
Comente!x

  — Sabe que não posso fazer isso, %Priya% — retorquiu Barnes com um tom de voz baixo, por fim, abrindo os olhos e afastando-se somente um pouco para poder encará-la outra vez. Uniu as sobrancelhas, considerando o que diabos deveria fazer, o que ele poderia dizer que a faria reconsiderar… que a faria finalmente aceitar a mão que lhe estendia… — As coisas não precisam acabar dessa forma, %Priya% — Barnes sussurrou, buscando o olhar dela com intensidade, precisava fazê-la entender suas palavras, precisava fazer com que ela visse… — Não desta vez. Vem comigo. Por favor, me deixa ajudar você como me ajudaram…
0
Comente!x

  %Priya% o encarou e por um doloroso segundo, Barnes viu o que tão desesperadamente desejava ver. Por uma fração de segundos, a viu tornar-se transparente, revelando uma profunda incerteza misturada com desconfiança e uma tentativa de esperança. Ele viu a garota que admirava escondido através da janela do apartamento de sua família no Brooklyn, e não a Femme fatale capaz de conquistar até mesmo Victor Von Doom. Mas então, tão rápido quanto apareceu, se foi.
0
Comente!x

  Parecia-se com o ligar de um interruptor, ou o desligar do mesmo; em um momento ela o encarava daquela forma que era capaz de roubar sua respiração, e então, no instante seguinte sua expressão voltava a tornar-se impossível de ser lida, intensa e cautelosa. Até mesmo fria ao inclinar sua cabeça um pouco para trás a fim de observá-lo com atenção. As mãos de Barnes soltaram os quadris dela, pendendo por seu próprio corpo, enquanto as sobrancelhas se uniram, tentando compreender quais seriam as próximas ações dela. Estreitou os olhos.
0
Comente!x

  A resposta de %Priya% veio desprovida de palavras; tivera optado por uma forma mais eficaz de se fazer entender. A faca alojada por entre as costelas de Bucky era tudo o que ele precisava saber sobre a decisão dela.
0
Comente!x

•••

Brooklyn • 1939.

  Enquanto encarava o papel em suas mãos, Bucky considerou que seu peso se assemelhava com toneladas de puro metal, puxando-o para dentro de um abismo obscuro e nauseante, mesmo que a brisa suave de outono o dobrasse com facilidade, ameaçando roubá-lo de seus dedos com apenas um sopro. Os olhos azuis esverdeados do jovem percorreram pelo que pareceu ser a vigésima nona vez, passaram por sobre as letras com a certeza de que já as havia decorado, todavia não poderia dizer que as relia naquele momento. O gosto em sua boca era amargo, acompanhado com uma certeza desconfortável de que algo estava sendo roubado de si. Algo estava se esvaindo por entre seus dedos sem que ele pudesse sequer considerar o que diabos poderia ser, não sabia o que ainda estava a perder, mas podia sentir esvaindo-se.
0
Comente!x

  O peso do papel acompanhava uma sentença silenciosa. Considerou o que falaria para sua mãe naquela noite, teria, é claro, que informá-la de sua convocação; Esquadrão 107, Sargento Barnes. Seu pai ficaria incandescente ao descobrir que ele, em menos de alguns dias, seria enviado para os fronts na Europa para lutar contra os malditos nazistas. Em menos de alguns dias, Bucky deixaria tudo o que conhecia para morrer pela honra e pela liberdade em uma guerra que não havia começado, uma guerra que sequer compreendia direito como estava acontecendo, com a certeza de que havia ainda mais tantas coisas que ele queria fazer ali. Ir a Expo Stark era uma delas, Steve havia prometido que se juntaria, é claro — Bucky tinha quase certeza de que o melhor amigo, na verdade, estaria tentando se infiltrar, mais uma vez, em uma das filas de alistamento para conseguir entrar. Steve tinha aquele desespero dentro de si para provar-se digno, para lutar pelo que era certo. Não gostava de bullies tanto quanto Bucky, mas havia uma pequena diferença ali: Bucky não tivera escolha. Quisesse ou não, a guerra era seu destino.
0
Comente!x

  Pensou no que Steve diria amanhã quando lhe contasse sobre seu alistamento. Pensou em como o encararia, ficaria feliz também? Ou se sentiria traído? Como poderia dormir à noite sabendo que deixava seu melhor amigo para trás? Steve Rogers jamais o deixaria para trás, e, todavia, lá estava Bucky, preparando-se para deixar o país, para perder-se em trincheiras e preparações para as ofensivas contra um bando de porcos desgraçados que sequer mereciam o reconhecimento de suas existências. Uma parte de si estava desesperada para enfrentá-los, o desejo de mostrar aqueles malditos demônios que era a vala que mereciam, não o medo que tentavam infringir nos outros; por sua família, pela família de Steve, especialmente por Sarah, a mãe de Steve, que de certa forma era como uma segunda mãe para ele, e que era judia. Queria que tia Sarah, onde quer que estivesse, o olhasse com a certeza de que havia ajudado a criar um homem de princípios, um homem que se colocaria na frente do perigo por quem amava, que se certificaria de ajudar a criar um mundo seguro para que Steve pudesse ter uma vida em paz.
0
Comente!x

  Mas Bucky Barnes estava apavorado.
0
Comente!x

  Apavorado com o que viria a seguir. Apavorado com o que poderia encontrar no front. Apavorado com a ideia de que, muito provavelmente, ele não voltaria. Seus olhos marejaram um pouco com um pesar sufocante que quase o fez se engasgar. Não era do tipo emocional, seu pai havia se certificado de criá-lo à velha maneira, educou-o de forma severa, com amor duro, o choro não lhe era uma opção antes, não iria se tornar agora, mas naquele momento, enquanto tomava coragem para subir as escadas do prédio em que sua família morava, Bucky se sentiu no limite das lágrimas. Sua garganta estava doendo, e não era de nenhum resfriado que poderia ter pegado, parecia inchada, como se houvesse criado um nó em sua traqueia do qual ele não conseguia se livrar, as lágrimas queimaram por trás de seus olhos, embaçavam sua visão e o obrigavam a piscar com mais rapidez do que deveria, tentando afastá-las. Sua respiração tornou-se irregular, meio trêmula, estava prendendo-a, ora sim, ora não, como se isso pudesse ajudá-lo a não chorar. Uniu as sobrancelhas, memorizando outra vez a numeração de seu Esquadrão quando uma voz doce ecoou à sua esquerda:
0
Comente!x

  — Sei que não vai servir de consolo, mas você não estará sozinho lá. — Bucky piscou desviando os olhos do papel que tinha em mãos para encarar a garota que se projetava à sua direita, alguns degraus abaixo, esperando que ele se movesse para que ambos adentrassem no hall do prédio. Por um segundo, Bucky apenas a encarou, estupefato. Jesus, ela era linda. Os cabelos lisos, macios e sedosos, estavam soltos, pendendo por seus ombros, em ondas ajustadas para emoldurar seu rosto delicado e elegante. Os olhos %obsidianas% eram profundos, intensos, como se pudessem ver através de seu corpo e enxergar o cerne de sua alma, como se fosse capaz de absorver a tudo o que estava ao redor, sem retornar nada. Sobrancelhas angulosas e grossas emolduravam o rosto de traços delicados, enquanto os cílios longos projetavam sombras suaves sobre suas maçãs do rosto altas. O vestido simples, porém elegante, era justo na cintura, mas espalhava-se em uma saia rodada, de um verde escuro, contrastava com o cardigã de linho que usava, com um tom terroso. As mãos delicadas com dedos longos eram envoltas por uma luva discreta, branca de renda, tão fina que parecia propensa a se rasgar se não tivesse cuidado.
0
Comente!x

  Ela ofereceu um sorriso hesitante para Bucky, brincando distraidamente com o dedo mindinho de sua mão direita, esticando-o e puxando-o como se estivesse um tanto quanto nervosa por interromper seus pensamentos ou por falar indevidamente sem ter sido chamada.
0
Comente!x

  — Eu sei, mas não posso deixar de acreditar na solidão que vai me acompanhar sem uma presença tão encantadora quanto a sua, senhorita…? — Bucky se recuperou, pigarreando para clarear sua voz, enquanto oferecia seu sorriso mais charmoso para a jovem deslumbrante à sua frente, torcendo para que ela comprasse o ato.
0
Comente!x

  Os olhos %obsidianas% dela se estreitaram por alguns breves segundos, cínicos, mas os cantos dos lábios angulosos se curvaram um pouco para cima, e Bucky tomou isso como uma vitória. Ainda não era um sorriso, mas de repente percebeu-se determinado em fazê-la sorrir, até o fim daquela conversa, ele a veria sorrir.
0
Comente!x

  — %Mallah%. %Priya% %Mallah% — ela se apresentou estendendo a mão delicada em sua direção. Bucky a tomou feliz, tentando suprir um sorriso, ao observar a fina camada de renda delicada que a envolvia, era só um pouco mais áspera ao toque do que a pele abaixo do tecido vazado. Pegou-se traçando gentilmente o desenho nas costas da mão dela, um que se parecia com uma rosa vazada, antes de beijar a mão dela, em um gesto cavalheiresco.
0
Comente!x

  — Encantado, senhorita %Mallah% — Bucky respondeu, sem ocultar a verdade de suas palavras, ele realmente estava encantado por ela. Tão encantado que por uma fração de segundos havia se esquecido completamente de que estava no meio de uma conversa e que deveria se apresentar também. Sua respiração, ainda apertada pela percepção do que significaria ir para o front, pareceu escapar por entre seus lábios, um pouco engasgada enquanto se perdia naqueles olhos %obsidianas%. Bucky nunca havia visto uma cor como aquela, tão intensa, tão vívida e marcante, pela primeira vez, em toda sua vida, percebeu por que Steve gostava tanto de desenhar, se ele tivesse o mesmo talento que o melhor amigo possuía, ele também iria querer gravá-la; optou, portanto, em gravá-la em sua memória. — James Barnes — finalmente encontrando sua voz, Bucky se apresentou, apressou-se, todavia, a acrescentar: — Bucky, por favor, me chame apenas de Bucky.
0
Comente!x

  — Um apelido não é algo muito íntimo para oferecer a um estranho, senhor Barnes? — %Priya% questionou, novamente com aquele sotaque que ele ainda estava tentando reconhecer, envolvia sua voz suave e macia como um manto, criando um arrastar que havia arrepiado os pelos de seu corpo quase como se estivesse envolto por estática.
0
Comente!x

  — Mas você não é uma estranha, é, senhorita %Mallah%? — O sorriso de Barnes aumentou um pouco mais, incandescente, quando viu uma coloração avermelhada começar a surgir pelas maçãs do rosto dela. Era tímida, percebeu ele surpreendentemente ainda mais intrigado, desviando os olhos marcantes dos dele para encarar algum ponto invisível à frente do uniforme dele. — Ou, ao menos, espero que não se torne uma.
0
Comente!x

  %Priya% negou com a cabeça, apertando os lábios com força e inspirando fundo. Os olhos azuis esverdeados dele se desvirtuaram para a maneira com que a clavícula delicada dela marcou a pele suave, e estranhamente, ele sentiu seu corpo se aquecer com a visão. Engoliu em seco, praguejando mentalmente, obrigando-se a encará-la nos olhos.
0
Comente!x

  — Você certamente precede a fama que carrega, senhor Barnes — %Priya% disse por fim, mordendo o interior de suas bochechas, parecendo estar lutando contra um sorriso, ao lançar um olhar sugestivo na direção de Bucky, que piscou, estupefato com aquele gesto. Fama? Como assim fama? Desde quando ele era famoso? E se ele era, então era pelo quê? Bucky ponderou por uma fração de segundos, talvez fosse pelo cabelo, ele tinha um cabelo muito bom e macio, sedoso até.
0
Comente!x

  — Fama? — Ecoou ele.
0
Comente!x

  %Priya% pareceu um pouco estupefata, mas não surpresa. Alisou o corpete de seu vestido, ajustando-o, antes de passar as mãos pela saia, endireitando-se e então oferecendo um sorriso educado, forçando a passagem por Bucky e a entrada para o hall do prédio. Seu coração disparou no segundo que o ombro dela roçou suavemente contra o peito dele, mesmo coberto pelo tecido de suas roupas, uma sensação elétrica pareceu percorrer por seu corpo inteiro em resposta ao toque. O perfume dela invadiu seus pulmões; ela cheirava muito bem, uma mistura de flores que Bucky não tinha ideia do que poderia ser, mas soube que havia gostado mais do que deveria, mais do que era apropriado gostar.
0
Comente!x

  — Exatamente, a sua fama — ela pontuou caminhando graciosamente em direção ao elevador. Bucky não conteve um sorriso, admirando a maneira com que ela se movia. Lembrava de certa forma uma gata, elegante, com os quadris movendo-se de forma quase hipnótica. — Acredito que deva existir um motivo para que quase todos do Brooklyn digam que o senhor é um grande mulherengo, e bem, eu acabei de me mudar, então, são boatos bem sólidos para se descredibilizar de imediato tendo em consideração sua postura.
0
Comente!x

  Bucky piscou, surpreso — não que não existisse um pouco de verdade no comentário dela, mas havia uma pequena conotação de desdém na voz dela que o incomodou. Sabia que flertava sempre que via uma saia por perto, Steve sempre lhe lançava olhares recriminadores, mas havia algo de divertido na conquista, mas isso não significava que Bucky era algum tipo de idiota que encantava corações apenas para parti-los posteriormente. Bucky gostava de flertar com qualquer pessoa que acreditava ser atraente, mas não se deixava enganar, nem a outra com suas palavras. Era sempre honesto com o que sentia, e sempre transparente com suas intenções. Percebeu-se repassando todas as interações que já havia tido, considerando onde havia passado tal falsa impressão e por algum motivo, Bucky queria provar a ela que ela estava errada.
0
Comente!x

  — Admito que seja um grande entusiasta da apreciação feminina, mas não me consideraria um mulherengo — Bucky tentou se defender, seguindo-a de uma distância respeitosa, a última coisa que desejava era fazê-la se sentir desconfortável com sua presença. — Soam mais como boatos pejorativos, não acha? Não há nada de errado em flertar com alguém, há?
0
Comente!x

  %Priya% se voltou na direção de Barnes com uma sobrancelha erguida.
0
Comente!x

  — Recomendo que não zombe de minha inteligência, senhor Barnes — avisou ela, e Bucky franziu o cenho, apertando os lábios em uma linha fina, percebendo a seriedade com que ela falava. Bucky desviou os olhos por um momento, buscando as palavras corretas para usar com ela, mas não conseguiu.
0
Comente!x

  — Não era minha intenção ofendê-la, senhorita %Mallah%. — Bucky voltou a encará-la com sinceridade, algo que %Priya% %Mallah% não pareceu acreditar. Alguma coisa em seu peito se apertou quando a porta do elevador abriu à frente dela. Bucky prendeu a respiração, sentindo-se surpreendentemente, pela primeira vez, relutante em deixá-la ir. Tentou convencer-se de que era por causa de seu ego, que não desejava a deixar ir com a visão errada sobre si, não queria que ela assumisse que ele era somente aquilo, um mulherengo, um malandro desonesto. Mas algo mais profundo dentro de si, algo que ele não iria reconhecer, por ora, pelo menos, sabia que ainda não tinha uma explicação apropriada; não queria que ela fosse embora, ao menos não ainda. — Ei, espera, posso…
0
Comente!x

  Quando ela ignorou seu pedido, entrando no elevador sem muita cerimônia, Bucky prendeu a respiração. Não soube ao certo dizer por que havia cedido àquele impulso, especialmente por não ser algo característico de sua postura. Bucky, normalmente, teria acenado em despedida e seguido seu caminho em um silêncio contemplativo, mas havia algo nela, havia algo na maneira com que ela havia dito aquelas palavras, que despertou uma necessidade de prová-la que seu pré-julgamento dele estava mais do que equivocado. Então, ele agiu por impulso quando se espremeu pela porta do elevador, cambaleando para dentro e chocando-se contra uma das laterais da cabine apertada antes de se ajustar, tentando manter o restante da dignidade que já não tinha mais certeza que ainda possuía.
0
Comente!x

  %Priya% parecia surpresa e um pouco assustada com a ousadia de Bucky, e ele sentiu-se imediatamente culpado por isso. Pediu desculpas, com um tom pesaroso, até mesmo envergonhado pela atitude, sua mãe não o tinha criado daquela forma, e se Rebecca o visse, teria certamente o acertado com uma colher de madeira. Ainda assim, não conseguia desligar de sua mente aquela necessidade de provar que ela estava errada sobre ele. Bucky piscou, tentando encontrar suas próprias palavras quando o elevador travou. %Priya% soltou um gritinho baixo, saltando para o lado e lançando um olhar surpreso em direção ao painel de controle, enquanto Barnes franziu o cenho, inclinando-se para a direita para investigar o que havia acontecido. Testou um, dois botões, e então suspirou pesado.
0
Comente!x

  — Quebrou — ele murmurou baixinho, alcançando o telefone que se encontrava na lateral do elevador, que deveria dar na cabine do zelador do prédio, e apertou o botão, apoiando-o em seu ouvido enquanto esperava que alguém atendesse a chamada de emergência. Mas a ligação caiu na caixa postal. Barnes uniu as sobrancelhas, lançando um olhar de esguelha na direção de %Priya%, e então, tentou ligar de novo. E então de novo. E mais uma vez, apenas para ter certeza, mas não havia ninguém ali. Praguejou por baixo de sua respiração, imaginando que o senhor Wilson deveria ter se retirado para almoçar em algum dinner próximo dali, e Bucky estaria preso naquele lugar claustrofóbico com %Priya% até que Wilson retornasse. Sentiu uma pontada de culpa ao imaginar como ela deveria estar aterrorizada em estar presa, em um lugar como aquele, com um estranho. Suspirou pesado, deixando-se afastar ao máximo que conseguia de %Priya%, encostando suas costas contra a parede gélida de metal atrás de si. — Sempre quebra, moro aqui desde os 12, e quando era mais novo, eu tinha essa aposta com a minha irmã de ver com quem iria quebrar, eu costumava apertar todos os botões e sair correndo quando sabia que minha irmã estava voltando das aulas de dança, ela sempre ficava presa, e eu sempre conseguia alguns centavos com a aposta, gastava tudo com doces, então, não era lá um bom negócio.
0
Comente!x

  %Priya% lançou um olhar desconfiado na direção de Bucky, mas então, mordeu o lábio inferior, parecendo considerar as palavras dele. Ela suspirou, colocando as duas mãos enluvadas para trás de si antes de escorar-se contra a parede contrária do elevador. Manteve por um longo momento os olhos baixos, distantes, e então, tentativa, ergueu a linha de seu olhar, para encará-lo.
0
Comente!x

  — Também estou indo para o front — ela disse suavemente, e Bucky foi pego de surpresa. Franziu o cenho, sentindo a confusão amortecer todo o resto ao seu redor, se questionando como diabos ela havia conseguido algo assim, e por que diabos alguém lhe permitiria fazer isso. Ela ofereceu um sorriso entristecido a ele. — Como enfermeira. Me formei alguns meses atrás, quando ainda estava em Londres. — Inclinou a cabeça para o lado, observando-o com olhos %obsidianas% intensos. — Falei sério quando lhe disse, senhor Barnes, você não estará sozinho lá.
0
Comente!x

  Bucky sabia que deveria ter oferecido um sorriso de volta para ela, deveria no mínimo ter se sentido aliviado, mas não foi isso que tomou conta de seu peito. Ao invés de alívio, Bucky sentiu um profundo pesar por ela; pela juventude roubada e o risco que ela correria estando em meio a uma zona de guerra, exposta a qualquer tipo de crueldade. Precisava acreditar que ela estaria segura, mas no fundo, Bucky sabia que aquele mundo não era gentil com pessoas como ela — não com mulheres. Obrigou-se a pigarrear, tentando limpar sua garganta do nó que se formava, oferecendo um sorriso forçado, ainda educado para ela.
0
Comente!x

  — Então — Bucky disse por fim, quebrando o silêncio que se instalou no espaço. Inspirou uma vez, tomando coragem, e então, convindo em silêncio toda sua sinceridade, estendeu sua mão direita em um cumprimento formal, respeitoso; um convite, um pedido pairando por seus olhos. — Podemos começar de novo, senhorita %Mallah%, eu odiaria que a última impressão que você tivesse de mim fosse a de um completo idiota. Embora tenha meus momentos.
0
Comente!x

  %Priya% o encarou em silêncio, sem conseguir ocultar dessa vez seu sorriso. Bucky perdeu o fôlego por um breve momento, observando como o rosto dela suavizou quando sorria, como se tornava mais doce, mais gentil, um suspiro aliviado escapou por entre seus lábios, seguido por um sorriso largo quando ela finalmente aceitou seu aperto de mão. Um acordo silencioso se formou entre os dois.
0
Comente!x

  — James. James Barnes, mas por favor, prefiro que me chamem apenas de Bucky. — O sorriso dela pareceu se tornar mais caloroso, iluminando os olhos %obsidianas%, e algo dentro do peito de Bucky dobrou de tamanho: quente, confortável, seguro. Não se lembrava da última vez que havia se sentido daquela maneira, mas certamente não queria livrar-se da sensação assim tão cedo.
0
Comente!x

  — Encantada em conhecê-lo, Bucky — %Priya% murmurou, seu sotaque fazendo com que o apelido dele soasse como uma carícia suave contra sua pele. Bucky percebeu que faria de tudo para ouvi-la chamá-lo daquela forma outra vez. — Sou %Priya%.
0
Comente!x

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Todos os comentários (1)
×

Comentários

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x