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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Titanium


Escrita porPams
Revisada por Natashia Kitamura

3 • Castaño

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

Norte de Florença, 16 anos antes...

  As noites de Toscana nunca foram tão frias como aquela e, para pequena %Valerie% com seus nove anos de idade, pareciam pior devido aos pesadelos que vinha tendo há semanas. 
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  Na vida, tudo parece bem mais fácil quando estamos na fase da inocência dos males do mundo, algo que a criança havia perdido no verão passado, quando passou férias na casa de seu tio Castellano, em meio a uma brincadeira de achados e perdidos com seus primos, ao se esconder no porão do celeiro, acabou por testemunhar o próprio tio cortando a garganta de um homem desconhecido. Ela não conseguia nem mesmo falar do assunto com o pai, menos ainda esquecer tal cena que parecia martelar em sua mente. O cheiro do sangue, os gritos do homem pedindo por clemência, o olhar satisfatório de seu tio após o feito. Esse era o motivo para tantos pesadelos.
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  — Está tudo bem, minha querida. — Marco, como um bom pai atencioso, mais uma vez naquela madrugada abraçou a filha com carinho, após chegar correndo em seu quarto — Papai está aqui, está tudo bem.
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  — Estou com medo. — disse a criança, se encolhendo nos braços do pai, com o corpo trêmulo.
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  — Pequena... — a voz suave de sua mãe soou da porta, com um olhar de ternura para ela — Diga-nos, o que lhe aconteceu para que estes pesadelos tenham aparecido?
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  Mercedes era tida como a melhor psicóloga infantil da região, por isso que conseguia entender bem os momentos de mudanças de humor de sua filha que caracterizava traços leves de bipolaridade. Então diálogo nunca havia sido o problema deste lar, menos ainda demonstrações de carinho e afeto, que fortalecia o laço familiar. A mãe, a passos silenciosos e leves, se aproximou da cama e se sentou de frente para filha e marido, mantendo o olhar atento à criança.
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  — Se eu disser... Vão brigar comigo. — sussurrou ela, sabendo que havia entrado em um local proibido da casa do tio.
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  — Pequena? — a mãe segurou de leve em sua mão e sorriu com graça — Estamos aqui para te ajudar.
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   %Valerie% manteve-se em silêncio por alguns instantes, respirando mais profundo e com o olhar baixo. Assim que fechou os olhos por um momento, a fatídica cena que lhe atormentava veio como um flash, assustando-a internamente, então seus olhos abriram de imediato.
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  — Foi na casa do tio Castellano, estávamos brincando de achados e perdidos... — ela se retraiu um pouco, ainda com medo de contar a eles — Eu me esqueci que não podia entrar no celeiro e...
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  — Não precisa dizer mais nada, querida, já entendemos. — o pai deu um beijo no topo de sua cabeça, e levantou-se controlando sua irritação seguindo para a porta.
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  — Eu fiz algo errado, não fiz? — a garotinha olhou a mãe, com os olhos já marejados.
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  — Não é culpa sua, minha querida. — Mercedes se aproximou mais da filha e a abraçou — Não precisa dizer o que viu, mas sempre que vier em sua mente, tente focar nos momentos mais felizes que já teve e logo passará.
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  — Então será todos os nossos momentos em família. — disse ela, com os olhos brilhando.
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  — Sim, todos os momentos em família contam — assentiu a mãe, lhe dando um sorriso singelo — Agora volte a dormir, e pense nos momentos bons.
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  A criança assentiu e escorregou o corpo de leve para se ajeitar na cama, ao receber um beijo na testa de sua mãe, fechou os olhos e se concentrou nas boas memórias. Mercedes afastou-se da cama com cautela e saiu do quarto, ao encontrar seu marido com o olhar irritado no corredor, já presumia outra briga entre os irmãos Castaño. Em um suspiro positivo, reunindo paciência para lidar com o lado explosivo do marido, se aproximou dele.
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  — Não faça nada precipitado desta vez. — pediu ela, ao segurar em sua mão — Ele ainda é a sua família.
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  — Minha filha estava na casa dele, por anos eu me mantenho afastado, por um pedido seu eu me aproximei novamente dele, relutante, mas assenti que nossa filha passasse as férias lá e o que ele me fez? — Marco não aceitava o legado de crimes de sua família, e o afastamento havia sido por este motivo.
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  — Querido, não sabemos ao certo o que ela viu. — ela tentou suavizar a situação.
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  — Minha filha estava lá, todos sabem como é curiosidade de criança e mesmo assim ele faz seus negócios lá? — Marco sentiu sua voz alterar um pouco — Não precisa ser um gênio para imaginar o que ela viu.
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  — Papai, está bravo comigo? — a voz de %Valerie% soou da porta, revelando metade do seu rosto.
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  Ambos olharam em sua direção, e antes mesmo que pudessem ter alguma reação a sua pergunta, o barulho de vidro quebrando soou do andar de baixo surgiu para lhe chamar a atenção.
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  — O que foi isso? — sussurrou a mulher, com o olhar temeroso.
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  — Mercedes, pega nossa filha e saia da casa pela porta secreta. — ordenou ele, já certo do que poderia ser.
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  — Do que está falando? — a mulher não entendeu a princípio.
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  — Mercedes. — ele olhou fundo nos olhos dela — Preciso que seja prudente e centrada, nossa casa está sendo invadida, pega nossa filha e se esconda do alçapão do armazém, até o amanhecer. Me entendeu?
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  — Sim... — assentiu ela, controlando seu desespero.
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  — Não olhe para trás. — finalizou ele.
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  — Mas e você? — perguntou ela, já sentindo as lágrimas formadas no canto do olho.
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  — Não olhe para trás. — insistiu ele, a empurrando de leve — Agora vá.
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  Ela assentiu ainda temerosa pelo que poderia lhe acontecer. Correndo até o quarto da filha, pegou a menina pela mão e fez um breve sinal de silêncio, os olhos de %Valerie% mesmo assustados assentiram a ordem da mãe, e cautelosamente a seguiram até o closet do seu quarto, encontrando uma porta falsa ao centro da parede. Do outro lado, desceram por uma escada de acesso até chegar ao túnel que finaliza na garagem. Mercedes parou por um momento para retomar o fôlego com sua filha, precisou ser forte para não olhar para trás, então ao longe soou alguns disparos deixando-a ainda mais apreensiva.
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  — Mamãe? — disse %Valerie%.
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  Mercedes olhou para a filha e novamente fez o sinal de silêncio, pegando impulso, ambas de mãos dadas começaram a correr entre os corredores do vinhedo, com a dificuldade do solo coberto pela neve, já ouvindo vozes que pareciam persegui-las. Quando finalmente conseguiram chegar no armazém, a mulher guiou a filha até os fundos e abrindo a porta do alçapão, a deixou escondida e pediu para que fizesse silêncio.
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  — Fique aqui, não faça barulho e só saia ao amanhecer. — pediu a mãe, com lágrimas nos olhos, ao saber que possivelmente seria a última vez que veria a filha. 
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   %Valerie% assentiu já em lágrimas e se encolheu após a porta ser fechada, lhe restando apenas um feixe de luz que passava pela fresta. Ela se lembrava das muitas vezes que o pai brincou com ela de achados e perdidos, lhe mostrando como sair do alçapão pelo tubo que o ligava ao canal. Tudo ficou silêncio para ela, até que as vozes retornaram seguido de gritos de medo e dor de sua mãe, a pequena se remexeu no alçapão e se aproximando da fresca, presenciou a pior e mais dolorosa cena de sua vida, a qual lhe assombraria pelos próximos anos de sua vida. 
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  Seu olhar que rapidamente cruzou com o olhar da mãe em lágrimas, se desviou para o homem que a machucava fixando a atenção em sua tatuagem de serpente no braço direito. A criança ainda não sabia como, mas o sentimento de raiva e vingança estava latente internamente. 
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  — Mamãe... — sussurrou ela, ao fechar os olhos se encolhendo novamente, tampando os ouvidos para não ouvir os gritos finais de sua mãe.
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  Na manhã seguinte, o frio do inverno acordou a pequena criança, que ao sentir o corpo tremer pela brisa gelada, voltou à realidade ao se lembrar do terror que viveu na madrugada passada. No meio do silêncio, ouvindo o assobio do vento, levantou a porta do alçapão e lentamente ergueu seu corpo, ela forçou a desviar o olhar para o lado. Os olhos cheios de lágrimas, não queriam ver pela última vez o corpo de sua mãe estirado no chão. A passos curtos e lentos, se dirigiu para a porta do armazém, o sol como sempre estava fraco, mas era perceptível os poucos raios sendo misturados ao tempo nublado. Ao longe, algumas viaturas da polícia podiam ser vistas com nitidez pela estrada.
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  Não confie em ninguém!
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  Soou uma voz interna, com o mesmo tom de seu pai, o que a fez correr em direção ao vinhedo para se distanciar o máximo que poderia. Não demorou muito até %Valerie% chegar à propriedade do velho Nick, um senhor rabugento que odiava crianças, mas tinha um carinho especial por sua mãe, a qual viu nascer. Ela estava com fome, com frio e cansada de tanto correr, precisava de um lugar para se esconder, então, rodeou a casa a fim de encontrar alguma janela aberta, o que de fato aconteceu. A criança se esforçou para alcançar o peitoril e passando pela janela, escorregou de leve o que a fez cair no chão. 
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  Seu corpo gelou com o barulho, porém, para sua sorte o dono da casa estava em sono profundo no sofá da sala. Com cautela e rapidez, ela subiu as escadas até o quarto do homem e pegando um casaco, o vestiu para se aquecer. Ela limpou as lágrimas que insistiam em cair de seus olhos, não podia se deixar entristecer, precisava seguir em frente e chegar até a casa de seu tio. 
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  Mas como ela iria até Veneza?
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  Criada de acordo com os princípios de honestidade e integridade do pai, aquele seria o início de uma nova fase em sua vida, no qual quebraria todo o aprendizado anterior e ela mesma criaria seus próprios princípios e regras. A primeira delas: sua necessidade vem acima dos outros, para obter segurança. E assim, %Valerie% efetuou seu primeiro roubo, ao abrir o armário do velho Nick, e pegar sua caixa de economias. No lugar, apenas deixou um bilhete pedindo desculpas e dizendo que devolveria depois com juros, afinal, não se desconstrói com facilidade, os ensinamentos dos pais. 
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  Enfrentar a neve não seria mais o problema, seu novo desafio seria lembrar-se com precisão o endereço do tio. Algumas horas de espera pela oportunidade de seguir para a estação de trem, os rumores de uma nevasca se espalharam pelos passageiros da estação, deixando a criança temerosa e mais vulnerável ainda. Para alguém tão pequena, escondeu-se com facilidade do vagão de bagagens, aproveitando a viagem sem nenhum custo, próximo ao vagão da cozinha, e com mais possibilidades de pegar mais objetos sem a necessidade de devolução.
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  Horas de espera até que %Valerie% ouviu o anúncio do maquinista sobre a chegada do trem na cidade de seu tio. Saída silenciosa e discreta, com destino traçado, dos muitos detalhes que puxou na mente sobre a viagem do verão passado, uma lhe traria auxílio, a residência do tio Castellano era exatamente em frente ao Bosco dell'Osellino, um dos mais belos bosques do país. Finalmente ao chegar em frente à casa, mais uma vez a criança de viu sozinha e desamparada, internamente sua raiva aumentava mais e mais.
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  Por que isso está acontecendo comigo?
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  Por que perdi meus pais? 
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  Por que perdi todos? 
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  Pensou ela, consigo mesma, mantendo os olhos fixos na faixa de restrição policial, com a placa na porta indicando que o local era a cena de um crime. Em segundos, as lágrimas retornaram para rolar em sua face, e certamente elas seriam suas companheiras por longos anos.
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  — Vendetta. — sussurrou ela, puxando com mais força o ar para seus pulmões.
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  Aquela havia sido a última palavra em forma de conselho, de seu tio Castellano, após seu relato constrangido sobre algumas meninas zombarem dela na escola. Uma palavra da qual não entendeu o profundo significado naquele dia, agora se mostrava mais clara. A vingança sobre aqueles que te ferem.
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  — A única coisa que está acima da honra, é a vendetta. — continuou ela, as palavras do tio.
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  E um dia ela se vingaria do que fizeram com seus pais, encontraria o homem que machucou sua mãe e o mataria, da mesma maneira que viu seu tio Castellano fazer com seus inimigos.
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Eu quero respirar, eu odeio essa noite
Eu quero acordar, eu odeio esse sonho.

- Save Me / BTS

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Fe Camilo

Meu Deeeeus, ansiosíssima pela continuação *-*
Tô amando, Pams! E a PP é incrível, estou encantada com a força e sabedoria dela desde criança <3

Pâms

❤❤❤❤❤ obrigado por ler e comentar!

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