The Weasley Twins


Escrita porNaya R.
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 36 minutos

  Hogwarts – 10 de junho de 1999 – Salão principal.

  Ponto de Vista: %Verônica%

  Retirei a carta amarrada no pé de Judith e acariciei suas penas macias do pescoço enquanto ela fechava os olhos agradecida.

“Querida %Vee%,

Vamos sair no fim de semana? Preciso fazer alguma coisa diferente, conhecer gente nova!
Você está livre nesse fim de semana? Sei que tem horários de turno nos fins de semana...
Não aguento mais falar com gente velha do trabalho, temos 21 anos, precisamos aproveitar a vida um pouco.
Vou esperar a sua resposta, caso não possa nesse fim de semana, já veja em qual você pode, assim a gente combina.

Beijinhos,
Angelina”

  Dei um sorriso ao ler a carta, estávamos na segunda semana de junho e faltavam apenas alguns dias para o final do ano letivo e por fim as férias.
  – Algum motivo especial para esse sorriso todo? – Neville perguntou baixinho enquanto mordiscava uma tortinha de pêssego. Estávamos na mesa dos professores, sempre sentávamos lado a lado. Alguns alunos já insistiam em dizer que éramos um casal, mas nunca fomos nada além de bons amigos. Eu tinha minhas dúvidas na época da escola e tinha quase certeza de que Nev criou algum tipo de afeição por mim depois do baile do Torneio Tribruxo, mas sempre foi muito educado e nunca me falou nada sobre isso.
  – Angelina está me convidando para sair. Faz tempo que não fazemos nada juntas, acho que pode ser divertido. – Falei animada, batendo palminhas. Ele sorriu.
  – Nossa, faz muito tempo que não vejo ela, como ela está?
  – Está bem, na verdade, eu teria que sair com ela primeiro antes de te responder, fazem alguns meses que não nos vimos.
  – Entendi, então saia com ela e me conte depois das férias como foi.
  – Combinado. Nossa, você tem noção de que quando voltarmos, vamos ser professores?
  – Me pego pensando nisso mais do que você imagina. – Ele admitiu ficando com as bochechas coradas. – Você imaginou algo assim? Neville Longbottom sendo professor?
  – Não imaginei, mas tenho certeza de que você vai ser um ótimo professor, Nev.
  – Por incrível que pareça, eu também acho. – Ele disse sorrindo e eu o acompanhei, continuamos nossa conversa despretensiosa e depois fui até meu quarto escrever uma resposta para Angie.
  
  “Querida Angie,
  
  Vamos sair sim! Vou estar de férias e seria ótimo sair para comemorar contigo.
  Aonde você pretende ir?
  Estou precisando conhecer pessoas novas também, eu não saio com ninguém desde...
  Bom, você sabe.
  Vou ficar no aguardo da sua resposta, ok?
  
  Beijos,
  %Vee%”
  
  No fim de semana, havíamos combinado de nos encontrar no Beco Diagonal com Lee e George.
  Angelina disse que estava tudo bem se George participasse e inclusive foi ela quem convidou; ela me explicou que já tinha conversado algumas vezes com George e que tudo estava mais do que bem entre eles. Disse que não ia deixar aquela situação separar nosso grupo de amigos, e estavam sendo os mais adultos que conseguiam. Eu não podia estar mais feliz.
  – Vocês já foram ao Cabeça de Dragão? – Perguntou Angelina quando nós quatro estávamos reunidos em frente à loja de George.
  Angelina estava linda, seus cabelos estavam naturais e um grande blackpower se formava, eu nunca a tinha visto daquele jeito, estava radiante. Me peguei olhando de soslaio para George para ver se ele também tinha ficado encantado como eu fiquei, e acabei percebendo que ele não a olhava de forma apaixonada ou ciumenta. Ele simplesmente a olhava.
  – Não, é legal?
  – Uma prima minha disse que é incrível. O que vocês acham?
  – Por mim é uma boa, para começar as férias com tudo. – Respondi animada e recebi sorrisos em troca.
  – Claro, vamos lá! – Lee respondeu animado e George apenas sorriu.
  Aparatamos na porta da boate, a fila do lado de fora era grande, fiquei com Angelina na fila de entrada enquanto os meninos foram comprar os ingressos para entrar. Angelina se apoiou na parede da boate, ao lado de um papel de procurado escrito “Gilbert Cuthbert, procurado vivo ou morto” e lembrei que o último cartaz que eu tinha visto daquele jeito era de Sirius Black.
  – Você está bem mesmo? – Perguntei a Angie e ela sorriu sincera.
  – Amiga, acho que aquele relacionamento já estava fadado ao fracasso de qualquer jeito, eu amo George, do fundo do meu coração, mas acho que não era para ser... – Ela disse dando de ombros. – E eu sempre tive a impressão de que ele estava comigo por... comodidade. Como se ele nunca quisesse realmente algo sério, mas as circunstâncias foram o levando para frente, sabe?
  – Puxa, Angie, eu sinto muito.
  – Está tudo bem, sabe? Já passou faz bastante tempo. No começo foi meio difícil, mas depois de um tempo as coisas vão passando e você começa a enxergar com mais clareza.
  – Fico feliz que tenha sido para o bem, então.
  – E você?
  – Eu o quê?
  – Como você está? Já saiu com alguém? Já conheceu alguém? – Angelina me perguntou com os olhos brilhando de ansiedade.
  – Quem, Angelina, me diz? A única pessoa que tem idade para eu sair lá em Hogwarts é o Neville!
  – Pois bem? Por que não poderia ser ele? – Perguntou ela séria.
  – Porque não, somos amigos. – Expliquei erguendo as sobrancelhas.
  Ela soltou uma gargalhada alta.
  – É, o Fred também era... – Ela disse ainda rindo, Angelina via o limite e fingia que não o fazia, passando por cima dele. Dei uma risada junto com ela, porque eu não tinha como rebater aquilo.
  – Qual é, %Vee%! Neville está gatinho pra caramba agora! E ele sempre teve uma quedinha por você. – Ela insistiu sorrindo ladina.
  – Eu gosto do Nev apenas como amiga e colega de trabalho, sem contar que ele é dois anos mais novo do que eu!
  – Estou falando de dar uns beijinhos, não de casar. – Ela disse empurrando meu ombro, virando os olhos para cima.
  – Não, não, não, Neville está fora de cogitação, vamos encontrar alguém por aqui hoje.
  Angelina suspirou alto, fazendo mais drama do que era necessário.
  – Vai ser meu objetivo hoje, nem que eu tenha que te fazer beijar o Lee.
  – Será que é tão difícil encontrar alguém para me beijar que não seja meu amigo? – Perguntei fazendo drama como ela, pondo as mãos para o céu.
  – Eu não sou seu amigo. – Uma voz atrás de nós disse, e ambas viramos.
  O homem que estava atrás de nós na fila estava ouvindo toda a nossa conversa, e esticou o braço até nós sorrindo.
  – Angus O’Donnell, e esse é meu amigo Sebastian Greene.
  – É um prazer, eu sou %Verônica% %Appleby% e essa é minha amiga, Angelina Johnson.
  Nos cumprimentamos, e Angelina já se apressou em dizer:
  – Desculpe, mas não podemos conversar muito com vocês, ou vamos virar amigos e toda essa discussão será em vão.
  Eles riram.
  – Tudo bem, nos procurem lá dentro e a gente dá um jeito nesse problemão que vocês estão enfrentando. – Angus brincou, nos fazendo rir.
  Angus era bonito, tinha cabelos claros e um corpo forte, seu sotaque parecia irlandês.
  – Faremos isso.
  
  O lugar estava cheio de pessoas, mas era grande o suficiente para não ser sufocante.
  Quando finalmente encontramos uma mesinha para ficarmos acomodados, eu e George fomos atrás de bebidas. Tinha fila no bar também.
  – Como você está? – George perguntou em meu ouvido, já que a música estava meio alta.
  – Bem e você? – Perguntei ficando na ponta dos pés para alcançar sua orelha.
  – Também, estou feliz que estamos fazendo isso, sabia? – Ele sorriu e senti meu corpo esquentar com aquilo.
  – Eu também Georgie, a gente conseguiu! – Ergui a mão para ele me dar um high-five. Eu gostava daquela interação porque ela significava muitas coisas, eu estava realmente feliz por estarmos ali porque significava principalmente que estávamos curtindo a vida que devíamos curtir. Estávamos no início dos vinte anos, eu e George merecíamos aquilo.
  – Estou muito orgulhoso de você, finalmente vai conseguir tirar as teias de aranha de dentro da boca. – Ele deu uma risada com o rosto ainda próximo do meu, dei um tapa em seu braço, mas não consegui segurar a risada.
  – Seu palhaço! Eu realmente achei que estávamos tendo um momento fofinho aqui. – Respondi em seu ouvido e ele riu mais ainda.
  Mesmo assim, eu estava feliz demais em ver aquela personalidade de George ali presente, caramba, aquilo me iluminou, ver meu amigo dando uma risada genuína às minhas custas.
  Eu nunca reclamaria daquilo.
  – E estamos! Eu só preciso garantir que você beije alguém hoje. – Ele disse com um sorriso ladino nos lábios, fingindo que olhava em volta a procura do pretendente perfeito.
  – Não se preocupe, a Angelina já está providenciando isso. – Falei sorrindo, nossa vez no bar chegou e ele fez o pedido da bebida.
  – A Angelina tem que se preocupar com ela, é outra que não beija ninguém. – Ele respondeu pegando a garrafa de Whisky de fogo, alguns copos e um baldinho de gelo.
  – Você está muito preocupado conosco, fico me perguntando quantas mulheres você já beijou depois que terminou com a Angelina, pelo jeito foram muitas, hein?
  – Não precisa se preocupar comigo, %Vee%, eu sei me cuidar. – Respondeu ele me dando um sorriso convencido.
  Chegamos à mesa, servimos nossos amigos e brindamos.
  
  A noite passou voando, vi Angelina se agarrando com vários garotos diferentes, Lee sumiu em um determinado ponto da noite e eu o via com uma garota ou garoto diferente cada vez que ia ao banheiro. George não estava muito longe disso, a diferença era que ele trazia as garotas até ali para não sair de perto e nos deixar sozinhas e eu, bom, posso dizer que tirei as teias de aranha da boca, com toda certeza.
  Em algum certo momento, avisei a George que iria mais uma vez ao banheiro e segui meu caminho quando ele acenou com a cabeça.
  Usei o banheiro, retoquei meu batom e chequei meus cabelos, na porta do banheiro, dei de cara com Angus.
  – %Verônica% %Appleby%. – Ele disse abrindo um sorriso para mim.
  – Angus O’Donnell. – O imitei abrindo um sorriso para ele também.
  – Já conseguiu encontrar uma boca para beijar? – Perguntou ele, dando um passo em minha direção.
  – Na verdade, já. – Dei um sorriso meio convencido e ele riu.
  – Poxa, não acredito que perdi essa oportunidade. – Ele disse charmoso.
  – É realmente uma pena... – Entrei na brincadeira dele.
  – Talvez eu ainda tenha uma chance? – Perguntou ele.
  – Talvez...
  – Então eu vou no banheiro, e quando eu voltar... Você vai me dar uma chance de te ajudar de vez com esse problema, combinado?
  – Combinado. Vou para a minha mesa para os meus amigos não ficarem preocupados. Estamos no lado esquerdo do palco. – Respondi trocando de lugar com ele, de modo que ele ficou mais perto da porta dos banheiros e eu do lado da festa.
  – Perfeito, %Verônica% %Appleby%.
  – Até logo, Angus O’Donnell.
  Ele sorriu abertamente e seguiu para o banheiro.
  Voltei para a nossa mesa ainda sorrindo, George estava com a mesma garota de quando eu fui ao banheiro, algo que achei realmente impressionante. Angelina se aproximou de nós, não deu bola que George estivesse se agarrando com uma garota logo ali, me abraçou pelo pescoço e disse:
  – Olha quem eu encontrei!
  E apontou para Sebastian, o amigo de Angus que encontramos na fila de entrada.
  – Uau, amiga! Que ótimo, na verdade, eu encontrei Angus agorinha. – Falei e ela concordou apontando para trás de mim. Virei-me e vi Angus se aproximando com um sorriso.
  Angus cumprimentou Angelina com um beijo no rosto, brincou com seu amigo e eu fiz questão de apresentar George, que nos olhava com as sobrancelhas franzidas enquanto tinha seu braço passado pelo ombro da garota loira que o acompanhava.
  – Esse é George, meu amigo. – Falei aproximando meu rosto de Angus, ele não era tão alto quanto George, mas não era baixinho como Lee.
  – Georgie, esse é Angus, nos conhecemos na fila de entrada.
  George o cumprimentou sem muito entusiasmo e eu não o culpava, já que mal dava para nos ouvir, estávamos muito próximos do palco onde um DJ tocava as músicas mais badaladas do momento, variando entre artistas bruxos e artistas trouxas.
  – E então... – Angus deu atenção a mim depois que estavam todos estavam apresentados. – Você vai me dar aquela chance de retirar seu problema de uma vez por todas?
  – Vou, mas só se você prometer não rir da minha pouca habilidade. – Brinquei, fazendo-o rir.
  – Ah, eu prometo %Verônica% %Appleby%, mas tenho que admitir que acho pouco provável que o que você está insinuando seja verdade.
  – Só tem um jeito de descobrir.
  Angus levou sua mão até a minha nuca e uniu nossas bocas sem muita enrolação. Aquele foi, de longe, o melhor beijo que dei naquela noite, sua boca tinha um gosto alcoólico convidativo e eu gostava do fato dele não ficar se esfregando em mim, ou levar suas mãos até onde não devia. Nossas línguas se misturaram com uma facilidade que apenas o álcool podia reproduzir, e nos beijamos durante alguns minutos antes dele separar nossas bocas.
  – Eu sabia que você não iria me decepcionar. – Ele disse sorrindo, com a testa encostada na minha.
  – É só porque você é um ótimo condutor. – Brinquei e ele sorriu, me roubando um selinho e me puxando mais para perto.
  – %Vee%? – Lee veio até mim, eu nem tinha notado que ele estava ali por perto.
  – Sim? – Falei ainda abraçada a Angus, que segurava minha cintura.
  – Você viu o George?
  – Ele estava aqui agora mesmo! – Me afastei ligeiramente de Angus olhando em volta, ao meu lado, Angelina se agarrava com Sebastian e percebi que aquele poderia ser o motivo do sumiço de George. Afinal, ninguém quer ver a ex-namorada se pegando com um cara qualquer em uma festa. Lee me deu uma olhada significativa, indicando Angelina, o que mostrava que ele estava pensando o mesmo que eu.
  Que merda.
  Fiquei tão entretida com Angelina superando George que não levei em consideração que George também podia estar mal, não era porque ele tinha terminado a relação, que ele não estava sentindo nada.
  – Vou atrás dele, só para garantir. – Lee me avisou.
  – Espera, eu também vou. – Falei me afastando de Angus.
  – Tá bem, você vai para lá e eu vou por aqui. – Lee explicou e eu assenti. Voltei para Angus. – Desculpa, é que George é ex da Angelina, achei que ele estava bem, mas... – Indiquei Angelina que ainda beijava Sebastian com voracidade.
  – Está tudo bem, não estamos casados, %Verônica% %Appleby%. – Ele disse sorrindo e erguendo as mãos em sinal de paz. – Mas saiba que se eu esbarrar novamente contigo... Eu vou te beijar de novo.
  – Combinado. – Falei sorrindo, e ele me puxou para mais um selinho antes de eu sair na direção que havia acordado com Lee.

  Encontrei George sentado em uma poltrona próxima dos banheiros. Ele estava com a cabeça baixa, apoiada nas mãos.
  – Hey. – Me agachei na sua frente. – Está tudo bem?
  – Hey. – Ele levantou a cabeça lentamente, dando um sorriso sem vontade.
  – Está tudo bem? – Repeti a pergunta.
  – Sim, sim... Acho que só estou cansado. – Tentou me convencer.
  – Quando que você vai aprender? – Perguntei dando um pequeno sorriso.
  – Aprender o quê?
  – Que você não me engana mais. – Expliquei e ele levantou o tronco, se recostando sobre a poltrona. – É por causa da Angelina?
  – Não, é claro que não. Está tudo bem entre eu e ela, pelo menos eu acho... – Ele disse tentando sorrir para mim, mas seu sorriso não saía de maneira alguma.
  – Então qual é o problema, G? – Perguntei sentando no braço da poltrona, pondo minhas pernas sobre ele.
  – Acho que talvez eu não estivesse preparado para isso, não ainda.
  – Você estava bem há vinte minutos, beijou várias garotas e... – Tentei argumentar.
  – Eu sei, eu estava curtindo, mas... Acho que passou, passou o momento, não sei explicar. – Era nítido que ele não queria conversar sobre aquilo. Ele pôs suas mãos sobre minhas pernas, sem carinho, sem malícia, apenas jogou as mãos ali em sinal de exaustão.
  – Quer ir embora?
  – Não. Não quero estragar a noite de ninguém. Vai aproveitar mais um pouco.
  – Estou cansada também. – Menti e ele levantou os olhos para mim desconfiado. Nossa conexão era algo absurdo. George me conhecia a ponto de saber que eu estava mentindo mesmo com todo aquele barulho em volta, mesmo com todas aquelas pessoas passando por nós.
  – Você não está. – Rebateu.
  – Vou ficar aqui te fazendo companhia. – Falei mexendo seu ombro.
  – Não, %Vee%. Aproveita a noite, é seu primeiro dia de férias praticamente. – Insistiu ele, com as sobrancelhas unidas.
  – Por isso mesmo, posso aproveitar uma balada qualquer em outro momento! Agora, ficar com você não é algo recorrente. – Falei apertando suas bochechas, fazendo com que ele soltasse um sorriso.
  – Você vai lá em casa praticamente toda semana. – Ele disse dando uma risadinha.
  – É... Bom, isso vai acabar ano no próximo ano letivo, então tenho que aproveitar tudo o que posso de você.
  Ele sorriu, dessa vez o sorriso completo e me senti vitoriosa por isso, sorrindo junto.
  – E o pobre Angus? – Ele frisou o nome do rapaz, e eu o olhei desconfiada.
  – Isso é ciúmes, George Weasley? – Perguntei bagunçando seus cabelos, fazendo-o ficar sem graça.
  – É claro que não! Só estou preocupado com o moço. – Respondeu ele jogando os cabelos para trás.
  – Ele é bem grandinho, não precisa se preocupar com ele. – Comentei fazendo ele erguer os ombros despretensiosamente. – Por que você ficou interessado no Angus, George? – Perguntei o olhando, ele disfarçou olhando para as pessoas que passavam por nós.
  – Porque eu acho que você consegue coisa melhor. – Ele disse ainda olhando para frente.
  George já havia flertado comigo antes, éramos amigos a tempo o suficiente para sabermos brincar com determinadas coisas. Sempre foi assim. Ele falava quando eu estava linda. Ele brincava que se eu não tivesse ficado com Fred, ele ficaria comigo. Ele jogava seu charme sobre mim, piscando, jogando o cabelo e eu sempre ri, às vezes devolvia na mesma moeda, mas nunca passou de brincadeiras.
  Aquilo ali era diferente.
  Espera, aquilo ali era diferente?
  Não, era só George com seu senso de humor afiado de sempre. Ele havia brincado há algumas horas dizendo que ia achar alguém para me beijar, certo? Não tinha motivos para agora estar me dizendo quem era certo para mim, ou não. Principalmente considerando que há alguns meses Peter disse a mesma frase à ele e George não gostou nem um pouco.
  – Consigo coisa melhor? – Foi a única coisa que consegui pensar em falar.
  – É claro que sim, %Verônica%. Você é a garota mais bonita da festa. – Ele me olhou rolando os olhos, como se aquilo fosse óbvio.
  Por que aquilo estava me deixando tão nervosa? George vivia me falando aquelas coisas! Nunca foi algo que me fez repensar, ou duvidar, ou calcular se era uma afirmação verdadeira ou não.
  – Infelizmente vou ter que discordar. Aquela garota que você estava era linda! E a Angelina então, nem se fala.
  – Nenhuma delas chegam aos seus pés, %Vee%. – George disse sério, a voz não tremeu nem uma vez e não havia sinal de gracinha em lugar nenhum.
  – Para com isso, você está me deixando sem graça. – Admiti, fazendo ele quebrar seu semblante sério dando uma risada.
  – É só a verdade, se você não aguenta, não posso fazer nada.
  George não estava flertando, estava sendo sincero. Ele não flertava comigo desde a morte de Fred, ele adorava flertar comigo na frente de Fred, fazendo perguntas do tipo “Estou bonito, %Vee%? Estou né, se Fred está, eu sou obrigado a estar também”. E agora, com aquele brilho extra de fora, eu achava que nunca veria aquele tipo de flerte de volta. Apenas a sinceridade de meu melhor amigo, nua e crua. E aquilo não era ruim, mas George sabia me deixar sem graça quando queria. Mesmo que eu soubesse que não significava nada.
  
  Fiquei com George até Lee e Angelina virem até nós, exaustos.
  – Vamos embora? – Lee perguntou bocejando.
  – É claro. – Falei levantando-me da poltrona que George tinha aberto espaço para eu sentar ao seu lado.
  Seguimos para fora da boate junto com mais algumas pessoas cansadas e derrotadas depois de uma noite regada à muito Whisky de fogo, que sempre acabava sendo a opção com mais custo benefício nessas saídas.
  Eu tinha ficado ligeiramente bêbada, mas há essa altura do campeonato o álcool já estava bem longe.
  – Você vai ficar na sua avó? – Angelina perguntou enquanto caminhávamos pela calçada.
  – Sim, vou ficar lá durante as minhas férias.
  – Isso é legal, ela vai adorar a companhia. – Angelina foi gentil, mas minha avó era uma senhora de idade cheia de manias de gente mais velha. Ela odiava sair a rotina e por mais que eu sabia que ela me ama e ama que eu esteja com ela... Ela adorava ficar sozinha e fazer as coisas no seu tempo.
  – Ela vai te expulsar em uma semana. – George disse rindo com as mãos para trás.
  Caí na risada, sabendo que poderia ser verdade.
  – Ela provavelmente vai. – Concordei com ele.
  – Você pode ir ficar comigo quando isso acontecer, eu fico na loja basicamente o dia inteiro. – George disse erguendo os ombros.
  – Georgie, isso seria ótimo! Você tem certeza?
  – É claro.
  Nos despedimos de Angelina e Lee que aparataram para suas residências, George me acompanhou, aparatamos na parte de trás da casa de minha avó.
  – Obrigada por me acompanhar, você sabe que não precisava, não é? – Perguntei sorrindo e ele sorriu junto.
  – Você também não precisava largar o Angus para ficar comigo o resto da festa, mas você fez mesmo assim. – Ele disse de maneira fofa.
  – É isso que os amigos fazem.
  – É... – George olhou para o chão por um segundo.
  – Está tudo bem?
  – Sim, é que... Você sentiu algo? Sentiu algo quando beijou um desconhecido? – Perguntou ele apoiando o ombro na parede da casa, fiz o mesmo, a porta de entrada na casa estava no nosso meio.
  – Como assim?
  – Eu queria sentir algo, sabe? Antigamente eu sentia aquele friozinho na barriga, uma sensação boa, a sensação de você convencer uma desconhecida de te beijar pela primeira vez... Sei lá, dessa vez eu não senti nada.
  – Eu... – Parei para pensar por um segundo. Eu não senti nada também, nada como beijar Cedric ou Fred pela primeira vez, talvez porque não tinha sentimento envolvido e eu era uma pessoa que precisava de um pouquinho de sentimento para conseguir sentir algo decente. – Eu também não senti nada.
  – Será que tem algo de errado com a gente? – George lambeu os lábios, apoiando a cabeça na parede também, mas sem tirar os olhos de mim.
  – Acho que não, Georgie. Acho que só estamos amadurecendo, talvez percebendo que não faz mais tanto sentido sair por aí beijando gente desconhecida.
  – Você acha? Será que essa vai ser a nossa vida a partir de agora? Se relacionar só com pessoas que temos, pelo menos, o mínimo de aproximação?
  – Bom, não necessariamente. Podemos ter relacionamentos com pessoas que acabamos de conhecer, mas não precisamos necessariamente beijar ou ir para a cama no primeiro dia. – Falei dando de ombros. – Você sabia que dá para fazer isso? Conhecer uma pessoa antes de enfiar a língua na garganta dela? – Fui irônica e ele deu uma risadinha fraca.
  – Que merda, eu só queria enfiar a língua na garganta de alguém sem precisar disso tudo. – Ele brincou.
  – Você pode fazer isso, mas não vai preencher o vazio existencial dentro de você. Hoje foi a prova disso.
  – Outch. – Ele disse, como se eu tivesse batido nele. – Não precisava me machucar.
  Eu soltei uma risada, me aproximei dele, levei uma mão ao seu rosto e ele fechou os olhos, aproveitando o carinho.
  – Nós vamos ficar bem, G. Não precisamos de pressa, as coisas vão acontecer no tempo certo.
  George pousou suas mãos em minha cintura e me puxou para perto de si, o movimento fez meu coração errar uma batida.
  – Obrigado, %Vee%. – Ele disse abrindo os olhos, por algum motivo, meu coração estava disparado. Seus olhos, aqueles que eu amava tanto, tinham um tom castanho claro quase verde, e eles miravam os meus com uma intensidade que me deixavam tonta. Ele levou a sua boca até a minha testa, depositando um beijinho ali. – Obrigado por me fazer companhia hoje, por largar o seu peguete e por me dar uma lição de moral que acabou com todo o meu psicológico.
  Soltei uma risada, jogando a cabeça para trás, empurrei seu peito com as duas mãos, me afastando dele. Aquela proximidade estava me deixando esquisita.
  – De nada, Georgie. Precisando, você sabe onde me encontrar.
  Falei pondo minha chave na fechadura e abrindo a porta.
  – Boa noite, %Appleby%.
  – Boa noite, Weasley.
  Fechei a porta, encostando minhas costas na porta fechada e esperei meu coração se acalmar antes de seguir caminho até o banheiro.

  Flashback

  Hogwarts - 2 de janeiro de 1995.

  – %Appleby%, posso falar com você?
  Gelei arregalando os olhos reconhecendo a voz de Fred, eu vinha o evitando há dias, desde o baile de natal, para ser bem exata. Meu coração disparou e ergui a cabeça sem olhá-lo.
  Consegui fugir da virada de ano nos Weasley’s, consegui fugir durante a volta do fim de ano no Expresso de Hogwarts, mas não conseguiria fugir estando em Hogwarts. Em algum momento Fred ia me encontrar. Ele sabia todos os meus esconderijos preferidos e podia pedir o Mapa do Maroto emprestado a Harry em qualquer momento.
  Eu estava sentada em uma abóbora gigante da plantação de Hagrid, a maioria foi usada no Halloween, mas algumas continuavam crescendo mesmo com a neve as cobrindo, de costas para a cabana, de frente para a floresta. Eu não gostava de ficar de costas para a floresta.
  Gostava de ir lá quando Hagrid não estava em casa, gostava do silêncio e do farfalhar dos corvos, gostava de ir quando queria pensar.
  Fred estava afastado, e eu não conseguia vê-lo por estar atrás de mim.
  Respirei fundo tentando acalmar todo o enrosco que estava em meu peito, eu sabia que essa hora ia chegar, tentei evitar o máximo que pude.
  Mexi a cabeça positivamente e ouvi seus passos na grama congelada que fazia “crac” a cada passo seu.
  – Minha mãe sentiu sua falta. – Ele disse encostando-se na mesma abóbora que eu estava sentada. Suas mãos estavam nos bolsos da calça.
  – Eu também senti falta de vocês. Todos. – Comentei.
  Ficamos em silêncio.
  Meus olhos acompanhavam um passarinho que catava minhocas do chão, quando ele levantou voo e meu foco de distração voou com ele, ouvi minha boca dizer:
  – Era isso que você tinha para falar comigo? Que a sua mãe sentiu a minha falta?
  – Sim. Não. Não, eu vim para te pedir desculpas. Não sou muito bom com isso, mas George disse que é o certo.
  – E você quer pedir desculpas? Ou só está pedindo porque George disse que é certo? – Cocei meu nariz gelado ainda olhando para frente, mas eu podia sentir seus olhos sobre mim.
  Fred ponderou sua resposta.
  – Eu não me arrependo do que eu fiz, se é isso que você quer saber, mas pelo bem da nossa amizade, sei que é a opção certa. – Aquilo fez eu engolir em seco.
  Ele não se arrependia de ter me beijado, mas estava com medo de estragar nossa amizade... E a quem eu estava enganando? Eu estava com o mesmo medo, eu queria beijar Fred tanto quanto ele queria me beijar, mas... Como fica o depois? Como eu iria para a casa dele nas férias e olharia nos olhos de Molly, sabendo que eu havia beijado o seu filho? Como seria o nosso trio?
  – Você sabe que não tem mais volta, não sabe?
  – Sim, eu sei. Mas... – Fred deixou a voz ir morrendo aos poucos.
  – Mas o que, Gred? – Pulei da abóbora querendo fugir dali, querendo correr para longe dos meus problemas, um lugar onde Fred Weasley nunca tivesse me beijado e eu pudesse esquecer aquele maldito beijo, as suas malditas mãos apertando minha cintura e seus malditos cabelos sedosos sob meus dedos.
  – Mas eu não quero voltar atrás, %Vee%. Eu não quero esquecer ou fingir que não aconteceu.
  Engoli em seco o encarando.
  Assim como eu, Fred usava uma touca de lã na cabeça, seus cabelos compridos escapavam por baixo, seus olhos eram tristes e ansiosos e ele mordia os lábios. Suas mãos continuavam nos bolsos, fugindo do frio.
  – Mesmo que quisesse, não tem como voltar atrás. – Ergui os ombros sem saber o que dizer.
  – Me desculpe, de verdade, eu não estava pensando... – Ele desencostou da abóbora, vindo na minha direção. – Eu agi por impulso, fui um babaca.
  – Você sempre é babaca.
  – É, eu sei. – Ele olhou para baixo tentando esconder o sorriso que escapou pelo canto dos lábios.
  Tê-lo tão perto de mim me deixava nervosa. – Então estamos bem?
  – É, acho que sim.
  – Você vai parar de se esconder de nós? De mim? – Ele levantou o rosto, seus olhos correram em meus olhos, desceram para minha boca por um milésimo de segundos e voltaram para meus olhos.
  – Não estou me escondendo...
  – Qual é, %Vee%. – Ele tirou uma mão do bolso e empurrou meu ombro, fazendo eu me desequilibrar e dar um passo para trás, sorrindo.
  – Eu estou te evitando, é diferente. – Respondi erguendo os ombros.
  – Você está me evitando, e automaticamente está evitando George junto, ele está me enchendo o saco.
  – A culpa não é minha que vocês vivem juntos!
  George tinha vindo falar comigo sozinho logo depois do baile, ele riu da minha cara por dez minutos a fio. Quando se recuperou, perguntou o que eu achava, se eu estava bem, e disse que eu não tinha que decidir nada, Fred tinha que assumir a responsabilidade do que tinha feito e tinha que vir falar comigo, mas que infelizmente seu gêmeo não tinha a cabeça pensante como ele e que eu tinha que dar-lhe o tempo necessário para que ele caísse na real de que tinha que vir pedir desculpas, ou resolver as coisas.
  Então eu o avisei que ia me afastar um pouco, porque também tinha que pensar e ele disse que ia me dar o meu espaço, mas que quando quisesse conversar, sabia onde encontra-lo.
  É claro que eu sabia, era só encontrar as duas cabeças flamejantes que estavam sempre vários centímetros mais altas que qualquer cabeça daquele colégio.
  Fred sorriu erguendo as sobrancelhas.
  – Vou pedir para meu irmão gêmeo não ficar mais perto de mim, para que você consiga me evitar com mais tranquilidade.
  – Isso seria realmente ótimo. – Falei sorrindo também, pondo minhas mãos para trás.
  – %Vee%, eu não quis te deixar desconfortável, muito menos estragar nossa amizade, eu só... – Ele retirou a touca da cabeça, apertando-a para ter um apoio de ansiedade, geralmente eram seus cabelos. – Droga, você estava tão linda e... Naquele momento fazia sentido na minha cabeça.
  Eu normalmente recebia um elogio ou outro de George, ele ficava mais confortável comigo nesse sentido, desde que eu falei que achava seu rosto bonito há uns dois anos.
  Mas ouvir aquilo de Fred tinha um efeito diferente em meu cérebro, e eu tenho certeza que pisquei errado quando ele disse aquilo, tentando absorver o que significava.
  – Agora não faz mais sentido? – Perguntei inclinando a cabeça para o lado.
  Ele demorou um pouco para assimilar a pergunta, suas mãos estavam tão apertadas segurando a touca que seus dedos estavam brancos.
  – Eu... Não... Não faz sentido se for estragar o que a gente tem.
  Iria estragar o que a gente tem? Se não desse certo, como ficaria nossa amizade? Eu teria que parar de ir à Toca. No mínimo. Teria que me afastar de George? E de Rony? De Ginny???
  Era muita coisa para perder, tendo em vista que minha vida em Hogwarts e até fora dela praticamente girava em torno deles. Eles eram a minha família. Todos.
  Fred continuaria com todos eles, para sempre.
  Eu praticamente troquei o namoro de Cedric por eles, será que valia a pena fazer isso por Fred também?
  Mas era Fred... Eu nunca havia beijado alguém daquele jeito, nunca tinha ficado tão zonza, tão feliz, tão... Leve.
  – Fred, eu...
  – Por favor, %Verônica%, não faz a besteira de me dizer que aquilo pareceu certo.
  Abri a boca, fechei, abri de novo sem ter o que dizer. Eu tinha muito a perder, muito. Mas...
  – Ah, foda-se. – Fred disse jogando a touca para trás e dando dois passos até mim. Levei minhas duas mãos em seu rosto ao mesmo tempo em que ele terminava com o espaço entre nós puxando minha cintura. Unimos nossas bocas ao mesmo tempo, não teve aquilo de Fred me beijou ou eu o beijei. Nós dois nos beijamos. Sem álcool, sem roupas de gala e sem brigas.
  Foi um beijo calmo, perfeitamente encaixado e indescritivelmente bom, nossas línguas se acariciavam, meus dedos penetravam seus cabelos embaraçados por conta da touca enquanto suas mãos se aqueciam por dentro da minha capa, por cima do meu suéter da Grifinória, explorando meu corpo com força. Mordi seu lábio inferior fazendo-o soltar um suspiro quente, fazendo com que eu desse um sorriso antes de voltarmos a nos beijar.
  Sem meu salto, apenas ficar na ponta dos pés não era suficiente, ele tinha que se arquear para baixo para me beijar, Fred me empurrou lentamente de volta até a abóbora que estávamos apoiados minutos atrás e me ergueu com facilidade, me deixando sentada e se acomodando entre minhas pernas sem separar nossas bocas. Trocamos as posições das mãos, onde eu agarrei seu moletom e ele agarrou minha nuca, guiando o beijo de forma ligeiramente agressiva, faminta. Porém, algo o fez separar nossas bocas.
  – Eu não acho que tenha jeito fácil de dizer isso, mas a nossa amizade nunca mais vai ser a mesma. – Ele soltou um sorriso ladino ainda segurando meu rosto com as mãos quentes. Seus lábios estavam vermelhos e ligeiramente inchados.
  – Eu nem gostava muito da sua amizade mesmo. Sempre preferi o George. – Brinquei fazendo-o jogar a cabeça para trás e dar uma gargalhada.
  – Não fale isso para ele, por favor. – Fred me deu um selinho. – Ele ficaria insuportável.
  – George nunca é insuportável, você é. – Ele adorava quando eu pegava no seu pé.
  – E você é irritante.
  – Eu sei.
  Fred sorriu antes de unir nossas bocas novamente em um beijo que tirou completamente meu fôlego. Aquele era o nosso período vago de Adivinhação que havíamos combinado de retirar da grade principal de aulas junto com George, já que podíamos fazer isso no quinto ano.
  – Hu-hum. – O pigarreio foi tão alto e profundo que me assustei.
  Olhamos para mesma direção devagar e vimos Hagrid nos olhando com as sobrancelhas unidas e os braços cruzados da janela da sua cozinha.
  – Eu esperava isso do Sr. Weasley, reconheci o cabelo vermelho de longe... Mas você, mocinha? – Seu tom era sério com uma pitada brincalhona. – Espero que não estejam faltando aula para... isso.
  Pulei da abóbora com rapidez, meu rosto queimava de vergonha.
  – Não, não, Hagrid. – Arrumei a touca em minha cabeça que estava quase pulando para fora. – Temos um período vago.
  Olhei Fred com os lábios tão vermelhos quanto antes, ele não estava tão sem graça quanto eu. Provavelmente era acostumado a ser pego beijando garotas pelos cantos. Eles eram famosos por isso, os gêmeos. Eu não.
  – E resolveram vir dar uma olhada na minha plantação, não foi?
  – Hagrid, pelo amor de Merlin, tenha dó. – Fred abanou a mão para ele, juntando sua touca do chão. – Tá matando a garota de vergonha.
  Hagrid deu uma risada gostosa, me deixando menos aflita.
  – Fred ou George? – Perguntou ele ainda com um sorriso no rosto.
  – George. – Fred respondeu.
  – FRED! – Eu o corrigi brava, fazendo Hagrid soltar mais um risinho.
  – Bom, %Verônica%, espero que você saiba o que está fazendo. – E virou o rosto para Fred. – E você, Fred Weasley, cuide bem dessa garota, hein?
  Fred enrubesceu, fazendo com que eu desse um sorriso vitorioso.
  – Obrigada Hagrid, isso não vai se repetir... – Falei um pouco mais confiante. – Você se importa de não contar isso para ninguém?
  Hagrid pareceu surpreso pela pergunta, mas concordou meio pensativo. Acenei para ele e puxei Fred pela manga do moletom.
  – Não vai se repetir? – Fred perguntou baixinho enquanto fazíamos o caminho de volta.
  – Bom, não lá, né? – Falei sentindo meu rosto esquentar novamente. Fred riu.
  – E quanto ao “não contar para ninguém”? – Fred repetiu o fim da minha frase quando estávamos mais afastados.
  – Será que podemos entender o que isso é antes de qualquer coisa? – Perguntei quando chegamos ao castelo.
  – Claro, você está certa. Você contou para alguém sobre o baile?
  Neguei com a cabeça.
  – Nem para Angelina?
  – Não, ela ia ficar me importunando.
  – Então só George sabe?
  – É.
  – Oh, merda. Ele vai nos chantagear, você sabe disso, não sabe?
  – Sei. Infelizmente sei. – Andamos lado a lado pelo corredor largo, estávamos sozinhos já que a maioria dos alunos estavam em aula.
  – %Vee%?
  – Sim?
  – Posso te beijar de novo?

  Fim do flashback.

Capítulo 8
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Ray Dias

Tão feliz que atualizou ♥ Finalmente eles estão sentindo algo um pelo outro e notando! Quero mto o primeiro beijo deles logo! E os flashbacks sempre tão IMPECÁVEIS ♥ Meu momento feliz do dia.

Naya R.

Oi Ray, que alegria te ver por aqui 🥹🥹❤️
Esses dois estão de sacanagem com a gente, não é? Queridos, entendam vcs são feitos pra ficar juntos, bora acordar pra vida logo, bora beijar e entender o que isso significaaaaa hahahahahah que bom que vc está.gostando meu bem, fico muito feliz com os seus comentários, muito obrigada ❤️

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