Capítulo 9
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A Toca – 15 de maio de 2000 – Casamento de Harry e Gina
Ponto de vista: George.
Ajudei papai, Bill, Charlie, Ron e Percy a erguer a tenda ao lado da casa, mesas redondas e toalhas de seda voavam sozinhas de um lado para o outro se organizando de maneira ordenada, arranjos de flores voavam sozinhos decorando o corredor por onde minha irmã mais nova entraria com o patriarca Weasley para o altar.
O clima de festa era leve e divertido.
Faziam dois anos que Fred se foi, dois anos que eu não sabia o que era felicidade plena, que eu não sabia o que era chorar de rir e nem o que era amor de verdade.
Minha mãe disse que eu devia encontrar uma namorada, Charlie diz que eu devia viajar um pouco e conhecer o mundo, Bill diz que o tempo cura tudo…
É difícil coincidir as coisas, principalmente quando se tem uma loja para administrar, fiz o convite para Ron e ele ficou especialmente empolgado em me ajudar. Ele só está esperando Hermione se estabilizar em seu novo emprego no ministério para se aposentar como auror. Ele já fez prisões o suficiente para saber que pode seguir a vida de outra maneira.
– E aí, grandão. – Ouvi e sorri antes mesmo de me virar, sabendo imediatamente de quem era aquela voz.
%Verônica% estava radiante, usava um vestido vermelho longo que estava preso por alças que cruzavam em suas costas, em seu pescoço a correntinha prateada de Fred brilhava. Seus cabelos estavam lisos, coisa que eu não me lembrava de ter visto alguma vez e a maquiagem em seu rosto destacava ainda mais o tom chocolate de seus olhos. %Vee% sempre era linda, mas naquele momento ela estava deslumbrante.
– Uau, %Vee%, você está gata! – As palavras fugiram da minha boca.
Ela soltou uma risada gostosa, daquelas que vem da garganta e abanou a mão como quem diz “pare com isso”.
– Você não está nada mal também – disse ela, se aproximando de mim e passando as mãos em meus ombros, indicando que minha roupa estava boa. Eu usava uma camisa social verde musgo com um colete xadrez por cima.
– Obrigado. – Dei meu melhor sorriso convencido e ela riu novamente.
– Seus cabelos... – Sua mão deslizou do meu ombro para minha nuca e seus dedos acariciaram meus cabelos que já estavam penteados e provavelmente ficariam bagunçados novamente.
Eu havia decidido deixar meus cabelos voltarem à coloração normal, já era tempo de voltar ao modo Weasley de fabricação, eu jamais deixaria de ver Fred no espelho refletido para mim, porém hoje já não doía tanto, era mais um sentimento de... homenagem? Algo parecido com isso.
%Verônica% ainda sorria enquanto afagava meus cabelos, mas eu conseguia ver em seus olhos um brilho extra de ternura e eu não consegui decifrar se era bom ou ruim, só sei que fechei os olhos sentindo seus dedos massageando meu couro cabeludo e quando dei por mim, minhas mãos já estavam em sua cintura, a puxando mais para perto. Suas mãos puxaram minha cabeça em sua direção e o momento se transformou em um abraço, rodeei sua cintura com os braços e a tirei do chão.
– Eu estava com saudades. – Sua voz saiu abafada e eu não sabia dizer se ela estava falando de mim ou do cabelo ruivo.
– Eu também estava, baixinha – respondi, inalando grande quantidade do seu perfume, seu cabelo cheirava a baunilha e menta e a minha boca chegou a salivar, de tão bom que o cheiro era.
Coloquei-a no chão sorrindo e segurei uma mecha do seu cabelo.
– Isso também é novo.
– Ah, sim, eu quis mudar um pouco, não é todo dia que temos um casamento como esse, não é? – perguntou ela, erguendo os ombros despretensiosamente.
– O casamento do grandioso Harry Potter, e saber que quem fisgou aquele coração foi a minha irmãzinha… Grande dia para os irmãos mais velhos encalhados, não é mesmo, Charlie?
Notei que Charlie observava todo o nosso momento íntimo da cozinha, segurando uma xícara que eu chutaria ser de chã de hortelã.
– Fale por você, Georginho – rebateu Charlie, rindo. – Como vai, %Verônica%?
– Vou bem, Charles. E você?
– Ótimo – disse ele, tomando um longo e demorado gole da sua bebida. – Como estão as coisas lá em Hogwarts? – perguntou ele, enquanto %Vee% seguia até ele para lhe cumprimentar direito.
– Tudo ótimo, e os dragões?
– Perfeitos. Você está linda.
Percebi as bochechas de %Vee% corando e ela sorriu.
– Obrigada meu bem, você também.
Os preparativos estavam prontos e os convidados estavam chegando, alguns aparatavam, outros chegavam pela chaminé e eu corri para o quarto do noivo, já que era um dos padrinhos.
Rony estava com as orelhas vermelhas enquanto ajudava Harry com a gravata borboleta, o noivo tinha um ar exasperado e ansioso, os olhos brilhavam num tom verde absolutamente claro.
– Tudo certo por aqui?
– Sim, tirando o fato de Harry estar tendo um colapso nervoso – disse Ron, dando um sorriso tenso.
– Colapso nervoso? O cara que matou você-sabe-quem? – perguntei arqueando as sobrancelhas. – O cara que ganhou o torneio tribruxo? Invadiu o ministério da magia e nocauteou um trasgo?
Ron agradeceu com os olhos.
– Você falando assim, parece que fiz tudo sozinho – resmungou Harry, unindo as sobrancelhas.
No quarto, além de mim e Rony, estava Neville Longbottom.
– Mas estava sozinho quando pediu nossa irmã em casamento – falei, soltando uma risada que fez Neville rir também. – Agora está aí todo nervosinho.
– Ainda teve a cara de pau de nos convidar para sermos padrinhos. – Ron entrou na brincadeira. – Como se isso fosse relevar o fato de que você está roubando a nossa garotinha. – Fiz drama rolando os olhos para cima.
– É Harry, não tenho como te defender nessa – disse Neville sorrindo, batendo as mãos nos ombros de Harry.
Harry nos olhou pelo reflexo do espelho e soltou uma risada.
– Tá bem, tá bem. Vocês estão certos. Eu estou errado. – Suspirou. – Não devia ter convidado dois cunhados meus como padrinhos. Vocês estão fora. Neville, vai lá chamar o Dean e o Seamus.
O riso rolou solto, meu trabalho estava feito.
As madrinhas de Ginny eram Hermione, Luna e %Verônica%, e com certeza não estavam tendo que ter esse tipo de conversa com minha irmã, tendo em mente que Ginny sempre foi apaixonadinha por Harry, antes mesmo que ele a salvasse da câmara secreta, minha irmã caçula já vivia falando de Harry Potter pela casa, ficamos enjoados naquele verão em que Ron voltou de Hogwarts dizendo que seu melhor amigo era o grandioso Potter. Quem mais teve que aturar aquilo foi %Verônica%, que dormia no mesmo quarto que ela, mas %Vee% sempre foi boa com conversas de menina e tenho certeza que mesmo Ginny sendo três anos mais nova, elas compartilhavam segredos fieis de menina. Tanto que, depois de mim, o primeiro Weasley que soube que %Vee% e Fred estavam namorando, foi minha irmã. Elas eram grandes amigas e eu estava feliz pelo convite de %Vee% para ser madrinha.
Antes do início da cerimônia, os padrinhos se uniram para entrar, Rony deu o braço para Hermione, Neville deu o braço para Luna e dei meu braço para %Verônica% que estava especialmente radiante. Minha mãe veio até nós ligeiramente encabulada, chamou %Verônica% um pouco mais afastada e elas conversaram durante alguns minutos.
%Vee% voltou sorrindo, mas com os olhos marejados.
– O que houve? – perguntei preocupado.
Ela virou de costas, mostrando um laço xadrez vermelho e azul, que não combinava nem um pouco com o vestido que ela usava, prendendo uma mecha do seu cabelo para trás. Olhei o laço com mais atenção e percebi que não era um laço e sim uma gravata borboleta que foi transformada presilha.
– Sua mãe perguntou se eu não queria usar. – Para simbolizar Fred, minha mente terminou a frase.
– Ficou perfeito, %Vee%. – Eu sorri com sinceridade.
Ela se virou novamente para mim e vi que suas lágrimas estavam a ponto de escorrer e manchar sua maquiagem. Tirei o lenço dobrado no bolso do meu terno e entreguei a ela.
Eu sabia que minha mãe estava fazendo algo para preencher nossos corações em um momento tão especial, mas particularmente não achei justo ela usar %Verônica% para isso. A pobre estava sofrendo tanto quanto qualquer um, sei que %Vee% amou o presente e vai usar sempre, porém aquilo me soava um pouco… Não sei, como falta de empatia?
Entramos na tenda ao som de alguma música tocada por violinos encantados.
Quando chegamos ao pequeno altar, Rony beijou a mão de Hermione ao se separar conforme ensaiado. Neville fez o mesmo com Luna e eu fiz o mesmo com %Vee%.
Não sei dizer o porquê, mas minha boca ficou formigando durante toda a marcha nupcial, e esqueci disso quando vi %Verônica% enxugando as lágrimas vendo minha irmã entrando com seu lindo vestido de noiva acompanhada de papai.
Quem entrou com Harry foi Hagrid. A figura paterna mais próxima que ele tinha depois de meu próprio pai. Infelizmente o destino não tinha sido muito justo com Harry, mas agora éramos a sua família, assim como %Vee%. Sua avó havia sido convidada para o casamento, mas ela acabou tendo uma crise de convulsão, e foi internada em um hospital trouxa. %Verônica% confirmou que ela estava bem estável, mas estava muito fraca para vir ao casamento.
A cerimônia não foi longa, os votos foram muito bonitos e saímos logo depois dos noivos jogando arroz enfeitiçado que viravam bolinhas de sabão quando encostavam em algum lugar.
%Verônica% foi ao encontro de Angelina e Lee e eu fiquei ao lado de meus irmãos por um tempo.
– Como Fleur está? – perguntou Charlie a Bill quando me aproximei o suficiente. Meus olhos imediatamente desviaram para Fleur, que estava com um vestido verde clarinho esvoaçante, ela acariciava sua barriga de grávida com suavidade enquanto conversava com Hermione, Rony e minha mãe.
– Ela está bem, está muito feliz. Acha que vai ser menina.
– Mamãe vai pirar se for menina – falei sorrindo e ele concordou animado.
– Vai sim, ainda mais agora que Ginny vai sair de casa de vez – concordou Bill.
– E a mamãe já esqueceu um pouco aquele preconceito besta com ela? Ou ela ainda dá um chilique ou outro? – perguntou Charlie realmente interessado, já que nossa mãe não era realmente uma grande entusiasta de Fleur.
– Depois da batalha ela pareceu finalmente entender que seria para durar. Mesmo com o casamento, ela ainda tinha uma certa relutância, ela não falava nada, mas dava para sentir, sabe?
– Ela só estava sendo superprotetora… Deve ter pegado ela de jeito ver que o filhinho estava crescendo – Charlie tentou defender.
– É, bom, ela não teve essa reação com %Verônica% ou Hermione – disse Bill meio relutante.
– É porque elas cresceram aqui – tentei defender minha amiga. – Fleur veio de fora, sabe?
– Vocês estão mesmo defendendo a mamãe? – perguntou Bill, rindo.
– Não é isso, é que você é feio e a Fleur é… Bom, a Fleur, acho que foi um choque para todo mundo – falei dando uma risada que o fez rir junto e Charlie acompanhou.
– Nem mesmo Molly Weasley acreditou que aquilo era possível – disse Charlie divertido.
– Mas e você, G? – perguntou Bill quando os risos cessaram.
– Eu o quê? – perguntei, unindo as sobrancelhas.
– Quando vai trazer outra namorada para cá?
– É sério que vocês estão fazendo o papel da tia-avó Nancy?
Charlie e Bill riram se entreolhando.
– Só queremos saber como você está, Georginho – disse Charlie erguendo os ombros.
– Eu estou ótimo, mas não estou muito preocupado com isso no momento. Acho que Charlie está há mais tempo do que eu sem namorada, não acham?
Charlie deu uma risada novamente.
– Não fique tão na defensiva, maninho. Eu sou um espírito livre. Você não.
– Eu não sou um espírito livre? – perguntei incrédulo sem entender muito bem o que aqueles dois idiotas queriam dizer, e, principalmente, por que eles riam tanto de mim?
– Não, e não se preocupe, eu também não sou – disse Bill, erguendo a mão e mostrando seu dedo com a aliança de casamento. – Somos serem dependentes. Você tinha Fred, agora tem a %Verônica%.
– %Verônica% sempre esteve ali – rebati rápido.
– Mas não desse jeito – adicionou Charlie e eu o olhei com as sobrancelhas unidas.
– Vocês estão querendo dizer algo?
– Não, é claro que não. Só estamos preocupados – disse Bill, erguendo as mãos em sinal de paz.
– Preocupados com o quê?
– Com o tempo que vai levar – disse Charlie, segurando o riso e Bill sorriu junto passando a mão nos cabelos.
– Para quê?! – Se eu quisesse conversar sem entender nada, tinha ido falar com Luna Lovegood.
– Para você perceber – disse Bill e ergueu o olhar para sua esposa, que abanava na sua direção, chamando-o.
– Por Merlin, perceber o que?? – perguntei, mas quando olhei para o lado, Charlie já não estava mais ali também.
Sentei-me à uma mesa onde estavam alguns ex-alunos de Hogwarts, a grande maioria grifinórios, por motivos óbvios. Conversei com Dean e Seamus, as gêmeas Patil, Luna e Neville.
Mas saí dali assim que percebi como eles conversavam comigo com pesar, com medo de fazer uma piada ou falar algo que fosse me magoar, por conta de Fred.
Vi Angelina conversando com Oliver Wood em um canto, vi Harry, Ron e Ginny cochichando em outro canto, vi Lee rindo com Hagrid e outros professores de Hogwarts e não encontrei %Verônica% na tenda principal.
Saí de lá meio preocupado, dei uma volta na tenda para ver se ela não estava ali apenas espairecendo um pouco, mas não encontrei nada. Fui para dentro de casa e encontrei-a com Hermione na cozinha. Elas não notaram que eu estava ali, então dei um passo para trás quando ouvi do que falavam.
– Ele está estranho. – Ouvi a voz de Hermione dizer. Não me orgulho de estar ouvindo conversa alheia, mas realmente não queria estragar o momento delas. – Ele está escondendo algo, sempre pego ele escrevendo cartas escondido e o rosto dele fica todo vermelho quando eu pergunto o que é…
– Você acha que ele…? – %Verônica% não precisou terminar a frase, a insinuação de uma possível traição fez Hermione soltar um soluço esquisito. – Mione, Ron nunca faria algo assim, é até meio ridículo você pensar isso.
– Eu sei, eu sei, mas eu estou ficando meio… Paranoica, sabe?
– Rony sempre foi apaixonado por você, Hermione. Sempre. Eu vi vocês dois crescerem, ele te venera, nunca faria algo assim.
– Você já desconfiou de algo assim do Fred? – Hermione perguntou baixinho, como se falar de Fred fosse algo proibido.
– Na verdade, não. Fred era idiota, tinha todos os defeitos do mundo, mas ele me amava de um jeito que eu nunca tive dúvidas, sabe? Mesmo sem ele fazer nada ou não falar nada, eu sabia que ele só tinha olhos para mim. – Fiquei feliz de ouvir a resposta de %Verônica%, feliz por saber que ela sabia daquilo com tanta certeza, principalmente porque era verdade. Fred a amava e mesmo sem falar aquelas três palavrinhas, ele sempre deixou bem claro aquilo. E ela continuou: – E não acho que Rony seja diferente com você. Você tem a sensação de que ele te olha nos olhos e vê a sua alma lá dentro? – perguntou %Verônica%, soltando uma risadinha.
– Nossa, sim! Ele me vê – disse Hermione, dando uma risadinha também.
– É, enquanto ele te olhar assim, amiga, pode ter certeza de que ele te ama – disse %Vee% e fez uma pausa dramática. – Todos os Weasley’s tem esse olhar, já notou? Arthur olha para Molly assim, e Bill para Fleur. É incrível, as vezes fico horas observando eles uns com os outros…
– Gina também olha para Harry assim… – disse Hermione de maneira ligeiramente avoada. – E George… %Vee%, George te olha assim também.
Espera, o quê?!
– O quê?! – %Verônica% engasgou seja lá o que ela estivesse bebendo e começou a tossir.
Como Hermione iria saber o modo que eu olho para %Verônica%? Nós nem saímos juntos tantas vezes assim! Isso é ridículo.
– Por Merlin, não estou tentando insinuar nada, mas, %Vee%, George te ama. Isso é um fato.
%Vee% continuava tossindo, saí de casa silenciosamente e voltei a entrar batendo os pés com mais força no chão, para que elas ouvissem que eu estava entrando. Por algum motivo, meu coração estava disparado.
– %Vee%, está tudo bem? – perguntei, unindo as sobrancelhas quando a vi ainda tossindo desajeitada. – O que houve? – Me voltei para Hermione que tinha as bochechas coradas com a situação.
– Ela se afogou com o suco.
Antes de dar a oportunidade de alguém falar algo, minha mãe foi até a entrada da casa e soltou o aviso:
– Ginny vai jogar o buquê, vamos lá? %Verônica%, minha querida, está tudo bem? – Minha mão estava em suas costas e ela respirava com dificuldade, voltando ao normal. Acenou com a cabeça. Pegou o lencinho que eu tinha dado a ela antes da cerimônia e enxugou o cantinho dos olhos, respirando fundo.
– Vamos lá, Mione? – perguntou ela. – Estou bem, G. Obrigada.
Havia várias mulheres atrás de Ginny esperando pelo buquê, todas com animação o que fazia com quem estava de fora dessem boas risadas, eu incluso.
A banda já estava a postos e tocava uma música divertida enquanto Ginny se posicionava na frente do grupo, com seu buquê de rosas brancas belamente arranjado.
Quando ela jogou o buquê, parecia cair em câmera lenta, lentamente ele se aproximou das mulheres e não houve baderna ou arranca rabo de uma roubar das mãos da outra, as flores caíram nas mãos de Hermione sem magia, como se realmente fosse ali que ele devesse cair. Como se fosse o certo.
Na verdade, era o certo. Porque quando ela se deu conta de que tinha pegado o buquê, Ron saiu do meio das pessoas e se ajoelhou na sua frente. E eu finalmente consegui entender o que estava acontecendo, notei que %Verônica% se afastou um pouco deles e se aproximou de mim com um sorriso tão grande que foi impossível não sorrir junto.
– Você sabia disso? – perguntei a ela enquanto Ron retirava uma caixinha do bolso e abria na frente de Hermione que ainda estava meio perdida com tudo aquilo.
– Sim. Eu fui a encarregada de distrair Hermione enquanto Rony combinava os últimos detalhes com Harry e Gina – disse ela orgulhosa, ainda sorrindo.
– Então aquele afogamento que eu presenciei na cozinha de casa foi só uma distração? – perguntei querendo saber o que ela iria dizer. Era claro que eu queria saber o que ela iria dizer, eu não a olhava de modo diferente e o que Hermione disse ficaria em minha cabeça por muito tempo.
– É, mais ou menos. Estávamos conversando sobre outra coisa e acabei me afogando – disse ela sem mais detalhes, não podia julgá-la já que a cena em nossa frente realmente estava interessante.
Ron não fez um discurso, apenas fez a pergunta com uma voz tremida de nervosismo.
– Hermione Granger, você quer se casar comigo?
– Sim! É claro! – respondeu Hermione e todos explodiram de uma alegria contagiante. Foguetes da minha própria loja estouraram com fumaças coloridas em forma de coração, confetes prateados voavam por todos os cantos. E a alegria foi geral na hora do brinde.
Depois do jantar e dos discursos desajeitados de Ron e Hermione, a banda iniciou uma sequência de músicas animadas para o baile.
Todo mundo que eu conhecia estava ali, meus amigos, minha família e ainda assim eu não me sentia completo, por mais divertido que estivesse, por mais bebida e comida que eu comesse ou com quantas pessoas eu conversasse… Não estava como deveria ser.
Saí de lá, indo para o telhado da garagem de papai. A lua era crescente e linda, o céu ainda estava claro demais para as estrelas aparecerem, mas alguma corajosas já davam as caras brilhando intensamente. Havia um coelho cinza na horta de mamãe e me distraí o observando enquanto minha mente divagava para outro lugar.
Se Fred estivesse vivo, talvez esse casamento fosse dele com %Verônica%.
Talvez eu estivesse pedindo Angelina em casamento ao invés de Rony e Hermione.
Talvez eu estivesse completamente feliz.
Mas a vida não é feita de talvez, é? Quem sabe se Fred não iria terminar com %Verônica% logo depois da batalha ou Angelina vir terminar comigo?
Me peguei pensando em uma vida alternativa onde ele sobrevivia e tudo era diferente, tudo era bonito e divertido, piadas não eram seguradas com medo de me magoar ou me fazer lembrar de meu irmão, um lugar onde eu conseguia fazer um patrono decente e minha melhor amiga estava grávida do seu primeiro filho, que ela gentilmente colocaria meu nome seguido do nome de seu falecido pai, um mundo onde eu conseguia acordar todos os dias sem pensar em meu irmão gêmeo, pois ele estando vivo e saudável, não haviam motivos para estar em meus pensamentos o tempo inteiro. Um mundo onde eu não me preocupava diariamente com minha melhor amiga já que sabia que ela estava sendo cuidada pelo meu irmão e ele nunca faria nada para magoá-la.
Ouvi um estalo seco e vi %Verônica% se equilibrar vindo até mim, erguendo a barra do seu vestido para não escorregar. Ela havia tirado os sapatos altos. Sentou-se ao meu lado em silêncio, não precisávamos mais de palavras para aqueles momentos. Ela esticou as pernas sobre as telhas e observou a paisagem suspirando. O silêncio nos rodeou durante vários minutos, um silêncio confortável e aconchegante, daqueles em que você nem percebe que realmente está acompanhado.
– Tenho certeza de que ele está feliz, sabe? – disse %Verônica% depois de um tempo em silêncio. – Ele está sendo cuidado pelo meu pai e minha mãe e tenho certeza de que Lily e James também estão dando conta do recado. Por Merlin, ele está em algum lugar rindo com Sirius e Remus, pedindo para Tonks mudar o cabelo pela milésima vez no dia.
Não falei nada, só deixei a voz dela me embalar.
– Talvez ele esteja olhando aqui para baixo e pensando que idiotas nós somos por estarmos perdendo uma festa dessas e com certeza está reclamando com James que Gina é muito nova para casar – disse ela, soltando uma risadinha pelo nariz. Eu sorri sem mostrar os dentes.
– Talvez ele vá até o meu pai e ria da cara dele por que talvez eu tenha um filho e homenageie ele antes de homenagear o meu pai.
Continuei em silêncio, ouvindo seus devaneios.
– Talvez ele esteja fazendo uma aposta com Tonks sobre o gênero do bebê de Bill e com certeza ele está rindo da sua cara por Angelina estar conversando animadamente com Oliver Wood.
%Vee% suspirou novamente, encostando seu ombro no meu e deitando sua cabeça ali.
– Ele está bem, George.
Uma música começou a tocar lá embaixo e notei que ela conhecia a música pois tocava as notas de um piano imaginário em sua perna.
– E ele quer que a gente siga em frente, sabe? Ele sabe que nunca vai ser esquecido, que ele vai sempre ser amado e lembrado pelas coisas que fez. Mas ele iria querer, acima de tudo, que nós vivêssemos nossa vida.
Ela se levantou e esticou os braços para que eu usasse como âncora para me levantar.
Voltamos para a festa e eu a puxei para dançar a música que ela gostava, dessa vez prestando atenção na letra.
(Ouça aqui)
Where's the fire?
(Onde está o fogo?)
What's the hurry about?
(Para quê a pressa?)
You better cool it off before you burn it out
(É melhor você se acalmar antes que você perca tudo)
You got so much to do and only so many hours in a day
(Você tem tanto o que fazer e tão poucas horas em um dia)
But you know that when the truth is told
(Mas você sabe que quando a verdade é dita)
That you can get what you want or you can just get old
(Que você pode conseguir o que quer ou pode apenas envelhecer)
You're gonna kick off before you even get halfway through
(Você vai morrer antes mesmo de chegar na metade do caminho)
When will you realize Vienna waits for you?
(Quando você vai perceber que Viena espera por você?)
Algumas pessoas nos acompanhavam na pista de dança, mas nenhuma delas sorria como %Verônica% sorria para mim, não mesmo. Eu a fazia girar em alguns momentos, fazendo seu vestido rodar junto com ela, era lindo e quente como o seu coração. Quando seu corpo voltava de encontro o meu, eu sentia a sua pele dourada reluzir aos meus olhos e eu só ficava pensando em como, em nome de Merlin, uma criatura poderia ser tão bonita, por dentro e por fora. Como, em nome de Merlin, %Verônica% sabia o que dizer para me fazer sentir melhor? Ela sempre tinha as palavras certas, ela sempre me encontrava no meio da multidão.
Slow down, you're doing fine
(Vá devagar, você está indo bem)
You can't be everything you wanna be before your time
(Você não pode ser tudo o que quer ser antes do seu tempo)
Although it's so romantic on the borderline tonight
(Embora seja tão romântico no limite hoje à noite)
Too bad, but it's the life you lead
(Uma pena, mas é a vida que você leva)
You're so ahead of yourself that you forgot what you need
(Você está tão à frente de si mesmo que esqueceu o que precisa)
Though you can see when you're wrong
(Embora você possa ver quando você está errado)
You know, you can't always see when you're right
(Sabe, você nem sempre vê quando você está certo)
You've got your passion, you've got your pride
(Você tem sua paixão, você tem o seu orgulho)
But don't you know that only fools are satisfied?
(Mas você não sabe que apenas os tolos ficam satisfeitos?)
Dream on, but don't imagine they'll all come true
(Sonhe, mas não pense que todos eles se realizarão)
When will you realize Vienna waits for you?
(Quando você vai perceber que Viena espera por você?)
A música falava sobre aproveitar a vida, aproveitar os pequenos momentos e não viver com tanta pressa. Em minha cabeça eu podia ouvir Fred dizendo “a gente vai se encontrar em algum momento, Georgie, mas por enquanto, aproveita o que você tem aí, que eu vou te esperar do outro lado com a maior paciência do mundo”. E aquilo me pegou de jeito, a música parecia ter sido feita para aquele momento, %Vee% pareceu notar que fiquei emotivo e deitou a cabeça em meu peito se aconchegando em meus braços enquanto nos embalamos no ritmo da música.
Slow down, you crazy child
(Vá devagar, sua criança louca)
And take the phone off the hook and disappear for a while
(E tire o telefone do gancho e desapareça por um tempo)
It's all right, you can afford to lose a day or two
(Está tudo bem, você pode se permitir perder um dia ou dois)
When will you realize Vienna waits for you?
(Quando você vai perceber que Viena espera por você?)
%Verônica% voltou a me soltar, guiando a música de maneira divertida, dando uma volta por minhas costas e voltando para minha frente, onde eu a girava e ela voltava graciosamente ao meu encontro. E então ela cantou a última estrofe para mim, olhando com seus olhos de chocolate nos meus com tanta intensidade que pude sentir meu coração dar cada batida em meu ouvido defeituoso.
You know that when the truth is told
(Você sabe que quando a verdade é dita)
That you can get what you want or you can just get old
(Que você pode conseguir o que quer ou pode apenas envelhecer)
You're gonna kick off before you even get halfway through
(Você vai morrer antes mesmo de chegar na metade do caminho)
Why don't you realize Vienna waits for you?
(Por que você não percebe que Viena espera por você?)
When will you realize Vienna waits for you?
(Quando você vai perceber que Viena espera por você?)
Antes de eu conseguir entender o que aquilo queria dizer, ou tentar assimilar qualquer uma daquelas palavras ditas de maneira tão direta, fomos interrompidos por um grito que veio de fora da tenda.
Saquei minha varinha e segurei a mão de %Verônica% antes de irmos correndo lá para fora, a maioria dos convidados fez o mesmo.
Luna estava com os olhos arregalados, ajoelhada no chão e com uma das mãos sangrando. Harry e Neville se abaixaram ao seu lado enquanto mais e mais pessoas se aproximavam assustadas.
– Luna, o que houve? perguntou – Harry preocupado, pondo a mão sobre o ombro da garota.
– Um coelho mordeu meu dedo!
– Um coelho? Aqui? – perguntou Harry ainda sem fôlego da corrida até ali.
– Sim, desculpe ter assustado vocês. – Luna concordou com a cabeça, ainda assustada.
Hermione e Ginny foram até ela e a ajudaram a levantar, levando-a para dentro de casa, ambas com as varinhas ainda empunhadas por reflexo.
– Tudo bem, pessoal, vamos todos para dentro da tenda, eu e Rony vamos avaliar o perímetro, só para garantir.
Ajudei os curiosos a voltarem para dentro da tenda junto com Bill e Charlie enquanto papai foi ajudar Harry e Rony com o perímetro.
– Que situação esquisita, hein? – perguntou %Vee% para mim ainda com sua varinha retorcida em sua mão dominante.
– Os Weasley não têm muita sorte com casamentos sem interrupções – disse Bill, provavelmente se lembrando do próprio casamento.
– É por isso que não vou me casar – soltou Charlie divertido e notei %Verônica% afrouxando a mão.
– Você não vai casar porque é insuportável – brinquei vendo-o dar o dedo do meio para mim.
– Não dê ouvidos, Charlie! – %Vee% o abraçou de lado e ele pôs o braço sobre seu ombro. – Você é meu Weasley favorito… Depois de Gina, Bill, Percy, e seus pais, é claro.
– Puta merda, eu estou depois de Percy? – perguntei, fingindo estar ofendido.
– Me diz que eu estou na frente do George, eu imploro! – Charlie riu, prendendo o braço em seu pescoço como se estivesse ameaçando-a.
Ficamos conversando até Harry e Rony decidirem que não havia nada de muito preocupante com um roedor que morde pessoas, a festa continuou e depois que fizeram um curativo bonitinho no dedo de Luna, ela voltou para a tenda para dançar do seu jeito esquisito com todos.
Aquela distração foi o suficiente para que eu esquecesse a letra da música que eu e %Vee% dançamos, mas eu não me esqueceria do jeito que seus olhos doces olhavam os meus de maneira que fazia meus pelinhos se arrepiarem.
Flashback.
Hogwarts – 24 de fevereiro de 1995 - Sala comunal da Grifinória
Ponto de vista: %Verônica%
– Harry! Ei, Harry! – chamei quando o vi sozinho na sala comunal.
Seu olhar era furioso e perdido, parecia prestes a desmaiar a qualquer momento.
– Está tudo bem? – perguntei unindo as sobrancelhas e percebi que foi uma péssima ideia fazer esta pergunta.
– Tudo ótimo, %Vee%. Mas vou ficar melhor se você souber me dizer alguma planta, raiz, qualquer titica que me faça respirar embaixo d’água por uma hora. Seria ótimo.
Não gostei do seu tom irônico, porém conseguia entender seu desespero, por isso ignorei suas patadas repentinas digníssimas de um sonserino descontrolado e falei a ele o que eu tinha ido dizer:
– Para a sua sorte, sua amiga aqui é a melhor aluna de Herbologia que Hogwarts já viu.
Os olhos verdes de Harry se ergueram em esperança.
– Mentira! – exclamou ele boquiaberto.
– Você está com o Mapa do Maroto?
Ele concordou com a cabeça.
– Capa da invisibilidade?
Concordou novamente, ele nem se espantou por eu saber da existência da sua capa.
Fomos correndo até a sala da Professora Sprout, com Harry me guiando por corredores que evitavam pessoas e professores.
– Todo mundo sempre lembra primeiro do Snape quando pensa em itens para preparo de poções e algumas esquisitices particulares, mas a Professora Sprout tem uma ótima coleção de itens também – falei para ele quando entramos na estufa. Subimos até o segundo andar e eu peguei a chave do armário que estava no bolso das minhas vestes. Ser monitora da estufa podia ter suas vantagens.
– Ela não vai sentir falta?
– Vai. Mas ao contrário do Snape, ela vai compreender, talvez tire uns dez pontos de mim, mas você recupera esses pontos quando ganhar a taça. – Pisquei para ele e me virei para o armário aberto. Procurei o recipiente que tive que etiquetar há algumas semanas, por sorte, além de etiquetar os produtos, eu também fiz questão de olhar nos livros o que cada coisa era e quais as suas funcionalidades, pelo simples prazer saber com o que eu estava lidando.
Guelricho era um dos etiquetados.
Abri o pote e o cheiro azedo da raiz úmida entrou em minhas narinas com rapidez, retirei um nó de raiz de lá, do tamanho de um punho pequeno e entreguei a Harry.
– Uma hora, Harry, nem um segundo a mais. Ponha na boca, mastigue e engula assim que você for entrar no lago.
Harry fez careta quando as raízes encostaram em suas mãos, era realmente nojento, pareciam um molho de minhocas esbranquiçadas.
– Tem certeza, %Vee%?
– Absoluta. Pelo menos era o que dizia no livro que o Professor Moody deu ao Neville.
– Ok. Caramba, muito obrigado! – Harry me abraçou, me pegando de surpresa.
– De nada, só vença esse campeonato, por favor. Apostei com os gêmeos que você ganhava – falei, correspondendo seu abraço e ele finalmente riu.
– Falando nisso… – disse Harry meio sem graça enquanto eu fechava o armário. – Eu sei sobre você e Fred.
Parei o que eu estava fazendo e virei meu rosto lentamente, vendo um Harry de bochechas muito coradas.
– Foi sem querer, vi vocês dois no mapa sem George, no começo eu achava que era coincidência, depois juntei os pontos – disse ele ainda muito sem graça, me acompanhando pelas escadas da estufa.
– Ok, está tudo bem, só… Não fale para ninguém ainda, por favor.
– Vocês estão namorando?
– Não, precisa de um pedido de namoro para isso acontecer, certo? – respondi sorrindo amarelo para ele. – Na verdade está tudo bem confuso. Por isso, quanto menos gente souber, melhor. – O olhei enquanto ele balançava a cabeça positivamente, entendendo o recado.
Saímos da estufa em silêncio, dividindo o espaço abaixo da capa de invisibilidade, eu segurava o mapa enquanto Harry erguia a capa para que não ficasse caída em nossos rostos.
Vi os pontinhos correspondentes à Fred e George no corredor logo a frente e fiz sinal de silêncio para Harry.
– Eu adoraria entender qual é o problema em pedir %Verônica% em namoro, sendo que você é fissurado nela desde o primeiro ano. – A voz de George ressonou de longe e senti meu coração palpitar ao perceber que eu era o assunto. Harry me olhou arregalado, como se estivesse prestes a sair correndo a qualquer momento.
– Não ouse sair daqui, moleque – sussurrei a ele.
– O problema, meu caro irmão burro, é que ela e Cedric terminaram há pouco tempo – respondeu Fred com calma, enquanto eles caminhavam na nossa direção.
– E…?
– E ele sempre insinuou que tinha ciúmes de nós.
– Você está com medo que exatamente? De levar uma surra dele? – perguntou George rindo, se divertindo com a situação.
– Não, seu idiota. Eu não quero que ele tenha a impressão errada dela, de que nós estávamos fazendo algo por suas costas. – Fred dizer aquilo aqueceu meu coração, Harry me olhava com um sorrisinho nos lábios com orgulho dos amigos que tinha.
– Entendi. Isso é bem inteligente, até para você – disse George impressionado, passando ao nosso lado. Notei Harry prendendo a respiração.
– É, eu não quero que pareça algo que não é – disse Fred distraído, olhando para a estufa.
– Não quer que pareça que você está babando de quatro por ela feito um cachorrinho? – George o provocou, me fazendo segurar um sorriso.
Fred suspirou irritado.
– Que foi? Estou falando alguma mentira? – provocou George.
– Cale a boca – disse Fred depois de afastar o rosto do vidro esverdeado da estufa. – Ela não está aqui. Que falta faz o mapa nessas horas.
– Foi ideia da sua namorada dar o mapa ao Harry – reclamou George e Harry me olhou com os olhos brilhando em admiração, mas eu fiquei mais comovida com ao termo “sua namorada” saindo com tanta naturalidade da boca de George.
– Por Merlin, o que você tem hoje? – perguntou Fred suspirando, passando por nós.
– Estou feliz por você, maninho. Finalmente posso ouvir o som da minha própria voz em minha cabeça, ao invés de te ouvir reclamando da infelicidade que era a sua vida antes de dar uns beijos na %Appleby% – disse George ladino, me fazendo segurar uma nova risada, Harry havia perdido o ar preocupado e se divertia com a conversa dos gêmeos também.
– Céus… Se eu ganhasse um sicle por cada besteira que ouço sua... – Fred suspirou, mas um sorriso fazia parte do seu semblante.
George apenas sorriu.
– Sua namorada não está aqui, ela não tinha vindo com Harry? – perguntou George, mudando de assunto.
– Já devem ter ido para o lago, falta pouco para a tarefa começar – explicou Fred se afastando.
– É, a gente encontra eles lá então.
Ouvimos eles se afastarem e eu notei que não havia mais ninguém próximo a nós pelo mapa, todos estavam indo na direção do lago.
– Harry, você não deveria estar na preparação da tarefa?
– Deveria.
– Então vai lá, eu aguardo a capa e o mapa, te devolvo no dormitório – falei retirando a capa sobre nossas cabeças e ele concordou nervoso, como se só agora a realidade tivesse caído em sua mente.
– Está bem. Obrigado, %Vee%. Fico te devendo essa – disse Harry, sorrindo sem graça.
– Me paga um saquinho de jujubas ácidas e ficamos quites – brinquei e ele concordou com a cabeça saindo na direção oposta do lago.
Encontrei Fred e George a caminho do lago, eles gritavam abertamente que estavam aceitando palpites de apostas e algumas pessoas estavam em volta deles dando suas sugestões.
– Hey, baixinha. Achei que estivesse se pegando com Harry na estufa – disse George quando me aproximei o suficiente.
– Eu estava, mas tivemos que ir embora por causa dessa tarefa estúpida – brinquei fazendo os dois rirem.
– Conseguiu pegar as minhocas? – Fred me perguntou, passando o braço despretensiosamente por meu ombro.
– São raízes – o corrigi.
– Mas parecem minhocas – insistiu ele, aproximando o nariz da minha bochecha.
– Mas não são – respondi, tentando não me abalar.
– Pelo amor de Merlin, arrumem um quarto. – George suspirou virando os olhos para cima, passando em nossa frente continuando os berros das apostas.
– Arrumar um quarto? – Ouvimos a voz de Gina atrás de nós e viramos os três em uma lentidão dramática. – Vocês dois...? – Ela apontou para mim e Fred com a boca aberta.
Nos olhamos sem saber exatamente o que dizer e por fim eu concordei com a cabeça, o braço de Fred ainda estava em meus ombros e depois de um segundo absorvendo o que havia descoberto, Gina pulou em nossos pescoços com animação.
– Eu não acredito! %Vee%! Eu preciso saber de tudo! Vem! – Ela agarrou meu braço e me puxou para longe dos gêmeos e eu apenas ri contando tudo a ela, eu sabia que podia confiar em Gina. Ela era uma das minhas melhores amigas.
De longe, ainda conseguíamos ouvir os berros de Fred e George colhendo palpites de apostas.
Fim do flashback