2 • Sorte em dobro
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1 ano antes...
Dizem que quanto mais sorte uma pessoa tem no jogo, mais azar ela atrai no amor. Entretanto, algumas leis de
Murphy não se aplicavam ao detetive %Matthew% Collins, o homem mais obstinado, honesto e comprometido que o Departamento de Polícia de Chicago já viu em anos. Uma ficha impecável que incluíam vários casos solucionados de peso e grande valor para a sociedade, o que ele tinha de competência tinha de humildade em não se importar por seu nome ser não estar atrelado aos crimes desvendados, deixando os créditos para seus superiores.
Por sempre trabalhar disfarçado em suas missões, sua parceira a detetive Bridget Foster, era o braço direito e conselheira em muitos deles para que garantisse o sucesso final. E o que dizer da amizade de ambos que iniciou no treinamento da academia de polícia e se fortaleceu quando foram recrutados pelo capitão Phill para iniciarem um trabalho minucioso e secreto para a
DP de
Chicago. Amizade essa que ao longo dos seis anos de convivência, sendo quatro deles trabalhando lado a lado, foi demonstrando outros tipos de sentimentos desconhecidos por Collins resultando em algumas noites de amor e boas conversas.
A divisão em que ambos trabalhavam era pequena, restrita, discreta e muito privada, ou seja, altamente secreta direcionada a resolver os casos mais específicos e problemáticos para o estado de Illinois, que muitas das vezes se estendia ao país. Contando com a participação do hacker, Timothy Wesh recrutado de um centro de detenção para jovens delinquentes, e mais dois policiais recém transferidos das cidades de Rockford e Peoria, para agregar ao grupo.
— Passo. — disse em voz baixa, o alvo da vez, em sua quarta mão fracassada.
— Mais uma. — pediu %Matt%, confiante que fecharia mais uma vez em seu jogo favorito.
Blackjack sempre foi um jogo de sorte e azar, suas regras claras definia como vencedor aquele que fizesse
21 pontos nas cartas ou o que mais se aproximasse desse valor. E estrategicamente a sorte estava a favor de Collins, que em seu disfarce tinha o foco no alvo à sua frente.
Carlo Riina, um conhecido da máfia mexicana de atuava no sul do Texas próximo à fronteira com o México, estava em maus lençóis com alguns membros da
Nuestra Familia, devendo a muitos clientes e em total falência devido a algumas ações de boicote por parte de Foster sob os comandos de seu parceiro.
— Parabéns senhor, mais uma vez conseguiu. — disse a funcionária que comandava a mesa — Está com uma noite de sorte.
— Acho que sim. — ele sorriu de canto, ao notar seu alvo distraído e vulnerável, seria este o momento ideal para terminar a missão que se completava quatro meses em andamento.
Um olhar discreto para Foster que se mantinha próximo ao bar tomando um drink, e um aceno sutil com a jogada de cabelo da detetive, foi a deixa para a luz geral se apagar permanecendo apenas as laterais de emergência acesa. Logo um barulho de estrondo soou, assustando alguns e vários policiais apareceram cercando todos, com suas armas apontadas e gritando para que todos se deitassem no chão. O lugar onde estavam era uma casa de jogos clandestina, a única propriedade que Riina ainda possuía e a mais desejada pelos membros de sua máfia. Agora se tornaria um local marcado pela polícia e totalmente descartável pelo mundo do crime.
— Fique exatamente onde está, Carlo Riina. — o barulho dos policiais foi dando espaço para a forte voz do capitão — Você está preso por lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, sonegação de imposto e o assassinado de duas garotas de programa…
O capitão foi enumerando mais outros crimes que Collins conseguiu as provas para prendê-lo. Sem expor sua equipe de espionagem, Phill apenas assentiu para os policiais que renderam disfarçadamente os detetives, para tirá-los dali, pois oficialmente o caso Laureles do Texas estava encerrado e com sucesso pela equipe Alpha. Do lado externo da edificação, os detetives foram alocados em um carro, que ao fechar as portas foram recepcionados por Freya Flamers e Adrian Brown, os outros integrantes da equipe.
— Parabéns, chefes. — brincou Tim, o hacker, ao se comunicar pela vídeo-chamada — Eu achei que o Riina fosse explodir a qualquer momento e pedir a sua cabeça.
— Riina estava desestabilizado, mas não teria coragem de matar mais nenhuma pessoa, depois do aviso que recebeu da “família”. — explicou %Matthew% com tranquilidade.
— Você é muito aventureiro, desafiá-lo no jogo dele. — Foster o repreendeu, jamais havia concordado com o plano de prendê-lo na casa de jogos.
— Tínhamos que manter o disfarce. — argumentou ele, com um sorriso de canto — Além do mais, foi divertido aprender a ler o baralho.
— De nada, chefe. — brincou Tim, rindo no fundo.
— Obrigada Tim, seus talentos para o crime tem nos ajudado muito. — admitiu %Matt%, sem cerimônias.
— Que bom que tudo terminou bem. — comentou Freya, voltando o olhar para a janela do carro — Já não via a hora de um pouco de descanso.
— Teremos quantos dias de folga? — perguntou Adrian, já traçando seus planos de um final de semana aventureiro com sua filhinha escoteira de oito anos.
— Desta vez, conseguimos uma semana com o chefe, esse caso foi muito desgastante, psicologicamente. — respondeu Foster, sentindo-se ainda tensa pelas emoções anteriores.
— Sério, chefes? — Tim vibrou um pouco, já fazendo planos para os dias de glória.
— Sim. — confirmou %Matthew% — Nós merecemos depois que três casos bem sucedidos e alguns criminosos atrás das grades.
— Pra ficar melhor, só a freya aceitando meu convite para jantar. — brincou Tim, sabendo da reação dela.
— Se enxerga. criança. — a policial fez uma careta e manteve a atenção na estrada.
O que fez todos rirem discretamente.
Era um fato que desde que se juntou a equipe há dois anos, o jovem Tim havia despertado um grande interesse na policial mais durona que Rockford poderia oferecer. E quanto mais ele jogava seus charmes, mais ela lhe esnobava dizendo que não estava interessada em criá-lo, afinal ela era dez anos mais velha que ele e sem nenhuma motivação para lidar com relacionamentos.
— É uma pena que os créditos nunca vem pra gente. — comentou Adrian, percebendo estar se aproximando do galpão onde ficavam.
— Ossos do ofício. — disse Bridget, ao retirar seu celular do bolso e identificar uma mensagem do hospital.
A vida de Foster nunca foi fácil. A perda dos seus pais quando criança a fez ser fechada para o mundo e para as amizades, sua única família resumia a avó materna de quem cuidava com muito amor e dedicação, e agora se encontrava em uma casa de repousos devido a uma doença crônica que a impedia de viver livremente sozinha. Com as contas da casa de repouso e os tratamentos da vovó Dolores, combinados aos outros gastos, não foi difícil para ela aceitar a oferta e entrar para a equipe Alpha. Contudo, a maior de todas as razões foi poder trabalhar ao lado do amigo que conquistou sua atenção no primeiro dia da academia de polícia.
— Chegamos. — anunciou Adrian, ao estacionar o carro e desligar o motor.
— Finalmente, férias! — Freya se espreguiçou ao sair do carro, já sentindo o gosto de liberdade temporária.
— Vocês demoraram! — disse Tim, da porta do galpão com sua ansiedade — Fiz sanduíches.
— Você só pensa em comida? — Freya o recriminou.
— Eu também penso em você. — ele disse num tom honesto, soando de forma espontânea.
Ela deu um suspiro desinteressado e seguindo até a porta passou por ele, não ligando para suas palavras.
— Meu amigo, eu no seu lugar já tinha desistido. — expressou Adrian, para o rapaz — Já faz quanto tempo que ela te renega?
— Dois anos. — afirmou Foster, sem rodeios ao passar por eles.
— Viu, dois anos. — continuou Adrian, preocupado com o amigo — É muito tempo para uma pessoa aceitar ser rejeitada.
— Deixa ele, Adrian. — %Matthew% segurou o riso — Tim ainda é jovem, tem muito o que sofrer por amor.
— Fala isso, porque sua vida é boa e sem problemas. — Adrian defendeu o garoto — Você tem muita sorte, isso sim.
— Eu estou bem, chefes. — admitiu Tim, seguro do que dizia — Não me importo com as rejeições, uma pessoa só perde se desistir, e isso eu não farei.
Tim seguiu até o carro para pegar as caixas no porta-malas, deixando ambos boquiabertos por sua determinação. O jovem hacker tinha mesmo muita determinação, e os muitos conselhos de sua mãe antes de falecer o fizeram aprender que a única forma de alguém perder é desistir do que quer. E crescendo nas ruas, acabou descobrindo seu talento com a tecnologia que o levou a hackear o computador de um assessor do governo. Consequência disso? Quatro anos no reformatório, por se tratar de um menor de idade, que se transformou em dois graças ao recrutamento do capitão Phill.
— Hum… — Foster deu a primeira mordida no sanduíche que a esperava — Está gostoso.
— Tenho que admitir, está mesmo. — Freya deu o braço a torcer, impressionada com a recepção do hacker — Ainda me pergunto desde quando essa criança sabe cozinhar.
— Desde quando fazer sanduíche é cozinhar? — retrucou Adrian, rindo dela.
— E por acaso se esqueceu da última vez que ele fez o jantar? — retrucou Freya, lembrando-se do risoto de camarão que comeu pela primeira vez.
— É, nossa criança está crescendo. — brincou Foster, rindo de leve — Será que agora você dá uma chance a ele?
— Claro que não. — Freya fez uma careta.
— Assim você corta meu coração. — resmungou Tim, entrando com as bolsas penduradas por seu corpo.
— O que faz aí?! Largue isso e venha comer conosco. — ordenou %Matthew%, ao pegar um sanduíche e dar uma mordida.
— Claro, chefe! — Tim deixou as bolsas pesadas no canto da porta e correu até eles.
O galpão mesmo tendo uma aparência de velhos e abandonado em seu lado externo, internamente poderia ser comparado a mais confortável casa das montanhas. Moderna com toques industriais, por seu piso de cimento queimado e os encanamentos aparentes, era um bom espaço e desfrutava da luz natural que o telhado zenital lhe permitia através do vidro. O layout do espaço tinha o aspecto de home office, uma mistura de escritório com sala de estar de uma casa com um lavabo embaixo da escada. Os quartos individuais ficavam no mezanino, cada um contendo o seu respectivo banheiro dentro.
— Mais uma vez quero agradecer pelo empenho e dedicação de todos. — disse %Matthew%, agora um pouco mais sério ao erguer o copo de suco em brinde — Que nossa próxima missão seja um sucesso também.
— Ah chefe, nem chegamos nas férias e já está falando da próxima missão? — reclamou Tim, num tom de brincadeira.
O que fez os outros rirem.
— Fique tranquilo, Tim, nós teremos nossa semana de folga. — garantiu Foster.
— Isso é música para meus ouvidos. — assentiu Tim.
— Aposto que só vai ficar dormindo a semana toda. — disse Adrian, provocando.
— Claro que não, eu vou comer e jogar também. — alegou o hacker.
— Criança viciada. — Freya o olhou indignada.
— Eu trocaria tudo isso por você. — retrucou ele, olhando-a como uma criança que deseja ganhar presente de natal.
Ela revirou os olhos e se levantou da banqueta na qual sentou.
— Eu agradeço pelo sanduíche e é o máximo que terá de mim. — ela se afastou da mesa, indo se jogar no sofá — Eu vou passar minha semana fazendo trilha.
— Depois eu que sou viciado. — resmungou Tim.
— O que você disse aí? — Freya o olhou atravessado.
— Eu?! Nada. — ele desviou o olhar, fazendo-se o inocente.
De certa forma, era meia verdade. Freya era um pouco frenética com adrenalina, o que a incentivava a procurar pelas atividades mais aceleradas nos seus tempos de folga. Fazer trilha, escalada e aulas de muay thai eram as primeiras na lista, em contrapartida a única coisa que desacelerava seu ritmo era a fotografia, sua paixão que lhe fazia parar o tempo para registrar os detalhes mais singelos da natureza de concreto que Chicago lhe oferecia.
— E você, Adrian? — perguntou Foster — O que vai fazer nessa folga?
— Ver a minha pequena. — respondeu ele — Já faz um tempo e espero que a Mercedes esteja menos raivosa agora.
— Ah, depois do depósito que fez para ela… — comentou Freya, fechando os olhos — Que mulher não fica menos raivosa quando lhe dão grana?!
— Você ainda gosta dela, não é? — perguntou Bridget.
— Sim, e espero que um dia ela posso me perdoar e entender o meu lado. — respondeu ele, com o coração dolorido.
Adrian era um bom pai, porém em dois anos de relacionamento não conseguiu ser um bom marido. E o sentimento de que poderia ter feito mais para não perder a ex-esposa lhe consumia por dentro, e a saudade que tinha da filha pesava bem mais em toda a situação atual. Mercedes ainda se sentia magoada pelo término da relação, por sentir que a cada dia era menos amada por ele e que seu trabalho como policial vinha em primeiro lugar.
— Você está bem? — perguntou %Matthew%, ao perceber o amigo com um olhar distante e triste.
— Sim, estou… — ele respirou fundo — Estou ansioso para passar esta semana com minha pequenina.
— Isso é o que importa, Adrian. — disse Foster, para confortá-lo — Sua filha.
— Sei que foi difícil entender que a família vem em primeiro lugar, mas agora eu sei o que devo ou não fazer. — assegurou ele — Serei um bom pai para a Helena.
— Não temos dúvidas disso. — Foster sorriu para ele.
— E quanto ao nosso casal do ano? O que farão nesse tempo? — indagou Tim, curioso.
— Casal do ano? — Foster o olhou surpresa — De onde tiraram isso?
— Ah, por favor, não vão negar, né? — Freya entrou no assunto, erguendo a cabeça para olhar a amiga — Vocês dois são tão óbvios…
%Matthew% manteve a serenidade no olhar, enquanto a amiga se encolheu envergonhada pelo comentário. Não era um segredo a forte amizade de ambos, menos ainda os sentimentos dela por ele, entretanto Collins tinha um lado indeciso que não o deixava se abrir para novos sentimentos com ela, mesmo sentindo-se atraído por ela. Talvez pelo medo de perder a melhor amiga e magoá-la, ou por não saber se expressar da forma que ela esperava. No final, ele sempre pedia para ambos permanecerem como estavam, sendo amigos e em raros momentos ao a mais, sem compromissos.
— Terão a casa só para vocês. — comentou Tim, segurando o riso.
— Pare de pensar besteiras, criança. — Foster o repreendeu.
— Até você, chefa? — ele fez uma careta, se chateando.
O que fez Adrian rir um pouco.
— Você pediu por isso. — disse Collins, ao se levantar da cadeira em que sentou — Vou para o meu quarto, preciso descansar.
O líder do grupo seguiu para as escadas, se espreguiçando pelo caminho. Seu corpo dolorido, sua mente cansada e muitos pensamentos na cabeça, antes de descansar ele tinha um relatório para redigir e breve explicações para dar ao capitão. Inicialmente a prisão seria feita na casa de Riina, porém na percepção do detetive teriam mais sucesso o prendendo no seu habitat natural: a casa de jogos.
Entrando no quarto, ele caminhou diretamente para a escrivaninha e ligou o notebook. Retirando o celular do bolso, conferiu algumas mensagens do capitão confirmando a semana de folga para os demais integrantes da equipe, e uma reunião com ele e Foster na manhã seguinte. Ele deixou o celular em cima da cama e, retirando a camisa, seguiu para o banheiro. Uma ducha quente para relaxar o corpo, ele retornou ao quarto com a toalha enrolada na cintura não se importando de se vestir, sentou na cadeira, abriu documento do word começou a digitar seu relatório.
— Toc, toc. — disse Foster, do lado de fora ao bater na porta.
— Pode entrar. — disse ele, concentrado na tela do notebook.
— Não disse que ia descansar? — questionou ela, entrando e fechando a porta — Por que será que eu já imaginava que estivesse fazendo isso?
— Você realmente é um viciado em trabalho. — comentou ela.
— Nossa equipe é formada apenas por viciados. — confirmou ele, rindo baixo — Cada um com seu ponto fraco, o seu é a Netflix… Já terminou a última temporada de Grey’s Anatomy?
— Não venha me colocar contra parede, não sou a única que ama séries. — alegou ela, em sua defesa cruzando os braços e indo até ele — Mas sim, já terminei e agora estou vendo Good Doctor.
— Tem certeza que está na profissão correta? — perguntou ele, enrugando a testa, tentando entender como ela gostava tanto de séries médicas.
— Tenho sim. — assentiu ela.
— Não me parece. — ele riu — Você não gosta de CSI, mas não vê problemas em assistir médicos morrendo.
— Pare de recriminar minhas séries. — reclamou ela, emburrando a cara.
— Hum… — ele desviou sua atenção para ela — Você fica muito fofa brava.
— Pare de dizer isso, vou acreditar. — ela segurou o riso.
— Fico feliz quando você se solta mais e conversa com os outros. — comentou ele, a evolução dela.
— Você me ensinou a fazer amigos e confiar nas pessoa, muito obrigada. — ela sorriu de leve.
Ele se levantou da cadeira e a puxando para mais perto, lhe beijou audaciosamente sem pensar nas consequências que poderia acarretar ao coração da pobre detetive. E por achar que o azar jamais recairia sobre sua vida amorosa, Collins mantinha a passos lentos a possibilidade avançar com a amiga, pelo menos de forma oficial já que nos bastidores…
— %Matthew%… — sussurrou ela, ao retomar seu fôlego.
— O quê? — perguntou ele, intrigado.
— Você está apenas de toalha. — comentou ela, se envergonhando.
Ele apenas sorriu de canto e voltou a beijá-la. E a noite possivelmente renderia para ambos, como era de se imaginar.
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— Bom dia, a minha dupla imbatível. — disse o capitão Phill, ao aparecer no terraço de um prédio aleatório da cidade.
— Bom dia, capitão. — disse ambos em coral.
— Devo parabenizá-los pelo sucesso da missão. — confessou o homem, colocando as mãos nos bolsos da calça — Achei que levariam mais tempo para conseguirem as provas, e toda a agilidade só mostrou que este projeto é um sucesso.
— Agradecemos o reconhecimento, senhor. — disse Foster, já ansiosa pelo assunto que possivelmente seria tratado ali.
— A que se deve nossa presença aqui?! — %Matthew% foi direto ao ponto.
— Sempre assim, Collins, não dá um ponto sem nó. — Phil riu um pouco — Mas está certo, queria ter mais dez como você, filho.
— Então, senhor? — a mulher manteve o olhar fixo nele, esperando.
— Ao longo desses quatro anos de equipe, vocês já lidaram com diversos criminosos e gangues medíocres, mas tudo isso era um treinamento. — iniciou ele, o assunto sério.
— Treinamento? — Collins se viu confuso, para ele as missões eram reais demais para serem meros treinamentos.
— Sim, eu estava preparando vocês para algo maior, e sinto que estão prontos. — explicou melhor o capitão — Vocês já ouviram falar de Alfred Gambino?
— Sim, ele é um gangster que pensa que manda em metade de Chicago. — respondeu Foster, com as informações que tinha.
— Disse bem, ele pensa que manda, mas não manda. — confirmou Phill, respirando fundo — E não digo isso porque temos policiais competentes.
— Então é pelo quê? — indagou %Matthew%, se interessando pelo assunto.
— Gambino é um fantoche nas mãos de um grupo de mafiosos que se denominam
Titanium. — revelou ele.
— Titanium? Nunca ouvi falar. — Foster tentou puxar em sua memória sem sucesso.
— Eles são os maiores criminosos que já vi e controlam as principais cidades do país, de forma bem sutil e silenciosa, por isso não os conhece. — explicou Phill, mantendo a seriedade no tom de voz — É assim que eles trabalham, usam gangsters como o Gambino para serem o chamariz e controlam o crime das cidades onde se instalam, é assim que trabalham e se algo sai errado…
— Quem leva a culpa é o chamariz. — concluiu %Matthew% o raciocínio.
— Isso mesmo. — conformou o capitão.
— Então nosso alvo é o Gambino ou a Titanium? — indagou Foster, não entendendo bem a missão.
— O alvo de vocês, ou melhor, o alvo do detetive Collins é uma ladra. — respondeu o homem, se auto corrigindo na informação.
— Uma ladra? — Bridget tentou assimilar suas palavras — Espera, como assim somente o Collins? Eu e a equipe não vamos participar?
— Você e o restante ficarão focados em Gambino, ele é a ponta do Iceberg que precisamos associar a Titanium. — explicou Phil, sem detalhar muito e voltando a atenção para o homem ao lado dela — Já Collins ficará na linha de frente, a ladra que será seu alvo é %Valerie% Castaño, sobrinha de Franco Castaño, mais conhecido como Castellano.
— Acho que já ouvi esse nome, Castellano. — comentou %Matt%, o achando familiar — Por acaso, ele foi um chefe da máfia italiana que sofreu golpe dos amigos e teve a família dizimada?
— O próprio. — assentiu o capitão, voltando o olhar para o horizonte, suavizando mais as expressões em sua face — Seu irmão mais novo tinha se desligado da família por não querer participar da máfia, mas nem isso foi o bastante para que ele fosse poupado…
— E a única pessoa que restou foi a sobrinha, a tal ladra?! — Foster não estava gostando muito daquela história, pois seria sua primeira vez trabalhando em direção contrária à do amigo.
— Sim. Ela conseguiu escapar da chacina e com a família dizimada, ela acabou em um orfanato por um tempo, até que
Benedict Magnus o atual chefe da Titanium e amigo de infância de Castellano, soube do ocorrido e a adotou como filha. — continuou Phill, acrescentando a importância da mulher — Ele a treinou desde a infância para saber entrar e sair sem ser percebida, se infiltrar no meio das pessoas e pegar o que quer sem que percebam, ela é inteligente e impecável no que faz, não deixa rastros.
— Ela já matou alguém? — questionou Foster.
— Não sei dizer, mas ela é bem persuasiva, tenho certeza que conseguiria fazer isso sem sujar as mãos, o fato é que essa ladra é o centro de equilíbrio da Titanium, já que todas as informações e transações que eles fazem, primeiro passa por ela. — completou o capitão certos da importância da missão — Tirando ela da jogada, vamos desestruturar a Titanium e acabar com eles.
— E o que exatamente quer que eu faça, senhor? — perguntou %Matthew%, tentando absorver toda a informação e já traçar sua meta de comprimento.
— Uma confissão, precisamos que ela confesse seus crimes e assim a levaremos para prisão, sem ela para auxiliá-los em seus negócios, será mais fácil pegá-los a partir do Gambino. — terminou o capitão, fechando os detalhes — Quero que arrume suas coisas de imediato, sua passagem para Manhattan já foi comprada para esta noite, um informante te conseguiu uma vaga em uma competição de corredores, segundo ele, a própria %Valerie% está a procura de um novo motorista.
— Hoje já? — Foster tentou conter sua insegurança interna, sentindo-se irritada pelas condições no novo trabalho — Senhor, acabamos de completar uma missão!
— Sim, não há tempo a perder diante de uma oportunidade única de se infiltrar na Titanium. — ele manteve o olhar em Collins — E nada como o nosso melhor espião para fazer isso, e quanto a você detetive Foster, tire a semana de folga e estude um pouco mais sobre o
Gambino, seu trabalho e dos outros começa na próxima semana.
— Sim, senhor. — assentiu ela, engolindo seco.
— Alguma dúvida, Collins? — perguntou o capitão — Está em silêncio, não questionou.
— Está tudo certo senhor, em duas horas estarei pronto para a viagem. — assegurou ele, com clareza.
— Muito bem, você será encontrado pelo meu informante no aeroporto de Chicago, a senha é
Pink Panter. — informou Phill — E antes que eu me esqueça… Tenha cuidado, filho, muitos agentes já tentaram contra essas pessoas e acabaram se corrompendo por causa da persuasão da Castaño, mantenha o foco.
— Eu vou, senhor. — assegurou %Matthew%.
Assim que o capitão se afastou de ambos. Foster manteve-se em silêncio olhando para o horizonte com sua mente fervilhando de pensamentos negativos e inoportunos. Collins a conhecia como ninguém, após todos aqueles anos de amizade, e já imaginava o que estaria se passando em sua cabeça. Com leveza, ele a abraçou por trás, envolvendo seus braços em sua cintura.
— Não fique preocupada. — sussurrou ele, dando um beijo suave em seu pescoço.
— Como sabe que estou preocupada? — resmungou ela, tentando disfarçar sem sucesso.
Seu coração acelerou sentindo o calor do corpo dele.
— Minha maior qualidade é ser observador, lembra? — explicou ele — Eu te conheço muito bem, todos os seus olhares e seu quando está preocupada.
— Essa será a primeira vez que vamos trabalhar longe um do outro. — alegou ela — Confesso que não gostei disso, não gostei de saber sobre essa ladra e…
— Ei, calma. — ele a virou para ficarem de frente um para o outro — Você sempre será minha melhor amiga, e nada vai mudar isso.
Melhor amiga… Essas palavras martelaram na mente dela. Era visível que Foster desejava ser bem mais que isso.
— Eu sei… — ela forçou um sorriso — Posso te ajudar a arrumar as malas?
— Claro que pode. — ele riu.
— E já pensou em qual personagem vai ser? — indagou ela, mantendo o olhar suave para ele.
— Não terá personagem. — revelou ele, confiante em sua estratégia prévia — Eu irei conhecê-la em sua essência, serei seu motorista, então não terá nenhum disfarce comigo, acho que devo ser eu mesmo.
— Vai jogar com as mesmas cartas que ela? — supôs ela.
— Sim, será um duelo de titãs. — brincou ele, arrancando uma risada boba dela.
Como um criminoso disfarçado
Vou explodir como no jogo Trouble
- Butter / BTS