×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.



Time After Time


Escrita porPams
Revisada por Mariana

2 • Presente

Tempo estimado de leitura: 30 minutos

Portugal - Lisboa, atualmente

  Aquele deveria ter sido mais um dia tranquilo em minha vida. Mas claro que ser a %Annia% Sollary, filha de uma brasileira e um português, não era fácil. E trabalhar como arquiteta no escritório de design da prima do meu noivo, deixava tudo mais complicado. Não pelo meu relacionamento em si com Dimitri, mas pela família Tenebrae, a típica família portuguesa que amava se intrometer em nosso relacionamento. Mesmo não sendo convidados.
0
Comente!x

  Como um bom domingo e Dimitri viajava, resolvi dar uma caminhada pela cidade, primavera era encantadora em Lisboa. O frescor do dia, o perfume das flores pela cidade. Me desviei para o Amoreiras Shopping Center, após algumas compras triviais, resolvi voltar andando para casa. Passando alguns quarteirões, entrei em uma rua lateral aleatória, que estranhamente estava muito escura. Não liguei a primeiro momento, pois a noite já se mostrava com a lua crescente ao céu, continuei caminhando até tropeçar em uma caixa. Mas o que uma caixa estaria fazendo no meio da calçada? Foi a pergunta que me fiz. Olhei em volta e não vi absolutamente ninguém. Entretanto, uma luz que vinha de um bueiro localizado em um beco sem saída, entre dois prédios do outro lado da rua, me chamou a atenção.
0
Comente!x

  Aquilo me intrigou bastante e como eu não sou curiosa, atravessei a rua e caminhei até o bueiro. Quando cheguei mais perto, comecei a ouvir vozes. E repito, como não sou curiosa, levantei com muita cautela a tampa e desci pelo buraco através de uma escada que estava fixada na parede. Já caminhando pelo esgoto subterrâneo, meu estômago se embrulhou com o cheiro horrível. Após algumas voltas, encontrei uma porta estranha e suspeita, tinha traços de velho, afinal era de ferro e já possuía sinais de ferrugem. Eu abri com cuidado, visando não fazer barulho algum e entrando pé ante pé, vi vários homens engravatados de terno preto, enfileirados formando um círculo, no centro havia outro, ele estava com uma adaga na mão e à sua frente um gato branco com as patas pretas, amarrado sobre uma mesa de vidro.
0
Comente!x

  O homem ao centro falavam em uma língua estranha, mas deu para entender que pretendia matar o pobre animal. Na hora senti um aperto no coração, de repente me deu uma descarga de adrenalina, meu sangue ferveu e sem pensar em nada, corri até o gato e o peguei mais que depressa. Os homens olharam para mim sem reação e o líder, ainda com a adaga na mão, começou a me repreender, eu acho, não consegui entender uma palavra sequer. Mas algo me dizia que eu tinha que sair dali bem rápido e foi exatamente o que fiz, não sei como, mas consegui me desviar dos cinco homens do círculo, do líder da adaga e pior, dos dez capangas de azul marinho que apareceram de trás das pilhas de caixas que estavam ao lado da porta.
0
Comente!x

  Correndo pelos corredores mal cheirosos, o desespero foi tomando conta de mim, eu não conseguia me lembrar por onde havia entrado. Minha preocupação aumentou quando cheguei à uma queda d’água, eu sabia nadar, mas aquele gato que carregava com todo cuidado entre meus braços, com certeza não, além do mais ele parecia tão assustado que se mantinha agarrado ao meu braço. Segundos se passaram e em um piscar de olhos, senti uma mão me puxar e me direcionar para o leste. Segui a pessoa que me guiava segurando em minha mão, de forma ofegante e preocupada com o gato em meu colo.
0
Comente!x

  — Para onde está me levando? — perguntei preocupada.
0
Comente!x

  Quem era ele?
0
Comente!x

  — Para um lugar seguro. — respondeu a voz masculina da pessoa que me guiava.
0
Comente!x

  Eu não imaginava, que coincidências existiam, até que saímos em um bueiro próximo ao prédio do meu apartamento.
0
Comente!x

  — Não deveria se envolver em assuntos que não é seu. — o homem soltou minha mão e me olhou.
0
Comente!x

  Reconheci seu rosto, era %Cedric% Baker, o vizinho que havia se mudado há duas semanas. Me lembro do comentário do zelador Clóvis sobre ele ter levado aparelhos estranhos para seu apartamento. Que era ao lado do meu.
0
Comente!x

  — Do que está falando? — perguntei em sussurro.
0
Comente!x

  — Vamos entrar. — ele olhou para o gato em meu braço por um momento — Este é meu, estava lá para salvá-lo.
0
Comente!x

  — Me desculpe por me intrometer, nem sei o porquê entrei naquele bueiro. — olhei para minhas roupas sujas e fedendo.
0
Comente!x

  Estraguei minhas botas da Chanel. Pensei comigo.
0
Comente!x

  — Posso pedir que cuide dele? — perguntou o vizinho, entrando no prédio.
0
Comente!x

  — Pensei que o quisesse de volta. — retruquei entrando atrás dele — E como vai ficar aqueles homens? Por que queriam matar seu gato?
0
Comente!x

  — Muitas perguntas para quem não precisa de respostas. — ele se desviou o elevador e subiu as escadas.
0
Comente!x

  — Como não? Eu salvei seu gato. — o confrontei.
0
Comente!x

  — E eu salvei você sem necessidade. — ele parou no degrau me olhou — Não deveria ter entrado nisso, mas agradeço pelo que fez ao Alexandre.
0
Comente!x

  — Seu gato se chama Alexandre? — o olhei impressionada.
0
Comente!x

  — Sim. — ele se virou e continuou subindo.
0
Comente!x

  — Estamos em segurança agora? — indaguei.
0
Comente!x

  — Por enquanto. — sussurrou ele num tom em que eu pudesse ouvir.
0
Comente!x

  Assim que entrei no meu apartamento, acomodei o gato em cima do sofá e enrolei um xale que estava por ali, nele. Fui para meu quarto tomar um banho quente, meu corpo precisava e agradecia. Quando voltei para a sala, o gato havia sumido.
0
Comente!x

  — Como assim?! — eu disse para mim mesma sem entender — Será que ele voltou para casa? Vizinho abusado.
0
Comente!x

  Soltei um suspiro cansado sentindo dores musculares, me deitei para dormir. Mesmo desejando um bom sonho, talvez não seria tão bom assim.
0
Comente!x

- x -

  Eu não deveria observá-la, mas aquela vizinha enxerida tinha despertado uma curiosidade intrigante em mim. Não deveria ter se envolvido em meu resgate, mas fazendo, eu tinha que garantir sua proteção agora. Mais ainda, tinha que garantir que ela não descobrisse nada, principalmente sobre meus experimentos com o tempo.
0
Comente!x

  No relógio batia seis da manhã, e %Annia% se arrastou até a cozinha para preparar seu café. Um semblante calmo, aqueles olhos profundos sendo escondidos pela franja combinava com seus cabelos volumosos e sua pele que reluzia ao brilho do sol. Após o desjejum, %Annia% foi para o quarto se arrumar. Acho que temos um problema, porque ela demorou apenas 10 minutos e geralmente as mulheres demoram mais. Isso sim é intrigante. Quando ela saiu do prédio, um táxi já a esperava na porta. A segui de moto até seu trabalho, me posicionei em um local estratégico no prédio em frente, de onde a observei se locomover em seu escritório cheio de folhas, revistas, réguas, livros e um computador.
0
Comente!x

  — Você trabalha. — sussurrei ao admirar como ela não parava nem mesmo para se alimentar direito.
0
Comente!x

  Logo à noite antes do final do expediente, vi ela recebendo uma ligação. Fiquei curioso para saber quem poderia ser. Segui de longe sua volta para casa, ela parecia gostar de caminhar pela cidade, notei que parecia seguir para um endereço específico. Foi neste momento que, retribuí o que ela havia feito por meu gato. %Annia% parou por um momento em uma rua pouco movimentada, quando foi atravessar para entrar em um sebo, um carro apareceu em alta velocidade. Ela ficou estática. Segui com a moto até ela, parando bruscamente a puxei para mim e segurando em sua cintura, fiz o que não deveria. Salvei sua vida, colocando meu segredo em foco. Apertei o primeiro botão do meu relógio de bolso, nos transportando para o seu apartamento.
0
Comente!x

- x -

  — Como você fez aquilo?! — perguntei em surto olhando para as paredes da sala do meu apartamento — Como viemos para aqui? — disse, andando de um lado para outro — Eu estava prestes a ser atropelada e de repente, você aparece e eu estou no meu apartamento, o que está acontecendo? — parando por um momento, eu o olhei — Quem é você? Estou ficando louca! E tudo começou com um gato.
0
Comente!x

  Me mantive em silêncio a princípio, depois tirei meu relógio do bolso e a mostrei.
0
Comente!x

  — Foi isso. — explicou ele a mim, com naturalidade — Sei que é uma loucura, mas este instrumento é capaz de me fazer desdobrar espaços e me transportar para outros lugares.
0
Comente!x

  — O quê? — sussurrei ainda mais desnorteada.
0
Comente!x

  — Sei que é complexo entender no início, mas foi o que fiz para te salvar. — continuou ele — Os homens que tentaram te atropelar, estão atrás de uma coisa que me pertence, e que em mãos erradas por atrapalhar todo curso da história.
0
Comente!x

  — E o que seria? Uma máquina do tempo? — disse contendo o sarcasmo.
0
Comente!x

  Porém, seu silêncio denunciava que não era brincadeira. Aquilo tudo me deixava assustada e perplexa, me sentei no sofá abraçada em minhas pernas. %Cedric% caminhou até minha cozinha e agindo como se fôssemos íntimos, esquentou água na chaleira e me serviu um chá de camomila. Minha reação foi ficar em silêncio e mostrar em meu olhar que precisava ficar sozinha. E ele entendeu ao se retirar.
0
Comente!x

  Passei a noite em claro no sofá, olhando a parede e digerindo toda aquela informação maluca. Na manhã seguinte, assim que o sol entrou pela janela, ouvi batidas na porta que me despertaram o devaneio.
0
Comente!x

  — Dimitri. — sussurrei, um pouco surpresa por vê-lo ali tão cedo.
0
Comente!x

  — Não está feliz em me ver? — perguntou ele.
0
Comente!x

  — Claro que estou. — dei um selinho nele disfarçando meu estado mental e abri mais a porta para que entrasse — É que voltou tão rápido de Coimbra, achei que fosse ficar até sexta.
0
Comente!x

  — Eu também achei, mas foi algo rápido e conseguimos fechar mais uma parceria para a vinícola. — ele sorriu ao me observar — Está tudo bem?
0
Comente!x

  — Sim. — assenti forçando um sorriso — Que um café na varanda?
0
Comente!x

  Mudei o assunto, mencionando nossa cafeteria favorita.
0
Comente!x

  — Claro, é sempre bom tomar café com minha noiva. — ele se aproximou de mim e me deu um beijo de leve — Está pronta?
0
Comente!x

  — Preciso me trocar, só um minuto. — pedi.
0
Comente!x

  Corri para o quarto e tomei uma ducha rápida. Vesti um vestido azul marinho que combinava bem com uma sandália preta de salto. O olhar de encanto de Dimitri era visível.
0
Comente!x

  — Você está linda! — disse ele.
0
Comente!x

  — Obrigada. — sorri de leve.
0
Comente!x

  Após nosso saboroso café no Frescor da Varanda, Dimitri me levou para o trabalho. Na metade da tarde, senti minha cabeça explodindo de dor, não tive outra solução a não ser voltar para casa e pedir para passar o resto da semana trabalhando home office. Assim que entrei no meu apartamento, joguei minha bolsa no sofá e segui para o quarto enquanto tirava as sandálias dos pés. Quando olhei em direção à sacada do quarto, lá estava o gato Alexandre me olhando.
0
Comente!x

  — Resolveu aparecer, bichano. — terminei de vestir a blusa e me aproximei dele.
0
Comente!x

  Me abaixei o afagando um pouco, com ele passando sua calda em mim. Logo, o gato se afastou bruscamente e pulou para sacada ao lado, do apartamento de %Cedric%. O olhei sem entender.
0
Comente!x

  — Eu não vou pular aí, se é o que está esperando. — avisei.
0
Comente!x

  Claro que não pularia. Claro… Até que me dei conta, já estava em cima do beiral, esticando o corpo e passando para o outro lado. Eu não tinha mesmo jeito, e sempre era pega por minha curiosidade.
0
Comente!x

  — Gato maluco… Eu não posso invadir a casa do seu dono. — reclamei quase sussurrando.
0
Comente!x

  O apartamento de %Cedric% era definitivamente mais organizado que o meu. E pela falta de móveis, mais espaçoso também. Adentrei um pouco mais, até que peguei Alexandre no copo e reparei uma escrita diferente em sua coleira. Fiz careta tentando ler o que tava escrito, até que uma luz se acendeu de repente revelando uma pequena máquina apoiada em cima de uma mesa de madeira. Deixei Alexandre no chão e caminhei até a máquina, passando meu olhar por ela superficialmente, percebi uma coisa brilhosa. Remexi alguns fios e encontrei uma pulseira, tinha um pingente parecido com o da coleira de Alexandre.
0
Comente!x

  — O que é isso. — sussurrei analisando.
0
Comente!x

  A pulseira tinha um botão, parecido com o do relógio de %Cedric%. Não deveria sair apertando coisas das quais não conheço, mas meu dedo foi mais rápido que minha prudência. Tudo girou em minha volta, me deixando assustada de novo, senti falta de ar por um tempo até que tudo voltou ao normal e me deparei diante de uma escultura gigante.
0
Comente!x

  — Onde estou? — sussurrei me segurando para não surtar.
0
Comente!x

  Logo ouvi algumas vozes se aproximando de mim. Me abaixei e escondi atrás da estátua. Observei dois homens que passavam em gargalhadas, falando sobre mulheres e suas curvas atraentes. Um assunto tão nojento que me deu vontade de vomitar. Era estranho conseguir entender o que diziam, mas ainda assim notei pelo linguajar que não representava o século XXI. Onde eu estava? O que essa pulseira fez? Voltei meu olhar para o objeto em minha mão.
0
Comente!x

  — Interessante. — disse uma voz masculina surgindo ao meu lado, logo uma mão tocou em meu cabelo.
0
Comente!x

  Senti um calafrio na espinha, sensação de medo e terror. Virei meu corpo devagar e me vi diante de um homem alto e aparentemente forte.
0
Comente!x

  — Nunca a vi no palácio. — o homem manteve sua mão tocando meu rosto — Sua beleza é incomum.
0
Comente!x

  — Majestade. — a voz que eu conhecia, de %Cedric% veio atrás de mim.
0
Comente!x

  — %Cedric%, olha o que encontrei. — o homem me virou para que %Cedric% visse meu rosto — Ela não é linda?!
0
Comente!x

  Seu olhar surpreso em me ver era visível. %Cedric% engoliu seco, certamente se pudesse, me perguntaria o que eu estava fazendo ali.
0
Comente!x

  — Quem é você, e como entrou no jardim de vossa majestade? — perguntou %Cedric% fingindo não me conhecer.
0
Comente!x

  — Perdoe-me, senhor, eu me perdi. — mantive minha voz baixa.
0
Comente!x

  — Isso é bom, pois agora eu a encontrei. — o rei me voltou para ele — E declaro que você será minha.
0
Comente!x

  — Majestade, não sabemos quem é ela, pode ser uma espiã do exército inimigo. — retrucou %Cedric% — Sabemos que seu tio tinha muitos seguidores.
0
Comente!x

  — Então. — o rei segurou em meu braço e me jogou para cima dele — Se encarrega de descobrir quem é ela, depois deixe-a em minha cama.
0
Comente!x

  Engoli seco sem saber o que fazer.
0
Comente!x

  — Eu disse para não se envolver nos assuntos alheios. — sussurrou ele ao me segurar pelo braço — Entra no personagem que eu vou te levar daqui.
0
Comente!x

  Assenti e mantive meu olhar de medo e apavoramento. Descemos pelas inúmeras escadarias do palácio de Alexandria, quanto mais %Cedric% me contava sobre onde estávamos, mais eu surtava. Como era possível estar no Egito em 323 a. C. Era surreal demais para mim.
0
Comente!x

  — Acho que vou levar isso como se fosse um sonho comum. — sussurrei ao entrarmos na sala em que ele usava para interrogar inimigos.
0
Comente!x

  — Se isso te deixar menos nervosa, leve como quiser. — ele permaneceu sério, porém mantendo tranquilidade no olhar.
0
Comente!x

  — Esse lugar é arrepiante. — disse me encolhendo um pouco.
0
Comente!x

  — Vou te tirar daqui. — ele estendeu a mão.
0
Comente!x

  — Para onde vai me levar? — perguntei com receio — Não vai se encrencar por minha causa, vai?
0
Comente!x

  — Se isso é um sonho, não tem por que ter medo. —insistiu ele — Meus dias em Alexandria estão contados assim como os de Alexandre na história.
0
Comente!x

  — Alexandre? Alexandre, o grande? — por essa eu não esperava.
0
Comente!x

  — Quando eu disse Faraó, estava me referindo a ele. — ele riu — Não conhece nada sobre isso não é?
0
Comente!x

  — Eu gosto de história, mas sempre fiquei a arquitetura da época e não no contexto histórico em si.
0
Comente!x

  Ele segurou em minha mão e apertando o botão do meu relógio, nos transportou para o meio do deserto. De tarde, demos um salto na hora, o que me fez olhar as estrelas do céu deslumbrada.
0
Comente!x

  — Está bem frio. — sussurrei ao sentir a brisa gelada tocar minha pele.
0
Comente!x

  — Tome isso. — disse ele ao retirar a capa do ombro e me cobrir.
0
Comente!x

  — Obrigada — sussurrei.
0
Comente!x

  — Preciso que volte pra sua casa. — disse %Cedric% com um olhar preocupado — Não quero que se envolva mais nisso.
0
Comente!x

  — Mas…
0
Comente!x

  — Por favor. — ele me interrompeu — Não volte.
0
Comente!x

  Assenti contrariada. Assim que voltei ao apartamento de %Cedric%, me deparei com meu corpo no chão frio. Me levantei e lá estava seu gato parado diante de mim, como se me aguardasse retornar de minha louca aventura. A semana passou com rapidez, logo na terça retornei ao meu trabalho. Ainda que me forçasse a manter o foco, não conseguia deixa de pensar em %Cedric% e na confusão me arrumei para ele resolver. Contava uma semana que ele não aparecia e eu alimentava seu gato.
0
Comente!x

  — Não acredito. — sussurrei voltando meu olhar para a tela do computador — Para de pensar nele.
0
Comente!x

  — Oi, bom dia! — disse Louise, minha chefe e prima de Dimitri ao entrar na minha sala.
0
Comente!x

  — Bom dia. — a cumprimentei dando um sorriso simples.
0
Comente!x

  — Tudo bem?
0
Comente!x

  — Sim, tudo. Senta.
0
Comente!x

  — Então, como foi a entrega da galeria? Me disseram que trabalhou de casa semana passada. — iniciou ela.
0
Comente!x

  — Não estava muito bem, mas a galeria...
0
Comente!x

  — A galeria, no sábado.
0
Comente!x

  — Ah, a galeria, foi um sucesso, os donos adoraram.
0
Comente!x

  — Que bom, é por isso que você é a minha melhor arquiteta — Louise percebeu que minha atenção estava longe, ela voltou seu olhar para janela e viu o gato lá sentado — Que gatinho mais fofo — ela levantou e pegando-o no colo, perguntou — Desde quando tem um gato?
0
Comente!x

  — Não é meu. — respondi — É do meu vizinho, estou cuidando enquanto sai de férias.
0
Comente!x

  — Hum… Sempre achei que tivesse alergia. — observou ela.
0
Comente!x

  — Tenho a cachorros, mas sobrevivo com os gatos. — expliquei.
0
Comente!x

  — Qual o nome dele?!
0
Comente!x

  — Alexandre, o nome do gato é Alexandre.
0
Comente!x

  — Nossa que excêntrico — Louise riu — Achou que tivesse perguntando o nome do vizinho?
0
Comente!x

  Ela soltou uma gargalhada exagerada.
0
Comente!x

  — Então, tem mais trabalho para mim? — perguntei mudando de assunto, o que eu menos queria era Louise chegando o assunto no meu noivado com seu primo.
0
Comente!x

  — Hum, não. Você sabe que prefiro lhe passar trabalhos mais complexos, mais rentáveis e que exigem mais tempo. De acordo com a Genevieve, os que chegaram são bem simples.
0
Comente!x

  — Não me importo, desde que me mantenha ocupada.
0
Comente!x

  — Se eu te ocupar ainda mais, meu primo me mata — e olhando carinhosamente para o gato — Posso ficar com ele, até o final do expediente?
0
Comente!x

  — Claro.
0
Comente!x

  Louise saiu da sala com o gato em seus braços. Logo à noite, em meu apartamento, fiquei vendo um filme aleatório na Amazon pelo notebook. Até que Dimitri me ligou.
0
Comente!x

  — Dimitri?
0
Comente!x

  — Oi amor! Como foi o seu dia?
0
Comente!x

  — Tranquilo, os clientes adoraram a galeria.
0
Comente!x

  — Louise me contou e disse que você tem tempo agora.
0
Comente!x

  — Ela disse é. — e respirando fundo — Que legal.
0
Comente!x

  — Que tal eu dormir aí esta noite?
0
Comente!x

  — Não acho adequado.
0
Comente!x

  — Tem certeza? — insistiu ele, com malícia.
0
Comente!x

  — Sim.
0
Comente!x

  — Quem sabe depois do casamento, minha linda noiva tenha mais tempo pra mim, afinal são cinco anos de espera.
0
Comente!x

  — É, quem sabe... boa noite.
0
Comente!x

  — Já estava indo dormir?
0
Comente!x

  — Sim.
0
Comente!x

  — Boa noite, então.
0
Comente!x

  — Boa noite.
0
Comente!x

  Desligando o celular, suspirei fraco e voltei minha atenção para a pulseira que mantinha na mesa de cabeceira. Imaginando se deveria ou não colocar ela no pulso e voltar para saber o que aconteceu com %Cedric%. Peguei o objeto e coloquei no meu pulso, dando um suspiro forte apertei o botão e fechei os olhos, pensando nele.
0
Comente!x

  Assim que os abri, uma biblioteca se colocou diante de mim. Sua arquitetura clássica lembrava os templos gregos, porém continha traços egípcios em sua mistura. Fiquei deslumbrada com todo aquele lugar monumental, comecei a caminhar por entre os corredores, alisando as prateleiras de madeira maciça cheios de livros, pergaminhos e papiros espalhados. Fui seguindo pelo lugar até encontrar um espaço reservado com sofás, como uma sala de leitura. %Cedric% estava sentado em uma cadeira concentrado em na leitura do papiro em sua mão.
0
Comente!x

  — Que lugar é esse? — perguntei, ao me aproximar dele.
0
Comente!x

  %Cedric% enrolou o papiro e voltou seu olhar para mim.
0
Comente!x

  — O que faz aqui? — ele parecia preocupado.
0
Comente!x

  — Você não voltou, fiquei preocupada. — cruzei os braços — Sei que sua vida não é da minha conta, não sei nada sobre essa coisa de viagens no tempo nem o motivo de fazer isso, mas fiquei preocupada.
0
Comente!x

  Ele disfarçou um sorriso de canto, mas depois voltou a ficar sério.
0
Comente!x

  — Deveria estar preocupada com seu casamento. — retrucou ele.
0
Comente!x

  — Como saber sobre isso?
0
Comente!x

  — O zelador mencionou no dia da minha mudança. — explicou ele.
0
Comente!x

  — O seu Clóvis adora fofocar da vida alheia. — suspirei fraco, voltei meu olhar para a escultura ao seu lado — Não me respondeu. Onde estamos agora?
0
Comente!x

  — Não reconhece? — ele respondeu com outra pergunta.
0
Comente!x

  — Não.
0
Comente!x

  — Você estudou sobre isso na faculdade.
0
Comente!x

  — Que é uma biblioteca já entendi. — afirmei.
0
Comente!x

  — Sim, esta é a Biblioteca de Alexandria.
0
Comente!x

  — Mas ela não foi queimada?
0
Comente!x

  — Não até o momento. — ele se levantou e ficou frente a mim — Não deveria mesmo ter vindo.
0
Comente!x

  — Já disse que…
0
Comente!x

  — Ficou preocupada. — completou ele — Você nem me conhece direito.
0
Comente!x

  — Mas te fiz ficar encrencado por minha causa. — expliquei — Não me impede de ficar preocupada.
0
Comente!x

  — Seu noivo tem sorte. — %Cedric% ergueu a mão direita e tocou minha face com suavidade — De ter você.
0
Comente!x

  Senti um frio na barriga, seguido de um pulsar forte no coração.
0
Comente!x

  — Então é assim que se livrou da espiã. — a voz de Alexandre — Sabia que tinha mentido.
0
Comente!x

  — Majestade. — %Cedric% se colocou em minha frente — Não é o que está pensando.
0
Comente!x

  — Acha que pode mesmo vir do oriente, ficar em meu palácio, comer da minha mesa e ainda ficar com o que é meu? — o olhar de Alexandre para mim estava intenso e raivoso.
0
Comente!x

  — Se está falando de mim, não sou sua propriedade… — tentei me defender daquele machismo ridículo de rei, mas %Cedric% me afastou mais ainda.
0
Comente!x

  — Sai daqui agora. — seu olhar ficou mais preocupado ainda.
0
Comente!x

  — Por que não vem junto? — perguntei, vendo de longe Alexandre retirar a espada da bainha para nos atacar.
0
Comente!x

  — Ainda não posso, me desculpe, agora vai. — ele se afastou de mim e pegando sua espada, começou a cruzar lâminas.
0
Comente!x

  Eu vi alguns guardas entrarem e no momento em que se moveram para vir atrás de mim, comecei a correr por entre as estantes de livros. Quando me senti longe o suficiente, apertei o botão para voltar para casa. Ao abrir os olhos, soltei um suspiro forte voltando meu fôlego, estava em estado de adrenalina ainda.
0
Comente!x

  — O que foi isso. — sussurrei voltando meu olhar para a pulseira — Não posso deixá-lo lá.
0
Comente!x

  Mas também não podia voltar novamente, não naquele momento.
0
Comente!x

  Foi difícil levar o dia seguinte de forma normal. Quanto mais me forçava a focar no projeto que tinha implorado para gerenciar, mais eu pensava em %Cedric%. Da forma como ele olhou para mim e de como tentou me proteger do rei maluco. Foi no meu momento de distração no espaço de convivência no terraço do prédio do escritório, que Dimitri apareceu de surpresa.
0
Comente!x

  — Oi Amor! — disse ele, se aproximando.
0
Comente!x

  — Oi. — dei um sorriso surpresa — O que está fazendo aqui?
0
Comente!x

  — Vim buscar você — ele sorriu de volta e me deu um selinho — Estava com saudade, não a vi direito desde que voltei da viagem.
0
Comente!x

  — Hum...
0
Comente!x

  — Não sei se soube, mas minha mãe ligou pra sua, ela queria saber aonde vai ser o casamento, aqui ou no Brasil, onde estão seus parentes.
0
Comente!x

  — Ah… — casamento.
0
Comente!x

  Era a última coisa que eu iria me preocupar no momento.
0
Comente!x

  — Está tudo bem?
0
Comente!x

  — Sim. — assenti, me levantando do sofá.
0
Comente!x

  — Com nós dois?! — reforçou ele.
0
Comente!x

  — Claro que sim, Dimitri. — sorri de leve.
0
Comente!x

  Será que estava mesmo?
0
Comente!x

  — Quer que eu te leve pra sua — sugeriu ele colocando as mãos na minha cintura — ou pra minha casa?
0
Comente!x

  — Que tal, eu ir pra minha e você pra sua casa? — retruquei.
0
Comente!x

  Ele tentou conter seu olhar decepcionado.
0
Comente!x

  — Não é uma ideia muito favorável, mas se é assim que você quer. — ele forçou um sorriso — Fico triste por não passar tanto tempo com você, nosso casamento é no próximo mês.
0
Comente!x

  — Me desculpe a falta de reciprocidade, mas estou com algumas coisas na minha cabeça que…
0
Comente!x

  — Ok, eu sei, não vou te cobrar nada, conheço você, sei que é assim. — seu olhar ficou singelo.
0
Comente!x

  Antes de namorado, noivo, Dimitri sempre foi um amigo muito compreensivo que consegui em meio às festas de calouros da Universidade de Coimbra. Dimitri me levou em casa, nos despedimos rapidamente e entrei em casa. Minha cabeça fervia de dor, se era efeitos colaterais dessas viagens malucas eu não sabia, mas precisava de analgésicos e uma noite de sono. Foi o que fiz. Na manhã seguinte mandei uma mensagem ao escritório, trabalharia home office. Louise me mandou uma mensagem perguntando se eu estava bem. Respondi de forma positiva e me levantei da cama.
0
Comente!x

  Troquei de roupa e saí para dar uma caminhada. Não me contive em manter a pulseira no meu pulso, talvez eu devesse mesmo seguir seu pedido e nunca mais apertar aquele botão. Chegando à rua, andei por alguns quarteirões de forma aleatória e sem direção certa. De repente comecei a ter uma sensação estranha de estar sendo seguida, o que se confirmou assim que peguei o celular e liguei a câmera frontal despistando, e avistei três homens atrás de mim. Apertei o passo a primeiro momento e depois comecei a correr, logicamente sendo seguida por eles. Alguns quarteirões à frente, avistei um armazém abandonado, onde entrei de forma desesperada. Dentro havia centenas de caixas e passando por algumas, me escondi entre elas.
0
Comente!x

  Assim que ouvi o barulho da porta enferrujada se abrindo, a única coisa que me passou pela cabeça foi o que não podia fazer.
0
Comente!x

  Apertei o botão da pulseira novamente.
0
Comente!x

Meu dia está cheio de você depois de conhecer você
Vendo você ou sentindo sua falta
Meus pensamentos são muito para você, eu não sei o que fazer
O que eu vou fazer comigo mesmo?
Você tem que algo que eu preciso.
- Seeing You Or Missing You / Lunafly

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Todos os comentários (0)
×

Comentários

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x