The Weasley Twins


Escrita porNaya R.
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 7

Tempo estimado de leitura: 46 minutos

  Flashback - Expresso de Hogwarts – 01 de setembro de 1994.

  Ponto de vista: %Verônica%

  Angelina fechou a cabine com calma, sentou no banco de frente para mim, uniu as mãos sobre o colo e aguardou.
  – Me conta tudo.
  Eu nem sabia direito por onde começar, muita coisa aconteceu comigo nessas férias, porém eu sabia exatamente do que ela estava falando.
  Ela queria saber sobre o término com Cedric.
  Suspirei dramática, olhando pela janela onde milhas e mais milhas de campos verdes passavam.
  – Eu estava n’A Toca há uns dias, estávamos nos preparativos para a Copa Mundial de Quadribol. Ced aparecia lá vez ou outra para me ver, Sra. Weasley adorava suas visitas. Foi uma semana bem tranquila e normal, Cedric não me dava nenhum vestígio de que queria ou pretendia terminar comigo. De qualquer maneira, uma semana antes da Copa, ele veio até mim, me chamou para um lugar um pouco mais recluso e disse que queria terminar. Eu perguntei o motivo e ele disse que não conseguia ter que me dividir com os gêmeos. – Fiz uma pausa, me recompondo pois o assunto ainda era meio recente para mim.
  – Te dividir?? O que ele quis dizer com isso?! – Angelina estava indignada, ouvia a história inteira com as sobrancelhas enrugadas.
  – É, ele disse que entende que somos amigos, que somos bem próximos, mas que não consegue aceitar que eu deixe de passar as férias com ele para ficar n’A Toca, por exemplo.
  – Isso é ridículo!
  – Sim... Eu disse que entendia o que ele queria dizer, mas expliquei que os Weasley eram a minha família e que eu não deixaria de passar minhas férias na casa deles por causa de um ciúme bobo.
  – Aposto que ele disse que não era ciúmes. – Angelina rolou os olhos para cima, me fazendo rir.
  – Foi exatamente o que ele disse! E eu fui firme, e disse que não iria trocar meus amigos por um namoro adolescente.
  – Maravilhosa! – Angelina bateu palmas. – Amiga, esquece ele. Estamos no nosso sexto ano, vamos aproveitar tudo que tivermos que aproveitar, esse vai ser o nosso ano!
  – Tá bom, já esqueci. – Falei brincando, balançando as mãos.
  – Eu sei que não vai ser fácil, afinal vocês vão ficar se vendo quase todos os dias lá na estufa, mas pensa pelo lado positivo, agora Fred e George vão xingar ele e você não vai precisar defender! – Ela disse animada, e parou para pensar por um segundo: – Por Merlin, você já contou para eles?
  – Ainda não. – Falei sem graça. A verdade era que eu nem sabia como comentar aquilo com eles, e estava preocupada com a reação que eles podiam vir a ter.
  Conhecendo eles como eu conhecia, no mínimo eles iriam colocar vomitilhas no suco de abóbora dele todas as manhãs durante uma semana.

***

  Durante a cerimônia de iniciação, ouvimos o diretor Dumbledore nos explicar sobre um evento que iria acontecer durante este ano em Hogwarts. O torneio tribruxo.
  Fred e George ficaram encantados, e por mais que o prêmio me enchesse os olhos de expectativa, eu nunca fui muito fã de ser o centro das atenções e era outro ótimo motivo de ser amiga dos gêmeos, eu nunca era o destaque e nos primeiros anos em Hogwarts, conseguia sair ilesa da maioria das detenções por parecer uma garotinha indefesa que estava apenas acompanhando os malfeitores Weasley, levou algumas vezes até Filch perceber que eu era da mesma laia que eles.
  – Talvez só uma gota de poção de envelhecimento? – Perguntou George em um tom mais baixo.
  – É, talvez funcione, só precisamos envelhecer alguns meses, afinal. – Fred disse confiante.
  Estávamos voltando ao dormitório depois do jantar, quando passamos pelo retrato da mulher gorda, chamei eles para o sofá em frente a lareira.
  – Meninos, acho que eu tenho que contar algo para vocês. – Falei apreensiva, estalando os dedos das mãos, sentei-me ao chão de pernas cruzadas estilo borboleta e ambos sentaram no sofá com um semblante mais sério. Meus amigos sabiam a hora de brincar e de falar sério, às vezes.
  – Eu... Eu e Cedric terminamos. – Assim que terminei a frase, percebi o semblante deles mudando. O de Fred saiu de sério para irritado. O de George saiu de sério para caridoso. – Uma semana antes da Copa, desculpa por não ter contado antes, é só que foi algo que eu não estava esperando e não queria estragar nossas férias.
  – Puxa, %Vee%! – George exclamou. – Você está bem?
  Ele desceu do sofá, sentou-se ao meu lado e passou o braço pelo meu ombro, me abraçando de lado. Não tínhamos o habito de nos abraçar muito, mas naquele momento não pareceu algo estranho.
  – Estou sim, ainda parece meio surreal. – Falei olhando para as mãos.
  – Ele te fez alguma coisa? – Fred perguntou, sua voz estava ligeiramente irritada.
  – Não, Fred. Foi tudo bem tranquilo.
  – E você quer que a gente faça algo em relação a isto? – Fred queria vingança, seus olhos cintilavam com a luz do fogo na lareira.
  – É claro que não! – Deixei uma risadinha escapar. – Meninos, eu estou bem, ok? Eu só queria que vocês soubessem disso por mim, antes que a fofoca chegasse em vocês por outros meios.
  – Você sabe que se você quiser, a gente faz ele ficar com diarreia uma quinzena inteira né? – Fred perguntou sério.
  – Ou que o cabelo dele caia inteirinho. – George apontou para Fred como se aquela fosse uma ideia plausível.
  – Ou que ele fique com furúnculos na bunda. – Fred adicionou deixando um sorrisinho escapar por seus lábios.
  – Ou que as sobrancelhas dele virem uma só. – George continuou.
  – Ou que os dedos dele virem salsichas.
  – Ou que os sapatos dele sapateiem cada vez que você estiver por perto.
  – Ou que...
  – Eu já entendi! – Soltei uma risada, fazendo eles rirem comigo. – Vocês odeiam Cedric, eu já tinha percebido, só não achava que era tanto.
  – A gente não odeia ele, só não gostamos tanto assim. – George disse sorrindo e retirando o braço do meu ombro quando Lee se aproximou de nós.
  – O que eu perdi? – Perguntou ele, nos olhando com curiosidade.
  – Você está olhando para a mais nova solteira de Hogwarts. – Fred disse piscando para Lee que me olhou boquiaberto. Ergui meus ombros sorrindo sentindo minhas bochechas esquentarem.
  – Finalmente meu momento chegou! – Lee brincou se ajoelhando na minha frente, arrancando gargalhadas dos gêmeos. – %Verônica% %Appleby%, você aceita, pelo amor de Merlin, se casar comigo?
  Explodimos em risadas, chamando a atenção dos outros alunos que ainda colocavam o papo em dia na sala comunal.

***

  Nos primeiros dias em que eu estava na estufa ajudando professora Sprout com as plantas que mal haviam sido cuidadas durante as férias, arrancando ervas daninhas e fazendo replantio, Cedric tentava de alguma forma puxar assunto comigo.
  Eu percebi que ele fazia brincadeiras e até algumas piadinhas sem graça apenas para arrancar alguma reação minha. Eu não seria o tipo de pessoa que cortaria qualquer tipo de interação, mas também não queria ficar falando todo dia com ele como se nada tivesse acontecido.
  Além disso, Fred e George andavam atrás de mim por todos os corredores fazendo alarde e berrando “cuidado, não se aproximem muito da nova solteira da escola”, “a mais nova solteira da escola está passando, com licença”. Por Merlin, eu podia esganar alguém.
  – Eu coloquei meu nome no cálice de fogo, achei que talvez você quisesse saber disso. – Cedric disse certa vez em meados de outubro, e além de não me importar muito com a informação eu não estava muito afim de conversar.
  – É? Que legal. Boa sorte. – Falei sem muito entusiasmo.
  – Vi que seus amigos também tentaram colocar o nome no cálice, mas não deu muito certo... – Não posso dizer que ele não estava tentando, até assunto sobre os gêmeos ele estava puxando.
  – Eu comentei que não iria funcionar, mas nem sempre eles me dão ouvidos. – Comentei dando de ombros.
  – %Vee%, nós estamos bem, certo?
  – Estamos sim, por que? – Sim, eu me fiz de sonsa.
  – Não sei, estou sentindo uma sensação meio estranha aqui entre nós.
  – Olha, Cedric, eu só estou me mantendo afastada o suficiente para não me machucar de novo. A última vez que dei ouvidos às suas gracinhas nós namoramos por quase três anos. – Falei séria, enquanto cortava as folhas grandes de tuberlula grandinosia.
  – Me desculpe %Vee%, é só que eu estou tão acostumado a conversar com você que esses momentos em que ficamos aqui em silêncio parecem um castigo horrível – Suas bochechas coraram mas não deixei isso me abalar.
  – Tudo bem, Cedric. Estamos bem, só não ache que vai ser como era antes.
  Me surpreendendo um pouco, ele sorriu, aquela merda de sorriso encantador.
  – Eu gosto dessa %Vee% durona. – Aquilo me desarmou um pouco e eu girei os olhos para cima contendo um sorriso.
  Era impossível ficar brava com ele.

***

  – Harry, você está bem? – Consegui alcança-lo na manhã seguinte ao sorteio do torneio, eu queria muito mostrar a ele que estava ao seu lado.
  – Ah, sim, está tudo indo às mil maravilhas. – Ele foi irônico, mas depois relaxou o ombro suspirando. – Desculpe, %Vee%. É só que... Não está sendo fácil, todos estão falando pelas minhas costas, ninguém vem me perguntar a verdade e os poucos que perguntam não acreditam em mim.
  – Eu entendo. Olha só, eu acredito em você, ok? E a minha torcida vai para você. – Falei sincera, acariciando seu ombro. – Não esquenta, logo as coisas se ajeitam. E se você precisar de alguma ajuda, me dá um toque! Vou adorar te ajudar com alguma tarefa.
  – Obrigado %Vee%, com certeza vou precisar sim. – Ele sorriu de boca fechada, aliviado.
  Alicia e Angie passaram por mim e me roubaram como dois furacões e mal tive tempo de me despedir de Harry.
  – Agora que você está solteira, temos algo para te contar. – Angelina disse unindo seu braço ao meu, enquanto Alicia engatava o outro.
  – O que? – Perguntei enquanto andávamos engatadas pelos corredores na direção da aula de Poções.
  – Estamos com bastante certeza de que um dos gêmeos gosta de você. – Alicia sussurrou sorrindo ladina.
  – O QUÊ?!
  – Shhhh! – Angie disse dando risadinhas. – É verdade, ouvimos os dois conversando ano passado no vestiário masculino depois do treino de quadribol, mas não soubemos distinguir quem era quem pela conversa.
  – Decidimos não falar nada na época porque você estava com o Cedric. – Alicia confessou.
  Eu não sabia o que pensar. Era tão absurdo que eu não tinha motivos nem para acreditar.
  – Isso é uma besteira, meninas. Tenho certeza de que vocês ouviram errado.
  – É verdade %Vee%, e temos quase cem por cento de certeza de que é o Fred.
  – Mas... Não faz sentido, não pode ser verdade. O que eles estavam conversando?
  – Eles falavam sobre como Ced era possessivo com você, e um deles deixou escapar algo como “ela nunca sofreria com isso se estivesse comigo” e foi meio que uma confissão, sabe? Porque o outro ficou chocado e ele admitiu que gostava de você. – Angelina disse, parando na frente da porta da masmorra onde a aula de Snape iniciaria a qualquer instante.
  – O que você acha? – Alicia perguntou animada.
  – Eu nem sei o que pensar. – Falei tão chocada que ambas riram de mim.
  Minha cabeça girava tanto com aquela notícia que errei minha poção Wiggenweld, e recebi um comentário maldoso de Snape sem necessidade. Depois da aula de Snape, Alicia foi para a turma de Adivinhação enquanto eu e Angie fomos para Estudos dos Trouxas.
  – Está tudo bem, %Vee%? – Johnson percebeu que eu estava meio avoada.
  – Está sim, é só que não consigo parar de pensar no que vocês disseram antes.
  – Sobre os gêmeos?
  – É.
  – É uma notícia e tanto, mas não é de se espantar, sabe? %Vee% vocês vivem juntos, são unha e carne, é normal que aconteça alguma fagulha a mais, sabe? Eu mesma já tive um crush em George, e olha que a gente nem é tão próximo assim... – Angie assumiu, sorrindo meio boba. – Vai dizer que você nunca teve um crush em nenhum deles?
  Tenho certeza de que ela viu minhas bochechas corarem antes que eu pudesse disfarçar.
  – Acho que eu já... Acho que eu já tive algo parecido com o Fred. Mas não conta para Alicia. – Admiti sem graça.
  – Eu sabia que seria o Fred! – Angelina sorriu cúmplice.
  – Eu gosto muito dos dois, sempre gostei, e acho que nossa amizade virou amizade antes que a gente pudesse pensar em outra coisa. E Fred, bom... Eu sempre gostei de como ele tinha um certo ciúmes de Cedric. Me deixava meio... Poderosa, sabe?
  – O Fred sempre morreu de ciúmes dele, isso é verdade. Você acha que é ele que gosta de você?
  – Olha, se eu pudesse apostar, diria que sim.
  – E o que você vai fazer com essa informação? – Seus olhos brilhavam de animação perante a um possível romance.
  – Nada, ué. – Dei de ombros.
  – Ah, %Vee%! Você é uma chata! – Ela riu, empurrando meu ombro. Jonah Fergurson, um sonserino com quem Angelina estava ficando, se aproximou de nós sorrindo e imediatamente mudamos de assunto.

***

  Uma onda de risadinhas pairava o ambiente quando professora McGonagall deu a notícia no final de sua aula de que haveria um baile de inverno no natal. Eu e Angelina corremos para colocar os nomes na lista de presença na escola durante esta data.
  – Por Merlin, eu preciso arranjar um par antes que o Jonah me convide! – Angelina disse dramática enquanto íamos em direção às nossas respectivas tarefas: ela estava indo para a biblioteca e eu para a estufa.
  – Mas você não está ficando com ele? – Perguntei confusa soltando uma risada.
  – Eu estou, mas ele é muito pegajoso! Aliás, eu não disse que esse ia ser o nosso ano? Não quero namorar ninguém, quero curtir com minha amiga solteira! – Todo mundo tratava a minha solteirice como um evento, já que comecei a namorar muito nova. Eu já tinha me acostumado com aquilo, Fred e George faziam questão de me lembrar a todo instante.
  – Então termina as coisas de uma vez, ao invés de ficar se escondendo pelos corredores!
  – Eu sei, eu sei! Mas é que ele beija tão bem! – Angelina soltou uma risada que me fez rir também.
  – Ai, Angelina, sério, o que seria de mim sem os teus dramas?
  Seguimos nossos caminhos separados, entrei na estufa silenciosamente já que a professora Sprout ainda terminava sua aula com os alunos do quarto ano, acenei para Harry, Rony e Mione e fui direto deixar meus pertences para pegar minha luva de raspa para colher os frutos espinhentos da mamona flutuante.
  Agora que Cedric estava oficialmente ocupado com as tarefas do torneio tribruxo, professora Sprout havia chamado Neville Longbottom para me ajudar com a estufa de maneira provisória.
  Quando Sra. Sprout liberou a turma alguns minutos mais cedo, ouvi alguém se aproximando de mim e poderia jurar que era Neville vindo me perguntar alguma coisa aleatória sobre alguma planta esquisita, mas me surpreendi quando vi Cedric sorrindo para mim.
  – Oi. – Ele apenas disse e eu uni as sobrancelhas meio desconfiada, dei uma olhadinha para trás e vi Lavender e Parvati conversando algo com a professora antes de saírem.
  – Oi. – Falei pondo as mamonas flutuantes nas gaiolas para que não escapassem.
  – %Vee%, eu... Me desculpe perguntar assim do nada, mas eu não consegui pensar em mais ninguém para isso e... – Levantei os olhos, vendo as bochechas dele tão rosadas quanto da vez em que demos nosso primeiro beijo. – Você gostaria de ir ao baile de inverno comigo?
  Aquilo me pegou desprevenida e fiquei tão chocada que acabei deixando duas mamonas flutuantes escaparem. Nem por um segundo havia passado em minha cabeça que Cedric fosse me chamar para ir ao baile com ele. Não estava em meus planos, já que desde aquela conversa com Angelina, a única pessoa que embalava meus pensamentos era Fred Weasley.
  O maldito Weasley, não importa o quanto eu negasse, ou fingisse que era mentira, aquela informação havia aberto algo minha mente que eu não conseguia desfazer de modo algum, era como um vírus que havia se espalhado.
  E por esse motivo, sem se quer pensar direito me vi dizendo:
  – Nossa, Ced, isso é muito gentil, mas... Eu já fui convidada. – A mentira saiu tão naturalmente da minha boca que eu percebi que até Lavender e Parvati ficaram boquiabertas quando passaram por nós e ouviram parte da conversa.
  – Uau, que rápido, é, na verdade eu devia ter imaginado. – Ele disse meio perdido, suas bochechas ficaram mais coradas, se é que isso é possível. Eu apenas fiquei com meu sorriso amarelo, sem saber exatamente o que dizer. Mesmo que Fred não estivesse em meus pensamentos, eu não sei se aceitaria ir com Cedric. Aquele convite me soava meio ofensivo levando em consideração que ele havia terminado comigo há alguns meses.
  – Tudo bem, ahm, acho que vou nessa. – Ele disse completamente sem graça e eu assenti muda, estática, perplexa.
  Observei Cedric sair da estufa, e consegui soltar o ar que estava preso em meus pulmões, deixando a ficha cair lentamente.
  Eu havia realmente mentido que já tinha um par para o baile?
  Pelas barbas de Merlin, eu iria precisar de ajuda.

***

  Os dias se passaram rápido, rápido o suficiente para eu começar a achar que a tarefa dos dragões do torneio tribruxo era mais fácil do que arranjar um par para o baile. Minhas preocupações acabaram se confirmando: A fofoca da minha conversa com Cedric se espalhou feito pólvora e agora todo mundo achava que eu realmente tinha um par.
  Angelina me tranquilizava afirmando que algum desavisado das escolas convidadas uma hora ou outra ia nos convidar e enquanto isso não acontecia, ela vivia fugindo de Jonah como o diabo foge da cruz.
  Certa noite estávamos fazendo nossas lições de casa sobre a mesinha da lareira, conversando e fofocando quando Fred berrou lá do outro lado do salão:
  – Oi! Angelina!
  – Que foi? – Ela respondeu na mesma altura que ele. Basicamente todos na sala pararam de fazer o que estavam fazendo para olhar.
  – Quer ir ao baile comigo?
  Bum. Meu peito pareceu cair em queda livre, o mundo parou de girar e tudo que eu ouvi foi aquela frase repetidamente em minha cabeça.
  Eu não percebia o quanto eu queria ouvir aquelas palavras direcionadas a mim até ouvi-las para outra pessoa. Aquilo me magoou de verdade, mesmo sabendo que eu mesma tinha me colocado naquela posição. Angelina sabia de tudo aquilo, mesmo que não precisássemos falar sobre aquele assunto a todo instante. Ela me olhou por meio segundo, e eu assenti discretamente.
  – Tudo bem. – Ela respondeu simplesmente.
  Fred voltou a conversar com George, Rony e Harry. E Angelina virou-se para mim apreensiva.
  – Está tudo bem, amiga. Prefiro, com toda a certeza, que seja você. – Já iniciei a conversa evitando que ela pedisse desculpas por algo que nem tinha feito.
  – Como assim? – Alicia perguntou avoada.
  – Ai, Alicia, às vezes sua lerdeza me surpreende. – Angie disse, nos arrancando risadas. – %Vee% está afim do Fred.
  – MENTIRA! E como eu não fiquei sabendo disso?!
  – Como eu disse, sua lerdeza te impede de saber de algumas coisas importantes! – Angelina rebateu e Alicia empurrou seu ombro rindo.
  – Não é nada de mais, Ali. Eu só... Talvez, não sei... Esteja olhando ele com outros olhos. – Expliquei baixinho e ela abriu a boca animada.
  – E ele gosta dela, e os dois estão fingindo que não sabem por orgulho. – Angelina cutucou.
  – E por que ele não te convidou para o baile?! – Alicia perguntou indignada.
  – Porque ele acha que ela já tem um par!
  – Ou talvez ele não goste de mim e você está levantando falsas hipóteses. – Falei séria, erguendo as sobrancelhas sugestiva.
  – Essa questão não está nem sendo cogitada, eu me recuso a acreditar nisso. – Angie disse indignada.
  – Bom... Ele te convidou não foi? – Ali ergueu os ombros em dúvida.
  – Não falem besteiras. %Vee%, vou cuidar dele nessa festa para você. Vou ser a empata foda, ele não vai chegar perto de nenhuma garota. – Angelina esfregou as mãos maliciosa, me dando um sorriso tão cúmplice que foi impossível não rir junto.
  – Tá bem, obrigada... Eu acho. – Falei rindo. – Agora que você conseguiu se livrar do Jonah, eu preciso oficialmente e urgentemente de um par.
  – Ok. Essa é a nossa tarefa da semana, vamos caçar os garotos livres para %Vee%, até sexta temos que ter alguns pretendentes.
  A tarefa continuou praticamente impossível, descobri que os boatos eram de que eu tinha sido convidada por Krum, pois ninguém sabia quem era meu par misterioso e o fato de eu ter negado o convite de Cedric parecia algo que apenas uma pessoa louca faria, afinal, além de já termos um passado, Cedric era lindo e um competidor do torneio tribruxo, quem em sã consciência negaria um pedido daquele?!
  Percebi que Harry e Rony estavam custando a encontrar um par também, e fiquei realmente tentada a convidar Harry, porém todos ao nosso redor sabiam que ele estava passando trabalho para encontrar um par, sendo assim todos saberiam que Harry não teria me convidado antes de Cedric.
  A semana passou voando, eu me vi desesperada e tentada a não ir nesse baile idiota.

***

  – Então você pode colher as ameixas irritadas e colocá-las em um recipiente com água morna, isso vai deixa-las mais calmas e o seu sabor não será amargo. – Expliquei a Neville que assentiu nervoso. – Elas mordem, mas não dói pois não têm dentes.
  Sua feição suavizou com esta informação e ele se afastou um pouco para pegar a chaleira que fervia água no balcão.
  – Você vai ao baile, Nev? – Perguntei apenas para puxar assunto, Neville era um garoto tímido que gaguejava quando era pressionado. Eu gostava de conversar com ele para que me conhecesse o suficiente para não gaguejar em minha presença.
  – E-eu acho que sim.
  Confesso que ele não era a pessoa mais fácil de manter uma conversa.
  – Que legal, com quem?
  – Eu pensei a convidar Ginny, mas ela vai com Dean Thomas. Então eu acho que vou sozinho...
  Meu coração disparou, esse tempo todo eu estava ali com ele e nem passou pela minha cabeça.
  – Neville?
  – Sim?
  – Você não tem um par para o baile?
  – Ahm, não. – Ele olhou desconfiado para mim, como se perguntasse “você não prestou atenção no que eu disse?”.
  – Você quer ir ao baile comigo?
  Sua boca abriu e ele ficou paralisado por um instante.
  – Como amigos, sabe? Sem pressão. – Eu falei sorrindo sem graça.
  – Mas... %V%-você não tinha um par? Não negou o convite de Cedric? Achei que você iria com Krum!
  – Na verdade não, eu só neguei o convite de Cedric porque não queria ir com ele.
  – Bom, i-isso faz um pouco de sentido.
  – E então?
  – E então o q-que? – Neville não era conhecido pela sua atenção.
  – Você quer ir ao baile comigo? – Perguntei esperançosa, eu não tinha problemas em ir com ele, Neville era gentil e divertido, um pouco envergonhado, mas não seria realmente um problema.
  – Ah sim, é claro. Seria legal não ir sozinho. – Ele disse finalmente sorrindo.
  – Concordo plenamente.
  Entramos em uma conversa tranquila sobre o que esperávamos que tivesse nesse baile e na hora de voltarmos, seguimos caminho juntos até a sala comunal da grifinória.

***

  O dia do baile finalmente chegou e um cheiro de natal pairava no ar, era um cheiro de cookies com papel de presente, pelo menos era assim que o natal cheirava para mim.
  Não se ouvia falar em outra coisa que não fosse o baile de inverno a ansiedade estava estampada nos olhos de todos os alunos, até os mais durões. Harry estava nervoso por ter que dançar a música de abertura do baile junto com os outros campeões, eu e os gêmeos estávamos pegando no seu pé quando Neville veio falar comigo durante o café da manhã. Levantei e nos afastamos um pouco da mesa.
  – %Vee%, você tem certeza de que quer ir comigo? – Perguntou ele baixinho olhando para os pés envergonhado.
  – É claro que sim, Neville. Por que eu não iria querer? – Perguntei unindo as sobrancelhas, estranhando a pergunta.
  – Não sei, você é a %Verônica% %Appleby%, sabe? É popular, bonita e joga no time de quadribol, isso sem contar que namorou com um campeão do torneio tribruxo e ainda é dois anos mais velha do que eu! – A cada coisa que ele enumerava, mais nervoso ele ficava.
  Tentei segurar uma risada, mas não consegui.
  – Longbottom, deixe de ser besta.
  – É-é sério, eu não quero ser o motivo de você perder a sua popularidade, ou algo assim, eu...
  – Neville, por favor, só... Pare de falar. – Falei tentando ser gentil. – Não me coloque em um pedestal, eu sou só a garota que cuida da estufa com você, tá bem? Estou muito confortável em ir contigo, por que eu sei que vamos nos divertir.
  Ele respirou, ainda me olhando com seus olhos claros.
  – Tudo bem. D-desculpe, estou pirando um pouco.
  – Eu percebi. – Falei de maneira leve, dando uma risadinha. – Nev, pode ficar tranquilo, tá bem?
  – Ok. Te espero na sala comunal, às sete? – Ele deu um sorrisinho de lado e eu assenti.
  Voltei à mesa para finalizar meu café e Neville seguiu até seus amigos quartanistas.
  
  Durante a tarde inteira, todos estavam com os ânimos acima do normal. Eu, Angie e Alicia nos trancamos no dormitório feminino e ficamos nos arrumando por horas.
  Angelina usava um vestido roxo escuro bonito na altura dos joelhos, onde os tecidos leves iam descendo em camadas sobre as pernas, a parte de cima era de veludo e o decote deixava seus peitos bonitos.
  Alicia usava um vestido azul claro de seda que vestia o seu corpo super bem, era acima dos joelhos e ela tinha uma echarpe que combinava.
  Meu vestido era amarelo, a parte de cima era um corset onde meus ombros ficavam de fora e uma manga bufante cobria meus braços até acima dos cotovelos, a parte de baixo era longa e soltinha, fluída. O corset não era muito decotado ou de mau gosto, era bonito e elegante. Meus cabelos estavam mais domados do que o normal, Ali o penteou com um pente enfeitiçado que o deixou com ondas suaves e leves, diferentes dos cachos mais rebeldes que me acompanhavam no dia a dia. No rosto, Angie fez uma maquiagem simples pois era o que a gente sabia fazer, eu fiz uma trança lateral no cabelo de Alicia e Angelina usou um prendedor bonito também na lateral.
  Descemos as escadas juntas, cada uma com um sorriso bobo no rosto.
  – Quero ver a cara de Fred quando te ver com Neville. – Angelina sussurrou para mim, dando um sorriso cúmplice e eu apenas ergui os ombros sem saber exatamente o que dizer.
  – Ele não tem que fazer cara nenhuma. – Respondi baixinho quando chegamos na sala comunal.
  Harry, Ron e Neville estavam sentados juntos perto da lareira conversando, Fred estava de costas para nós, apoiado na mesa de braços cruzados. Mais alguns meninos estavam por lá aguardando suas acompanhantes. George não estava.
  Mesmo que não fosse a nossa intenção, todos pararam de falar quando chegamos ao último degrau. Meu coração descompassou quando Fred virou para nós, notei sua boca abrindo enquanto eu sentia minhas bochechas esquentarem, ele engoliu seco enquanto seus olhos seguiam dos meus pés até a minha cabeça, balançou o rosto e seus olhos seguiram para Angelina, seu par para o baile. Ele ainda estava meio desnorteado quando se aproximou. Usava um terno preto por cima de um colete marrom claro.
  – Garotas. – Ele fez uma reverência exagerada quando pareceu realmente voltar ao corpo, levando sua mão até Angelina que a aceitou rindo. Ele beijou sua mão de maneira dramática nos arrancando mais risos. – Vamos, milady.
  O par de Alicia era da Corvinal e disse que a esperaria do lado de fora da nossa sala comunal.
  Neville me aguardava ligeiramente afastado, não querendo se intrometer no nosso momento de descontração. Me aproximei dele sorrindo, e suas bochechas pareciam que iam explodir a qualquer momento. Notei que Harry e Ron nos olhavam de boca aberta.
  - Vamos, Longbottom? – Perguntei sorrindo, tentando de alguma maneira amenizar seu nervosismo e sua vergonha. Ele acenou positivamente com a cabeça.
  Mesmo sendo dois anos mais novo, Neville havia espichado no último verão e agora estava mais alto do que eu, seus cabelos haviam crescido bastante também... Na verdade, quase todos os garotos estavam com os cabelos grandes nesse ano, parecia até algo estranhamente combinado. Ele me deu seu braço de maneira cortês e eu enganchei o meu, e me virei para meus amigos.
  – Todos prontos? – Perguntei, conseguindo notar o olhar desacreditado de Fred, seus lábios formavam uma linha fina e uma ruguinha de estranhamento surgiu entre suas sobrancelhas, mas ele balançou a cabeça retirando algum pensamento intrusivo e seguiu conosco segurando o braço de Angie do mesmo jeito que Nev segurava o meu.
  Me despedi de Harry e Ron que acenaram ainda de boca aberta para nós, provavelmente aguardando as suas acompanhantes. Brian Rice nos esperava no lado de fora assim como ele havia combinado com Alicia e seguimos os seis para o baile.
  – Onde está George? – Perguntei a Fred, que demorou a responder ainda olhando para o lado distraído.
  – Foi buscar a sua acompanhante. É uma lufana.
  
  Encontramos George já no salão que estava lindo, completamente decorado como se estivéssemos em um local com muito gelo, o teto nevava, e o chão parecia um lago congelado.
  George estava acompanhado de Savannah Yellowstone, uma lufana quartanista que eu não conhecia muito bem, mas que se enturmou conosco com bastante facilidade.
  Nos sentamos em uma das mesas redondas, esperando o início do baile. Enquanto isso, ficamos reparando em todos que chegavam, vimos Finnigan com Lavender, Dean com Gina, Lee com uma garota de Beauxbatons e Cedric com a quintanista Cho Chang.
  Os olhos de Cedric me encontraram depois de alguns minutos de pescoço espichado, conforme Angelina havia me informado, e quando ele viu meu par, ele abriu um sorriso gentil e acenou com a cabeça.
  Os campeões entraram no salão para fazerem a dança inicial e Hermione Granger surpreendeu absolutamente todos com o seu par, ninguém mais ninguém menos do que Krum!
  – Caramba! – Angelina expressou de boca aberta quando a valsa iniciou. – Granger e Krum, quem diria?
  – Eu realmente achei que o Krum tivesse te convidado, %Appleby%! – Savannah comentou conosco sem graça. – Mas confesso que agora consigo entender melhor o motivo de Krum estar tanto na biblioteca!
  Demos risadinhas enquanto víamos Harry dançar desastrosamente com Parvati, continuamos fofocando e cochichando enquanto a valsa rolava. Quando os demais convidados foram liberados para acompanhar a valsa também, Neville me surpreendeu me convidando para dançar. É claro que eu aceitei, fui naquele baile para aproveitar cada momento.
  – Longbottom, de onde você tirou essas habilidades dançarinas? – Perguntei rindo e ele, por incrível que pareça, riu junto sem ficar com as bochechas vermelhas.
  – Minha avó sempre disse que um cavalheiro que não sabe dançar é só um menino. – Ele disse me erguendo de acordo com a coreografia da música.
  – Isso é surpreendente.
  Dançamos até a valsa acabar e voltamos ao nosso grupo de amigos. Savannah se afastou de nós alegando que ia fofocar um pouco com suas amigas e se despediu de George com um beijinho no rosto que gerou um olhar meio demorado de Angelina que não passou despercebido por mim.
  – G, de onde você conhece a Savannah? – Perguntei realmente interessada, já que não conhecia a garota a não ser por passar pelos corredores.
  – Fizemos uma amizade esquisita e meio improvável em um dia em Hogsmeade e há algumas semanas ela me convidou para o baile por que queria fazer ciúmes em alguém, e como eu gosto de uma boa briga, aceitei.
  – Ela te convidou?! – Angelina perguntou se engasgando com a bebida batizada por nossos amigos.
  – Sim. – George disse erguendo os ombros com simplicidade. – Ela é bonita e engraçada, não vi problema nisso.
  – Ela é muito legal mesmo. – Alicia concordou.
  – E em quem ela queria fazer ciúmes? – Perguntei querendo saber a fofoca inteira.
  – Eu prometi que não contaria, mas foi um dos motivos de eu ter aceitado. – Ele disse esfregando as mãos maliciosamente.
  Jantamos mantendo uma conversa gostosa, Neville estava bem mais tranquilo agora que o susto inicial de me trazer ao baile já tinha passado. Lee vez ou outra vinha até a nossa mesa para conversar um pouco, já que ele estava na mesa da sua parceira, assim como Savannah também ia e vinha e às vezes até Neville nos deixava para ir conversar com seus amigos quartanistas.
  Depois do jantar, as mesas foram afastadas e um palco foi trazido. A surpresa foi geral quando As Esquisitonas começaram a tocar, não era uma banda que eu costumava acompanhar, já que sempre tive minha preferência por bandas trouxas, mas a música era muito boa e com a bebida batizada que os gêmeos nos traziam, era difícil não ficar feliz com qualquer coisa.
  Dancei com minhas amigas, com meus amigos e com meu par para o baile, estava divertido demais.
  
  – Oi, Longbottom, será que posso dançar uma música com o seu par para o baile? – Ouvi a voz de Cedric dizer atrás de mim, enquanto eu estava conversando distraidamente com as meninas.
  Diggory deu a volta na mesa, chegando até mim e me estendeu a sua mão.
  – Me concede esta dança, senhorita? – Perguntou ele com um sorrisinho cômico nos lábios.
  A música era lenta e alguns casais dançavam abraçados na pista de dança.
  Olhei minhas amigas incerta e vi que todas faziam o mesmo gesto de “vai logo” com os olhos disfarçados.
  Aceitei sua mão sem dizer nada.
  Ele me levou até a pista de dança, pôs a mão em minhas costas e me guiou sem muita pretensão de dar algum espetáculo dançante, graças à Deus, pois eu já estava começando a ficar alegrinha com a bebida alcoólica que os gêmeos estavam pondo escondidos no nosso ponche.
  – Me desculpe. – Ele disse em meu ouvido, seu rosto estava bem perto do meu, mas eu olhava para fora, para todos os pescoços espichados até nós, atentos, curiosos. Um par de olhos castanho-esverdeados me pegou desprevenida e errei o passo pisando no pé de Cedric, ele fingiu não sentir.
  – Pelo quê?
  – Não sei direito. – Ele soltou uma risadinha pelo nariz. – Pelo término sem explicação, pelo convite ao baile mais sem explicação ainda, não sei onde eu estava com a cabeça.
  – Está tudo bem, Diggory. – Falei, ainda com o rosto virado, por Merlin, eu não queria dar motivo para falarem que eu estava dando em cima de alguém que havia ido com outra pessoa ao baile. Porém, estava curiosa o suficiente para querer saber o que ele queria conversar comigo.
  – Não está, %Vee%. Eu sei que foi errado. – Senti seu hálito em minha orelha, sinal de que seu rosto estava virado para mim, mas fiz questão de não virar o rosto e encarar seus olhos claros. – Então me desculpe por terminar com você por ciúmes dos “gêmeo”. – Ele brincou, fazendo menção à piadinha interna dele mesmo. – Eu sei que era ciúmes, eu só não quis admitir, eu confiava em você, sei que nunca faria nada, foi apenas orgulho ferido.
  – Eu entendo, mas preciso que você entenda que eu já era amiga deles antes de te conhecer e eu vou continuar sendo, porque aqueles dois idiotas são a minha família.
  – É claro, eu entendo perfeitamente, eu só quis ser sincero com você, já que você estava certa.
  Eu sorri convencida, eu até tentava não ser tão orgulhosa de sempre estar certa, mas confesso que era difícil, logo mais Angelina daria boas gargalhadas dessa história.
  – Como eu disse, está tudo bem, Diggory.
  – Tá bem, e me desculpe pelo convite para o baile também, foi bem imprudente. Não pensei direito, quando vi, já estava lá na sua frente te convidando.
  Foi a minha vez de soltar uma risadinha, notei de longe Fred com o rosto franzido enquanto discutia com Angelina.
  – Foi ligeiramente assustador. – Admiti rindo.
  – É, eu sei, erro meu, me desculpe. – Ele disse ainda me guiando lentamente pelo salão.
  – E o que a Cho Chang acha disso? – Perguntei realmente curiosa, afinal, a garota provavelmente sabia que ele havia me convidado antes de convidá-la, a fofoca tomou conta do castelo inteiro!
  – Ela entendeu o motivo de eu ter te convidado antes, mas ela é bem madura em relação a isso. Fez questão de me fazer vir aqui e colocar tudo dentro do conforme. Estou aqui conversando contigo por causa dela.
  – Isso é legal, ela é uma garota legal Ced, cuide bem dela. – Falei sendo completamente honesta, eu queria Cedric bem e com alguém que realmente gostasse dele, não havia mais nenhuma célula em mim que quisesse Cedric de volta, não quando um determinado ruivo rondava meus pensamentos dia e noite.
  E então parou a dança abruptamente.
  – Então estamos bem? - Ele segurava meus ombros e olhava em meus olhos. Eu estava bem, estava feliz por ter tido aquela conversa com ele.
  Sorri, tendo a impressão de que todos os olhares de Hogwarts estavam sobre nós, minhas bochechas queimando de vergonha.
  – Estamos bem, Cedric, sempre estivemos.
  – Que bom, se cuida %Vee%. – Me abraçou com sinceridade e eu retribuí.
  – Você também, Ced. – Eu disse, depois disso virou-se e foi até o seu par do baile, que o aguardava com um sorriso. Cho Chang era uma menina legal, e aparentemente compreensiva.
  
  Em um certo ponto da noite, George sumiu com Savannah, Alicia sumiu com Brian e eu e Angelina ficamos dançando sozinhas enquanto Fred conversava com Lee e Neville.
  – Amiga, pelo amor de Merlin, vai conversar com Fred. – Angelina disse rindo.
  – Conversar o que com Fred? – Perguntei verdadeiramente curiosa. – Não tenho o que conversar com ele.
  – Vocês dois precisam se entender, ele está a noite inteira te olhando igual o Hagrid olha para aqueles explosivins. – Ela disse fazendo careta.
  – Você está me comparando a um Explosivin? – Perguntei e ela soltou uma gargalhada.
  – Não muda de assunto. Vocês precisam se entender.
  – Eu não... Eu não sei o que precisa ser resolvido amiga, somos amigos. – Não sei porquê eu continuava mentindo para mim mesma e para minha melhor amiga.
  – %Vee%, para de ser teimosa, você sabe muito bem o que eu estou falando.
  – Eu sei, mas... Não estou preparada para essa conversa, acho que não é o momento, sabe?
  – Deixa de ser besta, você precisa colocar os pensamentos no lugar e conversar sobre o que você realmente sente.
  – Desde quando você virou uma conselheira amorosa? – Perguntei rindo vendo Jonah se aproximar.
  – Oi meninas, oi %Vee%.
  – Oi Jonah, tudo certo? – Perguntei simpática e ele assentiu com a cabeça.
  – Angelina, podemos conversar?
  – Claro. – Angie respondeu o acompanhando, me deixando ali sozinha.
  
  – %Verônica%, será que posso conversar contigo rapidinho? – Era Fred. Seu semblante estava tão sério quanto em uma partida de quadribol contra a sonserina.
  Olhei para Neville ao meu lado, sem seu paletó e comendo um quitute.
  – Nev, já volto, tá bem?
  – Claro %Vee%. – Ele disse, indo na direção de Harry e Rony que estavam jogados em duas cadeiras com suas parceiras desanimadas.
  Fred ficou olhando Neville se afastar e andou até a porta de entrada do salão, eu o acompanhei com meu coração saltando em minha garganta. Quando estávamos em um local realmente mais reservado, Fred se virou para mim.
  – Neville Longbottom... Isso é sério? – Seu tom era de desaprovação. Uni as sobrancelhas indignada.
  – Qual o problema, Weasley? – Eu sempre o chamava pelo sobrenome quando estávamos em um momento mais sério.
  – O problema é que é a porcaria do Longbottom.
  – Não estou te entendendo, você está aqui com a Angelina, qual é o real problema?
  Fred estava com... cíumes?
  – O problema é que Angelina é nossa amiga.
  – Neville é meu amigo. – Defendi ligeiramente ofendida.
  – É diferente. – Ele respondeu rápido.
  – Diferente como, Weasley?
  – Não sei, %Appleby%, só é diferente!
  – Eu sou sua amiga, por que não me convidou?
  Fred balançou a cabeça confuso.
  – Porque você já tinha sido convidada.
  – Isso é ridículo, eu nunca seria a sua primeira opção.
  – Porque diz isso? – Seu rosto era indecifrável.
  – Por que eu te conheço o suficiente para saber que você não deixaria de ir com alguma garota popular para ir com o “rejeito de Cedric Diggory”. – Fiz aspas com os dedos e ele virou os olhos para cima.
  – Você está sendo idiota. – Reclamou do mesmo jeito que fazia quando eu estava certa.
  – E por que não veio me perguntar se era verdade? – Perguntei irritada.
  – Se o que era verdade? – Ele estava confuso e me senti vingada.
  – Que eu já tinha sido convidada.
  – Porque... Espera, você não tinha sido convidada?!
  – Não, eu disse a Cedric que tinha sido convidada porque não queria ir com ele. – Minha resposta fez Fred erguer as sobrancelhas surpreso, ele pensou um pouco, passou as mãos pelos cabelos sedosos e parou com as suas mãos na nuca.
  – Eu teria te convidado se soubesse disso. – Sua voz saiu baixa e lenta, como se ele estivesse falando mais para ele do que para mim, suas bochechas receberam um tom rosado. Saber que ele teria me convidado me fez ficar um pouco zonza de um jeito que nunca fiquei com Cedric. Ninguém nunca tinha me deixado zonza só com palavras.
  – Talvez se você viesse me perguntar, ao invés de ficar ouvindo fofocas pela metade! – Eu continuava irritada, mesmo que meu coração quisesse sair voando pela minha boca.
  Fred abriu a boca e fechou, sem saber o que dizer. Eu finalmente havia deixado ele sem palavras!
  Notei de soslaio que Savannah, o par de George, passou correndo por nós e subiu a escadaria com velocidade. Logo atrás veio Draco Malfoy.
  – Yellowstone, espera! – Disse ele exasperado, subindo a escadaria rapidamente, mas ela já estava mais longe, ele desistiu na metade, suspirou alto, baixou a cabeça e voltou para a festa com as mãos no bolso. Passou por nós, franziu o cenho nos olhando de cima a baixo e se afastou.
  Balancei a cabeça, afastando o que eu havia acabado de ver e voltei meu rosto para o ruivo em minha frente:
  – Você ficou sabendo que Cedric tinha vindo me convidar para ir ao baile e não foi capaz de vir me perguntar como eu estava.
  – E por que você não nos contou? Era só ter vindo nos contar! – Ele rebateu depois de um tempo me encarando com seus olhos castanho-esverdeados.
  – Minha vida não é um espetáculo como a de vocês, eu não tenho a necessidade de ficar chamando a atenção o tempo inteiro. – Falei mostrando que havia ficado ofendida com aquela pergunta. Ele suspirou fundo.
  – O que você quer dizer com isso?
  – Que as vezes você pode sair um pouco dessa bolha de Weasley fodão e vir conversar comigo como uma pessoa normal. – Expliquei devagar, vendo-o ficar mais indignado ainda. – Eu ainda sou a sua melhor amiga, sabe?
  – Pelas barbas, %Verônica%! Você fala como se eu fosse um monstro, o pior amigo do mundo! – Ele disse, a voz ligeiramente magoada.
  – Bom, foi você que me chamou aqui para reclamar que eu vim com o Neville. – Ergui as sobrancelhas em desafio, sem baixar a guarda para ele.
  Fred murmurou algo que eu não entendi, passou as mãos pelo rosto e suspirou.
  – O que você disse? – Perguntei com minha voz mandona.
  – Nada.
  Respirei fundo fechando os olhos, tentando controlar todos os sentimentos que estavam dentro de mim naquele momento. Uma parte de mim estava sim satisfeita por Fred ter ficado com ciúmes de Neville. Outra parte estava puta da cara por ele não ter vindo falar comigo quando ouviu a fofoca do convite de Cedric. Outra parte estava confusa com tudo aquilo que estava acontecendo, principalmente com a proximidade de Fred Weasley, sendo que ele estava torturantemente bonito com aquela roupa de gala.
  – Você tem mais alguma coisa para falar, Weasley? Ou eu posso voltar para... – Não consegui finalizar a frase e muito menos a linha de pensamento, pois a única coisa que eu prestava a atenção era que Fred havia segurado meu rosto com as duas mãos e colado nossas bocas. Dei dois passos para trás pelo susto e ele deu dois passos para frente me acompanhando. Seus lábios se moveram ágeis aprofundando o beijo e não perdi tempo em abrir passagem para a sua língua, sentindo meu peito voar quando sua língua tocou na minha. Suas mãos escorregaram do meu rosto para minha nuca, enquanto nossas bocas brigavam por controle.
  Fred me empurrou até a parede e levou suas mãos para minha cintura, minha cabeça ainda tentava entender exatamente o que estava acontecendo, seus lábios colados nos meus me faziam ficar tonta e eu não estava preparada para o seu cheiro, que eu conhecia tão bem, me envolver como um abraço quentinho. Não consegui conter minhas mãos que se guiaram até sua nuca sozinhas e guiaram o beijo com mais vontade.
  Caramba, Fred Weasley beijava bem.
  Separei nossas bocas em busca de ar. Ainda perdida, zonza.
  – O que... O que foi isso? – Perguntei com a respiração ofegante, Fred sorriu.
  – Isso foi eu calando a sua boca.
  – Mas o que... – Tentei perguntar e novamente fui interrompida pelos lábios de Fred, enquanto suas mãos apertavam minha cintura com domínio, eu não sabia o que pensar, minha cabeça não racionava direito, eu só conseguia discernir que eu tinha que ficar na ponta dos pés para beijá-lo, que seus cabelos eram tão macios quanto a sua boca e que os meus olhos estavam fechados com força. Ele separou nossas bocas devagar, fiquei feliz em notar que ele também estava sem ar e ligeiramente aéreo como eu.
  – %Vee%... – Seu nariz roçou minha bochecha e sua boca depositou um beijo em meu maxilar. Seu corpo me prensava contra a parede, suas mãos ainda estavam em minha cintura. Não consegui responder, não quando seus lábios desceram por meu pescoço, minha mão agarrava os cabelos de sua nuca com firmeza. – %Vee%, eu...
  Fomos interrompidos por alguém, Fred afastou o corpo de mim, mas sem tirar uma de suas mãos da minha cintura.
  – Por acaso vocês viram a Savannah? – Era George, seus olhos correram pelo meu rosto, pelo rosto de Fred e seguiu para a sua mão em minha cintura e um sorrisinho se formou no canto dos seus lábios.
  Finalmente meu consciente pareceu entender o que havia acabado de acontecer, merda, Fred Weasley havia me beijado e eu correspondi! Por Deus... O que aconteceria agora? O que diabos Fred ia me dizer antes de George nos interromper?
  Num salto, me afastei da parede, passando a mão pelo rosto, ainda um pouco aérea.
  – Eu... Ela... Ela subiu a escadaria. – Falei apontando para as escadas. – Acho... Acho que foi para o dormitório da sonserina, digo... Lufa-lufa. – Tropiquei em meus próprios pés e olhei para os dois. O sorriso sacana de George aumentava a cada passo que eu dava, e Fred ainda estava me olhando com a boca aberta e a respiração acelerada, sua boca tinha leves vestígios de meu batom cor de cereja e seus cabelos estavam bagunçados.
  Comecei a subir a escadaria de costas, ainda encarando os dois, Céus, eu estava enrascada.
  – %Vee%, você está bem? – George perguntou segurando o riso.
  – Eu? É claro! Só... Tenho que voltar, já está tarde e... Neville! Vocês podem avisar Neville de que eu estou indo para o dormitório?
  Dei as costas para meus melhores amigos, ergui a barra do meu vestido e subi a escadaria com pressa. E ainda assim consegui ouvir George ovacionar lá embaixo:
  – Até que enfim, maninho! – Não consegui conter um sorrisinho que insistia em surgir em meus lábios.

  Fim do ponto de vista.

  Fim do Flashback.


  Nota da autora: Vocês não tem noção do quanto eu estava louca para escrever esse capítuloooooooooooooo! O primeiro beijo da PP e do Fred veio aí e eu não estou sabendo lidar... Eu queria muito escrever esse capítulo porque queria desenvolver a relação de amizade entre Vee e Angelina também, por mais que Fred e George sejam os melhores amigos dela, a Angelina tem um peso importante na hora do girltalk, coisa que a gente sabe que não daria para conversar com os gêmeos. Enfim, muito feliz com esse capítulo! Esse final com o George rindo dos dois???? EU AMOOOO KKKKKKKKKKKKK Deixem seus comentários e surtos, por favor! Beijinhos xx

Capítulo 7
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