The Weasley Twins


Escrita porNaya R.
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 14

Tempo estimado de leitura: 35 minutos

  Casa de %Verônica% – Hogsmeade - 28 de dezembro de 2001

  Ponto de vista: %Verônica%

  Aparatei em meu quarto, ainda sentindo o coração batendo forte em meu peito, minha boca seca e mãos suando.
  Tudo parecia rodar ao meu redor e algo não estava certo.
  Sentei na cama ainda sentindo meus lábios formigarem e em todo lugar que as mãos de George tocaram estavam quentes.
  Aquilo parecia um sonho, ou um pesadelo, como se não tivesse realmente acontecido e, Deus, eu não estava preparada para aquilo.
  Primeiro o pedido estranho dele, depois o gloss e o beijo. O beijo.
  George Weasley havia me beijado.
  Meu coração ainda parecia estar em minha garganta, tão forte que zumbia em meus ouvidos e pareci me afetar ainda mais lembrando que por fim, eu havia o beijado. Eu havia segurado seu rosto e unido nossos lábios feito uma louca. Porém, a sensação da sua boca na minha, da sua língua em minha boca e das suas mãos passeando por meu corpo me faziam arrepiar só de lembrar.
  George Weasley havia plantado algo em minha mente que seria difícil esquecer.
  Mas o que diabos estava passando pela cabeça dele quando pensou que isto seria uma boa ideia?!
  Eu não conseguia raciocinar direito, não conseguia respirar direito, como se minha mente estivesse quebrada e tudo que eu conseguisse fazer fosse rebobinar.
  Rebobinar para o momento em que George aprofundou o beijo e eu percebi que queria aquilo, que eu sonhava com aquilo havia meses. Que nada havia me preparado para aquilo e ao mesmo tempo, era tudo que eu estava esperando.
  Fui até a cozinha e tomei um copo d’água, ainda respirando como se tivesse corrido uma maratona, minha cabeça zumbia como uma caixa de abelhas e a meus lábios ainda formigavam.
  Deus, o que eu vou fazer agora?
  Não sei quanto tempo fiquei parada na cozinha, segurando o copo e olhando para as petúnias de vovó sobre a mesa. Quanto mais meu cérebro repetia a cena, mais improvável e maluco tudo aquilo parecia. Não foi real, foi? E por que é que eu não conseguia sentir como se aquilo fosse uma situação triste?
  Finalmente percebi que meus lábios se repuxavam em um sorriso, vez ou outra e então eu me lembrava que tudo aquilo era completamente surreal e eu não podia me dar ao luxo de ficar feliz em uma situação daquelas.
  Eu precisava falar com alguém.
  Eu provavelmente falaria com minha avó se ela estivesse viva.
  Talvez com Gina, se ela não estivesse com um bebê de poucos meses para cuidar.
  Hermione estava prestes a se casar e não seria eu que iria incomodá-la com algo tão banal quanto um beijo.
  Para mim, não era banal. Mas eu sabia que outras pessoas tinham problemas e dificuldades maiores para se preocupar.
  E então, percebi sozinha que iria ter que tirar o curativo sozinha: teria que conversar com Angelina.
  A sensação ruim na boca do estômago me fez quase ter vertigens, porém, antes que eu pudesse sequer pensar em aparatar para a casa de Angie, ouvi um estalo seco na varanda de minha casa.
  Era uma casa pequena e confortável, que ainda estou trabalhando para deixar com a minha cara, todas as paredes eram de madeira e a casa cheirava um pouco à tinta fresca. Na sala havia um sofá confortável azul marinho, uma estante de madeira com uma TV e um tocador de fita K7 e o piano de meu pai, as paredes eram de um amarelo claro que eu amava. Ali ficava também a porta de entrada da casa que dava para a varanda. Além bateu na porta e eu segui até lá finalizando a água que esquentava em minhas mãos em um só gole.
  – Achei que tivesse dito para não vir atrás de mim. – Era George, ele estava com uma roupa diferente, como se tivesse tomado banho antes de vir. Como se pudesse lavar a culpa que estava em seus ombros agora.
  – %Vee%, será que a gente pode conversar? – Seus olhos carregavam culpa, ligeiramente arregalados e até um pouco brilhantes demais.
  – Não, George. Não podemos. Eu preciso de um tempo sozinha, preciso tomar um banho, preciso entender o que aconteceu.
  – Me deixa...
  – Não, Weasley. Não. Você sabe o que essa palavra significa? – Eu sentia minha garganta embolando, sentia meu mundo desmoronando e eu não queria fazer aquilo na frente dele.
  Eu não podia deixar meus sentimentos vencerem dessa vez, dizer não a George era como retirar o pirulito de uma criança muito feliz, mas eu precisava ser forte.
  – %Vee%, por favor. – Ele deu um passo para frente e eu dei um passo para trás por instinto, eu precisava urgentemente me afastar dele, aquilo ali não ia terminar bem.
  Seus olhos suplicavam, sua voz estava tão embolada e triste quanto a minha, as mãos unidas em sua frente em um pedido desesperado me faziam querer ceder.
  Merda.
  Tudo em relação a George Weasley me deixava fraca.
  Nunca achei, em toda a minha vida, que eu fosse ter qualquer tipo de relação com ele que não fosse além de amizade profunda e verdadeira, mas as coisas mudaram depois do selinho. Uma chave virou e agora não consigo olhá-lo sem perceber seus lábios, seu sorriso bonito e principalmente seus olhos, o seu olhar havia mudado, era mais doce, gentil, ele me olhava nos olhos, e as vezes eu o pegava vagando pelo meu rosto, como se tivesse me admirando. Sempre com um sorrisinho no rosto.
  Então vê-lo daquela forma, de alguma maneira me machucava, eu não queria ser o motivo da tristeza dele, assim como não queria que ele fosse motivo da minha tristeza. Sendo assim, cedi.
  – Tudo bem. Entra. – suspirei derrotada. Ele não ficou empolgado, apenas assentiu e entrou na sala. – Mas eu realmente preciso tomar um banho.
  Eu queria lavar aquela angustia do meu peito, queria fingir que George Weasley não tinha me beijado e que ele não estava agora sentado no meu sofá.
  – Obrigado.
  Tomei um banho longo, deixei a água lavar meus cabelos e meu corpo, fingi que estava sozinha em casa e levei o tempo que precisei, sem me apressar ou me preocupar com a conversa que viria. Eu realmente precisava esfriar a cabeça, mas saber que ele estava ali não servia muito como um calmante.
  Saí do banheiro enrolada em meu roupão, e uma toalha na cabeça, segui para o meu quarto sem olhar para a sala, sem querer dar o braço a torcer de espiá-lo.
  Escolhi minhas roupas confortáveis de ficar em casa, uma regata branca, uma calça de moletom e um cardigã felpudo.
  George estava sentado no sofá, apoiando os cotovelos em seus joelhos e segurando a cabeça com as mãos, os dedos penetrando nos cabelos e a cabeça baixa, como se estivesse pensando demais em algo. E ele estava.
  Eu não queria me sentar ao seu lado, não queria correr o risco de sentir o cheiro da sua pele tão perto de mim de novo. Meus lábios ainda formigavam.
  Fiquei de pé, próxima da porta que dava para a cozinha que era separada por uma cortina de contas. Pigarreei.
  – Então?
  – %Vee%. – Ele limpou a garganta. – Acho que eu posso começar com um... Me desculpa. Eu não sei aonde estava com a cabeça. Eu sei que estraguei tudo, que foi imprudente e idiota, então, por favor, só me desculpa.
  Seu rosto estava virado em minha direção, mas não consegui falar nada, então ele prosseguiu.
  – Eu agi por impulso, foi mais forte do que eu e eu não quero que isso estrague o que a gente tem, por favor, me ajuda a não deixar isso estranho entre nós.
  Ele se levantou, estava inquieto e eu não confiava o suficiente em mim mesma para ficar próxima dele sem repetir o que tínhamos acabado de fazer. Minha pele se arrepiou sobre o casaco, lembrando das suas mãos grandes e firmes me segurando.
  – Eu... Eu não sei se consigo fazer isso, George. Me desculpa.
  – Tudo bem, eu entendo. – Sua voz estava magoada e ele olhou para os pés por um instante.
  – Eu sei que não tenho moral nenhuma para falar, já que eu te beijei aquele dia lá no aniversário da Gina, mas... Isso foi tão diferente, tão consciente. – expliquei.
  – Foi exatamente nesse dia que começou tudo, %Vee%. Eu estou ficando louco desde esse dia. Você não pode me dizer que não sentiu nada nesse dia, não tem como. Alguma coisa aconteceu lá, eu sei que fiz de tudo para te convencer ao contrário na época, mas foi só porque eu vi que você estava realmente mal.
  – O que você está querendo dizer? – Minhas mãos tremiam e tive que escondê-las atrás de mim, enquanto eu notava que os pés de George o traíam e o aproximava de mim.
  – Eu quero dizer que algo mudou dentro de mim, %Vee%. No dia que você me beijou. E desde então, eu não consigo mais te olhar do mesmo jeito, não como amiga.
  – Está querendo dizer que a culpa disso tudo é minha? – Aquilo secou minha garganta, me deixou sem ar.
  – Não, por Merlin, não é isso que estou dizendo! Acho que isso ia acabar acontecendo mais cedo ou mais tarde.
  – O beijo? – minha voz saiu em um sopro baixo.
  – A chave virar. E a gente começar a confundir as coisas. – Sua voz era séria, e ressonou dentro de meu peito como um trovão.
  Pisquei várias vezes, tentando absorver o que ele havia dito.
  – Você... Você estava confundindo as coisas? Estava pensando em mim de alguma outra forma?
  George desviou o olhar novamente, passou as mãos pelo cabelo e andou um pouco pela sala antes de parar perto do piano.
  Essa era uma informação que eu não tinha certeza se queria realmente saber, aqui podia mudar tudo e podia estragar tudo. Mas a curiosidade estava me matando.
  – George?
  Ele soltou um suspiro alto e levantou os olhos para mim novamente.
  – Eu não sei, %Vee%. Eu sempre te achei linda, sempre adorei passar tempo contigo e sempre fiz de tudo para defender a nossa amizade. Então eu não sei dizer se estava pensando em você de alguma outra forma. Aquele beijo foi errado, eu sei mas... Não sei, eu fiquei curioso.
  – Curioso, George? Caralho! – Minha voz se alterou um pouco. Meu coração queria sair pela boca.
  – Ah, %Vee%, não faz isso comigo! Você também me beijou!
  É claro que aquilo iria vir a tona, eu também estava atolada nessa merda até o peito. Sabia que a culpa não era só dele.
  Mordi meu lábio inferior pensando no que dizer, George desviou o olhar novamente, passou a mão pelo piano deslizando até as teclas.
  – Você também me beijou, você correspondeu ao beijo que eu dei. Você podia ter me empurrado e dado um tapa em minha cara na hora em que o relógio apitou e eu não te larguei, mas não fez.
  – Eu... Não sei o que te dizer George, não sei o que estou sentindo e não sei o que você quer de mim. O que você quer de mim?
  A confusão de sentimentos em minha cabeça era tão grande, tão perdida e instável que me deixava meio tonta, exatamente como eu me senti quando ele estava me beijando.
  – Eu quero que não fique algo estranho entre a gente, sei que foi um erro, sei que você não queria isso, eu só queria poder voltar atrás e não ter feito, mas já que aconteceu, o mais certo agora é fingir que não.
  Como ele conseguia formar frases tão completas e certinhas em um momento como aquele? Eu estava embasbacada pelo momento, eu, que sempre tinha as palavras certas na ponta da língua.
  E eu estava mentindo. Eu queria aquilo, eu queria aquele beijo, eu queria as suas mãos passeando pelo meu corpo, eu só não conseguia admitir isso, já que ele queria esquecer.
  – Você consegue fingir que nada aconteceu? – me peguei perguntando.
  – Acho que só vamos saber se tentarmos.
  Ele estava lindo, os cabelos não estavam compridos demais, e nem curtos demais, era um meio termo que combinava com ele, nada daquelas franjas arrepiadas para cima que eu detestava.
  Usava uma calça jeans que havia se acostumado a usar em ocasiões não formais, uma Levi’s de tingimento tradicional com um leve desgaste nas coxas, uma camiseta de botões verde musgo com um suéter marrom por cima, apenas a gola da blusa aparecia.
  – Tudo bem. – falei por fim, finalmente derrotada.
  O que eu iria fazer? Me afastar dele para sempre? Me declarar e dizer que tudo que eu fazia agora era pensar nele e que minha vida não tinha cor quando estava longe dele? Que o seu calor me esquentava de maneiras que eu não conseguia explicar em palavras?
  Eu não ia fazer George admitir algo pelo qual não sentia. Se ele disse que o beijo foi pura curiosidade, eu vou me contentar com isso. Dei as cartas para que ele se abrisse comigo, se ele não quer isso, não vou ser eu que vou querer. Nossa amizade é mais forte do que um simples beijo.
  O problema é que aquele não foi um beijo simples, foi um beijo com camadas e muitas nuances, por exemplo, George não aprofundou o beijo apenas pondo a mão em minha nuca, ele me puxou para perto como se quisesse excluir qualquer espaço que tivesse entre nós. Foi um beijo urgente, um beijo que queria mais do que podia ter. Eu não podia estar louca de pensar que aquele beijo significava muito mais do que realmente era. Eu precisava de uma confirmação.
  – Tudo bem? – perguntou ele, e eu pude notar o seu pomo de adão subindo e descendo.
  – É, se você acha que vamos conseguir isso, eu vou acreditar.
  – Não é uma questão de achar, é uma questão de conseguir. Eu não quero deixar de conversar contigo, ou deixar de conviver contigo, por causa de uma besteira dessas.
  Besteira... Aquilo foi realmente uma besteira, uma tolice que apenas George Weasley teria a indecência de tentar. Por fim acho que foi um ato corajoso, ele pôs tudo a prova e no final, não sei se teve os resultados que queria.
  Será que George conseguiu confirmar que não sentia nada por mim e preferiu pedir desculpas e voltar a ser como era? Ou será que percebeu a minha reação exagerada e veio pedir desculpas sem nem pensar direito no que aquilo significava?
  – Você realmente acha que foi besteira, ou só está dizendo isso para tentar fazer as pazes comigo? – Arrisquei fazer a pergunta que estava me deixando doida.
  Eu não era idiota, sabia que haviam sentimentos confusos em relação à George há muito tampo, mas nunca tinha parado para pensar se esses sentimentos eram recíprocos ou não. O que aconteceu antes, junto com a conversa de agora estavam me dizendo que talvez George estivesse tendo o mesmo problema que eu. Uma falha, uma loucura que precisava ser respondida. Talvez ele até tivesse conversado com Ginny e Harry sobre o assunto e a irmã fez o mesmo teatrinho que fez comigo meses atrás.
  George levou um tempo para responder, enquanto meu cérebro fritava com mil e uma possibilidades de respostas. Ele se afastou do piano, olhou as cortinas, analisou o tecido azul do sofá com calma antes de pousar os olhos em mim novamente.
  Seus olhos castanho-esverdeados desceram e subiram por mim, fazendo minhas bochechas esquentarem e por fim disse:
  – Foi uma besteira ter feito daquele jeito.
  Ele não respondeu minha pergunta.
  – Não foi isso que eu perguntei.
  Ele suspirou, passou as mãos pelos cabelos de novo.
  – O que você quer de mim, %Vee%? Eu já pedi desculpas, já tentei dar uma solução plausível e já admiti que foi um erro meu.
  – Eu quero entender o que te levou a fazer isso. – falei com calma, desencostando da parede e indo até a estante.
  – Eu já te disse que não sei, %Appleby%. Eu só... A gente já estava ali, não pensei nas consequências.
  Não era a resposta que eu queria, ele estava se esquivando. Não queria dar a cara a tapa.
  George não teve muitos relacionamentos antes de Angelina, e muito menos relacionamentos depois dela. Eu não sabia como ele era quando estava apaixonado de verdade. Tenho as minhas dúvidas até hoje se em algum momento ele realmente foi perdidamente apaixonado por Angelina, então não estava em minha memória o modo como ele se portava quando estava apaixonado por alguém.
  Por um lado, eu gostava da ideia de ele estar apaixonado por mim, porque isso não me faria uma idiota sozinha. Não que eu estivesse realmente apaixonada por ele, mas havia algo ali, eu não tinha mais como negar, não depois daqueles beijos. Mas ele estar apaixonado por mim levantavam questões mais sérias que eu não sei se estava pronta para assumir ou discutir.
  Aquilo me deixava com a régua bem curta para boas opções.
  Ou eu esquecia tudo, como estávamos ambos dispostos.
  Ou eu colocava tudo a perder e voltava a beijá-lo ali mesmo.
  Havia tanta coisa em jogo, sua família, nossos amigos, sua ex-namorada, o meu ex-namorado, o que as pessoas iriam pensar e por fim, o mais importante: George queria aquilo?
  Bom, ele não pensou se eu queria aquilo quando agarrou minha nuca e aprofundou um beijo que era pra ser meramente um feedback de um produto...
  – Me desculpa, %Vee%. Tá legal? Eu fui um idiota, você foi lá na boa vontade me ajudar e eu caguei com tudo. – Ele se adiantou, sem conseguir esperar minha resposta. – Eu sei que não devia ter feito aquilo, mas eu fiz. Eu sei que não é uma justificativa você ter me beijado de volta e eu não devia ter jogado isso na sua cara.
  George Weasley perdeu a fala, porque eu entrei no seu espaço previamente delimitado longe de mim e o beijei.
  Não pensei em nada, apaguei tudo que havíamos conversado e uni nossas bocas ficando na ponta dos pés e puxando sua cabeça para baixo com as duas mãos.
  O toque dos seus lábios era macio e quente e só percebi nesse momento o quanto eu sentia que precisava daquilo, meu peito parecia ter um dos fogos de artifício de dragão que ele vendia na loja e senti meus pés perderem o chão quando suas mãos envolveram minha cintura ao mesmo tempo em que sua boca abria espaço para minha língua.
  Todos os pelos do meu corpo estavam arrepiados quando fechei os olhos e mergulhei de cabeça em todas as sensações, seus cabelos em meus dedos, o seu cheiro cítrico e levemente amadeirado, as suas mãos firmes na altura de minhas costelas e o sabor da sua boca, que eu não fazia ideia do quanto eu já sentia falta.
  George não fingiu que não havia gostado da surpresa, soltou um murmúrio baixo de aprovação deslizando suas mãos pelas minhas costas e levou uma delas até minha nuca, separando nossos lábios e descendo seus beijos pelo meu pescoço. Um arrepio percorreu minha espinha ao mesmo tempo em que um gemido escapou por meus lábios quando sua língua tocou a pele sensível de meu pescoço e tudo aconteceu com tanta facilidade que eu sabia que tudo aquilo estava acontecendo por um motivo.
  Eu estava apaixonada por George Weasley.
  Cada toque seu ecoava em meu corpo feito a badalada de um sino alto, eu não tinha mais como negar as sensações. Sua boca subiu por meu queixo e voltou a colar na minha, nossas línguas se enroscando de volta em um pedido de urgência. Suas mãos voltaram a se prender em minha cintura e, com um movimento delicado, George me empurrou para o sofá.
  Separamos nossas bocas na queda porém não deixei que ele falasse nada, puxei seu rosto para mim e ele acabou caindo sobre meu corpo no processo, nos acomodamos no sofá, ele por cima de mim e voltamos a nos beijar com avidez, cada partícula do meu corpo queria senti-lo, o seu cheiro me inebriava e nada mais no mundo parecia querer me parar.
  Eu estava completamente apaixonada por George Weasley.
  Eu sabia que tinha fugido antes, que aquilo parecia loucura que estar deitada com George por cima de mim não parecia ser uma possibilidade plausível há alguns minutos, mas eu precisava levar em consideração que meu melhor amigo beijava muito bem.
  – G, a gente tá fodido. – finalmente quebrei o silêncio que nossos beijos causavam, enquanto ele descia seus lábios por meu queixo novamente.
  Ele soltou uma risadinha pelo nariz.
  – Cala a boca, %Vee%. Não estraga.
  – Desculpa, foi mais forte do que eu. – Soltei uma risada quando ele levantou o rosto em minha direção, as feições indignadas.
  – Vem cá. – Ele puxou minha cabeça e selou nossos lábios. – Agora já foi, não dá mais pra voltar atrás, gastamos todas as fichas de fingir que não gostamos disso.
  – Merda, você tem razão.
  George se sentou pondo as mãos no rosto, posicionei minhas pernas em seu colo.
  – Você está bem? Não tá doente? – perguntou, levando as costas da mão em minha testa. – Admitindo que estou certo, isso vai te fazer desmaiar.
  – Há, há, há. Foi engraçado na primeira vez que você fez essa piadoca.
  – Para, %Vee%. Não precisa fingir que não gosta das minhas piadas.
  Senti meu rosto esquentar e ele sorriu com a conquista, me sentei erguendo o tronco e ele pôs as mãos sobre minhas pernas.
  – Tá bom, e agora como nós ficamos?
  – A gente realmente precisa falar sobre isso agora? – perguntou ele, levando sua mão em minha nuca e puxando meu rosto para mais um beijo. Meu estômago revirou em êxtase, levando minha mão até seu peito subindo com calma até seu rosto enquanto, em um movimento rápido, George me puxou para seu colo, suas mãos passeando livres por minhas coxas.
  Eu me sentia bem. Me sentia segura em seus braços, seja qual fosse a merda que teríamos que enfrentar, tenho certeza que vai ser mil vezes mais fácil com ele ao meu lado. Por mais que esses beijos não signifiquem grandes coisas, eu sabia que George sempre estaria ao meu lado, do jeito que ele sempre esteve. Não tinha mais como fugir disso.
  – Sim. – Separei nossos lábios sorrindo. – Sim, a gente realmente precisa falar sobre isso. Você não veio até aqui para conversar? Mesmo eu pedindo para você não vir?
  Ele suspirou alto, jogando a cabeça para trás.
  – Aaaaaargh.
  – Devia ter pensado nisso antes de me beijar. Agora eu preciso de respostas.
  – %Verônica%... – Ele levou as mãos no rosto que ainda estava jogado para trás. – Eu não consigo me concentrar em nada com você sentada no meu colo.
  – Foi você que me puxou para o seu colo, seu otário.
  – Eu não achei que você fosse querer abrir uma mesa de diálogo em uma hora dessas.
  Soltei uma risada, saindo de seu colo.
  – Vem, vou fazer um chá.
  Segui para a cozinha e ouvi um novo suspiro alto vindo dele. Coloquei leite para ferver, a chama sendo acesa com um toque de varinha, e separei algumas ervas para fazer o chá, pus o açucareiro no centro da mesa redonda de quatro lugares, onde cada cadeira era de um modelo e de uma cor diferente.
  Separei duas canecas, coloquei uma colher de mel em uma das canecas e quando fiquei na ponta dos pés para pegar o potinho de canela em pó, senti a presença de George atrás de mim, alcançando o pote e me entregando, sua mão pousada em minha cintura.
  – Nem vem, pode parar.
  – O que foi? – Ele riu, cruzando os braços apoiando o quadril na pia.
  – Tá dando uma de príncipe encantado pra cima de mim!
  Pus uma pitada de canela na caneca que seria a minha.
  – Eu só quis ajudar!
  – E a sua mão na minha cintura foi o que? Estava perdendo o equilíbrio dos teus dois metros de altura?
  Ele soltou uma risada gostosa, daquelas altas e abertas, espiei seu sorriso por um segundo antes de ir tirar o leite do fogão.
  – Você está ficando doida, %Vee%. Se eu soubesse que ia ficar tão afetada assim, não teria te beijado. – Ele me provocou, soltando uma risadinha.
  – Por que eu fui corresponder à isso? – Pus o leite nas ervas que havia separado, deixando infusionar e peguei um pote com creme.
  Eu não precisava perguntar a ele como ele queria o chá, eu sabia exatamente o que ele gostava, amargo e cremoso.
  – Porque eu sou irresistível e você já sabe disso.
  – Você é irresistível? George, você nem estava conseguindo formar uma frase enquanto eu estava sentada no seu colo. – bati o creme com uma colherinha e pus uma pitada de gengibre.
  – Mas aí é golpe baixo! Não conta.
  Soltei uma risada e ele acompanhou, peguei o leite infusionado e misturei em cada caneca a sua maneira. Levei as duas até a mesa e me sentei, colocando a sua caneca na frente da cadeira que eu queria que ele sentasse, de frente para mim.
  – E então? – perguntou ele, bebendo o líquido e lambendo o “bigode” de creme que ficou em seu lábio superior.
  – Será que podemos tentar entender o que está acontecendo e como vamos lidar com isso?
  Ele sorriu.
  – Eu tinha me esquecido de como você é mandona. – Ele costumava detestar isso em mim.
  – George, é sério. Eu praticamente tive uma crise de pânico hoje, eu preciso que as coisas fiquem resolvidas entre nós. – Bebi um gole do meu chá, me sentindo imediatamente aquecida pelo mel e a canela que faziam parte da mistura.
  – Tudo bem, desculpe. – Ele bebeu mais um gole do seu chá. – Olha, eu preciso ser sincero com você sobre algumas coisas, eu fui conversar com Angelina há alguns meses.
  Meu coração disparou e eu me afoguei com o chá que estava em minha boca no momento, dei algumas tossidas e ele esperou eu me recuperar para continuar.
  – Ela está realmente tranquila com o fato de que eu podia estar sentindo algo diferente por você, ela está muito bem com Oliver e muito convencida de que deveríamos ser um casal. Então, acho que você deveria ir falar com ela antes de qualquer coisa, ela vai ficar feliz de saber o seu ponto de vista, ela é sua melhor amiga...
  Segurei minha caneca com as duas mãos, deixando o calor me aquecer de algum modo. Ele tinha ido conversar com Angelina sobre... nós?
  Aquilo era sério de uma maneira que eu não esperava, e extremamente fofo de sua parte, afinal ele é ex-namorado dela.
  – %V%-você foi falar com ela? – Mesmo assim, minha voz falhou ligeiramente esganiçada.
  – É claro! Eu precisava conversar com alguém, você estava fora de questão e eu sei que Lee é meu melhor amigo, mas Lee é meio sem noção, ele nunca namorou ninguém sério.
  Aquilo me mostrava o quão desesperado George ficou com esse assunto.
  – Uau – suspirei levando minha caneca até a boca. – Mais alguma coisa que eu deva saber?
  – Sim, Neville está caidinho por você. Mas ele não vai fazer nada quanto a isso porque sabe que você está caidinha por mim. – Ele terminou a frase e piscou para mim, lançando um sorriso.
  Joguei a colherinha em sua direção, fazendo ele se esquivar para o lado, dando uma risada alta.
  – Agora é a sua vez. – acusou ele.
  – Aquele dia na praia, as meninas fizeram um complô contra mim, falando que devíamos ficar juntos porque todo mundo basicamente já sabe que estamos... – Eu não queria usar a palavra “apaixonados”. – Gostando um do outro, e que só nós dois não estávamos vendo isso.
  – Justo. Isso explica porque você estava tão estranha aquele dia.
  – Ei! – tentei debater mas logo soltei uma risada. – Eu pirei, não queria admitir que estava sentindo algo por você. E na minha cabeça, eu até podia estar sentindo algo, mas você, com certeza não estava. Mas confesso que nesse dia você estava me encarando em vários momentos.
  – Você estava gata pra caralho. – Essa revelação fez minhas bochechas esquentarem.
  – Para com isso.
  – É sério, não sei como não babei.
  Tapei o rosto rindo e ouvi sua risada.
  – Foi você que quis conversar! – Ele rebateu sozinho, provavelmente vendo a cara que eu fazia.
  – Tá bom, e quanto à isso? – Apontei para nós dois. – O que é isso?
  – Me diz você. – Ele finalizou a caneca, e largou as mãos sobre a mesa.
  – Eu não sei o que é, Georgie. – Um sorrisinho brotou em seu rosto me ouvindo chama-lo daquela maneira. – Mas nós estamos arriscando muita coisa aqui, então se não for algo minimamente sério, eu prefiro que a gente dê um passo para trás e realmente finja que nunca aconteceu.
  – %Vee%, você não noção do tempo que eu fiquei remoendo para saber se realmente te chamava para testar aquele gloss. Eu não fiz isso pra fingir que não aconteceu. – Seu tom era sério, sem um pingo de gracinha. – Até parece que eu iria conseguir esquecer algo assim!
  Eu gostava da honestidade dele, do seu tom sério, e da tomada de decisão.
  – Tudo bem, eu... Me desculpa, eu me assustei muito antes, minha cabeça estava uma bagunça.
  – Relaxa, eu não fui a pessoa mais sensata no momento também.
  Finalizei meu chá, balancei minha varinha e ambas foram para a pia e iniciaram o processo de se lavarem sozinhas.
  Apoiei meus cotovelos na mesa, o encarando novamente.
  – Você se importa se não contarmos pra ninguém ainda? – perguntei, com medo que ele achasse aquilo ruim.
  George suspirou aliviado, soltando os ombros e parecendo derreter sobre a cadeira.
  – Acho que a gente tem que entender o que isso é primeiro. – disse ele.
  – Isso! Não tem porque ficar estressando as pessoas com algo que nem começou ainda. – dei de ombros, ele sorriu e se levantou vindo em minha direção com calma, agachou ao meu lado.
  – Eu não sei o que é isso direito, mas eu gosto de você, %Vee%. Não quero estragar nada, então, por favor, seja a bocuda que você sempre foi e me fala quando algo estiver errado. – eu conseguia ver as ramificações esverdeadas dos seus olhos, os fiozinhos de sobrancelha fora do padrão, o desenho perfeito dos lábios finos. Tudo unido em um conjunto que eu já conhecia tão bem e ao mesmo tempo nunca analisei com tanta destreza.
  – Como se eu precisasse falar algo para você perceber que tem algo errado. – Girei os olhos para cima e sorri. Ele analisou minhas feições também e acompanhou meu sorriso com deus dentes bonitos.
  – O jeitinho que você me humilha é sempre diferenciado. – brincou.
  – Então, combinado? Vamos fingir que nada mudou por enquanto?
  – Acho que tenho a ideia perfeita de como vamos selar esse acordo. – Suas mãos deslizaram por meu rosto, puxando minha cabeça para um beijo.

  Flashback

  A Toca – Meados de Junho de 1996

  Ponto de vista: %Verônica%

  – Ei, eu tive uma ideia para a loja de vocês! – falei me sentando na mesinha de centro, de frente para eles. George pegou um bloquinho que se acostumou a manter no bolso da calça para possíveis ideias que surgissem em um momento aleatório.
  Os dois se aprumaram nos lugares, esperando eu falar.
  – O que vocês acham de produtos protetores? Tipo chapéus que protegem de alguns feitiços simples, como um escudo mesmo, sabe? Agora que a guerra está declarada, as pessoas estão com medo... Vai vender como água.
  George me olhou admirado, Fred me olhou orgulhoso.
  – Brilhante.
  – Chapéus, gorros, guarda-chuvas, capas... Talvez consigam vender até para o ministério, se for algo realmente confiável. – expliquei dando de ombro.
  – Como você pensou nisso? – George perguntou, enquanto anotava tudo no bloquinho.
  – Eu só pensei em como poderia sair daqui sem me preocupar tanto, vi Molly pela janela de manhã lançando seus feitiços protetores sobre o terreno e tive a ideia.
  – Isso é bem interessante, %Vee%. – Fred parecia realmente interessado e pensativo ao mesmo tempo. – Eu preciso de um minuto. Vem, George.
  Ele se levantou depressa, como se uma epifania tivesse acontecido. Quando eles já tinham saído do quarto, ele voltou correndo e selou nossos lábios.
  – Obrigada e desculpa.

  Continuei meus estudos no quarto de Gina enquanto eles ficaram quase a tarde inteira pensando em protótipos e fazendo sei lá mais o que. Molly e Arthur me chamaram para ficar ali no verão e tenho a sensação de que eles não queriam que eu fosse embora. Certa noite eles me chamaram do quarto dos gêmeos e me explicaram a situação atual, é claro que eu já tinha noção da gravidade de tudo que estava acontecendo, porém aquela conversa realmente me deixou preocupada com minha avó.
  – Eles não vão atrás de todos os familiares de todos os alunos de Hogwarts, mas você está em constante contato com Harry, querida. E conosco, confesso que gostaria que nossa fama fosse mais neutra nesse quesito, mas todos sabem que somos uma “família puro-sangue de traidores que ama trouxas”. – Sra. Weasley argumentou solidária.
  – Não pretendemos te prender aqui, mas precisamos ter a noção de que é muito perigoso para você e a sua avó e ficaríamos muito mais tranquilos se você sempre estivesse sob nossos cuidados. – Sr. Weasley complementou.
  – Você é da família, meu bem. – Suas bochechas sempre coradas me davam a sensação gostosa de que eu realmente era bem vinda ali em qualquer momento.
  Depois dessa conversa, eu entrei oficialmente para a Ordem da Fênix. Molly não ficou satisfeita com isso, mas eu não podia simplesmente ficar ali sem ajudar em nada.

  Depois do jantar, enquanto ajudávamos Molly a limpar tudo, Fred se aproximou de mim e sussurrou em meu ouvido:
  – Dá uma olhada no Ron.
  Guardei a pilha de pratos limpos no armário e disfarcei o olhar, com o canto dos olhos vi George passando por trás de Rony, que engolia um pedaço enorme de bolo de chocolate de uma só vez, e salpicou algo sobre sua cabeça. De repente, as orelhas de Rony começaram a ficar vermelhas, depois o pescoço e por último o rosto. Não era um vermelho normal, era um vermelho de alguém que segurou a respiração por três minutos inteiros, seu rosto se contorceu como se ele estivesse realmente se segurando para algo, como um espirro ou um bocejo e no segundo seguinte abriu a boca e soltou uma gargalhada que reverberou o ambiente inteiro. A risada era quase sobrenatural, alta, forte e contagiante, ele ria de perder o fôlego. Harry ria junto já entendendo o que aconteceu e era bem difícil segurar a risada naquele ponto, Ginny também ria do irmão.
  O surto durou o que achei que seria alguns bons minutos, Rony foi perdendo a vermelhidão e sua risada foi se dissipando com calma, até apenas durar alguns risinhos fracos e ele finalmente recobrar a consciência de seus atos.
  – Bloody hell. O que foi isso?! – perguntou exasperado e Fred fez uma reverência exagerada.
  – É o nosso mais novo pó do riso, estará disponível para comprar na inauguração da nossa loja.
  – Como vocês podem notar, ele é bem concentrado e o efeito é de apenas um minuto. É bom para quebrar o gelo e muito fácil de manusear. – George contribuiu para a propaganda, erguendo o frasco pequeno tampado por uma rolha.
  – Achamos que nesses momentos difíceis, uma risada pudesse ajudar a alegrar o dia.
  – Uma risada forçada não conta. – Rony defendeu-se fingindo-se de irritado, mas todos sabíamos que ele tinha gostado do produto.
  – É forçada, com certeza, mas causa divertimento nos demais. E, qual é, dura um minuto! – George respondeu bagunçando os cabelos do irmão.
  – Foi divertido meninos, acho que vai fazer sucesso. – falei por fim, sorrindo amigavelmente, vendo a guarda de Rony baixar. – Rony, você devia sorrir mais, faz bem pra pele, sabia?
  – É, pode ser... – dessa vez, o vermelho que preencheu suas orelhas, era natural.

  Naquela noite, Fred e George me chamaram para conferir todos os produtos que estariam na inauguração da loja, chamaram Harry também, já que ele era o maior patrocinador de tudo e o cara que havia dito que as pessoas precisavam sorrir um pouco mais.
  Mostraram as ideias que haviam tido com a sugestão que dei anteriormente e, juntos, planejamos como seria a mudança para seu novo apartamento.
  Tudo estava se encaminhando para algo novo e maravilhoso: eu estava matriculada em um curso preparatório de poções, Fred e George estavam animados com a inauguração, Harry e Ron estavam animados para o início das aulas, Gina me avisou que estava particularmente ansiosa com o novo ano e me admitiu que seu crush em Harry havia voltado com tudo nessas férias.
  A vida era incrível.

  Fim do flashback.


  Nota da autora:
  Aconteceu.
  Esse capítulo está escrito desde o capítulo do natal, eu estava passando mal de ansiedade para inserir ele na história. Finalmente aconteceu.
  Não teve flashback nesse capítulo pois acho que a gente meio que precisava de um segundo pra absorver o que aconteceu nesse capítulo hahahahahahah
  Espero que tenham gostado e deixem aquele comentário lindo <3

Capítulo 14
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