The Weasley Twins


Escrita porNaya R.
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 49 minutos

  Hogwarts - 16 de outubro de 1998

  Ponto de vista: %Verônica%

  Após alguns meses da batalha mais sangrenta que Hogwarts já viu, as coisas estavam finalmente andando para frente. Professora McGonagall virara oficialmente diretora da escola, tivemos uma conversa muito franca sobre meu futuro lá dentro: neste primeiro ano letivo eu seria assistente do Professor Slughorn, o ajudaria com o planejamento das aulas, com a correção das atividades escritas e conferências de poções durante provas práticas. E, se tudo ocorresse dentro do planejamento, no fim do ano letivo, Slughorn estaria se aposentando e o cargo de Professora de Poções seria meu, definitivamente.
  McGonagall depositou uma fé cega em mim, que me fazia tremer na base com medo de não alcançar suas expectativas, mas eu tinha certeza de que ela me ajudaria no que fosse preciso.
  Outra professora que estava com a sua aposentadoria em andamento era Sra. Sprout de Herbologia. Confesso que Herbologia sempre foi o meu forte, sempre foi algo do qual me identifiquei de primeira e gostava de fato assim que pus meus pés em Hogwarts, o primeiro motivo era que a matéria me lembrava meus pais, e tenho certeza de que herdei essa boa convivência com plantas deles, minha mãe era florista e tinha uma floricultura no centro do condado onde morávamos e meu pai era botânico, trabalhava em um pátio de agricultura experimental, fazendo cruzamento de plantas e estudando novas espécies. A Herbologia estava no meu sangue, e minha boa inclinação com Poções também estava relacionada isto.
  Quem ficaria este ano ajudando Professora Sprout era Neville Longbottom, por este motivo não fiquei com a vaga de Herbologia; a Diretora McGonagall sabia que eu tinha noção, experiência e competência para dar aulas de Poções e Herbologia, porém Longbotton só tinha experiência com a segunda opção.
  Neville e eu viramos grandes amigos durante nossos anos como alunos em Hogwarts, eu me sentia responsável por aquele garoto desastrado e esquecido que vivia levando bronca de qualquer pessoa que fosse um pouco mais ligeira do que ele, e por isso, acabei tendo uma relação fraternal por ele, um ímpeto de irmã mais velha gritando dentro de mim a todo instante. Eu o protegia sempre que podia, fosse de uma bomba de bosta de Fred e George ou de um xingamento de Draco Malfoy, Nev sempre teve um lugarzinho especial dentro de meu coração. Creio que o fato de termos a criação por parte de nossas avós possa ter feito com que eu me apegasse mais a ele do que eu realmente gostaria de admitir.
  Eu gostava de trabalhar em Hogwarts, todo canto me fazia lembrar de alguma situação boa, de início, achei que seria como visitar um cemitério, com uma áurea pesada e densa de memórias póstumas, mas me enganei redondamente, eu vivia rodeada de alunos divertidos e barulhentos que me desligavam completamente de minha memória traiçoeira que queria me derrubar a todo custo, eu via ex-companheiros de Casa como Gina, Colin e até Hermione (que volta e meia estava lá para finalizar seus estudos), conversava com professores que eram sempre muito atenciosos comigo, visitava a cabana de Hagrid com frequência e continuava importunando Argo Filtch que, por incrível que pareça, agora adorava me ver pelos corredores como uma assistente ao invés de aluna, mesmo que ele tenha perdido a conta de quantas vezes teve que arrastar seu carrinho de limpeza para arrumar alguma bagunça que eu e meus amigos fazíamos.
  Após uma semana cansativa de provas, o Professor Slughorn me liberou mais cedo no fim de semana, como eu ainda era apenas uma assistente, não precisava dormir nos fins de semana em Hogwarts, então saí das imediações do castelo para conseguir aparatar, nunca gostei da sensação de sujeira que o Pó de Flu proporcionava, só usava em momentos de extrema necessidade.
  Visitei minha avó, conferindo tudo que ela precisasse e ela me espantou dali.
   “Vá logo visitar seus amigos, sei que estão loucos para te ver”.
  Eu estava igualmente louca para vê-los.

  Aparatei n’A Toca ao entardecer de sexta-feira, havia virado um ritual passar o fim de semana ali; eu, Hermione e Harry sempre estávamos lá. Molly adorava nossa presença, sempre dizia que casa cheia era sinônimo de felicidade, e eu não podia concordar mais. Aquela ali era a minha família, não importa quantos anos passassem, eu sempre me sentiria como uma filha adotada dos Weasley’s, mesmo que um dos motivos de eu ter entrado para aquela família não estivesse mais ali. Avistei a casa que eu tanto amava e suspirei fundo engolindo um nó que sempre se formava quando eu me aproximava daquele lar.
  Encontrei Sr. Weasley na garagem, mexendo em uma televisão.
  - Boa tarde, Sr. Weasley. – Falei calma para não o assustar, mesmo assim ele acabou dando um pulo.
  - %Verônica%, boa tarde, que bom que você veio... – Ele me abraçou de lado rapidamente e beijou o topo de minha cabeça. – Estou precisando de uma ajudinha sua.
  Eu sorri amigável, me aproximando da TV.
  - Você sabe o que é isto?
  - Sim, é uma televisão. – Falei observando a mesma. Era preta, tinha a tela de vidro arredondada e muito parecida com o modelo que minha avó tinha em casa, porém o Sr. Weasley já tinha retirado a parte preta de plástico que cobria a parte de trás da mesma.
  - Para que serve exatamente?
  - Para assistir programas, filmes, novelas, jornais...
  - Então esta tela reproduz imagens? Fascinante! – Perguntou ele interessado, esticando seu pescoço para olhar a parte de trás.
  - Isso mesmo. É como um rádio, só que com imagens. É muito bom para passar o tempo, só tem que tomar cuidado para não perder tempo demais na sua frente.
  - Entendo. E como eu faço para funcionar?
  - Bom, no mundo trouxa nós temos eletricidade, lembra que já te expliquei como funciona? A TV é ligada nessa eletricidade e assim ela funciona. Precisa também de uma antena para captar o sinal.
  - TV?
  - Isso, é um apelido carinhoso para televisão. – Eu sorri.
  - É muito engenhoso, esses trouxas... Sempre me surpreendendo! – Ele riu sozinho, entusiasmado. – E você sabe o que é isso aqui?
  Ele me entregou um novíssimo modelo de PlayStation com dois controles remotos com os fios enrolados em si.
  - Uau, Sr. Weasley, esse sim é um espécime interessante. – Falei animada. Mesmo estando fora do mundo trouxa quase que completamente, eu conhecia o videogame pois minha avó tinha outros netos além de mim, e todas as vezes que eles a visitavam em suas férias, eles levavam o brinquedo para brincar lá.
  Os olhos de Sr. Weasley brilharam quando viu meu entusiasmo.
  - Isto é um videogame. É um aparelho que a gente conecta na TV e consegue jogar jogos de todos os tipos.
  - Jogos?!
  - Isso, tem jogos de luta, de corrida, com história e você controla o personagem com isso. – Falei indicando os controles.
  - Isso sim é muito interessante... – Comentou ele, desenrolando o fio do controle para olhar melhor.
  - Sim, cada botão desse faz o seu personagem fazer algo, como pular, correr, dar um soco... É bem divertido. – Expliquei e ele ficou eufórico. – Mas para isso, precisamos comprar um jogo, ou talvez... – Apertei o botão “Open” do videogame e notei que tinha um CD dentro intitulado “CTR – Crash Team Racing”. – Sr. Weasley, você está com sorte.
  Ele deu um pulo animado.
  Expliquei como o CD funcionava e todo o processo que ele precisava ter para fazer o jogo funcionar, eu disse que o ajudaria amanhã e ele prometeu procurar todos os cabos, fontes, baterias e antenas que ele tinha guardado na garagem para tentarmos fazer tudo aquilo funcionar.
  Segui para a casa, deixando um Sr. Weasley muito animado para trás. Bati na porta e fui atendida por Rony.
  - %Vee%! – Ele exclamou dando um sorriso sincero e já abrindo espaço para eu entrar. - Entra, entra! Eu, Mione e Harry estamos investigando algumas coisas na sala, se quiser ir lá nos ajudar!
  O abracei quando entrei na casa.
  - Já vou lá, Rony. – O informei e ele voltou para sala apressado.
  - %Verônica%, minha querida. – Molly veio até mim de braços abertos, ela cheirava a noz-moscada.
  - Oi, Sra. Weasley. – A abracei com força. Seus abraços deviam estar em alguma instituição de reabilitação, eu sempre me sentia mil vezes melhor com seus braços em volta de mim. Me sentia bem-vinda. – Como estão as coisas por aqui?
  - Estão bem, minha filha, caminhando... Você está tão linda. – Ela disse quando partiu o abraço e olhou meu rosto, alisou minha bochecha e apertou meu queixo antes de me puxar mais para dentro de casa. – Está com fome? O jantar sai daqui a pouco, as crianças estão na sala. George está no quarto dele. GEORGE! – Ela gritou o nome dele me dando um susto. Eu ri, as coisas estavam indo aos poucos ao seu lugar. Nunca seria o mesmo. Mas eu gostava de sentir a família voltando ao seu eixo, barulho, bagunça, os berros de Sra. Weasley, vapor saindo das panelas e um calor amistoso que nos abraçava por completo, era aconchegante demais.
  George aparatou a poucos centímetros da mãe a dando um susto, e eu sorri vendo-a sair reclamando em direção à cozinha.
  - Achei que você só vinha amanhã. – George disse, envolvendo-me com seus braços.
  - É bom te ver também, grandão. – Falei correspondendo seu abraço. De início, achei que George fosse enjoar de minha presença em sua casa, pensei que em algum momento ele fosse me chamar em um canto e dizer “%Vee%, acho que é hora de você me deixar um pouco em paz”, mas essa conversa nunca veio, estávamos criando um laço mais forte do que nunca, era um laço de dependência emocional, não era a melhor opção, não era saudável para nenhum de nós, porém eu sentia que haviam dias em que eu só pensava “Puxa, faltam apenas dois dias para eu ver ele”, e eu podia sentir que com ele era a mesma coisa, talvez até um pouco pior, já que George ainda não estava saindo de casa. Vim este fim de semana decidida a tirá-lo daqui.
  Quando Fred e George decidiram largar o nosso último ano em Hogwarts, pouco antes da formatura, para irem abrir sua loja de Gemialidades, eles haviam alugado um apartamento acima da loja para morarem juntos e finalmente se desgarrarem d’A Toca. Eu vivia indo para lá depois da formatura. A diretora Minerva, até então professora, já havia me feito a proposta para ser substituta de Slughorn e eu tirei aquele ano para estudar todos os tipos de Poções; graças ao seguro de vida dos meus pais, eu conseguia me manter e ajudar minha avó sem precisar trabalhar, então fiz toda a minha preparação naquele ano, para no ano seguinte ingressar na escola como assistente de Poções. Com todo o acontecido, os ataques agressivos aos nascidos trouxas e perseguições de comensais da morte, a Ordem da Fênix achou melhor eu me esconder n’A Toca, onde podiam me proteger até tudo passar, e foi o que eu fiz. Pouco tempo depois disso, Fred e George também fecharam a loja e vieram se acolher n’A Toca.
  Então bem antes da Batalha de Hogwarts, eu já estava habituada a ficar lá com eles, não era seguro eu ficar indo até a casa de minha avó, então apenas enviei uma carta a ela dizendo que eu estava bem e ficaria um tempo sem dar notícias.
  - Slughorn fez vista grossa? – Perguntou ele me guiando para a sala, onde encontrei Rony, Harry e Mione sentados no chão em volta da mesinha de centro que estava cheia de papéis e recortes de jornais.
  - Uhum, ele está exausto, não sei se vai aguentar até o final do ano letivo. Oi, pessoal. – Falei acenando, Mione e Harry acenaram de volta, concentrados demais para me dar atenção.
  Harry, Rony e Hermione estavam trabalhando como Aurores no Ministério da Magia, com o fim da batalha, muitos Comensais acabaram fugindo e agora eram procurados, uma passagem só de ida para Azkaban os aguardava, e meus amigos estavam focados nisso nesse momento.
  Hermione já havia me dito em uma conversa particular que não queria ser Auror por muito tempo, tinha outro cargo em vista, mas no momento era o que ela queria fazer, até como forma de ajudar outros nascidos trouxa que ainda podiam estar em perigo.
  - Não cheguei a ter aulas com ele, mas pelo que ouvi, até que não era um professor tão ruim. – George comentou sentando-se no braço da poltrona que havia ali.
  - Não precisava de muito para ser melhor do que Snape... – Comentei dando de ombros, jogando-me na poltrona que George havia se apoiado, apenas mencionar o nome dele fez Harry, Mione e Rony me olharem de sobrancelhas franzidas. – Me desculpem, sei que ele foi muito importante para a nossa vitória, mas não vamos esquecer de como ele nos tratou durante sete anos.
  Rony maneou a cabeça concordando, e Mione também cedeu.
  - Qual é, Harry. O cara tratava a gente igual um monte de bosta. – George tentou me ajudar.
  - Eu sei, eu sei, é só que... Perdi algumas noites de sono pensando nisso. – Harry disse suspirando.
  - Estou realmente grata por tudo que ele fez. Tenho certeza de que ele tinha seus motivos, mas perdoar não é esquecer. – Continuei e vi Rony e Mione concordando comigo. – Ah, Harry, Gina te mandou isso. – Falei abrindo a lateral da bolsa que estava com a alça ainda cruzada em meu peito, e lhe entregando uma carta dobrada de sua amada.
  - Ah, o amor jovial. – George suspirou.
  Harry pegou a carta encabulado e se afastou para ler.
  - %Vee%, será que você pode me ajudar com uma coisinha? – Mione aproveitou que Harry havia saído, para me chamar, tocando meu joelho.
  - Precisa de alguma coisa?! – Rony endireitou-se preocupado e ela sorriu envergonhada para ele, suas bochechas ganhando a cor avermelhada rapidamente.
  - É coisa de menina, Ron. Obrigada. – A garota disse, levantando-se e eu fiz o mesmo, deixamos os irmãos nos olhando desconfiados enquanto subíamos as escadas em direção ao quarto de Rony.

  Hermione fechou a porta do quarto do namorado, sussurrou “Abaffiato” e andou de um lado para o outro nervosa, a unha do indicador na boca.
  - Mione? – Perguntei apreensiva. – Você está me deixando preocupada.
  - Desculpa, é que estou um pouco nervosa de te perguntar isso... Mas não tenho com quem falar; Harry é menino, George então, nem se fala, e Gina... Gina é irmã dele. – Ela falou suspirando. Sentei-me na cama, tirando a bolsa de meu ombro para ficar mais à vontade.
  Tinha alguma coisa a ver com Rony, engoli seco, estaria Hermione me pedindo conselhos amorosos? Era a única coisa que ela não conseguiria em livros. Talvez em algumas revistas de fofoca adolescente, mas ela não fazia o tipo que consumia esse conteúdo.
  Ela parou de caminhar e me encarou com seus olhos castanhos preocupados.
  - %Vee%, me desculpa te fazer passar por isso... – Suspirou novamente. – Mas, como é fazer sexo com seu melhor amigo?
  Aquela pergunta me pegou desprevenida, finalmente entendi sua angústia. Não era apenas pela vergonha de querer perguntar algo tão íntimo para mim, já havíamos conversado sobre coisas de menina antes, era também o fato de não querer me fazer pensar em Fred. Ela estava com medo da minha reação, porém, pensando no seu bem-estar, eu sorri. Um sorriso confiante que a fez relaxar, e não um sorriso que a fizesse se arrepender de perguntar.
  - É algo natural, Mione. Se não for natural, não está certo. – Respondi com sinceridade.
  - Como assim? – Eu adorava sua inocência para coisas tão simples, Hermione era recheada de conteúdo, lembrava-se de todos os ensinamentos que podia aprender com seus estudos, mas não estava preparada para algo tão simplório quanto um relacionamento, creio que ter crescido no meio de dois meninos possa ter a afetado nesse sentido.
  - Você não pode se sentir pressionada, tudo tem que ocorrer com naturalidade e simplicidade, você vai saber quando tudo estiver indo na direção certa, sabe? Você está se sentindo pressionada? Ou sente que se acontecesse, sei lá, hoje, você estaria bem com isso?
  - Acho que está indo tudo bem, ele não está me pressionando a nada, mas...
  - Está vendo? Se tem um “mas”, significa que talvez ainda não esteja na hora. Olha, vocês são feitos um para o outro, vão ter todo o tempo do mundo para isso.
  Ela sentou-se do meu lado, ainda nervosa.
  - Tá bom, você tem razão. E não foi estranho? Você não sentiu como se estivesse algo errado?
  - Não. – Não consegui segurar um sorriso, ela sorriu junto. – Eu sentia que era certo, que era exatamente aquilo que eu devia estar fazendo naquele momento. Você sente, sabe? Eu fiquei na mesma posição que você está agora por um bom tempo, pensando “E se estragar a amizade? Um beijo dá pra relevar, mas será que vai dar para relevar isso?”.
  - É exatamente isso que está me incomodando. – Ela afirmou com a cabeça, mordendo o lábio inferior.
  - Então para de se incomodar, para de pensar com isso. – Toquei meu dedo indicador em sua têmpora. – E começa a pensar com isso. – Toquei o tecido de sua camisa em seu peito, indicando seu coração. – Vocês dois formam um casal incrível, são completamente apaixonados um pelo outro, não tem o que dar errado nessa fórmula. Tá bom? Fica tranquila, não vai ser estranho nem estragar a amizade, a não ser que você esteja pensando que esse relacionamento não vai ser duradouro... Você pretende terminar com ele ou algo assim?
  - Não! É claro que não. – Ela disse estufando o peito, ligeiramente ofendida.
  - Então, Mione, deixa acontecer com naturalidade. É a dica que eu te dou. Não fica pensando muito nisso, nem planejando nada, e tu vai ver que vai haver um dia em que vai acontecer e vai ser incrível.
  - Mas... Não devia ser especial?
  - Vai ser. O primeiro beijo de vocês foi planejado?
  - Não. – Ela disse sem graça, entendendo o que eu quis dizer com aquilo.
  - E você não acha que foi único? Que talvez, se você tivesse se preparado para aquilo, não teria sido tão bom?
  Ela ponderou por um momento e por fim concordou.
  - É, acho que foi perfeito do jeito que foi. – Seus olhos não mentiam, um brilho invejável tomou conta deles e eu sorri novamente.
  - É isso. A primeira vez de vocês também vai ser assim, essa é a vantagem de namorar o seu melhor amigo. Vai ser incrível e especial, Mione. Não se preocupa, tá bom?
  - Você tem certeza? Como você conseguiu olhar na cara dele depois que aconteceu?
  - Bom, você conheceu o Fred... Ele era palhaço, brincalhão, mas ele sabia se portar como uma pessoa normal em determinados momentos. Ele era um doce comigo, exatamente o mesmo tipo de doçura que Rony tem com você, talvez seja algo no sangue dos Weasley.
  Ela riu pelo nariz, um sorriso bobo tomou conta de seus lábios.
  - Levando em consideração o jeito como o Sr. e a Sra. Weasley são, acho que pode ser sim algo genético. – Ela disse rindo, o semblante muito mais tranquilo.
  - Verdade. – Eu sorri junto com ela. – Amiga, relaxa, só leva com naturalidade, e se você ver que tem algo te pressionando, chama ele para uma conversa, afinal, vocês são amigos acima de tudo.
  - É, mas acho que não vou precisar chegar nesse nível. Ele está sendo um fofo comigo, eu só estou nervosa mesmo, não tenho com quem conversar.
  - Ei! Assim você me ofende! – Brinquei e ela sorriu. – Olha, nós nunca fomos as pessoas mais próximas do mundo, mas ainda temos chance de fazer isso acontecer. E convenhamos que tem alguns assuntos que vai ser difícil você ter com quem conversar, Gina é maravilhosa, mas vai ser difícil ter esse tipo de conversa com ela, eu tinha Angelina. E você tem a mim, ok? Não fica com vergonha de me chamar.
  - Obrigada %Vee%, eu estava precisando colocar isso para fora. – Seu sorriso foi sincero e me senti grata por poder ajudar aqueles dois cabeças-duras.

  Após o jantar, ajudamos a Sra. Weasley a arrumar as coisas e acompanhei George até seu quarto. Ele ainda não tinha perdido o costume de ficar lá trancado, se sentia confortável lá e eu não tinha o direito de tentar roubar esse costume dele.
  Conforme o tempo passava, eu tinha a impressão de que o quarto estava perdendo as características de Fred; o seu cheiro, antes impregnado em cada centímetro, agora era só uma lembrança rasa em minha mente, a sua bagunça característica agora era limitada à sua cama feita e seus pertences guardados no guarda-roupas, com exceção de uma foto nossa em pé no criado mudo. Era uma foto minha e dele, assim como antes havia uma foto de George e Angelina do mesmo dia que foi guardada por ele em algum lugar. Ambas foram tiradas no dia da inauguração da loja, onde nós dois sorríamos para a câmera, e eu virava meu rosto para dar um beijo em sua bochecha. Era uma foto adorável que George tinha pena de guardar, eu imagino que por minha causa.
  - Como foi sua semana? – Perguntei colocando minha bolsa em um cantinho que eu já considerava “meu” no quarto.
  - Foi mais produtiva do que eu esperava, acabei tendo umas ideias legais para a loja, depois te mostro. – George disse, jogando-se na cama.
  - Georgie. – O chamei, sentando-me na beirada de sua cama. – Você não acha que está na hora de voltar?
  Aquela pergunta havia rondado minha cabeça a semana inteira, pensei em mil formas de o abordar sem parecer rude ou insensível, mas percebi depois de um tempo que George e eu tínhamos uma intimidade onde nenhum podia ficar ofendido com o outro sem uma explicação realmente plausível.
  Ele suspirou alto, entrelaçando as mãos sobre a barriga esticado em sua cama que quase era pequena demais para sua altura.
  - Não sei, %Vee%... Você acha que eu estou pronto?
  Ponderei por um segundo.
  - Acho que podíamos dar um pulinho lá esse fim de semana, o que acha? Ver como estão as coisas, ajeitar a loja... Só se você quiser, não quero te forçar a nada.
  - Acho que podemos tentar sim. – Ele disse olhando para o teto. Era perceptível que ele estava desconfortável.
  - Você sabe que não precisa fazer nada que esteja te incomodando, não é? – Perguntei levando minha mão até sua perna.
  - Sei sim, você está certa. Eu preciso voltar para a minha vida normal, não posso ficar me escondendo embaixo da asa dos meus pais para o resto da minha vida.
  - Só que não precisa ser agora. Tudo tem o seu tempo.
  - Já se passaram quatro meses, %Verônica%...
  - Eu sei disso, G. – Suspirei, puxando minhas pernas para cima da cama, onde ele começou a mexer em meus dedinhos do pé distraído. – Mas isso não justifica o teu tempo de cura.
  - Eu nunca vou me curar, você sabe disso. Sempre vai ter uma ferida aberta em meu peito.
  Aquilo me atingiu com mais força do que eu achei que aquela conversa pudesse me atingir. Saber que George nunca mais seria o mesmo me machucava muito, eu sentia falta do seu sorriso espontâneo e fácil, da sua áurea leve e do seu humor ácido, mas precisava entender que talvez ele nunca mais fosse ser aquela pessoa novamente e acima de tudo, eu precisava aceitar aquele novo George do mesmo jeito que eu aceitava o outro. Não era uma tarefa difícil, eu o amava independente de qualquer circunstância.
  - Essa ferida pode não se curar, mas com certeza não vai doer tanto.
  - É... – Ele ficou em silêncio por alguns segundos, ainda distraído com meu pé. – Acho que vou chamar o Lee, o que acha?
  - Acho uma ótima ideia.
  Fazia tempo que eu não falava com Lee, trocávamos correspondências semanais, mas apenas conversas banais para não perder completamente o contato. Seria bom tê-lo junto.

  No dia seguinte, fiquei a manhã inteira empenhada com Sr. Weasley, a televisão e o videogame, George trabalhou conosco como se fosse um ajudante de mecânico, procurando os utensílios necessários que Arthur havia separado na noite passada.
  Perto do meio dia conseguimos ligar a televisão e o PlayStation, utilizando magia atrelada à uma bateria de carro antiga, eu conectei os cabos do videogame na TV e comemoramos animados antes de Sra. Weasley nos chamar para almoçar.
  De tarde todos fomos até a garagem para ver se o jogo funcionaria e deu certo. Praticamente perdemos a tarde inteira jogando o jogo de corrida de Crash, onde eu e Harry acabamos ganhando quase todas as partidas por termos um conhecimento prévio de como lidar com um videogame, Harry disse que quando seu primo ganhou um, ficou dois anos sem poder jogar, apenas observando-o jogar durante as férias de verão. Rony, Hermione e George jogaram bastante conosco, sempre alternávamos as duplas e fiquei feliz de ver algumas risadas fugindo do semblante sério de George, ele adorava ganhar de Rony que, por sua vez, era extremamente competitivo.
  À noite, Rony, Harry e Hermione nos mostraram como estava a sua investigação à procura dos Comensais que fugiram durante a queda de Você-Sabe-Quem. Conversamos sobre o assunto, Hermione tomando nota de tudo que sugeríamos como uma possibilidade a ser estudada. George escreveu uma carta para Lee, o convidando para nos acompanhar amanhã em nossa primeira ida à Gemialidades Weasley e continuamos fazendo companhia ao trio de ouro até a hora em que minhas pálpebras não conseguiam mais se manter abertas.

  Estávamos parados em frente à loja Nº 93 do Beco Diagonal, a loja era uma grande sala de esquina, a fachada ainda estava impecável tirando a poeira que vinha da rua.
  George deu um passo na direção da porta de entrada e eu encarei Lee por um segundo, ele me dando de ombros, como se dissesse “Ele consegue”.
  Entramos na loja, tudo parecia estar em seu devido lugar, uma poeira fina característica de algo que estava fechado a muito tempo estava em cima de todas as prateleiras e itens distribuídos sobre os estandes. Peguei um frasquinho rosa sobre uma bancada, o vidro em forma de coração me fez sorrir, me lembrando do dia em que fiz minha primeira leva da Poção do Amor.
  Lee soltou um espirro ao meu lado e devolvi o frasco ao lugar, fui com ele até George e segurei a mão de meu melhor amigo, tentando ler o que se passava em seu peito.
  - Está exatamente do jeito que deixamos. – Ele disse, com a voz fraca.
  - Isso é bom, não é? – Perguntou Lee, pondo a mão em seu ombro.
  George não respondeu, pegou sua varinha gasta e com um aceno na direção do balcão de pagamento, a loja inteira tomou vida: as luzes se acenderam, brinquedos começaram a se mexer, contas coloridas voavam por nossas cabeças, prateleiras giravam e aquilo aqueceu meu coração por um momento. Peguei minha varinha e sussurrei “Tergeo”, fazendo um pequeno redemoinho varrer a loja com sutileza, retirando o pó de todas as superfícies e seguindo para a porta em que entramos.
  George andou pela loja distraído, eu e Lee nos entreolhávamos a todo momento, com medo do que ele podia vir a fazer, mas ele apenas encarava as coisas com o olhar triste, sem reação aparente, com seus ombros caídos de maneira melancólica.
  Eu gostaria de poder sugar toda aquela tristeza para mim como um Dementador inverso, deixando-o novinho em folha, com uma autoestima acima da média, como ele sempre teve e uma malandragem digna de um prêmio importante.
  Eu também olhava a loja de maneira distraída, memórias me abraçando como uma brisa quente, porém ao contrário de me fazer ficar triste, aquelas memórias me aqueciam, me peguei sorrindo algumas vezes, lembrando de como alguns produtos foram testados e de como aquilo deixava meus amigos felizes. Espiei Lee algumas vezes e percebi que ele tinha a mesma reação que eu, olhava alguns frascos e sorria, sua memória o confortando da maneira que podia.
  - Ei, está tudo bem? – Perguntei em certo momento, vendo George olhar fixamente para os Cristais do Cupido.
  - Está sim. – Ele sorriu fraco para mim. – É só que são tantas memórias.
  - São mesmo, não é? Mas são uma coisa boa. – Falei alisando suas costas, tentando de alguma forma lhe demonstrar conforto.
  - As memórias são a melhor parte. – Lee afirmou se aproximando de nós. – G, ele está eternizado aqui. Essa é a marca que ele vai deixar para o mundo.
  - Sim, que a alegria sempre vai prevalecer, mesmo nos momentos mais sombrios. – Eu disse, apoiando.
  George deixou um sorrisinho escapar por seus lábios novamente, e nesse momento ouvimos o sino da porta tocar. Duas crianças por volta dos seus dez anos entraram na loja.
  - A loja está aberta? – A menina perguntou, os olhos brilhando de animação.
  - Ainda não. – Lee respondeu. Era nítido o desapontamento que as crianças ficaram.
  - Ah, que pena! Sempre viemos aqui e ficamos querendo entrar! – O garotinho respondeu cabisbaixo.
  - Logo reabrirá. – Ouvi a voz de George dizer e o olhei não conseguindo segurar um sorriso. – Estamos organizando as coisas para que isso aconteça o mais breve possível, está bem?
  As crianças concordaram com a cabeça, ainda desanimadas por não poder comprar nada, mas esperançosas para logo poder voltar. Saíram de lá correndo para contar a novidade aos pais.
  George soltou o ar quando as crianças deixaram o estabelecimento.
  - Vou precisar de ajuda. – Ele admitiu incerto.
  - Eu te ajudo agora no começo, tenho certeza de que o Ministério pode esperar. – Lee disse sorrindo abertamente, foi só quando eu vi seu sorriso que notei quanto tempo fazia que eu não o via com um sorriso daqueles no rosto.
  - Eu venho todos os fins de semana. – Me ofereci também. – Podemos começar dando uma olhada nos estoques hoje. Assim você consegue ir produzindo o que estiver com baixa durante a semana, o que acha?
  George concordou, seu semblante ligeiramente mais confiante e fiquei extremamente feliz por isso.
  Passamos o dia inteiro conferindo tudo ao som do pequeno rádio que ressonava em vários reprodutores de som espalhados pela loja, olhamos cada prateleira, cada embalagem, e cada sicle deixado na caixa registradora. Ao final do dia, eu tinha um rolo grande de pergaminho flutuando ao meu lado que já estava encostando no chão com uma pena de repetição rápida anotando tudo o que eu ia dizendo, George e Lee estavam dentro do estoque me informando tudo o que tinha lá.

  Quando já anoitecia, Lee se despediu de nós indo para sua casa. Ficou combinado que George ficaria responsável por produzir o que estava com o estoque mais baixo e informaria Lee quando estivesse terminando para que eles, juntos, combinassem o melhor dia para reabrir a loja. George o agradeceu tanto que Lee foi embora dizendo que se ele agradecesse mais uma vez, ele iria desistir da ideia pois não aguentava mais ouvir aquela palavra.
  Ficamos sozinhos na loja, George jogou-se na cadeira que estava atrás do caixa tão exausto quanto eu.
  - %Vee%. – Me chamou depois de um tempo, eu estava olhando os produtos distraída, com as mãos no bolso de trás da minha calça.
  - Sim? – Perguntei me aproximando do balcão do caixa.
  - Obrigado por fazer isso. – Seus olhos estavam cansados, mas um sorriso sincero estava em seus lábios.
  - Você não precisa me agradecer.
  - Preciso sim. Se não fosse você, eu não sei o que seria de mim.
  - Se não fosse eu, você seria um panaca desde o primeiro ano em Hogwarts. Você tinha que vir me agradecendo desde lá. – Brinquei e ele riu fraco cruzando os braços sob o peito.
  - Você só entrou para o time de Quadribol por nossa causa. – Ergueu as sobrancelhas me desafiando.
  - E vocês nunca teriam descoberto como ler o Mapa do Maroto.
  - E você nunca teria dado uma vomitilha ao Malfoy.
  - E vocês não teriam Poções do Amor decentes para vender nessa loja.
  Por fim estávamos rindo, um pegando no pé do outro como fazíamos antigamente, aquela era uma cena que eu teria que guardar dentro do meu peito para sempre: George sorrindo abertamente depois de tudo.
  Ouvi algumas notas de violão tocar no reprodutor de som que ainda estava conectado ao rádio, e pulei de onde eu estava, fui até ele e estendi as mãos. Ele entendeu a deixa e segurou minhas mãos contrariado. (Ouça a música)
  O puxei para o centro da loja, olhei em seus olhos tristes antes de passar meus braços por suas costas e nos embalamos lentamente ao som daquela música que eu conhecia tão bem.

  So, so you think you can tell
  (Então, então você acha que consegue distinguir)
  Heaven from hell?
  (O paraíso do inferno?)
  Blue skies from pain?
  (Céus azuis da dor?)
  Can you tell a green field
  (Você consegue distinguir um campo verde)
  From a cold steel rail?
  (De um trilho de aço frio?)
  A smile from a veil?
  (Um sorriso de uma máscara?)
  Do you think you can tell?
  (Você acha que consegue distinguir?)

  Aquela letra se encaixava em tantas maneiras conosco que eu o abracei mais forte, deitando minha cabeça em seu peito, ouvindo seu coração bater alto junto com o meu um tanto disparado, deixando a melodia me inundar por completo. George tinha seus dois braços em volta do meu corpo, me guiando para um lado e para o outro com uma calma surpreendente, ao contrário do que imaginei, ele estava confortável ali comigo.

  Did they get you to trade
  (Eles conseguiram que você trocasse)
  Your heroes for ghosts?
  (Os seus heróis por fantasmas?)
  Hot ashes for trees?
  (Cinzas quentes por árvores?)
  Hot air for a cool breeze?
  (O ar quente por uma brisa fresca?)
  Cold comfort for change?
  (O bom conforto por mudanças?)
  Did you exchange
  (Será que você trocou)
  A walk-on part in the war
  (Um papel de figurante na guerra)
  For a lead role in a cage?
  (Por um papel principal numa cela?)

  Tenho certeza absoluta de que George se identificou, pois senti seu peito tremer sobre minha cabeça, e o ouvi fungar o nariz. Nós havíamos trocado heróis por fantasmas, o conforto por mudanças e um papel de figurante na guerra pelo papel principal em uma cela em nossas próprias mentes. O abracei ainda mais forte, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas, ele acariciou minhas costas, ainda me embalando devagar, e continuamos ouvindo aquela música que tinha tantos significados que doía em minha alma.

  How I wish
  (Como eu queria)
  How I wish you were here
  (Como eu queria que você estivesse aqui)
  We're just two lost souls
  (Nós somos apenas duas almas perdidas)
  Swimming in a fish bowl year after year
  (Nadando em um aquário ano após ano)
  Running over the same old ground
  (Correndo sobre o mesmo velho chão)
  What have we found?
  (O que nós descobrimos?)
  The same old fears
  (Os mesmos velhos medos)
  Wish you were here
  (Queria que você estivesse aqui)

  Eu já não continha mais minhas lágrimas, deixando que elas lavassem meu rosto depois de um dia tão produtivo como aquele. George não estava diferente de mim, choramos juntos ainda nos embalando no ritmo final da música. Sua mão estava atrás da minha cabeça, acariciando meus cabelos e me senti uma idiota por tê-lo feito ouvir aquela música mas junto disso, eu me sentia feliz.
  Talvez fosse o momento, talvez fosse a boa vibração que eu sentia dentro de George, e talvez fosse Fred nos acompanhando naquele momento tão difícil, só sei que quando a música parou e nos separamos, olhei nos olhos de meu melhor amigo, limpei meu rosto com as costas da mão e sorri, agradecendo mentalmente por ter uma pessoa tão incrível para me acompanhar naquela maratona de turbulências que parecia não ter mais fim.
  E ele correspondeu o sorriso, me puxando de volta para um abraço junto de um beijo no topo de minha cabeça.
  - Eu queria que ele estivesse aqui. – Disse ele suspirando, citando a música.
  - Eu também, Forge. Eu também.

Flashback – 30 de setembro de 1990 – Campo de Quadribol

  Corri até a arquibancada da Grifinória e sentei ao lado de Lee que também veio ver os testes.
  Vejo o pequeno tumulto lá embaixo, avisto os cabelos flamejantes de Fred e George e consigo distinguir os cabelos negros de Angelina, o olhar dela sobe até mim e abano com a mão sorrindo. Ela corresponde.
  Os três fariam o teste para entrar para o time de Quadribol, Angelina queria ser atacante e os gêmeos batedores, enquanto todos voavam e mostravam o seu melhor, eu e Lee conversávamos rindo dos desastres de alguns e da habilidade de outros.
  - Acho que a Angelina consegue entrar para o time, ela é ótima! – Falei animada para Lee e ele concordou fervorosamente.
  Angelina havia acertado todos os gols que foram designados a ela, e os gêmeos eram outro show espetacular de ver, era como se as vassouras fizessem parte do corpo deles, assim como os bastões. Eles voavam tão entrelaçados que pareciam ler as próprias mentes (coisa que eu ainda desconfiava que realmente acontecia), faziam manobras arriscadas e derrubavam todo e qualquer obstáculo que colocavam em sua frente.
  Eu e Lee comemorávamos na arquibancada junto com outros companheiros de outros anos que vieram prestigiar os colegas.
  - Vocês estavam ótimos, vou falar com os outros integrantes, mas acho que é bem provável que a vaga seja de vocês. – Ouvi Oliver Wood dizer para os gêmeos quando nos aproximamos. Abracei Angelina a levantando um pouco do chão, dando risada.
  - Você foi incrível! – Falei quase gritando de animação, eu realmente estava eufórica com tudo aquilo. – Não errou nenhuma vez, foi emocionante de ver!
  - Eu nem sei explicar como foi! – Ela disse rindo, ainda desacreditada que havia se saído tão bem nos testes.
  - Você foi ótima, Angelina. – Lee disse a abraçando também, e aproveitei o momento para abraçar cada um dos gêmeos.
  - Vocês também foram demais! Parece que estavam lendo a mente um do outro. – Falei fazendo movimentos com a mão, simulando os dois voando. Os dois riram da minha animação.
  - A gente treinou durante as férias, Charlie ajudou bastante. – George disse, ainda suspirando alto pela empolgação. Eles já haviam mencionado seu irmão mais velho algumas vezes, eu já começava a sentir que Charlie era o irmão mais chegado neles.
  - É, bem, nosso irmão ajudou, mas o mérito é nosso pelo incrível poder de ler mentes. – Fred brincou sorrindo e Oliver virou os olhos para cima rindo junto.
  - E você, %Appleby%? Não quis fazer o teste? – Oliver perguntou simpático, eu o achava um gato e senti minhas bochechas queimarem por um segundo. – Estamos realmente precisando de um apanhador decente. – Sussurrou a segunda parte, com medo que o atual apanhador o ouvisse.
  - Ah, eu sou péssima com a vassoura. – Falei sem graça, aquele era um assunto que me incomodava um pouco, mas eu nunca tive coragem de admitir para ninguém.
  - E por que os dois aqui não te ajudam com isso? – Oliver era pouco mais alto do que os gêmeos, eu sorri sem graça sem saber o que dizer, estava nervosa demais com a sua proximidade.
  - Porque ela nunca pediu! – Fred se defendeu e recebeu um cutucão de cotovelo de George.
  - Você quer que eu te ajude a praticar? Posso pensar em algum momento vago entre os estudos e os treinos do time para te ajudar...
  - Wood, está tudo bem. – Falei sem graça, não queria que ele achasse que meus amigos estavam fazendo pouco caso sobre aquilo, sendo que eu nunca havia admitido que gostaria de aprender a voar bem de vassoura para assim ter alguma possibilidade de fazer testes para entrar no time de Quadribol.
  - Por que você não vai lá em casa durante as férias? – Fred perguntou rápido, como se quisesse cortar o assunto de Oliver.
  - Ah, não... Não quero incomodar. – Falei imediatamente, mesmo que em meu interior, meu coração batesse rápido demais, apenas com a possibilidade de poder fazer coisas de bruxo durante as férias e não simplesmente fingir ser quem eu não sou na casa de minha avó.
  - Deixa de ser besta, %Verônica%, é uma ótima ideia. – George disse, com um sorriso sincero no rosto.
  - A gente te ensina a voar definitivamente e ano que vem você faz um teste para o time. – Fred diz empolgado e eu suspiro, enquanto todos me olham apreensivos.
  - É, acho que pode ser.
  Continuamos conversando sobre como eles foram bem, os resultados oficiais sairiam na próxima semana, mas a fofoca na sala comunal já era certa de que Angelina e os gêmeos seriam os escolhidos para entrar no time. Lee sempre mostrou uma indisposição saudável com esportes então sempre fazia parte do comitê de narração e eu o acompanhei neste ano enquanto não aprendia muito bem a voar. Comecei a me dedicar mais nas aulas de Madame Hook para não ser uma completa perda de tempo quando os gêmeos fossem me ensinar durante as férias.

***

  13 de julho de 1991 – Residência dos %Appleby%

  Convenci minha avó a limpar a lareira naquele dia, ela fez questão de fazer um bolo de chocolate para recepcionar meus amigos e seu pai que viriam me buscar para passar algumas semanas em sua casa.
  Na cabeça de minha avó parecia uma completa loucura que eu fosse passar algumas semanas na casa de estranhos, ela era uma grande entusiasta do “não”, mas consegui a convencer de pelo menos aceitar uma ligação por telefone de Sra. Weasley, que se mostrou uma mulher muito simpática que conseguiu convencer minha avó, mesmo aos berros do outro lado da linha.
  - Vó, calma. Está parecendo até que vamos participar de uma entrevista na televisão. A casa está ótima, você também. – Falei soltando uma risada, vendo-a arrumar o vaso de petúnias em cima do piano de meu pai três vezes seguidas.
  - Só estou nervosa com seus amigos bruxos, e se o pai dele nos achar antiquadas? E se ele achar que você não deve ir para lá? – Assim que ela se entendeu com Sra. Weasley, o jogo virou e ela queria impressionar o máximo que pudesse.
  - Tenho certeza de que o Sr. Weasley não vai achar isso... – Falei, e ouvimos algumas vozes vindo da lareira. Logo depois das vozes, uma pequena nuvem de fumaça de fuligem adentrou a sala, como se alguém tivesse dado um pulo lá dentro.
  Um homem adulto, alto com roupas manchadas de fuligem e cabelos vermelhos ligeiramente grisalhos saiu de dentro da lareira com certa dificuldade.
  - Uau, que lareira apertada, Sra. %Appleby%! – Ele disse de maneira divertida. Minha avó estava aturdida demais para falar qualquer coisa. – Me chamo Arthur Weasley.
  - Vovó. – Sussurrei para ela, tentando acordá-la do susto de ver um homem daquele tamanho sair de sua lareira.
  Ela apertou sua mão de supetão, ainda meio assustada. Apertei sua mão também, dando meu melhor sorriso.
  Ouvi mais vozes vindo da lareira e logo depois Fred saiu de lá com muito mais facilidade do que seu pai, seguido de George e depois ainda surgiu um garotinho que eu não conhecia, mas que tinha cabelos tão vermelhos quanto os três que saíram de lá antes dele.
  Fui abraçar meus amigos sem conseguir segurar um sorriso no rosto, eles corresponderam.
  - E então, está pronta para usar Pó de Flu? – Perguntou George, puxando levemente a ponta de minha trança, penteado que minha avó fez para fingir que sou uma pessoa certinha e comportada para os pais dos gêmeos.
  - Dói bastante, mas como você pode ver, com o tempo você se acostuma. A primeira vez é sempre a pior. – Fred disse, indicando o pequeno atrás deles, que estava encantado demais com a decoração da casa para dar ouvidos para o que eles falavam. Eu estava fielmente desconfiada de que aquilo era mentira, mas gostava da cara de cumplicidade que eles faziam quando eu acreditava em qualquer coisa que eles falassem. Minha avó e Sr. Weasley entraram em uma conversa profunda sobre cuidados com filhos, enquanto eu mostrava a casa para os meninos.
  - E você, quem é? – Perguntei ao pequenino que nos acompanhava.
  - Rony. – Ele respondeu, suas orelhas imediatamente ficando vermelhas.
  - E então, Rony, como é ter esses dois idiotas como irmãos mais velhos? – Perguntei dando uma risada alta, vendo os dois amarrarem a cara para mim.
  - É bem difícil. – O menino bufou alto, não querendo falar muito para não se comprometer mais tarde.
  - Meninos, ajudem %Verônica% com as malas. – Ouvimos a voz de Sr. Weasley dizer da sala, e indiquei meu quarto com a cabeça.
  - Eu imagino, Rony. Passo por isso o ano letivo inteiro. – Falei, bagunçando seus cabelos lisos e ele sorriu cumplice para mim.
  - Você não vive sem a gente, %Appleby%. – Fred disse convencido.
  Entramos em meu quarto, os três com olhos atentos a qualquer detalhe que pudesse virar um alvo de piadas ou ser usado contra mim em algum momento. Meu quarto tinha as paredes amarelas com móveis de madeira envernizada, nada muito especial. Minha cama estava arrumada e em cima da cama meu patinho de pelúcia, que combinava com a cor das paredes, repousava sobre o travesseiro.
  George jogou-se na cama e agarrou o pato enquanto Fred olhava minhas coisas minuciosamente sobre a escrivaninha com espelho, abria minhas caixinhas de joias e olhava atentamente cada fotografia. Rony observava tudo com as mãos atrás do corpo, como se estivesse com medo e vergonha de estar ali. Fui até a janela, e abri a gaiola de Judith, minha coruja.
  - Judith, estou indo para a casa deles. – Apontei para Fred e George. – É A Toca, você consegue encontrar?
  Ela piou carinhosamente e eu sabia que conseguiria, bebeu um pouco de água e saiu voando pela janela, Rony se debruçou para vê-la voar na rua.
  Ficamos falando sobre qualquer besteira, enquanto eles me perguntavam sobre meu telefone de hambúrguer, minhas revistas de adolescentes e minha coleção de mini brinquedos da Kinder.
  Minha avó nos chamou para comer bolo antes de irmos, e descemos com minhas malas.
  Rony e os gêmeos adoraram o bolo de chocolate de minha avó, só não comeram tudo pois Sr. Weasley pigarreou alto quando Rony foi pegar o terceiro pedaço. Sr. Weasley finalizou o chá que minha avó havia oferecido e nos guiou novamente até a sala.
  Me explicou como funcionava o Pó de Flu e em nenhum momento comentou que doía, mesmo assim fiz questão de perguntar, apenas para ver o sorriso bobo no rosto de meus amigos.
  - É claro que não dói, faz muita sujeira, isso faz, mas não se preocupe! – Sr. Weasley garantiu, e confirmei minhas suspeitas, vendo-os dar risadinhas bobas tapando as bocas com a mão. Até Rony fez parte do coro de chacota às minhas custas. Traidor.

  Vi minha avó por trás das chamar verdes que lamberam meu corpo inteiro, me transporei por um caminho de poeira e cheiro de lenha molhada até sentir meus pés firmes e meus amigos empoeirados me puxarem para fora da lareira batendo suas mãos em meu ombro e cabelo, tentando me “limpar”.
  - Oh, querida, seja bem-vinda! – Uma senhora baixinha, gordinha, de cabelos ruivos e com o rosto mais doce do mundo me puxou para um abraço forte e aconchegante.
  - Muito obrigada por me receber, Sra. Weasley. – Fiz questão de recitar a frase que minha avó insistiu em me fazer decorar.
  - Não seja boba, é um prazer receber uma garota aqui para variar! – Ela disse me soltando do abraço. Passou a mão por meu rosto, analisando melhor as minhas feições. – Tenho que dizer, de todos os meus filhos, Fred e George eram os últimos da lista que eu diria que trariam uma garota para cá.
  - Tudo bem! – Fred disse me puxando pelo ombro, guiando-me para fora da sala.
  - Deixe a garota respirar, mulher! – George exclamou, fazendo a mulher soltar uma bufada indignada.
  - Foi um prazer te conhecer, Sra. Weasley! – Consegui dizer, espichando a cabeça para dentro da casa enquanto os garotos me empurravam para fora. A mulher soltou uma risada por fim.

  Passamos quase todo o período em que fiquei lá, em cima de vassouras. Eu usava qualquer uma que estivesse vaga no momento, de Charlie, de Rony, de Percy... Os gêmeos me ensinaram as regras do jogo e Rony sempre nos acompanhava nos treinos. Gina era a irmã mais nova deles e ainda não tinha permissão para voar, então ficava sentada no banco de madeira que ficava do lado de fora da casa, com as perninhas balançando rindo quando fazíamos alguma besteira para lhe alegrar.
  Acabei pegando a prática no terceiro dia de treino, os gêmeos disseram que eu devia treinar para ser a apanhadora do time, mas em apenas uma visita em um fim de semana, Charlie bateu os olhos em mim em um treino e disse que eu tinha a agilidade e agressividade de uma artilheira.
  Desde este dia, mudamos a estratégia e treinamos minha pontaria para acertar os aros, fiquei boa a ponto de Rony não conseguir me defender mais, e chamamos Percy para ajudar. Percy não gostava de se misturar conosco, mas fazia o favor, pois a Sra. Weasley o obrigava, no ano seguinte ele seria monitor e estava “especialmente bobalhão e pomposo”, como os gêmeos gostavam de lembrar.
  Foram as melhores férias de verão da minha vida. Eu finalmente podia ser quem eu era sem precisar me esconder, e aquela foi a primeira de muitas férias que eu passaria lá, todos os anos seguintes eu marquei presença nas férias de verão na casa dos Weasley’s, não demorou muito para eu ser convidada a passar os feriados lá também, e aquele ano foi o primeiro em que ganhei um suéter de lã amarelo queimado com minha inicial no meio, da Sra. Weasley no natal. Nunca, em toda a minha vida, me senti tão em casa quanto eu me sentia naquele lugar com meus melhores amigos.

Fim do flashback


  Nota da autora: Eu amo esse capítulo. Amo a interação de Vee com Sr. Weasley, sempre achei Harry e Hermione ligeiramente negligentes quanto à curiosidade que Sr. Weasley tem do mundo trouxa, nunca dando a devida atenção às suas perguntas peculiares, quando criei a personagem, esse foi uma característica que eu quis muito dar para ela: que ela fosse realmente “parte da família”.
  Outra coisa que amo nesse capítulo é a conversa extremamente íntima que Hermione tem com Vee, foi por falta de opção? Foi, mas tinha alguém no ciclo de amigos de Hermione que seria mais capaz de conversar com ela sobre aquilo? Não!
  E como não amar os dois dançando ao som de Pink Floyd?! Obrigada PP, pelos costumes de ouvir músicas trouxas, ou nunca teríamos a possibilidade de George conhecer a genialidade de Wish You Were Here.
  Isso tudo, sem falar o quanto amei esse flashback adorável, com a primeira visita de Vee n’A Toca... Não tenho o que dizer, só sentir.
  Por fim, muito obrigada por ter chego até aqui, espero que tenha gostado do capítulo tanto quanto eu. Aproveita e deixa aquele comentário gostoso. <3

Capítulo 3
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Natashia Kitamura

Veneremos essa atualização bíblica, porque é exatamente disso que a gente precisa nessa fanfic <3
Segue meus comentários todos fragmentados porque a lindeza aqui vai comentando enquanto lê para não perder a vibe e a querida autora entender meu amor por essa fanfic 😀

A Molly é uma das minhas personagens favoritas! Ela lembra muito a minha mãe, hahahaha, brava, mas com carinho <3

To só vendo essa tal da dependência emocional desses dois. Existe outro nome para isso. Spoiler alert: chama amor.

Xiii, eu também sou team Snape. Depois do que ele fez, passo pano pra qualquer coisa que ele fez nos anos anteriores, hahahaha!

AWWW, ERA DISSO QUE A GENTE PRECISAVA NESSE CASAL INCRÍVEL PERFEITO E MARAVILHOSO. Eu curto Dramione, mas Romione é TOP! E ver o Roni se preocupando com ela descaradamente assim é a cereja do bolo <3
HAHAHAHAHA E PQP A PERGUNTA QUE NÃO QUERIA CALAR, HEIN MIONE? Nossa, pirei.

Voltando a repetir Hahahaha, amo essa mulher! Eu imagino que a melhor parte de se ir pela primeira vez n’a toca, é o fato de ser a primeira vez. Nunca vou esquecer a primeira vez que li no livro e depois vi no filme. Que maravilhoso seria viver isso <3

Nossa, não sabia o quanto precisava desse capítulo até ler ele. Caramba, eu to animadíssima para ver como vai desenrolar esse amor com o George, mas ao mesmo tempo também quero muitos flashbacks com o Fred T.T Alguém me acode, quero os dois porque SIM, podem julgar SAIHAUISAHUI

Nayaaaa, sua diva! Aguardo ansiosamente (mas tipo, muito ansiosamente) o próximo capítulo! Ta demais!

Naya R.

Nat, sua perfeitaaaa!

Eu fico muito empolgada com a tua empolgação com essa fic hahahahahah e realmente, a Sra. Weasley é uma MÃE, simples assim, parece uma personificação de todas as mães amorosas do mundo, eu amo ela também ❤️

Essa dependência emocional tem nome e sobrenome, que vontade de fingir que não existe desenvolvimento de personagem e só juntar esses dois de uma vez aaaaaaaa hauahauahaahah

Romione é o MAIOR CASAL Q TEMOS SIM SENHORA!

A gente ama o George, a gente ama o Fred, a gente quer tudo e mais um pouco!!!! Não julgo, apenas compartilho da mesma piração hahahahahahah

Obrigada pelo comentário NAT, vc não sabe como está sendo importante para mim 💖💖

Ray Dias

Não acredito que cada atualização você vai me fazer chorar Naya!
A conversa com a Hermione… Poxa, foi tão natural que eu poderia sentir que de fato aconteceu aquilo no livro. A essência da Hermione, Harry e Ron, foi muito latente. O jeitinho de narrar o gestual deles… era como se eu pudesse ver isso diante dos meus olhos como nos filmes, ou ainda, como se eu estivesse lendo o próprio livro.
Lógico que chorei horrores com eles na loja, e durante a dança. E depois de muito choro e dor, me senti acalorada e presenteada pelo flash back. Obrigada mais uma vez Naya, por me aproximar de um novo universo desse universo que eu sou fã e tanto amo. A JK pode ser a nossa maior decepção sim, mas essa obra sempre terá meu coração ♥ e a sua fanfic também agora.

Naya R.

Ray, eu prometo que não faço de propósito!
A conversa com a Mione foi algo que me pegou de jeito quando pensei nela, pq o trio de ouro sempre foi tão ocupado pensando em tantas outras coisas (literalmente salvar a vida do Harry em todos os anos), que esses tópicos tão “normal” nunca entrou no mundo deles… Também adorei como fluiu bem, e obrigada por dizer essas palavras lindas sobre o jeitinho de narrar, é tudo feito com tanto amor que fico realmente emocionada por saber que você está gostando.
Mil vezes obrigada por estar acompanhando de perto essa fic que na minha cabeça pareceu sempre tão necessária, e agora, fico muito feliz de saber que existem outras pessoas que gostam também. Você não sabe o quanto é importante para mim, comentários como os seus, obrigada Ray! ❤️❤️❤️ (apertei no botão negativo na hora de curtir o comentário e não consigo desfazer, PERDÃO KKKKK)

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