The Weasley Twins


Escrita porNaya R.
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 59 minutos

  A Toca - 06 de junho de 1998

  Ponto de vista: George

  Um mês havia se passado desde a morte de Fred.
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  Um mês sem a porra da minha alma gêmea.
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  Um mês que estou sem sair de casa ou receber visitas.
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  Um mês que %Vee% está dormindo comigo.
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  Um mês que não falo com Angelina ou Lee.
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  Meu peito ainda ardia, ferido e completamente vazio, meus dias se limitavam em ficar no quarto e ir até a cozinha comer com a minha família. Ninguém dirigia muitas palavras a mim, depois de algumas semanas trancado no quarto isolado, eles perceberam que eu não queria conversa. Aos poucos fui soltando a linha imaginária que me prendia, abracei minha mãe, pisquei para meu pai, acariciei o braço de Gina alguns dias atrás e joguei uma partida de xadrez de bruxo silenciosa com Rony, nenhum deles fazia movimentos bruscos quando eu fazia algo assim, como se eu fosse um gato maltratado na rua que estava devagarinho se habituando ao novo lar.
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  Harry tentou trocar algumas palavras comigo ontem, mas o dispensei tentando ser o menos rude possível. %Vee% se encarregava de explicar a situação a todos.
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  Eu só conseguia falar com ela.
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  Talvez fosse o fato de Fred simplesmente confiar a sua vida a ela, se fosse possível, ou o fato de eu conhecê-la tão bem... Eu apenas sentia que podia falar qualquer coisa e ela entenderia. %Vee% me entendia, porque ela também perdeu a alma gêmea naquele dia.
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  – Você está bem? – Ouvi minha voz dizer antes mesmo que eu percebesse, estava amanhecendo lá fora e %Vee% entrava no quarto sorrateira, assustando-se com minha voz.
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  – Estou sim, só precisava de um ar. – Ela disse sentando em minha cama. – E você?
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  – O mesmo de sempre. – Dei de ombros debaixo das cobertas e ela sorriu com a boca fechada, mas os olhos eram tristes.
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  – Vem. – Ela disse, esticando o braço para mim, fazendo um sinal de “vem” com os dedos. Eu confiava nela o suficiente para apenas esticar minha mão até ela e deixar que me guiasse.
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  – Segura a coberta. – Avisou, e fechei minha mão livre na manta de retalhos que minha mãe havia feito há alguns anos, antes de sentir meu umbigo ser puxado para dentro, como se um gancho estivesse em meu intestino, meu corpo ficou fluido e viajei para onde quer que %Vee% estivesse me levando. Aparatamos.
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  Senti meu corpo rígido quando meus pés pousaram no telhado da garagem de papai.
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  O nascer do sol estava lindo.
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  O céu tinha tons rosa forte e laranja misturando-se em uma harmonia perfeita, não havia nuvens e não fazia frio, mas uma brisa gelada batia em nossas costas, deixando o verão mais gostoso do que de costume, o tempo estava úmido como se tivesse chovido algumas horas antes e o sol surgia à nossa frente, o campo de mato amarelado cobria toda a nossa vista, até as colinas que agora estavam se iluminando com os raios solares. À nossa esquerda havia um lago coberto de vitórias-régias e alguns pomares e hortas que minha mãe cultivava, à nossa direita estava A Toca, a residência fixa dos Weasley’s, a casa mais desengonçada já vista no mundo bruxo, porém, o lar mais aconchegante que qualquer um poderia conhecer.
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  %Verônica% cobriu nossas costas com a manta, mesmo que o calor já estivesse querendo dar as caras, e ali ficamos observando o sol subir com uma lentidão gostosa de acompanhar, abraçados às nossas pernas, curtindo a presença um do outro.
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  – Quando você pretende falar com Angelina, Georgie? – Ela quebrou o silêncio depois de algum tempo.
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  Angelina e eu estávamos engatados em um relacionamento desde que saí de Hogwarts. Eu gosto dela, gosto de sua companhia e por fim, gosto de como nosso relacionamento estava. O problema ali era eu, eu não estava em um momento em que me via em um relacionamento sério que fosse saudável ao mesmo tempo. Esse mês foi prova disso, não troquei uma só carta com ela e sempre que ela ia me visitar, eu preferia ficar trancado no quarto ao invés de ter sua presença. Não consigo pensar em um motivo definido, mas eu não conseguia mais pensar em Angelina como minha namorada. Eu precisava dizer isso a ela, mas não sabia como. Eu precisava do meu tempo e do meu espaço para me recuperar. Não podia ficar pensando em relacionamentos agora, não podia e não queria.
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  – Eu realmente preciso falar com ela?
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  – Bom, ela é sua namorada. Eu gostaria que você tivesse a decência de conversar com ela. – Explicou ela, a voz ligeiramente incisiva, do jeito que ela falava conosco quando queria nos dar uma bronca. Fred adorava quando ela fazia aquilo, eu particularmente achava irritante, principalmente quando era para me dar uma bronca.
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  – Não sei se estou pronto para ter esse tipo de conversa com ela. – Respondi com sinceridade.
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  – Eu sei que não é fácil, mas ela precisa saber como você está, o que você sente em relação a ela e se vocês estão realmente namorando, afinal, faz um mês que você não fala com ela.
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  – Eu sei, eu sei.
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  – O que você sente em relação a ela, George? Você precisa colocar estes sentimentos em ordem.
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  – Eu acho que não estou pronto para um relacionamento agora. – Suspirei, arrancando os fiapinhos soltos da colcha de retalhos, distraído.
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  – Então você precisa dizer isto a ela. Ela merece. – %Vee% disse acariciando meu ombro como se aquilo fosse me acalentar de alguma maneira.
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  – O que eu digo?
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  – Diz a verdade. Ela é, acima de tudo, sua amiga. Ela vai entender. – Ela parou de acariciar meu ombro e enganchou o braço no meu, deitando a cabeça em meu ombro olhando para frente.
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  – Você acha que ela vai entender? Eu fui um péssimo namorado nas últimas semanas.
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  – Eu tenho mantido ela e Lee bem informados, é claro que ela vai entender. Georgie, eles também perderam um amigo.
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  – Eu sei, mas... Não é a mesma coisa. Você sabe. – Olhei sua cabeleira castanha sob meu ombro.
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  – Não devemos desmerecer alguém por conta disso. - Sua voz era calma e lenta, como se não quisesse me ofender de alguma maneira.
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  – Você está certa.
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  – É claro que estou, e continuo achando que Angelina merece muito mais do que isso. Não estou querendo dizer que você está sendo ruim para ela, mas ela precisa de atenção. Qualquer relacionamento precisa de suporte e cuidado. - %Vee% sempre tinha as palavras certas. Sempre. Às vezes era surpreendentemente irritante, pois a deixava convencida, mas a %Vee% convencida acabava sendo tão amável quanto qualquer outra versão dela. E eu adorava todas as suas versões, inclusive a versão que esteve até agora comigo, sofrendo este luto terrível que nos consome de maneira inexplicável. E o pior de tudo: ela estava novamente certa.
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  – Vou falar com ela. Prometo. Só preciso pensar em como faço isso.
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  – Eu posso ir contigo, se você se sentir mais confortável.
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  – Não precisa. Posso fazer isso. – Respirei fundo. Seria a primeira vez que sairia realmente de casa.
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  – Tudo bem. Mas se você precisar de algo, estarei aqui. - %Vee% aconchegou-se mais, agarrada em meu braço.
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  – Na verdade, eu preciso. – Falei fechando os olhos, sabendo que ela iria me encarar com os olhos castanhos preocupados, aquela ruguinha de preocupação no meio das sobrancelhas.
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  Conforme previ, senti ela soltar meu braço e quando abri os olhos a garota me olhava atentamente.
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  – Eu gostaria de trocar a cor dos meus cabelos. – Falei nervoso, enquanto olhava o céu ficar mais claro e menos rosado a cada minuto que se passava.
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  – Como assim?
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  – Ah, %Vee%. Não me faça ter que explicar isso. – Respondi encabulado. – Eu só não quero mais ter que me olhar no espelho e ver... ele. É doloroso demais.
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  Os olhos dela se arregalaram, como se tudo fizesse sentido. Ela provavelmente estava tendo uma epifania de todos os momentos em que eu entrava no banheiro e acabava chorando sem motivos aparentes, ou de todas as vezes em que ela entrou no banheiro e viu o espelho tampado com uma toalha.
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  – Georgie... – Seus olhos agora brilhavam de uma maneira que eu, infelizmente, conhecia bem. – Você tem certeza?
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  – Tenho. Você acha que um castanho como o seu ficaria bom? Não gosto de loiro. – Respondi tentando distraí-la. Seus cabelos eram castanhos, do mesmo tom dos sapos de chocolate que comíamos no Expresso de Hogwarts todo dia 1º de setembro.
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  Ela fungou tentando se recompor.
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  – Acho que pode ser um pouco mais escuro. Se for muito claro, pode ficar avermelhado ainda.
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  Ela ainda me olhava desacreditada, como se eu estivesse brincando com ela ou algo do tipo, mas estávamos em um patamar onde eu nem conseguia brincar direito ainda.
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  – Entendi. E você sabe alguma poção que faça isso? Ou um feitiço. – Perguntei novamente caçando fiapinhos na manta, tentando não manter contato visual com ela naquele momento. Eu já sentia minha garganta embolada apenas de ver seus olhos marejados.
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  %Vee% não merecia aquilo.
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  – Não sei. – Fungou. – Mas sei pintar o cabelo no estilo trouxa. Minha avó pedia para que eu pintasse seu cabelo em todas as minhas férias e feriados que eu passava com ela.
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  – Você acha que funciona?
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  – Claro! Só tem que retocar uma vez a cada um mês ou dois, depende do crescimento do seu cabelo.
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  – Isso parece cansativo. – Exclamei espiando-a, e notei que ela fazia trancinhas na franja da manta.
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  – Posso falar com a Hermione, tenho certeza de que ela sabe algum feitiço que...
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  – Não, vamos fazer no método trouxa. Do que precisamos?
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  – Precisamos ir à uma farmácia, ou um supermercado e comprar um kit para pintura de cabelo.
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  – Entendi. – Fingi que sabia o que eram estas coisas, não queria ficar importunando. – E você tem dinheiro de trouxa?
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  – Claro. Sou nascida trouxa, G.
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  Eu sabia daquela informação, mas %Verônica% gostava de compartilhá-la sempre que possível. Ela tinha um entusiasmo intrínseco de mostrar suas origens e como conhecia tão bem os dois mundos. Eu entendo perfeitamente, pois adorava enganá-la quando era mais novo, inventando qualquer coisa sobre o mundo bruxo apenas para que ela achasse que era verdade e acabasse passando por algum aperto. Fred costumava fazer isto com mais frequência do que eu, e %Vee% sempre caía como uma patinha e sempre levava na esportiva. Era o que a gente mais gostava nela: sua inocência trouxa, sua curiosidade acima da média e sua risada frouxa quando descobria que havia sido enganada por nós. Às vezes eu desconfiava de que ela sabia que seria alguma pegadinha, mas fazia do mesmo jeito para conseguir nos conhecer melhor, e ela conheceu. Conheceu ao ponto de conseguir prever nossas ações antes de fazermos, era uma das garotas mais brilhantes que já conheci.
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  –Ficou combinado que eu iria na casa de Angelina sozinho, teria aquela conversa com ela e depois eu voltaria para irmos até a tal farmácia comprar o produto que tingiria meus cabelos permanentemente.
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  – Você está bem? – A voz de %Vee% me despertou de um nervosismo acima da média. Respirei fundo.
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  – Não.
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  – Você não precisa fazer isso agora, Weasley. – Eu não gostava quando ela me chamava assim. Não era íntimo o suficiente.
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  – Eu sei. Mas tenho que fazer. Preciso sair da minha concha, encarar a realidade um pouco.
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  Seus olhos estavam marejados novamente, mas dessa vez era de uma felicidade genuinamente orgulhosa.
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  – Tem certeza? – Perguntou tentando esconder um sorrisinho, falhou.
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  – Sim, %Vee%, eu sei que você está orgulhosa de mim. Pode sorrir. – Falei virando os olhos para cima, segurando suas mãos que estavam esticadas na minha direção, para que eu me levantasse da cama. Enquanto eu fazia isso, ela sorria feito uma bobalhona.
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  – Estou orgulhosa de você.
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  – Eu sei, mãe.
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  Eu gostava de como minha personalidade estava voltando aos poucos ao meu corpo, como se eu tivesse tomado um banho quente e revigorante, removendo um pouco da sujeira que me mantinha recluso.
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  Bati na porta da casa de Angelina. Aguardei ser atendido com as mãos atrás do corpo, olhando distraidamente o jardim da casa, com uma grama muito verde e bem cuidada, uma árvore bonita e aparada no centro, as folhas formando um desenho redondo perfeito.
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  – George? – A voz de Angelina me retirou do transe e antes mesmo de eu virar de frente para ela, a garota agarrou meu pescoço.
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  Envolvi seu corpo com meus braços compridos e ficamos assim por um tempo, apenas sentindo um ao outro.
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  Ela me fazia me sentir menos babaca, mesmo quando eu estava sendo um babaca com ela. Que tipo de namorado ficava sem dar notícias por um mês? Eu sei que tinha um motivo, que até poderia ser considerado plausível por alguns, mas depois de alguns dias pensando, não era de maneira alguma aceitável, ainda mais quando a sua namorada era uma amiga de longa data que conseguiria entender o que você está passando.
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  Por algum motivo por mim desconhecido, o seu abraço não me despertou aquela vontade repentina de chorar, mesmo quando ouvi seu fungar tristonho ao pé de meu ouvido.
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  – Como você está? – Ela perguntou quando nosso abraço se desfez e ela limpou as lágrimas com a mão.
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  Ela me chamou para sentar em um banco branco que havia na varanda.
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  – Estou bem. – Menti, era mais fácil assim. – E você?
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  – Estava preocupada com você. Meu Deus, George, você tem noção de como nós ficamos?
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  – Na verdade, não. Me desculpe por isso, Angel, eu só... Não consegui pensar em nada.
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  – Você não precisa se desculpar, George. – Ela disse acariciando minhas mãos, um sorriso doce nos lábios.
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  – Eu preciso sim. Me desculpe por ter sido tão... babaca. Não consigo pensar em outra palavra que descreva isso. Fui um babaca contigo. – Respondi correspondendo seu carinho.
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  – Você realmente não preci-
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  – Angel, eu acho que vai ser melhor para nós dois se terminarmos. – Não consegui deixá-la terminar, não quando aquilo estava entalado na minha garganta.
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  – O quê? – Era nítido que ela foi pega completamente de surpresa, isso era o que mais me doía, pois se ela estivesse brava por meu afastamento, esse término seria mais fácil.
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  – Eu não estou em um momento muito bom da minha vida. – Tentei explicar, entretanto, não saiu exatamente do jeito que eu havia planejado. – Sinto que preciso de um momento para conseguir recuperar completamente o rumo da minha vida.
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  – George, eu estou aqui. Sou a Angelina, lembra? Posso te ajudar a passar por isso.
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  – Eu sei que você pode, sei que você é tão maravilhosa a esse ponto, Angel. – Respondi olhando em seus olhos, que voltavam a ficar marejados. Por Merlin, quantos olhos marejados eu iria encarar esta semana? – Mas eu não posso mais fazer isso contigo, você não merece. Você é especial demais para isso, e no momento eu não sou o cara que vai conseguir te fazer sentir especial, não do jeito que você deve se sentir.
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  – Você está sendo imaturo. Eu entendo tudo que você está passando e estou disposta a encarar isso, juntos. – Vê-la daquele jeito me partia o coração. Logo eu, o cara que estava com o coração despedaçado.
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  – Desculpe, Angel. Mas eu já me decidi, e penso que nesse momento é a melhor escolha. Não quero te afundar nesse poço de miséria em que minha vida está agora.
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  – George, por favor, pensa bem. – Seus olhos agora escorriam lágrimas livremente, mas seu semblante não era triste ou bravo, era um rosto decepcionado que eu via me encarando.
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  – Eu já pensei, não posso mais fazer isso.
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  – Você tem razão. – Ela disse me encarando com o rosto franzido, tentando segurar o choro. – Você é um babaca.
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  Aquilo me doeu mais do que eu esperava.
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  – Angel, eu espero do fundo do meu coração que você entenda que isso vai ser o melhor para nós dois. Eu não posso ser a âncora que te arrasta para o fundo do poço.
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  – Tudo bem, George. Se você não quer ser ajudado, não tenho como mudar a sua cabeça. – Ela disse irritada, nunca havíamos brigado depois do início do namoro e eu tinha medo da Angelina brava.
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  – Eu espero que nossa amizade não acabe aqui. – Ainda tive a cara de pau de dizer, fazendo-a me fuzilar com os olhos ainda molhados. Ela levantou indo na direção da porta.
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  – Não vai acabar, sabe por quê? Porque eu sou uma ótima amiga. Mas não me procure quando se arrepender disso. Nós nunca mais vamos namorar, espero que você entenda isso.
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  – Eu entendo, Angel. – Falei levantando também.
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  – Tenha uma ótima vida, George. – Ela disse abrindo a porta.
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  – Me desculpe por isso. – Respondi imediatamente, antes que ela fechasse a porta na minha cara.
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***

  %Verônica% pediu para eu trocar de roupas para ir com ela ao “mundo trouxa”, alegando que meu blazer alaranjado não seria bem visto lá. Coloquei uma gola polo listrada colorida (todas as minhas roupas são coloridas demais) e ela me olhou de cima abaixo aprovando meio contrariada.
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  Aparatamos em um beco sem saída úmido com cheiro de mofo, saímos de lá e pegamos a avenida principal onde as pessoas andavam apressadas pela calçada.
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  – Estamos aonde?
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  – Condado de Cornwall, minha avó mora aqui.
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  Ela me guiou até uma loja grande de esquina, branca e clara demais em minha opinião, entramos e ela seguiu até um corredor como se conhecesse o local com bastante maestria.
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  O ambiente tinha tantos itens nas prateleiras que fiquei confuso, e ela tinha razão em não me deixar usar minhas roupas usuais, eu já chamava atenção o suficiente por estar com a cara abatida de quem acabou de dar um beijo em um dementador, não ter uma orelha bem definida e ter quase dois metros de altura. Não precisava de roupas coloridas espalhafatosas para completar o look de esquisitão do mundo trouxa.
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  %Vee%, por outro lado, se misturava como um deles usando uma calça jeans e uma blusa preta básica, tinha a altura de uma mulher normal, e por mais que tivesse o rosto abatido, não era nada comparado a mim.
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  Ela selecionou algumas caixas em suas mãos, havia uma mulher em cada caixa, cada uma delas com uma cor diferente nos cabelos, todas eram castanhas em suas mãos, na prateleira ainda haviam algumas cores diferentes, preto, louro e até vermelho.
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  – Qual dessas? – Me mostrou as opções que segurava. A diferença era mínima, eu não saberia dizer qual seria a melhor opção.
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  – É tudo marrom. – Eu disse arqueando as sobrancelhas.
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  – Eu sei. – Ela deu uma risadinha pelo nariz. Analisou a caixa, colocou ao lado do meu rosto. Pensou. E por fim escolheu uma.
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  – Qual o veredito? – Perguntei.
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  – Essa. – Disse me mostrando a caixa do meio. – Não é muito escuro. Seu cabelo é claro, a cor pode pigmentar demais e ficar parecendo preto.
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  – Não tenho problemas com preto.
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  – Eu sei que não. Mas você tem olhos bonitos, o preto pode escurecer demais o seu contraste. – Ela explicou séria, e eu a olhei em tom de dúvida. – Seus olhos podem mudar de cor, e não quero que isto aconteça.
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  – Entendi. – Eu ainda não tinha conseguido ler %Vee% o suficiente para saber se ela estava feliz com minha decisão de mudança ou não, por um lado penso que faria sentido ela gostar, pois com certeza ela via Fred em mim também. Por outro lado, tenho medo de que ela perca sua lembrança de Fred, porque eu estou sendo egoísta em mudar meu visual apenas para não ver meu irmão morto no espelho.
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  – Essa é muito clara. – Ela continuou. – Tenho medo que depois de pegar um pouco de sol, volte a ficar ruivo. – Devolveu as duas caixas na prateleira.
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  – Então sobra essa. – Falei pegando a caixa da sua mão. – Castanho médio.
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  – Acho que vai servir. – Ela disse por fim, esperando minha reação. Fiz um formato de sorriso nos lábios e concordei com a cabeça.
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  Ela pegou mais alguns itens enquanto passávamos pelos corredores e seguimos para a fila do caixa.
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  – %Vee%! – O moço do caixa disse empolgado o suficiente para se engasgar com a própria saliva, ele devia ter a nossa idade e usava um jaleco branco, como se já não houvesse branco o suficiente naquela loja.
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  – Oi, Pete. – %Vee% disse não tão entusiasmada, mas ele não pareceu se abalar.
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  – Nunca mais te vi por aqui. Voltou ao internato? – Perguntou ele, enquanto separava os itens que ela havia colocado sobre o balcão.
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  – Não, na verdade estou aqui com um amigo. - Ela disse, segurando a manga da minha camisa. Ele me olhou de cima a baixo, analisando minhas feições cansadas antes de continuar:
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  – Amigo, é? Sua avó comentou que você terminou o namoro faz um mês. Ela esteve aqui ontem. Aquilo era ciúmes que eu via em Pete? %Vee% nunca havia mencionado algum Pete para mim antes, tenho certeza de que se ele fosse realmente importante, eu reconheceria o nome.
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  A inconveniência de Pete me deu nos nervos. Mesmo que %Vee% tivesse realmente terminado o namoro ou não, o que importava para ele? O respeito passou voando pela janela em uma porra de Firebolt.
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  – Sim, George é um grande amigo meu, e está me ajudando com toda essa coisa chata de término. - %Vee% continuava com a mão agarrada na manga da minha camisa, como se aquela conversa fosse completamente inconveniente para ela também. É claro que era, tenho certeza que até quem estava atrás de nós na fila também estava sentindo a situação esquisita em que Pete nos colocou.
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  – George, huh? Vejo que superou o término com facilidade. - Disse Pete, e eu estiquei a mão até ele, que apertou sem vontade alguma.
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  – É um prazer te conhecer, Pete. - Falei falsamente simpático. - Escuta só, de onde você vem é comum ficar se intrometendo em assuntos pessoais dos seus clientes?
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  A garota atrás de mim na fila segurou uma risada. O único som além desse era o apito que a máquina em sua frente fazia cada vez que ele colocava um produto sobre um feixe de luz vermelho. Pete desviou o olhar de nós sem graça, terminou de embalar os produtos em uma sacola de papel e esticou para que %Vee% pegasse, mas o fiz antes que ela apenas para irritá-lo.
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  Quando estávamos na calçada, ouvimos passos apressados e Pete veio até nós.
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  – Olha sou, %Vee%, me desculpa. Não quis ser indelicado com toda essa situação chata. Você está afim de tomar um café comigo qualquer dia desses?
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  – Eu fico lisonjeada pelo convite, Pete, mas vou ter que recusar. - %Vee% foi direta.
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  – Por quê? - Não havia nada no mundo que pudesse abalar a autoestima desse garoto, não era possível.
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  – Porque não tenho cabeça para isso agora. - Ela disse sem cerimônias.
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  – Ah, sim... Entendi. – Pete levantou o olhar para mim. – Já está namorando com ele, não é?
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  – Pete. Eu literalmente acabei de perder alguém importante na minha vida e não estou com cabeça para sair com ninguém. Eu só quero ir para o meu quarto e chorar a noite inteira, entende? – Ela disse, cada uma de suas palavras carregava um traço nítido de exaustão. – E George não é meu namorado, e se ele fosse, o que isso iria impactar na sua vida?
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  Minha amiga sabia se defender sozinha, tanto de praticantes de bullying, quanto de inimigos mortais e a prova disso foi ela ter sobrevivido a batalha de Hogwarts e ainda proteger vários alunos menores de idade, mas o principal era que %Verônica% sabia escolher as palavras certas a qualquer momento, inclusive quando queria se livrar de um cara escroto.
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  Vi o semblante de Pete murchar diante de meus olhos, me olhou de cima a baixo novamente, ele era consideravelmente mais baixo do que eu, e se deu por vencido dizendo:
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  – Tudo bem, deixa para a próxima. – Não haveria próxima, tenho certeza disso.
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  Seguimos para o beco com cheiro de mofo novamente e aparatamos de volta à Toca.
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  – Então, tem algo que eu precise saber desse Pete? – Perguntei sentado em uma cadeira velha que trouxemos ao meu quarto, enquanto ela arrumava tudo para iniciar o processo de tingimento do meu cabelo.
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  %Vee% pegou um pente de madeira com dentes muito largos e passou por meus cabelos, fazendo-me fechar os olhos relaxado, o pente era seu, já havia visto ela pentear os cabelos molhados com ele.
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  – Fiquei com ele em um verão. – %Vee% admitiu. – Foram só uns beijinhos bobos, eu devia ter uns 15 anos na época.
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  – Aaaaah, está explicado! Você enfeitiçou o pobre garoto. – Dei uma risadinha marota e ela deu um tapinha no meu ombro.
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  – Não foi nada demais para mim, mas depois daquilo ele não pode me ver que age assim, como se tivesse algum tipo de propriedade sobre mim. Como se eu tivesse que me explicar cada vez que estou namorando alguém.
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  – Fred chegou a conhecê-lo? – Perguntei ainda de olhos fechados, com a cabeça apoiada no encosto da cadeira. Fred havia ido conhecer a avó de %Vee% durante nosso primeiro ano da inauguração da loja, imaginei que talvez ele pudesse ter tido a péssima experiência de ter conhecido Pete. Na verdade, já conhecíamos a avó de %Vee%, nos encontramos algumas vezes na Estação King’s Cross e nas vezes que vínhamos buscá-la com papai para passar as férias conosco, porém, nessa ocasião, ele a “conheceu” como um namorado e não como amigo pentelho.
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  – Não. Ainda bem, provavelmente ele tiraria sarro de mim pelo ano seguinte inteiro. – Ela disse, dando uma risadinha. – G, se ajeite na cadeira, vou começar.
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  Abri os olhos, sentei ereto e ela passou um plástico em volta do meu pescoço, que parecia ser para proteger minha roupa de possíveis respingos. Abaixou-se levemente em minha frente.
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  – Tem certeza disso, George? Depois que eu começar, não tem volta.
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  – Tenho. – Respondi e logo continuei nosso assunto sobre Pete: - Bom, não dá para negar que ele gosta de você, afinal, ele deve ter perguntado de ti para sua avó.
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  – Ah, ainda estamos falando dele? – Perguntou ela divertida.
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  – É claro, como vou poder zoar você mais tarde?
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  Ela iniciou o processo de colocar a tinta com uma bisnaga em meu cabelo e espalhar com um pincel, a tinta tinha um odor terrível de alguma poção que deu muito errado, mas como ela não fez observações, eu apenas confiei em seu processo.
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  Ficamos em silêncio a maioria do tempo, apenas o barulho do pincel molhando meu cabelo e da luva de plástico em sua mão participando da nossa trilha sonora.
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  – Se importa se eu ligar o rádio? – Ela perguntou em certo ponto do nosso silêncio e eu dei de ombros. Ela foi até o rádio que tínhamos no quarto para ouvir os anúncios dados em códigos durante a guerra silenciosa. Ela obviamente colocou em uma estação trouxa, sempre preferiu as músicas trouxas, que falavam sobre amor, desilusão, sexo e drogas, dizia que lembravam o seu pai, por mais que não tivesse memórias vívidas dele.
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  Uma música baixinha adentrou o ambiente e eu notei seu semblante mudar quando voltou até mim, ela começou a cantarolar baixinho junto com a mulher que cantava a música que eu não conhecia:
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  – And so I cry sometimes, when I'm lying in bed just to get it all out, what's in my head. And I, I am feeling, a little peculiar. (E eu choro algumas vezes, quando estou deitada na cama apenas para tirar tudo que está em minha cabeça. E eu, eu estou me sentindo um pouco peculiar).
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  Aquilo me pegou desprevenido, não esperava aquelas palavras saindo de uma música que estava ali com a sua única função de distrair nossas mentes enquanto ela colocava um produto fedorento em meus cabelos vermelhos. Me vi imediatamente caindo em um poço sem um fundo aparente: eu sabia que %Vee% estava triste com a morte de Fred, sabia que ela o amava e que eles estavam em um estágio feliz do relacionamento deles. Fred nunca mencionou um possível casamento (eu era um grande entusiasta desta ideia), até porque estávamos em um momento muito importante de nossas carreiras profissionais, e eu não falava apenas de mim ou dele, e sim de %Vee% também. Ela havia comentado conosco um interesse particular de Professora McGonagall em querer contratá-la como professora de Poções quando Slughorn se aposentasse. Lembro que achamos aquilo incrível quando ela nos contou pela primeira vez, sabíamos da sua capacidade em reproduzir poções com maestria na escola, onde, mesmo com um professor altamente duvidoso como Snape, e principalmente o fato dela ser da Grifinória e ser nossa amiga e cúmplice, Snape odiava todas estas opções, ela sempre se saía bem nas aulas, e foi ela quem fez a nossa primeira leva de Amortencia para nossa loja até então portátil. %Vee% seria uma ótima professora. Eu tinha uma certeza absoluta sobre aquilo. Porém, para que isso acontecesse, ela precisava desgarrar-se de mim, eu sabia que estávamos ambos em um momento em que precisávamos um do outro, sei que não teria conseguido fazer nada do que fiz hoje sem sua ajuda durante este mês inteiro... Mas vê-la aqui, desperdiçando o início dos seus 20 anos comigo trancada em um quarto me machucava mais do que eu queria admitir.
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  – And so I wake in the morning and I step outside and I take deep breath, and I get real high and I scream from the top of my lungs: What's going on? (E então eu acordo pela manhã e vou lá para fora e eu respiro fundo e eu fico muito chapada, e grito o mais alto possível: O que está acontecendo?). – Cantarolou ela, me retirando do transe. – Prontinho, Georgie.
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  Ela veio para a minha frente com um paninho molhado e retirou o excesso de tinta que havia escorrido em minha testa e em minha orelha debilitada, seus olhos correram pelo meu rosto e ela riu abertamente.
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  – O que foi?
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  – Vamos ter que pintar suas sobrancelhas, vai ficar muito esquisito se suas sobrancelhas continuarem ruivas. – Ela disse dando outra risada gostosa, acabei rindo junto, era a primeira vez que eu ria de verdade e sem motivo aparente, a música embalando nossa esquisitice enquanto ela passava o restinho de tinta em minhas sobrancelhas. %Verônica% tinha o costume estranho de simplesmente olhar em nossa cara e dar risada, era como se fôssemos cômicos aos seus olhos a todo momento, não posso contar nos dedos quantas vezes ela fez isso comigo: me encarar por minutos consecutivos e no fim dar uma risada gostosa e frouxa. E foi apenas uma vez em que perguntei o motivo dela fazer isso e a resposta ser “Você e seu irmão têm uma áurea engraçada, é um timing cômico perfeito”, lembro que no dia respondi “E você tem certeza que não acha a nossa cara engraçada?”, e ela respondeu ainda com uma risadinha nos lábios “Não, a cara de vocês é bonita”.
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  Nunca vou esquecer esse diálogo, já que foi a primeira vez que uma garota disse que eu era bonito; eu tinha 14 anos e ainda não tinha experimentado a minha popularidade como um cara bonito, apenas sendo o “cara engraçado”, e aquilo foi importante em minha cabeça de pré-adolescente na época. E, tão importante quanto isso, foi saber que %Vee% confiava em mim o suficiente para falar aquilo e ter certeza absoluta de que eu não usaria contra ela em nenhum momento, eu nunca usei simplesmente porque gostei de saber que ela me achava bonito, e aquilo se concretizou quando ela e Fred iniciaram um relacionamento, afinal, se ela me achava bonito, ela tinha que automaticamente achá-lo também.
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  30 minutos depois, saí do banho e me olhei pela primeira vez no espelho.
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  Meu coração deu um baque descompassado e meus olhos encheram-se de lágrimas, não eram lágrimas de arrependimento, pois um cara completamente diferente me olhava pelo reflexo. Não era meu irmão gêmeo morto.
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  Suspirei aliviado notando que %Verônica% havia sido incrível com sua habilidade em pintar cabelos no método trouxa e, novamente, estava certa quanto à cor dos meus olhos que antes tinham um tom verde no centro próximo das írises que iam aos poucos ramificando para um castanho muito claro, agora estavam completamente castanhos, o verde sendo extinguido pelo meu semblante mais escuro. Toquei meus cabelos, uma, duas, três vezes, ainda desacreditado que havia demorado tanto tempo para pedir aquilo a ela. Sentia-me aliviado, como se um peso absurdamente doloroso tivesse saído de meus ombros, um ponto de autoestima subiu dentro de mim e eu sabia que iria querer continuar com aquele cabelo por um bom tempo.
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  Uma página havia sido virada.
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  Esgueirei-me pelos corredores até meu quarto, não queria que ninguém me visse daquele jeito, não sem %Vee% junto para me dar o suporte que eu precisava.
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  – Então, o que achou? – Perguntei abrindo os braços em expectativa. Vi os seus olhos brilharem molhados novamente, e em seguida o seu sorriso abriu-se com uma alegria contagiante.
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  – Nossa, ficou ótimo! – Ela correu em minha direção e me abraçou com força, foi nesse momento que eu percebi que ela estava aliviada de não ter que ver Fred em mim também.
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  – Eu percebi esse tom de surpresa. Tinha alguma porcentagem de você que não acreditava que ficaria bom? – Retribuí seu abraço.
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  – Ah, só uns setenta e cinco por cento – Ela soltou uma de suas risadas divertidas. – Mas os vinte e cinco por cento restantes estavam bem confiantes!
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  – Você não vale nada. – Não consegui resistir e dei uma risada também.
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  Retribuí seu abraço sabendo que aquela garota em meus braços, com seu sorriso contagiante e seu cheiro particular de baunilha, era a melhor coisa que já havia acontecido em minha vida e na do meu irmão também.
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  – Vai ser uma situação delicada. Minha família tem cabelos ruivos há tantas gerações que não sei como vão reagir. – Eu disse incerto sobre descermos para o jantar.
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  – Eles vão entender. – %Vee% disse com calma, ela finalizava uma carta em nossa escrivaninha, sua coruja com o rosto em formato de coração a aguardava sob o batente da janela.
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  – Eu sei que vão entender, são a minha família, mas isso não me deixa menos nervoso.
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  – George, você é maior de idade, pode raspar os cabelos, fazer tatuagens ou pintar os cabelos sem levar um cascudo de sua mãe. Deixa de ser bobo.
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  – Eu sei, eu sei.
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  – E outra coisa, cabelos ruivos há gerações? – Ela repetiu. – Nenhum Weasley casou com alguém com outra cor de cabelo?
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  – Bom, sim, mas o gene ruivo deve ser bem forte. Não sei explicar, acho que é o caso da Gina com o Harry, ele tem cabelo escuro, mas se não me engano a sua mãe era ruiva... Se eles tiverem um filho, tem muita chance de vir alguns ruivinhos.
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  – Isso é bizarro. – Ela disse, em um tom divertido. – Será que se eu tivesse um filho com Fred, ou você com Angelina, o gene seria tão forte assim?
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  Ela se referia ao fato das duas serem negras.
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  Eu nunca nem havia pensado nesse assunto, nunca me importou a cor da pele ou de cabelo de nenhuma delas, Angelina era linda, alta, uma ótima atacante no quadribol e uma pessoa incrível, acho que foi por isso que me apaixonei por ela, nunca me preocupei com os genes ruivos dos Weasley, era até um absurdo pensar naquilo. E %Vee%, bom, ela era a %Vee%, eu não precisava explicar os motivos dela ser minha melhor amiga, ela simplesmente era, e não era a cor dos seus cabelos ou da sua pele que faziam aquilo acontecer. E por um momento aquilo me acendeu uma luz de alerta por dentro:
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  – %Vee%... – Chamei sua atenção e ela tirou os olhos de sua carta para me olhar. – Tem algum motivo para você estar preocupada com os genes dos Weasley’s?
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  O silêncio se instalou entre nós por um segundo que pareceu uma eternidade.
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  – %Verônica%. Olha pra mim. – Pedi quando a vi desviar os olhos, seus olhos voltaram a me encarar brilhando marejados. Me aproximei dela, sentindo meu coração apertar e minha garganta embolar novamente. – Porra, %Vee%, você ia esconder isso de mim?
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  – Eu não tenho certeza nenhuma, não queria te preocupar com isso também. – Ela disse voltando toda a sua atenção para a pena em suas mãos. – Comprei um teste na farmácia, pensei em fazer de madrugada.
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  – Você só pode estar de brincadeira comigo! – Respondi tão exasperado que o nó em minha garganta pareceu apertar. – %Verônica%, você não precisa passar por isso sozinha. Por Merlin, não depois de tudo que você fez por mim.
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  – Eu sei que não, eu só não queria que você se incomodasse com algo que não é certo.
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  – E desde quando algo que você faça é um incomodo para mim? Geralmente é ao contrário e eu nunca vi você reclamar!
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  Eu estava agachado em sua frente, retirei a pena de suas mãos antes que a tinta fizesse sujeira e apertei suas mãos do mesmo jeito que ela havia feito comigo tantas vezes.
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  – Eu estou aqui e não vou a lugar nenhum.
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  Ela sorriu, suas bochechas apertaram seus olhos e as lágrimas correram por elas.
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  – Eu estou aqui, igual um idiota, reclamando do que meus pais vão achar da merda do meu cabelo e você tá tendo uma crise existencial por uma possível gravidez do meu falecido irmão! Se isso não é egoísmo, eu não sei o que é.
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  – Nós dois estamos fodidos Georgie, um não anula o outro. – Ela disse fungando.
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  – Eu sei que não, mas não faça mais isso comigo. Estamos na mesma merda de barco. Você não precisa velejar sozinha. – Eu disse e ela me encarou durante alguns segundos e caiu na risada.
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  – Que bosta de metáfora! – Exclamou ela sem ar, ainda dando risadas altas.
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  – Você é uma idiota. – Respondi me juntando a ela nas risadas.
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  Durante o jantar, ninguém ousou falar uma palavra, mas eu sentia os olhares queimando sobre mim, posso jurar que até ouvi um soluço assustado de minha mãe quando ela me viu pela primeira vez, e os pratos só não caíram no chão porque Harry foi rápido o suficiente com sua varinha.
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  Todos jantaram incomodados, e eu até senti a mão de %Vee% acariciando minhas costas em um certo momento, enquanto eu terminava meu prato e ela já havia terminado o seu.
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  – Ficou bom, George. – Ouvi a voz de Gina dizer, tão incerta e trêmula que achei que ela nem iria conseguir dizer meu nome inteiro.
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  Eu a encarei por um segundo, com o garfo no meio do caminho até a boca.
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  – Obrigado. – Falei e enfiei a comida em minha boca. Senti %Vee% apertar minhas costelas, como quem dizia “fala mais alguma coisa”. Terminei de mastigar e engoli o bolo de comida com dificuldade. – Eu... Precisava fazer isso.
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  – Ficou lindo, meu amor. – Minha mãe disse, dando-me um sorriso que era difícil ela dar à nós. Normalmente eram caras zangadas, e com razão.
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  – Obrigado, mãe. – Era perceptível que aquela era a conversa mais longa que eu havia tido com todos eles depois do incidente, todos estavam orgulhosos. Não havia nenhum olhar de julgamento, apenas olhares caridosos de uma compaixão que eu achava um pouco irritante, mas não queria demonstrar isso. A mão de %Vee% continuava em minhas costas, me aquecendo mesmo que ela não percebesse.
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  – Estava me incomodando um pouco o fato de eu me olhar no espelho e... – Não precisei terminar a frase. Todo mundo automaticamente ficou inquieto e eu percebi que não tinha necessidade de falar aquilo. Então finalizei com: - Não se preocupe, Ron, você continua sendo o irmão mais feio.
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  As risadas quebraram o gelo, e Rony ficou com as orelhas vermelhas, mesmo que estivesse sorrindo.
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  – Estamos felizes por você, Georgie. – %Vee% finalizou aquele assunto piscando para mim e bagunçando meus cabelos. Todos concordaram com a cabeça.
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  Mais tarde naquela noite, enquanto eu e %Verônica% esperávamos minutos infinitos pelo seu teste de gravidez mostrar a resposta definitiva, eu a abraçava pelos ombros sobre a minha cama enquanto ela encarava o teste com as pernas cruzadas.
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  – Foi por isso que o seu ex ficou me encarando estranho! – Exclamei do nada, enquanto minha cabeça voava pelo momento em que estávamos na loja comprando os utensílios necessários para pintar meus cabelos. – Você simplesmente jogou um teste de gravidez trouxa na cara dele!
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  – Sim. – Ela riu sem muita graça. – Ele não é meu ex. – Replicou irritada.
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  – É claro que é. – Tentei brincar, tentando de alguma maneira tirar todo aquele peso de seus ombros. Eu nem conseguia digerir de verdade o fato de que %Vee% podia estar realmente grávida de Fred, aquilo não entrava em minha cabeça, não agora que ele não estava aqui conosco, sem que eu pudesse tirar sarro do fato dele virar pai. Pai! Porra, aquele era o pior momento do mundo para tentar fazer piada. Me arrependi imediatamente de ter insistido naquela brincadeira sem graça sobre Pete, porém senti o cotovelo dela batendo em minhas costelas, e uma risada nasalar vindo logo em seguida.
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  – Eu nunca devia ter te contado sobre isso. – Ela suspirou divertida e percebi que minha piadinha infame havia tido o efeito que eu queria que tivesse.
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  – Não mesmo. – Falei ao mesmo tempo em que o despertador tocou em minha mão. Eu o segurava com tanta força que os nós do meu dedo haviam perdido a cor, apertei o botão entre os dois sinos e a garota ao meu lado suspirou audivelmente antes de virar o rosto para mim.
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  – Eu tô aqui. – Falei, apertando seus ombros em meu braço com força.
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  Ela virou o teste, de modo que o lado com o resultado fosse visto por ambos. Eu não fazia ideia de como se lia o resultado, então esperei por sua reação. Na verdade, eu não sabia se %Vee% queria aquela gravidez, como uma pequena lembrança permanente de meu irmão, ou se ela não queria aquilo por conta da sua idade, a falta de um pai ou de simplesmente não desejar uma gravidez. Eu não a conhecia como ela me conhecia, e aquilo me doía um pouco, eu não conseguia prever suas reações do mesmo jeito que ela conseguia prever a maioria das minhas.
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  – Deu negativo. – Ela disse sem emoção. Seu rosto virou-se para mim e não consegui ler sua expressão. – Deu negativo. – Repetiu e dessa vez eu senti a pontada de tristeza em sua voz.
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  %Vee% queria a gravidez.
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  Porra, aquilo me machucou demais.
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  Tirei o teste de suas mãos e joguei em algum canto, e puxei-a para meu colo. Dessa vez eu tinha que ser o elo forte da nossa amizade, ela contornou seus braços em meu pescoço e chorou.
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  Eu sentia seu peito tremer sobre o meu com a força de seus soluços, meus braços estavam em volta do seu tronco e minha mão estava pousada na parte de trás da sua cabeça. Eu tentava com todas as minhas forças não chorar com ela, e me concentrava em manter minha respiração calma para que ela se acalmasse junto. A sensação de impotência era tão grande que eu não conseguia pensar em mais nada a não ser: Ela está triste porque queria ter o filho de um pai morto apenas para conseguir se sentir conectada ao Fred de alguma maneira, ela agarrou-se com tanta força nesse fio invisível de esperança que quando o fio foi cortado, havia despencado em um abismo de tristeza que eu não fazia ideia de como tirá-la agora, pensei durante vários minutos, tentando encontrar as palavras certas para dizer naquele momento, para ela era tão fácil juntar um monte de palavras que resultavam em algo bom para mim, que quando eu tinha que fazer o mesmo, me sentia uma bola gigante de bosta.
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  – %Vee%. – Falei, e pigarreei. – Eu sei que não parece, mas... Essa foi a melhor opção.
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  Senti seu peito parar de tremer por um segundo e ela fungou.
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  – Você sempre vai estar conectada ao Fred. Sempre. Não importa quanto tempo passe. – Continuei, acariciei suas costas com minha mão livre.
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  – Eu... Só queria... Não sei, pensei que... – Ela não sabia como explicar aquilo, mas eu sabia exatamente o que ela sentia.
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  – Não precisa se explicar para mim. Eu sei.
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  %Vee% provavelmente estava pensando naquilo há pelo menos uma semana. Sua cabeça provavelmente havia dado voltas e mais voltas diante daquela situação, era óbvio que ela havia imaginado mil e um cenários e tinha se agarrado com mais força no cenário em que tinha um bebê dele. Sua decepção era aceitável e completamente compreensível, eu, em seu lugar, teria me agarrado na mesma opção, mesmo que aquilo dificultasse minha vida em maneiras inimagináveis.
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  E foi assim que terminamos aquele dia, agarrados um no outro, com tantos sentimentos misturados e tantas lágrimas derramadas que era fácil dizer que estávamos realmente quebrados.
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  Tantas coisas aconteceram naquele mesmo dia que o meu término com Angelina parecia, pelo menos, há uma semana de distância, e aparentava ser tão pequeno e insignificante enquanto eu abraçava aquela criatura chorosa em meu colo que nada no mundo me faria largá-la.
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  Fim do ponto de vista

  Flashback – 05 de março de 1990 – Sala Comunal da Grifinória

  – O que vocês dois estão mexendo aí com tanto segredo? – Me aproximei de Fred e George, que estavam em um canto realmente afastado, debatendo com um velho pergaminho em mãos. Mal terminei a pergunta e vi Fred retirando o pergaminho das mãos do irmão e escondendo sob as vestes.
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  – Infelizmente não é da sua conta, %Appleby%. – Ele retrucou, grosseiro como sempre. Por sorte eu já sabia como eles eram e apenas dei de ombros virando os olhos para cima.
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  – Vê se cresce, Weasley. – Respondi sentando na frente deles, deixando bem claro que não ia me afastar por conta de uma grosseria do ruivo. Há esta altura, eles já deviam ter entendido que eu não largaria do pé deles.
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  –George suspirou e olhou para o irmão, levantando as sobrancelhas, e os dois conversaram com os olhos por alguns segundos, cogitando se iriam me incluir no assunto ou não, enquanto eu os observava pensando o quão era estranho o fato deles se entenderem sem ao menos abrirem a boca.
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  – Ok. – Fred suspirou vencido. – Encontramos este pergaminho na sala do Filtch.
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  – Ainda não temos certeza do que é, mas definitivamente é algo interessante. Estava bem guardado e identificado como “Confiscado e altamente perigoso”. – George concluiu, e esticou a mão ao irmão para que lhe entregar o pergaminho.
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  Interceptei o pergaminho no meio do caminho entre as mãos dos dois.
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  – E vocês não sabem o que faz, é isso? – Perguntei analisando o papel surrado com as dobras finas de tanto ser aberto e fechado.
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  – É. – Os dois falaram juntos e explodi em risadas, por tamanha burrice dos dois.
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  – O que, em nome de Merlin, vocês estão fazendo com um pedaço de pergaminho sujo e surrado nas mãos se nem sabem o que faz? E ainda estavam de segredinhos para mim! – Eu ria alto, trazendo um pouco de atenção à nós e eles pediram para que eu fizesse menos barulho, virei os olhos novamente teimosa.
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  Retirei a varinha de corniso de minhas vestes e apontei para o pergaminho sussurrando:
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  – Revele-me seus segredos. – Me lembrava de ler algo na biblioteca sobre pergaminhos encantados, eu passava mais tempo na biblioteca do que gostaria de admitir, era apavorante ser uma nascida trouxa no meio de tantos bruxos e bruxas puros-sangues, e ir à biblioteca fazia parte do meu dever semanal, de minha meta mental, para me manter atualizada sobre assuntos bruxos que havia perdido durante seus onze anos de vida como uma nascida trouxa. Também para evitar de cair em qualquer pegadinha infame que os gêmeos ou Lee gostavam de pregar em mim, por ser tão ingênua e não conhecer o suficiente sobre o mundo deles.
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  O pergaminho em minha mão mostrou uma frase que li em voz baixa.
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  – O Sr. Aluado pede para que pessoas que não tenham habilidade para tamanho esplendor não tentem fuxicar onde não são chamadas.
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  – O quê?! – George exclamou e pulou para o meu lado, e continuei lendo:
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  – O Sr. Pontas gostaria de acrescentar que este pergaminho não deve ser lido por pessoas de boa índole.
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  Minha cabeça girou por um momento, tentando lembrar de tudo que já tinha lido sobre o assunto e lembrei de um livro bem específico chamado “Pequenos objetos e encantamentos”, levantei em um salto, assustando os gêmeos que me seguiram. Pus a varinha e o pergaminho entre as vestes e corri até a porta do retrato da Mulher-Gorda. Eu tinha certeza que li algo parecido com aquilo, lembrava até a sessão onde o livro se encontrava.
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  – Ei, onde você está indo? – Um dos gêmeos perguntou, eu não soube distinguir qual, ainda não tinha convivência o suficiente com eles para diferenciá-los sem olhar, mas era outra meta que já tinha colocado em minha cabeça.
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  – Biblioteca, acho que li algo sobre isso semana passada enquanto estudava.
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  Já na biblioteca, recuperando o fôlego, cada um de nós procurava em um andar na seção de livros que indiquei. George encontrou o livro correto e folheei por alguns minutos.
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  – Aqui! – Falei mais alto do que devia e recebi um olhar de Madame Pince, e cada um dos gêmeos pôs a cabeça ao lado da minha, lendo o parágrafo que eu apontava. – Pergaminhos, penas e livros encantados: Comumente utilizado por adolescentes como forma de pregar peças, um pergaminho pode ser enfeitiçado para que apenas pessoas com as palavras secretas possam ler, as palavras podem ser das mais variadas e usualmente utiliza-se um juramento solene sendo que ao ser quebrado, o objeto enfeitiçado possa ser novamente apagado impossibilitando o bruxo de continuar a ler.
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  – Um juramento? – Fred perguntou confuso.
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  Continuei lendo concentrada, enquanto Fred e George murmuravam mais afastados coisas que só eles entendiam.
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  – Só temos que descobrir como mostrar o que ele esconde... – George murmurou.
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  – Depois talvez os próprios criadores consigam responder como apagar, talvez dê para perguntar... – Fred pensou alto.
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  Enquanto eles debatiam, tirei o pergaminho das vestes e olhei as respostas que os Srs. Aluado, Pontas, Rabicho e Almofadinhas haviam me dado quando pedi que revelassem seus segredos. Talvez cada resposta que eles dessem fosse um insulto e uma dica. Era divertido, quase como se eu estivesse tentando desvendar alguma brincadeira idiota dos gêmeos e Lee.
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  – Eu juro solenemente que não vou mostrar a ninguém. – Sussurrei ao pergaminho, tocando levemente a ponta da varinha no mesmo, que devolveu mais respostas de seus criadores, as ofensas eram divertidas a ponto de me fazer segurar a risada.
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  – Eu juro solenemente que não pretendo ajudar ninguém. – Disse novamente esperançosa, e isso chamou a atenção dos gêmeos que se aproximaram.
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  – Eu juro solenemente que tenho más intenções. – Tentei novamente, lembrando que Sr. Pontas disse que o pergaminho não devia ser lido por pessoas de boa índole, as respostas continuavam me divertindo, era quase como um livrinho de piadas que minha avó tinha guardado na gaveta do criado-mudo.
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  – Eu juro solenemente que não vou fazer nada de bom. – Senti minha varinha praticamente dar o toque sozinha no pergaminho que começou a se colorir sozinho, formando desenhos de corredores e paredes lentamente.
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  Lembrei imediatamente de Sr. Olivaras dizendo que uma varinha de corniso é excêntrica e travessa, adora brincadeiras e gosta de parceiros que procurem diversão. Aquilo me abraçou por inteiro, pois eu sabia que se aquela varinha com núcleo de pelo de unicórnio havia me escolhido, estava aí o motivo, ela queria diversão e eu sabia que podia proporcionar aquilo.
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  – Por Merlin, %Appleby%! Você conseguiu! – Fred disse abrindo um sorriso sincero, os olhos arregalados enquanto o pergaminho mostrava a frase:
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“Os Srs. Aluado, Rabicho, Almofadinha e Pontas,
fornecedores de recursos para feiticeiros malfeitores, têm a honra de apresentar:

MAPA DO MAROTO”

  Nós comemoramos tanto, mas tanto, que nós três recebemos detenção e menos cinco pontos (cada) para a Grifinória pela bagunça que fizemos na biblioteca.
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  Voltamos para a Sala Comunal analisando o mapa, olhando cada dobra e abrindo cada espacinho para entender como ele funcionava. Em menos de cinco minutos, descobrimos como o apagava, que era com a frase “Malfeito, feito”, e depois desse dia, percebi que nada naquela amizade podia separar o que havíamos construído, exploramos cada saída não oficial do castelo, descobrimos o que cada professor fazia após o horário das aulas, e nem mesmo o Diretor Dumbledore podia se escapar de tamanha façanha, já que sabíamos que ele ficava quase o dia inteiro andando de um lado para o outro em seu escritório.
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  Não era exagero dizer que eu, Fred e George nos tornamos inigualáveis após nos apoderarmos do Mapa do Maroto e durante todas as vezes em que saímos juntos para explorar o castelo, mais certeza eu tinha de que aquela amizade duraria mais do que apenas na escola.
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  Fim do flashback


  Nota da Autora: Trauma emocional atualizado com sucesso. Essa fic está me deixando doida, me pego pensando nela mais do que gostaria e as vezes me pergunto o motivo de ter demorado tanto para escrevê-la. Espero do fundo do meu coração que vocês estejam gostando tanto quanto eu estou gostando de escrever! E se tiverem um tempinho, deixem um comentário, adoraria saber o que estão achando desse surto nostálgico.

Capítulo 2
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Natashia Kitamura

Ai, nossa, quando ele pediu para mudar a cor do cabelo para mim foi o ápice do ápice da dor. Fico imaginando ele tendo que se encarar no espelho e ver a pessoa que ele mais queria ver ao lado dele T.T

E o que posso dizer do fato dela estar SUSPEITANDO A GRAVIDEZ? Meu deus do céu, to no céu e ao mesmo tempo no inferno, né. De agonia! Quero saber de tudo! Como foi, como vai ser… Socorro, to eufórica!

Nãoooo! Não, não, não! EU também queria muito essa gravidez, socorro! Dane-se a preocupação de não haver um pai presente, são os Weasley’s! Há muitos deles presentes (querendo ou não). Aiiiii, queria tanto um baby Fred </3

(Ps. Diversos comentários em um só porque estou comentando eles de acordo com que estou lendo, hahaha! Vire autor VIP logo, Naya, para que eu possa surtar devidamente nos lugares certos, hahahaha!)

Tadinha, é total compreensível toda a decepção. EU estou com o coração partido só de pensar em tudo isso, imagina ela?
Quando é que esses dois humilhados serão exaltados? T.T

Ahh, amei tão forte ela ter participado da descoberta do Mapa do Maroto! *-* Tomara que você escreva uns flashbacks dos dates da Vee com o Fred usando esse mapa, só porque agora que a opção existe, acho justo ela estar na história hahahahaa <3
 
Sei que falei isso antes, mas acho que preciso repetir o quanto essa fanfic é necessária no mundo Potterhead. Caramba, to amando esse processo de luto, amando que o George já está conseguindo soltar uma piadinha aqui e ali, e também amando o rumo que tudo está seguindo. Sinto que está sendo um passo de cada vez, mas passos super importantes para o desenvolvimento desses dois.
Estou apaixonadíssima por essa fanfic e fiquei muito feliz de ler que você está com ela demais na cabeça, porque significa que logo mais vem atualização. <3 Mal posso esperar para ver o que pode acontecer! Quero muito mais de Vee/George, mas ao mesmo tempo quero muito ver mais de Vee/Fred, porque sim, porque óbvio, porque ai meu deus!
É isso, desculpa o comentário gigante, mas foi inevitável!

Naya R.

Nat, que comentário foi esse????! Eu amei?

(Sobre virar Autora VIP, estou trabalhando nisso hahahahhaha)

Amiga, essa fic vai ser assim mesmo, a gente chora e ri e chora de novo, o Baby Fred foi uma grande possibilidade nos meus planos, mas… Sejamos sinceras, Vee e George já estão sofrendo o suficiente, né não? Acho que com certeza seria uma luz na vida deles, mas ao mesmo tempo, eu tive a impressão de que eles nunca iriam superar esse fardo, mesmo tendo o completo apoio de todos os Weasley&#039s restantes 🥺🥺

Sobre o Mapa do Maroto, a nossa Vee é tão marota quanto os gêmeos, é muito gostoso ver como eles interagiam quando mais novos! Parece que se completam! Eu amoooooo hahahaha
Os dates com o Fred usando o mapa são uma ótima ideiaaaaaaa, vou pensar nisso hauahauah

Nat, obrigada por esse comentário! Foi super importante para mim! Obrigada por estar sendo essa pessoa INCRÍVEL! ❤️❤️

Ray Dias

Eu vim cheia de vontade reler essa fanfic porque sim, eu estou apaixonada por “The Weasley Twins”, e extremamente ansiosa pelo capítulo 03, Naya! Já sabe, porque eu já te falei antes né, que essa história é IMPECÁVEL. Reitero, os flashbacks sempre tão bem pontuados para nos mostrar o desenvolvimento da relação desse trio, fora a emoção que nos deixa porque a nostalgia bate forte, junto com a dor dos personagens. Aliás, sobre os sentimentos deles posso garantir que sinto tudo junto com eles! A dor do George, a saudade da pp, o modo como os dois se apoiam um no outro… Acho que não falei antes, mas aquela cena da cama, dela deitando com ele e depois ele dizendo “já fazia um mês que ela dormia comigo”, cara, isso foi tão cúmplice. Dá para sentir a cumplicidade deles nascendo com fraternidade, ingenuidade. sem qualquer interesse que não seja o Fred e o amor que sentem por ele. Comentei antes também, mas acredito que o momento que esse fantasma do Fred sair completamente do meio dos dois, e ambos perceberem-se diante um do outro, como se uma parede de vidro estivesse ali e não mais um espelho com o reflexo do Fred… Uwa…. Esse momento vai ser o mais assustador de todos para os dois. Já prevejo a culpa um do outro, o medo, as dúvidas… ANSIOSA por cada aventura, redescoberta desses dois! Ah, e claro, curiosa demais para ver como o restante dos personagens vão lidar com tudo isso!

Naya R.

Ray, vc é absolutamente maravilhosa!

Eu fico completamente boba com cada comentário seu, e fico repleta de alegria de saber que essa história realmente te tocou tão profundamente… Que emoção!
Realmente, a cumplicidade, a amizade e a ingenuidade deles é algo que me deixa muito feliz (coração quentinho), eles são só eles mesmo né? É tão natural, é muito gostoso de escrever. Estou bem ansiosa para a chegada do momento em que a ficha vai cair para os dois, e esse tripé do Fred finalmente chegar ao fim e eles terão que se enxergar sozinhos de uma vez por todas! Enfim, fico viajando super nessa história, pois ela está mexendo MUITO comigo, e fico extremamente feliz de saber que ela está mexendo contigo também!
Obrigada por estar nesse momento comigo, é muito importante pra mim! E obrigada por esse comentário lindo ❤️

Li Santos

Ah eu tb fiquei triste pela pp e o teste negativo 🙁 mas ok, segue o baile. Curiosa na parte dark da história (como se um teste negativo não fosse suficiente, ne? Rsrs).

Naya R.

Manaaaaa, vc quer MAIS DARK????? hahahahahahahahah
É realmente muito triste o teste negativo, mas foi para o bem dela 🥲🥲
Obrigada pelo comentário ❤️

Li Santos

Adoro um drama hahahahahah
Aguardando mais e um romance, obg de nada 🩷

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